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História Locus Amoenus - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá olá!

Trago mais uma BaekChen para o site, e dessa vez uma contribuição para o Clube dos Flopinhos (@cdflopinhos) com o desafio desse mês sobre Deuses do Olimpo. Para mim foi um verdadeiro desafio, principalmente porque eu não conhecia bem nenhum deus (manjo naaaaada disso), especialmente a que me foi sorteada, a Artemis, nunca nem tinha ouvido falar. Mas para quem também não a conhece, digo que vale muito a pena porque ôôô mulher foda.

Ela é a deusa grega da caça, da lua, da virgindade, do parto e do deserto, além da fertilidade e do arco e flecha. Ela é irmã gêmea de Apolo, e considerando a história da deusa e seu irmão eu estou pensando em, quem sabe, fazer um extra dessa fanfic hehehehe

Por enquanto deixo essas poucas palavras. Obrigada ao Clube dos Flopinhos por, mais uma vez, me fazer aprender algo novo.


Espero que gostem ❤

PS importante: um obrigada MUITO especial à beta @hikuno_chan por ler e deixar suas impressões sobre minha história. Grata pelo seu trabalho ♡

Capítulo 1 - Local Ameno


Os raios da lua rastejavam por entre as folhas das árvores, espreitando a floresta com seus animais adormecidos em um sono tranquilo e guardado pela energia da divindade que por entre eles habitava. Nas águas de um rio, banhando-se ainda em sua túnica em um tom de branco tão reluzente quanto seus cabelos, uma pessoa — talvez homem ou mulher, não se podia dizer — brincava com a correnteza enquanto era observada pelos poucos seres da floresta ainda acordados, que se reuniam à beira como em devoção, ao redor de um arco e flecha repousados sobre a terra úmida.

Timidamente, um humano se aproximou, curioso com a cena de aura mística, enquanto tentava se resguardar pelas sombras. Não foi possível manter sua presença em segredo por tempo o suficiente para crescer sua admiração, pois o ser logo se virou com olhos atentos, saindo da água de forma abrupta e agarrando a arma esquecida. Os olhos do mortal se arregalaram, perplexo diante do susto e da beleza do que enxergava.

Não podia dizer se era um homem ou mulher que se encontrava à sua frente; na verdade, poderia bem ser os dois ou nenhum, isso sequer importava. Seus olhos escuros eram negros como o céu estrelado acima de suas cabeças, os cabelos brancos tão reluzentes que pareciam fruto da imaginação, e a túnica que se grudava ao corpo másculo e ao mesmo tempo delicado fazia parecer que cada curva havia sido esculpida pelas mãos cuidadosas da natureza. Os lábios curvadinhos aos cantos se abriram em igual surpresa ao perceber o humano refugiado atrás de uma árvore, mesmo que suas íris brilhassem no que parecia ser fúria.

"Quem é você?"

O humano caminhou para a luz com certo cuidado, os passos incertos ao ver o arco e flecha serem erguidos em sua direção, prontos para uma flechada que não deixava dúvidas sobre ser certeira. Sendo observado pelos animais, principalmente coelhos e filhotes de urso, cujos corpos se esticavam em curiosidade para melhor enxergar o humano, ele se curvou brevemente em sinal de respeito, deixando claro que não havia qualquer intenção maldosa em suas ações.

"Me chamo Baekhyun." Sua voz soou mais baixa do que esperava, mas ele não se importou. Talvez fosse o encanto que há poucos segundos havia paralisado cada um dos seus nervos. "Sinto se atrapalho seu banho, eu estava perdido e procurava um pouco de água para beber, apenas isso."

O ser à sua frente se permitiu abaixar a arma um pouco, analisando o homem em sua frente, cuja cabeça ainda permanecia levemente curvada. Sorriu de lado ao sentir seu medo. Ele tinha cabelos escuros, olhos negros e um boca rosada que seria convidativa caso não mantivesse sua castidade inquebrável. As roupas eram simples, dignas apenas de um mero camponês das redondezas, mas já havia sido enganado por caçadores vestidos assim antes. Por isso, aproximou-se um passo; um único e simples passo que fez com que o homem recuasse levemente trêmulo.

O arco e flecha foram deixados no chão, um sorriso cresceu ainda mais em seus lábios e os dedos, quentes como a vida da natureza, tocaram gentilmente o queixo do homem, que olhou em seus olhos e prendeu um suspiro aturdido.

"Me chamo Artemis, Baekhyun. Aqui nesse seu país, me chamam de Jongdae."

Confuso com os nomes de gêneros contrastantes, o rapaz franziu o cenho, curioso mesmo que assustado com o toque que transmitia calor, mas também certa ameaça.

"Você é um homem ou uma mulher, afinal?"

O ser de beleza etérea, olhos agora carinhosos e feições andróginas o livrou do toque e sorriu, abrindo os braços e os estendendo à lua em um gesto teatral que deixou o humano encantado.

"Eu sou a reencarnação de uma deusa, cuja pureza os homens não eram dignos. Eu posso ser um homem se você quiser, se for mais fácil para que compreenda. Mas eu posso ser ambos, como posso igualmente não ser nada. É difícil para os humanos compreenderem a existência dos deuses..."

Maravilhado e boquiaberto, Baekhyun não teve palavras para responder. No fundo, sequer faria diferença, porque Artemis ou Jongdae, homem ou mulher, a divindade à sua frente era o ser mais belo já visto, com as feições mais puras e a aura mais atraente e, mesmo perdido, ele sentia que era ali que queria se encontrar. Nem que para isso jamais encontrasse o caminho de volta para sua vila.

"Eu posso voltar para te ver?" ele pediu sem pensar, suas mãos ardendo na pura vontade de tocar a pele que parecia tão macia.

Artemis suspirou e estreitou os olhos, tudo em si dizendo para responder um grande e sonoro não. Já havia sofrido tentativas de enganação de humanos antes, muitos tentaram roubar sua pureza e sofreram a força de sua ira, mas mesmo assim não conseguiu enxergar nada de ruim no humano de olhos suplicantes que agora parecia ver em si sua salvação. Apenas assentiu, em um consentimento mudo e infinitamente significativo que selaria seus destinos.

"Vou te guiar de volta para o lugar de onde veio, Baekhyun. Se quiser voltar, eu estou onde a natureza está."

E, abrindo caminho com uma luz bruxuleante como a de velas rumo à estrada que termina na vila, Artemis fez um pedido mudo para que o rapaz sumisse entre as árvores e, quem sabe, retornasse outro dia. Quando ele se foi, ele quase amaldiçoou sua própria vida imortal por desejar em seu íntimo que o rapaz não tardasse a retornar.


°


E ele voltou. Sem sequer se importar em fingir desinteresse, apareceu em uma pequena clareira da floresta onde a voz do deus se fazia ouvir, ficando completamente encantado ao vê-lo sentado sobre a grama com animais ao seu redor e borboletas sobre seu corpo, flores como que grudadas na pele e os cabelos refletindo a luz dourada do sol que, tal como a lua, acentuava sua beleza. O sorriso que cresceu nos lábios de Baekhyun foi irrefreável e instantâneo, e sua alegria foi tanta que ele nem mesmo se conteve em se aproximar com visível interesse, se sentando a poucos metros de distância e brincando com a barra de suas vestes simples de camponês coreano. Artemis apenas ergueu os olhos quando notou que ele estava sentado diante dele.

"Você veio mesmo."

Como explicar para seu próprio coração o motivo de suas batidas aceleradas? Os animais pareciam sentir, porque se agitaram e logo se retiraram para deixá-los a sós, as flores também sumindo como que num passe de mágica para que o deus se parecesse mais com um humano acessível ao mortal à sua frente. Baekhyun observou tudo encantado, ainda sentindo toda a aura mística, mesmo que agora ele se parecesse mais com um simples humano do que no momento em que chegou.

"Eu não poderia deixar de vir, me perdoe. Pensei em você o tempo inteiro, acho que nunca conheci um deus antes."

"Minhas luzes te guiaram direito?"

"Permaneceram comigo até mesmo quando eu fui dormir."

Jongdae corou, fingindo olhar as flores do outro lado da clareira para esconder as bochechas que adquiriam um tom rosado. Jamais havia corado, nem mesmo diante dos outros humanos que um dia apareceram em sua vida, e a sensação das bochechas esquentando por si só era sinal de perigo. Não podia deixar sua castidade ser roubada por palavras doces e um belo sorriso. Mas, ao mesmo tempo, não poderia cometer a desonestidade de mentir sobre o interesse que o rapaz lhe despertou, nem sobre a forma como fez com que a luz do luar incidisse mais forte sobre ele para que tivesse uma noite protegida. Não sabia por que estava perdido, mas sentia que Baekhyun era uma dessas pessoas tristes por quem ninguém procuraria.

"O que você estava fazendo na floresta ontem à noite para ter perdido o caminho?" Ignorando a sentença anterior, questionou com verdadeiro interesse. Viu quando o rapaz se aproximou, talvez se sentindo mais confortável para quebrar a distância, e quis de verdade tocar outra vez sua pele lisa e macia.

"Estava procurando por comida, mas fui pego por alguns guardas do palácio e tive que mudar o meu caminho. As coisas estão difíceis desde que o príncipe Won Deuk se tornou autoritário e passou a mudar regras no país. Nunca conheci meu pai e minha mãe era uma gisaeng, então deve ser fácil imaginar o quão ruim é a minha vida."

Jongdae olhou com carinho para o homem à sua frente, cujo olhar triste agora se mostrava enquanto se abria tão facilmente, deixando claro que nunca antes havia sido ouvido. Era mais do que óbvio que ele precisava de uma companhia, algum motivo para viver, e parecia muito injusto ao deus que sua vida se resumisse a se aventurar na floresta em busca de comida enquanto fugia como um ladrão, tudo por conta da impureza e maldade dos outros homens. Quis ajudá-lo e de verdade se compadeceu; essa, inegavelmente, foi a sentença de que seu coração já não era mais o mesmo.

"Eu vou te ajudar, Baekhyun." Ele sorriu, deitando-se sobre a grama e olhando de lado para o homem que o observava com curiosidade. "Deite-se ao meu lado, eu não mato."

Rindo, o rapaz de cabelos escuros se jogou sobre o chão ao lado dele, também virando o rosto para fitar os seus olhos.

"Com esse arco e flecha? Tenho minhas dúvidas."

Artemis apenas sorriu, certo de que não seria adequado contar sobre todos os homens que já atingiu com suas flechas por pura ira no passado. Apenas fechou os olhos e desejou que a natureza enviasse todas as coisas boas para Baekhyun, enquanto o céu contemplava o contraste quase mágico dos cabelos brancos do deus e os fios negros do humano uns sobre os outros, agora que a aproximação física, com alguma energia ainda incompreensível a ambos, os unia muito mais do que palavras seriam capazes.


°


Conforme os dias foram se passando, Artemis e Baekhyun se tornaram cada vez mais próximos. O humano, fugitivo dos guardas do palácio e morador de uma casa simples afastada de todos os outros moradores da vila, frequentemente se esgueirava por entre as árvores quando a noite estava prestes a cair para encontrar o ser que havia se tornado a única luz em sua vida. E, ciente de que ele vivia na miséria do abandono, Jongdae fazia questão de conceder toda a fertilidade às árvores frutíferas da região para oferecer a ele banquetes no fim de todos os dias, tudo pelo puro prazer de observar seus lábios se curvando em satisfação e um suspiro deleitoso deixar seus lábios rosados e convidativos.

Aos poucos viu sua castidade ser ainda mais ameaçada, quando se viu desejando que sua pele fosse a maçã mordida com tanto desejo, seu beijo, a água da qual ele desfrutava com tanta sede, e seus cabelos, a relva tocada pelas belas mãos. As bochechas coradas eram tão frequentes quanto o coração palpitante, e seria irônico admitir para si mesmo que estava sentindo o amor tão falado pelos humanos. Logo ele que, como a reencarnação de uma deusa da virgindade, prometera jamais abrir mão de sua pureza por homem nenhum.

"Como é viver como uma divindade, Jongdae?" Baekhyun perguntou em um desses encontros, enquanto desfrutava de uma manga especialmente doce e era observado pelos olhos atentos do deus de cabelos platinados. "Não é tedioso viver para sempre?"

Artemis riu, e se seus olhos não tivessem se fechado com o regozijo, teria visto as feições admiradas do humano cujo peito também ardia em paixão.

"Eu não necessariamente vivo para sempre. Reencarno em diferentes lugares, algumas vezes estou em tudo e em outras estou em nada. Todas as minhas outras vidas eram femininas, isso é tudo de que consigo me lembrar, mas sei que vez ou outra deixo um corpo para aparecer em um lugar diferente onde a natureza precisa de mim."

"E por que todas as outras vidas que você teve eram femininas?" o rapaz questionou curioso, sendo observado por olhos cheios de um carinho sincero. "Eu não me importo que você seja um homem. Você é tão belo quanto qualquer outro ser da natureza."

Jongdae riu novamente, o peito se enchendo de um calor revigorante ao ouvir as palavras ditas em uma voz tão amorosa. Por mais que tentasse fingir que não, ele sentia o quão apaixonado Baekhyun estava. E sentia porque também carregava no coração o mesmo sentimento.

"Artemis sempre foi mulher porque os homens tentam roubar sua pureza e eles não são dignos de tanta castidade. Não é como se eu fosse realmente um homem, deuses nem sempre precisam ter sexo, Baekhyun. Sou andrógino, me mostro como for mais compreensível para você ou confortável para mim, e se quer minha sinceridade, essa é a primeira vez que me sinto bem em parecer um homem diante de um humano."

Curioso, o rapaz coreano de olhos caídos, sorriso tímido e postura devota se aproximou para perguntar em uma voz baixa como quem conta um segredo:

"E por que você acha que se sente assim?"

Incapaz de conter seus instintos mais ardentes, mesmo que um deus seja onipotente e toda a sua natureza seja inclinada à pureza, Artemis se aproximou com a mesma postura de segredo, mas com os dedos agora tocando o lado do rosto já corado do rapaz asiático.

"Porque acho que encontrei, pela primeira vez, um homem que me faz enxergar pureza nos humanos que habitam esse mundo."

Num último movimento, seus lábios já estavam juntos, em um beijo suave e cheio de sentimentos que aqueceu ambos os corações e fez até mesmo as flores murchas da clareira voltarem à vida. Os animais observaram por entre as árvores, o céu no qual a noite se iniciava mostrou uma imponente e brilhante lua e tudo ao redor deles resplandeceu como se as estrelas explodissem nas mais belas faíscas. Quando se afastaram, porém, os cabelos de Jongdae já não possuíam apenas o branco característico, com uma mecha dourada se destacando entre os fios para mostrar fisicamente que algo havia mudado. Ele havia mudado; parte de sua pureza intocada agora habitava em um humano.

"Você..." o rapaz começou aturdido, sentindo que havia feito algo muito errado.

"Não diga nada, Baekhyun. Toda ação de um deus deixa marcas, essa é a que nossa aproximação deixará em mim.”

E Baekhyun não soube fazer nada além de sorrir, porque Jongdae não parecia nem mesmo minimamente incomodado ao proferir tais palavras. Eles apenas trocaram mais e mais beijos, enquanto Artemis se permitia amar um pouco mais porque sentia, em seu íntimo, que aquele era o único humano capaz de amar uma de suas vidas sem a intenção de roubar impiedosamente sua castidade.

A deusa, na forma do gênero que sempre a feriu, havia encontrado alguém que valesse a pena em meio a tanta maldade. E ela não se arrependeria de tentar compartilhar o seu imortal e infinito amor.



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