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História Lost In A Blue Note (Supercorp) - Capítulo 1


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Capítulo 1 - 01


Ao som de Cigarettes After Sex, Christopher Queen terminava de guardar seus pertences nas diversas caixas espalhadas por seu quarto. Como lembranças de 14 anos cabiam em pedaços de papéis quadrados?

Muitas vezes o tempo passa e não percebemos, um dia não é tão diferente do outro, ou nada de extraordinário acontece no período de uma semana, mas é assim que a vida age, para depois nos surpreender em quanto amadurecemos e evoluímos como pessoas, em como tudo ao nosso redor mudou, mesmo que só nos demos conta muito tempo depois.

E foi isso que o garoto percebeu naquele momento.

Quando sua mãe informou que seria transferida para a estação policial de Bristol, tudo o que o Christopher conhecia passou diante de seus olhos, seus amigos, sua escola, o conservatório de musica, o bairro onde cresceu, seu tio de sangue e tias de consideração. O jovem Queen só se deu conta do tanto que tinha quando precisou se despedir de tudo.

No início tentou convencer a mãe a deixa-lo morar com o tio Lex ou com seu melhor amigo, Ronald Weasley, até chegou a conversar com a mãe de Rony, mas a senhora Weasley entrou em contato com sua mãe e seu plano foi por água a baixo.

"- Christopher, você acha mesmo que vou te deixar com seu tio Lex? - Lena perguntou enquanto terminava de preparar o jantar.

- E qual o problema, mãe?

- O problema, Christopher, é que seu tio não consegue cuidar nem dele mesmo, imagina de um garoto de 14 anos, que precisa de orientação para se tornar uma pessoa decente – respirou fundo e se virou para o filho – e morar com os Weasley, sério?

Christopher deu de ombros sem saber o que falar. Ele só não queria se mudar para uma cidade em que não conhecia ninguém. Teria que se adaptar a uma nova escola, tentar fazer novos amigos e teria que se afastar dos amigos que tinha em Londres, seus melhores amigos, eram apenas dois, Hermione e Ronald, mas eram mais que o suficiente.

- Você sabe ao menos quantos irmãos o Rony tem?

- Alguns... - afirmou meio duvidoso do que deveria responder.

- Não vou dar mais uma preocupação pra coitada da Molly, sério, aquela mulher qualquer dia desses tem um ataque do coração ou perde a sanidade – Lena foi até a bancada onde o filho estava sentado e ficou de frente para o menino, aproveitando para arrumar a franja que teimava em cair em seus olhos – a mãe sabe que isso vai ser difícil pra você, eu tentei conversar com meus superiores, mas eles foram irredutíveis, e de forma alguma eu vou para algum lugar e te deixar aqui. Parceiros, lembra?

- Parceiros – falou com um sorriso triste nos lábios."

Dois meses depois da notícia e de ter se acostumado com a ideia de morar em uma nova cidade e toda a mudança que isso traria para sua vida, Christopher sabia que também não conseguiria viver longe da mãe, ela era sua pessoa favorita no mundo todo, sua melhor amiga e a que ficou ao seu lado no momento mais difícil, quando ainda era apenas um garotinho assustado. Se a mãe fosse mandada para comandar o exército, ele iria com ela.

Olhou ao seu redor apenas para se certificar que não estava esquecendo de nada, as prateleiras estavam vazias, assim como a estante e o restante dos móveis, a única coisa que precisava fazer era retirar os pôsteres colados nas paredes, mas isso ele faria antes de dormir e enrolaria todos para que não amassassem.

Foi até a janela do quarto e olhou a vista. De onde moravam, Christopher conseguia ver o parlamente e o Big Ben, era um prédio alto e muito bem localizado no centro da cidade, de onde estava também era possível enxergar outros pontos turísticos de Londres. Apesar da altura, ainda era possível ouvir as buzinas dos carros e os barulhos típicos do trânsito no horário de maior movimento, já era possível ver as luzes da cidade se acendendo aos poucos, conforme a noite ia chegando.

- Essa musica de velório é por causa da mudança? - Christopher olhou sobre o ombro esquerdo e viu Lena encostada no batente da porta, a mãe ainda usava as roupas sociais pretas e os cabelos presos em um rabo de cavalo.

- É a trilha sonora do velório dos meus catorze anos vivendo nesse quarto – deu um passo para o lado em um convite mudo para a mãe fosse até a janela lhe fazer companhia.

- Achei que já tínhamos superado a fase do drama - deixou um beijo na têmpora do filho e se apoiou na janela, observando a vista.

- Como foi no departamento?

- Nada demais – sentiu a brisa fria da noite bater em sua pele relaxando-a um pouco - assinei uns papéis, tomei aquele café horrível, no final da tarde fizeram uma despedida.

- Trouxe rosquinhas? - Christopher convivia com uma agente-detetive dentro de casa e podia afirmar que policiais amavam rosquinhas.

- Deixei em cima da mesa da cozinha.

- Meu jantar – falou no intuito de provocar a mãe.

- Seu jantar está em algum restaurante que prepare comida saudável - Lena se afastou na janela e tirou o blazer que usava, antes de sair do quarto, deu uma última olhada no cômodo e suspirou, lembrou do dia que pintaram as paredes e penduraram as prateleiras, foi há anos mas sentiu como se tivesse sido ontem – vou tomar um banho, pode escolher o jantar... Menos pizza.

Ouviu o filho resmungar algumas palavras que não fizeram sentido e sorriu, sentia que tinha muita sorte de ter um filho ótimo como Christopher, mesmo com todas as dificuldades que já passou na vida, nunca deixou se abalar, muitas vezes ela mesmo perdia as rédeas da situação e se desesperava, mas lá estava aquele garoto incrível com um sorriso nos lábios e contando uma piada ruim apenas para vê-la sorrir.

Quando entrou em seu quarto, se deparou com várias caixas espalhadas pelo cômodo, havia separado apenas o que usaria antes da mudança e deixado sobre sua penteadeira. Nunca gostara de mudanças, mas na maioria das vezes elas são inevitáveis. Estava deixando para trás dezoito anos vivendo naquele apartamento, onde viu o filho crescer e se desenvolver, estava deixando para trás dezoito anos trabalhando como detetive e posteriormente como agente federal, na estação de polícia de Londres.

"- Me chamou. comissário? - Lena perguntou ao enfiar a cabeça destro da sala de seu superior.

- Sim, sente-se, por favor...

Depois de um tempo em silêncio, onde o senhor a sua frente a encarava, Lena se pronunciou.

- Então...?

- Você tem conhecimentos que alguns detetives são recrutados por um programa federal para se tornarem agentes?

- Já ouvi falar, senhor.

- Então, eu recebi uma carta, e nela dizia que você foi selecionada para participar desse programa, caso queira, é claro.

Lena estava, literalmente, sem palavras.

- Menina, diz alguma coisa, essa cara de perdida tá me irritando já.

- Desculpa, desculpa – sabia que aquele era o temperamento do homem e não levou nada na grosseria – ahn... eu não sei o que dizer, não quero me afastar daqui...

- Não, você trabalharia aqui ainda, mas eu não serei mais seu superior, você prestará contas a outra pessoa.

- Senhor, eu não tô entendendo, eu trabalharia aqui, mas não mais para a polícia de Londres? - o senhor mexeu a cabeça positivamente – mas... e os casos? Eles são da estação de Londres, certo? - mais uma vez o senhor afirmou com a cabeça - então não faz sentido eu ter que responder a outra pessoa que não seja o senhor...

- Se você aceitar – como explicar aquilo para a sua detetive mais esperta, mas que no momento, parecia não conseguir somar 1 1? - os casos que os federais assumem são seus e você continuaria aqui porque ninguém saberia disso, além de você e eu, é claro... Lena, esse programa dos federais é desconhecido, policiais e detetives só ouvem falar dele, mas acham que não passa de um boato, para todos você ainda seria uma detetive como agora.

- O senhor acha que é uma boa eu aceitar?

- Eu vou perder minha melhor detetive – falou sério, tinha Lena como uma filha e só queria seu melhor – mas eu acho que é uma grande oportunidade...

Lena ficou pensativa por vários minutos, primeiramente o que vinha em sua mente era seu filho, que acabara de passar por momentos difíceis, uma mudança não seria nada bom para ele. E também gostava muito do seu cargo como detetive, havia batalhado muito para consegui-lo e estava feliz com ele, era feliz trabalhando na estação de polícia de Londres, gostava e tinha um ótimo relacionamentos com os outros detetives e policiais.

- Eu não teria que me mudar de cidade? Ou local de trabalho?

- No momento, não - essa frase deixou a morena pensativa - você vai receber um aumento salarial, com certeza, trabalhar para os federais te dará muitas regalias, Lena.

- E por que só me recrutaram agora?

- Como você sabe, vários casos tem sido fechados sem que consigamos resolve-los – doeu no ego do homem admitir aquilo – acham que não estamos fazendo um bom trabalho.

- E eu, sozinha, resolveria todos eles? - riu incrédula.

- Você passaria por outro treinamento, teria muito mais recursos...

- Preciso me decidir até quando?

- O quanto antes...

- Tudo bem... tô dispensada?

- Claro.

Lena passou a noite pensando naquele assunto e conversou com seu filho de sete anos, que apesar de ser uma criança, sempre falava algo digno da sabedoria de um adulto. E na manhã seguinte, estava decidida, aceitaria a oportunidade."

Deveria se sentir animada? Amedrontada? Já havia passado por aquilo antes, mas dessa vez não pode recusar, só acatou as ordens de seu superior.

Ao sentir a água morna bater em seus ombros, tentou limpar a mente de qualquer pensamento negativo sobre a mudança, tentou não pensar em nada, o que na maioria das vezes era inútil, porque mesmo quando não estamos pensando em não pensar, ainda assim pensamos.

Grande paradoxo.

- Mãe! - ouviu Christopher gritar, provavelmente da sala – pedi comida japonesa, 20 minutos, então não demora nesse banho.

Lena sorriu mais uma vez e se concentrou nas gotas que caiam do chuveiro e tocavam sua pele, aproveitaria seu banho ao máximo, deixaria dentro daquele box todas suas inseguranças e medos, nunca foi uma pessoa que temesse o novo, não seria agora que começaria a ser.

Quando alcançou a cozinha, ainda secando os cabelos e vestindo uma camiseta larga e um short de algodão, observou Christopher colocar as caixinhas com as comidas sobre a mesa e Lena percebeu que independentemente de onde estivesse, Londres ou Bristol, se aquele garoto estivesse ao seu lado, tudo ficaria bem, porque aquele era apenas um apartamento, uma construção, a diferença estava nas pessoas que faziam dele, um lar.

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Na manhã seguinte Lena acordou às sete da manhã e fez Chirstopher se levantar logo em seguida, a equipe de mudança chegaria em menos de meia hora e não queria atrasos. Como em todas as vezes que precisava acordar cedo em um sábado, a carranca do garoto só denunciava o quão mal-humorado ele estava, sabia que essa era uma característica herdada do seu pai e por mais que tentasse muda-la, na maioria das vezes era em vão.

- Bom dia, Chris – o filho apenas respondeu com um som nasal enquanto enchia uma vasilha com cereais e leite – suas coisas já estão arrumadas?

- Estão, mãe, é só colocar no caminhão...

- Ótimo! - a campainha tocou, fazendo os dois olhares para sala - tá aberta!

Era de se imaginar que Rony e Hermione iriam se despedir do amigo, só não esperavam que aparecessem tão cedo.

- Bom dia, Chris, bom dia, senhora, Luthor – a garota falou sorridente enquanto Rony permanecia parado, sem intenção de abrir a boca – ahn, senhora, Luthor, será que podemos trocar uma palavrinha?

Lena conhecia aqueles dois desde os 6 anos de idade e sabia que estavam aprontando, só faltava descobrir o que era, aquele sorriso que a amiga de seu filho só aparecia quando tinha uma de suas ideias geniais.

- Claro... - Lena cruzou os braços e se apoiou na bancada que dividia a sala e a cozinha.

Hermione olhou para Ronald que não dava nenhum indicio de querer ajuda-la, bufou irritada com o amigo e organizou seus pensamentos antes de começar o seu monólogo.

- Então, a senhora deixou bem esclarecido os motivos de não deixar o Christopher permanecer em Londres até o final do ano letivo... E de verdade, nós entendemos a sua posição como mãe - enquanto falava, Hermione andava de um lado para o outro, gesticulando com mãos – mas, a senhora tem que levar em consideração o bem-estar do seu filho, não que a senhora não pense nisso, porque a senhora é a mãe e isso é prioridade, mas as vezes estamos tão apegados a presença de alguém, que não percebemos o que é melhor para ele...

Lena observava a garota andar em sua frente e teve de segurar uma risada, não queria estragar a seriedade do momento.

- E já que a senhora não permitiu a estadia do Christopher com os Weasley, que é totalmente compreensível, levando em conta a quantidade de irmãos que o Rony tem – o garoto que até então estava inerte, deu um tapa no braço da amiga – ai... enfim, continuando, eu conversei com os meus pais e eles disseram que não há problema algum o Chris ficar com a gente.

Hermione retirou rudemente das mãos de Rony uma pasta e entregou para Lena.

- Aqui está um documento redigido e assinado pelos meus pais, alegando que não há problemas em eles ficarem com o Christopher, caso a senhora duvide de minhas palavras – Lena olhou o documento desacreditada, aqueles garotos eram impossíveis – e na outra folha, tomei a liberdade de fazer um gráfico, mostrando os prós e contras da mudança e como a senhora pode ver, a lista com os contras é bem maior.

Os olhos verdes de Lena olharam com pesar para os amigos de seu filho, aquela mudança não havia afetado somente Christopher, mas todos que conviviam com ele, até a professora de musica do garoto veio lhe procurar e perguntar se não havia como o filho ficar na cidade até o recital do final de ano.

- Olha, Hermione, eu agradeço o esforço e a sua preocupação com o Chris, mas já tá tudo acertado para a mudança, encontrei uma escola boa e o ano letivo mal começou, não é como se ele fosse perder muita coisa – o fio de esperança que Hermione tinha de tentar convencer a mãe do garoto, se foi - você e Rony vão ser sempre bem vindos na nossa casa, vão poder nos visitar nos feriados e passar as férias em Bristol e o Chris também pode vir visitar vocês...

Christopher que era apenas um telespectador do que acontecia, não imaginava que os amigos iriam interceder por sua estadia em Londres e nem que a mudança havia afetado tanto sua amiga, afinal, ela ainda teria Rony.

A campainha tocou mais uma vez e Lena deu uma olhada nos três garotos, não queria separar o trio, as feições de decepção só deixavam seu coração menor do que já estava, suspirou e foi atender a porta.

- Obrigado, gente... Pela última tentativa – Christopher não queria tornar tudo dramático, mas em oito anos, seria a primeira vez que não veria os amigos praticamente todos os dias – querem cereal?

Aos poucos os móveis que levariam para Bristol foram sendo colocados no caminhão e o apartamento foi ficando vazio. Christopher, Ronald e Hermione só assistiam o pessoal da mudança entrar e sair pela porta da frente, muitas vezes tinham dificuldade de tirar algum móvel do apartamento, como aconteceu com o sofá, que era alguns centímetros maior que a porta, tanto na largura quanto no comprimento, Lena não quis abrir mão do sofá, era extremamente confortável e de alguma forma ele sairia do apartamento e depois de muito pensar, conseguiram transporta-lo até o caminhão.

Como previsto, um pouco antes da hora do almoço tudo já estava pronto para a mudança. Iriam apenas almoçar e então partiriam para Bristol. Hermione e Ronald já tinham ido para suas respectivas casas, detestavam despedidas e não queriam passar a vergonha de chorar um na frente do outro.

Christopher estava parado em frente ao prédio em que morou desde o seu nascimento. Deu uma última olhada no saguão de entrada e no senhor que estava na recepção, havia começado no serviço não fazia muitas semanas, nem o garoto e nem Lena tiveram a oportunidade de ter uma amizade com ele, o que era ótimo para a situação, menos uma pessoa para se despedirem.

Os dedos finos apertaram a alça da mochila pendurada em seu ombro esquerdo e entrou no T-Cross de sua mãe. Lena o aguardava no banco do motorista, a playlist que fizera para a não-tão-longa viagem já tocava em uma altura agradável.

Então era essa a sensação da mudança, de deixar uma vida para trás, amigos, o conservatório de musica, não conhecia palavra que poderia ser usada para descrever seus sentimentos, talvez fossem muitos deles juntos, formando apenas um, que estava sendo apresentado para ele no momento.

Mãe e filho começaram a cantarolar Sweet Home Alabama e Lena deu a partida no carro, esperavam que Bristol fosse tão doce quanto o Alabama e com o céu igualmente azul.

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Quase três horas na estrada, e Lena estava atravessando a entrada de Bristol. Ao seu lado Christopher dormia com a cabeça apoiada no vidro da porta do passageiro, era sempre assim quando viajavam, quarenta minutos sentado no carro era o suficiente para fazer o garoto dormir profundamente por horas.

Voltar a sua antiga cidade era como fazer uma viagem no tempo, as ruas haviam mudado, estavam mais modernas, mais carros circulavam pelo centro, mas algo na essência de Bristol continuava a mesma, e isso fez Lena se sentir de certa forma confortável, havia crescido naquela cidade, as primeiras lembranças da morena foram ali, o primeiro joelho ralado, as brincadeiras com as crianças da rua que morava, seu primeiro dia na escola...

Mas ao mesmo tempo que tudo era estranhamente conhecido, tudo era novo, a menina de quinze anos que deixou Bristol não é mais a mesma Lena Luthor de agora, que tinha um filho e casos para solucionar na estação de polícia, a garota de quinze anos jamais imaginou que sua vida seria essa, que seria essa mulher realizada que é hoje.

Colocou o endereço da casa que havia alugado provisoriamente no GPS e minutos depois já estava estacionando o carro em frente a uma residência muito maior do que parecia ser nas fotos.

- Chris – apertou levemente o ombro do filho – chegamos.

- Já?

- Já - se divertiu com o filho que parecia totalmente perdido, então os dois encaram a casa em que morariam pelos próximos meses, até encontrarem alguma para comprar – o que achou?

- Magnifica! - a casa era grande e de tijolos por fora, havia um jardim com flores desconhecidas pela menino e um espaço igualmente grande com uma grama verde e bem aparada.

Lena havia conversado com uma funcionária de uma imobiliária famosa na cidade, foram conversas apenas por e-mails e telefonemas, explicou que precisava de uma casa não muito grande, em um bairro tranquilo e que não ficasse muito longe da escola onde Christopher estudaria. Depois de mãe e filho analisarem mais de dez casas, se decidiram por aquela. Na verdade, o garoto havia se encantado com a casa e praticamente implorou para que ficassem com ela.

Claro que Lena era totalmente consciente que tudo poderia passar de um golpe e que quando chegassem em Bristol, seriam obrigados a dormir em um lugar caindo aos pedaços e cheirando a mofo.

Felizmente se surpreenderam ao invés de se decepcionarem.

- Mãe, vem logo! - a voz impaciente do filho, que já esperava Lena na porta de entrada, fez a morena sair de seus devaneios, apanhou a bolsa jogada no banco de trás do carro e ao fechar a porta, apertou o botão do alarme preso junto a chave.

Se o lugar era lindo por fora, no seu interior não deixava a desejar em nada.

Logo que a porta foi aberta, Lena e Christopher se encontraram em um pequeno saguão de entrada, com uma mesinha circular no centro, havia uma escada que os levaria para o segundo andar e ao lado um corredor, onde havia uma porta na parede direita e mais a frente uma sala, onde se podia ver o quintal com a grama verde. A esquerda, era possível enxergar um cômodo vazio, haviam uma estante que ocupava uma das paredes, e a direta imaginavam ser a sala de jantar e cozinha, separadas por uma bancada de mármore escuro. Todas as paredes eram pintadas em branco gelo e o piso de taquinhos de madeira brilhantes, haviam janelas perfeitamente distribuídas, deixando o ambiente bem iluminado e arejado.

Ouviram uma buzina e antes que Lena pudesse dizer alguma coisa, Chris subiu as escadas correndo para explorar o andar superior.

- Senhora, a gente já pode descarregar? - um dos homens que estavam responsáveis pela mudança perguntou.

- Podem sim, vou dizer onde colocar cada móvel.

E a mesma movimentação de aconteceu horas antes voltou, Lena informava o lugar correto de cada mobilha e um pouco antes do sol se pôr, tudo estava arrumado. A morena sentou em seu sofá confortável e encarou as inúmeras caixas em sua sala de estar e suspirou cansada, desencaixotaria tudo no dia seguinte.

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- Christopher, cuidado na escada! - Lena gritou ao ver o filho subir as escadas carregando uma quantidade maior de caixas do que conseguia.

Tanto Lena quanto Christopher não conseguiram dormir até muito tarde no domingo. Ainda estavam encantados com a casa nova e queriam conhecer cada cantinho e deixar o lugar com cara de lar.

- Mãe, você viu a caixa onde eu guardei as placas do Star Wars? - o garoto se encostou no batente da porta da sala e cruzou os braços em frente ao peito e observou a mãe revirar algumas caixas – o que tá procurando?

- Aquelas bonequinhas que seu tio trouxe da viagem que fez pro Japão...

Christopher andou até um canto da sala e pegou cuidadosamente uma caixa que ainda estava fechada com fita isolante e estendeu para a mãe.

- Eu que descarreguei ela do carro ontem e deixei ali porque achei que acharia fácil - falou debochado – me enganei.

Mesmo não se parecendo fisicamente, Lena e Christopher compartilhavam muitas características, como o deboche, que o garoto aprendeu com a mãe, o jeito que gesticulavam enquanto falavam e a forma intensa que olhavam nos olhos da outra pessoa enquanto conversavam, como caminhavam com uma das mãos no bolso da calça, pensavam da mesma forma sobre a maioria dos assuntos, Luthor sempre incentivou o filho a formar suas próprias opiniões sobre tudo, dizia que ele precisava ler e pesquisar e só então tirar suas próprias conclusões e caso não concordassem, um respeitaria o outro.

Possuíam um relacionamento de mãe e filho leve e além disso eram melhores amigos.

Os dois arrumaram boa parte da casa, ainda faltava organizar a cozinha e colocar algumas caixas com coisas que não usariam na garagem, mas no geral, a casa que até o dia anterior parecia apenas um imóvel alugado, agora estava parecendo um lar.

- Mãe, o que a gente vai almoçar? - Christopher perguntou e Lena se assustou com o horário, que já passava um pouco das duas da tarde.

Lena olhou ao seu redor e suspirou, encarou o garoto sentado ao seu lado no sofá confortável e duas opções passaram por sua cabeça.

- A gente pode pedir alguma coisa pra comer em casa ou ir turistar um pouco e conhecer a cidade, encontramos um bom lugar pra almoçarmos e na volta procuramos um supermercado aberto e compramos o básico, você escolher.

Christopher levantou do sofá em um pulo e estendeu a mão para ajudar a mão a se levantar e minutos depois, os dois já estavam dentro do carro saindo do bairro pacato que moravam.

Conforme iam se aproximando do centro, o movimento de carros aumentava. Bristol era uma cidade linda, muitas de seus muros eram enfeitados com grafite, a arquitetura dos prédios mais antigos era maravilhosa, tudo muito bem conservado e cuidado. Lena passava por vários lugares, apenas conhecendo a cidade onde iria morar, precisaria de vários finais de semana para ela e o filho visitarem todos aqueles pontos turísticos, já que eles ainda se sentiam assim, dois turistas.

Lena aproveitou o sinal vermelho e olhou para seu lado esquerdo e viu o filho gravando vários vídeos e tirando muitas fotos, tinha certeza que os registros seriam mandados para os melhores amigos que haviam ficado em Londres. E talvez, com aquele sexto sentido que somente uma mãe possui, sentia que ela e filho seriam muito felizes naquela cidade.


Notas Finais


Olá! Voltei com mais história pra vocês.

Como podem ver, eu não matei a Alex, como na sinopse que passei no capítulo de Serendipity rs só usei a Carol Danvers pelo sobrenome, não aparecerão outros personagens da Marvel na história.

Nada contra Marvel, ou a Carol, inclusive amo. 

Bom, vamos aos avisos:

>> A história não esta finalizada (só tenho mais dois capítulos prontos), apesar de todo o enredo estar muito bem formado na minha mente e eu ter feito um roteiro do que eu quero que aconteça, então peço paciência, porque as vezes falta inspiração para escrever e bloqueio criativo infelizmente existe.  

>> Tratarei de transexualidade na história, nada muito aprofundado, porque não acho que eu tenha conhecimento para aprofundar o assunto, justo por eu ser uma sapatão cis, mas acho importante personagens transexuais terem espaço em fanfics, livros etc, talvez ajude na visibilidade, caso não se sinta confortável com o tema, é só não ler, simples assim. Eu, na verdade, nem sei se deveria abordar esse tema, mas okay, sigo firme e caso queiram fazer uma crítica em relação a isso, sejam educados, por favor. 

>> Pesquisei bastante sobre a cidade de Bristol e me apaixonei por ela, vou falar de alguns pontos turísticos e etc no decorrer da história. Também pesquisei bastante sobre o sistema de segurança (policia e etc) da Inglaterra e ele é bem diferente do nosso, então não está tudo como realmente é e algumas coisas são fruto da minha imaginação (fértil). 

>> Sempre bom lembrar que o gênero da história é ficção e nem tudo precisa ser da forma que realmente é, eu inventei algumas coisas para melhorar o enredo, que provavelmente não existiram, então sem "ah, mas isso não existiu e pipipipopopo" .

Bom, depois de falar tudo isso, espero que tenham gostado do primeiro capitulo, não sei se alguém leu Serendipity, mas LIABN terá uma vibe totalmente diferente e o que não sofreram lá, com certeza vão sofrer aqui rs 

Volto qualquer dia, sejam gentis e se cuidem! 


Twitter: @benossaur


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