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História Lorde — jikook kookmin - Capítulo 14


Escrita por: Rafaellylima025

Notas do Autor


Cheguei!!!!!!!

Capítulo 14 - Capítulo 12


Capítulo Doze

       POV Jungkook 

    Levo alguns segundos para me situar, e ele grita outra vez.

  Merda.

  Jimin.

  Pulo da cama, com a adrenalina deixando todos os meus sentidos alertas.

  Acendo a luz do corredor e entro de uma vez no quarto dele. Jimin está sentado na cama. Ele vira abruptamente a cabeça diante do ruído e da luz, os olhos desesperados de terror.

  Então abre a boca para gritar de novo.

  — Jimin, sou eu, Jungkook .

   Suas palavras saem atropeladas:

 —  Ndihme. Erresire. Shumë errësirë. Shumë errësire!

   O que?

   Eu me sento ao seu lado na cama e ele se joga em cima de mim, quase me derrubando, e passa os braços ao redor do meu pescoço.

  — Ei.

  Eu o tranquilizo quando recupero o equilíbrio, e o abraço, acariciando seu cabelo

 —  Errësirë. Shumë errësirë. Shumë errësirë - sussurra ele sem parar, agarrado a mim, tremendo como um potrinho recém-nascido

 — Inglês. Em inglês.

 — O escuro —  murmura no meu pescoço. —  Odeio o escuro. E muito escuro aqui.

  Ah, porra, ainda bem

   Eu já tinha imaginado diversos cenários de horror e estava pronto para lutar contra quantos monstros fosse necessário, mas relaxo diante de suas palavras. Mantendo um braço em volta dele, eu me debruço e acendo a luz da cabeceira.

   — Melhor? — pergunto, mas ele não me solta —  está tudo bem. Está tudo bem. Eu estou aqui —  repito várias vezes.

   Passados alguns minutos, ele para de tremer e seu corpo relaxa. Ele recosta na cama e seus olhos encontram os meus.

   —  Me desculpe —  sussurra Jimin.

  — Shh. Não se preocupe. Estou aqui.

   Jimin olha para o meu peito e um rubor lento colore suas bochechas. 

  — É, eu costumo dormir pelado. Considere-se sortudo por eu ter vestido uma calça — brinco.

   A boca dele relaxa.

 — Eu sei - diz, me olhando por baixo dos seus cílios compridos.

 — Sabe?

 — Sim. Você dorme pelado.

 — Você já me viu?

 — Já.

  O sorriso dele é inesperado.

 — Bem, não sei o que achar disso.

   Fico satisfeito que o terror que Jimin sentiu no escuro tenha passado, mas ele continua olhando ao redor do cômodo com ansiedade.

 — Desculpe. Não quis acordar você — diz ele. – Estava assustado.

 —  Foi um pesadelo?

  Ele assente.

 — E quando abro os olhos e está... está tão escuro... não sabia se estava sonhando ou acordado.

  Ele estremece.

 — Acho que isso faria qualquer um gritar. Aqui não é como em Londres. Não tem poluição luminosa aqui. O escuro aqui é... escuro.

 — Sim. Como o... - - Ele se interrompe e estremece com repugnância.

 — Como o quê? - sussurro.

   O humor e a provocação em seus olhos sumiram, substituídos por uma expressão atormentada e tensa. Virando o rosto, ele olha para o próprio colo.

  Esfrego suas costas quando ele fica em silêncio.

  — Me conte — peço.

  — No... Como se diz? Kamion... Caminhão. No caminhão — continua ele, subitamente inspirado.

 Engulo em seco.

 — Caminhão?

 — Sim. Que nos trouxe à Inglaterra. Era de metal. Como uma caixa. E escuro. E frio. E o cheiro...

  É quase impossível ouvir o que ele diz.

 —  Cacete —digo baixinho e o abraço de novo.

  Ele  parece mais relutante em me abraçar desta vez, provavelmente porque estou sem camisa, mas não vou deixar que lide sozinho com esses pesadelos horrorosos. Em um movimento ágil, fico de pé, ainda o segurando contra o meu peito.

  Ele prende respiração, surpreso. 

 — Acho que é melhor você dormir comigo. — Sem aguardar a resposta, eu o levo até meu quarto, acendo as luzes e o faço sentar no chão ao lado do closet. Lá dentro, pego a camisa do pijama e entrego a ele. Aponto para o banheiro.

 — Pode se trocar lá dentro. Você não deve estar confortável com essa calça jeans e esse casaco de escola.

 Faço uma careta para o suéter de lã verde.

  Ele pisca depressa.

 Merda. Talvez eu tenha ido longe demais. 

 De repente, fico um pouco constrangido.

 — A menos, é claro, que você prefira dormir sozinho.

 — Eu nunca dormi com alguma pessoa — sussurra ele.

  Ah.

 — Não vou encostar em você. Vamos só dormir... Assim, da próxima vez que você gritar, vou estar ao seu lado.

   É claro que eu gostaria de fazê-lo gritar de outro jeito.

   Jimin hesita, olhando da cama para mim, e seus lábios se comprimem com o que acredito ser determinação. 

   Quero dormir aqui com você — sussurra ele, marchando para dentro banheiro, sem fechar a porta antes de encontrar o interruptor.

  Aliviado, olho fixamente para a porta do banheiro. Ele tem vinte e três anos e nunca dormiu com alguma pessoa?

  Não vou pensar nisso agora. Já passa das três da manhã e estou cansado.

         POV Jimin 

  Jimin observa seu rosto pálido no espelho. No reflexo, vê olhos arregalados e com olheiras. Inspirando fundo, repele os resquícios do pesadelo: estava dentro do contêiner de novo, só que dessa vez sem as outras pessoas.

  Estava sozinho.

  No escuro.

  Com frio.

  Com aquele cheiro.

   Ele estremece e tira a roupa. Tinha se esquecido de onde estava até que Jungkook 

apareceu.

   Jeon jungkook. Salvando-o outra vez.

  Seu Skanderbeg.. O herói da Albânia. Já está virando um hábito.

  E ele vai dormir com ele. 

  Ele vai manter seus pesadelos longe.

  Se seu pai descobrisse, o mataria. E sua mãe... Ele visualiza a mãe desmaiando a saber que Jimin está dormindo com um homem. Um homem que não é seu marido.

 Não pense em papai e mamãe.

 A querida mãe de Jimin o mandara para a Inglaterra achando que tinha salvado o filho. 

  Mas estava enganada. Muito enganada.

  Ah, mamãe.

  Por enquanto, ele está a salvo com o Jungkook. Veste a camisa grande demais do pijama. Sacode  o cabelo, tenta domá-lo com os dedos mas desiste. Reunindo as roupas debaixo do braço, ele abre a porta.

  O  quarto dele é maior e mais arejado que o outro. Também é cor de gelo, mas os móveis são de madeira polida, combinando com a cama antiga que domina o ambiente. Ele está de pé do outro lado da cama e seus olhos se arregalam quando o vê 

 —  Aí está você — diz, a voz rouca. — Estava começando a achar que ia ter que mandar uma equipe de busca.

   Os olhos de Jimin desviam dos olhos escuros impressionantes dele para a tatuagem no braço. Ele só tinha visto partes, mas agora, mesmo do outro lado do cômodo, consegue ver por inteiro.

  Uma águia de duas cabeças.

  Albânia.

 — O que houve? - Ele segue o olhar dele e foca na tatuagem. – Ah, isso. Foi uma tolice da juventude.

   Ele parece um pouco envergonhado e franze a testa, aparentemente intrigado com o interesse dele. Jimin não tira os olhos da tatuagem enquanto se aproxima dele. Jungkook ergue o cotovelo para que ele possa ver melhor. Desenhado em seu bíceps há um escudo preto com a imagem de uma águia de marfim com duas cabeças acima de cinco círculos amarelos que formam um V invertido. Jimin larga as roupas no banco ao pé da cama e ergue a mão para tocar o braço dele, olhando para Jungkook como se pedisse permissão.

            POV Jungkook 

  Prendo a respiração enquanto ele traça o desenho da tatuagem com o dedo,roçando minha pele, seu toque leve reverberando por todo meu corpo, direção da minha virilha, e eu reprimo um gemido. 

 — Esse é o símbolo do meu país — sussurra ele — A águia de duas cabeças está na bandeira da Albânia. 

 Que coincidência!

Ranjo os dentes. Não sei quanto tempo consigo aguentar seu toque sem retribuir.

 — Mas não esses círculos amarelos — acrescenta ele.

 —Chamam-se besantes.

  Minha voz sai muito rouca.

  — Besante.

  — Isso. Representa uma moeda.

  — Essa palavra também existe em albanês. Por que você tem essa tatuagem?

   O que significa?

  Olhos sedutores me observam.

  O que posso falar?

   É o brasão da minha família.

  Não quero explicar a heráldica jeon às três da manhã. E a verdade é que fiz a tatuagem para provocar minha mãe. Ela odeia tatuagens... Mas como poderia reclamar de uma com o brasão da família? Como eu disse, não passou de uma tolice da juventude. Meus olhos desviam para os lábios dela. Engulo em seco.

  — Está tarde demais para conversar sobre isso. Vamos dormir.

   Puxo a colcha da cama e dou um passo para o lado para que Jimin possa subir. Ao fazê-lo, ele revela as pernas esguias e compridas por baixo da camisa. Que tortura!

  — Que palavra é essa, “tolice"? — pergunta enquanto dou a volta na cama. Está apoiado no cotovelo, seu cabelo escuro maravilhoso cai em ondas rebeldes sobre os ombros. Está lindo, e eu vou ter que manter as mãos longe do seu corpo.

 — "Tolice", nesse caso, significa uma ação insensata — explico, me juntando a  ele na cama.

  Quase rio da ironia da minha definição.

  Se dormir ao lado desse garoto lindo não é tolice, não sei o que é.

    – Tolice – sussurra ele, deitando a cabeça no travesseiro.

   Diminuo a luz da cabeceira para que haja um pequeno brilho no escuro, mas não a apago, caso Jimin acorde outra vez.

  — Isso. Tolice.— Eu me deito e fecho os olhos. – Vá dormir.

  — Boa noite — murmura ele com a voz suave e doce.— E obrigada. – Gemo. Vai ser uma tortura. Viro para o lado, para longe dele, e começo a contar carneirinhos.

 

  Estou deitado no gramado ao lado do grande muro de pedra que cerca a horta da cozinha na Mansão jeon. O sol do verão aquece minha pele.

   O aroma da lavanda que cerca o gramado e a fragrância rosas que sobem pelo muro flutuam ao meu redor.

 Estou aquecido

 Estou feliz.

  Estou em casa

  Uma risada masculina chama minha atenção. Viro a cabeça, atraido pelo som, mas o sol me

  cega e só consigo

   ver sua silhueta. O cabelo preto voa com a brisa, e ele está envolta em um uniforme azul translúcido, que ondula em torno de seu corpo magro.

 Jimin

O aroma das flores se intensifica e eu fecho os olhos para sentir seu perfume doce, inebriante. Quando os abro, ele sumiu.

 

               {...}

   Acordo com um susto. A luz da manhã vaza pelas frestas entre as persianas. Jimin  invadiu meu lado da cama e está aconchegado debaixo do meu braço, a mão em punho sobre meu abdômen, a cabeça no meu peito. A perna entrelaçada à minha. 

  Ele está quase em cima de mim.

  E dorme profundamente

   Meu pau está muito desperto, duro como pedra. 

   — Ai, meu Deus – sussurro, e roço o nariz no cabelo

   Lavanda e rosas.

   Inebriante.

  Meu batimento cardíaco se acelera enquanto listo mentalmente todas as possibilidades da situação: Jimin nos meus braços. Pronto. Esperando. É tão tentador, ele está tão perto... perto demais. Se eu me virar de lado, ele vai ficar de costas e eu finalmente vou aninhá-lo. Olho para o teto, torcendo para manter o controle. Sei que, se eu me mexer, ele vai acordar, então me torturo mais um pouco e fico parado, apreciando a doce agonia de tê-lo quase em cima de mim. Pego uma mecha do seu cabelo entre os dedos e fico surpreso com a maciez. Ele se remexe, as mãos em punho se espalmam e seus dedos se esticam na minha barriga, tocando o começo dos meus pelos pubianos.

  Cacete!

  Estou muito duro e o que mais quero é agarrar a mão dele e colocar na minha ereção. Provavelmente vou explodir se fizer isso.

  — Humm — geme ele

   Suas pálpebras se abrem e ele me olha com uma expressão sonhadora.

  — Bom dia, Jimin.

  Estou sem ar.

  Ele arfa e se afasta para abrir um pouco de espaço entre nós dois. 

  — Eu estava gostando da sua visita ao meu lado da cama — provoco. 

  Ele puxa a coberta até o queixo, as bochechas coradas, o sorriso tímido.

 — Bom dia - diz.

 — Dormiu bem? – pergunto, me virando de lado, de frente para ele

 —  Sim. Obrigada.

 — Está com fome?

 Sei que eu estou. Mas não de comida.

 Ele assente.

 Isso quer dizer sim?

 Ele parece intrigado.

 — Ontem no carro você disse que na Albânia é o contrário.

 — Você lembrou.

  Ele parece surpreso e feliz.

  — Lembro tudo que você diz.

  Quero dizer que ele está lindo esta manhã. Mas me contenho. Estou me comportando.

  — Gostei de dormir com você —  diz ele, me confundindo.

  — Bom, somos dois.

  — Não tive pesadelos.

  — Que bom. Eu também não.

  Ele ri, e eu tento me lembrar do sonho que me acordou. Só sei que ele estava nele. Como sempre.

 — Sonhei com você.

 — Eu?

 — Sim.

 — Tem certeza de que não foi um pesadelo? – provoca ele.

  Sorrio.

 — Absoluta.

  Ele ri. Tem um sorriso encantador. Dentes brancos perfeitos. Lábios rosados e entreabertos, um possível convite. 

 — Você está muito atraente.

As palavras saem da minha boca em um momento de descuido. Seus olhos castanho-escuros se dilatam, me prendendo.

 — Atraente?

Ele prende a respiração.

 —É

O silêncio entre nós se prolonga enquanto nos encaramos. 

 —Não sei o que fazer - sussurra ele. 

 Fecho os olhos e engulo em seco enquanto suas palavras da noite anterior ecoam na minha mente

Eu nunca dormi com uma pessoa. 

 — Você é virgem? – pergunto e abro os olhos para examinar seu rosto.

  Ele cora.

 — Sou.

  A  afirmação sìmples e direta é como um banho de água fria na minha libido Só transei com um virgem, e foi Caroline. Também era minha primeira vez, e foi um desastre que quase nos expulsou da escola. Depois disso, meu pai me levo para um bordel de luxo em Bloomsbury.

   Se vai começar a trepar, Jungkook, é melhor aprender. 

  Eu tinha quinze anos e Caroline partiu para outra...

  Até a morte de Kit.

  Puta merda.

  Vinte e três anos e Jimin ainda é virgem? Claro que sim. O que eu esperava? Ele é diferente de todas as pessoas  que já conheci. E está me encarando com esses olhos grandes repletos de expectativa. Questiono mais uma vez a maluquice de  tê-lo trazido aqui.

 Ele franze a testa, a expressão cheia de ansiedade.

 Merda.

 Estendendo o braço, passo o polegar no lábio inferior dele, um pouco projetado para a frente. Ele inspira fundo.

 — Quero você, Jimin. Muito. Mas quero que você me queira também. Acho que precisamos nos conhecer melhor antes de levar adiante o que quer que isso seja.

  Pronto. Essa foi a resposta adulta. Certo?

 — Está bem - sussurra ele, mas parece inseguro e talvez um pouco decepcionado

   O que ele espera de mim?

  Sei que preciso de um pouco de distância entre nós para pensar. Aqui, na minha cama, ele é uma distração, uma linda distração com lábios macios. Eu me sento e seguro o rosto dele entre as mãos. 

 — Vamos curtir as férias – murmuro e o beijo,

 Agora não é o momento. Não é justo com ele.

E não é justo comigo

— Está indo embora? — pergunta Jimin se sentando na cama. O cabelo cai sobre ele como um véu. Seus olhos estão tomados de preocupação; sua aparência é naturalmente sensual, engolida pela camisa do meu pijama. 

  — Vou tomar banho e depois fazer café da manhã para nós.

  — Você cozinha?

Rio do espanto dele.

  — Cozinho. Quer dizer, sei preparar ovos com bacon. —  Dou um sorriso acanhado e entro no banheiro.

    {...}

DROGA.

Me aproveito de mim mesmo no banho mais uma vez.

  A água escorre pelo meu corpo e, me apoiando com a mão espalmada no mármore, gozo rápido, pensando na mão dele na minha barriga e em volta do meu pau.

Um virgem.

Por que estou dando tanta importância a isso? Pelo menos ele não foi violento da por aqueles babacas. A raiva sobe pela minha garganta quando penso naqueles homens o seguindo. Pelo menos está a salvo aqui na Cornualha. Já é alguma coisa.

   Talvez ele seja religiosa. Disse que a avó era missionária e usa um crucifixo de ouro no pescoço. Ou talvez sexo antes do casamento seja um tabu na Albânia. Não faço ideia. Lavo o cabelo e o corpo com o sabonete que Danny deixou para mim.

   Não era isso que eu tinha em mente quando o  trouxe para cá. Sua inexperiência é um problema. Gosto de pessoas sexualmente aventureiras, que sabem o que estão fazendo, o que querem e que conhecem seus limites. Ser o primeiro homem de uma pessoa  é uma grande responsabilidade. Seco o cabelo com a toalha.

  É um trabalho difícil, mas alguém tem que fazê-lo.

  Por que não eu?

  Olho para o cafajeste no espelho.

  Cara. Cresça.

  Talvez ele  queira um relacionamento sério.

  Já tive dois namoros longos, mas nenhum durou mais do que oito meses. Ou seja, não tão longos assim. Charlotte era socialmente ambiciosa e passou para os braços de um baronete de Essex. Arabella gostava demais de drogas para o meu gosto. Quer dizer, quem não gosta de cheirar uma carreira de vez em quando? Mas todo dia? Sem condições. Acho que agora está em outra clínica de reabilitação. Um relacionamento com Jimin? O que isso implicaria?

   Estou me precipitando aqui. 

 Passando a toalha ao redor da cintura, volto para o quarto. Ele não está mais no cômodo.  Cacete. Meu coração se acelera.

 Será que ele fugiu? De novo?

Bato na porta do quarto dela. Nada. Entro, então fico aliviado ao ouvir o chuveiro

Pelo amor de Deus, controle-se. Deixo-o e vou me vestir.

       POV Jimin 

   

    Jimin acha que nunca mais vai sair daquele banho. Em sua casa em kukës Chuveiro era rudimentar e era preciso passar o rodo no chão a cada uso. Na casa de Magda, o chuveiro ficava acima da banheira. Este aqui tem um espaço próprio fechado e a água quente sai da maior ducha que ele já viu. Ainda maior do que a do banheiro do apartamento do Jungkook. E maravilhoso e diferente de tudo que ele já experimentou. Ele lava o cabelo e raspa cuidadosamente o corpo com a lâmina descartável que Magda lhe deu. 

   Esfrega-se com o sabão líquido que trouxe de casa. Ele fecha os olhos

Quero você, Jimin. Muito.

Ele oquer.

Sua mão desce.

Em sua imaginação, é a mão dele em seu corpo. Tocando-o. De um jeito intimo.

Ele também o deseja.

   Lembra-se de ter acordado nos braços do Jungkook sentido o calor e a força do corpo dele em sua pele. Sente um frio na barriga com a lembrança enquanto sua mão se move. Mais rápido. Mais rápido. E mais rápido. Ele se apoia nos azulejos aquecidos. E ergue a cabeça. Sua boca se abre e eleinspira fundo.

 Jungkook.

 Jungkook.  .

Ah.

 Seus músculos lá de dentro se tensionam quando ele goza.

  Abre os olhos, arfando.

  É isso que ele quer... não é?

  Será que pode confiar nele?

  Sim.

  Ele não fez nada que traísse sua confiança. Na noite anterior, o protegeu dos pesadelos, foi gentil e delicado. Deixou que ele dormisse com ele para que não tivesse mais medo.

 Ele se sente seguro com ele.

 Há muito tempo não se sentia assim. E uma sensação nova, por mais que ele saiba que Dante e Yuri ainda estão atrás dele.

  Não. Não pense neles.

    Ela gostaria de saber mais sobre homens. Homens e  mulheres ( e homens com útero como eu)  em Kukes não  interagem como na Inglaterra. Em seu país, os homens interagem com homens, e as mulheres, com homens como eu. Sempre foi assim. Como não tem irmãos e sempre era separado dos primos em eventos sociais, sua experiência se limita aos poucos

alunos que conheceu na universidade e ao pai, claro. Jimin passa as mãos pelo cabelo.

   Jeon Jungkook é diferente de todos os homens que já conheceu. Com a água caindo no rosto, ele decide parar de pensar em problemas. Hoje, como Jungkook disse, estão de férias. Suas primeiras férias. Envolvendo o cabelo com uma toalha e o corpo com outra, ele entra no quarto. Uma batida rítmica vem lá de baixo. Ele ouve. A música parece contrastar com o que ele sabe a respeito dele. Suas composições passam a ideia de um homem mais introspectivo e calmo do que aquela música aos berros. Ele  espalha as roupas pela cama. Todas, à exceção da calça jeans, foram dadas por Magda e Michal. Ele franze a testa, desejando ter algo mais atraente para usar. Veste uma blusa bege de manga comprida e a calça. 

  É um pouco sem graça, mas vai ter que servir. É o que ele tem. Jimin  seca o cabelo com a tolha, depois o penteia, então desce a escada. Pela parede de vidro que cerca a escadaria, observa Jungkook na cozinha. Está diante do fogão com um casaco cinza-claro, calça jeans preta rasgada e um pano de prato no ombro. Está fritando bacon — o cheiro é delicioso — e dançando  ao ritmo da música que ecoa pelo cômodo. Jimin não consegue conter o sorriso. Enquanto faxinava o apartamento dele, ele nunca encontrou qualquer indício de que o Jungkook soubesse cozinhar.

  De onde ele vem, os homens não cozinham. Nem dançam enquanto cozinham.

    Os ombros amplos contraídos, o quadril pequeno se mexendo e os pés descalços batendo no chão ao ritmo da música são fascinantes. Ele sente uma tensão deliciosa na barriga. Ele passa os dedos pelo cabelo úmido, então vira o bacon. Ela fica com água na boca.

  Humm... o cheiro.

  Humm... a visão dele.

  Ele se vira de repente e seu rosto se ilumina quando a vê na escada. Seu sorriso enorme é igual ao dele. 

 — Um ovo ou dois?  — grita Jungkook acima da música.

 — Um - diz ele, descendo a escada até o cômodo grande.

  Ele dá meia-volta e fica sem ar ao olhar pelas janelas que vão do chão 

  O mar!

  —  Deti! Deti! O mar! – grita, correndo até as portas de vidro que dão para a  varanda.

           POV Jungkook 

   Diminuo o fogo e corro até as portas da varanda para me juntar a Jimin, que está  pulando de um pé para o outro, incandescente de empolgação

   — Podemos ir até o mar?

  Ele pula para cima e para baixo feito uma criança, os olhos cheios de alegria.

  —  Claro. Aqui. — Destravo a porta da varanda e o puxo para a gente sair. Uma lufada de vento glacial nos pega de surpresa. Está muito frio, mas ele sai correndo, sem se importar com o cabelo molhado, os pés descalços ou a blusa fina.

   Esse homem não tem nenhuma roupa decente? Pego o cobertor cinza jogado no sofá e vou atrás dele. Passo os braços e o cobertor ao redor do seu corpo, abraçando-o enquanto ele admira a vista. Seu rosto está iluminado, maravilhado.

   O Esconderijo e nossas três outras casas de veraneio foram construídos sobre um promontório rochoso. Uma pequena trilha sinuosa no fim do jardim leva até a praia lá embaixo. O dia está claro e sem nuvens. O sol brilha, mas está muito frio e o vento uiva. O mar tem um tom gelado de azul, salpicado de espuma branca, e escutamos as ondas quebrando nos penhascos de cada lado da enseada. Há um cheiro fresco e salgado no ar. Jimin se volta para mim com uma expressão de encanto absoluto.

   — Ande, vamos comer. – Eu me lembro do café da manhã no fogo. – Você vai ficar doente aqui fora. Vamos até a praia depois do café.

  Voltamos para dentro e eu fecho a porta.

  Só falta fazer os ovos! - grito mais alto que a música. 

  — Vou ajudar! – grita de volta Jimin, me seguindo até a cozinha, ainda envolta no cobertor.

  Diminuo o volume do Sonos pelo aplicativo no celular.

  — Assim é melhor.

  — Música interessante — diz Jimin com um tom que insinua que talvez não seja seu estilo

  — É house coreana. Toco algumas dessas músicas quando trabalho como Dj. —  Tiro os ovos da geladeira. — Dois ovos?

 — Não, um.

 — Tem certeza?

 — Tenho.

-Ok. Só um. Vou comer dois. Pode fazer as torradas. O pão está na geladeira.

  Trabalhamos juntos na cozinha, e tenho mais uma chance de observá-lo. Com os dedos pequenos e hábeis, ele pega os pães na torradeira passa manteiga em cada fatia.

  — pronto.

 Pego dois pratos na gaveta de aquecimento e coloco-os na bancada, prontos para receber as torradas. 

 Ele sorri e eu sirvo o resto do nosso café da manhã.

  — Não sei você, mas eu estou morrendo de fome. —  Largo a frigideira na pia, pego os dois pratos e o acompanho até a mesa de jantar,  onde arrumei dois lugares. Jimin parece impressionado.

  Por que isso me dá a sensação de ter finalmente conquistado algo? 

  — Sente-se aqui. Assim pode apreciar a vista.

         POV Jimin 

  

   — Como estava? — pergunta Jungkook.

   Os dois estão sentados à grande mesa de jantar, Jimin na cabeceira, onde nunca tinha se sentado, apreciando a vista do mar.

  — Delicioso. Você é um homem de muitos talentos.

  — Você nem imagina... - diz ele secamente, a voz um pouco rouca. E por algum motivo seu tom de voz e a maneira como ele a olha fazem com que Jimin fique sem ar.

  — Ainda quer dar uma volta?

  —  Quero.

  — Está bem.

  Pegando o celular, ele disca um número. Jimin se pergunta para quem está ligando

 — Danny —  diz ele. — Não, Estamos bem. Pode trazer um secador de cabelo para cá... Ah, já tem? Ok, Então preciso de um par de galochas ou botas de caminhada.— Ele olha para o rosto de jimin. — Qual tamanho? —pergunta.

   Ele não tem ideia do que ele está falando. 

  — Quanto você calça? explica ele.

  —  Trinta e oito.

  — Isso é, hum.. tamanho cinco, e meias, se tiver alguma. Sim. Para um homem. Não importa, E um casaco quente decente... Sim. Para um homem... Magro e pequeno. O mais rápido possível. — Ele ouve por um instante. —Fantástico — diz, e desliga

  — Eu tenho casaco.

  — Mas não vai esquentar você direito. E não sei como é o esquema das meias na Albânia, mas está frio lá fora.

   Ele fica sem graça. Só tem dois pares de meias porque não pode comprar mais - e não podia pedir outro para a Magda. Ela já tinha feito muito para Jimin.

Dante e Ylli confiscaram a bagagem de Jimin, e quando ele chegou e Brentford, Magda queimou a maioria das roupas que vinha usando. Não tinham mais condições de serem usadas.

 —  Quem é Danny?

  — Ela mora aqui perto – responde Jungkook, voltando a atenção para os pratos ele  vazios e ficando de pé para tirar a mesa. 

  — Pode deixar – diz ele, chocado que ele esteja fazendo aquilo - – Vou lavar os pratos também.

  Ele pega os pratos da mão de Jungkook e os coloca na pia.

 aquilo. 

 — Não. Eu vou fazer. Deve ter um secador de cabelo na cômoda, dentro do armário do seu quarto. Vai secar o cabelo.

 —  Mas...

  Claro que ele não vai lavar a louça! Nenhum homem faz isso!

 — Sem “mas”. Eu vou arrumar. Você já cuidou da minha bagunça muitas vezes.

  — Mas é meu trabalho.

  — Hoje, não. Você é meu convidado. Vá. — Articula cada palavra. Seu tom é ríspido. Um arrepio de apreensão percorre suas costas. — Por favor — acrescenta ele.

  — Está bem - sussurra Jimin e corre para fora da cozinha, confuso e sem saber se ele está bravo com ele.

   Por favor, não fique bravo.

  — Jimin — chama ele.

  Ele para diante da escada e olha para os próprios 

  — Você está bem?

  Ele faz que sim, então sobe correndo.

           POV Jungkook 

   

   Que porra foi essa?

   O que eu disse? Observo a silhueta dele se afastando e reparo que evita me encarar de propósito.

  Merda.

   Eu o magoei, mas não sei como nem porque. Fico tentado a ir atrás dele, mas decidi não fazer isso e começo a encher a lava-louça e a limpar a cozinha. Vinte minutos depois, enquanto estou guardando a frigideira interfone toca.

    Danny

   Olho para o alto da escada, torcendo para que Jimin apareça, mas não há sinal dele. Aperto o botão para liberar a entrada de Danny e desligo a música, sabendo que ele não vai aprovar.

 

                POV Jimin 

  O ruído agudo do secador ecoa em seus ouvidos enquanto Jimin penteia o cabelo sob o vento quente. A cada escovada, seu batimento cardíaco se acalma um pouco. Ele falou igualzinho ao pai dele.

  Ele reagiu como sempre fazia com o pai, saindo de perto. Baba nunca o perdoaria, nem à sua mãe, pelo fato do único filho ter um útero. Mas era sua pobre mãe quem suportava o peso da raiva dele.

   Mas Jungkook não tem nada a ver com seu pai.

   Nada. Termina de secar o cabelo e sabe que o único jeito de se recompor e esquecer a familia por um tempo é tocar piano. Música é sua fuga. Sempre foi sua unica fuga. 

   Quando ele desce, Jungkook sumiu. Ele se pergunta para onde ele foi, os seus dedos anseiam por tocar. Senta-se diante do pequeno piano vertical cancro, abre o tampo e, sem preâmbulos, começa o "Prelúdio em Dó Menor", de Bach. A música brilha pelo cômodo em tons de laranja e vermelho, afastando qualquer pensamento sobre seu pai e libertando-o. Quando ele abre os olhos, vê que Jungkook estava observando.

   — Foi incrível - sussurra ele.

   — Obrigada.

   Ele dá mais um passo na direção de Jimin e acaricia seu rosto com as costas dos dedos, então ergue o queixo dele, fazendo-o se perder naquele olhar magnético. Os olhos de Jungkook têm uma cor espetacular. Quando ele se inclina, jimin acha que vai beijá-lo. Mas não o faz.

  — Não sei o que fiz para magoar você - diz ele. Ele  leva os dedos à boca de Jungkook, silenciando-o. 

  — Você não fez nada de errado —sussurra. Os lábios dele se comprimem para dar um beijo em seus dedos, e ele puxa a mão 

 — Bem, se fiz, me desculpe. Quer dar aquela voltinha na praia agora? 

   Jimin sorri.

  — Sim.

  — Está bem. Vai ter que se agasalhar bem.

     POV Jungkook 

   Jimin está impaciente. Praticamente me puxa pelo caminho de pedra. Descemos até a praia e ele não consegue mais se controlar. Solta minha mão corre em direção ao mar bravo, derrubando o gorro e deixando o cabelo voar ao vento.

  —   O mar, o mar! - grita ele e rodopia com os braços abertos

    Sua irritação de antes é esquecida, seu sorriso está enorme e o rosto, iluminado de alegria. Caminho pela areia grossa e pego o gorro de lã caído.

  — O mar! – grita de novo, mais alto que o rugido da água, gesticulando loucamente, os braços parecendo um moinho agitado, recebendo cada onda que quebra na beira da praia.

  É impossível não sorrir. Seu entusiasmo descontrolado por esse evento inédito é envolvente e emocionante demais. Sorrio enquanto ele dá gritinhos e dança pulando para trás, evitando as ondas grandes que estouram.

  Está ridículo, com galochas e um casaco enorme. Seu rosto está corado, seu nariz, cor-de-rosa, e ele está absolutamente deslumbrante. Meu coração fica apertado. 

  Ele corre na minha direção com uma inocência infantil e segura minha mão. 

  —  O mar! —  grita de novo, e me arrasta em direção às ondas. Eu vou de bom grado, entregando-me à sua alegria.


Notas Finais


Até a próxima!!


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