História Livre Para Amar - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aline Dias, Conde, Escravidão, Interracial, Perolas Negras, Rainer Cadete, Romance De Época, Romance Histórico, Século 19
Visualizações 8
Palavras 1.746
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Literatura Feminina, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Estupro, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Chegando com o segundo capítulo.

Capítulo 2 - Fim do sonho



       Alguns dias depois...

As coisas se tornaram piores para Adelaide depois a descoberta, Branca se tornou ainda mais fria. E até mesmo Maria Júlia se afastou dela.

No entanto, naquela tarde,  Maria Júlia decidiu se reaproximar, reconhecendo seu erro. — Desculpe-me pelo meu comportamento Adelaide, me afastei de você que não merecia. Mas eu precisei desse tempo para pensar sobre tudo...

— Eu entendo sinhazinha, eu também fiquei muito confusa.

— Vamos pegar manga, como a gente fazia antigamente? — Maria Júlia chamou Adelaide, que aceitou na mesma hora.

Sentadas em baixo de uma mangueira, saboreavam a fruta.

— É uma alegria te ter como irmã. — ela disse a Adelaide. — Sempre nos damos tão bem, não é agora que descobrirmos esse laço de sangue que mudará algo, quer dizer vai mudar sim, quero ser mais próxima ainda.

— Uma pena que a sinhá Branca não pense assim. — lamentou Adelaide.

— Branca não é fácil, ainda mais agora, desde casou com esse comendador. Está cada dia mais distante, até mesmo de mim. — reclamou da irmã mais velha,  mas logo mudou de assunto.  — Mas vamos falar de coisa agradáveis:  O advogado chega em alguns dias, ele ajudará meu pai a escrever as cartas de alforria de José, Joana, Simão e Dolores, a sua já foi escrita. Só tem uma parte ruim nessa história,  você irá embora da fazenda.

— Do que depender mim, vamos sempre nos ver. Pretendo sempre te visitar.

Branca por sua vez, estava furiosa com a decisão do pai de libertar quatro escravos! Até mesmo Dolores ele pretendia, ela que recusou, continuaria na fazenda. Se lembrou da  conversa que teve com o marido:

— Isso não pode acontecer, Ferreira!  Essa maldita não pode ser livre!

— Vai ser melhor assim, não terá que olhar na cara dela. — se referiu a Adelaide. — Não a suporta, mesmo. 

Mas Branca não se deu por vencida. — Não, eu quero que ela permaneça escrava, que sofra.

— Acontece que o barão já decidiu e não podemos fazer nada.

— Podemos sim. Quer saber, eu não aguento mais o meu pai, ele não passa de velho catuco, não vejo a hora de me tornar dona disso tudo! 

— O que está querendo dizer, Branca? — questionou Ferreira.

— Que eu seria capaz dar um veneno a ele, algo discreto, que ninguém desconfie que pense que foi morte natural.

— Só de pensar em serei dono de todos esses cafezais, somando os que herdei de meu padrinho. Posso conseguir o veneno. Tem certeza que é isso que quer?

— Absoluta. Além de tornar dona de um império, ainda vou acabar com a felicidade dessa maldita bastarda,  ela não será livre, matarei dois coelhos numa cajadada só.

Indo até o Rio de Janeiro,  com a desculpa de que tentaria fazer negócios, Ferreira conseguiu o veneno. Branca correu em sua direção ao vê-lo chegar.

— Aqui está. — mostrou o frasco para ela.  — Leva algumas horas para fazer efeito. Ele não morrerá imediatamente.

Branca decidiu agir logo. Foi para a cozinha, onde encontrou Dolores com um panelão de sopa no fogo.

— Dolores.

— Sinhá Branca.

— Esse é o almoço de meu pai, não?

— Sim, sinhá. Já está pronto.

— Deixa eu levar,  Dolores. — falou gentilmente, fazendo Dolores estranhar.

— Não, eu levo já estou acostumada. É muito trabalhoso; tem que dar a sopa na boca dele.

— Por favor, me deixa ir. Sei que em breve,  meu pai não estará mas conosco,  e eu quero aproveitar bem esses últimos tempos junto dele. Cuidar dele.

O barão ficou surpreso com atitude da filha. — Nunca pensei que você Branca me daria sopa na boca.

— E por que não? O senhor é meu pai que amo tanto.

— Primeiro porque você só sabe ser servida. E pensei que estivesse com ódio de mim, depois de minha revelação.

— Eu estou com muita mágoa, mas preciso superar isso. Não faz bem para mim...  Me dei conta de que se eu não viesse e fizesse as pazes com o senhor,  poderia me arrepender muito no futuro.

Algumas horas mais tarde, Dolores veio  na direção de Adelaide e Maria Júlia que bordavam na sala de estar,  e avisou: — Sinhazinha, o barão que fala com a sinhazinha e com a sinhá Branca e com ocê Delaide.

— Vamos Adelaide,  vamos depressa.

O barão quis falar com cada filha, começando por Branca:

— Branca, minha primogênita,  é forte. Dará a força que seu marido precisa para assumir meu lugar, é estudada, nobre. Será uma grande sinhá. Espero que seja agraciada e tenha filhos para herdar seu meu império.

— Maria Júlia, minha princesa,  tem um coração de ouro como sua mãe, e que permaneça assim, sempre fazendo o bem. 

— Adelaide, a filha que eu devo mais. Não lhe dei carinho,  nem ao menos a sua liberdade. 

— Branca, eu já escrevi a alforria de sua irmã,  mas ainda falta a entregar e também escrever a de seu pai, irmã e cunhada, peça a Ferreira que as alforrie e que de uma vida digna a elas. Me prometa.

— Eu ainda estou muito magoada,  não consigo nem mesmo perdoar a traição, traiu minha mãezinha que Deus a tenha, com uma escrava! Deve ser isso que a levou tão cedo, desgosto!

Maria Júlia ficou em choque ao ver a irmã falando daquele jeito.  No que sua irmã havia se transformado? — Branca, deve perdoar o nosso pai,  e prometer que cumprirá seu último pedido.

— Não, não consigo. Não seria de coração. Meu coração está cheio de ódio, mágoa.

— Como me dói ouvi falar assim, filha. Prefiro que minha última imagem seja de Adelaide, de seu olhar de ternura.  Tem muito que aprender com ela Branca, apesar de ter sido escravizada a vida inteira,  ela me perdoou.

E assim o barão se foi.

Uma semana se passou desde a morte do barão. Adelaide até então havia esperado, mas ela queria saber qual era decisão de Ferreira.

Dolores ia levar o café do comendador,  quando ela pediu para fazer: — Eu posso levar? Quero saber quando ele dará minha alforria.

— Adelaide, eu me preocupo com você, se afaste do comendador, faça o possível para nunca ficar sozinha com ele. Você é nova, bonita, se ele põe na cabeça que quer se deitar com você, ninguém vai poder impedir.

— Então a senhora acha que ele não vai alforriar?

— O novo sinhô já deixou claro que é severo, não sei se ele será bom a esse ponto.

— Preciso de uma resposta. Ainda que seja um não.

Dolores acabou concordando e a deixou ir.

— Trouxe seu café, sinhô.

— Entre.

— Posso lhe fazer uma pergunta, comendador?

— Faça.

— O sinhô vai me alforriar? Porque o barão ia, só que não teve tempo.

— Te alforriar? Nunca, esqueça essa história de ser livre, não vá acontecer.

— Não é justo, o sinhô ouviu muito bem quando o barão contou que era meu pai, e que ia me alforriar. Ele até mesmo pediu a Branca que insistisse com o senhor, caso se recusasse. Inclusive já havia escrito minha carta de alforria. E pretendia escrever e de meu pai,  minha irmã,  meu cunhado e Dolores. 

— Ela não me falou nada. E para que quer ser livre? Não sofre nem a metade que os outros escravos, vive na casa grande, come bem, se veste bem. Não está bom?

— Não reclamo da vida que tenho, mas...

— Chame Branca até aqui.

Quando ela chegou, ele a questionou:

— Branca porque não me contou que deveria alforriar escravos?

— Você já sabe, meu marido.

— Acontece que Adelaide me deu detalhes,  por exemplo a carta de alforria dela já estava pronta.

— É verdade, mas eu não prometi nada,  disse a meu pai que não estava em condições de prometer nada.

— Como você é cruel,  Branca. — falou com ironia. — Traga a carta de Adelaide.

— Ferreira,  você não pode...

— Traga. — insistiu Ferreira.

Mesmo sem desejar, Branca foi buscar, não queria acreditar que mas não iria nem que ela tivesse que rasgar a carta, picando em pedacinhos. Mas não foi necessário, assim que a pegou Ferreira a queimou:

— Olha o que eu faço com sua liberdade, transformo em cinzas. Nessa fazendas o número de escravos vai sempre aumentar e não diminuir. Era só o que faltava ter um prejuízo de cinco escravos, o barão teve tempo para libertá-la. Ele que não quis.

Adelaide saiu chorando da casa grande, acompanhada por Maria Júlia. — Você precisa se acalmar.

— Como? Todos estavam esperançosos de que pelo menos eu fosse livre, mas tudo continuará igual... Ou pior.

— Não pense assim! Branca mudará de ideia, aquilo foi no calor do momento,  ela não está muito magoada mas vai passar. E caso ela não volte atrás, irei levá-la comigo quando me casar. E farei o possível para convencer meu marido à dar sua liberdade.

— Sempre foi tão boa comigo Maria Júlia, assim como sua mãe, que sempre foi tão generosa. Mesmo sabendo da verdade ela nunca me maltratou. Graças a ela aprendi a ler escrever e me portar... Mas o comendador deixou claro que não será generoso, e infelizmente o que era do barão, agora pertence ao comendador.

— Não havia pensado nisso, mas o comendador há de te libertar, afinal era o desejo de o nosso pai.

Simão se aproximou das duas, e percebeu como a cunhada estava triste. — O que foi Delaide?

— Fui questionar com o comendador, pensei que Branca tivesse amolecido o coração com a morte do pai,  mas não... E o comendador queimou minha carta de alforria na minha frente.

— Não seremos mais livres?

— Infelizmente não. Pelo contrário as coisas por aqui ficarão piores.

— Acabou o sonho, as vezes eu penso em fugir daqui com Joana.

— Não sei se essa é melhor solução, Simão. Se conseguir, serão felizes no quilombo, mas senão, serão duramente castigados.

— Ocê tem vida boa na cada grande, fala igual os branco, sabe le, inscreve, bordar, tocar piano, uma dama. Mas se a gente não fugir, vamos ficar o resto da senzala.

— Vocês não tem culpa de não aprenderem nada,  só os ensinaram a trabalhar. Comigo só foi diferente porque a sinhá Amélia foi muito bondosa! Mas agora que o comendador é o novo sinhô tenho dúvidas de que a casa grande é melhor lugar que a senzala. 


Notas Finais


Estava bom demais pra ser verdade,  quando o barão decide libertar Adelaide, ele morre, e a responsável foi a Branca 😱 Comendador Ferreira deixando claro que que será cruel 💔
Até o próximo capítulo!


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