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História Losing - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Capítulo 14


Fanfic / Fanfiction Losing - Capítulo 14 - Capítulo 14

Fui para a aula de Preparatório Sênior atordoado.

Eles sempre chamavam as pessoas de volta. Ainda que tivessem muita certeza de que sabiam quem eles queriam, era uma chance de ter certeza, de ver o melhor mais uma vez. Mas eles me selecionaram de imediato, o que queria dizer que eles já tinham certeza.

Alguma coisa inchou-se no meu peito, e antes que eu pudesse evitar, lágrimas se acumulavam nos meus olhos. Fiquei um segundo atrás das cortinas antes de entrar no espaço da sala de aula. Tentei respirar fundo várias vezes, mas isso não soltou nada da emoção contida no meu peito. Então, fiz a próxima coisa lógica.

Eu dancei.

Dancei sem música. Gritei sem som. Celebrei em silêncio, no escuro, atrás das cortinas, onde ninguém podia ver. Exceto que, com a sorte que eu tenho, alguém tinha visto, ah, se tinha!

— Acho que você viu a lista.

Fiquei paralisado, mas meu traseiro ainda se inclinou para a esquerda da minha última mexida de quadris para celebrar o papel que eu tinha conseguido. Lentamente, endireitei a minha postura, me virei e disse:

— Oi, Gerard...

Ele estava com os lábios franzidos e os olhos arregalados e eu sabia que ele se esforçava muito para não dar risada.

— Olá, Frank. Parabéns.

Meus cabelos estavam bagunçados devido à dança, então enfiei os fios atrás das orelhas da melhor maneira que pude fazer.

— Obrigado. Eu estou, hum, muito animadao.

— E deveria mesmo. Sua audição... — Ele deu um passo aproximando-se de mim, e, como sempre, a presença dele removeu o embaraço e qualquer outra emoção, e substituiu-os pelo calor, pelo desejo. — A sua audição foi fantástica. Não havia ninguém à sua altura.

Engoli em seco, mas o nó na minha garganta continuou lá. O meu "obrigado" saiu como um sussurro.

— Mas na noite de sexta-feira...

— Meu Deus...

— Por mais fofo que você estivesse, por favor, não fique tão bêbado daquele jeito de novo. Eric precisará que você esteja no seu melhor para esse papel.

— É claro — assenti, petrificado. — Realmente, eu juro.

— E... eu também fiquei preocupado com você.

— Ah.

Ele passou os olhos pelo meu rosto, movendo-os rapidamente pelos meus cabelos que, sem dúvida, conferiam a mim uma aparência de louco e depois para meus lábios, e depois, rapidamente, baixou para minha perna.

— Eu não gosto de ficar preocupado com você.

Parecia que meu coração fugiria da minha caixa torácica se eu não fizesse alguma coisa logo. Esse era um território perigoso. Havia coisas que se elevavam dentro de mim, coisas que iam além da atração, além da obsessão pela aparência dele e pelo seu corpo e pelo seu sotaque... coisas perigosas.

Os dedos dele tocaram uma mecha de cabelos próximos da minha bochecha, e a proximidade de sua pele fez com que eu sentisse como se estivesse à beira de explodir.

Sorri e tentei aliviar a situação.

— Provavelmente você deveria se preocupar consigo, pois, se você me chamar de "fofo" de novo, vai acabar ficando machucado, possivelmente mutilado para o resto da sua vida.

Ele deu um passo mais para perto de mim, e parecia que o mundo se encolhia ao nosso redor. Ele aproximou ainda mais sua mão, que estava nos meus cabelos, do meu rosto, e os nós de seus dedos roçaram a minhabochecha. Ele abaixou o tom de voz e disse:

— Já que eu não posso muito bem usar a palavra alternativa aqui para me referir a você, "fofo" vai ter que servir por ora.

A minha mente volveu, em flashback, à primeira vez em que ele disse que eu era "fofo". Eu estava com a calça presa, enrolada em volta dos meus joelhos. Depois ele havia falado que eu era muito gostoso e me ajudou a tirar a calça. Claramente eu precisava aprender a parar de dizer a primeira coisa que me vinha à cabeça. No entanto, eu não conseguia pensar nisso nesse instante, porque minha mente estava presa nas últimas duas palavras dele... por ora, por ora, por ora.

Ele pigarreou e deu um passo para trás, deixando cair o cacho de cabelos que tinha prendido entre os seus dedos.

— Por que você não se senta para assistir à aula?

Assenti, passando rapidinho por ele e pelas cortinas.

Havia um assento reservado para mim entre Bert e Cade, e os dois estavam com idênticos imensos sorrisos no rosto. Eu sorri, tirando o encontro com Gerard da minha cabeça para me esbaldar mais uma vez em minha alegria. Bert inclinou-se para a frente para me dar um abraço quando me sentei, e sussurrou ao meu ouvido:

— Eu acho que sentir tesão pelo professor realmente ajudou você a entrar no papel. Estou tão orgulhoso de você.

Olhei feio para ele, sem muito entusiasmo, mas assenti agradecendo. E depois me voltei para Cade.

Nós havíamos dado as mãos antes, e nos abraçamos quando eu fiquei sabendo que tinha conseguido o papel, mas eu não tinha certeza de qual era o protocolo agora. Viver no mundo do "talvez" era... complicado. Antes, não havia esforço entre mim e Cade. Estar com ele era simplesmente tão desprovido de pressão quanto estar sozinho. E agora, de repente, havia essa intensidade em relação a tudo que fazíamos e tudo que dizíamos.

Era como se minha vida tivesse sido marcada com itálico. Quando nos tocávamos, eu notava. Quando não nos tocávamos, eu notava... E, de repente, eu não conseguia encontrar nenhum meio-termo. Nenhum talvez. Então, fiquei paralisado. Nós estamos ambos à espera, presos naquela área entre a ação e a recusa.

Éramos inércia.

Então Gerard pediu ordem à classe e a esquisitice foi adiada um pouco mais. Eu sabia... eu sabia que em algum momento teríamos que superar isso... dar um jeito de coexistir novamente. Pode-se adiar algumas coisas apenas por determinado tempo antes de que o circo venha a pegar fogo. Porém, com certeza, eu poderia esperar um pouco mais. Hoje era um dia excitante, e não havia nenhum motivo para que eu fizesse chover no meu próprio desfile.

Quando a aula acabou, Eric esperava por mim do lado de fora da sala.

— Bom dia, Frank. Eu posso falar com você por um instante?

Pisquei, pego desprevenido.

— É claro que sim.

Ele abriu a porta do teatro, e fez um gesto para que eu voltasse a entrar lá. Entrei, seguindo-o, passando pelas cortinas, e ele acenou em direção a um assento diretamente ao lado de Way. Eu me sentei com cuidado e olhei de relance entre eles, incerto quanto ao que estava acontecendo.

Então a ficha caiu para mim.

Ele havia descoberto.

Por que outro motivo ele ia querer falar comigo e com Gerard? O que ia acontecer comigo? Será que eles me chutariam do departamento? Da faculdade? No mínimo, eu provavelmente perderia minha bolsa de estudos. E então, como eu pagaria a faculdade?

Havia um clamor nos meus ouvidos, e o puxão da gravidade parecia tão pesado que eu sentia como se fosse afundar no chão. Provavelmente, Gerard perderia o emprego. O que ele faria então? Voltaria à Filadélfia ou Londres ou a algum outro lugar e eu nunca mais o veria de novo? Eu me voltei para ele, tentando transmitir o meu pesar com um olhar, mas ele estava... sorrindo?

— Frank — disse Eric. — Eu tenho que admitir que eu estou surpreso.

O ar deixou os meus pulmões com tudo.

— Se-senhor, eu estou tão...

— Você certamente foi bom em seu tempo aqui, nos últimos anos, mas eu não fazia a mínima ideia de que você era capaz do desempenho que teve nas audições, principalmente atuando como um personagem do sexo oposto.

Eu ainda estava com os dentes cerrados e prendendo a respiração pela vergonha vindoura, então demorei um instante para perceber que, no fim das contas, ela não viria.

— Você sempre foi um pouco na sua, eu acho. Controlado. Cuidadoso. Mecânico poderia ser a melhor palavra para descrevê-lo. No entanto, naquelas audições, você vivia o momento. Você sentia, em vez de pensar. Eu vi em você tons de emoção, força e vulnerabilidade, desejo e repulsa, esperança e vergonha... foi simplesmente cativante! Eu não sei o que você está fazendo ou o que fez, mas, por favor, continue assim. Você é muito melhor quando faz escolhas ousadas.

Espontaneamente, meus olhos se travaram nos do Gerard. Será que ele sabia? Teria ele adivinhado que era ele? Que essa coisa entre a gente havia feito com que eu sentisse coisas que nunca havia sentido e assumisse riscos que eu teria me negado a assumir não fazia muito tempo? Minha noite com ele era possivelmente a única coisa impulsiva que eu já havia feito na minha vida.

— Obrigado, senhor.

— De nada. Seja bem-vindo. Eu estou muitíssimo ansioso para trabalhar com você. Falando nisso, eu gostaria de que você viesse às sessões na quarta-feira com o pessoal cujos nomes estavam na lista. Nós gostaríamos que você lesse algumas cenas com Hipólito, de modo que possamos ter uma boa ideia da química e de como vocês ficam no palco.

— É claro, estarei aqui.

— Ótimo. Gerard estará lá para responder a qualquer pergunta sua também. Ele vai ser o diretor de cena dessa produção, então, se você precisar de alguma coisa, pode vir falar com qualquer um de nós dois.

Ele me deu um tapinha amigável e leve no ombro, e saiu. Então eu fiquei sozinho com Gerard. Meu coração ainda batia impacientemente, fosse por causa do medo de que houvéssemos sido descobertos ou apenas porque eu estava sentado ao lado do único cara que eu queria, mas que não podia ter.

— Eu não consigo lembrar se mencionei isso, mas estou realmente orgulhoso de você — disse Way.

— Obrigado. Eu acho que ainda estou em estado de choque.

— Bem, acostume-se com isso. Pelo que eu vi, acho que você não terá que se preocupar com direção de cena, a menos que você queira. Você é um ator, Frank, quer você acredite nisso ou não.

Assenti, arquivando esse pensamento.

— Você pensou mais sobre isso? Sobre o que vai querer fazer depois de se formar?

Fiquei cutucando os fios desgastados no joelho da minha calça jeans.

— Na verdade, não...

— Bem, se você quiser conversar sobre isso, você sabe que sempre pode vir falar comigo.

Ergui uma sobrancelha para ele, incapaz de colocar em palavras o quão absurda era aquela ideia.

Ele disse: — Estou falando sério. Você age como se não fosse possível sermos amigos.

Se é que era possível, minha sobrancelha ficou ainda mais arqueada. Só de pensar em ser amigo dele.... era impossível imaginar isso. Eu não pensava em como meus amigos ficariam nus e sobre o tamanho de seus paus. Eu não me martelava em relação a transar com meus amigos. E, definitivamente, eu não me tocava pensando nos meus amigos, é isso.

Ele deu risada baixinho e balançou a cabeça.

— Certo, certo... então, talvez sermos amigos seja um avanço de sinal, mas eu realmente espero que você venha até mim se precisar de alguma coisa... de qualquer coisa que seja.

O fluxo de desejo que eu sentia era diferente de quaisquer dos outros impulsos que eu senti antes em relação a ele. O desejo de estar com ele ainda estava lá, mas agora eu queria mais do que isso. Eu queria me aninhar nos braços dele só para descansar a cabeça, só para sentir seu conforto.

Eu queria enroscar meus dedos em seus cabelos e beijar seu queixo, seus lábios.

Eu estava ficando louco, mas eu queria que meu professor fosse meu namorado.



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