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História Looking for Love - Capítulo 2


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Notas do Autor


agora que tudo vai ladeira abaixo 👀, espero que gostem.

Capítulo 2 - Late bar.



Sábado, 7:04 pm.

À frente do espelho, Crystal encarava sua forma curvilínea indecisa se estava apresentável suficiente dentro daquela roupa. A jovem nunca tinha sido fã de roupas coladas que mostrassem seu corpo, então aquele vestido tubinho preto parecia fora do normal, os detalhes em lantejoulas picavam como cacto em sua pele. 
Sua maquiagem era simples como sempre, uma base leve, batom nude rosado e rímel; Crystal sempre levava em consideração o que sua mãe dizia: 'garotas maquiadas demais espantam as pessoas'.
Porém, às vezes ela invejava as maquiagens incríveis que via suas amigas usando, mesmo que sua mãe achasse aquilo uma coisa ridícula. 
E por fim, seus cabelos negros e ondulados estavam soltos e volumosos ficando sobre seu decote saliente. 

Quando saiu de seu quarto e desceu as escadas devagar para seu sapato de salto não fazer nenhum barulho, deu de cara com sua mãe a observando descer os degraus.

— Indo se encontrar com seu noivo querida?

— Não mamãe, estou indo sair com minhas amigas. — Crystal sorriu de modo convincente.

Sua mãe, Candice era uma mulher com velhos costumes e perspectivas, criou Crystal sozinha deixando a paternidade da garota sempre ser um mistério. A mulher odiava quando a perguntavam sobre sua vida amorosa ou sobre o que levou ela apenas esquecer que a filha precisava de um pai.
Naquele momento, ela encarava Crystal com desdém, chocada com o modelito da filha.

— Está explicado, até porque Pete nunca deixaria você sair com um traje vulgar desses. — Sua voz calma não disfarçava as palavras ferrenhas que saía de sua boca.

Crystal se encolheu envergonhada, e pisou no último degrau da escada de cabeça baixa preferindo encarar sua pequena bolsa do que olhar nos olhos de sua mãe.
— Desculpe mãe, eu posso me trocar se quiser.

— Não vai ser necessário, suas amigas devem estar te esperando. Apenas leve o celular para me ligar se algo der errado. — Candice permaneceu tranquila.

— Hoje não vou no meu carro, Zaira vai levar todas nós. Acho que por volta das uma da manhã já estarei aqui. — Crystal tentou confortar a mãe.

A moça segurou seu celular em uma mão e digitou uma mensagem para Layla perguntando se iriam demorar, logo recebeu a resposta de que elas estavam há 2 minutos de sua casa. Ótimo, estar no mesmo local que Candice estava a deixando nervosa.

A machucava como sua mãe parecia tão alheia a tudo sobre ela, apenas se preocupava em multiplicar a herança deixada por seus avós e em estar entre as socialites mais conhecidas. Para Candice, ter a filha noiva de um rapaz rico e respeitado era como ter ganhado na loteria, uma questão de orgulho. 

Logo uma buzina ecoou através dos portões da mansão e Crystal finalmente pode respirar aliviada pois suas amigas tinham chegado. Ela correu sem nem mesmo se despedir, ansiosa para deixar o próprio lar.


[...]


As quatro garotas entraram no pub olhando para tudo em volta e tentando se familiarizar com o ambiente. O Blue Moon era um local tradicional diga-se de passagem, pisos de assoalho, um pequeno palco, o bar e várias mesas espalhadas pelo salão; A melhor mesa era a tal 'área vip' onde Zaira guiaria suas amigas para se sentar, tinha uma visão melhor do palco e de toda área frontal onde as pessoas ficavam para dançar.
Crystal não se sentia desconfortável naquele ambiente mas era algo novo, ela nunca havia ido a um lugar parecido, estava tão acanhada que ficou olhando para a mesa enquanto se ajustava ao se sentar. 

— Eu vou pegar umas bebidas para a gente! Espere aí. — Abby avisou, tentando fazer a própria voz se sobressair sobre a música alta.

Layla e Zaira já estavam dançando, pareciam já ter se enturmado, se soltando ao som do rock 'n' roll que tocava ecoando por todo o salão. Naquele momento Crystal invejou suas amigas, elas não tinham vergonha de serem elas mesmas mesmo que fosse na frente de seus familiares, não estavam comprometidas e não ligavam para a opinião alheia.
Sim, a auto estima dela estava no chão, ela queria se levantar e dançar como estava vendo a maioria fazer, mas sentia como uma estranha. 

— Aqui, vira isso. — Abby havia voltado com dois copos pequenos na mão.

Crystal riu e segurou o copo sem entender.
— Abby o que é isso? Não está tentando me drogar né?

Sua amiga gargalhou deixando algumas madeixas loiras caírem sobre seu rosto.
— Para de frescura vai, você vai gostar. Vamos fazer isso juntas ok?

Abby fez a contagem preparando Crystal e ambas viraram o copo, que por sinal, era vodka pura.

— Minha nossa! — Crystal exclamou entre pequenas tosses que fazia sua garganta queimar mais ainda. — Abigail Brooks, que bebida horrível é essa?

— Isso é vodka, Crys. De primeira é ruim mas no segundo shot você acostuma. — Ela piscou.

O barulho parecia ter piorado, e havia uma mistura de vozes, risadas e música. Se sentir deslocada já era parte de Crystal, ela não sabia o que estava fazendo ali, mas não queria ir embora e acabar com sua suposta despedida de solteira que suas amigas haviam planejado para ela. 

— Ah que droga. — Ela murmurou baixinho tomando cuidado para não ser escutada.

— Crys, volta para a órbita! Estou falando com você garota! — Abby choramingou.

— Oh desculpe, eu só... Não sei me sinto estranha ficando aqui.

As duas se entreolharam, Abby revirou os olhos e segurou as mãos de sua amiga que estava insegura com toda aquela situação. 
— Seguinte lindinha, vários caras estão te secando! Olha como você está estonteante, gostosa! Então use isso a seu favor.

— Abby, esqueceu que estou noiva? — Crystal ergueu sua mão mostrando a aliança prateada.

— Fofa, chumbo trocado não dói. Seu chifre já atravessou as nuvens, e também, noiva há quatro anos? Me poupe se ele te amasse já teria apressado esse casório. — Abby deu de ombros e olhou para outra direção.

Crystal preferiu não retrucar, mesmo sabendo que os argumentos de sua amiga era verdade. No fundo de seu coração ela sabia que já havia amado Pete um dia, mas que esse amor havia se esvaído desde a primeira vez que soube que tinha sido traída. Mas por outro lado, ouvir opiniões alheias e agradar as pessoas ao seu redor parecia o caminho mais fácil, então se casar como foi planejado era o que tinha. Se esse era o seu destino, ela teria que aceitar e ponto final certo? Ou estaria sendo a pior burrada que ela estaria fazendo?

Olhando à sua frente, Crystal estava sozinha e logo se deu conta que Abby tinha saído para dançar. Cansada de se sentir solitária, ela se levantou sem se importar de ter deixado a mesa só e caminhou até o bar.

— Um shot de vodka, por favor. — Ela se dirigiu educadamente ao barman tatuado.


[...]


Foram necessários apenas 3 shots para deixar Crystal alta, ela ainda estava lúcida, porém a bebida havia deixado ela mais confiante, a ponto de dançar de forma atrapalhada com Layla, a única amiga que não tinha encontrado um par naquela noite.
Havia uma banda no palco, mas ninguém ligava, eles tocavam uma versão tosca de Suffragette City do David Bowie e enquanto isso Layla e Crystal batiam cabelo e arriscavam passos desengonçados e até engraçados de se ver.

— Amiga pose para a selfie, vamos mostrar como estamos nos divertindo. — Layla sacou seu celular e puxou Crystal para uma foto.

Ambas haviam saído segurando uma garrafinha de cerveja que pegaram numa mesa qualquer, a imagem estava meio tremida mas entre risadas ambas concordaram em ser postada no stories do Instagram. 

— Eu preciso beber mais. Tem algo melhor que vodka? — Crystal questionou pensativa.

— Olha só Crystal, a senhorita não é acostumada a beber e eu não quero ninguém vomitando nos meus pés no final da noite — Layla alertou a amiga, realmente preocupada.

— Ah que se dane, me sinto mais leve que o ar amiga. É o melhor dia da minha vida! — Crystal gritou a última frase erguendo os braços para cima.

Layla riu da situação da garota a sua frente e a deixou dançar sozinha. O pub ainda se encontrava cheio, porém ninguém realmente estava ligando para a banda no palco, que fazia covers de músicas famosas da forma mais ruim possível. 
Era muita informação para Crystal, ela nem notou direito os homens naquele palco exceto um... Ele tocava baixo, usava uma regata preta com o logo de alguma banda punk, calça xadrez azul e um coturno preto. Seus cabelos com leves reflexos loiros estavam bagunçados, ele parecia não ligar.

O desconhecido notou que os olhos castanhos daquela garota estavam sobre ele e um sorrisinho convencido escapou de seus lábios. De fato Crystal não conseguia desviar seu olhar, aquele rapaz alto a atraía de alguma forma, mesmo não sendo o tipo dela.
Ele parecia ser uma mistura de encrenca e conquistador barato, encarando as mulheres como se estivesse escolhendo com quem passaria a noite. Quando suas órbitas avistaram Crystal outra vez, ele teve certeza de que seria ela o seu passa tempo pelo menos para as próximas horas. A inocência no olhar da garota, as ondas selvagens de seus cabelos, o corpo de uma sereia era tudo o que ele sempre sonhou em um caso de uma noite só, apenas diversão e nada mais.

Crystal se sentindo intimidada pelo o olhar daquele estranho, engoliu em seco e saiu em disparada para o bar, esbarrando em alguns corpos suados à sua frente. Layla indo atrás da amiga, a abordou já a par da situação.

— A banda é ruim mas os caras até que são gatinhos né?

— O que? — Preferindo se fingir de desentendida, Crystal deu um gole na cerveja que tinha acabado de pedir.

— Ah Crys corta essa! — Layla riu. — Você e o baixista estavam se secando, ficou difícil não notar o clima.

Arregalando os olhos, Crystal abriu a boca sem saber como se defender.
— Sei lá, ele me encarou e eu encarei de volta, e está tudo bem.

Fazendo pose pensativa, Layla pegou seu celular e digitou uma mensagem para o grupo que tinha com as outras três amigas.

    De: Layla
Corram aqui piranhas, temos que ajudar nossa margarida. AGORA!
 



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