História Losing Me - Ruggarol - Capítulo 12


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Categorias Sou Luna
Personagens Personagens Originais
Tags Karol Sevilla, Lutteo, Ruggarol, Ruggero Pasquarelli, Sou Luna
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Palavras 3.593
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Famí­lia, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei galera linda e maravilhosa! 💕
Desculpa a demora, mas o capítulo ta bem grandinho pra recompensar. Boa leitura!

Capítulo 12 - Capítulo 12


Pensei no quanto o beijo seria uma má ideia por exatamente três segundos antes de parar de pensar por completo. A língua dele estava dentro da minha boca, em uma busca furiosa e exigente. Era paixão na sua forma mais crua. Eu sempre tinha fingido entender a química quando os atores ficavam juntos no palco, mas agora eu entendia.


O que quer que acontecia quando ele me tocava era como uma reação química: moléculas se transformando, mexendo-se, exalando calor. Meu Deus, e que calor! Uma alta risada que eu reconheci como sendo da Valentina cortou a névoa na minha mente, e eu me forcei a me afastar do Ruggero. Havia outros alunos do lado de fora esperando para entrarem. Quanto tempo eu havia ficado ali sozinha com ele? Ele deu um passo à frente para me acompanhar e ergui uma das mãos.

— Para! Para! Você não pode simplesmente fazer isso! Nós dissemos que iríamos esquecer isso! Você disse, na verdade! Você não pode dizer uma coisa dessas e depois fazer isso!

— Eu sinto muito.

Ele não parecia lamentar-se. Parecia que ele queria fazer isso de novo. Balancei a cabeça e fui andando em direção à porta.

— Espere, Karol, eu sinto muito. Isso não vai acontecer de novo, ok?

— Ok.


Isso foi tudo o que eu disse, mas não parecia nem um pouco ok. Ele agia como se eu não quisesse aquele beijo tanto quando ele, mas, eeei!, ele tinha tanto a perder aqui quanto eu! Por que eu era a única que estava pensando nas consequências? Saí e pude ouvir Lino falando de um jeito grosseiro para alguns caras que haviam se reunido próximo às portas:

— O cara é um tremendo de um cuzão! Ele agiu como se eu estivesse tentando estuprá-la ou algo do tipo. Era só um beijo. Não é como se a gente nunca tivesse feito isso antes.

Revirei os olhos.

— E de alguma forma foi ainda pior dessa vez do que antes. As pessoas não deveriam melhorar com o tempo, Lino? 


Os amigos dele riam, mas eu ainda ouvi Lino me chamar de vadia. Continuei andando. Eu tinha tempo o suficiente para comprar o maior copo de café que eu pudesse encontrar antes da minha próxima aula. O restante da semana transcorreu sem nenhum evento memorável, ainda bem.


Ruggero manteve distância de mim e havia bastante coisa acontecendo comigo a ponto de me manter distraída. Nós tínhamos as nossas lições em termos de direção, o que significava que estava na hora de me dedicar ao trabalho e ler, de modo que eu pudesse encontrar uma cena. Na sexta-feira, na aula de Preparatório Sênior, nós falamos sobre as nossas audições e ele nos mandou ler, como tarefa de casa, sobre a Associação da Equidade dos Atores.


Então, eu passei a maior parte do fim de semana analisando todas as peças que eu tinha (e a maioria das peças do Michael) e lendo a mais entediante análise dessa Associação conhecida pelo mundo. A semana seguinte seria a semana das inscrições na nossa primeira Audição Principal nesse semestre, e a penúltima para mim. Se eu não me saísse bem na sexta-feira, eu só teria mais uma chance de fazer uma apresentação antes da formatura. Eu estive na primeira apresentação do ano, e fui diretora de cena em uma outra, mas nada desde então.


Eles já haviam me oferecido a posição de Diretora de Palco na última apresentação do ano, mas fiquei com muito medo de aceitar, para o caso de eu não conseguir um papel nessa apresentação. Meu Deus, eu estava mesmo começando a ficar afetada com isso. Estava prestes a me formar, e minha vida não estava nem um pouco perto de onde eu achei que estaria. Quando comecei a faculdade, três anos e meio atrás, eu achava que a essa altura do campeonato eu teria um plano. Eu achava que pensaria positivo em relação ao que eu ia querer fazer e ao caminho que seguia.

E, sendo honesta... achava que teria conhecido o cara com quem me casaria a essa altura da minha vida. Quer dizer, todos os casais casados que eu conhecia se conheceram na faculdade, e a ideia de casamento a esse ponto me parecia absurda. Não ajudava que a pergunta imediata da minha mãe todas as vezes em que nos falávamos era: "Você já conheceu alguém?". Eu me perguntei, brevemente, como ela reagiria se eu lhe contasse o atual estado da minha vida amorosa da próxima vez em que ela perguntasse. Talvez ela surtasse.

Talvez ela me perguntasse quando é que nós planejávamos nos casar... era difícil prever a reação da minha mãe às vezes. Como podem as pessoas decidir com quem elas querem passar o resto de suas vidas com essa idade? Não consigo decidir nem mesmo o que eu quero comer no jantar! Não consigo nem mesmo decidir se quero ser atriz, mesmo eu já tendo 35.000 dólares em empréstimos de estudante me dizendo que é melhor eu ter certeza de que quero ser atriz.


Ao término da semana de audição, eu estava começando a sentir que o lance com o Ruggero "não era lá grande coisa" como eu ficava dizendo que era. Eu ia para a aula no último minuto e geralmente era a primeira a sair da sala. Sendo fiel a sua palavra, ele se manteve profissional na sala de aula, o que só queria dizer que nós interagíamos o mínimo possível. Eu nunca o vi no Grind de novo, e íamos muito até lá. Ele estava nas audições, mas também estavam todos os outros membros do corpo docente.


E nem mesmo a presença dele poderia refrear a minha animação por essa apresentação. Como atriz, eu sempre fui atraída mais pelos papéis clássicos do que pelos contemporâneos (daí minha obsessão por Shakespeare), e finalmente faríamos uma peça grega (bem... uma tradução de uma peça grega, de qualquer modo). Fedra não teria sido minha primeira escolha, considerando que o tema da peça era totalmente amor proibido, que não era muito bem do que eu precisava nesse exato momento. Porém, no mínimo, eu tinha um ótimo entendimento da minha personagem quando eu fiz a audição.


Certamente, Fedra desejava o seu enteado, e não o seu professor, mas os sentimentos eram os mesmos. Fazia um bom tempo que eu não desejava tanto assim um papel. Quando foi minha vez de entrar no teatro para as audições, eu me sentia bem, confiante. Sabia minhas falas. Conhecia minha personagem. Eu sabia o que era desejar algo que não se pode ter. E, mais do que tudo... eu sabia o que era querer e não querer alguma coisa ao mesmo tempo. Despejei tudo o que tinha de tesão, medo, dúvida e vergonha naquela apresentação de um minuto e meio.

Eu me doei de um jeito como nunca fiz na vida real, porque aqui... aqui eu podia soltar e lidar com isso e fingir que não se tratava da minha pessoa... podia fingir que se tratava de Fedra. Eu era mais honesta sob o calor daquelas luzes do que eu alguma vez fora à luz do dia. E, dentro de poucos minutos, estava acabado, e eu estava de volta ao camarim, me perguntando se seria o bastante. Quando as audições terminaram, todos nós saímos para comemorar.


Eles postariam listas de reconvocações pela manhã, e isso seria mais uma coisa completamente nova com o que se preocupar, mas, por ora, isso estava fora do nosso alcance. Todos juntos (em grande maioria alunos do último e do penúltimo ano), nós assumimos os lugares em uma seção inteira do Stumble Inn. Mesmo que estivéssemos em mesas separadas, nós conversávamos pela sala uns com os outros, insolentes, sem ligar a mínima para quantas pessoas irritávamos.

Começamos a noite com doses de tequila, o que era um pouco demais, de um jeito esquisito, parecido com a minha noite aqui com o Ruggero, mas encolhi os ombros e deixei isso pra lá. Eu estava ali com amigos. Ia me fazer bem relaxar e me divertir um pouco. Eu estava sentada a uma mesa com Michael e Valentina, é claro. Chiara também estava lá, junto com Jorge, um aluno bonitinho do segundo ano com quem eu, bêbada que estava, havia dado uns amassos no ano passado.

Ele meio que vem acompanhando a gente bastante desde então, mas eu tinha certeza de que ele sabia que não ia rolar nada entre nós dois. Ultimamente ele andava deslumbrado pela nossa beldade residente e louca por sexo, Valentina.

Então tinha a Victoria, que poderia facilmente se passar pela fusão da Valentina com a Chiara. Victoria tinha os peitos da Valentina (e a sua piranhice), mas tinha a atitude "eu odeio tudo e todo mundo" da Chiara. E, terminando de compor a nossa mesa, estava o Lionel, que era praticamente o rei de todas as coisas aleatórias e hilárias.

Jorge era o único novo demais para beber, mas o garçom nem mesmo se deu ao trabalho de pedir as identidades de todo mundo que estava à mesa. Ele olhou a identidade do Michael e depois só bateu os olhos nas outras. Nós pedimos drinques, comida e depois, mais alguns drinques. Eu estava me sentindo muito bem na hora em que a conversa se voltou para o tópico das audições. Foi Lionel quem quebrou o gelo:

— Então... e quanto àquela peça do incesto?

Revirei os olhos.

— Não é incesto, Lionel. Eles não têm nenhuma ligação de sangue.

— Não vem ao caso. — Ele deu de ombros.

— Tenho uma madrasta, e eu ia cagar nas calças se ela desse em cima de mim.

Valentina riu.

— O que provavelmente tem mais a ver com o fato de você ser gay.

— Eu conheci sua madrasta. Ela pode dar em cima de mim a qualquer hora — disse Michael.

Se fôssemos tipos diferentes de pessoas, Lionel poderia ter ficado enfurecido, talvez teria dado um soco no braço do Michal... ou na cara dele. Em vez disso, eles se cumprimentaram dando um tapa com a mão espalmada na mão do outro.

— Mas, falando sério, como todo mundo foi nas audições? — quis saber Lionel.

— Eu fui um lixo. Eu vou ter muita sorte se vier a pegar o papel do segundo soldado ou do empregado.

Ventina se meteu na conversa:

— Eu mataria alguém para fazer o papel da Afrodite. Quero dizer, quem mais tem os peitos necessários para esse papel?

Victoria ergueu a mão.

— Hum, olá? Você é cega? — Ela fez um gesto apontando para os próprios peitos.

— Ah, vamos lá, você por acaso quer o papel da Afrodite?

— É lógico que não — disse Victoria.

— Isso não quer dizer que os meus peitos não fiquem ressentidos por você tê-los ignorado.

Com os olhos arregalados, Jorge disse:

— Eu nunca ignoraria os seus peitos.

Todo mundo riu.

Jorge geralmente ficava bem quieto quando todos nós saíamos juntos. Eu acho que poderia ser difícil acompanhar o nosso ritmo, considerando-se que passamos todos os momentos acordados uns com os outros durante os últimos quatro anos, e ele era o novato no grupo.

— E quanto a você, Karol? — quis saber Chiara. — Todos nós sabemos que você se borra só de pensar nisso.

Eu poderia ter ficado vermelha de vergonha, se as minhas bochechas já não estivessem vermelhas por causa do álcool.

— Eu acho que eu fui bem. É só que... eu realmente entendo Fedra, sabe?

Valentina caiu na gargalhada e eu dei um chute nela por baixo da mesa. Michael sorriu para mim:

— O que houve? Você está a fim de algum membro da sua família que eu nunca cheguei a conhecer?

Empurrei o ombro dele, que deu risada, me envolvendo com o braço e me puxando para perto dele.

— Estou brincando, gata.

— É só que eu... eu entendo como é querer alguma coisa, mas tentar se forçar a realmente acreditar que não se quer aquilo. Não precisa ter a ver com amor. É sobre querer alguma coisa que não se pode ter ou algo que a gente acha que não merece. Que inferno! Nós queremos papéis que os nossos amigos conseguem, mesmo que eles sejam nossos amigos e que nós deveríamos estar felizes por eles. Nós nos sentamos em meio ao público e pensamos em como teríamos desempenhado um papel. Queremos aquilo que não podemos ter. É a natureza humana.

Eu posso ter me empolgado um pouco. A mesa estava em silêncio quando terminei de falar. Até que Lionel disse:

— Claramente você não bebeu o bastante!

Então nós bebemos mais e nossa comida chegou, parecendo gordurosa e gloriosa.

— Pessoal, vocês já perceberam que nós ainda não falamos sobre um tópico importante.

Victoria ergueu uma sobrancelha e continuou:

— Professor "Eu-sou-o-sexo- emforma-de-gente-e posso-provavelmente-fazer-vocês-ficarem-grávidas-só-de-olhar-para-vocês".

A maior parte dos caras em volta da mesa (menos o Lionel) soltou suspiros, enquanto a maior parte das garotas (menos eu) mais o Lionel soltaram diversas variações de "Que inferno, é mesmo!". Victoria se abanou.

— Falando sério, naquele primeiro dia, quando ele abriu a boca para falar, eu acho que só o sotaque dele quase me levou ao orgasmo.

Permaneci calada, e Valentina fez o mesmo, me olhando de relance com ares de questionamento. Eu poderia pedir licença e ir ao banheiro. Será que isso ia parecer bizarro?

— Valentina, por que você não está me apoiando aqui? — quis saber Victoria.

Posso então aplicar o "vi primeiro, é meu" assim que nos formarmos? Eu tentei manter a expressão passiva no meu rosto. Valentina abriu um sorriso:

— Ah, sim, ele é bonitinho. Mas ele é um pouco certinho demais para mim. Eu gosto de caras um pouquinho mais perigosos. Ela piscou para o Jorge, e eu tenho certeza de que o maxilar dele teria se soltado de seu rosto se ele o abrisse um pouco mais.

— O quê? A moto dele não é perigosa o bastante para você? — perguntou-lhe Michael

— Ele tem uma moto? Eu não sabia disso!

Ela me desferiu um olhar acusador, como se eu a estivesse traindo por não lhe passar essa informação.

— O que aconteceu com ele e o Lino? — Chiara me perguntou.

— O Lino ainda fica ladrando sobre como ele o tratou com rudeza durante a audição de vocês dois.

Michael deslizou uma das mãos de trás da mesinha e colocou-a em volta dos meus ombros, e me deu um rápido e leve aperto.

— O Lino é simplesmente um babaca. O Sr. Pasquarelli só o tirou na marra de cima de mim, só isso.

Lionel sorriu e apontou para mim e para o Michael:

— Vocês dois são tão bonitinhos. "Ah, Sr. Pasquarelli isso, e Sr. Pasqurelli aquilo." Acho que vocês são os únicos que ainda o estão tratando como um professor em vez de um pedaço de carne.

Revirei os olhos.

Eu nunca o chamava de Sr. Pasquarelli na frente dele, mas me pareceu estranho chamá-lo de Ruggero enquanto estava falando dele com outras pessoas. Eu sentia como se eles fossem capazes de ler todos os meus segredos no meu rosto, e saberiam exatamente o quanto não professor eu o considerava. Talvez eu realmente precisasse daquele intervalo para ir ao banheiro no fim das contas.

Cutuquei o Michael, e ele deslizou para fora da mesa, e me deixou passar. A cada passo que eu dava distanciando-me daquela mesa, a minha ansiedade era aliviada. Eu ficaria longe dali por alguns minutos, depois voltaria e eles estariam falando de algo completamente diferente e tudo ficaria bem. Eu estava caminhando, ao passar pelo bar ouvi o meu nome.

— Karol! — Eu me virei, mas não vi ninguém.

— Karol!


A voz estava mais perto, e dessa vez, quando olhei para trás do bar, eu o vi... o barman. Sorri, e tentei parecer feliz em vê-lo. Porém, honestamente... eu não conseguia nem mesmo me lembrar do nome dele. Tantas eram as outras coisas que tinham tomado o meu foco naquela noite. Como sempre quando eu penso no Ruggero, senti um frio na barriga, e tive que me concentrar em não me perder naquelas recordações.

Quando estávamos frente a frente no bar, o barman disse:

— Ei, eu espero que não soe sinistro que eu me lembre do seu nome.

Soava sinistro. Um pouco.

— Eu prometo não achar sinistro, se você me perdoar por não me lembrar do seu.

Os lábios dele se curvaram para baixo em um breve franzir de lábios antes de ele abrir um sorriso e dizer:

— Agustín.

— Certo, Agustín. É claro. Sinto muito. Foi uma longa semana.

— Bem, deixe-me torná-la um pouco melhor.

Ele pegou um copo e o encheu para mim com uma dose de tequila.

— Por conta da casa.

Eu me sentia estranha bebendo a dose sozinha, mas não poderia recusá-la de jeito nenhum. Então agradeci a ele pela dose, encolhi os ombros e virei-a em um só gole. Ri, não porque isso fosse engraçado, mas simplesmente porque me parecia que era a coisa a ser feita.

— Escuta... — começou a dizer Agustín.

— Eu não tenho a intenção de pegar pesado demais, mas você gostaria de sairmos um dia desses?


Eu queria sair com ele? Mais importante ainda, eu queria dormir com ele? Apesar de toda a loucura com o Ruggero, eu ainda era virgem. E ainda gostaria que não fosse. Aqui estava mais uma oportunidade para consertar isso... oportunidade essa que não envolvia quebrar as regras da faculdade e me arriscar a ser expulsa. Olhei para ele. Valentina tinha razão: ele era bonitinho. E, definitivamente, ele estava interessado. Tentei imaginar como poderia ser dormir com ele. Tentei imaginar nós dois tirando nossas roupas, as mãos dele na minha pele, os lábios dele nos meus. Eu tentei, mas todas as imagens que pude evocar foram as de Ruggero fazendo essas coisas, e não Agustín.

Droga, por que eu não podia simplesmente estalar os dedos e não ser mais virgem? Por que é que sexo tinha de estar envolvido? E por que é que tudo em que eu conseguia pensar era no Ruggero, mas eu havia mesmo voltado atrás na ideia de fazer sexo com ele? Por que o meu cérebro se recusava por completo a fazer algum sentido? Agustín respondeu ele mesmo a pergunta que me fez:

— Estou achando que a resposta é provavelmente um "não". Geralmente é, se alguém demora tanto assim para responder.

Eu sorri... um sorriso com os lábios fechados.

— Eu sinto muito. Você me parece ser bem legal, mas é só que eu não estou interessada... não agora.

Droga, eu sempre fazia isso. Eu sou péssima com confrontos, então sempre acrescento às minhas falas frases como "não agora".

Agustín assentiu: — Tudo bem. Não se preocupe com isso. Mas, hum, é melhor eu voltar ao trabalho.

Ele não esperou que eu respondesse antes de descer a passos largos pela extensão do bar para ajudar um cliente na extremidade oposta. Soltando um suspiro, caminhei até o banheiro, onde borrifei um pouco de água no rosto. O que de nada ajudou com o caos que estava no meu cérebro, mas eu podia sentir o álcool formigando no meu estômago, e pelo menos isso fez com que eu me sentisse ok com o caos.

Voltei à mesa, onde outras duas doses esperavam por mim, cortesia de Michael, e, ainda bem, a conversa havia passado para o tópico de alguma outra fofoca que não envolvia o Ruggero. Na hora em que bebemos a próxima rodada, a minha pele parecia uma coberta cálida e a minha garganta doía de tanto dar risada de coisas que poderiam ou não ter sido engraçadas. Nós estávamos tão altos da bebida que nossas conversas haviam se degenerado a ponto de não passar de fragmentos, piadas internas e risadas.

— Estou tão bêbado — começou a dizer Lionel —, que eu só quero ficar no meu carro tocando o meu acordeão até ficar sóbrio.

A minha risada foi embaraçosamente alta.

— Você tem um acordeão?

— Que droga, eu tenho sim. Quer me ouvir tocá-lo?

— É claro! Deixei minha carteira com o Micharl, para que ele pudesse pagar minha parte.

Dei um beijo ultrassentimental na bochecha dele como recompensa.

— Ah! Eu também! Eu também! — gritou Valentina.

Ela deu sua carteira a Michaem também, com um tapinha na cabeça dele em vez de beijo, e Lionel colocou um braço em volta de cada uma de nós.

— Anotem aí, meninos! As meninas adoram um cara que sabe tocar um instrumento!

Chiara soltou uma bufada: — O seu instrumento nem mesmo gosta de garotas, Lionel!

— Isso não quer dizer que elas não gostem dele!

Eu tenho certeza de que o volume no bar abaixou pela metade quando saímos de lá, mas eu não saberia dizer a diferença. Na minha cabeça, ainda estava alto. Depois de alguns minutos, o restante do grupo juntou-se a nós do lado de fora, no capô do carro de Lionel, onde ele estava tocando o seu acordeão e cantando uma canção que ele dizia ser em francês (mas que eu tenho quase certeza de que era só blá-blá-blá sem sentido). Isso realmente não importava para nós. Depois de alguns minutos, nós sabíamos o blá-blá-blá sem sentido o suficiente para cantarmos juntos.


Nós ficamos fazendo serenata para os clientes regulares do bar enquanto eles serpenteavam até seus carros às duas da matina. Cantávamos tanto em inglês quanto na língua do blá-blá-blá. Nós cantávamos Britney Spears, Madonna e O Fantasma da Ópera. Michael fez um rap ridículo em que ele rimava cabo com nabo. E nós continuamos fazendo a serenata até que todos tinham ido embora, e o proprietário veio para nos mandar cair fora.


Todos nós estávamos bêbados demais para dirigir, exceto talvez pelo Jorge, mas nenhum dos nossos carros era grande o bastante para que acomodasse todos. Então, num impulso, eu disse:

— Vamos para o meu apartamento. Fica a menos de um quilômetro daqui e eu tenho quase certeza de que eu tenho vodca no meu freezer.

Então, com um grito de batalha de "Vodca!", nós fomos embora. Eu vim a lamentar por essa noite depois, porém, naquele instante, eu simplesmente não queria que ela acabasse. 


Notas Finais


E então galera? Gostaram? Mereço comentários em!? 💕Talvez eu poste outro capítulo hoje, só depende de vocês. Bjs e até o próximo capítulo!


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