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História Lonely Hearts Club (Choi Yeonjun) - Capítulo 7


Escrita por: PyxisFly

Capítulo 7 - Passos pequeni-ni-ni-nhos


   O rosto do coordenador estava sério do começo ao fim da minha apresentação sobre o clube, os olhos fixos em algum lugar atrás de mim, as sobrancelhas se mexendo de vez em quando como resposta a alguma das minhas palavras. Não havia entrado na sala cheia de confiança, apenas o bastante que meu primo tinha enfiado na minha cabeça, e essa pouca quantidade de coragem se remexia dentro de mim, evaporando pouco a pouco.

   Percebi assim que minhas palavras acabaram que tinha me encolhido dentro do uniforme, meus ombros tensos e as costas curvadas. O ouvi murmurar algo, uma sílaba solta no ar, e seus olhos focaram em mim pela primeira vez. Não é encorajador ter alguém te olhar como se fosse uma perda de tempo estar na sua presença, mas o coordenador Sich não sabia olhar para os alunos de outro jeito, ou olhar pra qualquer um de outro jeito. Isso meio que explicava o porque tinha se divorciado no ano anterior.

   - Por que eu aceitaria a sua ideia?

   - Eu expliquei os meus pontos agora. - respondi rápido, me arrependendo de como tinha soado. - É... eu acho que seria uma boa maneira de ajudar os novos alunos a de misturarem, principalmente os estrangeiros.

   Anotou outra coisa na prancheta - naquele ponto ele deveria estar desenhando florzinhas ao invés de escrever qualquer coisa. Suspirei baixinho, mexendo meus dedos dentro do bolso do casaco, estavam gelados e suados de nervoso.

   - Já não temos um outro clube assim?

   - Não que eu saiba. - o encarei por meio segundo antes de adicionar um senhor no final.

   - Eu tenho certeza que sim.

   - Pelas minhas pesquisas, não tem nenhum.

Ele grunhiu, abaixou as folhas na sua mão e suspirou. Mexi meus dedos dos pés, arrependimento batendo rapidamente quando uma dor se espalhou até meu tornozelo, mordi o lábio para abafar um gemido de dor. O coordenador ficou me olhando fixamente com o rosto sério, quando abriu a boca para falar algo eu congelei meu corpo, minhas mãos ainda suando descontroladas.

   - Por que eu confiaria um clube para você? - não consigo descrever minhas reações quando o ouvi, provavelmente porque essa foi minha reação, confusão. - Suas notas são quase medíocres, comportamento duvidoso, nenhuma atividade extracurricular em todo o seu tempo nessa escola. Seu histórico não é confiável.- mexeu a mão, um pedido silencioso para que eu saísse.

   Minhas mãos se fecharam em punhos dentro dos meus bolsos, balancei a cabeça em concordância sem ter mais o que dizer. Girei meu corpo nos calcanhares, queria apenas sair daquela sala onde o ar parecia ter se tornado denso demais para qualquer ser humano normal, talvez ele não seja ser humano, Goldie, por isso é tão coração de pedra! Alcancei a maçaneta no momento em que o ouvi desejar um "boa aula".

   Bati a porta de propósito mas ninguém precisa saber disso.

   Kai me esperava do outro lado do corredor, encolhido num cantinho com os braços arrepiados de frio, as mãos na frente da boca para tentar esquenta-las. Eu bem que havia avisado que ficaria com frio depois da aula de educação física mas não queria me escutar, dizendo que estava com calor depois de correr pela quadra mais de uma vez.

  - E então? - balancei a cabeça, negando. - Esse cara tem alguma coisa com a gente.

  - Uhum... - bati meu pé no chão, novamente me arrependendo e o apoiando na parede. - Dá nem pra julgar, não temos a melhor das reputações.

   - Mas o quê que isso tem haver? Ele acha que a gente vai instaurar uma anarquia? - meneei a cabeça, não duvidaria de fosse esse o pensamento daquele cabelo de fogo. - Tem outro plano? - abaixou a cabeça na minha direção.

   Percebi que talvez meu primo estivesse com mais frio do que eu tinha pensado. Segurei sua mão entre as minhas, estavam geladas. Encostei a testa no seu ombro, pensando no que poderia tirar meu plano do papel.

   - Ao menos que a gente consiga mudar nossa imagem com magia ou viagem no tempo, apenas se encontrarmos uma pessoa com uma reputação melhor pra ser nossa bandeira. - Kai murmurou baixinho.

   - E o menino?

   - O novato?

   - É, ele não concordou em ajudar?

   - Eu não sei. - bufei, me desencostei da parede e puxei o braço dele comigo, o puxando de volta para sala. - Ele não falou que ajudaria, também não disse que não queria ajudar, sei lá o que aquele menino quer.

   - Vai ter que falar com ele sobre isso, você mesma disse que a outra opção é viagem no tempo.

   Entramos na sala, estava quase vazia com apenas uma ou outra pessoa inclinada na carteira tirando um cochilo e a professora que arrumava suas coisas na mesa sem pressa nenhuma. Kai se soltou de mim, correndo para sua mesa e pegando o moletom esmagado dentro da mochila, se apressou todo para passar o casaco pelos braços, entalando a cabeça na gola. Soltei um riso pelo nariz, me sentando no meu lugar, passando minhas mãos pelos braços.

   Sentar perto da janela só era a pior decisão da sua vida quando esfriava e de repente você poderia virar um picolé humano. Um barulhinho de teclas sendo esmagadas me fez virar para a mesa de trás, franzi as sobrancelhas vendo Daniel muito concentrado no seu GBA para poder perceber que eu estava encarando. Pensei que se ele percebesse ficaria todo desconfortável como sempre, então aproveitei daquela oportunidade para o olhar por mais tempo do que pude antes.

Era fofo como inflava as bochechas mesmo quando todo o resto do seu rosto demonstrasse raiva do que quer que ele estivesse fazendo no console, os lábios comprimidos formavam um bico engraçadinho. O ver daquele jeito punha por terra qualquer imagem de como ele poderia ficar se estivesse com raiva. De repente abaixou o portátil e se virou para frente, se arrumando na cadeira imediatamente.

- Oi. - comecei, sustentando meu cotovelo na mesa dele.

- Ficou me olhando muito tempo? - movimentei minha mão, o polegar e o indicador juntos, apenas um espacinho entre eles. - Eu não percebi, desculpa.

- Que nada, eu não deveria ter ficado te olhando.

   - Não, eu... - balançou a cabeça, passando a mão pelos cabelos. - Tudo bem. - abriu um sorriso sem mostrar os dentes. - Quer me perguntar alguma coisa?

   Meu coração deu um pulo, puxei ar enquanto concordava com a cabeça. Aquele era um momento que eu deveria aproveitar, sabe-se lá quando eu poderia vencer minha hesitação e começar aquela conversa por mim mesma. A atenção de Daniel estava toda em mim, desejei que pudesse estar um pouco menos, assim eu não me sentiria tão pressionada em não parecer idiota.

   - Sobre o clube. Eu e o meu primo começamos a arrumar algumas coisas dele, o problema - respirei, tentando acalmar a velocidade em que as palavras saiam - e o que eu gostaria de te pedir, é que não querem nos dar permissão e eu preciso de alguém com cara de bom moço pra nos representar. - lamentei mentalmente o quão rápido tinha falado, o novato estava com cara de passagem. Respirei fundo e repeti mais devagar.

   Continuou quieto pelos próximos momentos, parecendo pensar direito sobre o que eu tinha dito. Não conseguia manter meus olhos parados, pendendo entre os olhos dele e o caderno aberto em cima da mesa, o tempo tinha parado e eu esperava pela resposta, mesmo que fosse negativa, apenas para que pudesse voltar para frente e fingir que nada aconteceu. Ele abriu a boca e fechou rapidamente, começando a parecer perdido.

   - Marygold, de volta para frente. - a voz da professora de geografia me assustou, virei em um único movimento. - Continuaremos com a lição da última aula, se juntem com suas duplas.

   A sala foi enchida do barulho de cadeiras sendo arrastadas, uma cacofonia que durou pouco tempo. Daniel se sentou do meu lado, apoiou o caderno na minha mesa e esticou as pernas longas, puxei de baixo da minha mesa apenas o estojo, bolando na minha cabeça alguma forma de puxar o assunto novamente. Uma folha foi entregada pra gente, estiquei meu braço para toca-la no mesmo momento em que Daniel a segurou também.

   Ele não mostrava sinais de querer soltar a folhas, puxei com mais força.- Você fez tudo da última vez, eu faço.

- Eu não me importo.

- Eu sim. - segurei sua mão com a minha livre, abrindo seus dedos no aperto.

   Mostrei um sorrisinho rápido, me inclinando em cima da folha para começar a ler as perguntas. Foi como sentir uma garoa se tornar uma tempestade perceber que não conseguia entender muito das perguntas escritas, fingi costume enquanto puxava pra mim o caderno do garoto em uma página vazia e escrevi a primeira questão. Minha lapiseira parou na linha, nada aparecendo na minha cabeça para enche-la.

   Daniel apoiou a cabeça na sua mão, encarando minha falta de movimentos. Tentou tomar o objeto da minha mão, esse que segurei mais forte, o mandando um olhar feio como repreensão. - Vamos fazer juntos.

   -  Uhum... - meu orgulho não me deixou expressar palavras, ainda segurando a lapiseira na mão.

   Se inclinando para cima de mim, Daniel espiou a folha e balançou a cabeça. - Tá, escreve aí...

   As próximas questões se seguiram da mesma maneira, exatamente igual a última aula com a diferença de que a única letra no papel era minha. Para ele geografia parecia muito simples, as respostas saltavam de sua boca com um tanto de informação que eu nunca poria em um questionário individual. A cena dele procurando por atlas na livraria piscou na minha cabeça; seu interesse em geografia ia além do colégio.

  - Acabamos. - constatei o óbvio, agrupando as folhas arrancadas do caderno. - Não, falta nossos nomes. Qual seu sobrenome?

  - Deixa que eu escrevo.

  - Fala logo. - insisti, empurrando seu braço com meu cotovelo.

- Choi. - escrevi rapidinho, esperando que estivesse certo.

- Assim?

  - Isso. - escrevi meu nome logo embaixo, segurei as folhas juntas e me levantei para entregar. Pulei as pernas dele e atravessei o corredor.

   Assim que me virei Daniel já havia voltado para o seu próprio lugar, arrumando algumas coisas na mesa. Me sentei, movendo meu estojo para debaixo da mesa e assoprando a sujeira da borracha espalhada pela madeira toda, peguei meu caderno e o empurrei para baixo quando uma folhinha se desprendeu do meio das folhas, pousando no meio das minhas pernas. Segurei o papel rasgado com um única linha escrito "eu vou ajudar".

  Tateei meu estojo, puxando de volta uma caneta qualquer e escrevi minha resposta no mesmo papel, dobrei duas vezes e o devolvi, empurrando pela mesa.
 
  Minha ideia estava começando a camimhar, mesmo que com passos de passarinho.



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