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História Lost In A Blue Note (Supercorp) - Capítulo 4


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Capítulo 4 - 04


Lena não gostava de quartas-feiras.

Na grande maioria das semanas, suas quartas eram comuns; acordava no horário de sempre, se exercitava, tomava um banho rápido e preparava o café da manhã, levava Chris para a escola e seguia caminho até a estação da polícia. Mas foram acontecimentos inesperados que fizeram Luthor não gostar de qualquer quarta-feira.

Primeiro, foi em uma quarta-feira que seu pai teve um ataque do coração e passou dias no hospital entre a vida e morte, foi assustador, pensou que Lionel iria lhe abandonar e ficaria sozinha no mundo; não literalmente, mas seu pai sempre foi seu grande herói, quem amenizava as brigas entre a morena e a mãe ou entre Lena e irmão mais velho. Quase perder o pai lhe deu uma outra perspectiva de tudo, percebeu que o pai não era de ferro e que algum dia ele a deixaria.

Segundo, foi em uma quarta-feira que foi baleada em sua primeira missão. Ainda estava no início da carreira, era inexperiente, não conhecia a malícia que a profissão exigia. Passou por uma cirurgia de risco, já que a bala atingiu seu intestino, ficou entre a vida e a morte por três dias, mas felizmente sobreviveu, superou e aprendeu com seu erro.

Terceiro, foi em uma quarta-feira que Oliver, seu ex marido, saiu de casa e nunca mais voltou. Um grande preconceituoso e covarde, dizem que o amor é maior que tudo, mas naquele dia Lena comprovou o contrário, muitas vezes o preconceito é maior que o amor, até mesmo maior que o amor que um pai deveria sentir por seu filho.

O carro de Lena estava estacionado perto da escola do bairro em que os corpos das garotas eram deixados. Observava os alunos andando na calçada despreocupados, como se o bairro que moravam não fosse um dos mais perigosos de Bristol.

Era uma realidade tão diferente da de Christopher, chegava a ser triste e assustadora a discrepância. Não sabia como era na casa de cada jovem, se tinham o que comer todos os dias ou se mantinham um bom relacionamento com os pais. O alarme da escola apitou e os alunos que estavam conversando no portão da entrada, praticamente se arrastavam para dentro do prédio, conversavam entre si e gesticulavam, muitos estavam sozinhos e mexiam em seus celulares.

Uma coisa que não muda: jovem é jovem, independente de sua realidade social.

Everlasting Light do The Black Keys tocava no aparelho de som do carro, Cristopher fez aquela playlist para ela, com as músicas preferidas dos dois. Os olhos verdes sempre atentos ao que acontecia a sua volta. O dia estava nublado e provavelmente choveria em algum momento, só esperava que fosse quando estivesse na estação de polícia ou em casa, odiava se molhar, mas odiava mais ainda usar um guarda-chuva.

Então percebeu que um garoto alto e magricelo estava fugindo da escola. De longe não parecia um rapaz envolvido com drogas ou que simplesmente matava aula para encontrar amigos ou uma namorada. O menino parecia bem tímido, usava headphone e uma camiseta de algum herói, as mãos nos bolsos e a cabeça baixa.

Lena arqueou a sobrancelha esquerda e resolveu seguir o garoto.

Manteve uma certa distância e três quadras depois, estacionou o carro próximo a uma loja de eletrônicos. O estabelecimento não era grande, conseguia ver através do vidro o menino entregar uma caixa para o vendedor e em troca recebeu uma quantia em dinheiro. Lena duvidou que fosse algo ilegal, mas não colocaria sua mão no fogo por um garoto que nem ao menos conhecia.

Ficou parada por cerca de cinco minutos e então andou por mais três quarteirões e estacionou próximo a uma farmácia. Também observou através do vidro o menino pagar por algum medicamento e conversar por vários minutos com o farmacêutico. Até onde Lena pôde perceber, eram amigos e conversavam animados.

Depois das duas paradas, o garoto fez o caminho de volta para a escola, o que surpreendeu Lena e fez ter certeza que o rapaz não estava envolvido com nada ilegal, se ele quisesse, poderia ter ido para casa ou para algum lugar divertido. Luthor pensou por alguns segundos e decidiu abordar o garoto e tentar uma conversa amigável e antes que ele entrasse escondido novamente, a agente abriu a porta do carro e em passos largos, foi até onde o garoto fujão estava.

- Ei! - a voz da morena saiu mais séria do que gostaria, como se conversa com um jovem da periferia sem assusta-lo? - calma, não precisa ter medo, eu só quero conversar com você. Como se chama?

- Neville Longbottom - o garoto respondeu nervoso, sabia que somente por ter fugido da escola não traria problemas com policiais, ele não tinha feito nada de errado, então respirou fundo e tentou agir o mais normal possível - posso ajudar a senhora?

- Tá vendo aquele carro? - Lena apontou para onde havia estacionado seu T-Cross - nós podemos conversar lá dentro por alguns minutos?

- A senhora é da polícia?

- Sou sim - Lena sorriu e mostrou seu distintivo - você não tá encrencado e nada do tipo, só quero conversar mesmo, será que podemos?

Neville pensou por alguns segundos, Lena não aparentava ser uma má pessoa e não pareceu mentir, mas não conseguia pensar em nenhum motivo para uma policial querer conversar com ele.

- Claro... Eu não tô encrencado mesmo?

- Não - Lena sentiu vontade de provocar o garoto, mas achou melhor não, ele já estava visivelmente nervoso, não quis aumentar o desconforto.

Os dois atravessaram a rua em silêncio, só se ouvia o barulho dos sapatos batendo na calçada e carros circulando pelo bairro.

- Pode entrar, a porta do passageiro tá aberta.

Neville, muito envergonhado e nervoso, entrou no carro e se acomodou no banco do passageiro. Observou tudo ao redor, não tinha nenhum enfeite no retrovisor ou lixo no painel, o cheiro era agradável, uma essência leve de lavanda, não gostava de lavanda, mas aquela fragrância era aceitável.

- Seu nome é Neville, certo?

- Sim, senhora.

- E tem quantos anos?

- Completei dezesseis em junho...

- Mora aqui por perto?

- Moro - Neville apenas respondia as perguntas de forma educada, nunca fora um menino tagarela e tinha idade e experiência o suficiente para saber que conversar com um policial nunca acabava bem para alguém da periferia.

- Eu vi você fugindo da escola hoje, indo na loja de eletrônicos e depois na farmácia... Mas como eu disse, você não tá encrencado - Lena olhava para o garoto ao seu lado que brincava com a alça da mochila - para quem são os remédios que comprou?

- Pra minha avó, ela tem problema com a pressão.

- E comprou o remédio com seu dinheiro?

- Sim, senhora, eu arrumo alguns aparelhos eletrônicos e consigo o dinheiro para o remédio, minha avó é aposentada, mas com o que recebe não é o suficiente para todas as despesas.

Lena não havia se enganado, Neville aparentava ser um bom garoto.

- E seus pais?

- Minha mãe teve uma overdose quando eu ainda era um bebê e meu pai eu nunca conheci, somos só eu e minha avó.

- Sinto muito.

- Tudo bem, minha vó faz um ótimo trabalho.

- Eu vejo que sim - Lena pensou em como abordar o assunto que queria, mas não estava conseguindo nenhuma brecha para iniciar uma conversa sobre ele - Neville, você sabe que estão desovando corpos em um beco nesse bairro?

- Sei, o bairro todo sabe, aqui é barra pesada, mas todo mundo ficou impressionado, na escola só se falava daquilo, o pessoal que manda por aqui também não ficou muito feliz com a presença de policiais rondando o bairro.

Lena olhou em seu relógio e percebeu que já se passavam vinte minutos das nove da manhã, o que significava que estava atrasada. E a morena odiava atrasos, no entanto era para ajudar a investigação.

- Eu quero te fazer uma proposta - foi direto ao assunto - eu sou da polícia e nós estamos investigando os assassinatos, sabemos que tem droga pesada envolvida... Eu quero que você fique de ouvidos atentos na escola, você parece ser um menino tímido e quieto, pode passar despercebido entre os alunos, não quero que saia fazendo perguntas na escola, só quero que fique de orelhas em pé, caso ouça algo suspeito, é só me avisar.

Longbottom ficou pensativo por alguns segundos, não entendia como seria útil para uma investigação policial. Não queria ser leva e traz da polícia, se as pessoas erradas descobrissem, seria um garoto morto.

- Eu seria tipo um espião?

- Mais ou menos, você só ficaria atento ao que acontece ao seu redor, não precisa investigar nada, perguntar nada, você sabe que as pessoas conversam e comentam coisas em público, só quero que preste atenção nas conversas de forma discreta, eu sei como funciona as coisas aqui e não quero te por em perigo.

- Entendi.

- Se você aceitar, posso conseguir os remédio da sua avó e uma consulta com algum cardiologista bom, ela receberia um tratamento adequado e você poderia gastar o seu dinheiro com alguma coisa pra você.

E mais uma vez Longbottom ficou pensativo, era uma oportunidade única e não achou que se arriscaria sendo um espião da polícia, ele realmente era invisível naquela escola, tinha apenas dois amigos, ouvir conversas de forma discreta não seria nenhum problema. E ainda conseguiria um tratamento melhor para sua avó. Não poderia recusar.

- Eu aceito.

- Você entendeu que não é pra sair fazendo perguntas? - Neville maneou a cabeça positivamente - não quero te por em problemas, garoto. Me dá seu celular pra eu salvar meu número na agenda.

- Os policiais não tem um cartão ou algo do tipo? - Neville desbloqueou o celular e entregou para a agente.

- Não vou te entregar um cartão, muitas coisas podem acontecer e se te pegarem com um cartão da polícia não será muito legal - Lena devolveu celular para Neville - só me mande mensagem se souber de alguma coisa, só me ligue de um lugar seguro, entendido?

- Sim, senhora.

- Alguém irá entrar em contato com sua avó pra falar sobre a consulta e alguém entregará os remédios dela na sua casa - Lena deu uma olhada ao redor e a rua estava deserta - agora volta pra escola, você já perdeu muitas aulas.

Neville colocou a mão na maçaneta para abrir a porta e se lembrou que não havia perguntado o nome da policial.

- Como a senhora chama?

- Pode me chamar de Kieran.

- None legal - sorriu - tchau, senhora.

Neville saiu do carro e entrou escondido na escola. Lena olhou mais uma vez para os dois lados da rua, queria se certificar que ninguém viu o garoto sair de seu carro.

Luthor deu a partida no carro e a música voltou a tocar. Neville parecia ser um bom menino, que não chamava a atenção na escola ou em qualquer outro lugar e isso era tudo que ela queria.

Agora seria questão de paciência e esperar por algo que talvez não fosse acontecer.

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Era sexta-feira, fim da primeira semana de Lena na estação da polícia de Bristol. O caso estava parado e tudo que podia fazer era revisar suas anotações e esperar encontrar algum detalhe que deixou passar por descuido e que ajudaria na continuidade do caso.


O que não aconteceu.


Samantha estava responsável por outra investigação e também estava presa em um beco sem saídas, uma série de roubos estava acontecendo em vários bancos de Bristol, os assaltantes sempre usavam máscaras e um modificador de voz, o que dificultava muito na identificação dos criminosos, a única informação que tinham, era que usavam um furgão branco para a fuga, mas por algum motivo, o veículo não aparecia em nenhuma filmagem de rua.


Resumindo, não tinham nada.


- Isso tá ridículo, como um furgão não aparece nas filmagens? - Samantha jogou a caneta sobre a mesa e passou as mãos no rosto, jogando seu peso no encosto da cadeira - isso é frustrante, primeiro o caso da droga e agora isso...


Lena, que estava sentada na mesa ao lado, sabia exatamente o que a colega sentia. Infelizmente em sua profissão e acreditava que em muitas outras também, as coisas fugiam de seu controle. Muitos casos não eram solucionados, mesmo com todo o esforço e horas acordada tentando encontrar algo, um mínimo detalhe que fosse, não eram o suficiente para solucionar um crime.


O que deixava qualquer policial irritado era saber que um criminoso era mais esperto que ele, que conseguia ser tão articulado ao ponto de enganar uma autoridade, autoridade essa que possuíam vários recursos de investigação.


- Luthor, já chega por hoje - Samantha falou e já se levantava e colocava seus pertences dentro da bolsa - hoje é dia de ensaio com todos os estudantes de música, vamos, os pais podem assistir o ensaio.


- Mas...

- Relaxa, não vamos conseguir mais nada por hoje, estamos as duas de mãos atadas - Samantha nem ao menos deixou Lena terminar a frase, estava em pé, com a bolsa pendurada em seu ombro - vamos, detetive!

- Vamos avisar o comissário que estamos saindo mais cedo - Lena ainda permanecia sentada e não sabia exatamente o que fazer, sempre cumpriu corretamente o horário de entrada e saída em Londres.

- Para de ser tão certinha, Luthor! O comissário não se importa de sairmos mais cedo em situações como essa.

Ainda incerta se deveria ou não acompanha Samantha, Lena guardou seu celular na bolsa e juntou os papéis com suas anotações, organizou tudo da melhor forma e guardou em sua pasta, levaria tudo para casa, por algum motivo não confiava em deixar as anotações guardadas na gaveta de sua mesa, que nem uma tranca tinha.

- Se você diz... Mas dessa vez vamos no meu carro.

- Isso doeu, detetive.

Samantha fingiu estar ofendida e logo depois as duas estavam rindo da palhaçada da detetive.

- O que está achando de Bristol?

- É um pouco nostálgico, eu cresci nessa cidade, é como se eu conhecesse o lugar e ao mesmo tempo é tudo muito novo e desconhecido.

- Se mudou para Londres com quantos anos?

- Quinze.

- Deve ter sido difícil a mudança, adolescentes não lidam bem com isso.

Lena fez uma careta.

- Não tinha muito o que fazer, meu pai conseguiu um emprego melhor em Londres, o que me restou foi me conformar.

As duas estavam no estacionamento e caminhavam lado a lado.

- E Chris, tá gostando de Bristol?

- Acho que tá se adaptando bem, fez amizade com a sua filha e com dois garotos, Cisco e Luna, não sou muito boa com nomes - Lena apertou o botão do alarme de seu carro e o farol piscou duas vezes.

- Eles são bons garotos, Chris está em ótima companhia.

Lena não respondeu, só seguiu caminho até onde o carro estava estacionado. Sabia que se o filho realme fizesse amizade com esses garotos, em algum momento precisaria comver com seus pais sobre a situação do filho.

Só esperava que tudo ocorresse bem, Christopher já havia passado por várias situações desconfortáveis, e por mais que se fizesse de forte, ver o filho chateado e magoado, a destruía por dentro.

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O palco do auditório estava cheio. Todos os estudantes de música da escola se encontravam espalhados em grupos; alunos e professores conversavam despreocupados. Faltava cerca de dez minutos para o ensaio começar. Na platéia algumas cadeiras eram ocupadas por outros alunos que gostavam de assistir os ensaios e alguns pais babões, que não perdiam a oportunidade de se gabarem com o filho que tinham.


Kara estava perto de Christopher, que conversava animado com Ruby. A professora não acreditava que a sobrinha tinha feito amizade justamente com o filho de Lena, não sabia se a aproximação aconteceu devido a conversa que teve com Alex no último jantar na casa de sua mãe ou se foi uma coincidência, sabia que a sobrinha conseguia ser bem articulada quando enfiava algo em sua cabeça.


- Chris, minha mãe e sua mãe vem assistir nosso ensaio hoje - Ruby falou enquanto observava o amigo afinar seu violino.


Foi impossível Kara não ouvir o comentário da sobrinha.


- Sério? E a escola permite?


- Sim, minha mãe sempre vem quando tá sossegado na estação da polícia, as vezes até Alex vem.


- Legal! Minha mãe vai gostar disso.


Minutos depois o maestro apareceu e todos os alunos se organizaram de acordo com os instrumentos que tocavam. Na lateral do palco os professores se posicionaram lado a lado e apenas observavam seus pupilos tocarem.


No final da segunda música, Lena e Samantha entraram silenciosamente no auditório e se acomodaram nas cadeiras do fundo. Arias cutucou Luthor e apontou para Ruby e depois de procurar o filho, Lena apontou para Chris, que estava sentado e tocava seu violino totalmente concentrado.


- Quem é a professora do Chris? - Lena perguntou com a voz baixa e sussurrada.


- É aquela loira toda de preto no meio dos dois professores velhos.


Não foi difícil os olhos verdes acharem a mulher em questão. Até onde Lena se lembrava, Kara tinha os cabelos castanhos e os olhos azuis, havia certa inocência no olhar, as bochechas sempre rosadas, a forma contida que pronunciava as palavras. As duas nunca foram próximas, mas muitas vezes se pegou olhando para Kara quando ainda era uma adolescente, e muitas vezes pegou a morena lhe olhando de longe e quando devolvia o olhar, os olhos azuis desviavam para outro ponto.


Logo que se mudou para a rua onde as irmãs Danvers moravam, Lena tentou fazer amizade com Kara, mas a menina era muito tímida, mal respondia suas perguntas e sempre arrumava uma desculpa para se afastar, sempre tinha lições de casa para fazer ou precisava ir ao supermercado para sua mãe, tentou se voluntariar para ajudar Danvers nos afazeres, mas sempre ouvia que não precisava.


Depois de um tempo parou de tentar. Mas sempre observava Kara de longe, três anos observando a garota crescendo, suas manias e seus gostos. Não tentava entender o motivo da morena lhe chamar tanto a atenção.


Então se mudou e a vida aconteceu, mas nunca se esqueceu de Kara, talvez a memória da garota tocando violino no jardim de sua casa, fosse a lembrança mais forte que Lena guarda até hoje daquela época.


- Seu garoto toca violino muito bem - Samantha comentou e Lena saiu de seu devaneio, estava ali para ver o filho tocar e não pensar em coisas do passado que não faziam o menor sentindo.


- Sou suspeita pra falar, mas sim, ele é incrível no violino.


- Babona!


- Shh, presta atenção, Arias.


Lena realmente babou em Christopher por toda apresentação. Sentia tanto orgulho do filho. Era um garoto forte e dedicado, responsável e alegre, brincalhão e defendia seus ideais com unhas e dentes, odiava injustiça e não media esforços para ajudar um amigo. Luthor criou o filho sozinha, contou apenas com a ajuda dos pais e de alguns poucos amigos, foi difícil, foram muitos os momentos de insegurança, tinha medo de falhar como mãe, de não ser o suficiente, mas em momentos como esse, percebia que talvez tivesse feito um bom trabalho na educação do filho.


Christopher estava se tornando um homem maravilhoso.


Quando os alunos tocaram a última música, Lena pensou que o ensaio havia chegado ao fim, no entanto, os professores se posicionaram no centro do palco, cada um com seu instrumento e começaram a tocar a última música daquela sexta-feira.


Lena observou Kara posicionar o violino em seu ombros e foi como se estivesse vendo a garota tocar no jardim de sua casa, como sempre acontecia há anos atrás.


"Era um sábado a tarde, o dia estava bonito, céu azul, temperatura amena e uma brisa soprava, fazendo as folhas das árvores de agitarem.


Luthor tinha terminado todos os deveres da escola e estava entediada. Ela poderia ler, que era seu passatempo preferido, ou então tentar desenhar alguma coisa, também tinha a opção de encher o saco do irmão até ele aceitar ir na sorveteria ou brincar de algum jogo de tabuleiro. Mas nada parecia a agradar, preferia ficar olhando para o quintal de seu vizinho, que tinha uma grama muito bem cuidada, por sinal.


- Lena, eu tô entediado - Lex apareceu em seu quarto e se jogou em sua cama - que tal andarmos de bicicleta?


- Não sei se quero, tô confortável olhando o nada.


- Por favor, Lena!


- Vai você sozinho.


- Mas eu quero a sua companhia.


- Minha companhia está indisponível no momento, sinto muito.


- Não vou parar de encher o saco até você aceitar andar de bicicleta comigo - o garoto se levantou e foi até a estante cheia de livros e começou a desorganizar toda a ordem que Lena demorou horas para arrumar.


- Para com isso, Lex! - Lena foi até o irmão e tirou os livros de suas mãos.


- Vamos, Lena, o dia tá lindo!


- Você é insuportável! Vai me pagar um sorvete, fique sabendo.


- Pago até dois - o irmão respondeu com um sorriso de orelha a orelha.


- Agora some daqui que vou trocar de roupa.


Depois de ouvirem as mil e uma recomendações da mãe, os irmãos Luthor subiram em suas bicicletas e foram conhecer o novo bairro.


Fazia 10 dias que sua família havia se mudado, senhor Luthor recebera uma promoção na empresa em que trabalhava e resolveu que seria uma ótima ideia morar em um bairro melhor e matricular os filhos em uma escola mais puxada. No início Lena e Lex reclamaram e tentaram fazer o pai muar de ideia, mas foram tentativas em vão.


- O que achou da escola nova? - Lex perguntou enquanto desciam uma rua, o garoto sentia o vento bater em sua pele e fechou os olhos por dois segundos - amo essa sensação do vento batendo em meu rosto, vai pra minha coleção de melhores sensações.


Lena olhou para o irmão ao seu lado e deu de ombros, Lex tinha umas particularidades e uma forma única de ver o mundo.


- Sei lá, eu gostei, é uma escola como todas as outras, a única diferença é que nessa as pessoas são podres de rica - os irmãos viraram a esquerda e encontraram uma sorveteria aberta - quero meu sorvete.


- Compra, ué.


- Você falou que ia pagar um sorvete pra mim, nem vem.


- Eu falei? Não lembro! - Lex aumentou a velocidade das pedaladas e deixou a irmã para trás.


- Lex, seu idiota!


Um pouco antes de escurecer, os irmãos já estavam voltando para casa, sabiam a mãe que tinham e era capaz da mulher colocar a polícia atrás dos dois caso se atrasassem para o jantar.


Quando estavam quase chegando em casa, Lena passou por uma casa no mesmo quarteirão que morava e no jardim uma menina estava tocando violino. Lena parou para ouvir e só então percebeu que se tratava de uma das irmãs que havia conhecido no ponto de ônibus. Era visível que a garota ainda estava aprendendo a tocar o instrumento, mas mesmo assim Luthor achou adorável a forma que Kara movimentava o braço direito, os olhos fechados, totalmente concentrada no que fazia.


Então a música tocada chegou ao final e Kara abriu os olhos e encontrou as esferas verdes lhe encarando de uma forma intensa.


- Que música era? - Lena perguntou sorridente - não foi nada mal pra quem tá começando...


Desde quando Luthor entendia de música para dizer que Kara ainda estava aprendendo a tocar o instrumento?


- Uh... Obrigada - as bochechas de Kara já pegavam fogo - a música uma do Vivaldi.


Kara pensou em explicar que a música que tocou faz parte de um álbum do músico chamado La Stravaganza, e que havia tocado em mi menor, mas estava muito nervosa para pronunciar mais palavras que o necessário e duvidou que Lena se interessasse pelo assunto.


- Eu só conheço uma música dele... Bem, agora duas - Lena riu do próprio comentário.


- Eu preciso entrar, tchau.


Lena não teve tempo de se despedir de Kara, só observou a morena entrar em sua casa praticamente correndo.


Pessoas e suas particularidades."


A música que os professores tocavam chegou ao fim e pela primeira vez em anos, os olhos azuis encontraram novamente os verdes por breves segundos. Todos que estavam na platéia do auditório começaram a bater palmas e logo os alunos se juntaram aos professores para agradecerem a quem assistiu.


Lena estava desconsertada.


Como um simples olhar havia mexido tanto com ela? Ela não era mais uma adolescente que não sabia de muita coisa sobre a vida, e mesmo assim não entedia o que estava sentindo.


Se sentia como a Lena imatura de muitos anos atrás.


- Mãe! - a voz animada do filho fez a morena voltar a realidade - quero te apresentar a minha nova professora de violino.


O coração de Lena acelerou e a vontade que sentiu foi de sair correndo, mas tudo o que fez foi sorrir.


- Prazer, Lena Luthor - a morena estendeu a mão direita e no segundo seguinte sentiu a pele macia de Kara em contato com a sua.


- Kara Zorell, o prazer é meu - um sorriso apareceu nos lábios pintados de vermelho.


Talvez Kara e Lena tenham ficado com as mãos apertadas por um tempo maior que o necessário, os olhos estavam conectados, era como se conhecessem, mas ao mesmo tempo eram pessoas totalmente desconhecidas.


- Não é como se vocês não se conhecessem - Samantha comentou e levou uma cotovelada de Ruby.


- Mãe!


Kara e Lena perceberam o que acabou acontecendo e soltaram as mãos, uma mais envergonhada que a outra.


Naquele momento o celular de Kara começou a vibrar em seu bolso e depois de dar uma olhada na tela do aparelho, a loira se manifestou.


- Preciso atender a ligação, foi bom te ver, Lena.


Luthor observou a loira se afastar e observou cada detalhe de seu corpo, o seu andar, as coxas bem definidas, como ficava elegante se equilibrando sobre os saltos. Estava fazendo o que fazia há anos, no entanto, dessa vez havia um pouco de malícia no seu olhar.


Lena não estava se reconhecendo.


- O que acha de levarmos esses dois para comerem alguma coisa? Aposto que estão com fome - Samantha perguntou e antes que Lena pudesse responder, Chris e Ruby já tinham ido pegar seus materiais.


- Acho que não tenho escolha.


Minutos depois os quatro já estavam na saída do auditório, Christopher e Ruby andavam mais a frente e conversavam animados, mais atrás, Samantha e Lena observavam a interação dos filhos.


Nenhum dos quatro sabia, mas a cena voltaria a acontecer em muitas outras sextas-feiras. 


Notas Finais


Olá!! Como vocês estão? Espero que estejam se cuidando, ficando em casa, se alimentando bem e hidratando.

O que acharam do reencontro da Kara e da Lena??

Lost In A Blue Note também está sendo postada no Wattpad, caso alguém prefira a outra plataforma.

Até mais, se cuidem!!


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