História Long Forgotten Sons - Capítulo 3


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Categorias Histórias Originais
Tags Conceitos, Histórias, Rascunhos
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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 3 - Arquivo Número 82.1.B Extra "Manhattan"


Relia aquela carta. A segurava com a mão direita, na esquerda, segurava as três medalhas de honra.

Não merecia ficar com elas, mesmo que momentaneamente, até que a guerra acabasse.

— Capitã? – Alguém chamou.

Dobrei a carta e coloquei tudo na pequena mochila que carregava.

— Capitã? – Chamou Aaron, se aproximando.

— Não precisa me chamar assim, sou apenas um sargento. – Ri.

— Sargento de Primeira Classe. – Corrigiu James, ao fundo.

— Mas você é a líder do pelotão, então, acho melhor a chamarmos assim.

— Tudo bem, se é assim que querem.

Peter lia um mapa e parecia bem preocupado.

— Peter? – Chamei.

— Oi. – Ele respondeu.

— Alguma coisa o incomoda?

— Sim.

— O que?

— É que faz muito tempo que os latinos não nos atacam. Bem estranho...

— Parando pra pensar, faz sentido. – Concordou Aaron. – O que será que estão planejando.

— Provavelmente estão ocupados montando bases no Texas. – Disse.

— Eu tenho um mau pressentimento. – Disse Peter.

— Tá muito frio aqui! – Reclamou James. – Nos botam no telhado de um prédio pra vigiar, e de noite!

— Não estou sentindo frio algum. – Disse Aaron. – Acho que é porque você é muito sensível. – Começou a rir.

James o fuzilou com o olhar.

— Peter, não precisa se preocupar. Se eles fossem nos atacar, teriam que passar por pelo menos mais cinco estados até chegar aqui. Nós saberíamos se estivesse acontecendo algum conflito. – Disse.

Caças pousavam e decolavam do J.F.K. e do Newark. Os que decolavam iam para o oeste, os que pousavam reabasteciam e rearmavam-se, para depois ir ao mesmo destino.

— A julgar pela movimentação aérea hoje, provavelmente estamos atacando eles. – Disse Aaron.

— Provavelmente.

— Daqui a pouco eles ficam encurralados. A Argentina, o Uruguai e o Brasil estão fazendo um bom trabalho em segurar as forças do resto dos latinos. – Disse Peter.

— Isso é verdade. – Concordei.

— Parece que alguém enlouqueceu. – Comentou James, apontando para um avião. – O que aquele F-5 inimigo tá fazendo aqui?

— E ele veio sozinho. – Disse Aaron.

Rapidamente, um F-35 lançou um míssil H.A.R.M. , que cortou o ar até atingir o caça inimigo, sua asa esquerda explodiu, fazendo-o despencar em espiral.

Mas aquele não foi o fim do caça, ele havia soltado algo durante a queda.

“O que é aquilo? É azul e não tem o formato de um míssil...”

De repente, o estranho objeto azul explodiu, fazendo ondas elétricas dançarem pelo céu, depois, emitiu um clarão, cobri meus olhos em resposta.

Quando consegui olhar para o céu novamente, os aviões aliados estavam despencando, alguns tentavam planar, sem sucesso.

— P.E.M. – Disse.

— Não acredito... – Disse Peter, espantado.

Alguns segundos depois, todas as luzes de Manhattan haviam se apagado. Olhando em direção ao Queens, paraquedistas inimigos desciam.

— Vocês têm alguma coisa elétrica com vocês? – Perguntei.

— Miras, rádios, GPS, um monte de coisa. – Respondeu James.

— Joguem tudo fora.

— Por que? – Perguntou Aaron.

— O P.E.M. frita qualquer coisa elétrica, então, tudo isso é inútil, fora que, se eles entraram em curto, podem explodir.

A mira do meu rifle faiscava. Arranquei-a dele e levantei a mira de ferro.

— Suas miras também estão faiscando?

— Sim. – Responderam.

— Vão ter que se livrar delas também.

Um F-5 passou em rasante por nós. O céu estava cheio deles.

Começamos a juntar tudo que havia fritado em uma pilha. Peter ainda estava com seu rádio.

— Peter, joga esse rádio fora. – Disse.

— Ele ainda funciona.

— Sério?

— Sim.

Ele aumentou o volume do rádio. “A todos os soldados ainda na escuta, avisem os outros que estão impossibilitados de se comunicarem para irem para a ilha de Staten para evacuação...”

“Nova Iorque foi perdida! Repito, Nova Iorque foi perdida!”

E a mensagem se repetia.

— Ilha de Staten... – Murmurou James. – Fica a quase 30 milhas daqui.... É mais de meia hora a carro, só que não tem mais carros funcionando, não é?

— Sim. – Respondi.

— Completamente inviável, pensando que a gente tem que passar pelo Brooklyn, que fica do lado do Queens. – Disse Aaron.

— Mas tem a ponte do Rio Hudson... – Apontou Peter.

Um F-5 soltou uma bomba na ponte, destruindo nossos reforços.

— Droga!

Aviões cargueiros soltavam vários T-72 com paraquedas.

— Agora ficou pior ainda...

— A gente tem que sair daqui de cima, se não quisermos morrer para algum J.D.A.M.

— Sim, capitã! – Disseram.

Descemos as escadas correndo, parei-os na porta.

— Lembrem-se: se virem alguém, usem o código.

— Tudo bem. – Disseram.

Estávamos abrindo a porta, quando um T-72 passou pela rua.

— Bem perigoso... vamos pela saída dos fundos.

Saímos com sucesso.

— Temos quantas balas? – Perguntei.

— Eu tenho 6 carregadores de M4 cheios e 3 de M9. – Disse James.

— 3 de M249 e 4 de Desert Eagle. – Disse Peter.

— 5 de UTS-15 e 4 de G18. – Disse Aaron.

— Eu tenho 4 de SR-25 e 3 de P99. Temos munição o suficiente para alguns combates, mas é melhor atirar só quando realmente for necessário.

— Certo. – Concordaram.

Era meia noite, Manhattan queimava por causa dos aviões abatidos. O Empire State estava com um buraco em sua lateral, condenado a cair. O novo World Trade Center, ainda em construção, não era diferente.

O rádio repetiu a mesma mensagem até sua bateria acabar.

Nosso primeiro combate aconteceu às 00h37m. Estávamos passando por uma pequena rua, quando vimos alguns soldados.

— Raio! – Gritei.

Eles se viraram para nós.

— Falem trovão... – Resmungou Aaron.

Três segundos se passaram.

Eles apontaram as armas para nós.

— Atirem! – Ordenei.

Antes que eles pudessem atirar, já havíamos matado todos.

Andamos mais um pouco, até que ouvimos mais passos vindo de uma travessa. Encostamos na parede.

— Raio! – Gritou James.

— Trovão! – Responderam.

Saímos de nossa cobertura.

— É bom achar mais soldados por aqui. Quem são vocês? – Perguntei.

— Somos da 45° divisão de reforço da F.E.B. – Disse um deles.

— F.E.B.? – Perguntou Aaron.

— Força Expedicionária Brasileira. – Disse.

— Exatamente. – O soldado confirmou.

— Como vocês vieram parar aqui?

— Nós íamos pousar no J.F.K. para reabastecer e depois ir para a Europa. Mas, sabe, aconteceu tudo isso e, agora, estamos aqui.

— Que má sorte.

— Vocês também estão indos para Staten?

— Sim.

— É melhor juntarmos nossos pelotões. Quem é o líder de vocês?

— Eu. – Respondi.

— Certo. Me chamo Jack, é bom te conhecer.

— Nick.

— Steve.

— Frank.

Nos apresentamos também.

— É melhor irmos andando. – Disse. – Com certeza estão à nossa procura.

— É verdade. – Concordou Frank.

Estávamos passando pela Times Square. Por algum motivo estranho, ela estava vazia.

Parecia um lugar muito calmo, até que, no meio da rua, um disparo atingiu James.

— Atirador! – Gritei.

Aaron carregou James e nós saímos correndo até ficarmos fora do alcance do atirador.

James sangrava por um ferimento letal causado por uma bala .338 no chão gelado. Ele não conseguia falar, estava pálido e tremia.

— Cuidem dele, eu vou atrás do atirador. – Disse.

— Mas, e se você morrer, capitã? – Questionou Peter.

— Se eu morrer, vocês fogem. Mas, como líder, eu quero dar o troco nele.

— Tudo bem, boa sorte.

— Obrigada.

Corri em ziguezagues pela rua, assim, o atirador não conseguia acertar-me. Saí de seu campo de visão pela lateral do prédio em que ele estava.

Subi as escadas lentamente, até chegar no telhado, onde ele estava.

Ele percebeu minha presença e avançou com sua faca, entramos em luta corporal, um chute em seu braço fez soltar a faca, rapidamente, ele socou meu rosto e me empurrou até chegarmos próximos à beirada do prédio. Ele tentou me empurrar para a queda, mas o agarrei e o joguei lá de cima.

— Isso é pelo James. – Disse, limpando o sangue que saía de minha boca.

Voltei até eles, infelizmente, James já não estava mais entre nós. Eles estavam abalados, até os soldados da F.E.B.

— De qualquer maneira, nós temos que chegar em Staten. – Disse.

— Como você não fica abalada? – Perguntou Aaron.

— Claro que eu fico. Mas, como líder, eu tenho que parecer sempre forte, assim, o esquadrão também fica. Sabe... eu escutei em algum lugar, que, quando um soldado morre, ele morreu para salvar 10, 100, ou, quem sabe, 1000 aliados.

— Entendo...

— Estão prontos?

— Sim.

— Então, vamos.

Seguir pela Primeira Avenida era bem perigoso, então, deveríamos ir por ruas menores e menos movimentadas. Casas em chamas, destroços, cadáveres de civis e de soldados de ambos os lados eram a paisagem de Manhattan naquela noite.

Em Cherry Street, demos de cara com mais soldados, dessa vez, eles reagiram. Buscamos cobertura. Eram cerca de 30 inimigos. As balas cortavam o ar ao nosso lado.

— Não dá pra acertar eles! – Disse Nick.

Procurei pelo meu cinto uma granada, havia apenas uma.

— Alguém tem um espelho? – Perguntei.

— Eu tenho. – Respondeu Steve.

Ele me entregou o espelho, o usei para ver onde os inimigos estavam.

— Eu vou jogar uma granada, me deem cobertura.

— Certo.

Tirei o pino da granada, saí da cobertura e arremessei. Ela explodiu lançando alguns soldados para o alto.

Uma bala de MP5 acertou meu ombro. Assim que senti o impacto, voltei para a cobertura.

— Capitã! – Exclamou Peter.

— Eu estou bem, foi uma bala 9 milímetros, não faz muito estrago.

Mesmo assim, a ferida queimava e sangue saía dela.

— Eu tenho bandagens, eu posso te ajudar. – Ele disse.

— Quantas você tem?

— Uma mala cheia.

— Tudo bem, pode me ajudar.

Ele retirou a bala com uma ferramenta, cauterizou a ferida e parou o sangramento.

— Obrigada.

— Você é a capitã, é dever nosso protege-la.

Ainda estávamos sem conseguir acertá-los.

— Granada de luz! – Sinalizou Jack, arremessando-a.

Ela explodiu e todos nós começamos a atirar neles.

Em poucos segundos, já estavam todos mortos, nos espalhamos um pouco para realmente confirmarmos tal fato.

Steve estava na frente, de repente, um disparo de tanque o atingiu em cheio.

— Steve! – Gritou Nick.

Ele pegou um lança-foguetes que carregava nas costas, enfurecido, disparou contra o tanque. Seu canhão ficou danificado e fumaça saía de onde os operadores estavam.

— Desgraçados!

Ele correu para cima do tanque, abriu a escotilha e disparou todas as 100 balas que estavam no tambor de sua metralhadora. Depois que a adrenalina passou, caiu de joelhos. Seus amigos foram consolá-lo.

“Menos dois”.

Alguns segundos depois, entrei no tanque. Praticamente todos os eletrônicos tinham buracos de bala, menos um: o rádio.

Sintonizei na frequência da USMC.

“Metade dos transportes já foram evacuados, venham o mais rápido possível”.

— Realmente não é fácil para você, não é? – Perguntou Aaron.

— Achei que você estava com os outros.

— Depois de ver a sua cara, achei que seria melhor falar com você.

— Eu estou bem...

— Tem certeza? Não é bom mentir para si mesma, sabia?

— Eu sabia que coisas assim iam acontecer, antes de voltar.

— É melhor não se preocupar com o que vai acontecer, ainda mais, porque, tudo vai ficar bem, nós vamos chegar nos transportes a tempo.

— Você... sempre tão positivo, é bom ter alguém assim em um pelotão.

Ele apenas sorriu e foi ao encontro dos outros.

“Os transportes apenas ficarão em Staten até o amanhecer, depois disso, o protocolo M.A.D. será acionado”.

E então, a mensagem voltava para o início.

Andei para perto de todos.

— Estamos prontos para ir. – Disse Frank.

— Todos estão bem? – Perguntei.

Eles sinalizaram positivamente.

— Vamos continuar o nosso caminho.

A ponte estava bem perto, então chegamos à ela rapidamente. Só havia um problema: Estava totalmente bloqueada por destroços. Impossível de se prosseguir, andamos até a ponte do Brooklyn.

No meio dela, um Black Hawk passou por nós.

— Aqui! – Gritamos.

O helicóptero nos avistou e se aproximou um pouco, até ser derrubado por um caça. Mas não foi apenas o Black Hawk que notou nossa presença.

O caça disparou um AGM-65, ele era tão rápido que não tivemos tempo de reagir, o míssil nos acertou e separou um lado da ponte do outro. Apaguei por algum tempo por causa da explosão.

Quando acordei, estava com um pedaço de aço cravado na mão esquerda, também havia um estilhaço em minha perna direita.

— Ei. – Chamei.

Ele se virou e consegui identificar seu rosto: Peter.

Ele estava sem ferimentos, mas acabado, sua expressão facial era horrível, fuligem cobria seu uniforme.

Ele parou e me ajudou a levantar.

— Consegue ficar de pé? – Ele perguntou.

— Sim. – Respondi.

— Você é inabalável mesmo. Até depois daquela explosão, consegue se levantar.

— O que aconteceu?

— Acabamos nos separando. Nick, Frank e Aaron ficaram do outro lado da ponte. Jack morreu na hora. Achei que você também tivesse morrido.

“Menos três e, possivelmente, menos seis”.

— Onde estamos?

— No meio do caminho entre o Brooklyn e Staten.

— Quanto tempo se passou?

— Agora são oito para as quatro da manhã.

— Bastante tempo. É melhor nos apressarmos, os transportes vão embora ao amanhecer.

— É melhor nos apressarmos.

Começamos a correr. Minha mão esquerda estava cheia de sangue, mas não sangrava mais, diferente de minha perna esquerda.

Em uma esquina, demos de frente com quatro inimigos. Saquei minha pistola, ele, sua M249.

Para nossa sorte, não fomos atingidos, mas, para nosso azar, alertamos vários inimigos. Tivemos que correr mais rápido ainda. Disparos passavam por nós, soldados gritavam para pararmos ou nos rendermos.

Continuou assim até encontrarmos um helicóptero de combate, então, corremos para um conjunto de casas para despistá-lo.

— Isso vai desacelerar eles. – Disse Peter, empurrando alguns móveis nas portas. – Por enquanto, temos que andar cautelosamente até chegar na ponte.

Assim que ele disse isso, ouvimos o barulho do motor de um tanque. Nos abaixamos.

Aparentemente, ele disparou para cima e atingiu algo.

E então, algo despencou e atingiu a estrutura em que estávamos. Uma parede desmoronou em cima de mim. Novamente, apaguei.

Pensei que estava morta, até quando abri os olhos.

Peter estava ensanguentado e se esforçava para me retirar dos destroços.

— Vamos... – Murmurou.

Ele deu o máximo de si para me tirar de lá.

— Você tem que correr, rápido! – Ele disse.

— Eu? Por que eu?

— Porque você é a capitã, nós temos que te proteger. Além do mais, eu estou em piores condições, se eu for, é bem possível que eu morra, você ainda tem chances de sobreviver. Agora... vai... eles estão vindo e eu estou quase sem munição.

Me levantei e ele me empurrou.

— Corra! E não olhe para trás!

Mesmo querendo que ele não tivesse feito aquilo, corri com todas as forças que tinha.

Os ossos doíam, tudo doía. Falta de ar, de força. O mundo estava preto e branco.

Aparentemente, não havia motivo para estar assim, não havia nenhum ferimento a mais do que antes.

O som se distorcia, a noite se transformava em dia. O amanhecer. O último transporte. A minha última chance de sair viva. À minha direita, uma batalha ocorria. Correr mais seria a transição entre uma zona hostil para uma zona de evacuação.

E então, eu vi os barcos, prontos para partir, os últimos helicópteros retornavam para eles, os soldados voltavam para lá.

Estava quase tudo escuro quando cheguei na metade da ponte.

Agora, todo o som era suprimido pelos meus batimentos e pela minha mente trabalhando.

— Aqui! – Gritavam alguns soldados, para mim. Mas seus gritos eram substituídos pela voz do me esquadrão, agora morto.

Comecei a perder a força, a caminhar, e então, caí aos pés de um soldado, que começou a me carregar para os transportes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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