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História Look After You - Capítulo 9


Escrita por: _Harumy_

Capítulo 9 - Cap. VIII


Fanfic / Fanfiction Look After You - Capítulo 9 - Cap. VIII

Era madrugada, todos já tinham ido embora. Karma foi o último a sair, só indo depois que Emi já tinha dormido. Ele tinha me dito que voltaria antes do almoço, porque nos levaria para almoçar fora.

Emi dormia confortavelmente em sua cama, cercada pelos novos bichinhos de pelúcia, tinham tantos, que eu quase perdia a minha filhote no meio de tanta coisa.

Baterem na porta desesperadamente, a ponto de me acordar assustado. Emi se mexeu na cama, nas afaguei os seus cabelos e ela voltou a dormir. Desci as escadas com medo, quem estava batendo a porta parecia querer derruba-la.

— Quem é? — perguntei.

— Nagisa, é o Yoro, abre a porta! — Yoro era um dos amigos de Taywa.

— Ele não está — eu respondi.

— Ele está morto? É verdade que Taywa está morto?

— Sim — eu respondi, ainda sem abrir a porta.

— Meu amigo está morto! Taywa foi morto! — ele parecia choramingar — Abre essa porta! Nagisa, abre essa porta! — ele batia com força, fazendo a porta tremer.

— Papai? — Emi estava na escada, assustada.

— Amor, suba para o quarto e se tranque lá. Você só abre a porta se o papai pedir, entendeu? — Emi confirmou com a cabeça, o alfa ainda batia, logo a porta iria ceder — O celular do papai está lá em cima, lembra que eu te ensinei a usar? Agora vai para o seu quarto.

— Mas e você?

— Eu vou resolver tudo aqui e já subo, agora vai lá! — eu a empurrei escada acima, ela deu uma olhada e saiu correndo, só fiquei aliviado quando ouvi a porta do quarto sendo trancada.

— ABRE ESSA PORTA NAGISA! ABRE AGORA!

— Yoro, vá embora, eu vou chamar a polícia! — eu gritei.

— ABRA A PORTA! — ele usava a voz de alfa, gritava sem parar que eu tinha que abrir a porta. Meus ouvidos doíam, eu tampei com as mãos, mas ainda assim era agonizante.

Meu instinto queria me obrigar a obedecer, principalmente agora que eu não tinha mais um Alfa, eu estava suscetível a qualquer outro. Mas eu lutava contra, não era só a minha vida, era a da minha filhote que estava em jogo.

— ABRA!

— Não! — eu chorava com a dor — Vai embora! — implorei.

— NAGISA — ele rosnou, fazendo um dos meus ouvidos sangrarem — OBEDEÇA! ABRA A PORTA!

Quando percebi, estava com a chave na minha mão, desesperado, eu usei as minhas forças para jogar a chave longe, indo parar debaixo de um dos armários da cozinha.

Yoro parou de bater, eu respirei aliviado apenas por segundos, porque ele voltou a bater na porta dos fundos, tentando forçar a entrada.

— ABRA! — ele gritava e agradeci imensamente por Karma ter trocado aquela porta. Se fosse a antiga, teria cedido no primeiro golpe.

— NÃO! — gritei de volta — VÁ EMBORA!

Eu o ouvi andando em volta da casa, eu me sentia uma presa prestes a ser atacada. Sei que era inútil, mas rezava para que algum dos vizinhos ouvisse a confusão e chamassem a polícia.

Um barulho muito alto e vidro voou por todos os lados. A janela do corredor, a mesma que Taywa tinha me empurrado repetidas vezes até que um dos vidros quebrasse sobre as minhas costas, agora estava totalmente quebrada, Yoro usou isso para entrar na minha casa e veio na minha direção, furioso.

— CADÊ O DINHEIRO?

— Do que você está falando? Saia daqui!

— Taywa morreu me devendo dinheiro! Nós fizemos um trabalho grande, ele falou que ia pagar a gente, mas não pagou! Eu quero meu dinheiro! — ele revirava tudo, destruindo a minha casa, mas não encontraria dinheiro nenhum, porque o que tinha em casa, Asano tinha levado para depositar no banco deles. Ele havia tinha dito que não era seguro guardar uma quantia tão grande em casa, principalmente naquele bairro perigoso.

— Yoro! Vai embora! Não tem dinheiro aqui!

— Não! Eu preciso do dinheiro! Eu sei que foi o bando do Akabane que pegou ele, agora vão vir atrás de mim, mas eu não sou burro! Vou pegar o meu dinheiro e vou sumir! Era muita grana, dá pra viver um tempo em outro lugar! Cadê a porra do dinheiro?

— NÃO TEM DINHEIRO! — gritei — Ele não guardava aqui!

— Se você estiver mentindo. . . — nisso ouvimos um pequeno barulho na parte de cima da casa — Quer saber? Se não tem dinheiro, eu levo a menina, ela é bonita, vale muito dinheiro no mercado negro!

— Você não vai encostar um dedo na minha filha! — gritei.

— E quem vai me impedir? — ele me agarrou pelo pescoço, me batendo contra a parede — Você é um ômega muito gostoso, toda a nossa turma vivia querendo foder você, mas o Taywa falava que você não servia nem para isso, só que eu acho que é ele não sabia te foder direito — ele dizia próximo demais, sua outra mão passava pelo meu corpo.

— Me solta! — tentei empurra-lo.

— Sabia que Taywa resolveu leiloar você? Se Akabane não tivesse pegado ele, hoje você estaria sendo a putinha de alguém e tinha vários querendo pagar para foder você — meus olhos queimaram com as lágrimas — Sabe o que eu vou fazer? Vou foder você com força, vou te partir no meio, vou te deixar sangrando aqui nesse chão. Depois eu vou pegar a aquela pirralha e sumir desse país!

Quando ele se aproximou de mim, dei uma joelhada muito forte no seu saco e soquei seu nariz, ele caiu de joelhos gritando de dor. Tentei correr, mas agarrou o meu tornozelo e me puxou com força, eu caí batendo o meu rosto no sofá. Isso rasgou meu supercílio, fazendo sangue escorrer pelo meu rosto, também caí de mal jeito em cima do meu braço esquerdo.

— Seu. . . Ômega. . . Filho da puta. . . — ele ofegava de dor, veio até mim e me chutou algumas vezes, barriga, pernas, consegui proteger a cabeça — Sua vontade de lutar, só me dá mais vontade de te foder!

Ele se abaixou, abrindo o cinto da calça. Sentou em cima das minhas pernas, me prendendo embaixo dele.

Yoro tentava segurar meus braços, mas eu me debatia. Ele me deu um soco no rosto, o que também não me parou, eu continuei lutando, o batendo e arranhando como podia. Então ele começou a apertar meu pescoço, tão forte que eu já não tinha ar.

— Mudanças de planos, eu vou matar você, depois usar seu corpo a vontade e. . .

A porta explodiu.

Não existe outra definição, a porta simplesmente explodiu. Foi lançada a frente com tanta força, que acertou a parede opostas, pedaços de madeira, que eram tanto da porta, como do batente, voaram pelo lugar. O barulho foi ensurdecedor.

Mas o que me acalmou, foi quem causou tudo aquilo. A figura que tomava todo o espaço que antes era a porta, tão carregado de ódio, que era quase possível ver as ondas escuras emanando do seu corpo. Provavelmente assustaria qualquer um, porque realmente era uma visão muito assustadora. Mas para mim significava paz, tudo ficaria bem! Yoro foi arrancado de cima de cima de mim, lançado até o outro lado do cômodo como se não fosse nada.

— Nagi — Karma passou a mão pelo meu rosto com tanto carinho, que me fez sorrir. — Emi está no quarto dela, ela está bem. Agora tudo vai ficar bem, obrigado por estar aqui. . . — minha consciência se esvaía do meu corpo. — Eu sempre vou estar com você — senti o toque dos seus lábios na minha testa e foi a última coisa do qual me lembro, antes da escuridão me engolir.

***

Bip bip . . . Bip bip. . . Bip bip. . . Bip bip. . .

Esse barulho chato não me deixava dormir. Abri os olhos com dificuldade, o esquerdo nem abriu direito. Tentei me lembrar o que tinha acontecido e, a medida que as memórias foram voltando, o desespero veio junto. Eu estava em um quarto branco, era um hospital?

Meu braço esquerdo estava imobilizado. Algo prendia meu braço direito, olhei para o lado e vi uma cabeleira avermelhada. Karma estava com a cabeça deitada sobre meu braço, sua mão segurando a minha. Ele abriu os olhos vagarosamente, piscando, então seu olhar se voltou para mim, o que o fez sorrir.

— Hey — ele disse sonolento — como você está?

— Eu não sei, não sinto nada — fiz careta e ele riu baixinho.

— São os remédios para dor, você quer água?

— Muita — eu não tinha percebido o quanto estava com sede até aquele momento.

Karma se levantou, pegou um copo com água e me ajudou a beber. Ele foi bem delicado, mal encostando o copo no meu lábio ferido e apoiando minhas costas com a sua mão livre.

— Obrigado — eu o agradeci — Onde está Emi? Ela está bem?

— Sim, nossa garotinha está ótima — ele disse distraído, jogando o copo descartável fora, sem se dar conta do que tinha falado — está com Maehara, provalvemente se entupindo de chocolates, deixando o Asano louco — eu tive que segurar o riso, porque rir doía — Foi ela que me chamou.

— Como assim? — perguntei surpreso.

— Eu pedi que um dos homens que prestam alguns serviços para mim, ficasse de olho na sua rua, ele me avisou que tinha visto uma movimentação estranha na sua rua — Karma respondeu se sentando do meu lado, segurando a minha mão — Quando eu estava fazendo o retorno para voltar para sua casa, apenas para verificar se vocês estavam bem, Emi me ligou e falou que um amigo do homem mau estava na casa e ela estava com muito medo, porque você estava sozinho com ele. Enquanto eu dirigia de volta para sua casa, ela me explicou melhor a situação. Avisei Asano e Isogai, dirigi o mais rápido que pude. Quando saltei do carro, eu pude ouvir os gritos e... Bem, agora você está aqui e Emi está bem também.

— Ah... — eu não deixei passar que ele não quis me dizer o que tinha acontecido com Yoro, mas eu não me importava mesmo — quando eu disse para Emi usar meu celular, imaginei que ela ligaria para a polícia. Aliás, como ela sabia seu número? Nem eu tenho!

— Ontem a noite eu fiz ela decorar — ele sorriu de canto — Você precisa descansar, o médico disse que você deve ter alta hoje mesmo. Asano falou que amanhã mesmo você já vai ter seu apartamento liberado, no máximo terça-feira vocês já estarão instalados no novo lar, até lá ficarão comigo, tudo bem?

— Você vai mesmo comprar um apartamento? — fiz careta.

— Não há nada no mundo que me faça deixar vocês dois voltarem para aquela casa! — ele disse beijando minha testa — agora você tem que descansar. Logo Maehara chegará aqui com Emi, eles ficarão aqui com você para eu poder resolver algumas coisas.

— Karma — eu segurei sua mão — essas "coisas" tem a ver com ontem a noite.

— Tem tudo a ver!

— Você irá mata-lo?

— Por que? — ele levantou a sobrancelha — Você não irá defende-lo ou vir com essa conversa de "não usar a violência", não é?

— Pelo contrário — respondi — ele repetiu várias vezes que iria "me foder", Yoro realmente pretendia me estuprar. Quando eu resisti, ele resolveu me matar, para depois abusar do meu corpo — Karma trincou o maxilar, respirando ruidosamente. Eu tinha lágrimas nos olhos — Mas o pior parte de tudo que ele queria, é que ele falou que venderia Emi no mercado negro!

— Por que ele queria fazer tudo isso?

— Ele disse Taywa devia dinheiro, que você ia atrás dele e ele precisava fugir, por isso venderia Emi. — Karma respirou fundo, era nítido que ele estava tentando manter o controle sobre si mesmo.

— Está tudo bem — ele limpou as lágrimas que escorriam pelo meu rosto — agora vocês dois estão a salvos e eu nunca vou deixar que nada lhes aconteça, eu prometo!

— Obrigado — sussurrei. Karma ficou afagando os meus cabelos, fechei meus olhos e me permiti sentir aquela paz, se Emi estava bem, era o que interessa.

Mesmo eu não querendo, as lembrancinhas daquela noite invadiram a minha mente. Me lembrei de tudo o que Yoro me falou, do quanto me senti humilhado e usado. A dor de cada segundo de pânico voltou, eu tinha tanta certeza que ele faria tudo aquilo comigo, que dava desespero só de lembrar. Taywa me leiloaria? Era isso mesmo?

Eu realmente não passava de algo, uma coisa sem valor e inútil. Eu sabia que eu não era bonito, mas ser reduzido a uma mera mercadoria sem valor, porque era o único jeito de me tornar útil a algum propósito, doía muito. Dilacerava meu coração saber que minha única qualidade era meu corpo, que nem era tão belo.

— Nagi, calma, está tudo bem, eu estou aqui — Karma me abraçava, ele tinha deitado do meu lado e me apertava em seus braços, tentando me consolar da crise de choro. Até então, eu não tinha percebido que estava chorando, agora convulsionava de tanto chorar — Nagi, pode chorar, faz bem pôr tudo isso para fora. Mas eu estou aqui, eu vou te proteger, eu juro! — em vez de acalmar, me fez chorar ainda mais — Por favor Nagi, me fala o que está te fazendo chorar. O que houve?

— Eu não mereço vocês — falei soluçando entre as lágrimas, me engasgando com a minha própria dor.

— Como assim? Você é a melhor pessoa que eu conheço, você merece o mundo! — ele dizia desesperado — Só um louco acharia o contrário!

— Não. . . Não é verdade. . . Eu sou. . . — eu não conseguia falar de tantas lágrimas — vocês são incríveis. . . Eu não sou nada!

— Nagisa — ele segurou o meu rosto entre as mãos — você é um universo inteiro, lindo e tão profundo, que eu me percaria por vontade própria e sem nem hesitar. Você é tão incrível, que é realmente difícil de acreditar que você é real. Mas aqui está você, tão perto de mim, que me faz acreditar em milhões de coisas que eu nunca acreditei existirem, pelo menos não para mim.

Karma estava tão próximo, seu corpo perto do meu emanava calor. Suas palavras me fizeram parar de chorar, ele parecia tão confiante no que dizia, que ficava difícil acreditar que era sobre mim que ele falava.

— Eu não sou nada — eu sussurrei.

— Você é tudo! — ele voltou a afagar meu cabelo — Você é o meu tudo.

Encostei minha testa no seu peito, fechando meus olhos e sentindo os carinhos dele.

— Nunca me deixe, por favor — eu implorei baixinho.

— Te deixar? No dia em que você não estiver tão quebrado, você vai entender que eu pretendo te deixar cada vez mais próximo, que te quero comigo para sempre. Mas até lá, eu vou cuidar de você e te ajudar a reunir cada pedacinho seu quebrado, até que você fique inteiro, depois poderemos ficar juntos de verdade.

Eu me apertei mais ainda a Karms, de um jeito desajeitado já que os efeitos dos remédios estavam passando e meu braço estava imobilizado. Karma me fazia ter esperanças de um futuro bom, pela primeira vez, isso não me deu medo.

— Yoro disse — falei depois de um tempo em silêncio — que Taywa pretendia me leiloar — eu senti Karma ficar tenso, o carinho parou e eu tive medo de ter dito algo muito errado.

— Te leiloar?

— Ele falou que Taywa dizia que eu não tinha utilidade, que esse era o melhor jeito de eu servir para algo — apertei meus olhos com força, até a respiração do Karma estava irregular — ele também disse que muitos pagariam para me. . . Você sabe! Ele disse que Taywa pretendia fazer isso quando voltasse, mas você o pegou antes. Acho que você me salvou antes mesmo de me conhecer.

Karma ficou quieto, meu coração batia rápido, eu estava com medo e nem sabia do quê. Talvez Karma finalmente percebesse que eu não era bom o bastante para ele e que não merecia todo esse cuidado.

— Você também me salvou — Karma sussurrou depois, voltando a fazer carinho nos meus cabelos — Agora você precisa descansar Nagi, durma. Quando você acordar, Maehara e Emi estarão aqui, mas eu volto para te buscar para te levar para casa.

— Você também vai descansar? — perguntei me entregando ao sono.

— Só quando você estiver em casa. Agora eu vou mostrar a todos o que acontece quando mexem com os meus, principalmente com você!

— Eu sou seu? — eu realmente estava grogue de sono, sem filtro nenhum no que estava falando.

— Só se você quiser ser — ele respondeu um pouco temeroso.

— Eu quero — respondi bocejando — Quando eu acordar, você não vai estar aqui comigo, mas você vai voltar para mim, não vai? — eu já mal conseguia registrar as coisas a minha volta.

— Nagi, eu sempre vou voltar para você!

Ele beijou o canto da minha boca, perto dos meus lábios, então eu me entreguei ao sono. Contra todas as possibilidades, eu dormi em paz.


Notas Finais


Feliz páscoa povo


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