História Locked (Malec Lemon) - Capítulo 3


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Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Clary Fairchild (Clary Fray), Magnus Bane, Simon Lewis
Tags Malec
Visualizações 516
Palavras 2.360
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Saindo mais um capítulo dessa história! Espero que gostem. ;)

Capítulo 3 - Pugs e Discos de Vinil


Fanfic / Fanfiction Locked (Malec Lemon) - Capítulo 3 - Pugs e Discos de Vinil

Ninguém possui um lado só. Todos nós somos

feitos de muitas facetas. O que os outros vêem,

nada mais é do que aquilo que permitimos

que vejam. Para alguns, vestimos muitas camadas.

Para outros, nos desnudamos por inteiro.

 

Conforme Alec prometeu, a secretária dele ligou para ele ainda naquela tarde, e o primeiro encontro entre os dois ficou marcado para dali há dois dias.

 Quando a data chegou, Magnus saiu do trabalho ao fim do seu expediente e pegou o metrô, como de costume. Mas, ao invés de seguir para o prédio ligeiramente mal conservado em que morava, foi para o belo edifício onde ficava o escritório do doutor Lightwood.

 Durante o trajeto, ficou tentando se preparar psicologicamente. Tinha certeza que essa reunião seria uma chatice. O advogado já havia alertado que era rigoroso e exigente, portanto ele sabia que passaria as próximas horas entediado e aborrecido.

 Mas Magnus também sabia que esse era um mal necessário. Não queria passar dois anos na cadeia, então precisava engolir um pouco o orgulho e fazer um esforço para se sair bem na sua audiência.

 Chegou ao edifício e entrou sozinho no mesmo elevador no qual havia passado quase uma hora trancado dois dias antes. Quem diria que o almofadinha que ficou preso ali com ele, era justamente o advogado com quem iria se encontrar logo em seguida? A vida era mesmo cheia de coincidências inexplicáveis.

 O elevador alcançou o andar certo, as portas se abriram e Magnus saiu caminhando sobre o carpete marrom que cobria o corredor. Quando chegou ao escritório do doutor Lightwood, encontrou a porta entreaberta. Bateu algumas vezes, mas ninguém veio atendê-lo, então a empurrou e entrou. A secretária ruiva não estava na recepção e o silêncio reinava no ambiente.

 - Olá. – chamou ele. Porém, mais uma vez ninguém apareceu.

 Magnus franziu a testa, confuso. Será que Alexander tinha esquecido que iriam se encontrar naquela noite? Ele seguiu pelo corredor que levava a sala dele e quando chegou lá, congelou à porta.

 O advogado estava sentado na sua cadeira de couro, com os pés apoiados em cima da mesa. Usava um imenso headphone nas orelhas – provavelmente não o ouviu chegando por isso – e estava terminando de comer um gordo e suculento hambúrguer, ao mesmo tempo em que analisava alguns documentos. Parecia muito concentrado, sem erguer os olhos dos papéis por um segundo sequer, e nem notou sua presença.

 Ele ficou ali por alguns instantes, admirando a cena. Depois pigarreou duas vezes, bem alto, e finalmente chamou a atenção dele. Apesar de não estar fazendo nada demais, Alec ficou desconcertado, como se tivesse sido flagrado cometendo algum crime ou pecado grave.

 - Ah, você já chegou. – disse, tirando os pés de cima da mesa e arrancando o headphone da cabeça com tanta força que as orelhas ficaram vermelhas. – Desculpe, eu não tive tempo de almoçar hoje e aproveitei para fazer um lanche enquanto te esperava.

 - Sem problemas. – garantiu Magnus, tirando a mochila das costas e entrando na sala.

 O outro indicou a cadeira à frente da mesa e ele se sentou. Depois jogou o resto do hambúrguer no lixo, guardou a documentação na gaveta e disse:

 - Bem, acho que agora podemos começar a trabalhar. Como eu já expliquei anteriormente, esses encontros têm como objetivo te dar orientações a respeito de como se comportar durante a sua audiência. Geralmente, a primeira coisa que peço para o cliente fazer é se imaginar no tribunal e agir como acha que deveria, certo?

 Ele assentiu. Alexander se levantou e continuou:

 - Pois bem. O juiz vai pedir que você conte mais uma vez o que aconteceu no último dia cinco de julho.

 Magnus apenas ficou calado, esperando que o outro continuasse. Depois de alguns segundos, Alec ergueu a sobrancelha para ele.

 - E então? – perguntou.

 - E então o quê?

 O advogado revirou os olhos.

 - Comece a contar o que aconteceu naquele dia.

 - Mas eu já te contei tudo na outra vez em que vim aqui. – respondeu Magnus.

 Alexander bufou, parecendo impaciente.

 - Sim, mas agora você deve fingir que está na sua audiência, diante do juiz. E ele vai pedir que você repita o seu depoimento novamente. Ande, vamos lá.

 Foi a sua vez de bufar. Fazia menos de dez minutos que tinha chegado ali e Magnus já estava começando a se arrepender por tê-lo aceitado como seu advogado. Procurou se lembrar de que aquilo era necessário para evitar que fosse preso, então respirou fundo e começou:

 - Naquele dia, eu saí do trabalho às cinco horas da tarde e segui para casa de metrô, como costumo fazer. Enquanto caminhava da estação até o meu prédio, passei por um carro estacionado em frente a um supermercado e escutei um ganido insistente. Aproximei o rosto da porra da ja...

 Então um barulho estridente soou pelo ar e o fez pular de susto. O doutor Lightwood havia batido com uma régua de metal – que Magnus não fazia a menor ideia de onde tinha surgido, já que não o viu pegar o objeto – na beirada da mesa e agora a sacudia na sua direção, com um olhar de reprovação no rosto.

 - Por acaso o seu plano para me livrar da cadeia é me matar infartado antes da audiência? – perguntou ele, ainda sentindo o coração acelerado.

 Mas o outro simplesmente ignorou seu comentário e apenas repreendeu:

 - Nada de usar linguagem chula no tribunal.

 - Mas nós estamos na sua sala. – lembrou Magnus.  

 O advogado revirou os olhos mais uma vez.

 - Nada de usar linguagem chula no tribunal e no meu escritório, certo?

 Ele suspirou. Pelo jeito, as próximas horas seriam realmente muito longas. Mas, como não havia outra saída, começou novamente a narrar o que aconteceu naquele dia, dessa vez sem falar nenhum palavrão. Quando terminou, Alec se aproximou e bateu no seu abdômen com aquela maldita régua.

 - Ei! O que é isso? Posso saber por que estou sendo agredido? – protestou Magnus, esfregando a barriga dolorida.

 - Não seja dramático, foi só uma pancadinha de leve. – respondeu o doutor Lightwood, antes de repreende-lo mais uma vez. – Ajeite essa postura. Você está sentado todo torto nessa cadeira. Aliás, é melhor que fique de pé de uma vez, já que é assim que vai se apresentar ao juiz.

 Magnus bufou, mas atendeu o pedido dele e ficou de pé, com a coluna bem reta. O outro abriu um sorriso de aprovação.

 - Assim está bem melhor. Veja bem: na audiência, além de tudo que você fala, a maneira como age, o seu comportamento, também contam muito na sentença final. Você tem que convencê-los de que está extremamente arrependido do que fez e de que nunca mais repetirá aquela atitude.

 - Mas eu não estou. – retrucou ele. – E se passasse hoje por um carro com um cão trancado sozinho lá dentro, faria a mesma coisa que fiz naquele dia.

 Alexander respirou fundo, como se estivesse a ponto de perder as estribeiras. Magnus sentia um impulso estranho de irrita-lo e ficou com vontade de rir ao perceber o quanto estava conseguindo lhe tirar do sério, mas se controlou.

 - Só que eles precisam acreditar que você se arrependeu, sim. Caso contrário, não vão pensar duas vezes antes de te mandar para a cadeia.

 - Você está querendo dizer que eu devo mentir, é isso? – questionou Magnus.

 O outro coçou a própria testa, fechando os olhos. Parecia tão frustrado, que ele já estava vendo a hora do homem desistir de ser seu advogado. Antes que pudesse dizer alguma coisa, o celular dele começou a tocar em cima da mesa. Alec o pegou e checou a tela.

 - Me dê licença só por um minutinho, por favor. – pediu, levando o aparelho ao ouvido e caminhando até o canto da sala, perto da janela.

 Magnus voltou a se sentar e ficou o escutando falar e rir ao telefone.

 - Oi, Izzy. Não, ainda estou no escritório. É que eu tive que atender um cliente fora do expediente hoje. Não, não esqueci do nosso jantar. Logo vou acabar tudo por aqui. Ainda preciso passar na loja de discos no caminho e pegar um vinil que encomendei, mas tenho certeza que consigo chegar aí antes das nove. Sim, eu comprei o seu pacote de Oreo, Isabelle. Espero que a gente não acabe comendo pizza dessa vez. Não precisa ficar brava, eu estou só brincando! Tudo bem, um beijo para você. Também te amo, maninha.

 O doutor Lightwood encerrou a ligação e voltou a se sentar na sua cadeira revestida com couro preto. Estava sorrindo e balançando a cabeça. Magnus reparou nos olhos dele, azuis como o céu, que agora tinham um brilho de diversão.

 - Stone Sour, hein? – comentou.

 O outro lhe lançou um olhar confuso, então ele explicou:

 - O toque do seu celular. Through The Glass, da banda Stone Sour, que quase ninguém conhece. Você gosta muito deles?

 Os olhos de Alexander se iluminaram mais ainda.

 - Adoro. – disse, com a voz repentinamente animada. – Nem dá para acreditar que o vocalista, Corey Taylor, é o mesmo da banda Slipknot, não é? A voz dele parece tão diferente, mas igualmente incrível.

 Magnus gostou dessa versão dele, que conversava entusiasmadamente sobre música, ao invés de ficar batendo em abdomens alheios com uma régua. Então seguiu no mesmo tema.

 - Eu te ouvi dizer ao telefone que precisava buscar um vinil que encomendou. Você coleciona discos antigos?

 - Sim. – respondeu o outro, ainda muito animado. – Meu pai me deu a antiga vitrola dele de presente quando eu fiz dezoito anos. Desde então, virei um caçador de relíquias musicais, como brinca a minha irmã. Eu adoro vasculhar brechós, sebos e lojas de discos, sempre à procura de um vinil valioso. Já fiz vários achados incríveis assim. Agora estou procurando um LP original dos Beatles. Sei que vai me custar os olhos da cara, só que preciso tê-lo na minha coleção, custe o que cus...

 Alexander se interrompeu, subitamente envergonhado.

 - Bom, mas esse não é um assunto que devemos conversar aqui. Estamos em um encontro profissional e eu te chamei para orienta-lo a respeito de como se comportar durante a sua audiência.

 Magnus franziu o rosto, fazendo uma careta desgostosa.

 - Não, vamos continuar falando de música, por favor! – resmungou. – Isso é muito mais divertido do que ficar repetindo quinhentas vezes a mesma coisa e ainda levar reguadas! Vamos lá, liste todas as suas bandas favoritas para mim, em ordem alfabética.

 O doutor Lightwood o encarou com um olhar afiado.

 - Saber quais as minhas bandas favoritas não vai ajuda-lo em nada durante a sua audiência. – retrucou. – Eu avisei que era rigoroso e exigente, e que íamos passar muitas horas trabalhando nisso. Quando você estiver na frente do juiz, vai ficar muito tenso. Precisa se preparar e treinar com bastante afinco, para conseguir agir da maneira certa quando chegar a hora.

 Ele deixou os ombros despencaram, em uma postura de derrota. Detestava ter que admitir, mas sabia que seu advogado estava certo. Então respirou fundo e se pôs de pé, pronto para recomeçar o treinamento.

 Os dois passaram mais uma hora ali, Magnus repetindo infinitamente o que aconteceu no último dia cinco de julho e Alec dando reguadas na mesa, resmungando, o interrompendo e repreendendo dezenas de vezes. Quando o outro finalmente anunciou o fim da reunião, ele se sentia exausto, como se tivesse corrido uma maratona.

 - Muito bem, por hoje chega. – disse Alexander. – Como tenho um compromisso e não quero me atrasar, vamos encerrar a noite com apenas duas horas de trabalho.

 Magnus arregalou os olhos, chocado.

 - Apenas?!?!? Por quantas horas você acha que nós deveríamos trabalhar?

 O outro hesitou por alguns instantes, ponderando. Por fim, respondeu:

 - Levando em conta que nós só vamos ter três encontros, eu diria que, no mínimo, cinco horas para cada um. Mas, como não podemos ficar até as onze da noite aqui no escritório, teremos que nos contentar com três horas em cada reunião.

 Ele esfregou o rosto com as mãos. Ficava de saco cheio só de imaginar que ainda precisa passar mais duas noites ali, depois de trabalhar o dia inteiro, preso naquele treinamento entediante, por três horas seguidas.

 Tinha dito que não estava arrependido do que fez e foi sincero, mas agora começava a reconsiderar suas palavras. Nunca foi muito dado a regras, gostava de ser livre, de criar seus próprios horários. De fazer o que tinha vontade, quando e como quisesse. Treinar como se comportar e até ensaiar todo um discurso pronto – e não muito sincero, diga-se de passagem – para fazer em um tribunal cheio de gente, era uma ideia que não lhe agradava nem um pouquinho.

 Mas era isso ou ver o Sol nascer quadrado, então Magnus não tinha outra alternativa a não ser encarar a ingrata tarefa.

 - Tudo bem. – concordou, sem conseguir esconder totalmente o desgosto que sentia em seu tom de voz. – Vamos fazer essa palhaça..., digo, esse treinamento, durante três horas seguidas em cada reunião.

 O advogado sorriu.

 - Se você de dedicar bastante, tenho certeza de que vai se sair muito bem na audiência e todo seu esforço valera à pena.

 Ele assentiu.

 - Bem, se já terminamos por hoje, acho que posso ir embora agora, certo?

 Alec concordou com a cabeça e se aproximou, lhe estendendo a mão.

 - Claro, você está liberado. Boa noite e até a próxima.

 - Boa noite. – respondeu Magnus, pegando a mochila que tinha largado no chão. Estava prestes a sair dali, quando o outro comentou:

 - Gostei da sua camiseta.

 Ele olhou para baixo, como se precisasse se lembrar do que estava vestindo, ainda que conhecesse muito bem a camiseta verde com o rosto sorridente de um pug estampado na frente.

 - Ah, obrigado. – disse, sem jeito. – É o uniforme do pet shop. Vim direto do trabalho para cá e não tive tempo de passar em casa para trocar de roupa antes.

 - É muito bonita. – respondeu Alexander, ainda sorrindo.

 Então Magnus fez um aceno de despedida com a cabeça e finalmente saiu da sala. Logo que passou pela porta, podia ter jurado que o ouviu completar: “A cor combina com os seus olhos”.



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