História Lost Boys - Capítulo 32


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Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Joo Heon, Ki Hyun, Min Hyuk, Personagens Originais, Show Nu, Won Ho
Tags 2won, Amizade, Drama, Joohyuk, Lemon, Monstax, Romance
Visualizações 8
Palavras 3.503
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Gente...esqueci de dizer na semana passada que essa semana era dia de Capítulo Especial do Wonho.

Então...vambora!

Boa Leitura...<3

Capítulo 32 - O Garoto Selvagem


Fanfic / Fanfiction Lost Boys - Capítulo 32 - O Garoto Selvagem

Nova Seul, 2.070

—  Appa!

Os olhos se abriram no momento em que  escutou a voz infantil em seu subconsciente.

A sonoridade lhe parecia tão familiar. Era como a sensação de estar em casa.

Se deu  conta de que  nunca antes havia visto esse lugar, era uma espécie de universo paralelo,  e ele andava em meio a uma incomum plantação sob um céu que ostentava duas imensas luas.

— Appa! —  insistia a voz.

Onde estava o pai daquela criança?

Finalmente a viu e era uma pequena menina de mais ou menos 5 anos, saindo do meio  da plantação e correndo enquanto o chamava e sorria graciosamente.

— Venha, Appa!

Ele era o Appa?

Sorriu com a ideia de estar diante de sua filha e aquela ideia não poderia ser de todo descartada, ela de fato lembrava alguém. Talvez sua mãe, sim, ela parecia com sua mãe, também era provável que Sook, sua irmã recém nascida, ficasse exatamente assim quando crescesse.

Adiante dele, a menina correu de volta para as plantações desaparecendo por completo das vistas.  

Hoseok ficou parado no meio do caminho olhando para todos os lados em busca da infante que apareceu alguns segundos depois, correndo para abraçar um jovem que surgia no cenário sem que ele percebesse. A menina se aninhou no corpo do tal jovem desconhecido que de costas para Hoseok abraçava a pequenina com grande afeto.

— Venha, Appa! — esticou os bracinhos para Hoseok. — Venha nos abraçar.

O jovem que acariciava a menina virou a cabeça sutilmente para o lado de forma que não se podia ver o rosto com clareza, apenas o contorno dos traços delicadamente desenhados, além da silhueta dos grossos lábios que ele possuía.

Um choro abafado dominou aquele ambiente fantasioso e antes que Hoseok pudesse se dar conta, estava de volta a única realidade que conhecia. Contudo, o choro persistia.

O jovem biônico levantou  no susto e seguindo o som do lamento, parou diante do quarto de sua mãe.

— Omma!!! — correu para o futon onde ela estava deitada e a empurrou com desmedida força.

O corpo da mulher foi lançado contra a parede e ela despertou com o impacto e o choro da pequena Sook.

— O que está acontecendo ?

— Como pode ser tão negligente?!

— Do que está falando? — questionava ainda deitada e confusa.

— Dormiu sobre o corpo de Sook. Estava sufocando a sua própria filha. — ninava a irmã.

A mulher não respondeu. Permanecia inerte sobre o chão.

— Onde está aquele imprestável do seu marido? Preciso ir a cidade hoje entregar algumas encomendas. Ele tinha que me levar até lá na caminhonete.

A mãe do biônico se colocou em posição fetal fazendo um rápido movimento com as mãos para que ele a deixasse sozinha.

 Hoseok saiu com a irmã já devidamente tranquilizada. Balançava seu pequeno corpinho pelo quarto cantarolando Gwiyomi  e com isso ela pôde pegar no sono outra vez. Assim que a pôs sobre o futon em seu quarto, tomou um banho rápido, se vestiu, pegou Sook no colo e saiu com ela rumo a casa da vizinha mais próxima.

Naquele bairro isolado e pobre, todos conheciam o jovem Hoseok, o rapaz trabalhador e calado que morava no final da rua. A fama de sua mãe viciada em comprimidos também era conhecida, ela sequer alimentava a própria filha por conta disso. O padrasto, um beberrão parasita, gastava o pouco que tinha em bares. Ele costumava sumir depois  de longas noites de bebedeira e Hoseok esperava o dia em que ele desaparecesse para sempre.

— Oh Hoseok! Chegou cedo. —  A vizinha disse abrindo a porta.

—  Sim, meu padrasto não está em casa, então terei que ir andando até a cidade hoje.

Um jovem de aparentemente 17 anos surgiu na sala se encostando na parede com os braços cruzados e olhando para Hoseok. Aquela presença lhe causava nervosismo assim como na mesma proporção lhe trazia lembranças sobre um fato ocorrido meses atrás.

— Você errou esse caractere. —  o belo adolescente dizia ao ensinar Hoseok a escrever. —  Tente novamente.

—  Hyung, eu deveria desistir. Não sou inteligente para essas coisas. Sou forte e isso vai me ajudar a sobreviver.

—  Então é isso que você quer ser? — apoiou o queixo nas mãos balançando a cabeça — Um estereótipo? Só porque é forte não pode ser inteligente ou vice e versa?Por que se contenta em ser apenas uma coisa quando pode ser muito mais?

—  Não é como se eu fosse me tornar  um doutor de qualquer forma. Quero saber apenas o suficiente para não me passarem a perna quando negociar meus trabalhos na cidade.

— Você pensa muito pequeno, Hoseok. Lhe falta sonhar. Mas também não posso te culpar por isso. A vida não foi justa com você...não é? —  o olhou de uma forma tão profunda que o biônico, apenas com 15 anos, sentiu seu coração acelerar.

—  A vida é fácil para você?

A pergunta surpreendeu o hyung que  balançou a cabeça.

—  Então, não lhe dou o direito de sentir pena de mim. —  disse se levantando repentinamente.

—  Hoseok! —  lhe segurou pelo braço.

Os dois se encararam.

O mais velho parecia ofegante e nervoso mas sem pensar muito, se lançou por sobre Hoseok que acabou preso entre a parede e o corpo de seu hyung.

—  O que… o que está fazendo? —  o biônico perguntou nervoso.

—  O que acha ?

Hoseok o empurrou.

—  Isso não tem como dar certo, hyung. Sua mãe não aprovaria e ela é muito boa pra mim. Se souber o que fazemos, estarei perdido.

—  O que está dizendo? Está terminando comigo?

O mais velho pressionou novamente o biônico contra a parede, o beijando em seguida.

—  Por favor, não dificulte as coisas…

— Não me deixe...—  sussurrou em seu ouvido. —  Você sabe o quanto ama meus beijos e a forma como eu toco o seu corpo. —  deslizou a mão até a bunda de Hoseok e a apertou. — Só eu sei fazer do jeito que você gosta. Eu te ensinei tudo o que você sabe —  virou o corpo dele contra a parede e pressionou o pênis em seu traseiro. — Você ama me sentir completamente dentro de você.

O mais novo fechou os olhos e apenas se deixou levar pelo momento, trocando carícias mais intensas com o adolescente que se tornara o primeiro homem de sua vida.

—  Hoseok! Hoseok ! —  a voz da vizinha despertava o biônico.

—  Me desculpa…

— Tudo bem, você parece cansado e distraído. Não dormiu a noite?

—  Não muito bem. Tive um sonho estranho. De qualquer forma, eu preciso ir.

—  Por que não fica e come com a gente?

— Não é necessário, eu vou ficar bem.

—  O Cho está em casa. —  se virou para trás e percebeu a presença do filho. —  Oh! falando nele. Vocês sempre foram tão amigos, tenho certeza que ele sente a sua falta na mesa.

— Ah...e como eu sinto. —  Cho disse malicioso, trazendo a memória de Hoseok o dia que transaram sobre aquela mesa.

— Eu realmente vou ficar bem.—  desconversou. — Não se preocupe com isso. — Hoseok entregou a irmã nos braços da vizinha. —  Por favor, se minha mãe ou meu padrasto aparecerem aqui, diga que ela não está com você. Não confio neles.

— Certo.

—  Ela também deve estar com fome. O leite que me deu ontem já acabou.

—  Tudo bem, eu vou amamentá-la. Creio que meu pequenino Doh não se importará de dividir um pouco do leite da mamãe com Sook.

—  Agradeço. Ao final da tarde eu volto para buscá-la.

***

Andar até a cidade não seria tarefa fácil.

Hoseok nunca foi de aspirar por grandes projetos, sentia a responsabilidade do mundo em suas costas. Cuidava da irmã e sustentava a família como artesão. Possuía uma grande clientela na cidade que além de admirarem seus belos trabalhos de animais entalhados na madeira, também sentia pena dele, mas isso era algo que ele odiava ver os outros sentirem, e por essa razão, apesar de sensível, se mostrava obstinado em tudo que queria. Não admitia ser visto como coitado, tinha o seu próprio orgulho.  

Para todas as pessoas com quem negociava dizia ter 18 anos. A mutação biônica facilitava esse disfarce e ele aproveitava isso .

Naquele dia, Hoseok fez entregas em todas as lojas onde tinha clientes, saindo esbaforido da última, já que biônicos eram resistentes mas não indestrutíveis.

A bolsa vazia de suas artes já entregues foi jogada ao chão, se sentou na calçada para descansar pois ainda havia um longo caminho de volta para casa. Se não fosse por Sook, Hoseok dormiria na rua aquele dia, esperaria suas forças retornarem e então voltaria para seu bairro, mas isso não era possível, a vizinha já era alguém boa demais cuidando de sua irmã enquanto ele trabalhava, então, não queria abusar de sua bondade.

Ali, sentado, observando pais e filhos passeando pela rua, lhe fez pensar na mãe naquele estado sempre deplorável. Não era bom para ele abrir mão da própria infância para assumir a responsabilidade da casa, mas preferia sacrificar seu próprio destino em prol do bem de Sook.

***

Em casa, deixou a irmã em cima de seu futon após buscá-la na casa da vizinha. A mãe ainda dormia como quando ele saiu pela manhã.

Com o dinheiro obtido das vendas, comprou um pouco de comida e aproveitou o sono tranquilo de Sook para fazer o jantar

Hoseok estava tão distraído pensando no sonho daquela noite que não percebeu quando o padrasto chegou alterado. A sua presença só foi notada quando os gritos da mãe foram ouvidos. Era uma nova briga.

Como em todas as vezes anteriores, o biônico interferia tentando proteger a mãe mas era em vão. A própria mãe o afastava e ao se reconciliar com o velho bêbado, ainda se voltava contra ele no fim. Estava tão cansado de tudo aquilo que saiu andando pela noite sem pensar em nada, chorava, maldizia sua sorte e quando percebeu, estava na cidade de novo.

Se sentou na calçada fechando os olhos enquanto tentava manter o ritmo normal da respiração. Finalmente levantou a cabeça. Do outro lado da rua,  estava o planetário. Ele adorava aquele lugar. Tinha um curioso interesse em astronomia mas não tinha tempo para se dedicar a qualquer outra coisa que não fosse o trabalho braçal.

A fila para entrar estava menor do que costumava ser durante o dia e pensou que talvez seria bom para ele se distrair um pouco. Pôs as mãos nos bolsos para pegar dinheiro para os ingressos mas eles estavam vazios.

— Merda! — esqueceu em casa todo o dinheiro que recebeu no dia.

Se tivesse sorte, seu padrasto não encontraria o valor em seu quarto.

Atravessou a rua e tentou entrar mas foi despachado pelos seguranças sendo chamado de ratinho imundo. Não aceitou aquela humilhação e entrou escondido pelos fundos. Agora, Hoseok estava dentro do planetário com suas roupas suadas e surradas. Ele sabia que chamaria a atenção com aquele aspecto, mas queria apenas ter a chance de ver como o planetário era por dentro e não estava arrependido. Sentia uma alegria e satisfação tão profunda que pela primeira vez se via como o adolescente que era. Tentava tocar nas projeções de planetas a sua frente e sorria para si por não conseguir.

Em outro espaço, uma projeção que imitava a vida em outros planetas o deixava hipnotizado. Sobretudo porque no momento em que ele entrou, a projeção lhe mostrou o mesmo lugar em que esteve em sonhos. Todo o seu corpo se arrepiou e mais adiante da sala, próximo a parede , estava uma outra pessoa com uniforme escolar lendo alguns escritos na parede. O menino virou a cabeça levemente para o lado e a silhueta que Hoseok viu era exatamente a mesma do homem abraçado a menina em seu sonho. Eram os mesmos lábios grossos.

— Você...— Tentou dizer, mas algumas pessoas entraram na mesma sala, incluindo uma elegante senhora que ao vê-lo parado e percebendo o aspecto de suas roupas foi até ele.

— Está tudo bem?

Hoseok se assustou com a pergunta. Talvez aquele fosse o momento de ir embora.

— Eu me chamo Chae Eun Bok, sou a dona daqui. Não tenha medo, não te colocarei para fora.  Qual é o seu nome?

— Shin...Shin Ho Seok.

— Está gostando do planetário?

Ele apenas balançou a cabeça.

— Que bom! Pois esse é um espaço de todos. E sempre que vejo um jovem com interesse em conhecer mais do nosso universo, isso me encanta. O que quer saber? Pergunte tudo o que quiser.

— A senhora é uma Astrônoma?

— Também. Mas atualmente cumpro mais a função de administradora do planetário. Tenho astrônomos que trabalham para mim, assim eu posso focar em fazer tudo isso funcionar. Você gosta de astronomia?

— Sim.

— Isso é tão único. Ser capaz de reconhecer a imensidão do universo e ter paixão por estudar isso. Um dia você pode ser um grande astrônomo, Hoseok.

O menino soltou um bufar irônico. Era fácil para ela dizer, quando não vivia a realidade dele.

— Que planeta é esse que vemos nessa sala?

— Um planeta pouco conhecido chamado “kabalaon”. Esse planeta está localizado em uma dimensão muito diferente da nossa e é muito mais evoluído também. Mas ninguém sabe de sua existência.

— Se não sabem... como vocês descobriram?

— Meu filho sempre sonhou com esse lugar, mas uma vez ele o descreveu para mim, e a forma como me contou sobre aquela quase visão foi tão detalhista que eu quis projetar Kabalaon em uma de nossas salas. Esse nome também lhe foi revelado em sonho. Está vendo ele ali na frente? — apontou com a cabeça para o menino em uniforme escolar.— é o meu filho. Seu nome é Chae Hyung won, tem 14 anos.  Tudo isso aqui nessa sala, só existe porque ele sonhou com esse lugar uma vez.

Hoseok se pôs hipnotizado ao olhar para Hyungwon jovem.

— A senhora acredita que esse lugar realmente exista?

— Se você é capaz de Imaginar, então é porque existe em algum lugar, nem que seja em uma outra dimensão. Não acha ?

O biônico sorriu pela primeira vez naquele dia. E após isso, a senhora EunBok levou ele e o filho para o restaurante do planetário.

Hyungwon era o ser mais encantador que Hoseok tinha visto, e não tinha dúvidas de que  era ele que estava em seu sonho. O sorriso aberto naqueles dentes perfeitos lhe parecia familiar. Ele sabia de alguma forma que aquele estranho à sua frente tinha alguma conexão com ele e  o fato dele ter sonhado com um lugar exatamente como Hoseok sonhou, confirmava isso.

— Ei, Wild Boy! Estamos falando com você. Por que está com esse olhar perdido? — Hyungwon chamava a atenção de Hoseok com um sorriso faceiro.

— Não o chame assim, Woonie.

— Tenho certeza que ele não se importa, não é, Wild Boy?

Hoseok não disse nada, apenas sorriu observando quase que em câmera lenta, Hyungwon tomar seu shake olhando para ele.

Os dois eram tão diferentes. O herdeiro daquele planetário tinha educação, elegância e traquejo. O uniforme era de uma das escolas mais caras do país inteiro e Hoseok sequer pôde frequentar uma. Ainda assim, não se sentia inferior a ele, não se comparava a ele. Pelo contrário, a sua presença lhe inspirava mais vida e alegria, seu jeito livre e animado iluminava a escuridão que Hoseok sentia por dentro. Tinha a impressão de que os dois se completavam. Aquele menino não conhecia sobre as provações do mundo, tinha tudo o que queria, não havia com o que se preocupar. Ele estaria protegido sempre por seu bom sobrenome e pela fortuna de sua família. Era o que ele acreditava.

Ao fim do lanche, Eunbok levou os meninos até seu escritório e lá deu um cartão magnético para Hoseok lhe dizendo que aquilo era um passe livre ao planetário. A partir daquela data, sempre que quisesse poderia entrar lá e procurá-la. Disse também que o ajudaria financeiramente para que ele parasse de trabalhar como  artesão e procurasse uma escola. Se assim ele fizesse e apresentasse boas notas, ela futuramente o chamaria para trabalhar no planetário e quem sabe um dia, ele pudesse ser um dos astrônomos de sua equipe.

Se despediu dele com um abraço e aquilo surpreendeu o biônico que não imaginava que alguém com aquela classe, se dignasse a abraçá-lo sujando suas roupas caras com o suor de seu corpo.

Tomou o caminho de casa sorrindo para o vento, lembrando do rosto do menino que lhe invadiu os sonhos e agora a vida. Se sentia agradecido a mulher que tão benevolente o tratou como o ser humano que era e não como um animal.  Aquele dia apesar de começar tenso, terminava inesperadamente bem. Enfim, algo de bom acontecia para ele. Não tinha dúvidas que voltaria amanhã ao planetário e no dia após esse e ainda os outros que se seguissem. Ele precisava ver Hyungwon mais vezes, precisava ouvir seus belos lábios o chamando de “Wild Boy” uma vez mais. Precisava cumprir o que prometeu a Senhora EunBok. Estava decidido a voltar a estudar.

Embora aquelas últimas horas tenham sido incríveis, era hora de voltar para a realidade. Se aproximava de sua casa e conforme ela ia aparecendo, um inesperado tumulto era percebido. Havia fumaça saindo dela e algumas viaturas a cercavam.

Hoseok largou a bolsa que carregava e saiu correndo até a casa. A visão de seu lar tomado pelas chamas o assustou sobremaneira, mas antes que pudesse  assimilar o que estava acontecendo ali pensou na irmã.

— Sook! — gritou tentando furar o bloqueio dos bombeiros. — Sook!

— Você não pode passar.

— É a minha casa! Minha irmã! Onde ela está?

— Tente manter a calma, Hoseok. — a voz da vizinha foi ouvida atrás de si.

Hoseok se virou lentamente com os olhos já cheios de lágrimas.

— Eles ….eles fizeram todo o possível. — dizia segurando o choro. — Estávamos aqui antes mesmo deles chegarem e posso afirmar que não mediram esforços.

— Não...— sussurrou.— Minha irmã...não. — caiu ajoelhado.

— Eles acham que pode  ter sido um curto circuito. O fogo se alastrou rapidamente e não havia ninguém na casa para tirá-la de lá.

Hoseok voltou a si ao escutar aquelas últimas palavras. Se levantou limpando a sujeira das roupas e olhou para a vizinha que lhe dava a notícia.

— Como não havia ninguém na casa ? — a voz saía anasalada.— Onde estava minha mãe ou o marido dela?

— Eles... saíram. Não sabemos onde estão. A polícia está procurando pelos dois.

— Eles deixaram a Sook...sozinha ? — o choro que se seguiu era um misto de dor e raiva que nem ele podia definir qual dos dois sentimentos era o mais forte.

Se deixou cair no chão, com seus braços abertos e um olhar perdido, quase que sem vida.

***

— Onde eu estou?

Cho se levantou de onde estava e andou até o leito de Hoseok.

— Estamos no hospital. Você desmaiou. Como se sente?

— Minha cabeça dói.

O hyung fez uma leve carícia no rosto de Hoseok.

— É tudo culpa minha. Eu não devia ter deixado ela sozinha. Eu não…

— Shhh! —  Cho o abraçou na cama.— Não seja injusto com você. Sempre fez de tudo por ela.

— E no único momento que a deixei sozinha, ela morreu. — Hoseok falava e chorava, sendo amparado pelo hyung.

— O culpado por isso não é você. Será que se esquece que é só um adolescente? Essa responsabilidade não era sua.

— A polícia já sabe onde eles estão?

— Não. Eles sumiram. Provavelmente souberam do que houve antes de chegarem em casa e estão fugindo da polícia.

Hoseok revirava os olhos enquanto as lágrimas desciam.

— Não se preocupe com eles. Nós vamos te ajudar com tudo. Você pode ficar lá em casa depois que sair daqui. Minha mãe virá na parte da tarde ficar com você pra eu poder voltar pra casa e tomar um banho.

As mãos de Cho tocaram o biônico e ele o abraçou agradecido.

Durante a noite, Hoseok esperou a vizinha pegar no sono para fugir do hospital. Ele não queria ficar na casa de ninguém, não queria viver onde as lembranças de sua irmã estavam.

Resolveu se mudar para a cabana abandonada que ele encontrou em uma das suas andanças pela floresta e ela também serviu de esconderijo para ele quando os recolhimentos começaram meses depois, embora tenha sido capturado em uma de suas idas à cidade para comprar comida.

Hyungwon chegou à cela da Equipe X  alguns dias após  a chegada de Hoseok. Na ocasião, o biônico sentiu dupla surpresa. Além de não esperar que o menino rico que conheceu no dia daquela tragédia fosse mutante. Também não esperava que ele não o reconhecesse quando entrasse na cela. Aquilo lhe causou uma certa tristeza.  

Hyungwon o encarou de tal forma quando chegou, que ele poderia jurar que ele se lembrou,sim! Mas quando este abaixou a cabeça e foi recebido por Minhyuk com um abraço, era como se um imenso abismo tivesse se formado entre os dois. Abismo este, que pouco a pouco , com o passar dos anos foi diminuindo.

Hoseok  jurou que jamais tentaria fazer Hyungwon se lembrar que era ele o “Wild Boy”, embora tivesse esperança de que isso fatalmente ocorreria em algum momento.Contudo, mesmo com a paixão que os acometeu nestes 10 anos de convivência, Hyungwon nunca se lembrou.

 

 


Notas Finais


Bom, Amores...se vcs se recordam...lá nos capítulos iniciais, a saber...o Capítulo 5 - Sonhos de Liberdade, Hyungwon sonhou com esse planeta, após uma sessão com a Doutora Angel. Essa é uma parte do quebra-cabeças que vai ajudar os meninos a entenderem sobre as suas origens nos próximos capítulos.
Eu tb soltei um pequeno spoiler lá em Amores Silenciosos ( Capítulo 6 ) dando a entender que 2 won já se conhecia antes do complexo. Quem captou esse gancho naquela época...eis aí a confirmação.
Semana que vem voltamos com os capítulos recorrentes...então...Até lá!


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