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História Look After You - Capítulo 14


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Capítulo 14 - •Thirteen•



1...2...3 dias se passaram. 


Nossa rotina era acordar de manhã, descíamos para a cozinha, Yukhei e Nari faziam o café da manhã. Passavamos a manhã preguiçosa, depois almoçavamos, Yukhei saia para "resolver alguns assuntos", Renjun passava a tarde conosco. Nari e eu faziamos o jantar, Yukhei chegava (normalmente com mais "presentinhos"), jantavamos juntos, ficavamos no sofá assistindo TV ou jogando algum jogo, depois íamos dormir. 


Todas as noites ele dormia comigo. 


Na nossa terceira noite na casa, eu tentei dormir sozinho, mas novamente tive crise, comecei a chorar, me culpei por ser fraco. Mas até o soar do vento fora da janela, me fazia lembrar do alfa rondando a minha casa. Eu tinha a nítida impressão que alguém invadiria o meu quarto e.. 


Fechei meus olhos bem apertados, mesmo assim as lágrimas rolaram para fora. Eu não queria viver desse jeito, eu não aguentava aquilo! 


Um cheiro familiar e aconchegante me tomou, braços me envolveram e eu pude dormir em paz. Foi assim que, sem falar nada, criamos a nossa rotina. 


– Eu vou coloca-la na cama dela, já vou para a nossa – ele me disse na noite passada, segurando Nari adormecida nos braços. Eu confirmei com a cabeça e fui para o meu quarto, que tinha acabado virando o nosso.


Era normal, eu me trocava já estava ficando bom em fazer isso com uma mão só, Yunkhei e eu escovámos os dentes, ele se trocava, deitavámos na cama e ficávamos conversando até dormir. 


Ele me contava as coisas engraçadas, coisas como da vez que Baekhyun jogou água no cabelo do Jaemin e teve que correr para se esconder atrás do seu alfa, já que o Na jurou mata-lo. Ou como Jeno morre de ciúmes de quando o Renjun chega perto do Yunho, porque o ômega e o beta "ficavam" antes do Renjun conhecer o Jeno e Jaemin. 


Yunkhei nunca me contava sobre o que eles faziam ou que coisas eles iam resolver. Uma vez me disse para quê, se eu tivesse medo ou dúvidas sobre eles, era para lembrar que ninguém inocente estava envolvido. 


O que ele não sabia é que eu nunca teria medo dele.


                           💚💚💚


– Preparado? – Xuxi me perguntou quando estacionou o carro na frente da minha antiga casa. 


– Sim, acho que sim – respondi e respirei fundo. 


Nós tinhamos deixado Nari na escola, era a primeira vez que ela ia para a escola depois de tudo o que aconteceu. Eu estava preocupado com a readaptação dela no ambiente escolar, mas Yunkhei me disse que garantiu que tudo ficaria bem. Eu não questionei, mas também não entendi. 


Entramos na casa, continuava tudo exatamente igual, mesmos móveis, mesma pintura, mesma decoração, mas parecia totalmente diferente para mim. Eu não reconhecia mais aquele lugar como lar, aquela não era a minha casa! 


– Se quiser, podemos ir embora e esquecer tudo isso aqui – Yukhei disse vendo minha reação, eu mal respirava. 


– Não, tudo bem, eu preciso fazer isso! 


Não havia sinal de sangue ou cacos de vidro, a janela quebrada tinha sido tampada com madeira. A casa também não cheirava mal, aparentemente Jeno tinha mandado alguém vir limpa-la. Nem o meu cheiro ou de Nari estavam ali, muito menos o de Jaeho. 


– Chegaaayyyyy! – Renjun gritou, entrando com Jaemin. 


– Você tem que fazer isso toda vez? – Jaemin perguntou.


– Cale-se servo e me traga um chocolate quente! – Ren respondeu. Jaemin mordeu o pescoço dele e sussurrou algo, na hora Yunkhei tampou as minhas orelhas para eu não ouvir o que era, o que me fez rir. 


– Parem com isso! – Yunkhei bufou irritado Francamente, vocês não sabem se controlar? 


– Puritano! – Renjun mostrou a lingua – Vamos começar a arrumar isso, porque hoje é a noite da pizza e isso é sagrado! 


– Sabe Woonie – Jaemin me disse quando entramos no quarto que era de Jaeho – Acho que só o meu closet é do tamanho desse quarto. Dá pra atravessar esse quarto em três passos, olha, um, dois, três. 


– Jaemin – Yunkhei reclamou. 


– Xuxi, é verdade. Se eu rodar aqui, eu vou bater em alguma coisa – ele insistiu. 


- Eu que vou bater em você – Yunkhei murmurou, fazendo Ren e eu rirmos. 


- O que fazemos com as roupas dele? – Renjun perguntou segurando uma camisa de Jaeho com a ponta dos dedos e expressão de nojo. 


– Não sei, doar? – perguntei. 


– Queime tudo – Yunkhei falou distraido – nem para doar isso serve.


- Beleza – Jaemin disse já acendendo o isqueiro com um sorriso no rosto. Acho que ele amava fogo. 


– Hey, nada de fogo aqui dentro! – falei – E existem várias obras de caridade para que podemos doar. 


– Ninguém merece essas coisas – Yukhei resmungou. 


- Olhem, uma caixa escondida – Ren falou remexendo no closet – Será que é aqui que o Jungwoo guarda as suas lingeries? – ele falou malicioso. 


– RENJUN! – gritei morto de vergonha – Eu nem sei o que é isso aí. 


– Vai me dizer que não tem nada escondido. – ele me provocou e eu poderia sufoca-lo com o travesseiro. 


– Primeiro, não tem nada meu nesse quarto. Segundo, eu dividi o guarda roupa com a minha filha. Terceiro, assim que estivermos sozinhos, eu vou te matar – eu rosnei, Renjun riu e Jaemin continuou mexendo na tal caixa. 


– Parece um gatinho com raiva - Yunkhei me o com abraçou pela cintura e beijou minha cabeça, eu bufei irritado, o que os fez rir ainda mais.


                          💚💚💚


– Já vou – eu falei alto para quem estava batendo na porta – Ren, pare com isso! – eu ri. 


Yukhei e Jaemin tinham saído para comprar comida. Wong ia aproveitar para buscar Nari na escola e Jaemin foi buscar Jeno, ele tinha levado a caixa com ele. 


No momento, a sala da minha antiga casa estava cheia de caixas, tinhamos empacotado todas as minhas coisas e separado entre o que íamos levar para a casa de Yunkhei, o que íamos doar e "Queimar até virarem cinzas", de acordo com com o Xuxi. Fui até a porta para a abri-lá. 


– Oi.. 


A minha fala foi interrompida por um forte tapa na minha cara. 


– Seu ômega imundo! Você matou o meu filho! Park Eujin, a mãe de Jaeho gritava comigo – Eu sabia que você era uma puta! Eu sabia! Meu filho morreu por sua causa, seu vagabundo. 


– Pare! – pedi, tentando me proteger dos tapas. 


– Puta! – ela gritava – Assassino! Jaeho está morto por sua causa! 


– Vadia louca! – Renjun entrou a empurrando, fazendo a mesma tombar para o lado, e me puxou para ele quando chegou perto de mim. – Woonie, você está sangrando!


Coloquei minha mão na minha testa, os tapas devem ter aberto um ou dois pontos, o suficiente para o sangue escorrer pelo meu rosto. 


– Estou bem – respondi, ainda um pouco artodoado. – Você precisa ir para o Hospital – Renjun insistiu – no mínimo precisamos ir ver o Chany, ele vai cuidar de você. 


– Isso, corra atrás de outro Alfa – Eujin cuspia as palavras com raiva – Destrua a vida de outro como você fez com o meu filho! 


– Eu destruí a vida do seu filho? Eu? – perguntei revoltado. 


– Sim, na hora que você agiu como um vadio que é, seduziu meu filho e engravidou dele! 


– Eu tinha dezessete anos! – eu explodi – Ele abusou de mim! E fez isso várias vezes durante esses anos! 


– Meu filho nunca... 


– Seu filho era um monstro! E, quer saber? – me aproximei dela – Eu estou muito feliz que ele está morto! 


Ela ofegou de surpresa, eu nunca a tinha enfrentado. Acho que eu nunca tinha enfrentado ninguém assim. Mas logo seus olhos brilharam de raiva, ela levantou a mão, pronta para me dar um tapa muito fortes. Só que, antes que encostasse em mim, segurei seu punho.


– Ninguém, nunca mais, vai encostar a mão em mim – eu falei calmamente e a empurrei. 


– Você...Você. Eu quero você fora dessa casa! ela gritou. 


– Pois bem, que assim seja. Daqui a pouco eu saio dessa casa e nunca mais porei os pés aqui. 


– Você não vai receber nenhum centavo meu! 


– E por acaso eu pedi? – perguntei irônico – Nunca precisei de vocês, não seria agora que ia precisar. 


– Woonie, coloque isso – Ren me entregou uma pequena toalha com gelo enrolado nela – vai ajudar. A madame ainda está aqui? – ele perguntou divertido para a mulher que tentava me ameaçar. 


– Você vai ver – ela apontava o dedo furiosamente para mim – eu vou me vingar pelo o que você fez com o meu filho! Você vai pagar! 


Eu revirei os olhos, eu mereço! 


– Mamãe, eu falei para me esperar! – um alfa entrou na casa, ele olhava tudo com nojo. Eu reconhecia ele, era ChungHo, um dos irmãos de Jaeho. 


– Isso fica cada vez mais divertido! – Renjun exclamou sorrindo.


– Veja ChungHo, foi esse ômega que destruiu a vida do seu irmão – Eunjin apontava para mim – tudo isso é culpa dele! Ele matou o seu irmão! 


A pronto, agora a madame vai me culpa por tudo sobre Jaeho. 


– Não foi o Jungwoo, foi o alfa dele – Ren a corrigiu. 


– Renjun, não piore as coisas! – eu o reprendi – Escutem, eu já vou levar minhas coisas daqui, aí nunca mais precisaremos nos ver. Vou deixar tudo o que for do Jaeho aqui e vocês decidem o que fazer, apenas levarei o que for meu e da minha filha. 


– Filha? Aquele erro que desgraçou a vida do meu filho? – Eunjin gritava como louca – Você não sabe como eu rezei para que você abortasse, mas Deus castigou o meu filho com essa criança maldita! – ela cuspia as palavras, meu sangue ferveu – Eu deveria tirá-la de você, só para você sofrer como eu sofri! 


– Nem pense em chegar perto da minha filha! – eu rosnei para ela – Ou, eu juro, vocês vão morrer! 


- E é você que vai fazer isso? – ChungHo veio até mim arrogante – Eu sou um advogado famoso, minha família é rica. Você não passa de um ômegazinho qualquer, sem dinheiro e sem casa. Eu posso destruir você nos tribunais e arrancar sua filhotinha de você – então ele me olhou de cima a baixo, de uma forma muito nojenta – ou podemos chegar em um acordo.


– Tsc tsc – Ren provocou – mais iludido de quem acha que o Yukhei é hetero – ele riu da própria piada – Se o Woonie pedir a cabeça de vocês em uma bandeja de prata, a única pergunta vai ser "qual o tipo de bandeja que você quer?". 


– Yukhei ? – ChungHo perguntou sem entender. 


- O meu Alfa! – respondi encarando o Lee nos olhos. Pela primeira vez, eu não abaixei a cabeça – Saiam daqui e eu posso fingir que não aconteceu nada. Mas se insistirem nesse assunto, a próxima vez que eu os verei, será no funeral de vocês! 


Os dois me encaram surpresos, demoraram mais de um minuto para falarem algo. 


– Então você já colocou um alfa qualquer para dentro de casa? – Eunjin provocou, mas antes que eu respondesse, outra voz fez por mim. 


– Qualquer? Já me chamaram de muitas coisas, mas nunca de qualquer – Yukhei estava no batente da porta, ele segurava Nari no seu colo, que nos olhava desconfiada – Meu amor – ele falou para ela – vá com o tio Ren no seu antigo quarto, escolha quais bichinhos você vai levar agora e quais vão nas caixas, depois podem ir pro carro. Enquanto isso o papai vai conversar com essas pessoas, tudo bem? 


– Papai Xuxi vai castigar pessoas más por terem sido más com o papai Woonie? – ela perguntou tranquilamente. – Com certeza – Yukhei respondeu sorrindo.


– Tá bom – Nari sorriu – vamos RenRen – então ela pegou na mão de Ren e eles subiram as escadas. 


– Olhe – ChungHo começou a falar – antes de tudo, eu queria falar que... 


- Cale a boca! – Yunkhei o empurrou tão forte, que ChungHo foi parar contra a parede oposta – Eu falo, vocês apenas respondem se eu perguntar. Vamos esclarecer algumas coisas. Jaeho era um VERME DESPREZÍVEL, que se juntou a uma gangue e começaram a fazer assaltos. Ele foi ganhando confiança e achou que poderia me roubar. Park Jaeho foi ambicioso e se esqueceu de uma coisa muito importante: nunca cruzar o meu caminho! 


Yunkhei podia ser assustador quando queria, Eunjin tentou responder, mas ChungHo a impediu. 


– Fique quieta! Ele é Wong Yukhei ! – então Eunjin engoliu em seco. 


– Já que deixamos isso claro, vamos a outro detalhe – Wong continuou – Eu sou um Alfa Lúpus Puro, eu sigo o Código de Conduta dos Alfas. Jaeho roubou uma enorme quantia minha e feriu dois homens meus no processo, então eu tive o prazer de o matar. Agora Woonie e Nari são a minha família e eu protejo a minha família. 


Sem esforço nenhum, Yunkhei deu um soco na parede que rachou todo o gesso que a revestia. Do chão até o teto.


Ele foi se aproximando deles, lentamente, como um predador se aproxima da presa. ChungHo e Eunjin recuaram até não terem mais para onde irem. 


– Jungwoo é Meu Ômega! Nari é a Minha Filha! Se vocês tentarem, por menor que seja, fazer mal a eles, é comigo que vocês precisam se preocupar. Jungwoo até pode perdoar, mas eu nunca perdôo – Yunkhei socou a parede de novo, dessa vez ainda mais forte. O que fez um barulho muito alto e blocos inteiros de gesso caírem da parede e do teto – Amanhã a chave dessa casa estará na caixa do correio, vocês podem fazer o quiserem com essa espelunca. Nunca mais precisarão ver a minha família e se por acaso se aproximarem deles, já sabem – ele falou limpando a poeira do punho - Dêem o fora daqui! 


ChungHo saiu praticamente correndo, arrastando a mãe. Eu me joguei nos braços de Yunkhei, o abraçando forte. 


Levamos nossas coisas para o carro, eram tão poucas coisas, que couberam tudo no porta malas do carro. Depois fomos para a pizzaria, encontrar com Jaemin e Jeno. 


Jaemin estava disposto a pegar o endereço da família de Jaeho para"fazer uma visitinha", Jeno teve que convencê-lo do contrário. Só que pela troca de olhares entre Jaemin e Yukhei, não sei se ele realmente mudou de ideia.


A noite foi divertida, quase esqueci por completo do que tinha acontecido. A não ser quando Yunkhei começava a resmungar algo como "machucaram seu rosto, eu deveria ter quebrado alguns dos ossos deles" ou coisas assim. 


Mas o que realmente não saía da minha cabeça foi quando ele disse "Jungwoo é Meu Ômega". Minhas experiências com alfas nunca foram boas e eu nunca senti que poderia ser amado ou qualquer coisa assim. Eu nunca tive alguém que me achasse bonito, inteligente e que me fizesse me sentir especial. 


Eu já tinha aceitado que eu não tinha nascido para ser amado e ser feliz, quando, do nada, entra um ALFA LÚPUS PURO na minha vida e a vira de cabeça para baixo. 


– Tudo bem Woonie? – Yunkhei perguntou, ele tinha acabado de levar a Nari para a cama dela. 


Estávamos em casa, quer dizer, na casa dele! 


Mesmo que o tal apartamento já estivesse praticamente pronto, Yunkhei disse que se sentiria melhor se nós só nos mudessemos quando eu tirasse a imobilização do braço e o médico dissesse que eu já estava totalmente recuperado. Eu não me opus, eu já estava entrando em pânico só de me imaginar dormindo sem ele. 


– Sim, eu só estava pensando – eu estava de frente para a lareira. Para variar, era uma noite muito fria em Seoul. 


– Você quer falar sobre isso que está pensando?


- Provalvemente você vai me achar um idiota. 


– Jungwoo, eu já disse que qualquer coisa que você queira me falar, é importante. Eu não vou te julgar ou rir de você, você pode me falar qualquer coisa. 


– Você disse que eu sou seu ômega – eu falei rapidamente. 


– Sim, bem – Yunkhei parecia envergonhado. O que chegava a ser engraçado, já que poucas horas antes ele estava ameaçando pessoas sem problema nenhum – Quando eu estava chegando, eu ouvi você me chamando de seu alfa e, meio que, eu sinto que você é, sabe, meu – ele falava tímido – você não gostou? – Yunkhei mordia o lábio nervosamente. 


- Você me quer como seu ômega? – perguntei sorrindo. 


– Sim – ele confirmou com a cabeça rapidamente. Nem parecia o Alfa poderoso que era, parecia um garoto perto da sua paixão e era por isso que eu sorria. Porque eu também me sentia assim.


Segurei seu rosto com a minha mão, a que não estava imobilizada, seus olhos brilhavam, assim como os meus. Aproximei meu rosto do seu e encostei meu lábios nos seus. Não foi um choque de sentimentos, foi uma inundação. Durante um segundo ficamos parados assim, apenas com um sentindo os lábios do outro. Então Yunkhei envolveu minha cintura com seus braços, me puxando para ainda mais perto. Seus lábios se entreabriram sua língua pediu passagem e eu a concedi. Assim que um passou a explorar a boca do outro, eu senti como se um muro dentro de mim tivesse caído e então eu fui inundado por todos os sentimentos, que eu tentava negar, que eu sentia por ele. 


O beijo era tão intenso e ao mesmo tempo tão carinhoso, que tudo que não fosse nós dois, pelo menos naquele momento, deixou de existir.



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