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História Looking for Love - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


tô até postando rápido pra caralho, mas eh pq as meninas do squad são uns amores e travam meu zap pedindo capítulo novo.

até que não está sendo de todo mal postar algo em uma categoria tão parada, deixar minha marquinha aqui tá sendo divertido. :^))
sem mais delongas, boa leitura.

Capítulo 6 - Lips like sugar.


Dois dias haviam se passado desde o último encontro com John, e desde então Crystal se encontrava ansiosa como uma adolescente esperando ser notada pela paixonite nas redes sociais. Quando podia entrava em sua conta no Instagram e torcia para ver a notificação de que tinha sido seguida de volta, depois checava se seu perfil estava apresentável e por fim fechava o aplicativo.
Suas amigas a confortavam dizendo que era para ela ter paciência e a garota ainda achava que havia algo de errado com suas fotos, sendo assim caía na real que era uma moça comprometida e negava toda a importância que havia dado para algo tão fútil.

Terminando de amassar seus cabelos para dar mais volume, ela tentava se sentir confortável dentro daquele vestido rodado cor de pêssego que sua mãe havia escolhido e deixado pronto para ser usado naquele específico dia. Suspirou impaciente quando relembrou a ligação que recebeu ás 2 da manhã... Era Pete, acordando a amada para dar a esplêndida notícia de que havia desembarcado e a intimando para passar o dia com ele.
Crystal apenas demonstrou um falso interesse e confirmou que passaria o tempo que fosse com o noivo, de preferência a sós. Ela sabia bem que Pete já pensaria maldade, mas sua vontade de ir para cama com ele era reduzido a zero.

Só queria uma conversa, e nada mais.

Despertou de seus pensamentos quando viu Candice pelo espelho, a encarando com uma carranca séria e braços cruzados. A mulher vestia um vestido de mangas longas vermelho e saltos de mesma cor nos pés, cabelos castanhos presos como sempre. Algo que parecia lhe deixar mais velha.

— Crystal, se apresse ou vamos nos atrasar!

— Nós? — Crystal indagou antes de encará-la. — Mamãe, vai ser um dia a dois ok? Pete e eu, eu e Pete... Desculpe.

— Oh... Então não poderei acompanhar vocês? — Ser parada pela filha era como receber um balde de água fria na cabeça.

Rindo secamente, Crystal se virou.
— Mãe o que acontece hein? Eu te contei mais cedo que desta vez queria algo mais intimista com meu noivo, não um grande almoço em família como sempre acontece. Parece que só temos privacidade quando nossos pais viajam, incrível.

— Apenas sinto saudades de meu genro, nada mais querida. — Candice respondeu.

— Depois o peço para fazer uma visita. — Nada convencida com a resposta da mãe, Crystal calçou suas sapatilhas brancas.

Deixando Candice plantada ali, a jovem ouviu a buzina reconhecendo que sua deixa para deixar a casa já havia chegado.
Depois de instantes, Crystal estava junto a Pete no veículo. O rapaz dirigia sem parecer se incomodar com o silêncio presente entre ele e sua noiva, incomodada com tudo aquilo e tentando demonstrar afeto de alguma forma, a mão macia e pequena de Crystal alcançou a coxa de seu par e o mesmo recuou.

— Sempre pegajosa, você não muda mesmo. — Pete disse sem ao menos perceber que havia sido grosso.

— Desculpe, é que sempre estamos tão distantes, sinto falta de carinho as vezes. — Magoada, Crystal se afastou e o deixou dirigir em paz.

Quando chegaram ao restaurante, fizeram o pedido se entreolhando feito dois estranhos apenas ouvindo sussurros de pessoas nas mesas vizinhas e depois de alguns minutos esperando, seus pratos chegaram e comeram em silêncio. Naquele momento, Crystal se questionou se valia a pena levar aquele noivado a diante.

Pequenos gestos de frieza e as traições passavam como um filme em sua cabeça, e ela olhou para Pete, o estudando. Realmente seus olhos azuis, cabelos claros e sorriso cativante não o tornava o homem mais atraente para ela, pelo menos não mais! Sua personalidade era sem graça, e eles não tinham nada em comum... Ela poderia listar uma porção de coisas que colaboraram para o fracasso de sua relação.
No fundo ela não conseguia nem mesmo se culpar, tinha certeza de que havia dado seu melhor, tentado ser a melhor companhia que ele poderia ter desejado.

— Algo errado com meu rosto, amor? — Pete bebericou o vinho tinto.

— Pete... Será que queremos mesmo isso?

— O que quer dizer, Crystal? — Ele se ajeitou na cadeira estofada. — Não consigo te entender-

— Oito anos... — Com os olhos marejados, ela o interrompeu. — Oito anos com você, e até hoje sinto que não te conheço direito. Não conheço nada além de sua cor favorita, quantas vezes me traiu e suas infinitas conversas sobre trabalho!

Pete a analisava com os lábios comprimidos, ele não sabia como respondê-la ou confortá-la. Achava tudo aquilo um teatrinho bobo para chamar a atenção.
— De novo esse assunto? Crystal eu sei que fui muito negligente mas eu tento me redimir toda vez que nos encontramos!

— Sexo não é a única maneira de satisfazer uma mulher, sabia Pete? — Dando a última garfada em sua refeição, Crystal fez contato visual com seu noivo.

Ofendido e irritado com aquela conversa, ele jogou o guardanapo sob a mesa e se levantou com cara de poucos amigos.

— Que seja, não quero mais te ver por hoje. Pelo menos não enquanto você estiver agindo como a menininha mimada que sempre foi.

Dito isto ele andou para fora do recinto sem nem mesmo pagar a conta, deixando Crystal desolada e frustrada com toda aquela arrogância. Sem ter mais o que fazer ali, pediu a conta e tirou seu cartão de sua bolsa.

Voltar para casa andando não seria mal ideia para ela.


[...]

Estava tudo acabado? Não, óbvio que não e Crystal sabia disso. Era questão de horas para sua mãe tomar as dores e tentar reconciliá-la com Pete, lógico, culpando a filha pela briga. Era sempre assim.
Andar sozinha naquele dia bonito soou até terapêutico, para quem vive rodeada de pessoas, ter aquele momento para si parecia o paraíso. Bom, pelo menos parecia até sentir duas mãos em sua cintura, fazendo-a virar num sobressalto.

— Perdida? — Para quê a surpresa? Era John.

Crystal revirou os olhos sem nenhuma energia para gracinha pelo resto do dia e continuou andando.

— Escolheu um péssimo dia para me encher, some.

John percebeu os olhos vermelhos da moça e sentiu uma leve preocupação e curiosidade.
— Esteve chorando, sereia?

— Não que te interesse, mas sim. Satisfeito em saber? — Crystal parou no meio fio e encarou o rapaz.

— Mas eu vi que você riu um pouco quando te peguei pela cintura. — Ele tentou descontrair.

— É porque sinto cócegas. — Um sorriso fraco brotou nos lábios da garota e ela subiu na calçada andando devagar. — Só isso...

Parando á frente dela e a olhando nos olhos, John se sentiu envergonhado por o que estava prestes a dizer.

— Eu notei. Aquele dia no meu carro você ficou rindo quando te coloquei em meu colo.

Crystal desviou o olhar e colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. Ela realmente não esperava aquilo vindo logo de alguém que ela estava tentando sentir apenas desprezo. Notado que ela sentia cócegas? Essa era nova! A vergonha ainda permeava seu corpo quando ela se lembrava de sua risada escandalosa e alta quase acabando com todo clima na hora H.
— Ai que péssimo. John, esquece isso... Sei lá, é tão esquisito a gente relembrar tudo de novo.

Por alguns segundos, ambos compartilharam o mesmo sentimento desconcertado que os uniu na primeira vez, porém despertaram quando viram que já estavam parados por muito tempo em um local onde pessoas iam e vinham.
Resolvendo deixar o assunto de lado por enquanto, John se pôs ao lado de Crystal, e os dois começaram a andar.

— Então foi seu noivo que lhe causou isto?

— Isto o que? — A jovem questionou baixinho sem parar de andar olhando para o chão e apertando a alça de sua bolsa de grife.

— Essa cara triste, esses olhos vermelhos... — Mesmo não querendo ser invasivo, John não podia disfarçar sua vontade de saber o que tinha acontecido.

Relembrando seu triste início de tarde, Crystal assentiu e percebeu que estava frágil demais para ficar na defensiva e não desabafar com alguém sobre o que havia causado briga entre ela e Pete.

— Eu não tenho certeza se o quero como esposo, se estamos maduros suficientes para começarmos uma família. Isso tudo me causa uma ansiedade, um desconforto mas não sei como lidar... Tentei me abrir com ele e tudo o que ganhei foi arrogância e más respostas.

— Se não é o que quer, por que aceita? Por que não se liberta disso? — O tom sério e prestativo do rapaz a deixou surpresa.

— Uma bobagem, minha mãe e os pais dele acham que com esse casamento, vamos conseguir unir as heranças e multiplicar. É tudo uma questão de não perder a vida boa, seria tarde demais para recuar pois já estou com Pete desde os meus quatorze anos. Uma longa história para acabar de forma tão prematura. — Crystal não sabia por que estava se abrindo tanto para John, mas não se importou pois se sentia confortável.

— Vocês riquinhos são um saco! — John começou. — Como sua mãe tem coragem de te colocar numa bandeja e dar para um filhinho de papai idiota? Toda essa ganância é uma merda e você é burra por se submeter a esse papel.

Mesmo aquelas palavras terem sido duras feito pedra, a garota entendia o ponto e era verdade, toda a ganância e controle dessas pessoas a persuadiram sempre a não fazer o que queria. Bater de frente com sua mãe ou seus sogros parecia ousadia demais, Crystal não sabia se seria capaz de fazer isso um dia.

— Nem tudo parece tão fácil, John. Agora vamos mudar de assunto, sim?

Não querendo causar mais desconforto, ele permaneceu calado por alguns segundos se sentindo um babaca por ter dado uma resposta tão seca para Crystal, mas não pode evitar. E desde quando ele dava a mínima para os sentimentos da menina mimada?

— E se... Eu te levasse para alguns lugares onde faria você se sentir melhor? — John fingia estar pensativo.

— Sério? — A moça piscou duas vezes sem acreditar no que estava ouvindo. — Sendo assim, por mim tudo bem.

Andando pela cidade onde viveu a vida inteira com uma companhia inusitada ao seu lado, Crystal passou a descobrir lugares que nunca havia ido. Dentre esses uma pequena praça com playground, um sorriso escapou de seus lábios quando viu algumas crianças brincando. Simplesmente viu pureza naquela cena.
De forma delicada, seu braço se entrelaçou ao de John e os dois continuaram a andar devagar conversando coisas bobas causando risos um no outro, pareciam um casal de namorados felizes; Crystal não se sentia tão leve daquele jeito há muito tempo, seu humor parecia ter melhorado mais ainda.

Entretanto, John reparava em cada detalhe da garota ao seu lado. O coração dele acelerou quando seus olhos notaram as covinhas que se formavam no rosto de Crystal quando ela sorria, seus olhos escuros que transmitiam a suavidade de sua alma, e sua voz calma e mansa que ficava baixa quando ia responder algum elogio fora de hora. Ela era linda, de fato a garota mais linda que ele havia tido chances de ter o mínimo de convivência.
Se sentiu estranho ao perceber que estava sendo doce e paciente, parecia bobagem tudo aquilo, mas não era hora de estragar o momento colocando sua máscara de egocêntrico outra vez.

Quando chegaram á frente de uma loja de discos, John não hesitou em entrar e entrelaçar seus dedos ao de Crystal, que não ficou relutante ao seu toque.
Ela nunca tinha o costume de ouvir música, e quando fazia isso, era apenas ouvindo playlists aleatórias de hits dos anos setenta e oitenta enquanto estava mexendo em seu laptop ou quando estava entediada. Se sentia uma chata por não ter ao menos uma canção ou banda favorita, a música presente em sua casa era apenas o vinis de bolero que sua mãe escutava numa vitrola velha quando se encontrava de bom humor.
Crystal se viu maravilhada ao dar de cara com a infinidade de discos, CDs e fitas cassetes naquele lugar, a decoração repleta de discos na parede, cores vibrantes em volta deu um ar nostálgico que lhe chamou atenção. Passava uma estranha sensação de descoberta e alegria.

— Gostei dessa, que sonoridade boa. — Ela se referiu á canção que ecoava pela loja.

— Echo & the Bunnymen. — John respondeu sem tirar os olhos da prateleira de discos que mexia.

— O quê?

— Lips Like Sugar do Echo & the Bunnymen. — O baixista concluiu. — Achei que conhecia.

Crystal assentiu negativamente enquanto pegava alguns CDs em suas mãos.
— Que nada, nunca fui antenada em música. Na adolescência cheguei a ir a alguns shows de rock acompanhando Zaira mas nem ao nome das bandas eu prestava atenção.

Virando-se para Crystal, John riu e lhe estendeu um disco de vinil.

— Então vamos mudar isso, aqui, esse é o primeiro álbum da minha banda favorita. Vou te dar de presente, escute e depois me diz o que achou.

As mãos frágeis de Crystal segurou o disco, seus olhos estudavam cada detalhe da capa. A moça estampada nela esbanjava elegância e sensualidade, era linda.

— Roxy Music? Acho que nunca escutei... Parece legal. Mas não precisa gastar comigo John, eu posso pagar. — Sem graça, ela sentiu suas bochechas corarem com o gesto nobre.

— Eu insisto Crystal, não vai ser problema algum. — Olhando-a nos olhos, John tentou convencê-la a aceitar.

Vendo que não poderia mais recusar, Crystal murmurou um 'obrigada' e deu um sorriso tímido voltando rapidamente a explorar mais a loja, que estava vazia naquele momento. Não demorou muito para John voltar com outros vinis falando sobre cada um e separando outros achados para comprar.

Por um segundo foi como se o tempo parasse para Crystal, que observava a pessoa ao seu lado. John parecia uma criança em loja de doces, pegando o que lhe interessava e olhando com certo carinho.
O estilo dele era cativante, a regata branca e a calça preta de tecido sintético repleto de cintos de spikes o deixava atraente para os olhos da moça, que o fitava sem nenhuma vergonha reparando o quão alto ele era. Não tinha certeza se era baixinha demais ou se o coturno nos pés do rapaz o dava impressão de ser enorme.

Ela desviou sua atenção com medo de ser pega, porém sentia algo novo surgir em seu interior.


[...]

O sol estava prestes a se pôr e segurando a sacola contendo seu presente, Crystal andava ao lado de John dando passos curtos, nada ansiosa para chegar em casa e ver aquele dia acabar. Os dois se mantinham em silêncio, como se estivessem curtindo a presença um do outro.
Para eternizar aquele momento, Crystal tirou seu celular da bolsa e abriu a câmera, sem se importar em abrir as notificações de mensagens que sua mãe, amigas e até Pete havia lhe enviado.

— Uma tarde dessas requer uma memória. — Foi tudo o que foi dito antes de ela apertar o botão do visor de seu celular.

Foi uma selfie natural e pega de surpresa, John sorria sem mostrar os dentes, sua franja loira caía sob seus olhos por conta do vento enquanto o braço esquerdo de Crystal estava em volta de seu pescoço puxando-o para perto. As ondas de cabelo da garota grudavam em seu rosto e ela ria espontaneamente.

Os dois fizeram uma careta ao ver o resultado da fotografia.

— Estamos uma bagunça, mas tudo bem. Eu gostei. — John falou entre risada.

— É, não ficou de todo mal. — Concordando, Crystal guardou o aparelho e voltou sua atenção para a calçada.

Seu sorriso desapareceu quando percebeu que já estava há poucos metros de casa, vendo o portão automático se abrir e o carro de sua mãe sair do local. Se escondeu colocando a sacola na frente de si, fazendo de tudo para não ser vista e assim pouco demorou até um Land Rover cinza passar em velocidade razoável.

— Era sua mãe? — A voz de John a despertou.

— Sim... Felizmente ela não me viu. Acho que essa é minha deixa.

Ao chegarem no portão, Crystal sacou um controle pequeno de sua bolsa e apertou um botão verde fazendo as grades de ferro se abrirem devagar.

De forma abrupta, John a puxou para perto e em poucos centímetros algo estava prestes a acontecer. Deixando tudo fluir, se envolveram num beijo calmo, Crystal aprofundou o beijo acabando por ficar nas pontas dos pés. Alguns segundos depois, se afastaram para recuperar o ar e ambos riram bobos em puro êxtase e nervosismo.

— Boa noite, Crystal. — Foi tudo o que John disse antes de se virar e ir andando sem virar para trás.

Crystal apenas acenou, sem palavras para expressar o que sentia; Logo desceu da nuvem de daydream quando se deu conta de dois detalhes.

— Não acredito que não pedi para ele me seguir de volta no Instagram e não pedi o número dele de novo! Parabéns Crystal! — Ela exclamou inconformada atravessando a entrada de casa.

Apertando o botão vermelho do pequeno controle, Crystal olhou para trás e sorriu abobada antes de adentrar a residência.


Notas Finais


começou uma merda, porém no final ficou uma merda fofa :^))
john agindo feito uma pessoa normal = tudo
espero que tenham gostado.


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