História Loser - Capítulo 23


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais um capítulo, espero que gostem <3

Capítulo 23 - 18- "In the mirror, you're..."


Sorri para ele, totalmente espontânea, e me apresentei em seguida. Depois disso, não se tinha muito o que dizer, até que um barulho vindo de minha barriga cortou o silêncio, foi quando percebi que estava faminta. Tão faminta que o barulho fora alto suficiente para ele ouvir. Que vergonha.

Nos olhamos sincronizados e a cena foi tão inesperada que chegou a ser engraçada, e nós dois começamos a rir.

— Você me fez lembrar que eu estava indo para o mercado quando nos encontramos - ele comentou. - não quer me acompanhar? Comemos algo e depois retornamos à sua misteriosa busca.

— Pode ser. - falei, ainda rindo.

Então, nos levantamos do banco e saímos na direção que tínhamos vindo antes, me lembro de ter visto um mercado por entre as ruas, mas deixei que ele me guiasse desta vez.

Não conversamos tanto quanto antes, e o silêncio não foi tão desconfortante quanto pensei que seria, na verdade, foi ótimo. Esse garoto me passava algo de confiança, era muito distinta da que eu sentia com Lucas Black. Talvez ele possa se tornar meu primeiro amigo. Sorri com ideia. A partir de hoje, eu poderia não ser mais tão sozinha. A minha vida poderia mudar.

Durante a ida até o mercado, me questionei sobre a possibilidade de o conhecer melhor, mas isso significaria também deixá-lo me conhecer, e se ele não gostasse mais de mim depois que souber meus segredos? E se me largasse sozinha aqui? Eu temia que o pior acontecesse, já que não estou acostumada a receber coisas boas em minha vida, e então, quando finalmente acontecesse, sinto que vou estragar tudo.

Compramos dois pacotes de biscoito recheado, ele pagou e então saímos do mercado.

— No que estava pensando? - Gabriel perguntou.

— Não é nada importante. - falei, sem jeito, tentando convencê-lo que era verdade.

Ele apenas assentiu, e me guiou até o mesmo banco que estávamos anteriormente, eu andava mais distraida que o normal, começo a aceitar a ideia de que não iria encontrar o Black de jeito nenhum, talvez não hoje, o melhor a se fazer seria voltar para casa e espera-lo lá, mais segura.

— Não se desanime. - Gabriel voltou a falar. - você vai encontrá-lo, seja lá quem você estiver procurando. Eu irei ajudar.

Senti sua mão tocar em meu ombro, em sinal de apoio e aquilo pôde me reconfortar de alguma maneira. Não pude conter o sorriso.

— Obrigada, de verdade. - falei. - você é uma ótima pessoa.

— Você é a primeira que acha isso. - sua voz soou com tristeza.

— E você é o primeiro que ficou do meu lado por mais de cinco minutos. - falei num tom divertido, tentando descontrair, mas ainda foi uma cruel verdade. Quando senti que ele parecia comigo, não era apenas pressentimento, era verdade também.

— Parece que estamos na mesma situação, então. - ele brincou, e eu sorri, concordando.

— Eu adoraria ouvir sua história. - eu disse. Queria conhecê-lo, saber dos seus defeitos, problemas, saber se minha intuição estava certa ou errada e era este o momento, e também seria um ponto de partida para a amizade que tanto estava fantasiando.

— Não sou tão interessante quanto deve estar pensando. - ele disse. Mas eu não me importei. Eu tampouco era importante.

— Eu não pensei em nada. Pode me contar. - falei, depois percebi que eu poderia estar colocando pressão e talvez ele não quisesse contar nada a mim, abaixei a cabeça. - Na verdade, não precisa se não quiser, me desculpe.

— Não se desculpe de novo, e por tudo, também estou curioso para saber quem estou procurando e o quão importante este alguém é na sua vida.

Eu sorri. Talvez eu devesse começar e lhe dar confiança.

— Muito bem, é um garoto e eu moro com ele. - comecei, não sabia se seria conveniente dar mais detalhes, e também não sabia que palavras usar, era complicado.

Ele não disse nada. Estranhei.

— Você não vai dizer nada? - perguntei, inocentemente. Ele desviou o olhar para mim, sua expressão já havia mudado para a mesma de quando eu o conheci, sem aquela luz em seus olhos.

— Ele é seu namorado então? Ou algo do tipo? - perguntou. Eu cogitei a ideia por um instante, parecia loucura e ao mesmo tempo era convidativo.

— Não, não, magina, ele é apenas um cara que estuda no mesmo colégio que eu, e meu pai fez o desprazer de dar a minha guarda à ele. - soltei cada palavra em tom de repúdio, parecia que aquilo estava preso na minha garganta a bastante tempo, foi um alívio soltar este nó, não tinha contado para mais ninguém depois de Felipe. Eu não gostava de morar lá, ainda que dormisse com Bianca, os assédios não cessaram, as vezes tinha até medo de tomar banho, com trauma da primeira vez que estivesse aqui, pelo menos Black tinha a consciência de não me deixar sozinha com Maicon, isso também contribuía para me confundir, pois não sabia se eu podia ou não confiar. Era tão difícil. Suspirei pesadamente.

— Entendo. - ele disse. - deve ser complicado para você então.

— Sim, mas já estou acostumada. - não conseguia disfarçar o tom de tristeza ao falar, ficamos alguns minutos naquele silêncio reconfortante que eu estava começando a gostar, até ele voltar a falar.

— Só não entendo o por quê disto. -falou. Eu não havia entendido. - se não gosta de morar com ele, porque o está procurando?

Fui pega de surpresa. Procurei a resposta no fundo do meu inconsciente e senti um vazio imenso ao não encontrar nada. Simplesmente não tinha motivos. Eu não sabia porque o estava procurando, contando tudo que ele já me fez, eu deveria estar agradecendo e curtindo meu dia como se fosse o último, já que não teria e nem tenho ideia de quando ele vai aparecer.

— Não queria te deixar desconfortável com minhas perguntas, perdão. - ele disse, ao perceber que não obteve resposta. Eu apenas assenti.

— Não sei bem como agir com as pessoas, não costumo ter amigos. - continuou, admirei sua tentativa de puxar assunto, então resolvi esquecer o ocorrido agora a pouco.

— Eu também não, é novidade para mim também. - sorri. - as únicas pessoas com quem converso são... - dei uma pausa

— As que me fazem bulliyng. - falamos em uníssono. Nos entre olhamos e eu tive certeza de que o que pensei sobre ele estava correto. Começamos a rir.

— Parece que passamos pela mesma situação sempre. - eu disse.

— Então este garoto, por quem você procura, moram juntos e ele também faz bulliyng contigo? - perguntou. Eu assenti, já não me importava em contar mais nada, até parecia que ele sabia de tudo.

— Em que colégio estuda? - eu perguntei.

— Naquele perto da praça, atrás da avenida principal. - disse, meio distante. Eu arregalei os olhos. Não era possível, tantas coisas em comum e nunca nos cruzamos antes, até parecia coisa do Destino.

— Também sou de lá, como nunca nos vimos? - me animei, eu estava encantada em finalmente ter um amigo, até parecia um sonho e que logo eu iria acordar, e perde-lo para sempre.

— Deve ser porque não temos muitos amigos e infelizmente sofremos opressão. - ele disse, eu concordei; com um grande sorriso no rosto lhe perguntei se podíamos ser amigos a partir de agora, ele respondeu-me um indiferente "talvez", que me fez desanimar levemente.

Como já estava anoitecendo, deveríamos parar com a conversa, infelizmente, e seguir o caminho.

— Vamos, ainda não encontramos o Black. - deixei escapar o nome, não via mais problema em esconder. Comecei a andar até que percebi que ele não havia me seguido. Virei para trás, ele me olhava diferente.

— O que aconteceu? - perguntei, me aproximando.

— É esse idiota que você está procurando? O Lucas Black? - a maneira como ele pronunciava o nome era com nojo, e desprezo. Aquilo não me agradou.

—Não o chame de idiota. - bradei.

— Como você defende alguém como ele? - exclamou. - Esqueça, idiota fui eu que não percebi antes, você mora e gosta do cara que faz bulliyng com metade da escola, inclusive a mim. Que tipo de pessoa defende um cara assim?

Eu não conseguia mais dizer uma palavra. Meus olhos cheios de lágrimas me impediram de ver seu rosto, a minha raiva foi tanta que só consegui caminhar para o lado oposto ao que íamos, passei por ele sem dizer uma palavra. E fui embora. Chateada por suas palavras e atitude.

Black não era totalmente ruim como se mostrava ser, eu acredito nele. Eu acho que gosto dele.

***

Messenger by Gabriel:

"Viva sem mim, não me procure mais."



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