História LOLITA . sprousehart version - Capítulo 4


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Categorias Riverdale
Personagens Alice Cooper, Archibald "Archie" Andrews, Cheryl Blossom, Clifford "Cliff" Blossom, Elizabeth "Betty" Cooper, Forsythe Pendleton "Jughead" Jones III, Jason Blossom, Kevin Keller, Personagens Originais, Reginald "Reggie" Mantle, Veronica "Ronnie" Lodge
Tags Bughead, Cole Sprouse, Jughead, Jughead Jones, Lili, Lili Reinhart, Riverdale
Visualizações 42
Palavras 796
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Bishoujo, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Ficção, Hentai, Lírica, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey, como estão?! ♡

Capítulo 4 - 3


Madelaine era, como o autor, de ascendência mista: meio inglesa, meio holandesa, no seu caso. Hoje lembro-me muito menos claramente das suas feições do que me lembrava há alguns anos, antes de conhecer Lolita. Há duas espécies de memória visual: uma, em que recriamos habilmente uma imagem no laboratório do nosso espírito, com os nossos olhos abertos (e nessa altura eu via Madelaine em termos tão gerais como: pele cor de leite, braços magros, cabelo ruivos e longos, pestanas compridas, boca grande e luminosa); outra, em que evocamos instantaneamente, com os olhos fechados, no interior escuro das nossas pálpebras, a réplica objectiva e absolutamente óptica de um rosto adorado, um fantasmazinho em cores naturais (e é assim que vejo Lolita).

Permiti, portanto, que, ao descrever Madelaine, me limite escrupulosamente a dizer que ela era uma garota encantadora, alguns meses mais nova do que eu. Os seus pais, velhos amigos da minha tia e tão enfadonhos como ela, tinham alugado uma vivenda não muito longe do Hotel Mirana. O careca e bronzeado Mr. Leigh e a gorda e empoada Mrs. Leigh (nascida Vanessa van Ness). Como os detestava! Ao princípio, Madelaine e eu conversávamos de assuntos periféricos. Ela tinha o hábito de levantar punhados de fina areia e de a deixar correr por entre os dedos. Os nossos cérebros estavam sintonizados como os dos pré-adolescentes europeus inteligentes do nosso tempo e do nosso meio, e eu duvido que se pudesse atribuir grande dose de talento individual ao nosso interesse pela pluralidade dos mundos habitados, pelo tênis de competição, pelo Infinito, pelo solipsismo, etc.

A maciez e a fragilidade das crias dos animais causavam-nos a ambos a mesma dor intensa. Ela queria ser enfermeira num esfaimado país asiático qualquer; eu queria ser um espião famoso.

De repente, estávamos louca, desajeitada, imprudente e angustiadamente apaixonados um pelo outro – e desesperadamente, deveria acrescentar, pois aquele frenesi de posse mútua só poderia ser apaziguado se, verdadeiramente, absorvêssemos e assimilássemos todas as partículas da carne e da alma um do outro; mas para ali estávamos, incapazes, até, de acasalar, coisa que as crianças dos bairros miseráveis teriam encontrado sem dificuldade oportunidade de fazer. Depois de uma ousada tentativa para nos encontrarmos à noite no jardim dela (de que falarei mais adiante), a única intimidade que nos consentiam era estar longe do alcance auditivo, mas não do visual, da parte populosa da plage. Aí, a poucos palmos de distância dos mais velhos, estendíamo-nos toda a manhã na areia fofa, num petrificado paroxismo de desejo, e aproveitávamos todos os abençoados ardis, no espaço e no tempo, para nos tocarmos: a sua mão, meio oculta na areia, avançava devagarinho na minha direção, com os dedos esguios e morenos a aproximarem-se mais e mais, como sonâmbulos; depois, o seu opalescente joelho iniciava uma longa e cautelosa viagem. Às vezes, um castelo ocasional, construído por garotos mais novos, concedia-nos abrigo suficiente para que os nossos lábios salgados roçassem uns pelos outros. Estes contactos incompletos arrastavam os nossos corpos jovens, sadios e inexperientes para tal estado de exaspero que nem a fria água azul, sob a qual  continuávamos a agarrar-nos, nos aliviava.

Entre alguns tesouros que perdi nas perambulações dos meus anos de adulto, contava-se um instantâneo tirado pela minha tia e no qual se via Anabela, os pais e o calmo, idoso e coxo cavalheiro – Dr. Cooper de seu nome – que nesse mesmo Verão cortejou a minha tia, agrupados à volta de uma mesa, numa esplanada. Madelaine não ficou muito bem, pois foi apanhada ao inclinar-se para o seu chocolat glacê e os seus ombros magros e nus e o risco do seu cabelo eram praticamente tudo quanto se podia identificar (tanto quanto me lembro) na mancha luminosa em que o seu perdido encanto se esbatia. Mas eu, sentado um pouco afastado dos restantes, aparecia na fotografia com uma espécie de dramática evidência: um rapaz taciturno e de sobrancelhas hirsutas, de camisa desportiva escura e calções brancos bem cortados, de pernas cruzadas, sentado de perfil e a olhar para longe. Essa fotografia tinha sido tirada no último dia do nosso fatal Verão e alguns minutos, apenas, antes da nossa segunda e derradeira tentativa para contrariar o destino. Valendo-nos do mais insignificante dos pretextos (era a nossa última oportunidade e nada mais interessava, realmente), escapámo-nos da esplanada do café para a praia, encontramos uma extensão de areia deserta e aí, na sombra violeta de umas rochas vermelhas que formavam uma espécie de caverna, tivemos uma breve sessão de sôfregas carícias, com um par de óculos de sol perdidos por alguém como única testemunha.

Eu estava de joelhos, e prestes a possuir a minha adorada, quando dois banhistas barbudos, o velho banheiro e o irmão, saíram do mar e soltaram exclamações de obsceno encorajamento. Quatro meses depois ela morreu de tifo, em Corfu.


Notas Finais


Não deixem de comentar! ❤️ Até o próximo.


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