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História Losing - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capítulo 13


Fanfic / Fanfiction Losing - Capítulo 13 - Capítulo 13

Quando a manhã chegou, Bert estava desmaiado ao meu lado na cama, e havia cinco pessoas na minha sala de estar e uma na minha banheira. Eu sorri para aquilo durante meio segundo, antes de que minha ressaca me lembrasse não tão gentilmente do quanto eu odiava o mundo. Escovei os dentes e borrifei água no meu rosto antes de voltar ao meu quarto.

Ouvi a porta da frente do meu apartamento se abrir e se fechar sem muito ruído, e espiei, colocando a cabeça para fora da cortina para ver quem era.

Cade havia voltado com um café da manhã gordurento o suficiente para alimentar a todos nós. Inspirei fundo e entrei na sala.

— Você é um salvador de vidas! — sussurrei.

Ele ergueu o olhar, sorrindo, e me entregou um burrito imenso com bacon, ovos e queijo.

— Como você está se sentindo?

Franzi o cenho.

— Como se eu tivesse sido atropelado por um ônibus. Um ônibus realmente pesado, cheio de lutadores de sumô.

Subi no balcão em um pulo, e me arrependi disso por mais dez segundos, enquanto a minha cabeça girava. Ele sentou-se na banqueta de bar abaixo de mim.

O burrito estava perfeito. Uma tortilha espessa e fofinha, ovos quentes, um molho delicioso.

— Estou apaixonado por esse burrito. Eu me casaria com ele se não quisesse tanto comê-lo.

— A tragédia do amor verdadeiro — sussurrou Cade.

Eu meio que sorri e ele meio que sorriu, e, pela primeira vez em anos, eu me senti estranho com o Cade. Desviei o olhar e me concentrei nas pessoas amontoadas na minha sala de estar.

— Como foi tudo depois que eu fui pra cama?

— Mais do mesmo. Se ele já não estava, o Jeremy ficou definitivamente muito louco pelo Bert. A Victoria deixou meio maço de bitucas de cigarro no chão lá fora. E Ray vomitava de um jeito atroz lá no seu banheiro.

Torci o nariz.

— Não se preocupe. Está tudo limpinho. Eu sabia que você teria um ataque do coração se acordasse e se deparasse com tudo aquilo.

Engoli em seco e um peso se assentou no meu estômago.

— Você é bom demais para mim, Cade. — Ele apenas encolheu os ombros.

Ele sempre tinha sido bom demais para mim.

— Escuta... — comecei a falar. — ...sobre ontem à noite...

Ele coçou a nuca, e sua boca se repuxou em um sorriso não muito entusiasmado.

— É, eu acho que nós deveríamos falar sobre aquilo, não? —Ele colocou as mãos no balcão ao meu lado, como se precisasse se segurar para o que estava por vir. Pigarreei, mas isso não tornou a conversa mais fácil.

— Então... você...?

Ele apertou as mãos no balcão, até que os nós de seus dedos ficaram brancos. Então, de uma só vez, ele levantou-se e respondeu:

— É, eu gosto de você. Eu gosto de você... há algum tempo.

Ergui o olhar, mas a expressão dele parecia indecifrável.

— Por que você nunca me disse nada?

— Porque... eu tinha medo. Você é o meu melhor amigo. E você quase nunca namora... Eu simplesmente achei que você não ficaria interessado.

Eu estava interessado? Eu podia sentir lágrimas sem sentido pressionando os cantos dos meus olhos, e pisquei para me livrar delas. Cade era um cara ótimo. E eu adorava passar um tempo com ele. E o beijo definitivamente tinha sido bom. Fazia sentido gostar dele. Eu queria gostar dele, mas...

Gerard era o mas. Será que eu conseguiria parar de pensar nele? Conseguiria parar de querê-lo?

Ouvi Cade suspirar.

— Você não está interessado, está?

Meu Deus, os olhos dele tinham que ser tão expressivos? Eu podia ler neles cada desapontamento, todas as inseguranças. Eu o adorava; disso eu tinha certeza. E acho que um dia eu poderia me apaixonar por ele, mas eu tinha que me livrar dos meus sentimentos por Gerard primeiro. Se isso tivesse acontecido no semestre passado, será que ainda assim eu estaria dividido?

— Sendo honesto, Cade? Eu não sei. "Talvez" é uma resposta terrível? — Ele pensou nisso por um instante, e eu não conseguia aguentar o silêncio. — Não é que eu não goste de você. Para falar a verdade, eu acho você muito perfeito. É só que... você é o meu melhor amigo, e eu não tenho certeza. Eu

preciso ter certeza.

— Eu também quero que você tenha certeza. — Ele inspirou fundo e sorriu, mas não era um sorriso tão brilhante quanto o que eu acostumava a ver nele. — Eu consigo viver com um "talvez".

* * *

Quando cheguei no teatro na manhã de segunda-feira, a lista do elenco e da reconvocação já havia sido postada. As listas do elenco (e de reconvocação) são um monstro por si só. Não passam de um simples pedaço de papel na parede, mas esse papel fica cercado de pessoas que já sabem do seu destino e se torna algo parecido com andar até a forca.

Olhares voltaram-se na minha direção. Eu me esforcei para medir as reações deles. Era com pena que estavam olhando para mim? Estavam apenas escondendo a sua animação? Com os dois pés separados, eu existia em um mundo diferente do deles, um mundo diferente do daquelas pessoas que já haviam lido aquele pedaço de papel. E quando eu me juntasse a eles, a pressão não pararia. Ao ver a lista, não se pode demonstrar emoções. Não se pode chorar por um papel que a gente não conseguiu, nem falar mal de quem conseguiu o papel. Não se pode gritar de animação e nem de raiva. A gente tinha que simplesmente ler a lista, e não expressar emoção nenhuma. O que poderia não parecer tão difícil assim, exceto que... somos atores. Expressar emoções é o que nós fazemos.

Cade me encontrou a pouco mais de um metro dali.

— Você já viu?

Ele balançou a cabeça em negativa. — Não, eu estava esperando por você.

As coisas ainda estavam um pouco estranhas desde quando havíamos conversado no dia anterior. Ainda não tínhamos sacado bem o que aquele todo importante talvez significava para nós. Porém, naquele momento, isso não vinha ao caso. Éramos dois atores, prestes a encararmos a rejeição ou mais uma batalha. Estávamos cheios até o topo de ansiedade, até mesmo se tentássemos não demonstrar isso, e não havia mais lugar para as outras múltiplas emoções que rolavam entre nós naquele momento.

Ele pegou minha mão, e eu não me permiti me preocupar com o que aquilo poderia significar. Eu precisava do conforto. Precisava que ele me equilibrasse. E estava bem certo de que ele precisava do mesmo. Nós demos os últimos poucos passos rapidamente em direção à lista, e a multidão que ali estava se ajustou para nos deixar passar.

Hipólito era o primeiro da lista; ele era o enteado.

Havia sete nomes de garotos chamados para novas audições, e Cade e Jeremy estavam entre eles.

Ergui o olhar para ele, que estava completamente estoico. Nada transparecia em seu rosto. Nem animação, nem nervosismo. Sete garotos convocados novamente queria dizer que o diretor não estava certo de quem ele queria para o papel. Significava que ele não tinha visto ainda o que queria. Significava que o papel poderia ir para qualquer um, quem quer que elevasse o nível durante as reconvocações.

Dei um apertãozinho na mão do Cade, que imediatamente apertou a minha em resposta. Eu sei que as pessoas falam de seus corações disparados o tempo todo, e que isso nem mesmo parece ser lá grande coisa. Mas, quando voltei a olhar para a lista, o meu coração estava disparado como se minha vida inteira estivesse naquela última linha. Os sons soavam indistintos aos meus ouvidos, e minha visão havia se estreitado, e eu me sentia como se estivesse prestes a fazer algo aterrorizante e glorioso que poderia significar voar ou cair —sucesso ou desastre.

Meus olhos se depararam com o nome FEDRA, assim, em negrito, embaixo da lista.

E então eu vi meu nome, nada além do meu nome, como se fosse a luz no fim do túnel. Era melhor do que cruzar qualquer linha de chegada. Era como dar aquela respirada pela primeira vez quando eu tinha certeza de que estava me afogando, quando estava certa de estar morrendo.

Contive o alívio e a alegria, porque as pessoas estavam observando, e porque essa era apenas uma lista de reconvocação. Isso só queria dizer que eles não haviam me eliminado ainda.

A outra mão de Cade juntou-se às nossas outras mãos já entrelaçadas, cobrindo a minha por completo. Meus olhos continuavam a analisar a parte de baixo da lista.

TESEU.

Isso não poderia estar certo. Teseu era um personagem. Os meus olhos subiram novamente, procurando pelo que eu havia deixado de notar. Havia sete nomes embaixo de Hipólito. E lá, debaixo de Fedra, havia apenas o meu.

Eles não estavam chamando ninguém de volta.

Apenas eu.

Eu tinha conseguido o papel. E então, quebrando todas as regras da lista, eu dei um grito. Cade riu, me pegou pela cintura e me ergueu, me girando no ar. As pessoas ao nosso redor batiam palmas, e eu sabia que alguns tinham ouvido rumores do nosso beijo, com base na forma como eles olhavam para nós. Porém, por um instante, por um momento delicioso, nada disso importava.

Eu tinha conseguido o papel.



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