História Lobisomem: Os Destituídos - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias World of Darkness (Mundo das Trevas)
Personagens Personagens Originais
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Palavras 1.230
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - S01EP02 - Ligação


Do primeiro ao último segundo da caminhada, ela torceu para que seu pai tivesse apagado. Não pelos pesadelos, claro. Era de partir o coração ver o velho Mark daquele jeito. Porém era complicado lidar com seus sermões. Zoe se sentia mais vítima de uma maldição que qualquer outra coisa. A serenidade estava presente em todo o corpo da garota, a fúria tinha sido liberada.

Abriu a porta com cuidado. As dobradiças rangeram. Invadiu a casa de classe médica pisando na ponta dos pés. A TV estava ligada na sala. Luz e som que enchiam o cômodo. No sofá um barbudo quarentão, olhar duro e rugas que se espalhavam pela face, cada uma com sua própria história.

Estava acordado.

Olhou a nudez da filha e as gotas de sangue que a maculavam. Balançou a cabeça de um jeito pesaroso e bateu os lábios num tsc, tsc, tsc cheio de decepção e reprovação. “Pegue leve, Mark. Ela é jovem”. Contou até dez antes de falar. — Brigou de novo, filha?

Não tinha como desmentir a história, a culpa estava visível. — Só uns idiotas. Nada de mais. — Zoe abriu um sorriso ao pai. Torcendo para que apenas lhe desse um boa noite, sem sermões.

A relação com a filha sempre fora sustentada por pilares de sinceridade. Era fácil lidar com Zoe, pelo menos antes da Primeira Transformação. As coisas ficaram diferentes nos últimos dias. — Idiotas tem aos montes, querida. Nem sempre são problema. Não deve sair por aí fazendo justiça a esmo. — Mark expirou sem pressa. A dor fincada em seus olhos refletiam o pavor que sentia ao imaginar sua filhinha correndo por aí caçando usurpados, fugitivos espirituais ou, pior, um Puro. Mas se essa era a escolha de Luna, não se sentia no direito de julgar. Um destino cruel, mas valoroso. É como ser pai de um bombeiro. Dá orgulho, mas um puta medo também. — Promete que vai maneirar?

— Eles receberam o castigo que mereciam. — Zoe deu de ombros. Não era grande coisa, mas entendia o lado do pai. — Eu prometo. — Talvez até mesmo Mark soubesse que aquela promessa não valia nada, mesmo assim, ela o prometeu. Aproximou-se do pai e lhe deu um beijo na bochecha. — Não se preocupe. Eu sei me cuidar. Eu, uh... Vou tomar um banho.

Mark devolveu sua carranca para o sofá. Cruzou os braços, afundou-se no couro e grudou o olhar na TV. – Tudo bem. — Estava prestes a levar sua mente para outro plano quando se lembrou. — Ligue para a Taylor depois. Ela veio aqui mais cedo te procurar. — E seguiu, fingiu que assistia o Sportscenter.

Zoe subiu até o segundo andar. Foi ao quarto, sem o trabalho de escolher, pegou a pilha de roupas que tinha deixado separada. Seu quarto não havia mudado muito desde que era criança, ainda tinha as bonecas e a cor lilás cobrindo as paredes, era vergonhoso trazer visitas. Não aguentava mais as piadinhas de Taylor sobre o quarto. Tomou rumo em direção ao banheiro que ficava em frente ao quarto dos pais. Ligou o registro sem pressa no banho, precisava daquele momento para relaxar depois de mais um dia. Os fios do cabelo continuaram molhados quando saiu do banheiro, já vestida. Depositou alguns cremes nas madeixas e voltou ao quarto, jogando a toalha em qualquer lugar antes de procurar o celular e enfim discar o número da amiga.

Uma loira de média altura saltava as covas no cemitério. Seus olhos corriam sobre os nomes talhados no cimento. Muitos deles tinham origem na Europa, mas perdiam feio para os indígenas. A bruma rastejava a relva e causava certo calafrio na garota. As pontas dos dedos suavam. Era a mais jovem de sua alcateia, fazia parte do ritual receber as piores tarefas possíveis.

— Caralho! — Gritou levando a mão à boca para abafar. O susto com o aparelho fez o coração quase escapar pela garganta. Deu uma olhada no visor antes de atender e suspirou. — Quase me matou, maluca. — Seguiu olhando para os lados para ver se tinha ou não companhia por ali.

— O que você queria? — A voz de Zoe surgiu direta, do outro lado da linha.

— Sei lá, porra! — Taylor respondeu. O peito ainda palpitava. Respirou fundo e colocou os pensamentos em ordem. — Lembra aonde enterraram a sua vó? Não estou achando. E claro que não perguntaria isso pro seu pai.

— Minha vó? — A confusão alcançou a morena. — Por que você quer saber onde ela tá? Espera.. Você tá roubando covas? Não pensei que chegaria a esse nível. — Deu uma risadinha com a própria piada.

— Ha ha ha. — Taylor forçou o riso repleto de sarcasmo. — Devia tentar uma carreira de humorista, Sra. Piadista. — Devolveu sem deixar de investigar o chão. — Na verdade só preciso checar uma coisa. — Apertou os olhos e sorriu acreditando ter encontrado algo. — Espere aí. — Ajoelhou-se e usou a mão para limpar o cimento. Alarme falso. Protestou baixinho. — Droga! — Levantou-se e voltou a perambular. — Por falar nisso, preciso da sua ajuda com o Mark.

— Você quer me dizer o que quer checar? Ou vou ficar no escuro como sempre? — Zoe odiava descobrir as coisas por si mesma, mas com Taylor era sempre assim. — Ajuda com túmulos, com meu pai... Tem alguma coisa a ver com aquela tal missão que você tinha que fazer?

— Claro que tem, retardada. Sabe que curto os estranhos, mas não saio de madrugada para vir ao cemitério paquerar, né?! — Taylor reclamou. O suor seguia brotando e descendo por todas as partes, e não era por calor. — Aqui será rápido e posso te contar depois. Difícil mesmo vai ser arrastar o velho para a Assembleia amanhã.

— Você pode paquerar onde quiser, sem preconceitos. — Zombou do outro lado da linha. — Assembleia? Ah, Taylor. Você sabe que eu sou nova nisso. Dá pra explicar melhor? E outra, meu pai não é nenhum cabeça-dura, é só pedir com jeitinho. – Naquela última parte nem Zoe acreditou.

— Tá, tá, tá! — Protestou. — Lerda demais! — Usava a amiga como sparing. Estava mais tensa que nunca. — Olha. Duas grandes alcateias se reunirão na tur amanhã a noite. A antiga do seu pai e os Andarilhos da Sombra. Eles mantêm uma rixa de décadas e isso tem fodida as coisas dos dois lados do Dromo. Viemos para ver se colocamos juízo nesses cabeças-ocas. Finalmente parecem dispostos a pacificar a situação e dividir a responsabilidade sobre o território, mas os Andarilhos juraram que só irão à Assembleia se o velho Uivo-Das-Tormentas também for.

— Vou te dar uma mão nisso. Mas vai ficar me devendo essa. E minha vó está enterrada... — Teve um pausa do outro lado, a garota parecia esforçar-se para lembrar. — Perto de alguma estátua, eu acho. — Findou.

— Valeu! Finalmente algo útil. — Taylor deu uma boa olhada em sua volta e de cara encontrou mais de doze estátuas. “Ótimo. Obrigada por nada”. Desenhou a inexpressão na face. — Espera um pouco. — O pedido fugiu pelos lábios e saiu como um murmúrio. Estreitou os olhos ao encontrar uma imagem no horizonte em meio à nuvenzinha que flutuava pouco acima do chão. Os pelos eriçaram e a coluna ficou elétrica. Sentiu uma bola de neve na própria barriga e percebeu a voz fraquejar. — O que é aquilo? — Indagou em voz alta para si e deu uns passinhos na direção da estranheza. — Fodeu!!! — Disparou a correr! Num estalo lembrou-se do telefone na mão. Levou seu tom ofegante ao microfone. — TENHO QUE IR! DEPOIS NOS FALAMOS! — Encerrou a chamada.


Notas Finais


Lembrando, dúvidas à respeito dos termos é só perguntar, galera.

Até o próximo capítulo o/


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