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História Losing Hope - Capítulo 6


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Notas do Autor


Hey, pessoal! Finalmente atualização de LH!
Gostaria de agradecer muito a todos que estão lendo a fic; já são 110 pessoas acompanhando a história e apesar de ainda não conhecer todo mundo, sou muito grata a todos que estão tirando um tempinho para ler. Obrigada principalmente a todos que estão interagindo comigo nos comentários, é realmente muito importante!
Capítulo dedicado à minha amiga Bruna, que acompanhou comigo pelo whatssap a saga que foi escrevê-lo, se não fosse à força dela, ele provavelmente não sairia tão já, então, muito obrigada, mana! <3
Espero que todos gostem. Boa leitura e até as notas finais!

Capítulo 6 - Uma oferta de ajuda


Hinata caminhava vagarosamente pelas ruas silenciosas de Konoha, realizando um percurso muito conhecido de maneira hesitante, totalmente indecisa em prosseguir com sua ideia inicial.

Seus passos eram lentos e incertos, flagrava-se, diversas vezes, pensando em dar meia-volta e retornar a segurança do seu lar, contudo, a sua impiedosa consciência dizia-lhe que deveria fazer algo para expressar a sua gratidão a Naruto e, por essa razão, insistia em caminhar em direção ao jardim da antiga residência Uzumaki, apegando-se unicamente a esperança de encontrá-lo por lá.

Fazia alguns dias que o Uzumaki visitou o antiquário para devolvê-la o caderno e, desde então, não conseguiu esquecer o gesto, julgando necessário agradecê-lo por ele. 

Porém, o agradecimento não era sua única motivação para procurá-lo. Deveria admitir, no entanto, que queria vê-lo novamente e conhecê-lo um pouco melhor. 

Tinha algo em Naruto Uzumaki que a intrigava, e por razões que ela ainda não conhecia, não conseguia se manter distante. 

Era como seu uma singela ligação tivesse se estabelecido entre eles. Não se conheciam profundamente, sequer haviam se visto mais de duas vezes e trocado muitas palavras, mas apesar de todas essas situações, encontravam reconhecimento no olhar um do outro, viam-se como semelhantes e isso surpreendia Hinata, a desafiava, uma vez que jamais se sentiu assim em relação a alguém. 

Ela nunca sentiu como se alguém de fato a tivesse enxergado. Com exceção de Chiyo, desde que acordou do coma no hospital, sempre esteve sozinha, sem ninguém que se importasse verdadeiramente com ela.  

Mas Naruto parecia enxergá-la. 

De uma forma estranha e completamente inusitada, ele conseguia transpassar as suas barreiras e penetrá-la de uma forma genuína, disposto a conhecê-la, antes de julgá-la. 

Não encontrava essa disposição nos olhos das outras pessoas, nem ao menos tinha a chance de se aproximar, pois faziam questão de evitá-la. Com o tempo, aprendeu a lidar com isso e a não se importar — totalmente. —, com o fato de não ser verdadeiramente vista por alguém. Ela apenas seguia a sua vida da melhor forma que podia, fazendo o possível para passar despercebida em meio à multidão, fazendo questão de ignorar tudo com o poder de machucá-la. 

Porém, reconhecia que nem sempre obtinha sucesso nessa missão. 

Mesmo se esforçando para aprisionar a mágoa e os pensamentos lancinantes, frequentemente era desestabilizada pela solidão que pairava como uma nuvem em sua cabeça. Nesses momentos, obrigava-se a ser ainda mais forte, e mesmo que sua mente traiçoeira se emprenhasse para convencê-la de que não era suficientemente boa para os outros, respirava fundo e fechava-se em uma bolha onde não existia medo, incertezas e solidão. Ela era autossuficiente, forte... Não podia se abater e, muito menos, se permitir quebrar.

  

Distraída com os próprios pensamentos, antes que percebesse, Hinata já estava próxima à antiga residência Uzumaki, e mesmo há consideráveis passos de distância do lugar, já conseguia notar as mudanças em torno da extensa propriedade. 

A começar pelo o aspecto sujo e abandonado que não mais existia, assim como a grama e o mato altos que, agora, estavam completamente aparados.

Todo lugar ostentava uma aparência muito melhor e isso a surpreendia, parecia que havia anos desde a última vez que esteve ali. 

Adentrou o terreno pelos fundos, seguindo direto para o jardim, sorrindo imperceptivelmente ao ver que as flores que plantou e se esforçou para cuidar durante meses estavam preservadas. 

Ao que parecia, o Uzumaki se preocupou em manter o jardim zelado por ela durante todo aquele tempo. O simples gesto a fazia sorrir, ponderando se talvez ele não fez aquilo por ela. 

Não demorou a perceber que Naruto não estava na propriedade — o que, desde o início, imaginou que poderia acontecer, considerando que estava contando unicamente com a sorte para encontrá-lo e a sorte, quase nunca era sua aliada. —, porém, para não se sentir tão tola, repetia para si mesma que precisava começar por algum lugar e como não sabia onde procurá-lo, a antiga residência parecia uma boa opção. 

Não se importou muito por estar sozinha, estava acostumada a ser sua própria companhia, e apesar de querer — muito. —, encontrar Naruto, sentia falta de estar ali, àquele era o seu lugar seguro, afinal. Para onde ela ia quando queria pensar e ficar completamente sozinha, onde se refugiava cada vez que a tristeza e a preocupação apertavam. 

Lembrava-se claramente que prometeu a Naruto que não iria voltar mais a sua residência, contudo, naquele momento, não se importava verdadeiramente com esta promessa. Algo em seu interior garantia que ele não iria se importar com a sua presença no lugar, uma vez que o rapaz jamais a proibiu de frequentar o jardim, fora ela quem meteu os pés pelas mãos e, em um impulso, garantiu que se manteria distante. 

A lembrança à fez sorrir descrente com a sua própria reação incomum e ligeiramente exagerada. Não tinha palavras para explicar porque fugiu do Uzumaki da forma fugiu quando se encontraram pela primeira vez. Colocava toda a culpa nos malditos olhos azuis que mapeavam cada pedaço da sua expressão lutando para despir a sua alma. Era praticamente impossível não se sentir desconcertada frente a um olhar tão intenso e profundo. No fim, a única coisa que restava a ela era recuar deste olhar, pois ele provocava reações inquietantes em seu âmago. 

 

Meditando no mais puro e tranquilo silêncio, seus pensamentos distanciaram-se de Naruto e correram em direção ao tópico que mais a assustava. 

Seu passado. Sua amnésia. O vazio que era sua vida desde a noite que acordou no hospital. 

O assunto a atormentava diariamente. Era angustiante não ter respostas, desesperador não se lembrar do próprio passado. Porém, não tinha ideia de como reverter à situação. 

Por onde poderia começar quando não tinha suas lembranças? — Sendo honesta, sentia-se completamente desorientada. 

Admitia, no entanto, que estava negligenciando a busca por respostas, retardando, vigorosamente, a tomada de decisões, porque, em seu íntimo, temia o que poderia encontrar ao cavar mais fundo a história do seu passado. Tinha medo dos possíveis monstros que poderia encontrar escondidos nos confins de si mesma, receava o desconhecido, e por isto, fugir parecia ser uma ótima opção. 

Sabia, também, que não podia viver dessa forma, mas estava sozinha nessa confusão que se configurava a sua vida e sentia-se inteiramente perdida. 

  

— Hinata? — a garota arregalou os olhos sobressaltada. Institivamente, levou uma das mãos ao peito em uma tentativa de tranquilizar o coração que batia desenfreado, reagindo à aproximação inesperada. — Desculpe-me, não queria assustá-la. — liberou um sorriso sem graça, coçando a nuca sem jeito. 

Hinata finalmente levantou o olhar, encarando as íris azuis que retribuíam o olhar. Ele estava há poucos passos de distância e ela percebeu que estava realmente muito distraída com seus pensamentos, pois sequer o ouviu chegar. 

Reparou que Naruto usava roupas simples e trazia consigo uma escada multifuncional de alumínio dobrada, ela prontamente foi repousada no chão, enquanto seus orbes encaravam-na com genuína curiosidade, havia um questionamento explícito em seu olhar. 

— Não foi nada, eu estava distraída. — confessou um tanto sem jeito, sentindo o rubor espalhar-se pelas maçãs do seu rosto. — Na verdade, sou eu quem deve desculpas. Eu garanti que não voltaria mais aqui, porém, gostaria de falar com você. — falou de uma vez, atrapalhando-se com as palavras. 

Naruto franziu a testa um pouco confuso, tentando entender as palavras proferidas de forma acelerada e falha, redobrando a sua atenção para conseguir compreendê-la. 

Surpreso por Hinata desejar falar com ele, perguntava-se, internamente, sobre o que poderia se tratar o assunto. 

Demonstrando uma autêntica curiosidade, o rapaz sentou-se ao seu lado no chão, apoiando-se no tronco da árvore cultivada na propriedade, à medida que estabelecia uma distância segura entre eles, porém, próximo o bastante para notar o embaraço da moça. 

— Não precisa se preocupar com isso, eu não disse naquele dia, mas você pode vir aqui. Sei que cuidava do jardim. Pode voltar sempre que quiser. — garantiu e a jovem de íris singulares assentiu um pouco atordoada, limitando-se a permanecer em silêncio. — Mas, mudando de assunto... O que precisa me dizer? 

Incompreensivelmente, Hinata ficou sem palavras, mantendo-se, vários segundos, em silêncio, constrangida por admitir — mesmo que, internamente. —, que se esqueceu completamente do motivo que a levou até o jardim, por se perder, ridiculamente, na imensidão azul que eram os olhos do Uzumaki. 

Suas bochechas coraram ilogicamente e mesmo com o olhar baixo, — após obrigar-se a desviá-lo das íris que perscrutavam a sua expressão. —, pôde ouvir a risada diminuta e levemente rouca do rapaz, quis estapear-se por estar agindo de forma tão tímida. 

— E-eu... — soprou, pigarreando para a voz soar mais forte, respirou fundo e levantou o olhar, sentindo-se um pouco mais segura. — Eu gostaria de agradecer. Devidamente. — acrescentou a última palavra às pressas e, novamente, o Uzumaki a fitou intrigado. — Você sabe... Por àquele dia no antiquário. Por devolver o meu caderno. 

Entrelaçou os dedos de maneira nervosa, uma ação involuntária para aplacar o nervosismo. 

Naruto sorriu involuntariamente, preenchido por uma sensação estranha, vibrante, em todo o seu corpo. 

Hinata puxou a mochila que estava ao seu lado para o seu colo e prontamente começou a vasculhar seu interior. 

Discretamente, o rapaz tentou espiar por estar curioso, impressionando-se ainda mais quando a jovem estendeu um embrulho em sua direção. 

— É bolo kasutera¹. — explicou com um sorriso tímido, o Uzumaki encarou fascinado o rubor das suas bochechas. — A vovó Chiyo quem fez e achei que poderia trazer alguns pedaços como agradecimento. 

O rapaz assentiu compreensivamente, recebendo o embrulho em suas mãos. Ele sorriu grato, sem conseguir deixar de achar inusitada a timidez de Hinata. 

— Não precisava, Hinata. Mas, mesmo assim, obrigado. Não consigo me lembrar da última vez que comi um pão-de-ló. — riu divertido e a menina o acompanhou. 

Assim que os risos cessaram, o silêncio dominou o local, tudo que podiam ouvir era o farfalhar das folhas ocasionado pelo vento e o som ruidoso das próprias respirações. 

Sem saber como agir, mas desejando manter a jovem de íris peroladas por perto, Naruto abriu o embrulho pegando um dos pedaços do bolo, à medida que estendia o restante para Hinata. 

— Pega. — incentivou, temendo que após cumprir seu objetivo, a moça se despedisse e fosse embora. 

Hinata não viu problemas em aceitar o pedaço, rindo quando o Uzumaki grunhiu em satisfação ao experimentar a sobremesa. 

— Isso está maravilhoso, Hinata! — exclamou de boca cheia. 

— Que bom que gostou. — sorriu de maneira doce. — A senhora Chiyo é uma excelente cozinheira. 

Naruto imediatamente recordou-se da conversa com Kakashi, reconhecendo o nome “Chiyo”, a senhora que abrigava Hinata em sua própria residência. 

Encolheu minimamente os ombros, sendo invadido pela curiosidade de saber mais sobre Hinata, descobrir mais sobre a história que, para ele, soava absurdamente confusa. 

A menina pareceu notar a sua dispersão, fitando-o pelo canto dos olhos, estudando seu olhar distante, preenchido por indagações silenciosas. 

Ele sorriu tentando disfarçar. Não era do seu feitio se policiar. Agia, na maioria das vezes, de maneira impulsiva, era espontâneo e direto. Mas sabia que era um assunto delicado e temia assustá-la com suas perguntas diretas e invasivas, e, assim, acabar por afastá-la totalmente. 

Não sabia explicar, também, porque se sentia tão confortável na companhia de Hinata. 

O Naruto do passado tinha facilidade em confiar nas pessoas, em deixá-las se aproximar e entrar completamente na sua vida. Mas a nova versão dele, um tanto oca e vazia, marcada pelo passado, não confiava com facilidade, não acreditava em promessas e tinha uma dificuldade gritante em deixar as pessoas invadirem a sua vida. 

Percebeu, naquele instante, que esse temor não era tão forte em se tratando de Hinata. 

Tinha algo na menina que o intrigava. Ele queria conhecê-la, enxergar seus traumas, ver as suas cicatrizes. Não desejava afastá-la como sua cética consciência ordenava. 

Havia algo especial na áurea da menina, e para o bem, ou para o mal, precisava descobrir o que era. 

  

— Você é novo por aqui, não é? — o Uzumaki se surpreendeu por ser Hinata a puxar assunto, não conseguindo evitar fitá-la com atenção. 

A jovem corou com a intensidade do olhar do rapaz, arrependendo-se, instantaneamente, por abrir a boca, sentindo-se, de repente, bastante desconcertada. 

Passado o momentâneo estado de torpor, Naruto sorriu levemente para tranquilizá-la, deixando explícito que não se incomodava com a sua curiosidade. 

— Já ouvi essa pergunta várias vezes desde que cheguei aqui, mas, sim. Sou de Tóquio. — informou de maneira divertida. — Vocês são bons em identificarem turistas. 

Hinata sorriu genuinamente pela primeira vez e Naruto se encantou pelo som da sua risada, não conseguindo deixar de acompanhá-la. Seu sorriso era inusitadamente contagiante. 

— Apesar de encantadora, Konoha não é um destino comum. Estou aqui há quase um ano e, até aquele dia, nunca tinha visto você. Foi fácil deduzir. 

— Entendo. Você gosta daqui? — arriscou perguntar, torcendo para ter soado despretensioso e não desesperado como de fato estava. 

Estranhou quando um silêncio profundo se estabeleceu entre eles. Fitando Hinata, pôde ver um vestígio de mágoa tingir suas íris peroladas, ela suspirou profundamente e parecia pesarosa. 

— Sim, eu gosto. — começou, a voz incrivelmente mais baixa. 

O Uzumaki prontamente notou que havia um “mas” na sentença, esperando, em silêncio, por uma continuação que sabia que viria. 

— É uma cidade encantadora, tranquila, mas não me sinto parte daqui, nem ao menos me sinto acolhida... — liberou um riso sem humor, Naruto arriscava dizer, magoado. 

De repente, ela parecia estar desabafando, abraçando a necessidade quase urgente de colocar para fora o que estava sentindo. Hinata precisava falar e não se importava de não ser próxima o bastante de Naruto para usá-lo como ouvinte. 

— Já se sentiu rodeado de pessoas, mas, estranhamente, completamente sozinho? Eu me sinto constantemente assim. — confessou, abaixando o olhar. 

Naruto sentia a dor em suas palavras e isso o fez estremecer, identificando-se com aqueles sentimentos, enxergando, novamente, o quanto ele e Hinata eram semelhantes. 

— Então, sim, Naruto, eu gosto de Konoha. Mas não me sinto entusiasmada e nem incluída na grande família que a cidade é. Aceitei que, talvez, eu tenha nascido para ser sozinha. 

O Uzumaki engoliu a seco, atingido pela revelação inesperada. 

E, quanto a Hinata, ela percebeu tardiamente que não conseguiu refrear os pensamentos e que, antes que percebesse, já havia desabafado. Seu coração bateu mais forte e temeu ter assustado Naruto despejando sobre ele a maior parte das suas mágoas. Contudo, percebeu que inevitavelmente se sentia calma na companhia dele e, assim, acabava por ser ela mesma. Sem barreiras. Sem nenhuma máscara.

Não conseguiu identificar nada na expressão do Uzumaki, no entanto, ele a olhava com uma intensidade capaz de despir a sua alma. Muitos sentimentos circulavam seus corpos, alguns, complexos demais para serem compreendidos rapidamente e com facilidade, provocando um alvoroço por dentro. 

— Desculpe-me pelo desabafo, não são palavras muito legais para uma conversa casual. — pediu sem graça, ajeitando uma mecha que se desprendia do cabelo atrás da orelha. 

— Não tem problema. Acredite, eu sei como é se sentir assim. 

Hinata não se sentiu à vontade para questionar o porquê de ele também se sentir da mesma forma, não eram próximos o bastante para tanto. E, novamente, ela queria entendê-lo. Eram tão diferentes, mas, estranhamente, pareciam tão iguais. 

Não conhecia Naruto, — verdade! —, mas sabia reconhecer uma história triste ao estar diante de uma e era nítido para ela que o Uzumaki era marcado por um passado doloroso. E ainda mais nítido que apesar de tudo, ele estava se empenhando para viver da melhor forma que podia e, internamente, Hinata flagrou-se torcendo por ele. 

Torcia para Naruto se reencontrar. Torcia para que ele encontrasse algo para preenchê-lo novamente. Algo que trouxesse a esperança de volta a sua vida. Esperava, um dia, olhar para olhos azuis e não encontrar nenhum vestígio de tristeza como vislumbrava agora. Esperava olhar para ele e enxergar que ele era capaz de sentir de novo. 

  

— Então, você veio para morar em Konoha? — Hinata retornou o assunto, tanto por estar curiosa, quanto para quebrar a tensão. 

Naruto, um pouco disperso, balançou a cabeça negativamente, rindo. 

— Não. Não vim para morar. — negou, completando rapidamente. — Vim conhecer a origem dos meus pais e em busca de um pouco de calmaria. Precisava me desligar dos problemas e do ritmo frenético da cidade grande. 

— Entendo. Eu queria ter essa chance. Fugir dos problemas, encontrar um lugar seguro para descansar. Mas acho que não tenho muita escolha a não ser encará-los de frente, embora eu seja bastante acovardada. — liberou um sorriso fraco, sem humor algum. 

Não esperava que Naruto compreendesse o que quis dizer, mas ele a fitou com tamanha intensidade que Hinata sentiu que ele sabia exatamente do que ela se referia. 

Imediatamente, esquivou-se do olhar minucioso, sentindo ondas de nervosismo percorrer por todo seu corpo. Vacilou sem querer admitir que sentia medo. Medo de afastar a única pessoa que se dispôs a estar perto dela, receio de distanciar o único que tentou se aproximar. 

Mordeu a parte interna da bochecha, tentando controlar os inusitados temores, enquanto sentia o olhar de Naruto sobre si. 

— Hinata, sobre a sua amnésia... Porque você não procura por respostas? — Naruto não conseguiu se controlar e antes que pudesse se impedir, liberou o questionamento que estava há dias entalado na sua garganta. 

Seu tom não carregava nenhum julgamento ou acusação, apenas genuína curiosidade. 

— Você sabe! — Hinata concluiu o óbvio, com um curto suspiro, o Uzumaki assentiu. 

— Sim, o Kakashi me falou um pouco sobre você e sobre as circunstâncias em que foi encontrada, mas fui eu quem insistiu para saber. Estava curioso. — admitiu um pouco sem graça, sentindo-se estranhamente culpado. 

— Não tem problema. — garantiu após um suspiro profundo. — Ficaria surpresa se você não soubesse devido à cidade em que estamos. Cedo ou tarde você saberia, de qualquer forma. 

— Você realmente não se lembra de nada? 

— Sei que é difícil acreditar, mas não me lembro de nada. — Naruto sentia que ela estava sendo sincera, a aflição em sua voz evidenciava isto. — Depois que acordei no hospital, após algum tempo, consegui me lembrar do meu nome. Quer dizer, do que eu acho que seja o meu nome. Foi uma lembrança vaga, muito distante e distorcida. Mas como eu posso ter certeza? É só... muito familiar.

Naruto assentiu sem saber o que dizer, de qualquer forma, Hinata precisava ser ouvida. Ele percebia o quanto ela estava perdida e precisando de ajuda, e por mais que todos ignorassem isso, estava disposto a não fazer o mesmo. Faria o possível para compreendê-la e ajudá-la. 

— Eu não sei o que houve comigo e nem porque vim parar nesta cidade. Tudo é muito confuso e não sei o que fazer para reverter à situação. Não sei nem por onde começar.

— Eu posso ajudá-la! — propôs simplesmente, surpreendendo Hinata que entreabriu os lábios totalmente incrédula.

Era difícil acreditar que alguém estava disposto a ajudá-la. Era triste, mas estava acostumada a não ter ninguém dando atenção ao drama da sua vida, estava conformada que estava sozinha nesta confusão. O Uzumaki afirmar que poderia auxiliá-la parecia demais para que pudesse acreditar facilmente. A ideia soava completamente absurda e inacreditável. 

— Por que você faria isso? — inqueriu em um fio de voz, prosseguindo rapidamente ao ver a confusão estampada nos olhos azuis. — Por que quer me ajudar? 

— Você parece surpresa. — apontou sorrindo leve, verdadeiramente interessado no porquê de tanto espanto com uma simples proposta. 

— Eu estou! — afirmou, passando a fitar as próprias mãos. — Não existem muitas pessoas... Aliás, não existe ninguém a não ser a senhora Chiyo, disposto a me ajudar. Você não deve ter ouvido muito sobre mim ainda, mas as pessoas costumam ficar longe. — explicou liberando um sorriso fraco. 

— Eu não me importo com o que acham de você, Hinata! — rebateu seriamente. — Não sou o tipo de pessoa que se deixa levar pela opinião dos outros, eu posso ver que precisa de ajuda e estou disposto a ajudá-la se assim desejar. 

Totalmente pega de surpresa por aquelas palavras, tornou-se impossível para Hinata não encará-lo com profunda atenção. Não sabia lidar com as emoções que estavam se manifestando dentro do seu corpo. Seu coração batia em um ritmo tão acelerado que ela podia jurar que ele iria irromper do seu peito a qualquer momento. Seus olhos ardiam e ela sabia que era o princípio das lágrimas que estava lutando para evitar. A sensação de ter alguém por ela pela primeira vez era tão inédita que era inevitável não sentir seu estômago se agitando fervorosamente.   

— Naruto, eu não sei o que dizer...  — balançou a cabeça atordoada, sem conseguir acreditar. 

— Apenas diga que aceita a minha ajuda! — a interrompeu antes que ela tivesse a chance de rebater, prosseguindo na mesma velocidade. — Você querendo ou não, Hinata, eu já estou envolvido nesta história e mesmo que você não aceite, vou te ajudar a descobrir quem você é. Vamos encontrar respostas para o seu passado juntos. É uma promessa. E fique sabendo você, que eu não volto atrás com a minha palavra. 

Ainda espantada e, aparentemente, sem nenhuma escolha, Hinata sorriu incrédula, sabia que, àquela altura, suas bochechas portavam um rubor intenso, tudo que pôde fazer foi assentir em concordância, sentindo a gratidão explodir em seu peito. 

Sem ao menos se dar conta, Naruto se flagrou sorrindo também. Sendo sincero, não entendia o porquê de ter agido da forma que agiu e de ter prometido o que prometeu. No entanto, não voltaria atrás com a sua palavra, nem ao menos, desejava fazê-lo. 

Queria estar perto de Hinata, ajudá-la... Sentia que fazendo isso, estaria se ajudando na mesma proporção. 

Pressentia que eles podiam ser a salvação um ao outro, e ele não era capaz de ignorar esse sentimento.

 


Notas Finais


¹ Bolo Kasutera ou Castella, é um tipo de pão-de-ló muito popular no Japão.

Sobre o capítulo e a fic, existem alguns pontos que eu gostaria de destacar para saber o que estão achando da história.
--> Para começar, esse foi um capítulo de transição; a partir do próximo à fic ganha um novo ritmo e vamos entrar mais fundo na história do Naruto e da Hinata.
--> Sobre os dois, existe uma ligação entre eles, gerada principalmente pelo interesse e pela curiosidade de saberem mais um sobre o outro, mas isso não significa que o relacionamento será algo imediato. Por que estou falando isso? Porque não quero passar a impressão que eles estão se apaixonando instantaneamente. Mais do que o desenvolvimento do casal, não quero ignorar o desenvolvimento dos personagens e do enredo em si. O Naruto e a Hinata ainda terão os seus altos e baixos, tudo será construído aos poucos, respeitando o tempo certo, ok?
--> A respeito do Naruto, o começo da fic mostrou uma imagem bem quebrada dele. O que eu queria deixar nítido nessa primeira fase da história foi o quanto a mudança de ares foi importante, porém, ele ainda tem um longo caminho a percorrer para estar realmente bem e ainda vai enfrentar muitas dificuldades até que isto aconteça. Lembrando que desde o início eu disse que não teria solução rápida e mágica para a fic, uma recuperação definitiva demanda tempo. Não quero que vocês achem que está tudo bem agora, porque senão vão se decepcionar.

É basicamente isso que eu queria dizer para vocês e deixar claro, novamente, que estou aberta a críticas e sugestões... Fiquem à vontade para expor o que estão achando da história. Se ela está muito acelerada ou muito devagar, enfim, TUDO! Espero que estejam gostando. (:

Um abraço, pessoal! Até o próximo!


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