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História Lola - Capítulo 4


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Notas do Autor


Nada a declarar...

Capítulo 4 - Tempo suficiente para fazer inimigos


Fanfic / Fanfiction Lola - Capítulo 4 - Tempo suficiente para fazer inimigos

Além de lidar com semanas de prova que pareciam feitas na época da Inquisição - diga-se de passagem -, de possíveis assaltos noturnos ao seu ônibus caindo aos pedaços, e semestres letivos que parecem durar um éon; você, caro universitário, ainda precisa ficar atento às pequenas peças que o universo resolve pregar... Porque é hilário sua cara de quem está prestes a chorar e berrar pela sua querida - e sempre ausente - mamãe.

E como eu passei duas vezes na fila para pegar uma vida fodida, é claro que o universo não pegaria leve comigo. Eu tinha duas opções no quesito "ferre sua vida hoje", a primeira é óbvia e que por mais que você saiba que vai se foder completamente, você corre atrás como se fossem blusas em promoção. E existem aquelas sutis, que chegam de fininho durante a sua soneca entre duas aulas entediantes como o inferno. Que estão ali, do outro lado da sala, de braços cruzados, te encarando com o par de olhos castanhos mais obscurecidos que você já viu. 

Olhos que não te odeiam, mas que definitivamente não gostam de você.

Olhos que adoram discordar de você.

Havia algo que fazia aquelas bolas de gude dantescas alcançar o nirvana quando me viam de rosto fechado e dedo do meio levantado... 

Sinal esse que era minha marca registrada, igual a estampa daquela grife escrota que começa com S... Era sujo, urbano, fácil. Era só levantar a mão de onde eu estava para discordar do fato que aqueles olhos discordavam de mim.

Por que não simplesmente desistir com a briguinha estilo maternal, com alguém de quem você nem suspeita com se chama, Lola?!

Porque éramos quase uma pessoa só nos movendo pela sala, tirando é claro meus 10 segundos de atraso. Aquele cara e seus olhos negros sempre me ganham em meu próprio jogo. Até que - e como se eu não tivesse o suficiente para me coçar - por fatores mais aleatórios que a Mega Sena, eu me torno representante de sala.

E minha sombra se torna meu vice, meu braço direito que não pensaria duas vezes antes de atirar na minha cara.

Até que seus olhos, seu corpo ganham um nome... Afonso. 

E de repente aquele ditado mais velho que a criação do mundo faz sentido… “Se não pode destruí-los… Junte-se a eles”

 

***

 

Os olhos dela encaram a mim enquanto o beija, no meio da biblioteca largada às moscas... 

O sinal é claro, “fique longe dele ou te mostro como se usa um bisturi.”

Reprimi um suspiro, um dos muitos desde que o imbecil do Afonso resolveu aterrizar na minha vida... Com a namorada a tiracolo... Porque é óbvio, o diabo nunca vem sozinho. 

- Onde nós estávamos - ele indaga, inocente, como se sua boca não estivesse manchada de vermelho, e suas orelhas incandescentes como a ponta de um dos cigarros que ele me roubou. 

- Ela sabe que você adora o fato de que eu caminho pela universidade seminua? - solto, ouvindo os coturnos dela ecoando ao fundo e torcendo para que ela estivesse longe o suficiente. 

- Reina adora você, Lolita - ele diz, o rosto escondido estrategicamente atrás do livro

- Lola - corrigir Afonso em toda conversa que tínhamos era como estudar ciências humanas e fumar maconha... Inseparáveis. 

- É claro que ela me adora, temos muito em comum não é mesmo… - o sarcasmo escorre pelo queixo e se junta com a mancha de café na minha blusa.

Ele me encara, pela primeira vez desde que chegamos, e posso ver seus últimos três neurônios repassando a lista de coisas que eu e Reina não podemos discutir...

Reina faz medicina, eu desmaio quando vejo sangue

Reina diz vai se foder, enquanto eu tento agradar gregos, troianos e quem mais estiver no meio. 

Reina jogaria pedras em cada niilista existente no campus, enquanto eu adoraria ter um caso sórdido com Nietzsche 

Reina namora com Afonso há quase seis anos e eu comecei a pensar que talvez no fundo eu quero o mesmo... Mas ele não sabe disso, ou pelo, somos bons atores.

Você finge que aquele quase beijo na nossa primeira sessão de estudos nunca aconteceu...

Eu finjo que te odeio e que isso nunca vai mudar...

Vida que segue..

Só que sem rumo

- Okay, okay - ele desiste, mãos para cima em sinal de rendição e tudo... - Mas porque caralhos estamos discutindo isso mesmo?

Quero jogar o livro na testa dele, mas lembro que foi eu mesma quem remendou a capa… - Porque eu te chamo para estudar e você fica comendo sua namorada na minha frente? Por que infelizmente você é minha dupla na única cadeira que eu gosto? 

Seus olhos me evitam de novo... Como se não quisesse concordar comigo nem que seja fisicamente

- Eu sou um imbecil - ele solta, sem mais explicações

- Eu nunca tive dúvida disso - eu digo, amassando pedaços de papel aleatórios apenas para ter o que fazer...

E mesmo sabendo disso, eu me apaixonei por você.

Bravo, Dolores.

 



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