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História Losing - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Capítulo 8


Fanfic / Fanfiction Losing - Capítulo 8 - Capítulo 8

Parecia que haviam se passado horas antes de ele desviar o olhar de mim. Quando ele fez isso, o sorriso que ele deu para a classe era inquieto, e ele puxava, distraído, a gravata que tinha em volta do pescoço.

— Obrigado, Eric, mas, por favor, pessoal, podem me chamar de Gerard.

Acho que eu podia, na verdade, sentir os hormônios sendo liberados na atmosfera quando as garotas na sala ouviram o sotaque dele. Senti que Bert estava com os olhos fixos em mim, mas fixei os meus nas luzes suspensas lá em cima do palco, e tentei pensar de modo que as batidas do meu coração se acalmassem.

Isso era ruim. Isso era ruim. Isso era RUIM DEMAIS!

— Como disse ao Eric, eu me graduei aqui, e depois terminei a pós-graduação no último mês de maio, com um Mestrado em Belas Artes em Atuação, pela Universidade de Temple, na Filadélfia. Eu estava trabalhando fazia cerca de seis meses na cena teatral quando Eric me ligou e me perguntou se eu estaria interessado em assumir esse cargo temporário como professor aqui.

Olhei de relance e de esguelha para ele, ao mesmo tempo na expectativa e temendo o pensamento de travar contato visual com ele. Ele não estava olhando para mim. Para falar a verdade, o corpo inteiro dele estava virado em um ângulo na direção dos alunos do outro lado da sala, praticamente ignorando a parte inteira onde eu estava sentado.

Além do fato de que ele estava deliberadamente não olhando para um lado da sala, não havia nenhum sinal de que estivesse preocupado ou irritado de alguma forma; enquanto eu podia sentir o ardor nas minhas bochechas e podia sentir que minhas mãos tremiam enquanto eu pressionava os meus joelhos com elas.

— Eu adorei meus quatro anos aqui, e estou, hum... — Ele olhou de relance para mim, e não pude fazer nada além de olhar para ele de volta, com os olhos arregalados e petrificado. Ele pigarreou e voltou seu olhar contemplativo para o outro lado da sala. — Estou realmente animado em estar de volta.

Eu queria rastejar, entrar em um buraco e morrer. Eu queria entrar em um buraco no fundo de um penhasco, rastejando, e

então ser enterrado por uma avalanche e, depois, morrer. Eu queria... chorar.

Eric pediu licença e então saiu, para que conhecêssemos nosso novo professor. Eu desejava que pudesse pedir licença e sair também, porque acontece que eu já o conhecia muito bem.

— Bem, então... — Gerard começou a dizer. — Estou vendo que eu não sou tão mais velho assim do que vocês, pessoal. — Mais uma vez os olhos dele voltaram-se para os meus. Isso se tornava quase impossível engolir. — Mas minha meta aqui é fornecer a vocês um pouco de insight quanto à próxima etapa em suas jornadas, vindo de alguém que não está tão longe assim do ponto onde vocês se encontram. Todos nós adoramos o Eric, o Ben, a Kate e o restante do corpo docente, mas vamos encarar a verdade, eles não são exatamente as crianças mais novas no pedaço.

A classe inteira deu risada. Eu estava muito ocupada me concentrando para não vomitar.

— Esse era um mundo diferente quando eles começaram as suas carreiras. Quando eu estava sentado onde vocês estão, nós chamávamos essa aula de Preparatório Sênior, agora eu acho que é chamada de Negócios do Teatro. Na aula, vamos abordar de tudo, desde audições até opções de carreiras para o valor do ator. Nós também passaremos algum tempo falando sobre o lado mais abstrato das coisas. Porque eu odeio ter de falar isso a vocês, pessoal, mas a parte mais difícil desse negócio não é conquistar papéis e nem fazer o dinheiro durar até o fim do mês, embora isso seja difícil. A coisa mais difícil é persistirmos animados e nos lembrarmos do motivo pelo qual fizemos essa escolha em primeiro lugar.

Ele não tinha de se esforçar muito para nos assustar em relação aos nossos futuros. Todos nós já estávamos operando no Nível de Ameaça. Nós já vínhamos tendo conversas e fazendo exame de consciência no meio da noite (enquanto estávamos bêbados, é claro), desde que o ano começara.

— Agora, se vocês não se importam, eu gostaria de ouvir um pouco sobre todos vocês. Por que vocês não me dizem seus nomes e no que estão interessados em fazer depois de se formarem?

Havia cerca de vinte alunos na sala de aula. Os primeiros oito, mais ou menos, todos recitaram os nomes deles seguidos pelo obrigatório "Eu vou me mudar para Nova York". Quando se é um ator, mudar-se para Nova York é quase o sonho de todos. Os sortudos podem na verdade fazer disso o seu plano. Alguns de nós temos que pensar em termos mais realistas. Cade, meu melhor amigo além de Bert, disse:

— Cade Winston. No momento eu estou um pouco dividido entre fazer a pós-graduação e seguir direto para as audições. Eu realmente não sei dizer se eu quero mesmo fazer pós-graduação ou se eu estou apenas assustado.

Gerard sorriu e mesmo embora eu estivesse surtando, eu também sorri. Eu me sentia daquele jeito em relação a muitas coisas na minha vida... não apenas em relação a atuar.

Ele disse:

— Que bom, isso é ser honesto, Cade. E quanto mais honesto você for consigo mesmo, melhor. Esperanças e sonhos são ótimos, mas eles são muito mais fáceis de serem partidos do que um plano sólido. Nós veremos se conseguimos saber exatamente o que você quer enquanto você estiver nessa aula.

Depois disso, foi como se todo mundo se sentisse à vontade para falar o que realmente estava pensando, em vez do que sentíamos do que era esperado de nós. Passamos tanto tempo defendendo a nossa escolha de fazer isso que se tornou difícil mostrar qualquer vulnerabilidade que fosse. Só se aguenta algumas vezes lidar com alguém nos perguntando sobre o nosso retrocesso quando as coisas não dão certo antes de começarmos a pensar que retroceder talvez deveria ser simplesmente nosso plano.

Às vezes eu gostaria de ser um pouco mais como Bert. Ele era praticamente destemido. Embora eu ache que seja fácil ser um pouco destemido quando se tem uma família cheia da grana.

— Robert McCracken. Eu vou tirar um ano de folga para viajar e apenas explorar o mundo antes de decidir o que vou fazer. As pessoas sempre dizem que os atores mais interessantes são as pessoas mais interessantes, então eu acho que é um bom investimento passar um tempinho me tornando mais fascinante do que eu já sou.

— Riquinho.— murmurei baixo.

Ele estreitou os olhos e me deu um rápido beliscão na parte de trás do meu braço em resposta. Gritei de uma forma quase escandalosa e fina demais, e quase caí do meu assento ao mesmo tempo em que Gerard voltou seus olhos para mim e disse:

— E você?

Esfregando o braço, eu tive que desviar o olhar dos olhos dele antes que conseguisse responder.

— Frank Iero. Estou um pouco dividido entre atuar e fazer direção de cena. E já que eles não oferecem realmente programas de mestrado em que se possa fazer os dois, eu acho que vou simplesmente seguir em frente e entrar no, hum, mercado de trabalho ou seja lá o que for.

Voltei a olhar para ele, mas seus olhos já haviam se voltado para Dom, que estava sentado em uma fileira acima de mim. Eu fechei os olhos e inspirei fundo. A mão de Bert encontrou a minha, e ele a pertou de leve. Levou mais uns vinte muitos para terminar as apresentações porque, bem, nós somos um pessoal do teatro. Nós adoramos ouvir a nós mesmos falar.

Com apenas vinte minutos sobrando na aula, Gerard disse:

— Ótimo. Ao que me parece todos vocês pelo menos já pensaram no seu próximo passo. Na quarta-feira eu quero que todos vocês venham para a aula com seus currículos e preparados para uma audição.

— Para quê? — perguntou-lhe Dom. — É a primeira semana de aula. Não haverá nenhuma audição por algumas semanas.

Dom adorava se ouvir falar mais do que a maioria.

— Isso não importa — foi a resposta de Gerard. — No mundo real, pode ser que você vá a dez audições em um dia. Você poderia ter semanas para se preparar ou pode ser que tenha uma hora. Seu trabalho é somente de atuar quando você consegue o papel, até então, seu trabalho é fazer audições, então é melhor que você seja bom nisso. Vocês estão dispensados. Vejo todos vocês na quarta-feira.

Ele abriu um largo sorriso, que não era tão inspirador quanto os sorrisos que ele tinha dado na noite passada, mas ainda era o bastante para fazer com que meus passos ficassem incertos enquanto eu descia a arquibancada. Eu estava nas cortinas, a meros três metros da porta quando ouvi:

— Senhor Iero, posso falar com você por um instante?

A expressão no rosto de Bert estava entre a pena e o júbilo. Pela primeira vez em doze horas eu queria socar alguém que não fosse eu mesmo. — Almoço ao meio-dia? — Ele me perguntou. Eu assenti, mesmo não estando certo de que sobreviveria até o meio-dia. Que inferno, eu nem sabia ao certo se conseguiria ter estômago para ir a minha próxima aula.

Fui devagar caminhando em direção a ele, esperando que o restante do pessoal saísse da sala. No momento, Dom bombardeava Gerard com perguntas, então fiquei um minutinho me distraindo com Cade. Ao passo que Bert era o amigo que me arrastava até os bares e encorajava comportamentos imbecis, Cade era o amigo que sempre sabia a coisa certa a dizer.

As primeiras palavras dele: — Em uma escala de um a dez, como está sua ressaca?

Ergui o canto da boca com um sorriso. Isso era tudo o que eu conseguia fazer em meio ao meu vórtex de emoções, mas era um sorriso mesmo assim.

— Depende... agorinha mesmo? Um consistente sete. Se o Dom tentar puxar conversa comigo... nós vamos precisar de uma escala maior.

Cade deu risada, e algo me fez imaginar como teria sido a noite passada se eu tivesse contado a ele o meu segredo, em vez de contá-lo à Bert. De alguma forma eu duvidava que as coisas teriam saído do mesmo jeito.

— Eu preciso correr. Aula de ciência política. — Ele fez uma careta, e eu concordei com ele, feliz por ter me livrado disso, fazendo essa matéria no ano passado. — Vamos fazer alguma coisa hoje à noite, ok?

— Com certeza.

Dessa vez eu abri um sorriso de verdade, porque o Cade era ótimo para nos distrair, e isso era definitivamente do que eu precisava nesse exato momento: distração. Ele me deu um beijo na bochecha e depois seguiu seu caminho.

Eu me virei em direção a Gerard e me deparei com ele me observando, com os olhos escurecidos e estreitados. Dom já tinha ido embora fazia tempo. Ele devia ter saído pelas portas do outro lado. Nós ficamos lá, parados e em pé, sem jeito, durante vários segundos. As mãos dele estavam enfiadas em seus bolsos, e as minhas estavam mexendo, inquietas, com a alça na mochila que carregava nos meus ombros.

Por fim, ele pigarreou e disse:

— Como está sua perna?

Engoli em seco, e baixei o olhar para as minhas pernas. Eu havia colocado uma bermuda que ficava um pouco abaixo dos joelhos.

— Boa. Troquei o curativo hoje pela manhã. Formou uma bolha, mas até onde eu sei, ou segundo o que eu li na internet, isso é normal.

Olhei para trás, mas os olhos dele ainda estavam fixos nas minhas pernas. Isso era tão embaraçoso. Ele pigarreou de novo.

— Então... você está fazendo faculdade.

— Então... você não está.

Ele permaneceu imóvel por mais um segundo, e então se virou abruptamente para o lado, dando vários passos para longe de mim, e depois ele voltou. Seus dedos puxavam seus cabelos em frustração, e tudo em que eu conseguia pensar era nos meus próprios dedos nos cabelos dele, e no quão macios eles eram.

— Eu pensei... — ele começou a dizer. — Bem, eu não estava pensando muito de jeito nenhum, mas não parece que você é aluno de faculdade. Eu disse que fiz faculdade aqui e que havia acabado de me mudar de volta para cá e você disse "eu também", então eu presumi que você tinha feito a mesma coisa que eu.

Continuei tendo essa necessidade irracional de piscar. Eu não estava chorando nem nada, mas simplesmente não conseguia parar. Eu disse: — Morei no Texas quando era bem novinho. Foi isso que eu quis dizer, que eu me mudei para cá para fazer faculdade.

Ele assentiu uma vez, e depois continuou assentindo. Então ele assentia e eu piscava e nenhum de nós dois dizia o que realmente precisava ser dito. E, visto que eu não suportava silêncio, fui o primeiro a quebrá-lo:

— Eu não vou contar a ninguém. — Ele ergueu as sobrancelhas, mas eu não sabia dizer se era porque ele estava surpreso ou se estava me julgando ou se não passava de um tique facial. — Quero dizer... não que haja alguma coisa... não que nós... quero dizer, na verdade, nós não... hum, formamos a besta de duas costas e coisa e tal.

A besta de duas costas? Sério?

Eu tenho vinte e dois anos de idade e, em vez de simplesmente cuspir a palavra sexo, eu usei uma referência de Shakespeare!

Uma referência de Shakespeare realmente embaraçosa.

E ele estava sorrindo! E o sorriso dele provocava coisas engraçadas em minhas entranhas, e que me levava a pensar na noite passada, o que era definitivamente algo no qual eu não precisaria pensar agorinha mesmo. Nada de bestas. Nada de costas. Nada de noite passada. Desviei o olhar, tentando manter a compostura. Inspirei fundo, e disse com o máximo de calma que consegui:

— Isso é algo para o qual não temos que dar muita importância.

Ele demorou um tempinho para responder, e eu fiquei me perguntando se ele esperava que eu olhasse para ele. Se fosse isso, ele teria de esperar um bom tempo.

— Você está certo. Nós dois somos adultos. Podemos simplesmente esquecer o que aconteceu.

De maneira alguma eu podia esquecer o que havia acontecido. Mas eu podia tentar. Eu podia fingir.

— Certo — assenti.

Eu me virei para ir embora, mas a voz dele me fez parar.

— Como está a sua gata?

— Que gata? Ah! A MINHA GATA. A gata... que é minha. Ah, ela está... — Eu tinha dito que era uma gata, certo? — Ela está bem. Toda miando e ronronando e fazendo outras coisas que os gatos fazem. — Ah, meu Deus, por que a porta tinha que ficar tão longe? Continuei andando para ir embora, dizendo as minhas últimas e poucas palavras por cima do ombro. — Eu tenho que ir para a aula. A gente se vê na quarta-feira, eu acho, ok? Tchau!

Fui andando em alta velocidade porta afora, desci o corredor que dava para a ala de artes, passei pela sala de aula de cerâmica, e entrei no banheiro para deficientes que nunca ninguém usava. Então eu afundei no chão, de joelhos. Eu me concentrei em não hiperventilar. Só eu poderia ter um caso com um professor por acaso. De uma coisa eu estava convicto: de maneira alguma eu iria para minha próxima aula.



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