História Livro das Sombras - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bruxaria, Magia, Wicca
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Palavras 1.347
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Misticismo, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror
Avisos: Mutilação, Nudez, Suicídio, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Sinos e pegadas.


Já estava de madrugada, tentei dormir mas esse barulho de sino que vem do lado de fora está começando a me deixar louca e ligeiramente assustada. 

Vou até a janela do meu quarto tentar espiar para ver se consigo enxergar alguém ou alguma coisa... Pode ser um animal, um bode talvez, pensei. Mas eu não costumo ver muitos animais por aqui. E não estou vendo nenhum animal.

Passo mais alguns minutos ali na janela com a esperança de ver algo, afinal quem está fazendo esse barulho?! Apenas ouço o sino porém não consigo identificar a direção, e não vejo porcaria nenhuma. Penso em desistir e dou meia volta no quarto quando percebo que o barulho do sino estava mais baixo, provavelmente o que esteja fazendo esse barulho esteja indo embora.

Ando até a cama, no entanto eu paro quando escuto um barulho muito alto e que me faz congelar. Não era um barulho de sino, era um barulho de algo batendo na minha janela, por um minuto pensei que algum pássaro havia batido ali no vidro até eu olhar para baixo e ver que a luz da lua estava projetando uma sombra estranha, definitivamente não é um pássaro. É muito grande para ser um pássaro. É uma pessoa...

Comecei a sentir um medo imenso e não conseguia criar forças para dar meia volta e encarar aquela pessoa. E se estiver morta? Um corpo caído na minha janela? De onde teria pulado? De um avião? Isso é idiota demais.

Enquanto penso em mil coisas olho para a porta, eu sinto uma vontade imensa de correr para a porta, mas a sensação de saber que tem uma pessoa que provavelmente está morta na janel... 

E então percebo: não há como alguém morto se segurar numa janela daquele jeito. E provavelmente mortos não começam a arranhar vidros.

Não consigo raciocinar. 

O medo está tomando conta do meu corpo e eu simplesmente continuo parada no meio do quarto olhando para a sombra projetada perto dos meus pés.

Ouço aquela pessoa arranhar o vidro levemente, o som rasgando meus pensamentos, então apenas fecho os olhos e penso o quão gratificante seria se ela apenas fosse embora. 

E então ouço um barulho familiar... A janela sendo aberta. Como ela conseguiu abrir a janela pelo lado de fora? 

Rapidamente me virei para olhar, o pânico tomando conta de mim. Alguém invadiu minha casa e eu deixei...

 Mas o que seria pior?

Encontrar um assassino na sua janela e de alguma forma ele ter aberto ela pelo lado de fora? Ou... Apenas encontrar uma janela aberta, sem sinal de pessoas, assassinos... Ou bodes.

Começo a ficar confusa. Mais confusa que apavorada. Havia alguém ali, agora não há... Devo ter sonhado acordada, pensei, me aprofundei demais nessa história novamente... 

Inconscientemente ignoro a janela ter sido aberta, então apenas deduzo que o vento abriu. Ando pelo quarto e ligo as luzes, nada de anormal. Vou em direção à porta e antes que eu pudesse abrir meu irmão aparece e, altamente assustado, quase a arranca dos trincos assustado.

- Que barulho alto foi esse no seu é quarto? - ele me perguntou e eu fiquei congelada.

Não consegui responder.

Nesse momento ouvimos tiros vindos do lado de fora. Ficamos hesitantes por um breve momento mas a curiosidade falou mais alto para ambos. Corremos em direção à porta da frente e eu, com aquela horrível sensação de poder encontrar aquela pessoa lá fora, baleada ou segurando a arma, comecei a ficar apavorada de novo.

Três tiros.

Escutamos mais três tiros quando chegamos perto da porta. Nenhum grito. Nenhum outro barulho. Apenas o barulho de tiros e de uma arma sendo recarregada. E então ouvimos vozes que no começo não conseguimos entender o que diziam. Olhei para meu irmão e percebi que ele estava mais apavorado do que eu mas mesmo assim tentava me acalmar e começou a mandar que eu voltasse para cima.

- Eu vou logo atrás, por favor suba... -  ele disse em voz baixa. - Vou dar uma olhada lá fora. 

Antes que eu protestasse contra essa decisão ele já estava correndo para fora me deixando para trás. Impulsivo como sempre, pensei. Então apenas aguardei ele voltar.

Depois que ele saiu não escutei mais nada, meu sono havia ido embora faz muito tempo e meu pânico ainda não havia passado. 

Os tiros já cessaram, ele já deveria ter voltado.

Ótimo, outro motivo para entrar em pânico. Vou até a porta e giro a maçaneta. Ter ficado no silêncio há tanto tempo fez com que eu pensasse que o barulho da porta rangendo iria chamar a atenção de quem quer que esteja lá fora. 

A lua faz tudo ficar mais claro, então me ajudou bastante a olhar em volta. Dou alguns passos e vejo que todas as casas estão com as luzes apagadas, ninguém reclamou do barulho, ninguém veio aqui fora além da gente e do maluco que esteve atirando por aqui... Nada. Não há nada. Ninguém. Nem meu irmão.

Espero mais um pouco na esperança dele voltar.

A cidade parece tão vazia.

Não há barulho nem de insetos, o que é estranho, já que aqui enche desses bichinhos à noite.

Tento ocupar minha mente com esses pensamentos sobre pequenas coisas para tentar afastar sensações ruins. 

Percebo que da minha casa dá pra enxergar a pequena estrada que vai até a floresta de pinheiros que aquele senhor me contou. Minha visão se fixa na estrada e começo a enxergar algo estranho. Não exatamente estranho. É uma criança e um cachorro bem grande, maior do que ela. Não me lembro de já ter visto essa criança, ou seu cachorro... Eu me lembraria de algo tão grande assim. Parece um lobo. Continuo a observá-los por um pequeno período de tempo, até eles saírem correndo pela estrada. Devem estar indo para a floresta, pensei. Rapidamente uma estranha sensação percorreu pelo meu corpo e comecei a correr em direção à estrada. Nunca havia passado por ali antes. Apenas continuo correndo sem saber o porque, e então olho para trás. Por trás de uma árvore eu consigo ver alguém na porta da minha casa. De alguma forma meu cérebro associou aquela pessoa à figura pendurada na minha janela. Meu instinto me fez correr mais, não sei até onde vou conseguir correr, mas de alguma forma eu sinto que eu tenho que manter a máxima distância daquela pessoa.

Continuei correndo pela estrada só que em um ritmo mais devagar, estava exausta, não fazia a mínima ideia de onde estava e nem porque não parava de correr, meus únicos pensamentos eram: irmão, criança, cachorro grande, floresta, vilarejo. Não me importava de ter deixado a porta de casa aberta e nem me importava se alguém invadisse e levasse tudo, eu só quero encontrar meu irmão e ficar a salvo, não sei de quem mas é o meu desejo.

Não sei por quanto tempo estava naquela estrada, parecia que não tinha fim, comecei a pensar que o papo de floresta era piada. Rapidamente meu rosto ficou encharcado de lágrimas. E então vi que o céu estava mais claro.

O dia estava raiando.

Eu estava no meio do nada. Não há nada aqui além de pequenas árvores separadas uma das outras e galhos secos pelo chão. Continuo apenas andando pela estrada e noto pequenas formações na areia.

 Pegadas.

Muitas pegadas.

Grandes. Pequenas. Cachorro?!

A criança e o cachorro devem ter passado por aqui!

Quanto às pegadas grandes, havia uma pequena esperança de elas terem sido feitas pelo meu irmão. Há a possibilidade, resolvo continuar.

Continuo andando e paro quando ouço um barulho. Um sino. O mesmo sino que ouvi. 

Começo a ficar apavorada de novo ao lembrar da janela e que aquela pessoa apareceu após o barulho do sino. Congelei esperando o pior.

No entanto nada aconteceu.

Andei mais um pouco, agora consigo ouvir de onde vem o sino. Está mais a frente.

Noto uma névoa aparecendo. 

Continuo andando.

Consigo ver uma árvore seca mais a frente. Chego perto dela e vejo o pequeno sino pendurado em um galho, amarrado com uma fita vermelha.

Como você consegue fazer tanto barulho assim? 

Fico tão encantada com o sino na minha mão que não percebo o que estava ao meu redor o tempo todo.

Árvores.

Pinheiros.

A floresta de pinheiros que o senhor maluco me falou. 








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