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História Lost in Borderland - Capítulo 1


Escrita por: thedarkstarofmilkway

Notas do Autor


Oii gente, espero que a leitura esteja fluída e de fácil compreensão. Estou aberta a dicas e observações. Boa leitura.

Capítulo 1 - O maldito trabalho


Fanfic / Fanfiction Lost in Borderland - Capítulo 1 - O maldito trabalho

Não acredito que acordei atrasada num dia tão importante, me arrumo rápido e corro para a parada de ônibus. Em poucas horas estou na universidade e me encontro com Matty.

– Você não disse que ia estar aqui de 8 horas? – pergunta Matty claramente chateado.

– Desculpa... Eu perdi totalmente a hora. – respondo com sinceridade.

– Enfim... Vamos começar logo o trabalho, tenho que estar em casa para o almoço. 

 

Pouco tempo depois meu telefone toca.

– Peter? Ah, eu sinto muito, eu me atrasei... Como assim perdeu sua bolsa? Tudo bem... Vem aqui para a biblioteca, estou aqui com Matty, depois te explico.

Matty me olha de forma incômoda, sei que eles não se gostam, mas acho tudo isso desnecessário.

– Então Peter também está aqui? – ele pergunta num tom frio, quase posso sentir seu desprezo.

– Matty, eu... Vocês podem se aturar só hoje, por favor?

Ele revira os olhos, mas concorda com a cabeça.

Quando Peter chega, ele parece um pouco desesperado.

– Helena? Ah meu Deus... Eu já procurei minha bolsa em toda parte! – fala Peter nervoso.

– Calma, olha, eu acho que a gente deve ir na secretaria e falar sobre isso, eles devem olhar as câmeras. – eu tento acalmá-lo mas não sei o que fazer.

 

Deixo Matty na biblioteca e vou com Peter até a secretaria. Depois de alguns minutos, conseguimos achar a bolsa dele e voltamos para a biblioteca. Durante o caminho, Peter vai me agradecendo. Esse é o jeitinho dele, suave e fofo, mas desajeitado.

 

Ao chegar lá, Matty me explica tudo e baixa um material no meu notebook.

– Adoraria ficar mais, só que preciso ir. Até mais, Helena. – ele se despede e me dá um beijo na testa.

 

Diferente de Peter, Matty tem um jeito mais durão, como se usasse uma armadura, sempre pronto para uma batalha. Ele é alto e sempre está firme, parece incapaz de se abrir.

 

Depois que Matty vai embora, eu e Peter vamos para a sala de estudos e lá eu começo meu trabalho enquanto ele me ajuda e dá alguns palpites, mas eu estou tão nervosa que não consigo produzir muito.

– Olá, novatos.

Uma voz firme adentra a sala, junto com uma aura fria e obscura. Sinto um arrepio na espinha.

Peter se vira e dá um sorrisinho.

– E aí, Niel? Fazendo o que por aqui? – fala Peter com intimidade.

– Eu sempre estou aqui, sabe né? – ele diz – E vocês? O que estão fazendo aqui?

Ele me olha de cima a baixo e eu me sinto levemente desconfortável.

– Estamos só fazendo um trabalho. – Peter responde num tom agradável.

– Precisam de alguma ajuda? – pergunta Niel.

– Não. – respondo rapidamente – Obrigada, mas não precisamos.

Niel dá de ombros e se senta no canto da sala. Ele e Peter conversam um pouco e se eu já não conseguia me concentrar no trabalho antes, agora estava impossível.

 

Paramos para almoçar depois de um tempo e eu me sinto completamente perdida. Nada parece estar fluindo com relação ao trabalho e quanto mais nervosa eu me sinto, mais minha mente parece travada. Respiro fundo enquanto olho para a comida.

– Lena, tá tudo bem? Você parece meio aérea... – Peter me pergunta atenciosamente.

A forma como ele me olha é tão suave, mas tão profunda. Me traz certa calma.

– Só estou meio cansada. – respondo com um leve sorriso – Obrigada por estar aqui comigo.

Ele sorri, e seu sorriso é como o oceano, me passa uma calma, uma paz... eu nem consigo explicar. Então só sorrio de volta.

Ele pega na minha mão e fala suavemente:

– Vai dar tudo certo, Lena. Estou aqui com você.

O som de suas palavras me invade e por um momento eu me sinto mal, quando lembro que ele vai embora. Peter está de viagem marcada para Amsterdam mesmo antes de se apaixonar por mim, antes de me pedir em namoro.

– Obrigada, P.

 

Quando voltamos para a sala de estudos, Niel ainda está lá. Ele está profundamente entretido mexendo em seu notebook.

– Como foi o almoço? – ele pergunta sem sequer tirar os olhos da tela.

– Foi bom. Você não saiu para comer? – Peter pergunta de forma meio curiosa.

Espero que isso não gere um assunto, que isso não se torne uma conversa. Eu sinceramente gostaria de apenas terminar meu trabalho e ir embora.

– Eu não costumo comer muito. Estou de boa. – ele diz ainda sem tirar os olhos da tela.

Puxo Peter para o computador e retomo minhas tentativas de produzir conteúdo para aquelas páginas em branco.

 

O tempo insiste em passar, e parece que eu não consigo sair do lugar. Minha mente entra em desespero e eu não consigo respirar. Estou hipnotizada pelas pequenas frases sem contexto e os grandes espaços em branco, quando Peter me sacode.

– LENA?? ALÔ? Tem alguém aí???

De repente eu desperto e enfim ouço a voz de Peter.

– Ahn... Oi, querido. – respondo devagar.

– Eu sinto muito, mas preciso ir agora... Eu marquei de encontrar um amigo, não achei que isso iria demorar tanto... Sinto muito, Lena...

Aquelas palavras entram como facas. Não acredito que vou ficar sozinha.

– Tudo bem... Eu... Eu entendo. Obrigada por ter ficado comigo até agora... Eu vou conseguir terminar isso, e então estarei livre desse semestre.

Ele me dá um beijo suave, pega sua bolsa e caminha até a porta, porém quando ele chega lá, ele para e olha para o canto da sala.

– Niel, você poderia ajudá-la? Eu só não queria deixar ela sozinha, sabe? Ficaria grato se você pudesse fazer isso. – Peter fala meio envergonhado.

Eu nem posso acreditar...

– Ah que é isso... Não precisa! – tento ao máximo evitar que essa ideia se concretize.

– Ah, Lena, deixe de ser orgulhosa e aceite ajuda! – Peter fala enquanto caminha na minha direção.

Ele pega nas minhas mãos e eu posso ver tristeza em seus olhos, mas há certa esperança também.

– Contato que ela queira, eu não me importo em ajudar. – Niel diz olhando para nós dois.

Peter me olha novamente, e eu digo hesitante:

– Tudo bem...

 

Niel senta ao meu lado de uma forma estranha. Ele é esquisito e me lembra o L de death note, só que em uma versão do mal.

– Deixa eu ler o que você já fez... Hmmm... Apaga, apaga tudo. – ele diz com firmeza.

– O QUÊ? – tenho certeza que a surpresa e a indignação estão mais do que presentes na minha expressão e na minha fala.

– Eu vou te ensinar como se faz um trabalho de faculdade. – ele fala enquanto apaga tudo que eu já tinha feito.

Estou pasma. Boquiaberta. Todo o trabalho que eu tive foi para o lixo mais rápido do que a luz anda no vácuo.

Niel abre várias abas e pesquisa tudo em artigos universitários em inglês. Eu tenho certeza que ele não nota ou não se importa com todo o meu espanto diante de suas atitudes. Eu desisto de tentar demostrar o quanto estou indignada e me aproximo um pouco mais para observar o que ele está fazendo.

Ele cheira a roupa guardada e oleosidade, eu tenho certeza que ele não deve lavar esse casaco há séculos! Seu rosto chega a brilhar de tão oleoso e ele tem uma forma de agir que me deixa desconfortável. Eu juro que não sei o que estou fazendo, a minha vontade é deixar tudo para lá e ir embora, mas eu prometi a Peter que tentaria.

Depois de algumas horas ele diz, sem tirar os olhos da tela:

– Eu acho que seria melhor se fossemos para minha sala.

Sala dele? Ele tem uma sala? O que ele é? A cada momento eu só tenho mais certeza de que esse menino é maluco.

– Bom, quer dizer, sala do meu amigo que faz doutorado. Ele deixa eu ficar lá enquanto está viajando.

Isso faz mais sentido. Mas por que ele quer ir para lá?

– Eu não vejo necessidade de ir para outra sala. – digo meio insegura, mas tento parecer o mais firme possível.

– Você vai entender quando chegarmos lá. A internet é melhor, é mais confortável, mais fria...

Ele se levanta, pega o notebook e vai andando. Como ele pode me ignorar assim?

– Ei! – digo enquanto sigo ele. – Onde você pensa que vai?

– Eu já disse. Para a sala do meu amigo.

Estou furiosa. Como ele pode me ignorar dessa forma? É o meu trabalho, minha opinião, minhas escolhas.

Quando chegamos, ele liga a luz, o ar condicionado, abre a porta e pede para eu entrar. Eu hesito um pouco, mas acabo entrando.

 

A sala é menor do que a de estudos, o ar realmente é mais gelado, e ela parece um acampamento. Tem um colchonete dobrado no canto, uma bolsa bem cheia e meio aberta consigo notar que tem roupas dentro. Está tudo uma bagunça e com o mesmo cheiro de coisa guardada a muito tempo.

Tem uma prateleira que vai de um canto ao outro e parece bem firme. Em cima dela vejo um travesseiro bem surrado.

– Você dorme aqui? – eu basicamente já concluí isso, mas confirmar nunca é demais.

– Bem... Sim, na maioria das vezes. – ele diz de forma indiferente.

– Eu não quero ser invasiva nem nada, mas... você tem uma casa?

– Tenho. Eu costumava morar um apartamento, mas acabei sendo expulso por ouvir música de cunho satânico.

Eu acho que estava certa. Ele é maluco.

– Então você é satanista?

– Não. Só queria irritar meus vizinhos católicos.

Ele claramente é um babaca. O que diabos estou fazendo aqui?

Enquanto ele ajeita as coisas para continuarmos o trabalho, eu olho em volta ainda meio incrédula. Niel é desajeitado, tem um jeito meio largado e parece estar sempre aqui. Tudo isso é estranho para mim, mas eu tento não demonstrar tanto.

Quando dou por mim ele está concentrado digitando, sentado daquela forma esquisita na cadeira e com o cabelo bagunçado.

– O que foi? – ele pergunta, me tirando da espécie de transe onde eu me encontrava presa.

– Eu... Nada. Vamos terminar isso logo, antes que fique tarde.

 

Depois de algumas horas o trabalho está finalmente pronto. Envio para o professor e tudo está certo, mas demoramos mais do que o esperado. Devem ser quase 22 horas quando termino de guardar tudo na bolsa.

– Você não me engana, sabia? – Niel fala – Com essa carinha de patricinha que tem uma vida boa.

Olho para ele e meus olhos estão arregalados. Meu coração quase para e não consigo respirar. Não consigo me mexer e parece que meu cérebro explodiu. Talvez só agora eu tenha notado que estou sozinha numa sala com um cara que mal conheço tarde da noite numa universidade praticamente vazia.

Está tudo tão silencioso que é possível ouvir o som do vento passando pelas saídas de ventilação, agora parece mais frio do que antes.

– Quero te mostrar uma coisa. – Niel diz já se levantando e colocando o casaco.

Ele anda até a porta, desliga o ar e então para. Meu Deus. Estou ferrada. Eu tô sozinha aqui, não vão nem me escutar gritar.

– Você não vem?

Ele continua andando e eu o sigo devagar. Tudo está escuro, as luzes do corredor piscam e parece que não há ninguém no mundo além de nós dois. Noites são tão sombrias assim? Eu não me lembrava...

Seguimos por corredores, parece um labirinto, mas é um caminho fácil de decorar. Ainda me questiono sobre o que estou fazendo aqui. Será que é tarde demais pra correr?

Ele para em frente a uma porta onde tem escrito "entrada restrita", ela deve estar trancada, mas então ele puxa a maçaneta e a porta abre.

Não consigo esconder a minha surpresa. Não sabia que podia piorar. Lá claramente ninguém vai encontrar meu corpo.

– Tudo bem? Não precisa ficar com medo. Está sempre aberto mesmo.

Estamos no telhado. É diferente do que eu imaginava, mas existe uma beleza nesse "telhado abandonado". Ele se senta um pouco mais a frente, de lá dá para ver o campus inteiro, é melhor do que eu imaginava. Olho para cima e o céu está tão estrelado. Me sento ao lado dele ainda encarando a paisagem.

Niel aponta para cima, inclina o braço e faz uma linha meio diagonal.

– Se pudéssemos ver, ali estaria o braço da via láctea.

Tenho certeza que ele percebeu que meus olhos brilharam.

– Ali é a constelação de Órion, ali a Ursa Maior, bem ali é Júpiter. Consegue ver? – Niel aponta para os vários pontos cintilantes no céu e descreve cada um deles.

Não posso deixar de ficar hipnotizada. Eu sempre fui uma amante do céu e tudo nele é encantador.

Acabamos conversando sobre as estrelas, os nossos sonhos e de repente estamos falando sobre nosso passado, coisas pesadas e difíceis.

– É fácil parecer ok para os outros, fácil fingir tudo isso... mas aqui – ele aponta para o próprio peito – aqui tudo é real, e tá uma bagunça. Aqui não existem distrações ou máscaras. E eu gostaria de ver você sem a sua.

Eu olho para o céu, respiro fundo e digo:

– Bem, de fato, mas o bom é que você pode ser alguém diferente para cada pessoa. Mas você sempre vai saber quem você é, e no fim... isso que importa.

Pequenas gotinhas de chuva começam a cair e logo a chuva engrossa. Eu continuo olhando para o céu e sentindo a chuva. As gotas são como todas as lágrimas contidas escorrendo pelo meu rosto e de certa forma isso me alivia.

– Você não vai sair? Não vai voltar para dentro? – ele pergunta meio intrigado.

– Por que eu voltaria?

– Está chovendo. A maioria das pessoas voltaria para dentro...

– Pois é. Mas eu não sou como a maioria.

Ele se aproxima um pouco mais de mim.

– Helena Martini... Acho que a sua tristeza me atraí.

 



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