História Livrai-me de todo pecado, amém - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Gay, Lgbt, Yaoi
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Palavras 1.625
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Experimento


Quando algo começa, você não tem a mínima ideia de que está começando. É do nada, repentino e, quando você percebe as dimensões daquilo, tudo já aconteceu em sucessivos gatilhos e você só está vivendo sua vida sem se lembrar de como tudo havia chegado naquele ponto; o que foi, de fato, responsável para tornar o momento atual o que ele era? Esse era um dos mistérios que eu costumava perder tempo refletindo.

Naquele dia, no entanto, indo contra tudo, eu senti que estava prestes a fazer algo que seria o começo de algo ainda maior. A estranheza me acompanhou por bastante tempo e não conseguia abandonar a sensação de que estava, sem dúvida alguma, iniciando algo. A sensação era uma leve pontada de euforia constante em meu peito, mas, naquela hora, interpretei como ansiedade e nervosismo e segui adiante com o que estive planejando fazer durante o dia inteiro.

Mais tarde, quando abri a porta, a primeira coisa que ele fez foi me olhar por inteiro, dos pés à cabeça. Seus olhos castanho-claros pareciam varrer algo além do meu exterior, como se tivesse acesso ao meu íntimo e escondido. A insegurança de sempre me dominou em poucos segundos e quis muito saber o resultado da análise que ele havia feito sobre mim, pois a expressão engraçada que ele trouxe ao rosto quando terminou de me julgar foi intrigante. Como sempre, atirei todos os meus problemas emocionais em um canto do meu ser e ativei a falsa coragem que adotava em minha vida. Se ele ia me julgar, eu também o julgaria e isso significava olhá-lo da mesma forma como ele havia me olhado. No fim, balancei a cabeça como se dissesse “ok”.

Após a desnecessária maratona de intimidação, abri espaço para que ele entrasse e fechei a porta. Eu tinha me questionado acerca do que estava prestes a fazer o dia inteiro, mas nada como naquele momento. Meu corpo tremia em nervoso, insegurança e culpa e o quarto do hotel não ajudava em nada, principalmente as paredes vermelhas quentes e escuras, elas tornavam tudo mais tenso.

— Oi. — Ele disse, sentado na cama e me encarando e receber a atenção de alguém tão bonito assim me desnorteava. Minutos constrangedores em silêncio foram o resultado disso.

— Oi. — Respondi tardiamente.

— Como vai ser?

— Como vai ser o quê? — Disparei, em reflexo, e logo me arrependi. Ele riu.

— Entendi. — Ele levantou e veio em minha direção. Seu olhar me acendeu de uma forma inesperada, mas recuei até a parede. Não demorou muito para que ele estivesse perto novamente, no entanto. Perto o suficiente para eu conseguir responder uma dúvida que tive ao escolhê-lo no site hoje mais cedo, ele definitivamente não era uma beleza apenas de fotos. Ele era um jovem bonito que me assustava. O que eu iria deixar ele fazer comigo me assustava. Toda aquela situação me assustava.

— Espere. — Disse, arfando e tentando, desesperadamente, fazer com que o ar entrasse em meus pulmões. Ele me olhou com curiosidade. — Não quero muito contato. Só fazer o experimento e pronto.

Ainda com um pouco da minha falsa coragem, consegui forças para encará-lo e a consternação que captei em seu rosto me intrigou. Mesmo parecendo levemente incomodado, ele disse sim com a cabeça, desafivelou o cinto, abriu o botão da calça jeans e expôs seu pênis. Manteve camisa e calça e despiu apenas o necessário.

— Impessoal, então. — Ele sussurrou.

 E, sim, ele havia realmente entendido o que eu quis dizer. Eu queria me livrar daqueles pensamentos uma vez por todas e, para isso, precisava fazer algo, o mínimo possível. Virei de costas, abaixei minhas calças até o início das coxas e senti ele se aproximar de mim. Senti sua respiração tocar minha nuca. Um ponto fraco que me fez estremecer.

— Trouxe lubrificante? — Ele disse enquanto movimentava o pênis para cima e para baixo para deixá-lo ereto. Não era monstruoso, mas também não era nada pequeno. Era algo entre acima da média e grande e, para alguém como eu, ser acima da média era o suficiente para me assustar.  

Fui até a mesinha que ficava ao lado da cama, me achando ridículo por estar com a bunda exposta, prestes a ser fodido por um completo desconhecido. Corei umas trezentas vezes até achar o lubrificante na gaveta e entregar a ele, sem voltar para o meu antigo posto, que era praticamente coberto pelo corpo dele e prensado contra a parede. Encarei ele parado me esperando, praticamente pronto para mim e, mais uma vez, questionei o que estava fazendo. Eu sequer lembrava seu nome e estava prestes a deixá-lo enfiar um tora dentro em mim, literalmente falando.

— Deita de costas, tira as calças por completo e abre as pernas pra mim. Embora você não queira muito contato, vai ser melhor desse jeito. — Túlio disse. Fiz um esforço para lembrar o nome que estava no site.

Não questionei. Ele já tinha feito aquilo outras vezes, provavelmente seria mais fácil, mesmo. Fiz exatamente o que ele mandou e, quando abri as pernas para dar espaço para ele se aproximar, Túlio despejou quase um litro de lubrificante na mão e veio andando lentamente. Seu pênis estava mais que pronto e, anatomicamente falando, comecei a pensar a logística de entrada daquilo em meu ânus. Meu corpo todo se agoniou e me senti trancado. Como ele ia entrar? Ai meu coração.

A mão dele deslizou pelo orifício e o líquido em gel era gelado em um nível que senti um arrepio começar da base das minhas costas e chegar em minha cabeça em segundos. Não quis expressar, mas foi uma sensação fantástica.

Sua mão começou a invasão logo depois. Enquanto espalhava o produto, seus dedos entravam e saíam e me senti gosmento e invadido, ao mesmo tempo em que aquilo secretamente parecia interessante. A ideia de alguém fazendo aquilo comigo era promissora, na verdade. Um dedo virou dois, três e quatro e o ciclo foi ficando repetitivo até que parou, minutos depois. Foi um legítimo alargamento e aquecimento incômodo, com um toque de algo bom.

— Está pronto? — Túlio perguntou e parecia estar se divertindo com algo que só ele sabia, até porque não havia nada de engraçado na atmosfera. Exceto eu com a bunda pra cima.

— S-sim. — Gaguejei.

Dois segundos depois, senti. Foi entrando devagar, mas não era a mesma sensação dos dedos. Conforme ia entrando, parecia que não tinha como aquilo estar acontecendo e tudo que veio em minha cabeça foi repelir a entrada, que não parava de acontecer. Contive-me ao máximo e parei de respirar enquanto concebia e tentava não impedir o avanço. Uma vez totalmente dentro, ele tirou de vez e, por um tempo, me senti aliviado, a ponto de voltar a respirar; até que ele voltou e não teve nada de parcial dessa vez, entrou de vez, em sua totalidade, e gritei.

— Se você não relaxar, a dor vai ser eterna. — Ele instruiu e começou a tirar e botar devagar, estocadas lentas e angustiantes.

O ritmo aumentava em paralelo a minha angústia e isso era perceptível, acreditava eu, pois ele parecia rir da expressão em minha cara. Era tudo muito estranho e eu não conseguia pensar em nada, exceto em retirar aquilo de mim. Uma pequena parte do meu cérebro queria gritar e dizer que existia a possibilidade de aquilo ser interessante, mas lutei para reprimi-la. Túlio era lindo, estávamos em um momento íntimo, mas tudo parecia errado. A dor absurda era errado, eu estar em um quarto de hotel dando para um desconhecido era errado, eu estar com um homem era errado. Coloquei a mão na virilha de Túlio e fiz como se fosse empurrá-lo para fora.

— Tira isso, por favor. — Pedi, com uma lágrima solitária escorrendo do rosto. Eu não estava chorando de fato, mas a agonia foi tanta que fez escorrer uma única lágrima.  Ele parou imediatamente.

— Qual o problema? — A pergunta pareceu meio irônica saindo da boca dele, que aparentava perguntar algo que já sabia.

— Foi o suficiente para o meu teste. — Respondi, olhando para chão enquanto vestia minha calça novamente.

— E qual foi a conclusão?

— Definitivamente não sou gay. — O sexo era muito doloroso para ser apreciado, minha imaginação havia me enganado e agora que experimentei o que ela tanto almejava, percebi que era apenas loucura minha, devaneios. — Oh, não me entenda mal, você foi... ótimo, acredito, mas não foi algo que apreciei fazer.

Não fazia ideia do que era tão engraçado, mas Túlio estava rindo. Ele gargalhava sem parar. Senti minhas bochechas ficarem vermelhas e quentes e, mesmo vestido novamente, a sensação de estar completamente nu me dominou. Eu era um idiota, eu era estranho. Eu precisava ir embora. Peguei o dinheiro para pagar os serviços de Túlio e estendi a mão para que ele pegasse.

— Já vai? — Ele conseguiu parar de rir.

— Hm... Sim. Agradeço por ter contribuído com o meu experimento. — Falei. Ele pegou o dinheiro e sentou na cama. Corri para a saída.

— Você sabe que está se enganando como sempre, certo?

— Como assim? — Virei para encará-lo após ter aberto a porta.

— Acho que você sabe exatamente o que quis dizer.

— Na verdade, não. Mas, hm... Agradeço, novamente. Tchau. — Saí o mais rápido que pude do quarto e, finalmente, do hotel de beira de pista que havia marcado o encontro.

No caminho, parei na igreja para deixar os instrumentos novos que meu pai havia comprado e deixado no carro. Era o pretexto por trás da minha saída durante a noite. Pedi perdão a Deus incontáveis vezes antes de abrir e entrar no salão vazio e escuro com cada instrumento, um por vez. Aproveitei o espaço silencioso para me ajoelhar e orar e, quando levantei, minhas forças para permanecer um jovem promissor, líder dos cantores da igreja, filho de pastores e, principalmente, hétero, foram renovadas.


Notas Finais


Oi, gente.
Tchau, gente.
Até o próximo :)


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