História Loser Love - Capítulo 5


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Auto-mutilação, Death Fic, Drama, Yaoi
Visualizações 9
Palavras 1.125
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Escolar, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Cra... Só sla

Capítulo 5 - Sobre o instinto ruim (da minha mãe)


Sobre o instinto ruim (da minha mãe)


 

Quando cheguei em casa naquele dia minha mãe já estava lá. Como sempre, mantivemos nossa silenciosa rotina.

 

Eu olhava para ela. Ela parecia sóbria. Ótimo.

Ela olhava para mim. Eu parecia eu. Ótimo.

Ela apontava a cozinha, significava que era minha vez de cozinhar.

Eu ia até o armário, checava o que tinha. Macarrão. Mostrava para ela. Ela aprovava.

Eu cozinhava ouvindo Beatles nos fones de ouvido. Era um ritual meu.

Comíamos em silêncio. Ela nunca elogiava, mas também não reclamava.

Eu subia para o meu quarto e ela ficava na sala.

 

Naquele dia, quando eu subia as escadas...

 

— Romeu — ela chamou

 

Eu me virei e fiz contato visual. Me perguntava às vezes se eu era tão parecido

com ela quanto eu achava que era. Mas eu torcia todo dia para nunca adquirir aqueles olhos dela, irremediavelmente tristes. Meu pai fazia com que eles sumissem. Mas sem ele…

 

— Ahn… — ela coçou a cabeça e desviou o olhar de mim para a TV — quer assistir tv?

 

Seu convite foi tão humilde que me pegou de surpresa. Voltei para a sala.

 

— O que está vendo? —  perguntei já sentando ao lado dela


 

— Táxi Driver —  ela respondeu simplesmente

 

Confesso que espantei um pouco. Minha mãe assistindo aquele tipo de filme, normalmente ela via única e exclusivamente novelas ou coisas superficiais nesse nível.

 

—  Eu gostava tanto quando era jovem... —  ela continuou, os olhos perdidos na tela

 

—  É um dos meus favoritos

 

  Ela se virou para mim. Perscrutando todo o meu perfil. Deu um sorrisinho, voltou o olhar a tv.

 

 Quando o filme acabou eu estava no décimo quinto sono. Minha mãe me chamava com certa insistência. Abri os olhos dando de cara com seu rosto magro, notei logo que estava deitado no colo dela.

 

 Levantei espantado, nunca na minha vida eu tinha sequer recebido um abraço dela de espontânea vontade, que eu lembrasse.

 

Ela levantou, nada mexida e foi em direção as escadas.


 

—  Boa noite —  ela desejou e foi para o quarto.

 

Ouvi os passos dela e a porta se fechando. A preguiça me segurou no sofá por alguns minutos. Pensei em Rob naquela noite, seu sorriso voltando em minha mente. Não lembrava de ter sentido o que senti naquela noite em nenhum momento anterior da minha vida.

 

 

 

 

      A manhã seguinte era sábado. Acordei umas seis da manhã, e não consegui voltar a dormir. Desci as escadas com a intenção de ligar a TV. Minha mãe estava sentada no sofá, vestida para o trabalho e com a bolsa já em mãos percebi que ela encarava uma garrafa, que estava na mesinha de centro. Era bebida, meu corpo tremeu. Tão cedo? Mal chegamos…

 

    Minha mãe checou o relógio no pulso. Levantou, pegou a garrafa, escondeu entre as revistas no móvel da TV e saiu, sem olhar para trás.

 

    No segundo que a porta se fechou fui até a garrafa. Abri e o cheiro me embrulhou o estômago como sempre fazia; destilado. Corri para a cozinha e despejei tudo na pia. Vi o líquido indo embora apreensivamente, durante alguns segundos imaginei a pia cuspindo de volta a bebida, nem ela a queria, mas quando a visão acabou o líquido era só lembrança.

 

    Enchi de água a garrafinha e devolvi ao lugar. Sentei onde ela estivera observando nossa TV gasta de segunda mão. A anterior foi usada como alvo pela minha mãe numa noite que ela chegou especialmente bêbada.

 

Meu celular tocou, corri escada acima. Meu toque era I Still haven't found what I'm looking for  simplesmente por que eu achava irônico. Era minha mãe. Surpreendido, atendi.

 

—  Mãe? —  chamei

 

—  Desculpe ligar tão cedo — ela parecia estar andando enquanto falava — é que esqueci de avisar, depois do trabalho vou a reunião.

 

—  Tudo bem. Até mais tarde então — tentei soar o mais gentil possível mas estava no máximo da estranheza

 

—  Até — ela respondeu desligando o telefone

 

   Se não fosse quem eu sou hoje, provavelmente essa teria sido a ligação mais estranha da minha vida. Nenhuma peça de encaixava. Minha mãe me ligando e dando satisfação…

 

   Desci as escadas meio sem atenção e dei por mim na cozinha preparando um sanduíche. Tentei usar o poder da mente para ligar a TV mas sem sucesso fui até o controle.

 

—  Você está indo para a morte certa — o homem falava com um outro que estava em um cavalo

 

—  Todas as mortes são certas — o homem do cavalo respondeu

 

    Mais uma vez o Romeu adolescente cresceu as pupilas, adorava coisas daquele jeito, dramáticas e tristes. Enquanto perdia-me em fantasias dramáticas senti meu telefone vibrar

 

Rob: oi

 

    Respondi imediatamente… Eu sei… Era a minha avidez por companhia.

 

Romeu��: oii. Como é o negócio?

 

Rob: ??

 

Me xinguei. Que tipo de pessoa começa uma conversa assim.

 

Romeu��: Quis perguntar como você está.

 

Rob: Ahhh, bom…

 

     Ele mandou uma foto. Os cabelos molhados estavam maiores e mais lisos cobrindo a testa. Um dos olhos estava roxo, o lábio inferior cortado e um curativo no rosto. O braço estava numa tipoia. Ele estava fazendo um positivo com os dedos livres do braço engessado.

 

Romeu��: O q houve?

 

Digitei em fúria.

 

Rob: Eu te disse que tínhamos começado uma guerra. Sabem onde eu moro e me cercaram ontem.

 

Romeu��: Nem sei o que dizer…

 

Rob: Uma caminhada amanhã?

 

Romeu��: Claro.

 

    Ele me disse onde íamos nos encontrar e o horário e nos despedimos. Eu roí as unhas o resto do dia. Olhei meu armário, eu tinha poucas roupas todas muito gastas…

 

    Minha mãe, que chegara umas 7 da noite, passou pelo meu quarto e me viu encarando o armário.

 

— Você chegou ontem e já tem encontro? — ela chegou logo a conclusão certa, sempre foi bem rápida nesse tipo de coisa

 

—  É um possível amigo — “esclareci” um tanto irritado com a intromissão — não quero sair parecendo um mendigo

 

— Entendo… — ela entrou no quarto meio hesitante

 

   Olhou durante alguns segundos e puxou minha camisa roxa e uma calça de moletom de mil anos.

 

— Use esses, roxo fica bem em você… Depois compramos coisas novas — ela olhou ao redor enquanto mexia a cabeça positivamente — Definitivamente vamos comprar coisas novas…

 

    Depois de tantas mudanças eu só tinha ficado com o básico do básico. Era mais fácil de guardar e limpar. Era raro ficarmos mais de seis meses em um lugar…

 

    Meneei a cabeça num sinal positivo. Esperava que ficássemos lá um tempo.

 

— Quando é? — ela voltou falar comigo, quase puxando conversa

 

— Amanhã na parte da tarde —  respondi sentando na cama

 

Ela sentou ao meu lado e durante bastante tempo ficamos em silêncio, era nosso jeito. Então ela colocou a mão sobre a minha. O que ela disse em seguida deixa claro que minha mãe nunca teve bons instintos:

 

— Tenho a impressão que esse lugar vai ser bom para você

 

Ela saiu.


Notas Finais


Então?...


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