História Livro I: A Marquesa de Cristal - Capítulo 40


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Categorias Histórias Originais
Tags Drama, Ficção Histórica, Realeza, Romance Histórico, Século 18, Xviii
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Palavras 6.176
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Hello from the other siiiiiideeee...
Atualização fresquinha depois de duas semanas, eu sei... devo dizer que essa deve ser a nova média de att, raposinhas. Infelizmente estou mais corrida que o normal (achei que nem era possível, acreditem) e não vou dar conta de uma postagem por semana, se quiser entregar um conteúdo descente. Então paciência comigo, per favore. Prometo fazer valer a espera.

E para os shippers de Contessa e Caspien, tem uma fofuras sem tamanho hoje. Uma amiga me fez atinar que o shipp dos dois já está nos apelidos deles, Tess e Cass já representam os dois de certa forma e nunca tinha reparado... mas deixo livre para nomear como queiram UHUSUDHAU

é isso, aproveitem a leitura e conversem comigo u.u

Capítulo 40 - Um beijo, afinal de contas, o que é? Uma promessa...


Fanfic / Fanfiction Livro I: A Marquesa de Cristal - Capítulo 40 - Um beijo, afinal de contas, o que é? Uma promessa...

Richmondshire, North Yorkshire – Inglaterra. Sexta-feira, 17 de novembro de 1769. Rochdalle Garden.

Pouco tempo havia se passado desde a chegada de Melina, sua despedida da França fora regada por uma conveniente festa, preparada por Les Mesdames, e mesmo que na ocasião Mel não tivesse motivo algum para comemorar, deixou-se se entregar a boemia francesa e sorveu quantidades de álcool muito maiores do que era recomendado. A noite do evento lhe fora um borrão, não muito diferente daquelas passadas em casa, mas ao menos tinha companhias, ainda que fúteis, para distraí-la do que a remoía.

Ao pisar em Londres, a realidade veio como recepção de boas-vindas, trazendo consigo as responsabilidades que deixara em solo britânico. Havia problemas na loja de Tessa a serem resolvidos com urgência, lhe consumindo alguns dias de sanidade. Nem mesmo uma visita rápida a Leonel fora possível no final da semana, sendo informada de que ele saíra de Eton na companhia de Saltland e a família Hudson. Mas ao menos a companhia de Cass lhe fora fornecida, tendo um troca de segredos conveniente entre os dois.

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Richmondshire, North Yorkshire – Inglaterra. Quinta-feira, 23 de novembro de 1769. Godwinson Hall

Difícil exemplificar o caos de pessoas enfurnados na mansão Godwinson desde o início da semana: me parecia um grande formigueiro humano. Havia centenas de integrantes da família Hammersmith, Kingsley, Dawson, Stevenson, Godwinson, Collugate e toda a sorte de ramificações de parentes hospedados na construção, isso se pudesse ignorar os amigos dos noivos que vieram de longe e se acomodaram também nos aposentos da mansão; uma quantidade tão absurda de vida humana, que era de se perguntar sobre a logística usada para o descanso. Andar pelos corredores de um ambiente para o outro era como um teste de paciência, esbarrar na armação do vestido de uma moça virou banalidade naqueles dias, derrubar decorações das mobílias também, isso sem contar com o constante zunido pairando no ar, resultado de conversas em massa num local fechado.

Mas no dia do noivado, o único atraso por parte dos parentes, personificava-se na lady Faye, que tinha como dom chegar de forma escandalosa em qualquer lugar. Os boatos sobre a gravidez de Grace ser fruto do atrevido Henri eram murmuradas aqui e ali, ainda que não de forma jocosa pelos conhecidos. O salão de baile estava abarrotado desde muito cedo, os músicos haviam sido trocados duas vezes, e entre gritos, a agitação e crianças correndo, o furor era inevitável. Foi nesse ponto que a matriarca de Faye Lodge fez seu anunciou de chegada.

Há alguns meses longe das vistas ou companhia de sua mãe, Caspien parecia querer fugir do encontro, ainda que estivesse elegantemente à espera da mulher. Tess lhe fazia companhia, mais por resigno do que por gosto, já que sua semelhança com o lado paterno do duque gritava um desconforto evidente em seus modos e expressões.

— Cas-Cas... — lady Faye brandiu o apelido como algo não natural, ainda que soasse entre um sorriso. — Meu gigante desaparecido.

Lorraine Faye era um poço de falsa simpatia, e não parecia querer causar impressão diferente disso. Não estava muito interessada na presença da moça ou do próprio filho, na verdade, e num geral, parecia-me mais com uma trambiqueira do que com a mãe de um sir. Uma mulher jovem, sem dúvida. Evidentemente francesa, com pouco menos que quarenta anos, a única semelhança com seu filho eram os olhos mesclados de cinza e mel e o arrebitado do nariz; ela era pequena com relação ao filho, mas alta para o “um metro e nada” de Tessa, provavelmente da mesma altura de Melina. Levava seu título por bondade do falecido marido e se mantinha pela gentileza do filho a lhe conceder uma pensão razoável, ainda assim, gostava de abusar da riqueza e fingir possuir bens que não eram seus de fato. Junto consigo trazia dois senhores de meia idade em uniformes pomposos cobrindo seus corpos atarracados; um mordomo e um conselheiro de finanças, que só tinha a missão de esticar o dinheiro fácil de Lorraine e furtar de desavisados.

Tess já tinha se encontrado com a lady Faye numa ocasião menos propícia, na casa da condessa Prestonight, em Londres. Lorraine Faye estava tão bêbada que Tessa achou melhor não se apresentar a mulher, dessa forma, Caspien estava prestes a cumprir essa formalidade.

— Seja bem-vinda, mère. — Cass tentou burlar a falta de sentimentalismo da mãe e foi respeitoso ao beijar suas mãos. Tess fez um gesto educado com a cabeça, tentando refrear-se de uma mesura ao lembrar que, neste caso, a mulher era uma lady de patamar mais baixo. — Deixe-me apresentá-la a baronesa di Cortiglione. — o jovem apressou-se em dizer para a mãe, embaraçado com o comportamento nada cortês.

Hm... a bastarda. — a mais velha respondeu em francês, acenando a cabeça à contra gosto. Mesmo o precário conhecimento de Contessa com a língua, permitiu o entendimento da palavra “bastarda”. — Pelo que sei, obteve o título pela bondade da marquise de Savoie. Não fosse isso, ainda estaria na Sardenha escondida num convento qualquer e sendo o nada que é. — concluiu em inglês, e as bochechas morenas de Tess preencheram-se com a coloração de jambo após a fala da mulher.

— MAMÃE! — o choque de Caspien foi tão grande que quase não conseguiu segurar o rosnado.

— O que foi? Não deixa de ser a verdade. — a lady abriu o laço de sua capa e virou as costas, dando algum sinal para que seu mordomo descarregasse a pequena mala da carruagem, antes que os carregadores da mansão o fizessem.

Tentando evitar atritos e chamar a atenção para si entre tantos parentes alheios a conexão com ela, Contessa retirou-se sem maiores conversações. A enorme vontade de gritar seu parentesco aos céus seguia firme, ainda que soubesse que este detalhe pouco lhe faria diferença, já que tudo o que possuía até então não se devia a qualquer parte dos Hammersmith.

— O que há, com a senhora, minha mãe? — o rapaz bufou estressado, notando a saída ligeira da menor. — O que a Pollinaare lhe fez? Que estúpida mania de tratar a todos como se fossem nada. Ela é uma baronesa! Não se esqueça do lugar que pertence, mère. Não posso protegê-la de sua enorme boca. Já foi expulsa da corte em Versailles e dos festejos em Londres, achei que tivesse aprendido a lição. — Caspien a olhou com desconforto.

— Não acredito que os boatos estavam certos, não pode ter vindo para cá afim de arranjar uma noiva. — o olhou com desgosto. — E se isso não bastasse, essa negrinha bastarda! Não teve sequer a decência de levar em consideração o passado. — a afirmação da mãe fez Cass parar de andar e olhá-la por cima dos ombros.

— O que tem demais ela ser bastarda? Que malefício isso lhe traz? Sendo a senhora e também papai fruto de traição, não vejo motivos para que julgue a lady por erros que por ela não foram cometidos. — estreitou os olhos, prontos a feri-la em defesa da morena.

— De todas as bastardas no mundo, precisava ser ela?

— Aaah! Não ouse dizer que a cor da pele é o que lhe aflige, por favor, mamãe, não ouse! — o rapaz concluiu com uma altivez ímpar.

— Queria que fosse simples assim. — Lorraine deu de ombros, como se o sermão tivesse sido direcionado para outro alguém. O sotaque francês aflorado na entonação. — A cor da pele dela nada tem a ver com isso, apesar de ser uma cor detestável. Há centenas de mulheres a sua disposição, Cass, incluindo as parentes interessantes. Me recuso a acreditar que não veja a verdade por detrás daqueles “olhos de Edward”, que ela tão vergonhosamente sustenta. Não se apaixone, eu suplico! Emma destruirá sua vida se o fizer. — a postura de Lorra pareceu mudar subitamente, caçando a mencionada Godwinson na multidão.

Mère... já chega! Estou farto dessa sua obsessão com meu futuro. Me apaixonarei por quem eu quiser e não é tia Emma ou a senhora que mudará o fato! — o rapaz, sempre tão tranquilo, despejou rancor encima da mãe. — Está ciente de quem eu sou, mère, do que sou capaz. Odiaria ter que mostrá-la esse meu lado uma vez mais. — essa parte ele disse mais baixo, num tom atrevido que não combinava com sua personalidade geral.

Lorraine não compartilhava das mesmas ideias liberalistas que o filho e não via problema algum ameaçá-lo e extorqui-lo em troca do seu silêncio, mas mesmo ela sabia a hora de recuar. Medo tinha esse poder e Caspien usava bem esse temor.

— Tão sábio para suas mentiras... tão estúpido para encarar a verdade.

— Eu sei quem ela é, mère. Confirmei a pouco, mas já havia em mim alguma ciência. A procedência dela nada interfere, ainda que o orgulho de tia Emma possa ser ferido no processo. Então não corrompa meus planos, sejam eles quais forem.

— O segredo de quem, vendeu para conseguir a confirmação deste em troca? Sabia que a laia de gente com quem anda o levaria a isso.

— Não importa. Me valeu o preço.

— Não foi dessa forma que seu pai conseguiu ascender. Ele era um homem tolamente bom, me surpreende que tenha seguido um caminho tão diferente.

— Se seu intuito era me ferir com a memória de papai, não teve êxito. Sou tão bom quanto ele. “Tolamente” bom, inclusive; o suficiente para sonhar com um mundo diferente. — Cass sorriu. — O fim, justifica os meios. — um longo suspiro deixou a garganta do rapaz. — A senhora extorque o próprio filho por segredos; os meus métodos ao menos são limpos e tenho a decência de não usá-los contra meu próprio sangue.

— Cada qual se esforça como pode. — ela continuava a agir como se toda a revolta de Caspien fosse passar. Seus dois serventes haviam sumido para dentro da mansão e não podiam ser vistos em lugar algum.

— Trate de esforçar-se a seu modo então, porque não pretendo fornecer sequer um xelim a mais para seus gastos e meio de vida obsceno. — ele respirou, controlando o tom de voz. — Passado o casamento, quero que retorne para Faye Lodge e por lá fique; eu estou farto de aguentá-la.

— E vai me deixar assim, sem me prover de nada. Me abandonar da mesma forma que seu pai fez? Teria essa coragem, mon géant? — a mulher claramente só pensava em si.

— Estou sem paciência para seus dramas, mère. Proverei seus luxos como sempre fiz, como o père sempre fez. — um pequeno amontoado de xelins fora depositado discretamente no panier da mulher. — Espero que, com isso, me veja livre de sua presença. Se deixar a casa, por qualquer que for o motivo, eu saberei. Se contrair dívidas, eu saberei. E se me ameaçar, não serei tão condescendente quanto da última vez. — com essa dureza final, deixou a mãe e entrou na mansão, decidido a resolver os detalhes da situação mais tarde.

Tão rara eram as ocasiões em que Cass precisava usar da força ou da ameaça, que me custava engolir com naturalidade cenas como aquela. Segredos, muita das vezes lhe bastavam na compra de silêncio, raramente necessário o derramamento de sangue direto. E ainda que fosse Faye um maldito traficante de armas sob a casca protegida de um legalizado armamentista francês, a bondade lhe guiava. A vontade de ver a liberdade se concretizar era o que lhe fazia ser firme no caminho tortuoso que escolheu seguir.

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Recordava-me muito detalhadamente do homem que fornecera a Caspien características tão marcantes em caráter. A vocês não foi dada a chance de conhecer o Faye pai, sir Reymond Gilbert Faye-Dawson, ainda que eu estivesse presente como observadora em algumas ocasiões de sua vida. Ele era uma pessoa adorável, bem mais novo que Emma, um bastardo reconhecido do conde Harold Godwinson Dawson. Um filho amado a seu modo, fruto de um breve enlace com a jovem viúva Mitford, que o criara secretamente como tutora sob os olhos da corte de Richmondshire. Rey não tinha direito algum sobre as terras do pai, e sua mãe dependia das regalias locais (apesar do título nominal como baronesa), mas isso nunca fora um problema para ele; Emma sempre o tratou como um irmão amado e o ajudou com tudo que podia. A vergonha deste bastardo, a na época viscondessa, não carregava.

Caspien se parecia muito com o pai, de modo geral, alto e com braços fortes, o sorriso gentil; o caráter também era o mesmo e sua indiferença com classes e cores de pele se fazia evidente em cada ato bondoso. Graças aos céus, nada dos avós lhe era herdado; Pear Mitford adquirira acidez em seus tempos, e Harold Godwinson era tudo, exceto descente.

Aos quinze anos, durante uma viagem de navio, Reymond havia conhecido Lorraine Chardon, filha de uma costureira francesa com a qual manteve contato por cartas; ele a visitou em Le Havre com as despesas pagas economicamente, executando funções a qual seu pai o destinava. Lorraine tinha dezessete anos e na ocasião da visita, com alguma facilidade havia seduzido o rapaz e ficado grávida; após a gravidez declarada da mulher, o conde Harold forçou o filho a casar-se (mesmo com as insistências de Emma e Pearl para que não). A francesa chegou ao Porto de Londres com o bebê no colo, seu parto em algum lugar entre Calais e Londres, fazendo de Cass um cidadão dos dois lugares e de lugar algum. Ansioso por um mundo livre.

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Como havia lhes dito antes, o caos humano em Godwinson Hall era algo sem precedentes; todos os convidados apareceram na ocasião, sem tirar uma alma sequer. E sim, eu incluo os espíritos errantes nos corredores da mansão. Havia tantas pessoas espremidas no mesmo espaço, que sentia a vibração característica dos corpos cheios de vida; o insano calor em massa me atingia tão intensamente que se eu parasse de pensar por um instante, quase poderia fingir ser mortal como todos eles. Podia sentir as serelepes crianças correndo e atravessando o meu ser ao passar por mim; suas energéticas vidas me convidando para tocá-las. Na realidade, ainda hoje, se eu fechar meus olhos por um momento, posso relembrar o que presenciei com essa energia vital em massa; acredito que a sensação inebriante chega próximo ao frisson da cocaína. Uma droga para chamar de minha.

Toda essa comoção era prevista, porque parente ou não, todos gostam de uma boa fofoca, e convenhamos, aquele casamento proporcionava a situação perfeita. Não que Grace tivesse declarado em céu e terra que estava grávida do primo, mas a pequenina barriga incriminadora poderia ser vista entre um movimento e outro, se estivesse atento o suficiente para o detalhe. Alguns ainda seguiam escandalizados com o caso Blanchette e tinham certeza que o casório estava servindo como uma maneira torta de consertar a boa reputação de Henri; de certa forma, eu achava que a verdade seria menos terrível, se contada.

Todo aquele drama não contava com o assombro mais surpreendente: os filhos do Sourshire... bem, ao menos a parte que Terence conseguira localizar. Dois deles seguiam desaparecidos; um menino de três anos, filho de uma atriz perdida no mundo e o desconhecido bebê de Joaquina.

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E entre a massa de corpos agitados e dançantes, Caspien continuou a ignorar a mãe até ver os ondulares de Tessa se agitarem numa dança. Tess havia se contentado em dar o espaço necessário para o Faye e preferiu tentar se distrair, tendo como companhia o tenente-coronel Terence (que estava estranhamente disperso desde seu retorno a Richmondshire), e Cass tentava se decidir se deveria ou não interromper a diversão da mais nova.

— Comandante, eu poderia roubar sua companhia? — obtive minha resposta a sua escolha assim que o sir formulou a frase sem jeito. Parecia indeciso entre olhar para Terence ou para Tessa em seu vestido azul claro com brocados.

— Se ela se permitir ser roubada... — o senhor ofertou a mão da moça, já parando de dançar, ciente que Tessa certamente não recusaria.

— O che foi, Cass? — ela respondeu doce, depois de se afastarem do centro do salão de dança e tomarem um lugar mais na ponta da fila.

Caspien começara a fazer os passos da giga que tocava, tendo Contessa num esforço para igualar suas habilidades. Aparentemente ela havia esquecido o episódio de horas antes ou estava disposta a ignorar o caso.

— Gostaria de desculpar-me pelo comportamento da minha mãe mais cedo... — o rubor colorindo a face clara do jovem. — Tenho plena noção do quão rude ela foi, me desculpe.

Non há o che desculpar, Caspien, e dico a sério. Io sei che non compartilha do mesmo tipo di pensiero che ela. — o sorriso não chegou até o olhos da moça, ainda que estivesse sendo sincera em seu dizer. — Ouvi a breve discussione che tiveram. — ela demonstrou embaraço, mas a cor de jambo não se fez presente em seu rosto.

— O quanto ouviu?

Tutto, in realtà... — Tess deixara a frase morrer em meio a vergonha. Caspien permaneceu em silêncio por alguns minutos, incerto do que dizer.

Os olhos da morena estavam atentos aos movimentos do salão, sua presença se afastando cada vez mais e mais, embora o corpo seguisse ali. Reparava no misto de felicidade e ressentimento que se podia perceber em certas expressões no salão, e também na quantidade de jovens em sua faixa etária que já estavam casados. Muitas das moças inclusive grávidas. Até mesmo a criança que caíra no canto do salão lhe chamou a atenção. Seu olhar se prendia em tudo, exceto no rosto do Faye.

Naquela altura, Mel já se fazia presente e tentava, com custo, não ser percebida entre um grupo de rapazes apresentados por Rosely, a verdade é que ela não parecia ter interesse algum na conversa passada, e Tess notou isso, mas parecia aliviada em poder se manter escondida das vistas de Henri. Grace Kingsley ainda não havia descido.

Em meio a tantos sorrisos e felicidades fingidas, lhe parecia incoerente que as pessoas conseguissem se manter sãs, ainda que no fundo soubesse que a sanidade era relativa, havia provas disso no alcoolismo de Melina e nas suas doses de medicinas incessantes.

E no fim, sua contemplação ao alheio e a total falta de palavras do Faye resultou numa perdida declaração dela:

Sai, io nunca pensei em sposarmi... — comentou ainda sem olhá-lo. — Sempre soube che un giorno precisaria, ma non pensei che seria algo de mia escolha. Una questione de necessità acima de qualquer cosa. — rodopiou em seu lugar, os saltos ecoando pelo salão em conjuntos com os demais, custava a lembrar os passos da dança, tentando demonstrar saber o que fazia. — Se olhar bene intorno, voi consegue ver alguns casais con mais ou menos a nostra idade, sposate de fato. Me parece tutto tão forzato, infelice e sem sentimento, nemmeno amici parecem ser. — Cass pisou no pé dela, distraído com o monólogo, mas ela sequer fez careta. — É una questione de escolha oggi, non preciso spozare tendo riquezas. — teve coragem de olhar no rosto dele dessa vez. — Non pensi che é errado? — fez uma expressão como quem tentava entender a situação.

— Acho errado alguém se casar sem alguma motivação. Seja isso por sentimentos, necessidade ou honra. Tem de haver algo que faça uma pessoa querer estar com a outra pelo resto de suas vidas. Não vejo a idade como parâmetro de um casório infeliz como parece ser sua visão. — ele a encarou nos olhos após todo aquele entorpecimento. — É claro que os pais os forçam a casar, por conveniência, riquezas, títulos ou mesmo convicções egoístas. — o passo exigia um encontro das mãos de ambos, e assim o fizeram, um olhando nos olhos do outro, de acordo com o que a diferença de altura permitia. — Meu père se casou por honra, foi compelido, na verdade, depois de ter engravidado minha mère. Eram jovens, e se não fosse isso, talvez ele pudesse ter casado com uma mulher mais decente no futuro. Talvez meu avô tivesse outros planos para o filho... tante Emma sempre disse que ele era irredutível. Ela foi contra o casamento dos meus pais, não queria ver o meio-irmão infeliz, mas de nada adiantou.

Tutti deviam ser capazes de seguire o proprio percorso ao seu gosto. — Tess reforçou em resposta. — Meus pais se amaram per quello che sei de bocas confiáveis, ma isso non os permesso ficarem juntos. Eles... — olhou para onde Henri permanecia parado, imerso em tristeza, embora o festejo lhe exigisse alegria. Melina permanecia escondida entre as pessoas do outro lado do salão, seus sentimentos seguiam impossíveis de ler. — ... solo têm obrigação con o dovere, per esempio e nem isso permesso che eles ficassem juntos. — e por todo esse tempo de conversa eu me perguntei se Tessa tinha mesmo tão pouca idade, era uma opinião muito reflexiva, mas eu sabia a verdade, a idade nunca era uma parâmetro para nada.

— Bem, nós dois temos escolha... e ainda que isso devesse soar reconfortante, percebo que não se dobra a esse conforto. — o mais velho falou, dando a volta na mais nova como o passo pedia.

Ion já fiz mia escolha, Caspien, antes mesmo de tutti esses sentimenti surgirem. — ainda que não pudesse chorar, senti vontade de ter esse tipo de expressão. — Escolhi non me sposare com o marquês Suzzano. Passei mia vita no scuro, preciso conoscermi antes de me enlaçar, agora che isso é una opportunità.

— Entendo. — pude ouvir a saliva descer por sua garganta, o pomo-de-adão agitando-se para cima e para baixo. — Disse ter ouvido toda a discussão que tive com minha mère, assim sendo, devo concluir que não somente sabe sobre sua procedência, como também está ciente dos sentimentos que nutro em segredo. — Caspien tomou coragem.

, é certo che sei. Nessuna das due affermazione me é novidade. — declarou com pouca mudança de humor. — O signore é apaixonado per me... — foi simples assim como ela disse e o Faye ficou meio rígido com a naturalidade com que ela falava. — ... assim come io sou per te. — sorriu sem jeito e Caspien parou de dançar para se permitir o deslumbre da descoberta abrupta.

— Você...

, Caspien, io sou. Achei che soubesse. — dessa vez o sorriso foi meio murcho. — Sei che sou molto giovane, ma non guiar minhas ações per una paixão. Non sei niente sobre a vita, nem o amore, e ao contrário da maioria, non vou me permitir una avventura. Voi foi o primeiro che me fez sentire deste modo e certamente irei carregar o espírito desse sentimento per toda a vita. Veja, posso apenas lhe oferecer isso... una promessa. — era estranho pensar que uma conclusão tão bem resolvida pudesse estar saindo da boca daquela pequena ex-noviça.

— Está dizendo que se eu pedir sua m... — o louro pausou, clareando a garganta, estava cada vez menos sorridente e teve uma estranha sensação de deja vu. Foi assim que Henri se sentiu quando Melina o negou? Decidiu então reformular a frase: — Em minhas resoluções, me declarava apto a tomar uma atitude, Tess, já não vejo assim. Estou ciente de que me negaria. Talvez, em uma situação bem diferente, tudo ficaria bem para nós. — ele riu sinceramente, pensando por um momento na possibilidade. — Provavelmente a vida pode me levar a rumos que devo recorrer a um casamento político, mesmo que eu ansiasse amor.

— Cass, diverso da maioria nesse salão, o signore tem caráter, e sei che se for necessário rumar por essa direzioni, vai fazê-lo de forma agradável. — ela riu, girando em seu lugar.

— Meu romantismo deve preservar nossa afeição por muitos anos, ainda que eu devesse negar esse fato, pelo bem da minha compostura, mas se quer saber, não estou atento a ela por agora. O futuro é uma incógnita no nosso estilo de vida. — deixou escapar.

Siamo tão giovani... pode amare outra ragazza num piscar. É una possibilità real, certamente.

— Não acho que seja possível. — ele concluiu, sorrindo depois de admirá-la rodopiar no salão com o cetim do vestido farfalhando em leves ondas, ela parecia uma boneca. — Mesmo que eu minta, e declare que é insensato nutrir o sentimento entre nós a longo prazo... não acho que meu coração tenha sensatez o suficiente para me dar ouvidos ou muita opção a respeito.

— E o che sugere então, signore? — implicou a moça, voltando a ser boba e casual como os amigos que eram.

— Não me resta nada a não ser o bom amigo que me dispus a ser até então; fico feliz neste lugar enquanto necessitar que eu o ocupe. — a visão dele se perdeu por um segundo, antes de olhá-la muito intimamente. — Basta dizer, e eu serei seu eterno servo de amor. — uma risada gostosa se desprendeu da garganta do rapaz num modo muito francês de sua parte, sem tentar reprender-se perante a proposta feita a uma ex-noviça; Tessa era muito inocente para entender a insinuação por trás daquela fala.

Enton temos un acordo, Cass. — executou uma leve mesura para agradecer a dança que chegara ao fim, o gesto fez com que ela ficasse ainda mais baixa que o normal.

— Pedirei sua mão um dia, talvez em cinco anos... e em mais cinco após estes, se me negar. Um dia a cansarei. — ele riu mais uma vez, dessa vez acompanhado de Tessa.

Non vou dissuadi-lo dessa loucura, vero? — pausou a risada, caminhando para a porta do jardim. Cass negou com a cabeça. — Enton non gagueje quando for pedir mia mão.

— Não gaguejarei. Em cinco anos, vai se perguntar porque diabos não fugiu comigo nesse noivado.

Mia escolha está feita... — ela respondeu um minuto depois, notando a quantidade de autocontrole necessário para se manter convicta diante da graciosidade de Caspien.

— Ainda assim, devo ofertar um último apelo, ainda que possa ser julgado como atrevido...

O frio ali não chegava a ser um incômodo, mesmo com a fina neve lhe banhando os cabelos e roupas, quase não ventava e as janelas do salão estavam embaçadas, tornando muito difícil a possibilidade de vê-los. Além do mais, não havia ninguém a vista nos arredores, e os verdes olhos de Tessa brilhavam mais do que nunca, como um convite mudo. Talvez estivessem assim pela descoberta recente, talvez pela gargalhada vivaz que havia dado antes ou pelo misto das duas coisas. E com uma ousadia que não parecia pertencer a ele, Cass executou um último ato de insensatez: seus dedos gentis, tocaram suavemente no queixo da herdeira, o erguendo para si, em completo silêncio. O sorriso simplista pendurado entre os finos lábios morria um pouco a cada centímetro cedido pela proximidade; ele se inclinou na direção da morena, calmo, como quem oferecia um abraço, ato que fez tudo vir com surpresa para Contessa.

Os lábios quentes chocaram-se com ternura, afastando dali o frio e derretendo os pequenos flocos de neve existentes naquela tez. Apesar da criação na França, Caspien seguia a linha de cavalheirismo na maior parte do tempo e não tinha como hábito sair beijando moças a esmo, até onde eu sabia. A experiência de Tess era inexistente; naquele momento figurava-se o seu primeiro beijo. Não isenta de surpresa, espalmou as mãos no peito do Faye, buscando ali o equilíbrio e a altura necessária para manter aquele encostar de lábios, que por mais desajeitado que fosse, parecia tão certo. Notei o leve passar de língua da parte do rapaz, buscando por uma versão francesa e mais profunda daquele contato, mas este foi quase ínfimo.

Quando o beijo se deu fim, Faye a abraçou com ternura e lhe beijou o topo da cabeça repleta de anelares raivosos; seguia encurvado para abriga-la em seus braços, sua estatura deixando Tessa quase completamente escondida ali. O sorriso bobo no rosto dos dois demorou minutos para acalmar, e ainda assim, era impossível de esconder. Com resquícios da furtiva ação estampando ambos os rostos, Tess se forçou a carregar Caspien para dentro do salão e iniciar uma nova dança, onde podiam manter seus sentimentos escondidos dos demais. Era algo íntimo e em suas mentes, deveriam mantê-lo assim, onde o mundo não poderia feri-lo.

 

 

••*••

— Me custa habilidade para entender seus motivos. — Adrian Carter tentava manter-se calmo enquanto conversava no jardim junto a Vittoria; o lugar onde se sentaram estava úmido e o traseiro da moça congelava contra o banco de mármore, mesmo com as camadas de petticoats.

Ainda que longe, o ângulo de Vittoria permitiu que testemunhasse o carinho entre Caspien e Tessa; seu coração sendo esmigalhado a cada toque fornecido a morena. Quis correr por mais de uma vez, deixar ali Adrian com suas inquietações e ideia de casório persistente, mas prometeu a Mely que manteria Tessa a vista, caso ela saísse furtivamente do salão; pena que o Carter a seguira até ali.

— Seu pai concorda com nossa união e não vejo porque haveria de ter motivos para contradizer. — se atinou que o Carter estava buscando alguma resposta dela e tentou focar na conversa para esquecer a sua angustia.

— Vinte anos nos separam em idade e para mim é um motivo bem fundamentado. — Vittoria respondeu aflita, não o olhava nos olhos e mantinha as mãos inquietas nos bolsos do vestido.

— Não o é. Seu pai era mais velho que sua mãe, que descanse em paz. E lady Salvatora é também mais nova que ele, e em nenhum momento isso a impediu de amá-lo incondicionalmente. — o Carter sorriu para a mais nova. — Pensei que gostasse de mim.

— E claramente gosto ou não estaria estendendo essa conversa por meses. Mas não dessa forma... e bem... penso que estaria mais feliz com uma moça mais velha, como Christine ou Felicity, por exemplo. Deus sabe que Chris morreria por sua atenção. — a jovem sacolejou os ombros e assistiu uma carruagem cheia de crianças parar na parte de trás da mansão.

— O pai dela não acha adequada a obsessão que parece nutrir por mim. Ele foi bem... hm... persuasivo na questão. — deu de ombros. — E eu nunca conseguiria me manter casado com alguém tão frívola. Ela me assombra as vezes, com todo aquele ímpeto e fervor.

— Bem, não acho que “frivolidade” seja um adjetivo válido para a vivacidade que envolve Christine. — a sarda respondeu suave e continuou a observar a figura longínqua da misteriosa carruagem, fugindo da visão do casal amoroso adiante. — Ou está sugerindo que o ânimo dela beira a vulgaridade?

— Hm... tem que admitir que é assanhada, mas não me importo com a pureza de uma mulher na minha idade, ainda que me assuste. — Adrian riu ao notar a proteção que Tori estendia a Chris. — Parece muito obstinada a defender os atos levianos da sua amiga... — ajeitou a peruca sobre a cabeça e ofereceu um sorriso galante na direção da mais nova. — Está tentando me contar alguma coisa, Vittoria? — ela corou como uma rosa, tão puramente pigmentada que a única parte branca em seu rosto eram as redomas dos olhos.

— Não... e-eu não me rendo ao tipo de diversão que ela costuma praticar. Mas fiquei curiosa sobre sua opinião. Não é por isso que homens da sua idade se casam com moças novas como eu? Pela pureza? — emendou a meia mentira para tentar trocar de assunto.

— De certa forma sim, mas não é lá muito importante... geralmente é porque quanto mais nova uma moça for, mas chances e tempo de ter filhos. Herança é uma coisa poderosa para um homem ostentar. — ele tocou a mão dela com suavidade, mesmo que ela estivesse escondida dentro do bolso da anágua. — Eu me perguntava se um dia iria me contar, sabia? Bem, não está contando com todas as letras, mas certamente está procurando um meio de fazer.

— O-o que... — ela balbuciou, mas desistiu, tentando não entregar seu segredo.

Assumiu uma expressão raivosa e se levantou, pronta para tirar Leonel de Eton e passar a limpo aquela história; ele e Melina eram os únicos que sabiam tanto sobre o quase ocorrido com o Ceann na clareira em Stockton, quanto sobre suas preferências, e ela duvidava que Mel fosse falar a respeito de qualquer uma das coisas para quem quer que fosse.

— Já faz algum tempo, não é? Notei que desenvolveu mais busto no ano passado. Sempre me perguntei quem tinha sido. Jurava que podia ser o Veil, o primo do Priest que nos visitou em Stupinigi no início do outro ano... a fama o precedia, mas não hesitou em se aproximar dele. — Adrian não usava um tom debochador, só estava expondo o que pensava ter acontecido, mesmo assim, Vittoria sentiu-se suja, mais suja do que quando Richard Ceann tentou abrir caminho entre suas pernas.

— Eu não... o sr. Veilor Priest não tocou um dedo em mim! Como disse, sou uma moça que não procura esse tipo de diversão. — ela ralhou em resposta.

— Já não é mais nenhum tipo de moça, Vittoria. O que mostra ser, em minha visão, é nada mais do que uma bela mulher, e assim sendo, ainda quero tê-la como esposa. — Carter sorriu doce e se levantou para ficar mais próximo de Tori e acalmá-la, mas a impressão que deu ao assustado instinto da loira, foi que ele queria usar seu tamanho como uma vantagem para se aproximar.

— Bom, signore, eu não quero... e já me decidi quanto a isso. — a Berni deu dois passos para trás, grata por não haver nenhuma parede que pudesse impedi-la de correr se fosse necessário.

— Como pode continuar com tão obstinada negativa? Não faço caso se deitou-se com outros homens, a conheço desde que era menina, sempre estive perto, cuidei de você... não vai ser agora que vou desistir. — Adrian declarou dando outro passo na direção da inquieta Vittoria. Para alguém que a conhecia desde pequena, Adrian ignorava sinais muito claros sobre as preferências da moça.

— Não acho que seus desejos ou seu tempo de investimento possam ser levados em consideração após uma negativa, lorde Carter. — era Mely, mais uma vez surgida do além que era habituada a estar. — Tori me parece muito certa a respeito de sua própria decisão, e pelo que sei, o lorde Berni não está obrigando ninguém a se casar.

— Hm... claro, marquesa. Eu só... bem, gostaria de uma negativa coerente. Me importo com ela e mereço uma explicação que não minha idade. — Adrian ofereceu um sorriso comum em resposta e olhou para baixo para encontrar os cristais dos olhos de Melina.

— Se o bem-estar dela é assim tão importante como diz, deve deixar que ela tenha espaço e decida o que fazer. — sorriu forçadamente e sentou-se onde o “casal” estava anteriormente, reprimindo uma careta ao encostar o traseiro no mármore congelante e sentir suas saias molhadas; o Carter acenou a cabeça e saiu de cena, sem descolar os olhos do rosto de Vittoria.

— Obrigada. — foi toda a fala da mais nova, e voltou a ocupar o banco, dessa vez ao lado de Mel. — Vocês Savoia precisam parar de surgir do nada para me defender, sabe?

— Não tenho culpa se as necessidades se apresentam, srta. Berni. — soltou a outra num tom desnecessariamente formal, ainda encarando as costas de Adrian, que agora sumia para dentro da mansão; deu de ombros e suspirou. — Você está bem, Tori?

— Não, não estou, mas não é Adrian o responsável por minha infelicidade. Nenhuma culpada além de mim. — quem deu de ombros foi ela dessa vez. — Mantive Tess e o sir Faye em minha mira, como pediu, mas saiba que ne custou parte do orgulho que havia preservado.

— Ah, entendo... — não precisou completar. — Minha intenção não foi machucá-la com uma cena assim, não esperava a ousadia do Faye depois que lhe confirmei a procedência de Tessa; ansiava que a fúria da tia pudesse mantê-lo em seu lugar. Aparentemente, ele está obstinado em seus sentimentos.

— Não foi muito discreto, mas não posso culpá-los por fazer o que pensam ser certo. Eu sou a tola remando contra a torrente. — a Berni ofereceu um olhar de soslaio derrotado.

— Eles não estavam realmente preocupados em esconder algo. Um dia você vai encontrar alguém com a qual não precise se esconder ou com quem tenha coragem de enfrentar os “bons costumes” e a maldita sociedade.

— Espero que sim, um dia... — o sorriso foi juvenil, discreto. — Pareciam tão felizes que eu estou me culpando pela inveja. — Vittoria soltou o ar audivelmente pelo nariz e colocou uma mecha do próprio cabelo atrás da orelha.

— Não esperava que acontecesse tão rápido. — revelou Melina após um minuto quieta. — Pensei que Tess fosse mais tímida. Enganei-me, é claro. Mas me anima que consiga aceitar a felicidade dela.

— Eu preciso aceitar... na verdade, essa é a parte mais dolorosa. — não foi muito mais que um sussurro de Tori. — Ainda a tenho como uma amiga, é melhor que ela esteja feliz com ele ou com quem quer que seja; ao menos assim posso ter algum consolo. Uma de nós vai ficar bem.

 — Gostaria de poder reconfortá-la de algum modo, mas confesso, me foge ideia que não seja um bom abraço. — Melina se levantou do banco, prendendo a Berni entre seus braços.

— Não poderia pedir mais que sua compreensão... quem mais, além do longínquo Leo, me ouviria confessar essa paixão por Tess, sem me julgar? — um sorriso tímido e lateral desenhou os lábios de Vittoria e ela se levantou. — Agora eu iria agradecer se me arranjasse um par para dançar, assim posso me distrair de tudo isso.



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