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História Looking for Love - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


howdy 🤠.
minha criatividade eh muito zoada, porém aqui está mais um capítulo.
boa leitura <3.

Capítulo 7 - Confusion.


Nove da manhã de um domingo não parecia ser o cenário perfeito para uma conversa séria, mas lá estava Candice, batendo á porta do quarto da filha.
Crystal afundou seu rosto contra o travesseiro e gritou abafado numa tentativa de extravasar sua impaciência, desde a noite anterior estava fugindo daquilo. Se trancou em seu quarto e não saiu nem para comer, porém estava difícil continuar se esquivando. Contra vontade, caminhou até a enorme porta branca e a abriu, dando espaço para sua mãe entrar.

— Três semanas para o casamento, preparativos sugando o meu tempo e a senhorita querendo desistir de tudo em cima da hora. Que vergonha de você filha.

— Oh! Vejo que Pete já foi chorar em seu colo né? Que ótimo mamãe! — Usando a ironia como sua melhor arma, Crystal andou até o banheiro para escovar os dentes, ignorando os passos atrás dela.

— Tara me ligou, disse que Pete chegou arrasado quase chorando porque você o dispensou ontem. — Candice apontou o dedo para a filha. — Crystal, olhe para mim enquanto eu estiver falando!

— Quase chorando? Corta essa mãe! Foi ele quem me tratou feito lixo, eu apenas o fiz uma pergunta. — Na defensiva, a garota alterou a voz.
Crystal lavou os resquícios de creme dental de seus lábios e o secou logo em seguida, sua suavidade parecia irritar mais ainda sua mãe, que queria sugar cada detalhe do dia anterior.

— Como pode querer dispensá-lo? Sabemos que Pete é o homem para você, desde a adolescência existe esse romance lindo- — A mulher tentava persuadir.

— Eu não o amo mais, mamãe! — Crystal a interrompeu. — Eu não me sinto capaz de casar sem amor. Droga, nem ele e nem a família fazem questão. Estão lá, viajando, vivendo suas vidas... Pete me traindo e eu aguentando calada... Além do mais, Tara e Gilbert são os piores sogros que eu poderia desejar em ter!

Candice a encarou em incrédula e surpresa em ouvir aquilo, nunca havia imaginado que a filha poderia enfrentá-la e pior, dizer todas aquelas coisas. Sentando-se na cama, ela apoiou sua mão esquerda no rosto e suspirou pesadamente.
— Você não vai desistir a esta altura do campeonato, não vou deixar isso acontecer. Quer acabar falida? Morando em um flat chinfrim e sem mordomias? Nós precisamos duplicar nossa fortuna!

— Céus, meus avós eram podres de rico! A herança que foi deixada para nós é enorme e você controla tudo. Esse casamento não iria nos salvar de nada, e você sabe disso.

— Filha querida, ou você é muito boba ou muito burra... Isso é o mundo dos negócios, se não quer ficar por baixo tem que ter um truque na manga. — Candice gesticulou com as mãos e se levantou.

— Cinco franquias de boutiques pela cidade, herança, prestigio... Nada disso é suficiente para você mãe? A sua ganância e ambição é tanta que te cegaram? — A voz de Crystal já estava trêmula por conta do choro preso em sua garganta.

Para suas perguntas, a resposta era o silêncio e a moça se deu por vencida. Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha e ela preferiu olhar para o teto do que para a própria mãe.

— Vou convidar Pete e sua família para jantar conosco. Prepare seu melhor pedido de desculpas, pois vai precisar. — Candice ordenou rispidamente antes de deixar o cômodo pisando firme.

Sozinha e se sentindo pequena e impotente, Crystal sentou-se a cama e começou a chorar, colocando pelo menos metade de sua frustração para fora. Havia tanta coisa engasgada, mas as palavras não saíam. Precisava de horas longe dali, ou um tempo para pensar melhor no que poderia fazer naquela noite.


[...]

Horas depois, a casa estava silenciosa. Candice regava suas rosas amarelas no jardim imenso da mansão, os pássaros cantavam mesmo naquele dia nublado onde as nuvens pareciam estar em sintonia com o humor do lar. Enquanto Crystal mesmo estando de rosto inchado e sem vontade alguma para ir almoçar, persistia em uma chamada em grupo com suas amigas.
Prestes a desistir, suspirou aliviada quando viu outras três faces familiares na tela do celular.

— Crys, puta merda que cara é essa? — Abby apareceu de olhos arregalados.

— Desculpem as quatro ligações... É que eu não sei o que fazer gente! Minha própria mãe não me entende, Pete me trata feito lixo e eu estou tão cansada. — A voz chorosa de Crystal mostrava a exaustão e angústia que a corroía.

Seu olhar cansado e triste observou a tela esperando reações.

— Amiga, conta o que aconteceu! Ontem tentamos contato porém você não respondia, depois descobrimos que seu noivo havia chegado de viagem e achamos que não precisaria da gente. — Segurando uma caneca roxa nas mãos, Layla pedia uma explicação.

— Nunca te vi assim Crystal. — Zaira começou. — Suponho que deve ter sido algo muito sério.

Crystal ajustou seu telefone no pequeno tripé em cima de sua penteadeira e riu sem humor para suas amigas.
— Bastou uma pergunta e Pete já falou para os pais dele que eu não quero mais me casar. Minha sogra claro, contou para mamãe o que aconteceu e bom, a briga hoje pela manhã foi feia... Ninguém entende que não estou preparada, eles não me perguntam se estou bem e já estou de saco cheio de aceitar tudo isso calada.

— Então enfrente. Enfrente a tia Candice, enfrente o Pete, os pais dele e quem for preciso! Amiga você sempre foi marionete de todos eles e isso precisa mudar, toda essa merda já te afetou o bastante. — Layla incentivou.

O coração de Abby se apertou ao ver a amiga tão atordoada, ela parecia uma criança de 8 anos assustada.
— Layla está certa, Crys. Poxa, até suas roupas a sua mãe escolhe, sempre se metendo nas suas decisões e controlando tudo o que você faz. Por quê você deixa isso acontecer?

— Porque... — a garota suspirou derrotada. — Isso é o que me foi ensinado desde pequena, e também... Eu não quero perder tudo isso aqui, eu sei que mamãe seria capaz de tirar todos os meus privilégios e até me expulsar de casa. Ela é muito extrema.

— A senhorita precisa aprender a andar com as próprias pernas, isso sim! Você se formou em publicidade há pouco tempo, deve haver algum estágio ou emprego á sua espera. Ter sua liberdade financeira é essencial. — Zaira apresentava um ponto que havia sido ignorado desde então.

— Crys, você poderia alugar um flat ou até dividir um quarto com alguém. Isso dividiria as despesas. — Layla concluiu.

A garota que até então chorava, aos poucos ia se consolando e pensando nas hipóteses apresentadas por suas fiéis escudeiras. Se sentia indecisa, nunca havia pensado em se distanciar da mãe e da vida de luxo que levava, por mais cansativo que parecesse, Crystal via que era fácil conseguir o que queria. Mas, por outro lado, era sim hora de ser mais livre e conquistar isso com unhas e dentes, sua cabeça estava uma confusão e era difícil controlar.

— Eu preciso pensar... Mas obrigada, vocês são incríveis. Muito louco né? Temos a mesma vida, mas a mãe de vocês são tão legais. — Crystal riu minimamente e suas amigas a acompanharam.

— Meu anjo, seguinte, se minha mãe fica sabendo metade das coisas que já fiz, ela tem um ataque! — Zaira falou brincalhona.

Todas riram, de alguma forma aquilo era necessário para amenizar o clima e tentar confortar Crystal que se via em um conflito interno consigo mesma. Seu coração deu um salto quando apareceu uma notificação um tanto quanto inesperada acima da videochamada.

John finalmente havia seguido-a de volta no Instagram.

Surpresa, ela levou a mão direita a boca e arregalou os olhos, mirando a câmera de maneira estática.
— Meninas, o Instagram! John acabou de me seguir!

Abby, Layla e Zaira corresponderam com a mesma euforia, batendo palmas e dando gritinhos de alegria causando risadas em Crystal, que se encontrava uma bagunça de nervosismo. 
A mesma pediu calma e abriu a notificação que acabara de chegar, era algo diferente entrar na rede social e ver que o perfil do rapaz que havia a beijado estava ali, seguindo sua conta de volta.

Crystal respirou fundo e olhou a última foto que ele postara; John estava vestido com a mesma roupa do dia anterior. Seu rosto se destacava na luz noturna, o lápis de olho em sua linha d'água deixavam seus olhos escuros tão mais brilhantes, e ele estava encostado numa parede preta. 
Logo a garota deduziu que era a entrada do pub onde a banda dele se apresentava, e que naquele sábado, após ter passado o dia ao seu lado, ele tinha afazeres mais importantes.

— Crystal? Amiga se você está viva, pisque por favor. — Layla se aproximou como se quisesse a alcançar.

— Desculpa gente, é que... Nossa. Viajei. — A garota falou rápido. — Preciso contar uma coisa para vocês...

— Desembucha princesinha. — Abby deu um gole em sua lata de energético.

— Nos vimos ontem, passamos o dia juntos na verdade. E veio a calhar sabe? Estava me sentindo tão mal após ter sido abandonada por Pete, daí esbarrei com John, e conversamos, rodamos um pouco da cidade e até em uma loja de discos ele me levou! Enfim, foi ótimo, ele não agiu como um completo babaca desta vez, e me comprou um presente.

Suas amigas ouviram a história atentamente e ficaram de boca aberta.

— Vocês me dão nojo, seus lindos! Então apesar dos pesares, seu dia foi ótimo. — Zaira mostrou animação. — Nossa, sou muito sozinha.

Layla mostrava desconfiança, como se Crystal não houvesse contado tudo o que tinha acontecido.
— Tem certeza que só foi isso? Estou te achando muito misteriosa senhorita.

— Ok... Ele veio me deixar em casa, tiramos uma selfie juntos e por fim, ele me roubou um beijo. — Crystal esclareceu.

A garota levou as mãos ao rosto escondendo suas bochechas coradas enquanto ouvia suas amigas comemorarem pela segunda vez, pareciam uma torcida de time de futebol comemorando um gol. Crystal olhou para o visor teve a impressão de que alguém a observava pela fresta da porta, porém balançou sua cabeça de um lado para o outro e ignorou sua paranoia. 

— Isso é o destino tentando unir vocês dois, escute o que eu te digo amiga. Talvez John é o cara que pode te fazer feliz e só você não vê. — Prendendo suas madeixas loiras em um coque, Abby falava com um tom esperançoso na voz.

— Abby babe, eu literalmente transei com ele uma vez e nos conhecemos há quase duas semanas. Pare de ser emocionada. — Crystal se referiu usando o deboche.

— Quem liga, as vezes o amor acontece tão rápido que nem nós mesmas percebemos. Tudo pode acontecer Crys, é só você abrir seu coração. — Zaira deu de ombros.

Crystal revirou os olhos quando ouviu sua mãe a chamando e se aproximando de seu quarto.
— Amigas tenho que ir, mamãe está chegando aqui. Tchau.

Quando a ligação deu por encerrada, uma Candice bem arrumada e sorridente adentrou o cômodo.

— Venha querida, quero escolher uma receita ótima para cozinhar. Não esqueceu que temos visitas hoje a noite, sim?

— Ainda me lembro bem desta parte, mamãe.

As duas saíram do local de braços entrelaçados, e descendo as escadas, Crystal se via determinada a arruinar toda possível chance de reconciliação naquele jantar.


[...]

A tentativa de Candice em fazer um jantar perfeito para receber a família de seu genro havia saído pela culatra. A mulher não era boa cozinheira e Crystal sabia disso, apenas inventou a desculpa de se arrumar o mais cedo possível e minutos depois se trancou em seu quarto. Então a solução foi pedir um delivery de um restaurante francês chique e montar a mesa como se a comida fosse feita por ela.
O relógio no visor do IPhone de Crystal marcava 18:45 da tarde, e sua ansiedade aumentava cada vez que sua mente teimosa a lembrava que em vinte minutos a família Sutton estaria em peso em sua casa. Mordendo o lábio inferior, ela se levantou de sua cama e se fitou no espelho analisando se sua saia lápis de cor bege combinava mesmo com sua camisa de botões de mesma tonalidade. Seus cabelos estavam presos, trazendo mais seriedade para aquele visual.

Por um minuto sentiu falta de suas peças jeans e moletons que às vezes usava casualmente em sua adolescência e ao se lembrar que sua mãe havia se livrado de tudo alegando que aquilo 'não eram roupas elegantes para uma moça de classe', seu coração se apertou.
Crystal sabia que tinha se tornado uma imagem perfeita para agradar seus relativos e o meio onde andava, sabia que apenas suas amigas a respeitavam e a aceitavam como era porém não parecia suficiente. A jovem queria se desprender daquela cama de gato que a colocaram desde seu crescimento.

Decidida em enfrentar aquela noite de cabeça erguida, ela se retirou de seu pseudo casulo e fechou a porta atrás de si.

 

Uma hora depois;

Ninguém parecia estar feliz com aquele alimento estranho sobre o prato; Pete e seu pai, Gilbert, remexiam o garfo para lá e para cá como se sentissem nojo e Tara, a mãe do rapaz, bebia o vinho tinto como se fosse água para afastar o embrulhamento no estômago.
As conversas eram as mesmas, lucros da tecelagem, lucros das boutiques, última coleção de roupas e por último e menos importante: o casamento. Crystal estava sentada ao lado de seu noivo, com a mão sob a mesa quando a mão do rapaz alcançou a dela tentando mostrar uma imagem de casal perfeito para os adultos em volta.

— Sim Tara, minha princesa ficou um amor naquele vestido branco, você precisava ter visto. — Candice se referiu á mulher loira a sua frente.

— Mal posso esperar para ver! — Tara riu falsamente. — Acho que já seria hora de providenciarmos o ensaio do casório. O que acham queridos?

Caindo na real que a pergunta havia sido para ela e Pete, Crystal arregalou os olhos apreensiva.
— Oh acho que não seria necessário, todos nós sabemos o que vai acontecer né? A propósito Tara, muitas das responsabilidades está sobre minha mãe e eu, Vocês somem, nem parecem ligar.

— Crystal, acho que conversamos sobre isso desde o início, somos ocupados demais. — Gilbert se manifestou.

Um silêncio se instalou por alguns segundos até a moça gargalhar histericamente após um gole no vinho.

— Por isso que eu deveria me casar comigo mesma. Pete some, meus sogros não dão a minima para isso tudo... Está vendo mamãe? Só você faz questão disso.

A mãe de Crystal sorriu forçado pedindo desculpas pela mudança de humor repentina da filha, mas isso não parecia apaziguar a situação constrangedora que havia se instalado ali. O casal e seu filho pareciam incomodados com aquilo e cogitavam em ir embora.

— Crystal o que deu em você!? — O choque de Pete era a atuação perfeita para sua peça de bom moço.

— Meu amor, lembre do que conversamos, sim? — Candice inquiriu em um tom ameaçador.

Crystal não sabia explicar se era os goles de vinho que lhe deu coragem em dizer tal coisa, mas tudo parecia girar, a tontura parecia aumentar ao ouvir tantas vozes ao mesmo tempo lhe confundindo. Sua reação foi se levantar, e cambaleando se abaixou, liberando o líquido que saía de sua boca nos pés de seu noivo, causando mais desaprovação de todos ali presentes.

— Cacete Crystal, olha o que você fez! — Pete gritou inconformado ao ver o vômito em seu sapato. — Era meu novo par italiano, sua ridícula!

— É Candice, vejo que sua garotinha precisa de um café forte e banho gelado urgente. — Erguendo a taça e rindo alto, Gilbert brincou.

— Vejo que é melhor irmos embora. Candice querida, depois nos falamos, esta noite foi um erro incorrigível. — Tara se levantou mostrando o desgosto diante tudo aquilo.

Crystal estava rindo abobada parada olhando para a bagunça que havia feito, talvez depois do que foi causado nunca mais beberia sem antes comer algo. Sua mãe apenas bufou raivosa e se deslocou até a porta para guiar os convidados até a saída.

Talvez Tara estava certa, a noite com certeza tinha sido um erro incorrigível.


Notas Finais


crystal dando pt RISOSSSSS pqp tudo pra mim
espero que tenham gostado :^))


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