História Long Forgotten Sons - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Conceitos, Histórias, Rascunhos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Arquivo Número 82.1.B Main


“Nova guerra eclode na Europa: França e Bélgica declaram guerra à Alemanha”, isso era tudo o que se via nas bancas de jornais e nas mãos dos adultos que andavam nas ruas daquele dia, não pareciam estar preocupados e sim curiosos. Estava voltando do café naquele dia, assim que cheguei em casa, me deparei com uma carta no chão, peguei-a e abri. O governo me mandara 400 libras como um presente de aniversário de 18 anos, ou eles mandavam essas cartas em datas aleatórias ou eu não sabia quando de fato era meu aniversário, já que ninguém me contou a data exata. O governo mantinha a minha guarda, já que nenhum dos meus pais foi encontrado, então mandavam dinheiro todo o mês para poder pagar as despesas. Quando definitivamente cheguei em casa, liguei a TV e deitei no sofá.

Todos os noticiários estavam falando sobre a mesma coisa: essa nova guerra na Europa. De acordo com eles, a Bélgica tinha um pacto defensivo com a França, então os alemães atacaram os belgas, forçando os franceses a intervir, declarando guerra.

As pessoas da Inglaterra continuaram assim, curiosas por algumas semanas. Aparentemente, a Alemanha começou ganhando, assim como nas duas guerras mundiais. O sentimento do povo mudou quando o Primeiro-Ministro inglês, juntamente com o Presidente americano, se pronunciaram em um debate na ONU. Após uma longa argumentação, foi aprovado que os EUA e a Inglaterra intervissem, ficando ao lado da França nessa guerra.

No dia seguinte, os adultos e os jovens na Inglaterra estavam completamente desesperados, já que em uma guerra, o serviço militar é obrigatório.

Fui novamente comprar o meu café da manhã, quando abri a porta, havia outra carta. Desta vez, era uma mensagem ao estilo Tio Sam, como “O seu país precisa de você! ” Ou coisas parecidas. O governo tinha feito uma exceção para mim, eu não precisava prestar serviço, mas resolvi ir mesmo assim, haviam me sustentado por 18 anos, então defende-los era uma boa maneira de retribuir o favor, assinalei na alternativa “Claro, eu gostaria de prestar serviço! ”. Coloquei em um novo envelope e levei para o correio.

Três dias depois, às sete horas da manhã, bateram na minha porta, levantei, sonolento e abri. Era um homem com cerca de 1,80 metro de altura, aparentava ter mais de 30 anos e usava um terno com uma insígnia da SAS.

– Eh, bom dia. – Disse, ainda com sono.

– Bom dia, recebemos ontem a sua carta. – Começou a cochichar. – Mas tem certeza mesmo?

– Sim, eu quero ajudar o meu país.

– Certo, então venha comigo.

Ele me levou até um Aston Martin preto e dirigiu até uma base militar que ficava perto do litoral.

A recepção foi razoável, fizeram um discurso de três horas sobre como é o exército, mais duas horas apenas citando e exemplificando regras em diversas situações. Depois disso, começamos o nosso árduo treinamento, que durou três semanas, aprendemos a operar quase todo o tipo de arma, escalar, dirigir, pilotar tanques, aviões e muitas outras coisas relacionadas ao ramo militar.

Com o treinamento concluído, embarcamos em um avião e fomos levados até uma outra base militar, nesse caso americana, no norte da França. Chegando lá, todos foram reunidos na frente de um palco de madeira, perto dos hangares do local, haviam lá dois homens, um usava uma camisa polo branca e uma calça jeans e o outro usava um uniforme militar diferente, provavelmente indicando que era de um cargo bem importante, os dois aparentavam ter 60 anos pelo menos. O militar pegou um microfone e disse:

– Bom dia, garotos, bem-vindos ao exército. Sei que estão meio aflitos, mas vai ficar tudo bem. Esse é o Sr. Joey. – Disse, apontando para o outro. – Ele cuida do nosso arsenal, se precisarem de algo, é só falar com ele, provavelmente ele escolherá a arma ideal para você!

– Já vou indo, ficarei no arsenal. – Disse, em tom baixo, depois retirou-se.

– Como não queremos forçar grupos para vocês, vou deixar a montagem dos esquadrões livre, quatro soldados no máximo, vamos lá, comecem!

Todos começaram a se entreolhar e a fazer bastante barulho, segundos depois, quase todos os esquadrões já estavam formados, mas eu não estava em nenhum.

– Filho, ficou sozinho. – Disse o militar, descendo do palco e vindo na minha direção.

– É bem complicado fazer grupos quando não se conhece ninguém do lugar.

– Quem sabe, se for para o treinamento de tiro, alguém se interesse por você e te chame para o seu grupo.

– Valeu pela dica, vou tentar isso mesmo.

– Boa sorte!

Para ir para o treinamento de tiro, teria que passar no arsenal primeiro. O lugar estava cheio, então esperei alguns minutos até ele se esvaziar por completo. Quando entrei, o Sr. Joey estava em uma cadeira, com seus óculos, limpando um rifle de assalto. Levou um tempo para notar que estava lá, não o culpo, ele já era bem velho.

– Opa jovem, nem notei que você estava aí. – Colocou o rifle em uma mesa. – E então, vai querer o quê?

– Estou meio indeciso ainda, gostaria de ouvir a sua sugestão.

– Certo...

Ele tateou pelas prateleiras de armas, até que pegou em fuzil de precisão5 e trouxe até mim.

– Eu acho que você se daria bem com essa belezinha. – Me entregou o fuzil. – É uma RSASS, é um pouco complicada de usar, mas abre um buraco enorme em qualquer coisa que você atirar.

– Valeu.

– Ah, você precisa de munição também – Me entregou cinco pentes de munição dela.

– Ok, estou indo, muito obrigado. – Comecei a andar para fora.

– Não foi nada, se não gostar, é só voltar! – Sua voz foi diminuindo à medida que andava para longe.

O estande de treinamento de tiro ficava um pouco afastado do local, levou alguns minutos até chegar lá. Me aproximei do oficial que cuidava de lá.

– Olá, senhor. – Tinha que me referir com respeito por ser um mísero recruta. – Tem algum espaço sobrando?

– Tem sim, ala B, fileira 5. – Respondeu.

– Obrigado.

Passando pelos soldados, era perceptível que todos eram bons, raramente erravam algum tiro, os barulhos dos disparos me incomodavam um pouco, mas era questão de tempo para me acostumar. Algum tempo depois, parei em frente à fileira 5, mirei com o rifle. Não era das melhores sensações, meu olho não estava acostumado a ver dois tipos de profundidade, além disso, a arma balançava muito, não tinha estabilidade nenhuma, depois de alguns segundos, me acostumei ao peso dela, consegui mirar, o visor contabilizava 153 metros de distância do alvo, atirei, recuei cerca de 30 centímetros para trás por causa do coice da arma.

– Cara, não é uma boa ideia atirar com um trabuco desses em pé, ela tem um bipe pra isso. – Um soldado do meu lado disse. Ele segurava uma M1014 e aparentava ter a minha idade.

Resolvi seguir a dica, deitei e armei o bipe, que ficava no final da arma, ela quase não balançava e era bem mais fácil mirar com ela, dei o tiro, quase não havia recuo.

– Eu disse que ia ser melhor! – Contemplou-se, de uma maneira engraçada. – Então, tu já tem um esquadrão?

– Não. – Respondi, me levantando.

– Gostaria de entrar pro nosso então?

– Eu topo.

– Beleza então, bem-vindo – Apertou minha mão. – A gente já tem um dormitório, vamos para lá.

O dormitório era ainda mais afastado de tudo, quando entramos, apenas haviam algumas caixas e dois beliches.

– Nossa, é bem estranho um lugar assim estar vazio. – Comentei.

– É, as coisas vão chegar logo. – Parou para se lembrar de algo. – Eu não te falei o meu nome, né?

– Não mesmo. – Respondi.

– É Harrison, ainda sou um recruta, provavelmente você também é, né?

– Sim, cheguei hoje.

– Dizem que leva uns dois anos para ser promovido para corporal, isso se a gente for igual qualquer outro soldado.

Notei uma SR-25 e uma G36C encostadas em um canto do lugar.

– São suas? – Perguntei, apontando.

– Não, são das garotas. A SR-25 é da Heathen, inclusive, não faço ideia o porquê desse ser o nome dela, já que ela diz que a família dela é extremamente religiosa. A G36C é da Sofia, que deve ter algum tipo de problema, porque ela é super animada até em momentos desnecessários.

A porta se abriu, as duas entraram, uma possuía cabelos e olhos negros como a noite em contraste com uma pele clara, a outra tinha olhos e cabelos castanhos.

– Oi... Opa! Mais um no grupo! – Comemorou uma delas, que, no caso, deveria ser Sofia. – Bem-vindo! – Correu até mim e começou a me cumprimentar freneticamente.

– Eh... oi... – Respondi.

– Bem-vindo. – Heathen disse rispidamente, sem olhar para mim e colocando um chiclete na boca e subindo em um dos beliches.

– Ela é bem direta, né? – Cochichei para Harrison.

– Pois é. – Ele respondeu. Virou-se para elas. – E então, o que queriam falar com vocês?

– Bem, a gente ficou como sendo o esquadrão Echo 6 – Respondeu Heathen.

– E a gente tem uma nova missão amanhã! – Comemorou Sofia.

– Por que diabos ela tá feliz com isso? – Cochichei novamente.

– Eu te disse que ela é estranha. – Respondeu ele.

– Mas já? – Ela perdeu toda a energia. – Nem vai dar para conversar direito com você. – Ela apontou para mim.

– Estamos em guerra, é normal coisas assim acontecerem. – Retrucou Heathen, friamente.

– Eu tou te falando que ela é direta e fria. – Ele cochichou.

– Verdade... – Respondi.

Heathen colocou fones de ouvido e pegou um livro, o qual não consegui identificar. Então, ficamos nós três conversando sobre coisas aleatórias, a noite chegou e alguém bateu na porta.

– Eu atendo... – Disse Harrison, levantando-se.

Abriu a porta, segundos depois, fechou-a.

– Tão chamando a gente na sala de controle.

– Ok, vamos lá. – Disse.

Levamos uma grande quantidade de tempo até chegar na sala de controle, também tivemos que esperar uma reunião acabar para nos deixarem entrar. Entramos, havia uma grande mesa preta com 12 cadeiras em volta dela, haviam computadores e painéis nas paredes. O mesmo militar que falou comigo estava lá.

– Olá, senhores. – Ele disse.

– OLÁ! – Respondeu Sofia, com a animação de sempre.

– Então, mudamos de plano, iríamos mandar vocês para a linha de frente amanhã, mas os Alemães fizeram várias pequenas bases na fronteira da França com a Alemanha, preciso que vocês vão e desativem as defesas antiaéreas de uma delas.

– Mesmo sendo apenas desativar as defesas, não são sei-lá-quantos contra quatro de nós? – Perguntei.

– Se vocês forem silenciosamente, vai ser muito mais fácil.

– Certo.

– Era só isso mesmo, vocês vão partir amanhã, no fim da tarde. Mandamos uns equipamentos para vocês, já devem ter chegado lá. Dispensados.

– Ok. – Respondeu Harrison.

Voltamos para o dormitório, haviam algumas caixas com armas, equipamentos, explosivos e munições. Começamos a separar o nosso equipamento, fiquei com alguns explosivos C4, quatro granadas de fragmentação, duas granadas 9-banger de luz, um revólver MP412, uma lanterna, e óculos de visão noturna, logo depois disso, fomos todos dormir.

Nada aconteceu de interessante durante aquela noite e manhã, tirando o fato de que Harrison caiu da cama, dando um grito pouco masculino. Quando o fim da tarde chegou, pegamos nossas coisas e partimos em direção ao avião, que era um C-130.

– Aqui estão os seus rádios – Disse o piloto, entregando um para cada um. – Ah é, esqueci de colocar na frequência certa, coloquem na 179.4, por favor.

– Certo. – Ajustei a frequência no rádio.

Poucos segundos depois, o avião começou a acelerar, meio minuto depois, já estávamos bem longe do local.

– Echo 6, aqui é QG, vai levar um tempinho pra chegar no local, provavelmente já estará de noite, podem descansar um pouco, informaremos vocês quando estiverem próximos de lá.

A lua já estava no céu quando recebemos outra chamada do QG.

– Echo 6, vocês já estão se aproximando do alvo, peguem os paraquedas ao lado e se preparem para pular. Relembrando, vocês apenas têm que desabilitar a antiaérea e as comunicações, os A-10 americanos cuidarão do resto.

Colocamos a mochila do paraquedas, um minuto depois, a parte de trás do avião se abriu.

– Preparem-se! – Gritou o piloto, de dentro da cabine.

– 3,2,1, Pulem! – Gritou Harrison.

Corremos e pulamos, em pouco tempo, o avião já havia se distanciado muito de nós. Era uma queda absurdamente alta, o ar congelava meu rosto.

– Três quilômetros de altura... – Contou Harrison. – 2500, 2000, 1500, 1000, 750, abram!

Levem um tempo para achar o mecanismo ativador do paraquedas, assim que o abri, senti uma força esmagadora atuando sobre mim, levou um minuto para chegar ao chão. Acabamos todos separados.

– É... Não foi um pouso perfeito e sincronizado, mas tá valendo – Disse Harrison. – Alguém já se encontrou com alguém?

– Ainda não. – Respondi.

– Consegue ver a base?

– Vou dar uma olhada.

Olhei para o horizonte, até que consegui ver uma antena de luz, piscando em verde, provavelmente uma das torres da base.

– Achei, estou indo para lá.

– Ah, certo, nos encontramos lá. A Sofia tá aqui co-

– Eu! – Interrompeu-o.

– Ok.... Consegue achar a Heathen antes?

– Talvez sim, talvez não.

Andei alguns metros para frente, então senti um tapa nas minhas costas, deu um grito anormal. Heathen começou a rir.

– Calma, sou só eu. – Ela disse, sorridente.

– Bom saber...

– Vamos lá. – Ela mudou sua expressão facial repentinamente.

Andamos até alguns metros da base, depois começamos a circula-la até nos encontrarmos com os dois.

– Então, qual é o plano? – Perguntei.

– Eu... não bolei um plano. – Disse Harrison, coçando a cabeça. – Acho que a gente precisa neutralizar os caras da torre e depois os guardas de entrada.

– É, faz sentido. – Disse.

– Ali, você e a Heathen vão para lá. – Apontou para um morro.

– Certo.

Andamos até lá, deitei e armei o bipe do fuzil.

– O seu silenciador? – Ela perguntou.

– Como assim? A gente nem tinha decidido isso.

– Certo, eu tenho um reserva – Me entregou.

Encaixei no cano da arma.

– Tá vendo aqueles dois na torre? – Harrison falou por rádio, mas conseguíamos vê-lo apontando para cima. – Peguem eles.

– Um está olhando para o outro. – Ela disse. – Você pega o da esquerda, eu pego o da direita, a gente vai ter que atirar ao mesmo tempo.

– Certo...

Posicionei a mira sobre a cabeça dele.

– 134 metros... – Lia o que havia na mira.

– Não precisa compensar o tiro, é só mirar onde quer acertar.

– 3,2,1, vai. – Atiramos ao mesmo tempo.

Ela fez um sinal positivo com o polegar.

– Boa! – Elogiou Harrison. – Tem dois mais longe, acertem eles.

– 417... – Li novamente.

– Mira um pouquinho para cima, você pega o da esquerda novamente. – Disse.

Mirei no topo do capacete. Atiramos com décimos de segundo de atraso, a bala acertou bem no nariz do soldado.

– Certo. – Disse Harrison. – Vamos fazer um “pé de gato” pra ajudar você a subir, daí vocês ficam no topo das torres, dando cobertura pra gente.

Fomos até onde eles estavam, nos ajudaram a subir.

– Vou para a esquerda. – Disse ela, saindo em uma velocidade altíssima.

Andei cautelosamente até a torre direita, tive que tomar cuidado com uma patrulha que vinha em minha direção, então mudei minha rota, após circular todas as patrulhas, consegui subir na torre.

– Cheguei – Disse.

– Certo, vamos entrar. – Disse Harrison.

Eles entraram e pararam na frente de uma caixa enorme de ferro.

– Alguém atira nesse gerador, por favor. – Pediu Harrison.

– Eu atiro. – Me voluntariei.

Atirei no gerador, o impacto fez um barulho agoniante, abrindo um buraco.

– Valeu. – Agradeceu Sofia, no lugar de Harrison.

Ela tirou uma garrafa plástica de água de um bolso, tirou a tampa e jogou dentro do buraco, os dois correram para longe. O gerador começou a esfumaçar, depois soltou uma faísca extremamente brilhante e depois explodiu, acabando com a energia do local.

– Ok, as comunicações se foram. – Disse Harrison. – Só falta as antiaéreas.

– Não acho que seja necessário. – O QG disse. – As antiaéreas são automatizadas, só funciona com energia, apenas joguem um sinalizador e saiam daí.

– Certo. – Respondeu Harrison.

Descemos das torres e nos encontramos com eles.

– Como a gente vai sair daqui? – Perguntei.

– A gente sai correndo mesmo. – Respondeu ele.

Ele riscou o sinalizador no chão, começamos a correr para bem longe dali, cerca de cem metros.

– Ok, QG, podem explodir tudo! – Gritou Harrison.

– Certo, 15 segundos para os A-10 chegarem.

Começamos a ouvir o barulho das turbinas, no céu, haviam cinco deles, começaram a descer a altitude, até chegar a cerca de duzentos metros do chão, então soltaram várias bombas, transformando a base em uma grande bola de fogo. A explosão foi tão forte que senti a rajada de vento quente vinda de lá. Ficamos sentados ali por cinco minutos, até que vimos vários M1 Abrams vindo até nós.

– São amigos, não atirem! – Disse o operador de um dos tanques.

– Valeu! Vocês fizeram a gente poupar munição! – Disse o atirador de um dos tanques.

– Presta atenção, Clay! – Gritou alguém de dentro do tanque. – O Overlord tá falando!

– Bom trabalho, Echo 6, agora estaremos transferindo vocês para o canal do exército americano, conseguem me ouvir.

– 6-4 aqui, conseguimos ouvir perfeitamente! – Disse.

– 6-1 a-

– 6-3 Aqui! – Interrompeu-o novamente.

– 6-2, sem problemas. – Disse Heathen.

– Ok, sobrou um pedaço da base, que é o quartel dos soldados, vamos mandar alguns soldados verificarem e depois vocês poderão descansar, entendido.

– Sim – Respondeu Harrison.

Cinco minutos depois, um soldado chegou em nós e disse:

– Tudo limpo, podem descansar lá.

– Ok, valeu. – Respondi.

– Eu que agradeço.

Andamos até o quartel, estava cansado, deitei na primeira cama que achei. Levem uma quantia considerável de tempo para cair no sono.

Quando acordei, o sol já estava nascendo, mais tropas haviam chegado, tomando conta da segurança do resto da base, alguns reconstruíam as partes destruídas, os tanques estavam sendo reabastecidos no centro do local. Um soldado em cima de um dos tanques olhou para mim, ao longe, e gritou:

– Echo 6-4! Vem cá!

Andei até onde ele estava.

– Olá. – Disse.

– Opa. Pelo o que me disseram, a gente vai atacar Munique hoje, e vocês vão conosco, a equipe dos tanques.

– Certo.

– Onde estão os outros?

– Acho que estão dormindo.

– Ok. Vou explicar pra você, depois você explica para os outros, certo?

– Certo.

– Beleza. – Tirou um mapa de Munique e começou a apontar para o mapa, à medida que falava. – A gente vai chegar na parte leste, depois ir até o centro, depois atacar o norte, que é onde fica a prefeitura, certo?

– Certo.

Os outros três chegaram.

– Chegaram atrasados, hein? – Disse o cara do tanque.

– Nananinanão, vocês que acordaram muito cedo. – Respondeu Harrison, ainda sonolento.

– E então, quais são as ordens? – Perguntou Sofia, ansiosa.

Expliquei o que fora me dito para eles.

– Certo. – Comentou Heathen. – Quando iremos?

– Agora mesmo. – Respondeu o cara do tanque, olhando para o relógio. Ah, só para ficarem sabendo, esse tanque é o Hunter 2, o da frente é o 3 e o de trás é o 1.

– Certo, mas como vamos até lá? – Perguntei.

– Como não é uma boa ir a pé porque é uma longa viagem, é melhor vocês subirem na parte de trás do tanque.

Todos nós subimos, o tanque ligou seu motor, emitindo uma fumaça cinza-escuro, começamos a andar até Munique.

– Ei, estão com fome? – Perguntou Harrison. – Se estiverem, eu tenho sanduíches.

– Onde você arrumou isso? – Perguntou Sofia.

– Nem queira saber. – Ele tirou um do bolso e apontou para mim. – Quer?

– Pode ser.

Peguei o sanduíche da mão dele, dei uma mordida, para minha decepção, estava gelado, portanto, sem gosto nenhum. Tentei fazer uma cara boa enquanto comia.

Em duas horas depois, já podíamos ver Munique. Em uma estrada não tão longe, haviam tanques com soldados em cima deles, assim como estávamos. A entrada do tanque abriu, o operador saiu.

– Peguem essas granadas de fumaça. - Ele entregou quatro para cada um. – Qualquer problema, é só jogar uma dessas que o suporte aéreo explode o que tiver perto disso. – Depois disso, fechou a entrada do tanque.

Meio quilômetro adiante, os tanques pararam repentinamente.

– Algo não me parece bom... – Comentou o atirador do Hunter 3.

Começamos a olhar à nossa volta, mas não havia ninguém. Segundos depois, um projétil de artilharia explodiu a dez metros do tanque da frente.

– Artilharia! – Exclamou o piloto do tanque.

– Overlord, algum suporte aéreo disponível no momento? – Solicitou Harrison.

– Sim, vou transferi-los para o seu canal.

– Echo 6, aqui é o esquadrão de suporte Titânio 5, quais são as ordens?

– Temos uma artilharia ao nosso norte, consegue destruir? – Perguntei.

– Vamos ver... Negativo, 6-1, eles estão em uma praça, apenas há uma entrada, é bem arriscado dar um rasante ali, vocês vão ter que destruí-las por conta própria.

– Certo. – Disse Heathen.

Os tanques pegaram cobertura dentro de um estacionamento de um prédio.

– Não dá pra avançar com uma artilharia mirando na gente. – Disse o piloto do primeiro tanque. – Vamos ficar aqui e vocês vão, certo?

– Beleza. – Disse Harrison.

– Ah, vão precisar disso para não se perderem.

Ele nos entregou relógios digitais, mas, ao invés de mostrar a hora, ele mostrava a localização.

– Valeu.

– Boa sorte a vocês.

– Obrigado.

Saímos do estacionamento, fomos até a rua.

– Parece que o caminho mais rápido é por uma estação de metrô. – Disse Harrison, consultando o GPS de pulso.

– Quanto mais rápido, melhor, vamos indo. – Disse.

Andamos até a estação de metrô, que era subterrânea. A energia havia sido cortada, estava bem escuro, liguei os óculos de visão noturna, seguimos pelos trilhos. Um pouco a frente, havia uma bifurcação.

– E então, esquerda ou direita? – Perguntei.

– De acordo com o GPS, direita. – Ele respondeu.

O caminho nos levava até a superfície, no meio de uma avenida. O GPS indicava-nos a virar à esquerda. Andamos encostados nas casas, fiquei na frente, assim que pisei na rua, ouvi barulhos mecânicos: uma barreira com tanques mirando para frente, que, no caso, miravam em nós. Sofia me puxou para trás rapidamente.

– Muitos inimigos – Ela disse. – Não seria melhor pedir suporte?

– Titânio? – Chamei.

– Ás suas ordens.

– Precisamos de um ataque aéreo.

– Certo, marque com a fumaça.

Armei a granada de fumaça e joguei perto dos tanques. Um alvoroço começou, os soldados da KSK começaram a andar de um lado para o outro.

– Certo, estamos vendo... cacete, é melhor usar as CBU-87, se afastem um pouco, iremos atacar.

Andamos um pouco para longe, o esquadrão aéreo passou em um rasante por nós, em seguida, o chão tremeu com o estrondo da explosão, uma nuvem de poeira percorreu a rua.

Esperamos a poeira baixar, assim que isso aconteceu, revelou-se no final da rua a praça. Harrison tirou um binóculo e começou a olhar para lá.

– Hum... – Murmurou. – Tem uma caixa de munições bem do lado das artilharias. Vamos avançar um pouco.

Andamos até ficarmos a 75 metros de distância da praça.

– Certo, consegue acertar aquilo? – Ele me perguntou.

– Vamos ver. – Respondi, deitando no chão e armando o bipe.

Vendo com o zoom da mira, havia uma bala de tanque encostada na artilharia, que, por sua vez, estava encostada nas outras. Coloquei a mira sobre a bala, mirei e atirei.

Foi uma explosão seguida da outra, os soldados que operavam as artilharias e que não foram consumidos pela bola de fogo começaram a correr desesperados.

– Esquadrão Hunter, podem avançar, já tomamos conta das artilharias. – Disse Harrison.

– Certo, obrigado. – Respondeu um deles.

– Hunter e Echo 6. – Chamou Overlord. – Precisamos de vocês no centro da cidade.

– Echo, nos encontramos no centro.

– Certo, até lá.

O centro da cidade não era tão longe assim, alguns minutos andando e já podíamos ouvir os disparos e as explosões do conflito. Chegamos junto dos aliados, estávamos no começo de uma rua que subia, naturalmente, os inimigos tinham a vantagem. No topo da rua, haviam metralhadoras montadas, protegidas por sacos de areia, alguns destroços de tanque estavam no meio do caminho.

– Não estamos conseguindo avançar! – Gritou um soldado.

– Titânio, precisamos de suporte. – Disse.

– Certo, estou vendo vocês, não precisa jogar a fumaça.

Novamente, os aviões passaram em um rasante, consumindo o que havia lá em cima.

– Echo 6, infelizmente, não podemos dar mais suporte, estamos sendo perseguidos por Typhoons.

– Certo.

O esquadrão passou voando novamente por nós, um deles bateu um uma construção da rua.

– Droga! – Exclamou um dos pilotos.

Nossos tanques chegaram, fizeram uma formação de barreira.

– Opa, vocês por aqui! – Disse o operador do Hunter 2.

De repente, tanques Leopard II da Alemanha se posicionaram de todos os nossos lados, estávamos cercados. Atrás deles, vários pelotões de infantaria inimiga avançaram, começamos a receber fogo pesado, pegamos cobertura atrás dos Hunters. O som do impacto das balas na proteção dos tanques não cessava.

– Overlord, aqui é Hunter 3-2, precisamos de apoio aéreo imediato, estamos cercados!

– O exército francês está mandando uma frota de Mirages para a sua localização, aguentem firme.

– Quanto tempo isso vai demorar? – Reclamou um soldado.

Os tanques não paravam de atirar.

– Sem munição, droga... – Resmungou Sofia, guardando sua G63C e sacando uma P99.

O operador do Hunter 2 abriu a tampa do tanque e começou a atirar com a .50 montada no topo.

– Boa ideia! – Elogiou o piloto do terceiro tanque. – Echo, manda alguém pra operar a nossa .50.

– Eu vou. – Disse.

– Beleza, boa sorte. – Disse Harrison.

– O sistema tá falhando! – Gritou o operador do segundo tanque.

Comecei a correr, sentindo o ar movimentado pelas balas que passavam ao meu lado, no meio do percurso, ouvi um grande barulho metálico e depois uma vibração vinda do meu capacete, provavelmente tinha sido acertado por uma bala, mas ele absorveu o impacto. Deslizei para trás do tanque, subi, sentindo o cheiro forte da fumaça vindo do motor, comecei a operar a metralhadora, o recuo dela era fraco, o peso do tanque quase o anulava.

– Para todos os esquadrões no centro, pelotão Zeus pronto para dar suporte.

– Certo, precisamos dele imediatamente! – Gritou um soldado.

– Está uma loucura aí embaixo, nossos sensores de calor não conseguem mostrar onde estão vocês, precisamos que joguem fumaça nos inimigos.

– Alguém, pelo amor de Deus, joga uma fumaça!

Armei outra granada de fumaça e joguei nos inimigos.

– Ok, estamos vendo o alvo, descendo para o ataque.

Em poucos segundos, os Mirages nivelaram a área ocupada pelos inimigos, desintegrando todos.

Todos nós paramos de atirar, os soldados saíram de suas coberturas, estava tudo tranquilo, até que um soldado gritou:

– AGM! Tanques, saiam daí!

Um Typhoon passou voando por nós, os mísseis acertaram os tanques alguns milésimos depois. A explosão me lançou para fora do tanque, bati a cabeça no chão e fiquei inconsciente.

Quando acordei, estava chovendo, parte de meu uniforme estava chamuscado. Na minha frente, estavam os destroços dos tanques, minha pistola e meu fuzil ainda estavam comigo, intactos. Não haviam mais soldados no local, apenas os corpos dos que morreram em combate. Tentei estabelecer comunicação com os outros, mas havia um enorme estilhaço em cima do meu rádio, se não fosse por ele, provavelmente estaria morto. De algum lugar, ouvi alguns soldados comemorando.

– É isso aí! Agora só falta a prefeitura!

De acordo com o GPS, apenas precisava seguir uma avenida próxima, a qual passei correndo. Quando cheguei, os inimigos já estavam sendo feitos de prisioneiros, aliados montavam barracas improvisadas, alguns hasteavam as bandeiras de seus países no topo da prefeitura.

– Nunca vi seu rosto por aqui, soldado. – Disse um soldado, já de idade. – Poderia me mostrar sua identificação?

Minha plaqueta de identificação não estava onde era para estar.

– Ué, não está aqui. Mas, de qualquer maneira, sou 6-4 da companhia Echo.

– Bom, a julgar pelo seu estado, parece que te confundiram com um cadáver. – Parou para dar uma curta risada. – Sua identificação provavelmente deve estar na caixa que guarda as de soldados mortos, vou dar uma olhada. – Saiu em direção à uma barraca.

Meio minuto depois, ele voltou com a minha plaqueta e com meu rifle.

– Aqui está. – Entregou-me. – Dê uma procurada por sua equipe.

– Certo, valeu.

Comecei a andar pelo local, procurando-os, até que achei Sofia e Harrison.

– Ei! – Gritei, me aproximando deles.

– Caramba, acho que acabei de ver um fantasma. – Disse Harrison. – A gente achou que você tinha morrido.

– Que bom que você tá bem! – Ela disse.

Heathen chegou, com a mão enfaixada, segurando seu rifle embaixo do braço, trazendo quatro potes de comida.

– Aqui está. – Entregou um para cada um.

– Como você presumiu que ele ia estar aqui? – Ele perguntou.

– Eu vi ele.

– Ah, tá explicado.

Eles abriram os potes e começaram a comer, não estava com fome, então apenas fiquei observando.

– Cara, essa comida é horrível, mas é boa. – Comentou Harrison.

– Hã? Como assim? – Perguntei, confuso.

– Cara, não sei explicar.

– Echo 6? – Ouvia bem baixo no rádio de um deles.

– Ei, estão nos chamando. – Disse.

– Hã? Onde. – Perguntou Harrison.

– Aumenta o volume do seu rádio.

Ele seguiu minhas instruções.

– Echo 6, temos um transporte indo para o aeroporto, quero que vocês embarquem nele. – A voz era de Overlord.

– Certo. – Disse Harrison.

– Ah, não dá tempo nem de descansar! – Reclamou Sofia.

– Vamos logo. – Disse Heathen, com seu tom típico.

Fomos até o transporte, era um LAV-25, entramos, lá dentro, além dos pilotos, haviam mais oito soldados.

– Echo 6, certo? – Adivinhou um deles.

– Acertou.

– É um prazer conhece-los. – Ele disse, me cumprimentando. – Sou o líder do esquadrão Alfa.

– Igualmente. – Disse em um tom amigável. – Sou o 6-4.

– Por que chamaram a Echo? – Perguntou um deles, como se não gostasse de nós. – Podiam ter chamado a Charlie ou Delta!

– Cala a boca, cara. Disseram pra gente que eles são bons, então pedimos que viessem conosco. – Virou-se para nós. – Foi mal, ele é bem imbecil.

– Tudo bem. – Disse Harrison.

– Então, Alfa 0-1, qual vai ser a missão. – Perguntou um soldado da Bravo.

– Bom, a gente vai tomar uma prisão e libertar os nossos aliados ali presos, que no caso, são os soldados da GIGN. – Respondeu.

– Caramba, esses franceses só fazem cagada. – Comentou outro da Bravo.

– Ok, mas qual vai ser a tática? – Perguntou Harrison.

– Bom, nós temos apoio de tanques e helicópteros, acho desnecessário ir silenciosamente, então vamos entrar pela porta da frente.

– A gente vai de helicóptero? É por isso que a gente vai passar no aeroporto? – Perguntei.

– Não, a gente vai no LAV mesmo, é que a gente precisa passar no aeroporto pra reabastecer.

– Ah, certo.

Bravo 0-1 se aproximou de mim.

– Cara, toma cuidado com o Bravo 0-4, ele é meio estranho, beleza? – Disse, sussurrando.

– Certo. – Respondi no mesmo tom.

Ele voltou para perto do seu esquadrão. Quando olhei, os dois estava se fuzilando com o olhar.

Após cinco minutos, chegamos no aeroporto, a equipe de tanques estava lá, enquanto o LAV se reabastecia, saí do veículo para respirar um ar puro. Saindo de um hangar e fazendo barulho com suas hélices, havia um AC-130.

– Equipes Alfa, Bravo e Echo, aqui é Abutre, conseguem me ouvir?

– Perfeitamente. – Respondeu Harrison.

– Certo, vamos esperar vocês saírem do aeroporto para decolarmos o AC-130 e darmos suporte para vocês.

– Tudo bem.

Entramos no LAV, os tanques fizeram uma fila atrás de nós. Saímos pelo portão secundário em alta velocidade, o GPS calculara que, para chegar lá, levaria cerca de uma hora, então resolvi descansar um pouco, assim que encostei a cabeça, caí no sono.

– Ei. Ei! – Heathen tentava me acordar.

– Hã? – Abri os olhos, ajeitando a postura imediatamente.

– A gente tá quase lá. – Disse Sofia.

– Você dorme demais. – Ela reclamou, virando a cara.

O LAV parou.

– Ué, não tem um portão ou algo assim. – Estranhou o piloto. – E agora?

– Bom, e se a gente pedir pro AC-130 abrir um buraco pra gente? – Sugeriu Harrison.

– Boa, garoto! – Elogiou Alfa 0-1. – Abutre?

– Na escuta.

– Dá pra abrir um buraco na parede na nossa frente?

– Claro, mas se afastem um pouco.

Os veículos recuaram alguns metros.

– Beleza, pode atirar!

– Certo, mirando com o canhão de 105mm... Atirando!

Ouvi um som agudo, depois uma explosão, que levantou uma nuvem de poeira ao destruir a parede.

A porta abriu e saímos, esqueci que estava de noite, coloquei os óculos de visão noturna, mas estavam completamente destruídos,

– 3, 2, 1, comecem! – Ordenou Alfa 0-1.

– Equipe Rhino, avançando. – Disseram três pessoas em uníssono.

Os tanques entraram em alta velocidade, barulhos de disparos de metralhadoras e canhões começaram.

– Vamos lá! Bravo irá pela direta, Echo vai para a esquerda, nós vamos pelo centro! – Ordenou.

– Beleza, vamos! – Disse o Líder Bravo.

Começamos a correr dentro da prisão, nem nos notaram, estavam muito distraídos com os tanques, entramos rapidamente na construção, haviam várias celas com os prisioneiros franceses, procuramos por um botão, mas não havia nenhum.

Seguimos para frente, nos encontramos com soldados da KSK segurando escudos à prova de balas com a esquerda e submetralhadoras MP5 com a direita.

– Tem alguma granada aí? – Perguntou Harrison.

– Eu tenho! – Disse Sofia, tirando o pino e arremessando atrás deles.

A explosão engoliu os soldados, seguimos para frente, quando passamos, o chão atrás de nós desmoronou, andando mais para frente, chegamos em uma sala de controle. Havia um painel com vários botões.

– E agora, qual deles? – Perguntei.

– Vamos ativar tudo de uma vez! – Disse Harrison, apertando os botões freneticamente.

Vendo por uma tela, todas as celas abriram, os franceses pegaram armas do chão e partiram para a luta.

– Boa, Echo! – Elogiou o líder da Alfa. – Reagrupem na minha posição, é só seguir para frente!

Chegamos ao mesmo tempo que a Bravo.

– E então? – Perguntei.

– Vamos entrar no subterrâneo.

– Certo.

Ele empurrou um tapete que estava no chão, revelando um alçapão, o abriu, havia uma escada, ele fez um sinal de “Espere! ” E desceu.

– Limpo! Desçam em fila!

Esperei todos descerem a escada até chegar a minha vez. Lá embaixo, o local era bem iluminado, havia uma porta. Alfa 0-1 abriu-a.

Era um local de mineração, para manter os presos ocupados e produzindo riqueza para o país. Andamos até a metade do lugar, quando vimos um canhão antitanque sendo arrastado por alguns soldados da KSK.

– O que eles vão fazer com isso? – Questionou Sofia.

– Tão mirando na gente! – Exclamou Harrison.

– Parece que isso é um trabalho para você. – Disse Alfa líder, encostando em meu ombro.

– Ok.

Mirei em pé com o rifle, havia me acostumado com o peso da arma, então estava estável. Havia uma pequena fresta na proteção que revelava o rosto do atirador do canhão, coloquei a mira sobre o ponto, entrei em apneia. Disparei, acertando-o no olho, mas ele conseguiu dar um tiro antes de morrer, por sorte, ele acertou acima de nós, mas o teto desabou entre o grupo, nos separando.

– Droga! O que aconteceu? – Reclamou Bravo 0-4.

– Uou, belo tiro! – Elogiou Alfa 0-1. – Caramba, abriu um buraco ali também. – Apontou para a direita. O tremor também tampou a porta.

– Então, o único caminho que podemos seguir é pelo buraco?

– Parece que sim.

– Será que eles estão bem?

– Provavelmente sim, todos são bons. – Disse Alfa 0-3. – Dificilmente perderiam para eles.

Tudo tremeu.

– É melhor ir andando. – Disse.

– Concordo. – Disseram.

Saímos, estávamos em uma colina, era possível ver uma pequena vila com casas simples abaixo de nós.

– Vamos dar uma olhada. – Disse Alfa 0-3.

– Vamos, mas não atirem nos civis, eles não são nossos inimigos. – Disse Alfa 0-1.

Todos começaram a andar por aí, fiquei sentado em um banco, tentando estabelecer comunicação com os outros. Em meio às estáticas, consegui ouvir Bravo 0-1 falando.

– 0-1? Aqui é Echo 6-4, na escuta?

– 6-4, consigo ouvir perfeitamente, onde vocês estão?

– Em um vilarejo perto da prisão.

– Estou aqui com o Bravo 0-3, estamos indo.

– E os outros?

– Acabamos nos separando, não faço ideia de onde a sua equipe foi.

– Ok, ficarei esperando.

– Certo até mais tarde.

– Até. – Desliguei o rádio.

Momentos depois, ouvi um barulho na casa à frente, resolvi verificar, estava tudo bem no antar de baixo, o barulho vinha de cima, subi as escadas silenciosamente. Havia uma garota caída no chão, aparentava ter seis anos, estava com uma marca de punho no rosto, um cano de alguma arma estava sendo apontado para a sua cabeça. Saquei o revólver e entrei mirando.

– O que você tá fazendo aqui? – Perguntou Bravo 0-4, com um tom agressivo.

– O que você tá fazendo com essa criança? – Retruquei com o mesmo tom.

– Eu tou tentando matar inimigos. – Respondeu.

– Mas essa criança não fez nada! E ela é um civil! É crime de guerra matar um civil!

– Dane-se essas leis! Ninguém fiscaliza isso mesmo! – Encostou a arma na cabeça dela.

Não tive escolha, mirei na cabeça dele e dei dois tiros. Me aproximei da garota.

– Você está bem?

Ela estava completamente chocada, não falava inglês também, então não respondeu.

– Bravo 0-1? – Chamei.

– Oi.

– Encontrei o 0-4 tentando executar uma garotinha.

– Eu sabia que esse cara era louco! Você matou ele, né?

– Sim.

– Beleza, não precisa se preocupar, você está com a razão. Já estou chegando aí.

– Certo.

Levei-a para fora da casa e deixei ela sentada no banco. Logo, 0-1 e 0-3 chegaram.

– Que bom que vocês estão bem. – Disse.

– Igualmente – 0-1 disse.

– 6-1? 6-2? 6-3? – Bravo 0-3 chamava no rádio, sem resposta. – Cara, acho que eles não conseguiram sair.

– Devem estar por aí. – Neguei.

– É uma possibilidade, já que a gente se separou e eles estavam bem.

– E o 0-2?

– Ele ficou com eles, acho.

– Pessoal, qual foi o resultado da missão? – Perguntou Overlord.

– Foi um sucesso, porém perdemos contato com Bravo 0-2 e Echo 6-1, 6-2 e 6-3. Bravo 0-4 tentou executar um civil e tivemos que neutraliza-lo. – Respondeu 0-3.

– Então, os pelotões Bravo e Echo estão incompletos?

– Por enquanto, sim.

– Então, vou transferir vocês para um porta aviões, vocês vão ficar lá até rearranjarmos os pelotões.

– Tudo bem, então devemos esperar aqui?

– Sim, mandamos um Black Hawk para buscar vocês.

– Bem... – Disse. – O civil é uma criança, o que faremos a respeito dela?

– Nós vamos mandar ela para a França, onde ela ficará sob proteção.

– Ela vai vir junto?

– Não, há tropas aliadas vindo, vou pedir para que a busquem e levem para o aeroporto de Munique.

– Tudo bem, então.

O helicóptero chegou rapidamente, embarcamos. Levamos algumas horas para chegar no porta-aviões, que ficava no mar báltico. Depois que pousamos, um soldado nos guiou até os dormitórios.

– Esse aqui é o de vocês. – Ele disse. – Sintam-se à vontade.

– Obrigado. – Disse.

Entramos no quarto. Não era tão grande, haviam quatro camas, uma do lado da outra, deixamos nossas armas em cima de uma mesa.

– Então, a gente basicamente tá de férias? – Perguntou 0-3, se espreguiçando.

– Tipo isso. – Respondeu 0-1.

Nossa rotina se tornou extremamente calma, como se não houvesse nenhuma guerra acontecendo, não fomos chamados por três semanas, até que em uma manhã, bateram na nossa porta.

– Ah, 6-4, me acompanhe até a pista de pouso. – Disse o soldado de semanas atrás.

– Hã? Para o que?

– Você vai ver, já já.

Subindo para o deque, havia um Black Hawk, com suas hélices parando de girar. Haviam dois soldados apontando para mim e olhando para trás. Atrás deles, alguém se inclinou e acenou: era Sofia. Chegando mais perto, percebia-se que havia quebrado o braço e a perna direita, havia uma grande faixa em sua testa, haviam galhos e folhas presos em seus cabelos.

– E aí! – Ela cumprimentou, com entusiasmo.

– Tudo bem com você? – Perguntei.

– Tirando esses machucados, sim.

– Mas, onde você se meteu todo esse tempo?

– Bom, é melhor leva-la para algum lugar confortável – Interferiu um dos soldados.

– É uma boa – Concordou o outro.

Eles levaram ela para o nosso quarto, deitaram ela na primeira cama da esquerda. Saíram depois disso.

– E então, você sabe onde estão os outros?

– Um pouco... – Tentou se lembrar. – Bom, tinha uma ponte que ligava dois grandes morros, eles passaram na frente, quando eu estava no meio dela, algo acertou ela e eu caí, deslizando até chegar em uma floresta.

– Ah, então isso justifica os galhos e folhas...

– Sim, então eu fiquei duas ou três semanas andando por aí até encontrar aqueles dois, aí me trouxeram pra cá.

Uma mulher abriu a porta.

– Sofia?

– Oi!

– Me acompanhe.

– Ok.

A mulher ajudou-a a se levantar, em seguida, as duas saíram do quarto. Alguns minutos depois, 0-1 e 0-3 chegaram.

– Ah, oi.... Ei! Por que minha cama tá cheia de galhos e folhas? – Reclamou 0-3.

– Sei não... – Respondi.

– Mas não faz sentido! A gente nem tá perto de uma floresta!

Ele pegou uma sacola que estava jogada pelo quarto, limpou a cama e saiu do quarto. Alguns segundos depois, Sofia voltou, estava com os curativos refeitos e limpa.

– Oi! – Disse, animada.

– Ah, oi. – Disse 0-1 – É bom saber que você está bem.

– Você... – 0-3 tentou se lembrar. – É... Do Echo 6...

– Sim.

– Pera... O que? Mas vocês não estavam desaparecidos? Cadê o resto?

– Até agora, só ela voltou. – Disse.

– O que será que aconteceu com os outros?

– É isso o que me deixa preocupado.

– Então, temos quatro pessoas, certo? – Perguntou 0-1.

– Sim, mas uma está machucada. – Respondi.

– Certo, vou pedir que vocês dois entrem no esquadrão Bravo. – Ele disse, saindo do quarto.

– Ah é, onde vocês estavam? – Perguntei.

– Vendo as notícias. – Respondeu.

– E então?

– A guerra aumentou pra caramba. A Rússia, a China e a Coréia do Norte entraram do lado da Alemanha. Mas a Suécia, o Japão e a Coréia do Sul foram pro nosso.

– Caramba, se continuar assim, a guerra vai tomar proporções gigantescas. – Disse Sofia.

– Sim. – Disse.

– Tem mais alguma notícia? – Ela perguntou.

– Tem. Me disseram que só falta Berlim para a Alemanha se render, só que os nossos soldados nem conseguem avançar, eles estão entrincheirados.

entrou na sala, segurando dois uniformes.

–  Pronto, o esquadrão está montado. Ah, vocês foram promovidos para sargento. – Ele disse, entregando um uniforme para mim e outro para Sofia. – A partir de hoje, você é o Bravo 0-2 e a Sofia é a 0-4.

- É isso aí! – Ela comemorou, em tom baixo.

– Então, a gente voltou a ativa? – Perguntei.

– Nos deram duas semanas para ela se recuperar.

– Não vai demorar muito tempo, me disseram que estou quase recuperada.

– Ah, esqueci de falar... – Ele tentou se lembrar. – A Suécia mandou uma frota de destroyers pra cá, daqui algum tempo eles chegam.

– Certo.

Três dias depois, a frota sueca chegou, ao olhar para o horizonte, via-se apenas os navios. No quinto dia, Sofia já conseguia fazer tudo com a mesma perfeição de antes. No décimo dia, enquanto estávamos almoçando, um alarme começou a tocar. Os soldados começaram a correr de um lado para o outro com suas armas em mãos.

– Soldados! Preparem-se! Temos uma frota russa se aproximando! – Disse o Comandante por um alto-falante.

Pegamos nossas armas e corremos até a pista. De lá, os jatos, em filas, começaram a decolar. Havia uma pequena frota de navios russos, em compensação, seus Su-37 excediam o triplo dos nossos F-22. Quando a maioria dos caças já estava no ar, era quase impossível ver o céu. Misseis e balas perdidas acertavam a água, os destroyers calibravam seus canhões, para atirar com precisão, submarinos disparam seus torpedos em direção aos navios. Uma frota de 20 A-10 se aproximava.

– Odin 0-1 se apresentando!

– Odin, aqui é Overlord, preciso que deixem as pistas dos Porta-aviões inimigos inutilizáveis.

– Certo, preparando-se para o ataque.

A frota se separou em quatro partes, cada uma partiu para um navio diferente. Segundos depois, os Porta-aviões estavam com buracos nas pistas.

– Cessem fogo nos navios esburacados! – Ordenou Overlord. – Eles já não demonstram nenhuma ameaça!

Os nossos destroyers pararam de mirar nos porta-aviões. Helicópteros pousaram no nosso navio.

– Equipe Bravo?

– Na escuta! – Respondeu 0-3.

– Entrem em um Black Hawk, vamos manda-los para tomar um Udaloy.

– Certo.

Entramos em um dos helicópteros e decolamos. Tínhamos conseguido a superioridade aérea, sem os porta-aviões funcionando, os Su-37 russos não conseguiam reabastecer ou recarregar as munições. Começamos a sobrevoar o navio inimigo, haviam muitos soldados próximos ao heliporto.

– Não dá pra pousar, temos uma quantidade considerável de infantaria lá embaixo! – Gritou o piloto. – Odin, precisamos de um suportezinho!

– É pra já.

Um A-10 passou em um rasante por nós, soltando uma JDAM, fazendo os soldados serem engolidos pela explosão.

– Boa! – Elogiou o piloto. – Vamos pousar agora.

Ele pousou suavemente, depois, desligou o motor.

– Vocês vão pra sala de controle, nós vamos esperar vocês. – Disse o copiloto.

– Ok. – Disse 0-1. – Vamos lá.

– Vai levar um tempão pra chegar na sala de comando. – Comentou 0-3, olhando para o topo do navio.

– Nem tanto, acho que é só subir mesmo. – Disse.

– Os cômodos dos navios não pequenos, nem adianta usar seu fuzil. – Disse 0-1, apontando para a RSASS. – É melhor usar seu revólver.

– Certo. – Disse, guardando o fuzil.

– Vamos lá.

Nos aproximamos da porta de entrada, 0-3 abriu com um chute. Estava tudo escuro, havia uma pequena camada de água no chão, mas não ser de nenhum buraco. Passando por um corredor, vimos uma luz, vinda de um sinalizador, ela ficava mais forte, indicando que alguém se aproximava. Entramos em uma sala para nos esconder. Havia uma mesa de reuniões no centro, papéis espalhados por todo o local, havia um soldado encostado no canto, provavelmente já morto. 0-3 vasculhou o corpo e tirou um par de chaves.

– Isso pode ser útil. – Comentou.

A luz do sinalizador se aproximava, agora, escutávamos conversas em russo.

– Não parecem ser aliados. – Comentou Sofia.

– Verdade... – Disse 0-1 – Estejam prontos para atirar.

Nos escondemos em dois cantos. Os russos se aproximaram e entraram na sala, eram três soldados, todos seguravam fuzis AK-12. O-1 fez um sinal de atirar, depois contou até três nos dedos. No fim da contagem, apontamos nossas armas e atiramos neles, não tiveram chance de reagir.

– Boa! – Elogiou. – Agora, temos que ir andando.

Subimos uma quantidade considerável de escadas até parar na frente de uma porta azul.

– Creio que seja aqui. – Disse 0-1, ofegante.

Ele recuperou o fôlego e abriu a porta lentamente. Não havia ninguém lá dentro, pela janela da sala, era possível ver alguns navios em chamas.

– Overlord, estamos na sala de controle – Disse 0-3. – Quais são as ordens?

– Precisamos que vocês coloquem algumas coordenadas no painel de alvos e programem os mísseis para disparar nessas localizações.

– Eu cuido disso. – Disse 0-1.

Ele se aproximou de um painel na parte esquerda da sala, levou três minutos para colocar todas a s coordenadas.

– Eh... não tá disparando. – Coçou a cabeça. – Tem um buraco de uma chave aqui.

– Aqui, tenta essas aqui. – Disse 0-3 entregando as chaves.

– Ah, valeu.

Ele colocou a chave na fechadura e girou, abrindo um compartimento com um botão. Assim que o apertou, os canhões do navio começaram a mirar nos russos, disparando.

– A gente tem que sair, em pouco tempo, os russos vão perceber que tem algo de errado com esse navio e vão afunda-lo.

– Ok. – Disse.

Fizemos todo o caminho de volta e subimos no helicóptero.

– Foi bem rápido. – Comentou o piloto. – Vamos voltar para o porta-aviões.

No meio do caminho, era possível ver toda a frota russa em chamas, botes, barcos, aviões e helicópteros aliados voltavam para os navios, restos de caças boiavam no mar. Assim que pousamos, fomos recebidos pela equipe Alfa.

– Bom trabalho com aquele navio, por causa disso, pouparam muitos soldados! – Elogiou o líder.

– Valeu, mano. – Agradeceu 0-1, sem jeito.

– Soldados! – Disse Overlord, pelo rádio. – A batalha acabou! Amanhã, todos irão para Rostock. Dispensados!

Descemos até os dormitórios, largamos nossas armas em um canto e nos deitamos.

– O que será que querem que a gente faça em Rostock? – Perguntou 0-3.

– Sei lá, tomaram o porto de lá faz uns dias, talvez seja só pra atracar o navio e depois mandar os soldados pra Berlim. – Respondeu 0-1.

– Ei, 0-2 – Cutucou-me. – Talvez os outros estejam lá.

– Provavelmente. – Disse.

– Espero que sim. – Disse Sofia, preocupada.

Ficamos em silêncio até cairmos no sono. Quando acordei, o porta-aviões estava atracado no porto, os soldados já haviam desembarcado, helicópteros e blindados esperavam para transporta-los. Pegamos nossas coisas e fomos até um Pave-Low.

– Pra onde todos estão indo? – Perguntei.

– Pra Berlim. – Respondeu o piloto. – Todos vão, eu acho.

Quatro soldados vieram até nós.

– Delta 3 se apresentando! – Disse o que parecia ser o líder. – Ah, vocês são da Bravo, né?

– Sim. – Respondeu Sofia.

– O capitão disse que vocês vêm conosco.

– É, parece que sim. – Disse 0-1.

Embarcamos no helicóptero, logo, decolamos.

– Delta, falaram algo sobre Berlim pra vocês? – Perguntou 0-3.

– Só falaram que a cidade tá fortificada e que ninguém consegue entrar.

– Fortificada ao estilo Dia-D? – Perguntei.

– Diria fortificada como Tróia. Os caras construíram uma muralha em volta de cidade e ainda ficam mandando tropas.

– Caramba.

– Não seria mais fácil mandar um ataque aéreo na cidade? – Sugeriu um deles.

– Não dá, as antiaéreas destroem os mísseis e as bombas antes delas acertarem o chão.

– Pera aí... se eles têm antiaéreas, por que estamos indo de helicóptero?

– Estamos voando por um ponto cego delas – Respondeu o copiloto.

O céu fechou e a chuva começou a cair.

– Droga, vamos baixar um pouco da altitude.

Meia hora depois, pousamos perto das barracas aliadas. O general da divisão veio até nós.

– Bom d- Bravo e Delta? Caramba, estão botando fé demais em nós. Bom, de qualquer maneira, bem-vindos.

– Obrigado. – Respondemos.

– Onde estão os soldados? – Perguntei.

– Lá. – Ele apontou para um grande buraco, com bunkers ao lado.

– Por acaso, aquilo seria uma trincheira? – Perguntou 0-3.

– Sim.

– Ah, ótimo! Voltamos à Primeira Guerra. – Reclamou.

– Calma aí. – Disse 0-1. – Tenho certeza de que essa é a melhor estratégia.

– Bom, de acordo com as informações, eles vão atacar daqui a pouco, é melhor irem.

– Certo. – Disse 0-3, aborrecido.

Andamos o mais rápido possível até as trincheiras, quando nos aproximamos, cerca de 500 soldados apontaram suas armas para nós.

– Calma aí, pessoal! – Disse o líder Delta. – Somos aliados, equipe Bravo e Delta aqui!

Eles baixaram suas armas e começaram a se cutucar com os cotovelos. De repente, um morteiro caiu em cima de um dos bunkers, fazendo ele explodir em pedaços, o cheiro de metal queimado tomou conta do local. Ao longe, ouvimos um grito de guerra, soldados da KSK começaram a correr em nossa direção.

– O que estão fazendo aí, entrem na trincheira! – Gritou um soldado.

Fizemos o que disseram. Os soldados apontaram suas armas para o campo da morte à frente, os inimigos se aproximavam cada vez mais.

– Calma! – Gritou um capitão.

– Espera! – Gritou, cinco segundos depois.

A KSK estava a 100 metros.

– Mais um pouco... – Esperou chegarem mais perto. – Fogo!

Quase fiquei surdo, todos os soldados começaram a atirar ao mesmo tempo, formando uma barragem de projéteis. Todos recarregaram. A supressão não foi suficiente, os soldados ainda avançavam.

– Fogo!

Novamente, formou-se uma barragem de tiros. Pedaços de soldados voaram pelo campo, alguns caíram dentro da trincheira. Não havia mais ninguém vindo.

– Atacar! – Todos gritaram.

Era a nossa vez, nos levantamos e começamos a correr para frente, pulando os corpos dos inimigos, balas voavam em nossa direção. No meio do percurso, um morteiro explodiu atrás de mim, lançando-me para frente, mas sem me ferir. Havia perdido o meu rifle. Saquei o revólver e continuei a correr. Cheguei ao pé da trincheira, um soldado aliado, segurando um lança chamas, disparou contra eles, incendiando-os.

– Não atirem! – Gritou um soldado. – Deixe-os queimar!

Alguns segundos depois, os sons de disparos cessaram, o cheiro de queimado se espalhou pelo lugar. Ao longe, tanques e artilharias aliadas se aproximavam, helicópteros com as equipes médicas pousavam para ajudar os feridos. Ao longe, lá estava Berlim, com a sua imponente muralha, ninhos de metralhadoras estavam posicionados no topo dela. Poucos minutos depois, o mesmo general de antes chegou no local.

– Bom trabalho, soldados! É melhor descansar. – Ele disse. – Faremos o ataque de saturação amanhã.

Alguns soldados montaram barracas com camas improvisadas, usaram algumas tábuas de madeira para fazer uma proteção contra a chuva. Em um local coberto, haviam algumas fogueiras, esquentando panelas com água dentro. Alguns levavam os corpos para longe do acampamento, logo, havia uma pilha deles, haviam caixas cheias de cartas de despedida, plaquetas de identificação e fotos de família.

– Achei! – Gritou 0-3. – Caramba, olha onde você se meteu.

Sofia veio correndo para dar um high five, mas tropeçou e me derrubou, rimos enquanto nos levantávamos.

– Aqui está o seu fuzil. – Disse 0-1, me entregando.

– Valeu. – Agradeci.

Um soldado veio correndo em nossa direção, mas tropeçou e caiu de cara na lama.

– Você tá bem? – Perguntei, segurando a risada.

– Meh... – Murmurou.

O ajudei a levantar, seu rosto estava coberto de lama.

– Valeu. – Agradeceu, limpando os olhos. – Eita! Cara, finalmente achei vocês!

– Harrison? – Reconheceu Sofia.

– Sou eu mesmo! – Ele disse, feliz.

– Onde você se meteu? Como chegou aqui? Cadê a Heathen? – Perguntei.

– Calma, uma pergunta de cada vez. Bom, depois de nos separarmos da Sofia, fomos perseguidos por soldados, então eu fiquei para trás pra ela fugir, aí eu fui capturado, então, quando vocês ch... – Parou para recuperar o fôlego. – Quando vocês chegaram na trincheira, eu estava lá, então a equipe Foxtrot me libertou! Entendeu?

– Sim.

– Que bom, achei que ia ter que explicar tudo de novo.

– Você tem equipe? – Perguntou 0-1.

– Eu sou o líder da Echo 6, mas parece que não tem mais ninguém nela.

– Verdade. Então, você é temporariamente o Bravo 0-5, certo.

– Beleza.

– Aliás. – Lembrei. – O comandante disse que iríamos fazer um ataque de saturação, o que é isso?

– É quando todas as tropas atacam de uma vez, assim, as defesas inimigas ficam todas desorganizadas e não conseguem defender nada direito.

– Ah.

Uma fila de 50 tanques parou perto de nós.

– Caramba. – 0-3 se impressionou. – Eles estão mandando tudo mesmo.

– São 50 tanques apenas nessa frente, tem mais 15 frentes. Disseram que todos os países mandaram tudo o que tem.

– Vou dar uma olhada nas notícias, já volto. – Disse 0-3, se afastando.

– Vai lá, cara das notícias. – Disse 0-1.

– Bom, se eles estão mandando tudo pra Berlim, provavelmente teremos uma vitória esmagadora. – Disse.

– Espero que sim.

Ele voltou, segurando cinco potes com colheres em cima.

– Consegui pegar a comida assim que saiu.

Ele entregou um para cada, sentamos e começamos a comer.

– E então? - Perguntei

– Então o que? Ah. – Se lembrou. – Certo. Bom, A China e a Coréia do Norte já se renderam, os aliados já estão marchando para a Rússia.

– Isso é bom. – Disse 0-1. – Se continuar assim, nem vai dar tempo do General Inverno deles chegar.

Depois disso, fomos dormir, acordei com muito calor, o céu estava limpo. Assim que saí, vi as antiaéreas móveis chegando, havia uma fileira de artilharias, todas mirando em Berlim. Longbows carregavam seus mísseis. A cada minuto, mais tropas chegavam. Os outros acordaram um pouco depois, se juntaram a mim. Ao meio dia, as tropas se reuniram à frente das artilharias.

– Soldados! – Gritou o general. – Hoje é o dia em que Berlim cairá! Deem o melhor de si mesmos! Vão!

– Hurrah! – Gritaram os soldados.

Todos partiram correndo, os tanques ficaram na frente, servindo como escudo, segundos depois, os disparos de artilharia passaram acima de nós. Levou alguns segundos até os disparos acertarem a muralha, porém, a esburacaram inteira. Assim que chegamos mais perto, mas metralhadoras começaram a fazer os seus disparos, mas os a blindagem dos tanques fazia as balas ricochetearem. Outra carga das artilharias acertou a muralha, explodindo os ninhos de metralhadora. Dos buracos, saíram mais 20 tanques Leopard II. Nossos tanques aguentaram com bravura, destruindo todos, mas perdendo 35% de seus integrantes. Mais de 100 caças aliados chegaram, as antiaéreas inimigas não conseguiam acertar nenhum deles, o ataque de saturação estava dando certo. Ao entrar na cidade, a infantaria começou a receber fogo pesado, devido aos desfalques dos tanques, pegamos cobertura atrás das casas. Entre montes de sacos de areia, era possível ver uma fileira de canhões dos tanques da KSK.

– Não dá pra ir por aqui! – Gritou o piloto de um tanque.

Os tanques partiram em disparada para outra rua.

– Como a gente vai destruir esses tanques? – Perguntei.

– Tem um jeito... – 0-1 pôs-se a pensar. – Sabe o visor do piloto? A caixa de munições fica alinhada, se você conseguir acertar...

– Certo.

Achei uma abertura entre os escombros de uma casa, era impossível dos tanques me acharam lá, me posicionei. Olhando pela mira, percebi que 0-1 estava certo, mirei diretamente na caixa de munições e efetuei o disparo. O tanque explodiu em chamas, em seguida, uma explosão ainda maior ocorreu, fazendo uma reação em cadeia que terminou com todos os tanques inimigos destruídos.

Um AMX-56 francês passou por cima dos escombros dos tanques, seguido por soldados da GIGN.

– Bravo, preciso que vocês tomem uma artilharia no topo de um prédio, estou mandando um Challenger II para busca-los. – Disse Overlord.

– Ok. – Disse 0-3.

Segundos depois, o tanque chegou.

– Melhor vocês entrarem. – Disse o piloto.

Entramos no tanque, ele começou a acelerar, havia um painel que mostrava onde estávamos. No meio do caminho, o tanque parou. Começamos a sentir os disparos de metralhadora atingindo a blindagem do tanque. Ele andou um pouco para trás e foi em disparada pela rua, ignorando as metralhadoras e passando por cima de alguns soldados. Em poucos minutos, chegamos na frente de um prédio.

– Aqui é a parada de vocês. Ficaremos protegendo a entrada.

Descemos do tanque e entramos no prédio. Chegamos ao pé de uma escada.

– Não seria mais fácil subir pelos elevadores? – Sugeriu 0-3.

– Talvez. – Respondeu 0-1 – Eles podem estar nos esperando, mas vamos tomar o risco.

Olhando para um pequeno mapa vertical do prédio, era possível ver que haviam 20 andares. Entramos no elevador, no entanto, máximo que este ia era até o décimo quinto andar. Assim que saímos dele, comecei a olhar pelas janelas de vidro do prédio. Lá embaixo, a cidade toda brilhava por causa dos disparos de metralhadoras e tanques. Aviões e helicópteros passavam ao lado do prédio, alguns pegando fogo.

– Vamos lá. – Disse 0-1, encostando no meu ombro.

Guardei o fuzil e puxei o revólver. Passávamos por um corredor, ouvimos vozes de soldados da KSK vindo de uma sala.

– Devemos? – Perguntou Sofia.

– Quanto menos deles, melhor. – Disse 0-1.

Ele tirou um grampo do bolso e destrancou a porta.

– No meu sinal.

Ele contou até três e abriu a porta com um chute, haviam três soldados, eles apontaram as armas para nós, mas fomos mais rápidos, derrubamos eles rapidamente, um soldado a cair, revelou, atrás dele, uma cadeira com uma garota de uniforme, a reconhecemos imediatamente.

– Heathen! – Gritou Harrison, correndo até ela.

Fui junto com ele, fiquei agachado na frente dela. Sua cabeça estava sangrando, havia um corte no braço esquerdo que ia do pulso até o ombro, a perna direita estava quebrada em dois pontos diferentes. Ela olhava para baixo, havia uma expressão fria e vazia em seus olhos, era como se não estivesse ali.

– O que fizeram com ela? – Perguntou Harrison.

Sua boca mexeu, mas dela, não saiu som algum.

– Tortura, provavelmente. – Disse Sofia, com um tom sério, enquanto analisava os ferimentos.

– Ela está dopada?

– Não parece, talvez seja um trauma. Eu tenho um pequeno treinamento de médico, consigo pelo menos parar o sangramento.

– Certo, então faça isso.

Levou uma quantia considerável de tempo para fazer os primeiros socorros, mas, no final, parecia estar tudo bem com ela.

– Não está mais sangrando, mas ela precisa de cuidados. – Ela agachou, olhando para seus olhos. – Fica tranquila, ok?

Novamente, tentou respondeu, mas não saiu nenhum som.

– Carregue ela. – Disse Harrison, virando-se para mim.

– Ok.

Assim que a levantei, notei a baixa temperatura, era como carregar um pedaço de gelo.

– Vamos lá, nossos companheiros dependem de nós. – Disse 0-1.

Começamos a andar até o telhado, 0-1 e 0-3 ficaram a cerca de 10 metros de distância de nós. De repente, ouvimos um barulho alto de turbina.

– Hã? – Questionou Sofia. – Da onde vem isso?

Milésimos depois, um F-22 atingiu o prédio, bem no meio de nós.

– Quase... – Exclamou 0-3, quase sem ar, com a asa do caça à centímetros de seu rosto. – Caramba, ele destruiu o chão, não tem como a gente prosseguir, vocês vão ter que ir sozinhos.

– Tudo bem, é melhor vocês voltarem para o tanque. – Disse.

– Certo, boa sorte. – Respondeu 0-1.

– Pra vocês também.

Subimos até o topo do prédio, havia uma porta separando o telhado do resto.

– Espera aí, nós vamos primeiro. – Disse Harrison.

Eles entraram, ouvi alguns disparos, segundos depois, ele abriu a porta.

– Pronto, pode vir.

O lugar era bem plano, tirando o morteiro, havia apenas uma caixa de aço no meio.

– Deixa ela encostada alí. – Sofia apontou para a caixa. – Eu vou ficar de olho nela.

– Ei, consegue operar essa coisa aqui? – Perguntou Harrison.

– Acho que sim.

– O morteiro era enorme, seu canhão estava apontado para uma batalha ocorrendo no congresso.

– Overlord, estamos operando o morteiro. – Disse.

– Certo, coloque as coordenadas na ordem que eu falar.

– Ok.

Ele começou a dizer coisas que não entendia, apenas selecionei de acordo com a ordem. Assim que tudo foi preenchido, um contador de dez segundos apareceu.

– Dez segundos.

– Ok.

Quando o contador chegou a zero, o morteiro disparou, fazendo todo o prédio sacudir. Olhando para baixo, era possível ver metade do congresso em escombros.

– Bom trabalho, Bravo, agora, vão até o congresso.

– Overlord, poderia mandar um helicóptero? Não conseguimos descer.

– Ok, está a caminho.

Estávamos esperando, sentados. De repente, um helicóptero da KSK pousou, os soldados desceram e começaram a gritar conosco, apontando as armas.

– Larguem as armas. – Disse Harrison.

Antes mesmo que pudesse largar o revólver, um dos soldados atirou na minha mão, um outro me deu uma coronhada na cabeça. O cano de sua MP5 estava apontado para meu rosto. Eles estavam tremendo, havia uma expressão de culpa e de remorso em seus rostos.

– Soldados! Cessar fogo! A Alemanha se rendeu! A batalha acabou! – Anunciou Overlord.

A mesma mensagem foi transmitida, desta vez em alemão. Os soldados baixaram suas armas, um deles me ajudou a me levantar.

– Me desculpe... – Ele disse, com sotaque.

Depois, outro soldado se aproximou.

– Vou te ajudar com isso. – Ele disse.

A bala de 9mm ainda estava cravada em minha mão, ele realizou uma anestesia local, retirou a bala, cauterizou e a enfaixou.

– Obrigado.

– De nada. Só estou cumprindo meu trabalho de médico.

Ele se aproximou de Heathen.

– Ela precisa de cuidados médicos, vamos para o acampamento americano.

Subimos no helicóptero e fomos em direção à entrada do congresso.

– Overlord, estamos chegando no congresso em um helicóptero da KSK, peça para que não atirem. – Disse.

– Tudo bem.

O helicóptero pousou onde os soldados estavam reunidos. 0-1 veio correndo em nossa direção.

– Bom ver vocês por aqui.

– Igualmente. – Disse Sofia.

– Ei. – Disse Harrison. – Pode levar ela até algum médico?

– Posso.

Ele a carregou, correndo até alguns leitos.

– E a sua mão? – Perguntou Sofia. – Como está?

– Parece boa. – Mexi os dedos, com um pouco de dificuldade. – Mas, assim que a anestesia passar, vai doer para caramba.

Ela riu, assentindo com a cabeça. 0-1 voltou, segurando uma caneca de café.

– Cara... – Tomou um gole. – A Polônia entrou do nosso lado. Porém, América Central inteira e os países andinos estão invadindo os EUA. Os países platinos e o Brasil entraram do nosso lado também.

– Caramba, essa guerra tá tomando proporções absurdas. – Comentou Harrison.

– Com certeza. – Disse.

Ficamos em Berlim por alguns dias, durante esse tempo, os soldados começaram a reconstruir a cidade, o exército usou o congresso como uma base temporária. Três dias após aquele, fomos para a enfermaria visitar Heathen.

– Oi, pessoal! – Ela nos cumprimentou, animada.

– Cara, eu nunca vi ela assim. – Cochichou Harrison. – Será que ela bateu a cabeça ou algo do tipo?

– Não sei, mas ela realmente está bem diferente. – Respondi.

– Está melhor? – Perguntou Sofia.

– Mais ou menos, ainda tenho algumas dores, mas estou bem melhor do que antes.

– Bom, a gente ficou bem preocupado.

– Eu sei. Mesmo não respondendo, eu vi e ouvi tudo. Obrigado por se preocuparem comigo, talvez vocês sejam as primeiras pessoas a fazer isso. – Uma lágrima caiu em seu colo, seguida por um sorriso.

– Temos certeza de que houveram outras pessoas. – Dissemos.

– Talvez.... Bom, me disseram que eu não vou poder voltar aos campos de batalha. Me disseram que eu volto para casa no fim da tarde.

– Tenho certeza de que é o melhor caminho para você. – Disse Sofia.

– Depois de tudo o que passou, você merece voltar e ter uma vida normal. – Completou Harrison.

– Se é isso o que vocês acham..., mas eu queria estar com vocês, nem que fosse num campo de batalha.

– Não diga isso. – Disse 0-1. – A guerra vai acabar logo, em algumas semanas, você vai poder vê-los novamente.

– Eu espero que sim.

Um soldado entrou na sala.

– Equipe Bravo, o comandante quer falar com vocês.

– Tudo bem. – Disse 0-1.

Nos despedimos dela e andamos até a sala onde ele estava.

– Estão todos aqui? – Ele perguntou.

– Cadê o 0-3? – Perguntei.

– Transferiram ele pra Alfa. – Respondeu 0-1. – Cara sortudo. – Virou-se para o comandante. – Sim.

– Pois bem. – Ele fechou a porta. – Temos uma tarefa bem complicada.

– Pode falar.

– Bom, o presidente russo vai visitar o primeiro-ministro da República Tcheca em um lugar afastado das cidades. Queremos fazer uma jogada estratégica, vocês matam o presidente, o que faria a Rússia declarar guerra a eles, os fazendo automaticamente entrar do nosso lado.

– Faz sentido. – Disse 0-1. – Mas como faríamos isso?

– Os esquadrões da Suécia foram designados para essa missão também.

– Certo, quando vai ser isso?

– Eles se encontrarão amanhã de manhã, então vocês vão no fim da tarde para lá. Entendido?

– Entendido.

– Então, preparem-se, estão dispensados.

Passamos o resto do nosso tempo nos preparando para ir para a missão. No fim da tarde, fomos junto com Heathen para o aeroporto. Seu avião havia chegado.

– Até mais! – Ela disse, enquanto subia as escadas para embarcar.

– Até! – Respondemos.

Logo depois, as turbinas do avião começaram a girar, um minuto depois, já não era mais possível vê-lo no meio das nuvens.

Entramos no nosso avião meia hora depois, os outros soldados já estavam lá, porém, não pareciam saber falar em inglês.

– Então, eles mandaram algum mapa do local? – Perguntei.

– Não, mas me disseram que seriam as únicas construções que viríamos durante a queda. – Respondeu 0-1.

– Ótimo, mais uma missão de paraquedas... – Murmurou Harrison.

– O que foi, você tem medo de altura? – Perguntou Sofia.

– Bem..., sim.

O avião fechou a rampa e começou a acelerar, logo depois, já estava no ar.

– Como a gente vai decidir uma tática se os outros não entendem a nossa língua? – Perguntou Harrison, observando os outros soldados.

– A gente dá um jeito. – Disse 0-1.

No meio do percurso, o avião começou a balançar.

– Uou! Não estava preparado pra uma turbulência dessas! – Exclamou o piloto. – Segurem-se, vamos baixar um pouco da altitude.

O avião começou a descer, atingindo uma alta velocidade, logo depois, estabilizou. Após quinze minutos, a rampa de trás abriu.

– Pessoal, peguem seus paraquedas, estamos nos aproximando do alvo.

Pegamos as mochilas fizemos uma fila, todos nós pulamos na ordem. Durante a queda, era possível ver dois prédios e casas próximas a eles.

– É naquelas construções? – Perguntei, pelo rádio.

– Sim! – Respondeu 0-1.

Me direcionei para o topo do prédio, acionei o paraquedas e pousei na cobertura, o resto do esquadrão também fez o mesmo.

– Silêncio... – Sussurrou 0-1, tirando uma faca M7 da bainha.

Havia um soldado russo olhando para baixo, 0-1 mirou nele com a faca, assim que o guarda olhou para trás, ele arremessou a faca, acertando exatamente no olho esquerdo. Os outros soldados aterrissaram no outro prédio.

– Certo, vamos ter que limpar esse aqui sozinhos. – Disse Harrison, colocando uma bala em sua M1014.

Descemos as escadas até chegarmos no quinto andar, foi quando ouvimos conversas em russo, olhando pelo fraco reflexo de um vidro, contei três deles.

– Ok, atirem apenas se tiverem um silenciador. – Ordenou 0-1. – Fogo!

Em poucos disparos, os três já estavam mortos. Não havia mais nenhum soldado no prédio, então descemos e fomos até o encontro dos outros aliados.

– Ei! Alguém aí sabe falar em inglês? – Perguntou 0-1.

Um deles se aproximou.

– Acho que sou o único.

– Bom, qual será a tática?

Ele se virou para os soldados, começaram a falar em sueco.

– Bom. – Disse ele. – Estávamos pensando em colocar atiradores nas coberturas. O resto protegeria o prédio.

– É uma boa. O que acham?

– Acho uma boa tática. – Disse.

Os outros também concordaram.

– Então está decidido. Avise os seus colegas sobre isso.

– Certo.

Ele caminhou até onde os outros estavam e começou a dar ordens. Subimos até a cobertura do prédio.

– Vai conseguir atirar com essa mão? – Perguntou 0-1.

– Com a ajuda do bipe, eu consigo. – Respondi.

– Então está bom. – Ele olhou para o horizonte, depois se virou para nós. – Podem descansar, vou ficar de guarda. – Se afastou.

Olhando para o outro prédio, era possível ver os soldados descansando, rindo, conversando e recontando a munição. Às cinco da manhã, ouvimos barulhos de motores. Dois T-90 russos de aproximavam.

– Tomara que não notem a gente. – Disse Sofia.

– Ainda está escuro, então provavelmente vão nos confundir com guardas. – Disse 0-1.

Fiquei em posição de guarda, observando os dois tanques, um soldado colocou a cabeça para fora e acenou, para não quebrar o disfarce, acenei de volta. Minutos depois, dois helicópteros pousaram, um na esquerda e outro na direita. De lá, saíram o primeiro-ministro e o presidente, os dois se encontraram no centro, um pouco à frente do prédio. Olhando para os outros, notei que não havia nenhum atirador. Inclinei o fuzil para baixo, mirando nos dois, meu pulso doía, mas alguém tinha que fazer esse trabalho.

– Qual deles é o presidente? – Perguntei.

– O da esquerda. – Disse 0-1, segurando a mira de um rifle.

– Certo, diga quando puder atirar.

– Espera... – Esperou dois segundos. – Vai!

Disparei contra seu rosto, a cabeça explodiu em pedaços. O primeiro-ministro saiu correndo para seu helicóptero, que rapidamente decolou e sumiu no céu escuro. Os tanques começaram a mirar nos prédios, nos escondemos.

– Overlord, temos dois T-90 aqui, precisamos de suporte aéreo. – Solicitou 0-1.

– Negativo. – Respondeu. – Não temos permissão para entrar no espaço aéreo tcheco, a não ser que seja um transporte. Desculpe, mas vão precisar destruí-los sozinhos.

– Atirem no tanque! – Gritou o único soldado que falava em inglês.

Dezenas de balas atingiam simultaneamente a blindagem do tanque.

– Bom, já que eles estão os distraindo... – 0-1 parou para pensar. – Já sei. 0-2, vem comigo, vocês dois, nos deem cobertura.

– Certo! – Disse Sofia, destravando sua arma.

Descemos as escadas correndo, ele me parou antes de sairmos.

– Você vai no da direita, abra a tampa do tanque e jogue uma granada dentro.

– Certo.

Corri por um ponto cego do tanque, subi rapidamente em cima dele, não estava conseguindo abrir a tampa do tanque, parecia que alguém estava segurando. Enquanto isso, a torre do outro tanque mirou no prédio onde os suecos estavam, disparando exatamente no andar onde ficavam. Os disparos cessaram.

Consegui abrir a tampa, tirei o pino da granada e soltei lá dentro, depois fechei-a. me distanciei cerca de cinco metros do tanque. Porém, antes dele explodir, a torre virou para o outro blindado, disparando. 0-1 ainda estava em cima dele, foi engolido pela explosão antes que pudesse gritar para ele sair dali.

Com os dois tanques destruídos, corri até onde ele estava, ou pelo menos, era para haver algo lá. Havia apenas restado um pequeno pedaço de papel, lia-se “É por um bem maior. ”

Os outros dois chegaram correndo, haviam observado todo o acontecimento de cima.

– Alguém? – Harrison chamava no rádio.

Não houve resposta alguma.

– Overlord? – Chamou Sofia.

– Na escuta.

– Missão cumprida, porém... – Sua expressão facial estava horrível. – Restaram apenas três soldados.

– Droga... – Ele realmente parecia estar abalado com as mortes. – Certo. – Suspirou. – Chamaremos o CasEvac e o helicóptero de vocês.

– Ok. – Disse.

Ficamos sentados por uma hora, até que quatro Black Hawks pousaram, entramos em um. A tripulação dos outros três saiu e começaram a procurar pelos corpos. O nosso decolou, levamos uma hora para chegar em Berlim.

Passou-se uma semana após os acontecimentos. Naquela manhã, acordei com Sofia cutucando meu rosto. A luz forte entrava pelas frestas das barracas. Harrison estava sentado, escrevendo algo, usando uma caneta preta.

– Ei! Acorda! – Ela continuou a me cutucar.

– Já acordei! – Me levantei rapidamente.

Ela perdeu o equilíbrio e caiu para trás, começou a rir, depois se levantou. Sentei em minha cama, Sofia sentou-se ao meu lado.

– Harrison? – Chamei.

Ele levou um susto arremessando a caneta para cima.

– Que? – Respondeu, ainda assustado.

– O que você tá escrevendo?

– Uma carta para a Heathen. – Respondeu, pegando a caneta, que estava no chão.

– Mas por que uma carta? Tem vários outros meios de se comunicar com ela.

– Ela deixou uma nota, pedindo para mandar cartas, porque parece que ela vai ficar em uma casa que o governo cedeu pra ela.

– Ah, certo.

– Eu também quero escrever uma carta! – Disse Sofia.

– Ok. Eu te deixo escrever um pouco quando eu terminar.

– Valeu!

Andei para fora. Já fazia um bom tempo que não saíamos em missão, achei estranho. Um soldado correu até mim.

– Ei, você é o 0-2 da Bravo, certo?

– Sim.

– Certo, me acompanhe.

Ele me levou até onde aquele comandante ficava.

– Olá, soldado. – Ele disse.

– O que houve?  – Perguntei.

– Bom, vou precisar enviar a sua unidade para defender a capital da Polônia. Sei que seu esquadrão está incompleto, mas desde que os americanos retiraram algumas tropas para defender o próprio território, começamos a perder a guerra. Se conseguirmos resistir ao ataque russo, seu exército ficará debilitado e os aliados do oriente poderão marchar para Moscou sem problemas.

– Tudo bem, se essa batalha for decisiva, nós vamos.

– Certo, avise os outros que partiremos daqui algumas horas.

– Ok.

Voltei para onde os outros dois estavam. Sofia já havia terminado de escrever a carta, Harrison estava colocando ela em um envelope.

– Ei, onde você estava? – Perguntou Sofia.

– O comandante me chamou.

Expliquei nossas ordens para eles.

– Ah, certo. – Suspirou Harrison. – Bom, vou deixar essa carta com o pessoal das comunicações. Já volto.

Ele saiu, com o passo mais pesado do que o normal.

– Mais uma batalha... – Suspirou Sofia. – Não faz muito tempo que essa guerra começou, mas parece que já se passou um ano. Quero ir para casa...

– Eu sei.... Mas, se a gente ganhar essa batalha, a guerra praticamente acaba.

– Espero que sim.

Ficamos em silêncio até Harrison voltar. Quando chegou, pegamos nosso equipamento e fomos até as zonas de pouso.

– Ah, aí vocês estão! – Disse o soldado que havia me chamando mais cedo. – Já ia chama-los. Seu helicóptero já está esperando.

Ele nos levou até um Pave-Low. Entramos, haviam alguns soldados, estavam inquietos, nervosos, talvez pensando na batalha, talvez eram apenas recrutas. O helicóptero decolou, atravessando o céu para levar-nos ao campo de batalha.

Chegamos na capital polonesa às quatro horas da tarde. Olhando por uma janela, era possível observar a situação, parte da cidade estava em chamas, disparos de todos os tipos voavam sem rumo, pousamos um pouco atrás da rua principal da cidade, onde acontecia a luta. Duas barreiras de sacos de areia, medindo um metro e meio de altura foram construídas, uma de cada lado da batalha. Nossos tanques, britânicos e franceses, atiravam contra a infantaria russa.

– Até mais, boa sorte! – Disse o piloto do helicóptero, pelo rádio.

Ele decolou, partindo para Berlim em alta velocidade, desviando dos tiros e misséis disparados contra o helicóptero.

Haviam cerca de mil soldados, apenas do nosso lado.

– Ei! – Um soldado me chamou. – Pode nos ajudar a operar esse canhão?

– Estou indo! – Respondi.

– Vamos ir atrás de você. – Disse Sofia.

Eles haviam retirado o canhão de um T-90 russo e o montaram em cima de uma base de aço.

– Você mira e atira, nós cuidamos do recarregamento. – Disse o soldado.

– Certo.

Alguns blindados leves da Spetsnaz se aproximaram, mas cuidamos deles com poucos tiros do canhão. Suprimimos a infantaria inimiga, eles se esconderam atrás de construções.

– Parece que a primeira leva já foi. – Disse um dos soldados que estavam comigo.

Todos comemoraram.

A batalha ficou parada até a meia-noite, que foi quando os reforços russos chegaram, mandaram o triplo dos soldados que tinham do nosso lado.

– Lá vem eles. – Reclamou o soldado à minha esquerda, colocando mais uma bala no canhão.

Estava tudo escuro, mas os disparos e as chamas de veículos destruídos iluminavam a noite. Alguns T-90 se aproximaram, priorizei o fogo neles, mas a blindagem era tão espessa que as balas simplesmente ricocheteavam. Os tanques também concentraram o fogo neles, mas não conseguiram destruir nenhum. Pouco a pouco, éramos forçados a recuar.

– Precisamos de suporte aéreo! – Gritou um soldado, pelo rádio.

– Aqui é Lima 3-3, a caminho.

Um Longbow chegou e começou a disparar contra os inimigos, destruindo uma quantia considerável de tanques.

Ao longe, um SU-34 se aproximou, soltou algumas bombas, mas o rasante foi tão arriscado, que bateu a asa esquerda em um prédio, perdeu o controle e acertou o Longbow, que estava acima de nós. Um pedaço da asa voou em minha direção, me derrubando, por sorte, saí sem ferimentos.

– Tá tudo bem? – Perguntou Harrison, estendendo a mão.

– Sim. – Respondi, me levantando.

Já não havia mais munição para o canhão. Usei meu fuzil para atirar nos inimigos, antes que atirassem em mim. A situação continuou até o amanhecer, dos dois lados, os corpos só aumentavam. No ar, havia apenas o cheiro de queimado, olhando para frente, apenas conseguia ver sangue e corpos. Com o sol no horizonte, os dois lados começaram a receber suporte aéreo, mas isso apenas intensificou e aumentou o número de mortos, estávamos em menor número, mas seguramos bravamente o ataque, até que os reforços inimigos chegaram.

– Precisamos de reforços! – Gritou um soldado, desesperado, antes de ser atingido na cabeça.

– Está a caminho. – Respondeu Overlord.

Segundos depois, vários helicópteros aliados chegaram. Um jato russo se aproximou, derrubando parte dos transportes, alguns soldados conseguiram chegar ao chão, outros foram desintegrados em pleno ar.

– Isso nunca vai acabar não? – Reclamou um soldado.

Éramos 250, porém, estávamos lutando contra 500 russos.

Um disparo de morteiro caiu em cima de um dos nossos tanques, um pedaço de metal voou direto no meu joelho, senti o corte, perdi o equilíbrio e caí no chão. Olhando para o ferimento, era possível ver o osso, cortado pelo metal.

– Protege ele! – Gritou Harrison, apontando para mim.

Sofia se aproximou e começou a tentar parar o sangramento, mas sem sucesso.

– Droga! – Ela estava desesperada.

Saquei o meu revólver e comecei a atirar nos inimigos, só tinha três pentes, então, a munição acabou rápido.

Olhei para o lado, parte dos sacos de areia já não serviam para nada, estavam todos esburacados.

– Ei, alguém tem munição de revólver? – Perguntei.

– Eu tenho! – Girou um soldado, jogando um pequeno pacote.

Antes que pudesse pega-lo senti o impacto de uma bala atravessar o meu ombro direito, caí para o lado. Sangue jorrou do ferimento, a bala não estava presa, ela havia atravessado.

– Cacete! – Gritou Harrison, ao ver meu ombro.

Sofia se levantou e começou a atirar, segundos depois, foi atingida por dois disparos, um no quadril e outro no braço esquerdo, não conseguiu mais se manter em pé.

– Argh! – Agonizou.

Logo depois, uma única bala atravessou o tronco de Harrison, ele caiu de joelhos, depois começou a se arrastar até nós.

– É o nosso fim... – Ele falava com dificuldade.

– Onde te acertou? – Perguntei.

– Não sei, só sei que estou com falta de ar.

– O pulmão. – Disse Sofia, extremamente preocupada.

Olhamos para os aliados, mas não havia mais nenhum.

– Temos... que... fazer... algo. – Ele disse.

– Não podemos deixá-los passar. – Ela disse.

– E o que faremos? – Perguntei.

– Somos soldados mortos em qualquer circunstância. Então, concordam que temos que levar o máximo de soldados que conseguirmos?

– Sim. – Respondemos.

Entendi onde ele queria chegar.

– Overlord? – Ela chamou.

– Pois não?

– Precisamos do maior ataque aéreo na nossa posição! – Completei.

– M-mas, vocês vão morrer! – Ele exclamou, surpreso.

– Já perdemos a batalha, só resta nós! Mande uma MOAB! – Harrison gritou, com todo o fôlego que tinha.

– Certo, soldados, estará a caminho.... Bom, vocês merecem uma recompensa póstuma por defender bravamente o seu país. – Ele disse, com um tom de tristeza. – Foi uma honra. Overlord desligando.

Um B2 se aproximava ao longe.

– Corvo 6-3, realizando o bombardeio com a MOAB. Soltando.... Tempo para o impacto: 10 segundos.

– Foi uma honra lutar ao lado de vocês. – Disse.

– 9.

– Bom, eu queria ter conhecido vocês, fora dessa guerra. – Ela disse.

– 8.

– Foi bom enquanto durou. – Ele disse.

– 7.

Os russos nos cercaram, porém, não atiraram em nós, ficaram parados, talvez esperando novas ordens. Minha mente estava a mil, com vários pensamentos simultâneos. O mundo perdia a cor e o calor, não ouvia nada além de nossas vozes e respirações. Parecia que meu corpo já sabia o que aconteceria.

– 5.

– Talvez nos escontremos, em outra vida. – Ele disse.

– 4.

– Com certeza. – Disse.

– 3.

– Até logo. – Ela disse. – Em outra vida, ou em outro plano.

Um som agudo surgiu, seu volume foi aumentando gradativamente.

– 2.

– Até. – Dissemos.

Nós demos o nosso último sorriso, de despedida.

– 1.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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