História Livin' in a World Without You - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 8
Palavras 1.713
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Musical (Songfic), Poesias
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olar ~
Tava dando uma bizoiada em alguns arquivos antigos e achei umas fanfics - a maioria largada no meio mesmo, é.
Eu a fiz a alguns aninhos atrás em uma madrugada que eu tava meio na deprê (mentira, eu só tava sem o que fazer mesmo e acabei ouvindo essa música no shuffle do itunes). Ela é *meio* baseada em fatos reais, então tá meio bosta pq a vida é meio bosta mesmo, vamos combinar.
A capa tbm tá meio bosta, não reparem, o conteúdo é que importa.
Se estiver com algum errinho ou sei lá é só avisar pq eu não revisei pra garantir shuahsuashuash
O link do vídeo vai estar nas notas finais, vai lá se quiser ler ouvindo a música.

Capítulo 1 - You told me, my darling; without me you're nothing


“It's hard to believe it came to this

You paralysed my body with a poison kiss

For nine hundred days and nights*

I was chained to your bed

You thought that was the end of the story

Something inside me called freedom came alive”

 

Éramos melhores amigos quando dera-se o início de tudo. Ainda me lembro incrivelmente bem de como ocorrera.  Eu, um calouro na faculdade de moda vivendo a suposta décima oitava primavera. Ele, em sua décima sexta, ainda preocupado em receber o diploma de ensino médio. Nossos gostos em comum haviam sido o estopim, os causadores de nossa inexorável aproximação.

Apesar de mais velho, era eu quem menos aparentava a idade que possuía, tanto física quanto psicologicamente. Ele se tornara meu confidente, meu porto seguro e por vezes aquele quem me ensinara o que eu ainda não sabia. Fizéramos um pacto de sangue, e assim tornamo-nos irmãos de coração. A conexão era grande. O desejo de ficarmos juntos, também. Por um tempo eu achei que isso fosse o bastante.

 

“You told me, my darling

Without me you're nothing

You taught me to look in your eyes

And fed me your sweet lies”

 

Com seu típico jeito galanteador, não foi nada difícil para ele arranjar uma namorada. Ele não havia me abandonado, de modo algum, mas algo começava a machucar bem lá no fundo, crescendo gradativamente. O que seria? Ciúmes?

Sempre que se metia em confusão, ou traía sua garota, era a mim que ele vinha pedir conforto. Eu o aconselhava e o acolhia, de braços abertos, como um verdadeiro irmão deveria fazer.

Certa vez, cansado de o ver trocar carinhos e palavras ternas com outro alguém, resolvi que também deveria arranjar amor em braços que não os daquele que já não mais me abraçavam como antes. O clima entre nós não se tornou dos melhores. E no mesmo dia que ele enfim decidiu terminar seu compromisso, eu fiz o mesmo.

Mais uma vez solteiros, sem mulheres entre nossa saudável irmandade. Era o que pensávamos quando voltamos a agir como antes. Não durou muito tempo, no entanto. Nada permanecera igual quando ele, com todo o seu jeito envergonhado e desajeitado de ser, declarou seu amor por mim.

Minha felicidade era inenarrável e eu prontamente aceitei-o como meu. Ele, lindo como eu sempre achei, não se cansava de dizer-me o quanto eu era precioso, o quanto me amava e precisava de mim. Juras de amor eterno foram trocadas diversas vezes, e isso não poderia ter me deixado mais encantado.

Foram dias extremamente felizes.

 

“Suddenly someone will stare in the window

Looking outside at the sky

That had never been blue”

 

Uma pena que eu estivera tão cego que nem sequer pude perceber quando tudo pareceu se desfazer no mais profundo e temível inferno. E isso em apenas oitenta dias.

 

“Oh, there's a world without you

I see the light

Living in a world without you”

 

Eu já havia me afastado de todos os amigos mais próximos. Ele fizera o mesmo. Eu comecei a acreditar veementemente que era assim que deveria ser, estávamos apaixonados, somente nós dois nos bastávamos.

Mas as brigas começaram a fazer parte da nossa rotina, o respeito a muito havia sumido e traições não eram mais apenas vistas em relacionamentos alheios.

Tudo isso, entretanto, não foi o suficiente para nos afastarmos. Acreditávamos ser a alma gêmea um do outro, que nada nem ninguém nem todas as brigas e faltas de respeito do mundo conseguiriam nos separar. Apenas estávamos nos enterrando em uma ilusão bonita com consequências catastróficas.

Confesso nunca ter sido muito fácil de lidar, eu era infantil e muitas vezes ignorante também. Provavelmente havia sido eu mesmo que o incitara a me desrespeitar. Sempre que ele inventava de fazer alguma criancice que eu não gostasse, já começava a o xingar e ofender, demonstrando minha enorme impaciência. Eu apenas havia levado o troco. Por muitos e muitos meses seguintes. Só me restava suportar.

Certo dia decidimos testar a nós mesmos. Queríamos ver por quantos dias conseguiríamos ficar afastados. Não há dúvidas do quanto a besteira havia sido grande. Trinta, sessenta, noventa. Algo que havia começado com poucos dias distante um do outro conseguiu se estender por até seis meses. Sempre um dos dois dava o braço a torcer e corria atrás do outro, para mais uma vez tudo se tornar lindo e florido por alguns dias. Porém, para em seguida novamente recomeçarem os problemas.

Revivemos tal ciclo diversas, inúmeras vezes. Enfim chegamos aos trezentos e sessenta dias de romance – grande parte destes separados, não?! – e doze meses sem trocarmos palavras já não mais nos parecia um objetivo distante de ser alcançado. Já não mais dávamos falta um do outro. O amor havia esfriado, se tornara algo feio, ruim, doentio. Sempre que buscávamos um pelo outro era apenas pura conveniência, vontade de se sentir pertencente ou dono de alguém. Nos machucávamos muito mais do que já havíamos chegado a sequer cogitar.

 

“Oh, there is hope to guide me

I will survive

Living in a world without you”

 

Eu não sei dizer se era apenas puro orgulho, mas eu simplesmente não conseguia aceitar ele, o anjo da minha vida, meu primeiro amor, completamente à vontade ao lado de todas as piranhas que eram suas supostas amigas. Sabia o quanto ele havia se tornado um cafajeste, ou sempre havia sido e eu quem não queria enxergar, mas realmente não me importava com nada disso. Pois sabia que era apenas eu estender minha mão e ele largaria todas no mesmo minuto por mim. Eu não desacreditava disso; conhecia muito bem o jeito desfigurado que ele, aquele cara que me fazia perder o ar e bambear as pernas apenas com o olhar, demonstrava me amar. Apenas não conseguia mais confiar em suas atitudes.

Eu acreditava que viver assim era-me o bastante, que deveria me contentar pois nada melhor haveria de conseguir. Agarrei-me tão fortemente a essa ideia, que simplesmente não suportava a imagem que eu mesmo criei de uma versão minha completamente sem ele.

 

“You put me together

Then trashed me for pleasure

You used me, again and again

Abused me, confused me”

 

Mais uma vez tudo pareceu piorar. Ele, a qual provavelmente já não mais sentia necessidade de mim, ora me aceitava, ora me rejeitava. Amava-me fervorosamente, para logo em seguida então me dizer com todas as duras e nada desejosas palavras que não mais me queria, que havia aprendido a viver sem mim.

 

“Suddenly naked I run through your garden

Right through the gates of the past

And I'm finally free”

 

Sentia já não mais estar agindo sensatamente, talvez nunca tivesse o sido de fato. Tudo o que mais queria, o que mais almejava, o que mais desejava era ter o poder de voltar no tempo e consertar as centenas de erros cometidos. Não só por ele, mas por mim também.

Queria-o de volta, faria tudo, daria tudo para o reconquistar, para o prender a mim mais uma vez. Eu estava preso ao passado de uma maneira tão desnecessariamente cruel, que simplesmente não conseguia associar o quanto aquele à minha frente definitivamente não era o cara por quem eu me apaixonara um dia.

E foi pensando assim que eu segui acreditando. Segui perdendo meu precioso tempo e minha vida. Segui sem a menor vontade de encarar o restante do mundo, pois meu mundo era ele. Apenas, segui.

 

“Oh, there's a world without you

I see the light

Living in a world without you”

 

Só Deus sabe o quanto me fora difícil aceitar o tão cruel destino. Por diversas noites ainda o via em meus sonhos, tinha pesadelos bem reais quanto ao que já havia nos acontecido. Olhava seu número, não mais registrado em meu celular, mas ainda fielmente lembrado pelo aparelho, e divagava sobre as próximas atitudes que deveria tomar. Esquecer? Lembrar? Implorar? Não me importar? Mantive-me preso à estas questões por muito tempo, ainda sentindo-me mal sempre que o via.

 

“Oh, there is hope to guide me

I will survive

Living in a world without you”

 

Entretanto, não podia me dar ao luxo de ignorar o alívio que me tomava o peito sempre que me via livre de tal relacionamento infiel. A felicidade que me rondava ao constatar que, sim, eu poderia sair com meus amigos agora não mais com medo de que aquilo pudesse gerar uma briga, poderia agir e fazer o que bem quisesse sem medo de ser julgado e ofendido por isso. Poderia enfim viver sem precisar dar satisfação a ninguém, exceto a mim mesmo e meus progenitores.

 

“Oh, there's a world without you

I see the light

Living in a world without you”

 

Por outro lado, às vezes ainda simplesmente parava; e lembrava. Lembrava dele, do nosso antigo e tão diferente amor, do sentimento doentio e errado que nascera de um relacionamento ainda mais errado. Da nossa tão preciosa amizade que se perdera conforme o tempo. Das brincadeiras ingênuas e infantis, das conversas que simplesmente brotavam mais do que ervas-daninha em um jardim esquecido.

 

“Oh, there is hope to guide me

I will survive

Living in a world without you”

 

Infelizmente, nenhuma daquelas lembranças valiam mais a minha tão valiosa liberdade.

 

“Living in a world without you”

 

Anos se passaram e eu ainda estou aqui. Sobrevivi à minha primeira decepção amorosa. Como todos sobrevivem. Não irei dizer que foi tudo perda de tempo. Eu realmente tivera ótimos momentos com a pessoa que, até então, me era tão especial. E também aprendi muitas coisas. Boas e ruins. Coisas que engrandeceram meu espírito, e também coisas que eu nunca mais quero que me aconteçam.

 

“Living in a world without you”

 

Como de praxe, eu me apaixonei de novo. E mais uma vez fui feliz e triste ao mesmo tempo. Talvez essa coisa de amor não seja pra mim. Ou talvez todos passem por isso mesmo. Afogam, afogam, afogam, mas simplesmente não conseguem parar de nadar.

 

“Living in a world without you”

 

Não irei mentir. Eu me livrei de todos os presentes que ganhei dele. Mas, não foi por mal. Nem muito menos por ainda possuir algum tipo de sentimento além do carinho pelos momentos bons. Apenas acreditei não mais precisar daquelas coisas.

 

“Living in a world without you”

 

Não há por que guardar nada que não caiba direitinho na memória.


Notas Finais


*No original: For forty days and nights

Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=EZUEGqfoyGU
O vídeo que eu realmente queria parece que foi deletado, então vai esse mesmo.

Bai bai ~


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