História Lost in You (Yoonmin) - Capítulo 26


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys, Bottom! Park Jimin, Bts, Fluffy, Min Yoongi, Park Jimin, Prostituição, Romance, Smut, Top! Min Yoongi, Triângulo Amoroso, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 975
Palavras 10.710
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 26 - Eu te amo


Fanfic / Fanfiction Lost in You (Yoonmin) - Capítulo 26 - Eu te amo

Muitas vezes a felicidade está nas coisas simples. Essa era a percepção de Jimin ao se ver participando do jantar na casa da família de Yoongi e sendo tratado como se já fosse um membro da mesma. Todas aquelas pessoas que o acolhiam de forma gentil e respeitosa, demonstravam-se muito felizes por ele estar ali naquele momento, de poderem finalmente conhecê-lo. Essa boa recepção surpreendeu Jimin, pois ele não esperava todo aquele carinho.

A casa pequena estava tão cheia que não havia cadeiras o bastante para todas as pessoas, fazendo com que muitos se sentassem no chão. Yoongi, que era uma delas, não se importava com aquilo. Cercado por outros jovens, ele apenas continuava a comer a deliciosa refeição que havia sido preparada, ouvindo muitas das novidades que os garotos faziam questão de contar a ele.

De longe, Jimin observava aquela interação com certo encantamento no olhar. Yoongi não era uma pessoa das mais simpáticas, mas mesmo assim era muito fácil se apaixonar pelo jeito tranquilo dele. Todos o consideravam como um bom amigo, alguém com quem se pode desabafar e pedir conselhos.

Aquela família extensa e feliz de fato chamou a atenção de Jimin. Estava nítido que nenhuma daquelas pessoas possuía uma vida fácil ou com privilégios, mas a forma como eles lidavam com as dificuldades era algo inspirador.

Todos estavam felizes com a presença de Yoongi, eles conversavam e ouviam música de forma muito entusiasmada. Porém, com o passar do tempo, Jimin pôde perceber que Eunji estava mais calada, sem interagir ou se levantar da poltrona na qual ela descansava. Ele pensou em ir até lá conversar com ela, mas temendo que aquela atitude pudesse ser considerada invasiva, Jimin preferiu ir até a cozinha e falar com outro alguém. Chegando lá, ele encontrou Yoongi conversando amigavelmente com dois rapazes.

Jimin havia aguardado durante toda aquela comemoração, pelo momento em que Yoongi se aproximaria para perguntar sobre a vinda dele até ali, mas parecia que a sua presença estava sendo ignorada quase que por completo. Sem saber como se portar em uma situação tão desconfortável como aquela, ele hesitantemente caminhou até pia da cozinha para conseguir lavar o prato que ele havia usado para comer. Ele parou por um momento e olhou aos seus arredores, foi quando ele sentiu seu prato sendo sutilmente puxado de suas mãos.

– Eu estava procurando pela máquina de lavar-louça – Jimin disse timidamente ao notar Yoongi, alheio ao fato de que aquela família pobre certamente não possuía um aparelho como aquele.

– Eu lavo para você – Yoongi respondeu já pegando a esponja e o detergente.

– Você não precisa fazer isso. – Jimin não queria abusar da hospitalidade daquelas pessoas, sendo assim, lavar o próprio prato seria um gesto cortêz.

– Se o Yoongi se oferecer para lavar o seu prato, você aceita! Isso nunca aconteceu comigo – Yejun brincou.

– Ele é visita – Yoongi respondeu enquanto terminava de guardar a louça.

– Fico feliz em saber que eduquei bem o meu filho! – Eunji disse assim que entrou na cozinha, pegando a todos de surpresa. Com aquele sorriso doce no rosto, ela se aproximou de Jimin, o abraçando sutilmente. – Você vai dormir aqui, querido?

– Eu acho que é melhor eu ir pra casa... – Jimin respondeu olhando para Yoongi, esperando notar algum sinal que indicasse o que ele deveria fazer.

– Está muito tarde, até eu já estou cansada!

Yoongi conhecia muito bem a mulher que havia cuidado dele desde a infância, sendo assim ele logo percebeu que aquele era um pedido indireto de ajuda. Eunji já havia aceitado sua doença, mas não admitia ser vista como uma pessoa doente. Em função disso, muitas vezes ela recusava demonstrar sua fragilidade.

– Eu também estou cansado da viagem – Yoongi disse seriamente.

– Já entendi, já entendi... hora de todo mundo ir pra casa – Yejun resmungou antes de sair da cozinha.

Logo em seguida Jimin sentiu Eunji segurando em sua mão e então o conduzindo para outro cômodo da casa. Mesmo que ele não soubesse quais eram as intenções daquela mulher tão carinhosa, ele pacientemente a seguiu sem fazer perguntas.

Ao chegar em um quarto muito simples, com apenas uma cama de solteiro e um guarda-roupa, levou algum tempo para que Jimin percebesse que aquele se tratava do quarto de Yoongi. Não havia qualquer decoração, como pôsteres, porta-retratos ou papel de parede, nada que pudesse dar um pouco de identidade ao local.

– Essa toalha de banho está bem limpinha. Está até cheirando a sabão em pó – Eunji disse enquanto pegava uma toalha branca de dentro do guarda-roupa. – Você deve estar muito cansado da viagem, um banho vai te ajudar a relaxar.

– Oh... muito obrigado! – Jimin ficou muito agradecido por toda a gentileza de Eunji em prontamente pegar um sabonete para que ele pudesse tomar banho enquanto ela terminava de arrumar a cama.

– Onde você deixou as suas coisas?

– Bom... eu... eu não trouxe nada comigo – Jimin respondeu timidamente.

– Eu vou pegar umas roupas do Yoongi para você usar!

Apesar de Jimin ter insistido em dizer que aquilo não era necessário, Eunji apenas fingiu não ouvi-lo e escolheu algumas peças de roupa mais confortáveis para que ele pudesse ter uma melhor noite de sono.

Tudo naquela casa possuía uma simplicidade com a qual Jimin não estava acostumado, mas era perceptível que eles tentavam viver com o mínimo de conforto, mantendo o ambiente muito limpo e organizado, algo que era motivo de orgulho para Eunji.

Ao sair do banheiro após ter tomado seu merecido banho, Jimin percebeu que a casa estava vazia e silenciosa. Temendo que todos já estivessem dormindo, ele hesitantemente pegou as roupas que ele havia usado até então e caminhou em direção ao quarto. Apesar das roupas de Yoongi se ajustarem perfeitamente no corpo de Jimin, elas cheiravam apenas a sabão em pó o que acabou gerando um pouco de frustração.

– Agora é a minha vez de tomar banho! – Eunji disse com um largo sorriso. – Boa noite, Jimin.

Só então que o fato da casa possuir apenas um banheiro chegou ao conhecimento de Jimin, que logo se arrependeu por não ter tomado um banho mais rápido. Acostumado a ter um banheiro exclusivo dentro do próprio quarto, ele não havia sequer pensado na possibilidade de haver pessoas esperando para usar o banheiro também.

Sentado na cama de Yoongi, Jimin analisava o quarto com um olhar perdido. Ele queria saber mais sobre a história de vida da pessoa que ele tanto amava. No entanto, parecia improvável encontrar alguma resposta dentro daquele quarto tão vazio. Ele poderia descobrir isso através de perguntas, mas era impossível não ter a sensação de estar incomodando Yoongi, já que durante toda aquela noite eles mal haviam se falado.

Jimin estava pensando sobre qual seria seu próximo passo quando avistou Yoongi entrando no quarto com uma toalha enrolada na cintura, seus cabelos molhados como um indício de que ele havia acabado de tomar banho.

– Eu preciso pegar roupas limpas, desculpa – Yoongi disse rapidamente.

– O quarto é seu... – Jimin respondeu sem conseguir desviar o olhar daquele corpo que há tempos não o proporcionava calor, não o abraçava, não o servia como fonte de prazer e de aconchego.

– Por que você está aqui? – Yoongi foi direto ao ponto. Sem olhar para Jimin ele apenas continuava a vestir suas roupas, fingindo não dar importância para aquele momento que o trazia felicidade, mas também vários conflitos internos.

– Nós precisamos conversar.

– Você sempre fica repetindo que nós precisamos conversar... É sobre o que dessa vez? – Yoongi pareceu mais aborrecido do que realmente estava. A verdade é que todo aquele drama era exaustivo demais. Yoongi não queria palavras, mas ações.

– Eu queria pedir desculpas pelo o que Yedam disse para você e deixar claro que eu não concordo com aquilo – Jimin respondeu com um pouco mais de nervoso do que o de costume.

– Você não precisava ter pedido para o Namjoon te trazer até aqui apenas para me dizer isso, bastava deixar um recado com ele.

– Eu vim sozinho. – Jimin percebeu a expressão surpresa de Yoongi, mas preferiu apenas continuar com o principal motivo da ida dele até aquela casa. – Além disso... o Yedam sabe que eu sou o Brick.

– Não fui eu quem contou pra ele.

– Eu sei, eu sei... – Jimin disse cabisbaixo, já estava claro para ele que depois da briga com Yedam, Yoongi havia ficado mais defensivo quanto à relação deles. – Eu vim aqui pra te avisar que eu vou contar para o pessoal e para a minha família sobre... sobre o Brick, sobre nós.

Ao ouvir aquilo Yoongi deu uma risada, não de felicidade ou por achar engraçado, mas como se não pudesse acreditar naquelas palavras. Em silêncio ele apenas fechou a porta do guarda-roupa e saiu do quarto.

Jimin não entendeu a reação de Yoongi, não ficou claro o que aquilo poderia significar. Ele então decidiu que era melhor ir buscar respostas. Ele rapidamente procurou por Yoongi pelos cômodos da casa que por ser pequena não exigia muito esforço. A porta de entrada entreaberta acabou servindo como uma pista.

Yoongi estava sentado no chão da varanda da casa, apenas olhando para o céu. Ele parecia não se importar com o vento frio que fez com que Jimin se encolhesse, abraçando a si mesmo.

– Você não concorda com o que eu disse? – Jimin perguntou se sentando do lado de Yoongi.

– Pra mim tanto faz – Yoongi respondeu com um tom desinteressado, porém as palavras não condiziam com seu semblante tenso.

– Por que você é sempre tão fechado? Por que você não confia em mim para te ajudar, para ouvir o que você sente... o que você pensa?

– Você não se importa com o que eu penso e está tudo bem, você não precisa fingir o contrário – Yoongi respondeu visivelmente desconfortável com aquela conversa que ele achou que já havia chegado ao fim.

– Como assim? É claro que eu me importo!

– Você quer saber o que eu penso? – Yoongi esbravejou enquanto se levantava do chão. – Eu penso que eu estou cansado de ser feito de idiota e o principal culpado disso tudo sou eu mesmo por não ter um pingo de vergonha na cara.

– Eu não estou te entendendo – Jimin disse se levantando também do chão.

– Esse tempo todo eu fiquei esperando você provar que não sente vergonha de mim ou do que nós tivemos, esperando por um sinal, por qualquer coisa que não fosse apenas palavras ditas quando não havia ninguém por perto – Yoongi disse demonstrando raiva e tristeza. – Agora você quer revelar o segredo, mas não por mim, é claro... mas por causa do Yedam, porque ele descobriu.

– Não é bem assim...

– É claro que é! Se o Yedam não tivesse descoberto você nunca iria relevar o nosso romance... ou seja lá o que aquilo foi!

– Sim, eu iria!

– Assim como você iria me apresentar para a Daeun, como iria me contar toda a verdade... mas nunca fez. Você só quer ficar enchendo a porra do meu saco como se eu não tivesse mais nada com o que me preocupar... como se eu não tivesse que fingir que a única pessoa que realmente se importa comigo não está morrendo!

– Por que você nunca me contou sobre a sua mãe? Eu poderia ter te ajudado – Jimin perguntou entristecido ao ver as lágrimas de Yoongi, controlando seu impulso de abraçá-lo.

– Ainda bem que eu não fiz isso! Eu já sou acusado de ser interesseiro apenas por respirar o mesmo ar que você, imagina se eu pedisse alguma coisa...

– Você me ajuda tanto, me deixa retribuir um pouco...

– Eu não quero a sua ajuda! Eu quero que você me deixe em paz! – Yoongi gritou. – Quando eu voltei pra cá a intenção era deixar tudo pra trás, inclusive você! Isso não ficou claro?

– Me desculpe – Jimin disse em voz baixa. Talvez viajar até ali não houvesse sido uma prova de amor, mas um erro. – Desculpa por ter aparecido aqui sem ser convidado, por te aborrecer... por amar você.

– O amor não deve ter todo esse drama, Jimin... não deve ser difícil desse jeito, causando mais dor do que alegria, mais lágrimas do que sorrisos.

Por experiência própria Jimin compreendia muito bem o que Yoongi estava querendo dizer, mas ele discordava que aquele tipo de pensamento pudesse ser aplicado na situação deles.

– Nosso amor não é difícil, ele é fácil, calmo e feliz. O nosso amor não é um problema, ele nunca foi – Jimin disse se aproximando de Yoongi, se permitindo segurar sutilmente a mão dele. – Você se lembra de como nós éramos felizes no Distrito 69? Nós estávamos preocupados e com medo, mas nós tínhamos um ao outro então nada mais importava.

– Isso é passado. Aquele tempo já passou e não voltará mais – Yoongi disse se afastando de Jimin – Mas enfim, diga o que você precisa dizer para a sua família. Talvez você esteja se precipitando a toa, talvez Yedam nem saiba da história toda.

– Eu não sei o que ele descobriu e nem como ele descobriu.

– Então é isso, não se desespere e na pior das hipóteses apenas jogue toda culpa em mim. Eu não vou voltar para aquela cidade, então não me importo – Yoongi respondeu enquanto caminhava novamente em direção à porta da casa. – Mais alguma coisa que você queira dizer?

– Eu vou sentir a sua falta... mais do que eu já sinto.

– Você vai sobreviver, assim como eu também vou.

– Eu não quero apenas sobreviver, eu quero viver... com você – Jimin respondeu olhando Yoongi nos olhos. Aquele vazio em seu peito sendo preenchido, mas com dor e angústia. – Deixa eu te amar, por favor...

– Não vá embora sozinho amanhã, peça para alguém te acompanhar. É perigoso.

A atitude fria e distante de Yoongi despertava em Jimin uma sensação estranha de abandono, de impotência diante daquela situação que ainda era difícil para ele administrar. Jimin não conseguia mais imaginar uma vida sem aquela pessoa que havia se tornado parte fundamental dela.

Sem saber o que fazer para mudar o rumo daquela conversa, para conseguir finalmente que as coisas ficassem ao favor dele, Jimin se desesperou.

– Eu não vou esperar por você a vida toda, Yoongi!

– Ok – Foi tudo o que Yoongi respondeu antes de entrar novamente na casa.

– Eu sou bonito, simpático, sei dançar muito bem, sou inteligente... tem um monte de caras correndo atrás de mim – Jimin disse seriamente enquanto seguia Yoongi, que ao ouvir aquilo parou de caminhar por um instante e ao olhar pra trás era perceptível que havia um pequeno sorriso em seu rosto. – Do que você está rindo?

– Nada – Yoongi disse enquanto ajeitava o cobertor e o travesseiro que estavam sobre o sofá, sua cama improvisada durante aquela noite.

– Você não acredita? Se você não quer, tem quem queira! – Jimin esbravejou. De braços cruzados diante do sofá onde Yoongi estava deitado, ele esperava por respostas.

– Boa noite.

– Por que você riu? – Jimin perguntou mais uma vez, no entanto sem toda aquela confiança de antes. Sua voz triste fez com que Yoongi abrisse os olhos.

– Eu não precisei fazer a pergunta.

– Qual pergunta?

– Sobre o que você gosta em si mesmo.

Só então as coisas começaram a fazer sentido para Jimin. Ele havia feito vários elogios sinceros a respeito de si mesmo sem que isso tivesse sido requisitado por Yoongi, como diversas outras vezes. Sem que ele percebesse aquelas palavras haviam sido ditas de forma natural e espontânea, sem dúvidas, sem negatividade.

– Então... era essa a última fase do jogo para ganhar o seu coração? – Jimin perguntou se sentando na beirada do sofá. – Eu estou fazendo terapia, estou cuidando de mim, vou contar pra todo mundo sobre o Brick, vim até aqui, consegui me elogiar... Eu cheguei na fase final do seu jogo?

– Não tem nenhum jogo.

– É claro que tem... e eu estou sempre perdendo.

– Talvez você esteja ganhando.

– Eu não consigo aceitar que ganhar é perder você.

Ainda cansado da longa viagem de ônibus que havia feito até ali, Yoongi se sentou no sofá. Ele ficou encarando o chão por alguns segundos até que de repente, ele pegou uma das mãos de Jimin e a colocou entre as suas, um gesto doce e suave assim como o jeito como seu polegar deslizava sobre a pele macia.

– Você não pertence a esse lugar, não pertence a mim. – Ao falar aquilo Yoongi percebeu Jimin na intenção de interrompê-lo, mas ele então colocou mais firmeza na voz, impedindo que isso acontecesse. – Você só está perdido. Aproveitar disso seria muita irresponsabilidade e muito egoísmo da minha parte.

– Talvez eu esteja perdido, mas não da mesma forma que antes... Desde que te conheci eu comecei a me perder e a me encontrar em você – Jimin disse com lágrimas nos olhos. Ele podia lembrar perfeitamente de como a presença de Yoongi havia provocado mudanças em sua vida, em como havia feito com que ele mudasse sua postura diante de si mesmo e do mundo. – Então eu estou aqui esperando... aguentando firme sem você.

– Eu não acho que você deva esperar... eu acho que... que é melhor você sair com outras pessoas.

– Você está me dispensando? É isso? – Jimin perguntou enxugando rapidamente as lágrimas que caiam de seus olhos, molhando suas bochechas.

– Não, eu estou te libertando. É diferente – Yoongi respondeu sem deixar de acariciar a mão pequena de Jimin. – Você se lembra de qual foi uma das primeiras coisas que você me disse quando a gente se conheceu? Você se lembra da sua regra?

– Isso foi há muito tempo – Jimin estava confuso e triste, ele não conseguia se concentrar para lembrar-se de detalhes como aquele. Já haviam se passado tantos meses desde a primeira vez em que ele havia estado no Distrito 69 e depois de tudo o que vinha acontecendo até então, parecia que tudo fazia parte de um passado ainda mais distante.

– Você me pediu pra não te machucar... e é isso que eu vinha fazendo até então. Eu te amo, Jimin, mas este sentimento apenas fará você chorar, como já está fazendo.

– Diga isso de novo – Jimin demandou se virando de lado para que pudesse olhar diretamente nos olhos de Yoongi. – Diga mais uma vez que você me ama.

– Jimin...

– Por favor – Jimin implorou ao passo que novas lágrimas transbordavam de sua alma.

– Eu te amo, mas...

– Não tem “mas” – Jimin disse se levantando do sofá. – Isso é tudo o que eu preciso de você. Eu vou continuar esperando por você... esperando você voltar pra mim.

Em silêncio Jimin mais uma vez reuniu os pedaços de seu coração partido e sem olhar para trás caminhou em direção ao quarto. Apenas quando já estava deitado na cama, completamente protegido pelas cobertas, foi que ele se permitiu chorar sem ter que tentar controlar suas lágrimas ou esconder seu sofrimento. Jimin não conseguia entender seus sentimentos, aquela necessidade de ter o amor de Yoongi, de tê-lo por perto. Seu coração estava fora de seu controle, já não o obedecia como antes, se recusava a alçar novos voos. O coração de Jimin há tempos não pertencia apenas a ele, uma conexão invisível o prendia ao de Yoongi. Toda vez que Jimin tentava proteger seu frágil coração, ele simplesmente escapava por entre seus dedos e voltava para o lugar que havia se tornado seu novo lar.

Jimin não tinha medo da escuridão que se faz presente nos dias solitários, ele já estava habituado com ela. No entanto, os dias em que aquela pequena luz brilhante estava lá para guiá-lo, para iluminar seu caminho, os dias em que ele podia perceber pequenos raios de sol surgindo entre as nuvens de um céu acinzentado, esses dias sempre seriam lembrados.

Com o rosto escondido na coberta, Jimin derramava suas lágrimas, pensando em nada e em tudo ao mesmo tempo. Imerso em sua emoção, ele nem sequer percebeu os dedos que sutilmente corriam por seus cabelos.

O colchão se moveu quase que imperceptivelmente devido ao peso extra que estava sendo acrescido, mas Jimin continuou encolhido naquela mesma posição. Ele sentiu o toque suave da mão que acariciava sua barriga em movimentos circulares, a respiração quente que fazia os pelos de sua nuca se arrepiar, mas isso não foi o suficiente para fazer com que ele abrisse os olhos. Jimin já estava acostumado a sonhar com o toque de seu amado, a se imaginar sendo envolvido pelos braços que o protegiam do mundo, o protegiam de si mesmo.

Jimin podia sentir seu pescoço ficando sutilmente molhado, assim como seu rosto, no entanto aquelas não eram suas lágrimas, não era a sua dor. Uma mão foi deslizando vagarosamente por seu braço até que então repousasse sobre sua, entrelaçando-se com seus dedos.

O medo de despertar daquele sonho impedia Jimin de fazer qualquer movimento brusco. Lentamente ele abriu os olhos, mas os fechou novamente ao sentir o gentil toque dos lábios que beijavam seu ombro desnudo, a parte que a camiseta larga não conseguia cobrir.

Pouco a pouco aquela familiar sensação de ser envolvido por um calor que o aquecia progressivamente, começando da ponta de seus dedos dos pés e indo em direção a suas pernas e braços, dominava seus sentidos.

– Jiminie...

Ouvir seu nome sendo sussurrado daquela forma tão sofrida acabou fazendo com que Jimin sentisse um súbito medo de que aquilo pudesse ser o fim, um último adeus. Ele se virou para o outro lado, mesmo que temesse que ao fazer isso tudo aquilo se confirmasse como apenas uma alucinação, que Yoongi simplesmente desapareceria em uma nuvem de fumaça. Como isso não aconteceu, Jimin se aconchegou no corpo de Yoongi, como se este fosse seu ninho. Ele descansou a cabeça na curva do pescoço de seu amado, e se deixou ser inebriado pelo aroma que ao mesmo tempo em que o reconfortava, também o excitava. Abraçado a Yoongi, ele deslizava a ponta do nariz sobre aquela curva, enquanto sentia seus cabelos sendo massageados.

Os olhares deles se encontraram por um breve momento, mas duradouro o bastante para expressar o que palavras não poderiam descrever. No silêncio do quarto escuro, através de um beijo lento e calmo, duas almas perdidas se encontravam uma na outra, se mesclavam e se transformavam em uma única força.

– Não desista de nós – Jimin requisitou esfregando sutilmente a ponta de seu nariz contra a de Yoongi. – O que você quer que eu faça? O que quer que eu diga?

– Eu não sei – Yoongi respondeu em voz baixa. Ele também estava perdido nos labirintos de sua própria alma.

– Eu te amo... eu te amo tanto que eu aceito te deixar, se é isso que você quer.

– Eu estou com medo – Yoongi disse aos prantos enquanto se deitava sobre o corpo de Jimin, que em silêncio o abraçava forte.

– Está tudo bem... Você não precisa ser forte o tempo todo.

Ao visitar aquela casa e conhecer a família de Yoongi, as coisas começavam a fazer sentido para Jimin. Ele conseguia ter uma noção do peso que seu amado carregava sobre ombros já cansados. Ainda havia mais coisas para serem descobertas e pensar nisso o assustava um pouco, mas ele estava pronto para apoiar Yoongi, mesmo com todos os fantasmas que o acompanhavam. Afinal, Jimin também tinha os dele.

– Eu te amo – Yoongi sussurrou enquanto afastava com dedos as mechas de cabelo que cobriam a testa de Jimin.

– Eu sei... – Jimin sussurrou de volta, suas mãos viajavam lentamente pelas costas de Yoongi. –Então vamos parar de perder tempo e viver esse amor.

Quando os lábios deles se encontraram novamente, toda aquela dor que momentos antes prevalecia em seus corações, foi dando lugar a uma sensação agradável, distinta de qualquer coisa que eles já haviam sentido. Era o reencontro de vidas destinadas a traçarem o mesmo caminho.

O toque das mãos ásperas de Yoongi na pele macia da cintura de Jimin, levantando sutilmente a camiseta branca que ele vestia, foi o suficiente para fazer com que um gemido quase que inaudível cruzasse os lábios carnudos e molhados de Jimin, que se ocupavam em receber os beijos que ele tanto precisava.

Yoongi havia se esquecido de quão prazerosa era aquela sensação de ter Jimin em seus braços, do doce sabor daqueles lábios, da forma incomparável que o garoto se derretia a cada toque, a cada mordiscada em sua orelha. Era fascinante ver como ele se entregava completamente toda vez que eles estavam juntos, como suas inibições eram deixadas de lado para dar espaço ao desejo que transbordava de seu corpo.

Jimin não conseguia manter sua boca longe dos lábios de Yoongi por mais do que alguns segundos. Ele sentia que precisava buscar todos os beijos que eram seus por direito, todos aqueles que haviam sido tirados dele contra sua vontade.

No momento em que Yoongi se sentou sobre as pernas de Jimin para que pudesse tirar a própria camisa, um barulho preocupante foi ouvido por eles.

– Eu acho que a sua cama não vai aguentar o nosso ritmo – Jimin disse com uma expressão assustada. Ele se arrependeu de ter mencionado esse assunto quando percebeu Yoongi se levantando da cama.

– Você tem razão.

Embora Jimin tivesse certeza absoluta que seria extremamente constrangedor acordar todo mundo naquela casa por conta de uma cama quebrada, ele não queria que aquele momento íntimo entre eles chegasse ao fim antes mesmo de começar. Jimin então pegou o edredom e o forrou sobre o chão, acrescentando em seguida dois travesseiros.

– Tranque a porta – Jimin pediu gentilmente.

– Eu tenho uma ideia melhor – Yoongi disse enquanto abria o guarda-roupa e começava a procurar por alguma coisa nas gavetas e prateleiras. Cada vez mais frustrado por não encontrar o que procurava, ele decidiu vasculhar sua mala de viagem, mas também em vão. – Merda...

– O que você está procurando?

– Lubrificante e camisinha. Você tem aí?

– Eu vim pra cá só com a roupa do corpo – Jimin respondeu timidamente.

– Você é maluco? – Yoongi perguntou sorrindo.

Não havia nenhuma explicação plausível para aquela atitude impensada então Jimin simplesmente sorriu também e envolveu os braços ao redor do pescoço de Yoongi, iniciando um beijo apaixonado.

– Eu vi em um filme...

– Eu nem quero saber – Yoongi interrompeu Jimin, como se adivinhasse seus pensamentos. –Eu tenho até medo desses filmes pornô que você assiste.

– E se a gente tentar...

– Não – Yoongi disse antes mesmo que Jimin pudesse completar a frase, o beijando logo em seguida.

– Você nem sabe o que eu iria falar! – Jimin reclamou, cruzando os braços.

– Sei sim, e a resposta é não – Yoongi ficou em silêncio durante alguns minutos, tentando chegar a uma solução. Ele então pegou o edredom e os travesseiros e os colocou cuidadosamente sobre os braços de Jimin. – Me espera lá na varanda.

Mesmo que não tivesse a mínima ideia de quais eram os planos de Yoongi, a alegria de finalmente poder estar ao lado dele fez com que Jimin nem sequer questionasse o que estava acontecendo, ele apenas assentiu e saiu do quarto. Enquanto caminhava em direção à porta, Jimin tentava afastar para longe aqueles pensamentos negativos que começavam a rondar sua mente. Valeria a pena se preocupar com o amanhã quando o hoje estava saindo melhor do que ele poderia imaginar?

Não demorou muito para que ele visse Yoongi saindo da casa com uma sacola nas mãos. Jimin então o seguiu até a lateral da casa, onde logo avistou uma escada de tijolos. Tomando cuidado para não tropeçar, ele foi subindo os degraus até que por fim chegou ao que seria o segundo andar da casa, mas que ainda estava em construção. As paredes estavam apenas pela metade, não havendo mais nada ali.

Com um olhar curioso ele observou Yoongi cuidadosamente forrar um lençol sobre o chão de cimento, colocando então o edredom mais grosso por cima. Após ajeitar os travesseiros, uma cama improvisada estava pronta para ser utilizada. De dentro da sacola, ele tirou um pote com a salada de frutas que havia sido servida no jantar e uma garrafa de água.

Ao se deitar ao lado de Yoongi, ficou claro para Jimin que aquela havia sido uma ótima ideia. O céu estrelado estava lindo naquela noite de lua cheia. Ao longe Jimin podia ouvir alguns cachorros latindo, e o barulho de poucos carros circulando pela vizinhança, mas nada que atrapalhasse aquela paz interior que ele estava sentindo. Porém, nem tudo estava perfeito, ainda havia algo que o incomodava.

– O que isso significa? – Jimin perguntou enquanto comia um pouco da salada de frutas. – Eu preciso saber se quando o dia amanhecer eu vou perder você de novo.

– Qual a probabilidade de uma estrela cadente aparecer agora? – Yoongi respondeu com outra pergunta.

– Essas coisas só acontecem nos filmes – Jimin disse se deitando de lado para que pudesse olhar para Yoongi, contemplar as estrelas em seus olhos e não as do céu. – Mas se isso acontecesse, o que você pediria?

– Muitas coisas...

– Você só tem direito a um único pedido – Jimin respondeu abraçando Yoongi.

– Então eu pediria para ter direito a infinitos pedidos.

– Eu desisto! – Jimin exclamou sorrindo.

Em silêncio, Yoongi se pôs a acariciar os cabelos de Jimin com as pontas dos dedos, fazendo com que o garoto se aconchegasse contra seu peito. Depois de alguns minutos o assunto inicial daquela conversa acabou surgindo novamente.

– Aqui é o meu lugar, eu pertenço a ele – Yoongi disse com um tom sério. – Você não.

– O meu lugar é onde você está.

– Você ainda sente dores nos pés por causa da dança? – Yoongi perguntou de repente.

– Sim... – Jimin respondeu sem grande entusiasmo. Ele não conseguia disfarçar seu descontentamento ao perceber Yoongi sempre mudando de assunto, se esquivando quando a conversa ficava séria.

Ele não esperava que ao afirmar aquilo Yoongi fosse se levantar e imediatamente pegar um frasco com uma loção de aloe vera, e muito menos que ele fosse usar isso para começar a fazer uma deliciosa massagem em seus pés.

– Assim está bom? – Yoongi perguntou enquanto fazia uma leve pressão com os dedos.

De olhos fechados, Jimin apenas assentiu.

– Por que você trouxe essa loção? Você já estava pensando em me massagear?

– Eu iria usar como lubrificante.

Ao ouvir aquilo Jimin abriu os olhos assustado. Ele sempre se surpreendia com a forma direta que Yoongi falava o que estava pensando.

– Isso é seguro? – Jimin perguntou timidamente, sem saber como prosseguir com aquela conversa que havia tomado um rumo diferente do que ele havia imaginado.

– Pode ser usado em caso de emergência, como a vaselina... mas não dá pra ficar usando toda hora, o melhor é o lubrificante mesmo, já que é próprio pra essas coisas e não tem tanto risco de infecção...

– Saliva é mais... ah... natural – Jimin disse entre suaves gemidos, não pelo conteúdo da conversa, mas pelo  jeito que as mãos habilidosas de Yoongi alcançavam os pontos certos, o deixavam mais relaxado.

– É, mas ela seca muito depressa e se o cara tiver com alguma infecção você pode se foder... e não do jeito bom – Yoongi explicou sem parar de massagear os pés de Jimin, subindo em direção a seus calcanhares. – Sexo é tão bom que eu acho que Deus inventou esse tanto de DST para evitar que o pessoal ficasse transando o dia inteiro.

– Você continua a tomar o remédio da Prep, mesmo depois de ter saído do Distrito 69? – Jimin perguntou ao lembrar de que na época em que Yoongi era garoto de programa ele mencionou as precauções que ele adotava para não correr o risco de se contaminar com o vírus da AIDS.

– Sim, eu me adaptei bem, só tenho que continuar fazendo acompanhamento para verificar a presença de outras DSTs e para monitorar a função renal... coisas que todo mundo deveria fazer.

– Eu fico com um pouco de vergonha de você sabe... ir no médico falar sobre isso – Jimin disse se aconchegando novamente no peito de Yoongi , que cansado de fazer massagem havia ido se deitar no chão.

– No inicio eu me achava especial e tal, mas os caras veem essas coisas todos os dias... já é tão normal pra eles que deve ser até chato.

– Você pensa em voltar a trabalhar no Distrito 69? – Jimin perguntou enquanto brincava com o botão da calça de Yoongi.

– Eu não sei. Quer dizer... eu não quero, mas...

Aquele era um tema muito difícil de ser abordado, pois levantava muitas dúvidas. A prostituição não era uma das melhores formas de lidar com problemas financeiros, mas havia sido o modo mais rápido que Yoongi, um jovem pobre e sem estudos, encontrou para conseguir a alta quantia de dinheiro que ele precisava.

– Eu não quero que você volte pra lá.

– Você me quer só pra você? – Yoongi perguntou sorrindo.

– Sim – Jimin respondeu com um tom sério, o olhando diretamente nos olhos. – É errado pensar assim?

– Eu não sei. Eu queria ter a resposta certa pra tudo, mas eu não tenho...

– Vamos fazer novas regras! – Jimin exclamou animado. Ele se deitou sobre o corpo de Yoongi repousando ambas as mãos sobre seu peito largo. – Aquelas regras valiam no Distrito 69, nós precisamos de outras. O que eu posso fazer para que esse relacionamento dê certo?

– Eu não acho que isso dependa apenas de você – Yoongi respondeu acariciando o rosto de Jimin.

Era evidente que um relacionamento como o deles enfrentaria muitas dificuldades por conta das diferenças que existiam entre eles, entre as famílias deles, entre o modo como eles viviam e tantas outras coisas. Contudo, Jimin amava tanto Yoongi que ele tinha certeza que se eles realmente estivessem juntos, se eles realmente se tornassem um casal, ele teria forças para lutar por aquele amor, para enfrentar os olhares de reprovação, para não se deixar abater pelos comentários intolerantes e preconceituosos que ele inevitavelmente ouviria dos pais dele.

– Então é isso? Nós vamos ficar longe um do outro mesmo nos amando? Vamos apenas continuar fingindo que nada aconteceu apenas para não sofrermos mais?

– Qual é o seu plano então?

Jimin não tinha um plano, ele estava tão ou mais perdido do que Yoongi, porém ele estava determinado a lutar pelas coisas que ele acreditava, determinado a enfrentar a opinião alheia, a fazer o que fosse preciso para salvar o amor dele. No passado ele apenas acataria as ordens, faria o que fosse mais fácil, renunciaria de seus próprios sonhos e vontades apenas para não criar conflitos, para não decepcionar as outras pessoas. No entanto, Jimin havia mudado e ironicamente um dos responsáveis por aquela mudança era exatamente Yoongi, que naquele momento se mostrava tão inseguro.

– Meu plano é simples. Nós vamos namorar sim, e se alguém reclamar a gente casa. Se reclamarem mais a gente adota cinco gatos, três cachorros e dois passarinhos. O que você acha?

– Parece bom – Yoongi disse sorrindo. Ele agarrou Jimin pela cintura e sutilmente virou os corpos deles de modo que eles trocassem de posição.

– Apenas me ame – Jimin disse baixinho, enquanto sentia o corpo de Yoongi pesando sobre o dele, tão próximos um do outro que suas testas se encostavam. – Essa é a minha nova regra, apenas me ame e deixe eu te amar.

E de repente lá estava aquele brilho no olhar que fazia com que surgisse no coração de Yoongi coisas que ele não sabia explicar, apenas sentir. Uma doçura que às vezes lhe atingia como um veneno, mas que também acabava sendo seu antídoto.

Yoongi havia sofrido tanto durante sua vida que seu coração estava coberto de cicatrizes ainda abertas ou que haviam sido fechadas a força. Frequentemente ele chegava a pensar que seu coração estava necrosado por estas feridas, que muito cedo ele iria perdê-lo. No entanto, pessoas como Jimin era o que fazia com que ele tentasse se curar, tentasse não se corromper pelas armadilhas no caminho. Yoongi não poderia perder seu coração, ele precisava disso para amar Jimin.

– Eu amo você – Yoongi sussurrou com a boca próxima a de Jimin, as palavras saindo de dentro dele e percorrendo todo o caminho em direção à alma de seu amado. Tal como se aquele ato fosse a assinatura de um contrato, selado com um beijo apaixonado.

– Seja meu, apenas meu... assim como eu sou seu – Jimin suplicou enquanto prendia Yoongi em um abraço.

– Você não precisa me pedir isso.

Um pequeno suspiro escapuliu por entre os lábios de Jimin quando ele sentiu os dedos longos de Yoongi segurando firmemente em sua nuca, elevando suavemente sua cabeça para aprofundar aquele beijo. Era inútil tentar resistir, tentar disfarçar o poder que cada simples toque, cada breve olhar tinha sobre ele.

Aquelas mãos firmes que seguravam em suas coxas, a língua e lábios que iam deslizando de seu queixo até os ombros, já eram o suficiente para Jimin ficar a mercê daquele homem que conhecia seus desejos mais íntimos, que desvendava tudo o que ele tentava esconder. Jimin ficava fascinado pela maneira como ele naturalmente se rendia ao corpo de Yoongi, sem que fosse necessário um pedido de permissão, sem que fosse necessário o uso de força física ou brutalidade. Jimin se entregava a Yoongi, não apenas porque ele queria, mas porque ele precisava. Só assim ele conseguiria controlar aquele calor que o consumia por inteiro.

– Me beija... me beija – Jimin implorou. Ele podia sentir os lábios de Yoongi deixando beijos em seu colo e ombros, porém ele queria mais, ele queria tudo o que ele pudesse ter.  Ele queria Yoongi e tudo o que tivesse a oferecer.

Quando uma boca novamente encontrou a outra, ambos gemeram baixinho. Os corpos deles perfeitamente encaixados um no outro, não deixavam espaço para que nada pudesse ficar entre eles, e era isso que eles desejavam que acontecesse em relação a todas as outras coisas, eles queriam que nada pudesse os separar.

Assim que Yoongi se afastou um pouco para poder retirar a camiseta que vestia, Jimin o acompanhou, sentando-se para que pudesse ajudá-lo. A pele pálida recém-exposta, que reluzia sob o luar foi prontamente atacada pelos lábios de Jimin. Ele beijava o tórax de Yoongi enquanto suavemente arranhava as costelas dele, levando suas unhas até a cintura dele e então subindo novamente.

Quando por fim os lábios de Jimin encontraram os mamilos amarronzados de Yoongi, ele decidiu que era um bom momento para incrementar as coisas e enquanto que com uma mão ele acariciava a barriga de Yoongi, com a outra ele envolvia os testículos dele.

– Calma – Yoongi sussurrou, afastando a mão de Jimin, que estava excitado demais para acatar àquele pedido.

Em um movimento rápido, mais uma vez eles trocaram de posição. Jimin era mais forte do que Yoongi e não precisou de muito esforço para fazer com que ele se deitasse no chão. Sentado sobre as coxas daquele homem tão sedutor, seu homem, Jimin esticou os braços dele sobre o edredom, os segurando firme e então começou a movimentar os quadris em pequenos círculos, pressionando seus glúteos contra a virilha de Yoongi.

– Você quer me matar... eu sei.

– Você não aguenta nem uma provocaçãozinha? – Jimin perguntou sorrindo.

– Eu estou sem cueca... para.

O sorriso malicioso que surgiu de repente no rosto de Jimin fez com que Yoongi se arrependesse imediatamente daquelas palavras, que acabaram gerando o efeito contrário do que ele queria. Ele ainda tentou impedir que Jimin abaixasse as calças dele, mas antes mesmo que pudesse reagir lá estava ele novamente sendo preso ao chão.

– Sabe o que eu estava pensando? – Jimin perguntou agora rebolando diretamente sobre as genitais de Yoongi, apenas o tecido da calça que ele mesmo vestia como uma barreira entre os corpos deles.

– Em formas de me matar mais rápido? – Yoongi disse tentando se soltar. Enquanto ele estava lá sem camisa e com as calças arriadas até a altura dos joelhos, Jimin estava no controle e completamente vestido, o que parecia muito injusto.

– Você nunca deixou eu te chupar... por que?

Havia uma explicação para aquilo. No inicio, quando Jimin era apenas um cliente, Yoongi tentava não tornar aquela relação pessoal demais, ele estava lá para servir, para dar prazer e não para ter seus desejos atendidos. Mais tarde, a razão para não permitir aquele tipo de contato era o medo que ele sentia de passar alguma doença para Jimin, já que a camisinha provavelmente não estaria lá para dar alguma proteção. Embora ele sempre tomasse as precauções necessárias ao atender os outros clientes e não tivesse nenhuma DST, se preocupar com a saúde de quem ele amava era completamente compreensível e louvável.

No entanto, Yoongi sequer teve tempo para dar uma resposta, enquanto ele pensava em como responder aquela pergunta de uma forma rápida, Jimin foi mais ágil do que ele e sem esperar por qualquer permissão já se colocou de joelhos entre as pernas de Yoongi.

– Não, não... a gente está em cima da minha casa. Eles ainda podem nos escutar – Yoongi explicou.

– É só você ficar quietinho.

Yoongi estava prestes a falar que aquilo seria impossível quando ele sentiu a boca quente de Jimin envolvendo sua glande de uma forma tão deliciosa que foi capaz de fazer as pernas dele tremerem sutilmente. Já fazia tanto tempo que Yoongi não recebia um oral que parecia que a sensibilidade dele naquela região havia se amplificado ainda mais.

Para evitar que um gemido alto escapasse de sua boca, Yoongi mordeu os próprios lábios com tanta força que por pouco não sangraram. Ele agarrou firmemente os cabelos de Jimin, para forçá-lo a parar, mas aquilo apenas serviu para que o garoto gemesse também.

– Putaquepariu – Yoongi gemeu juntando todas as palavras, tentando controlar os gemidos que ele já podia sentir se aproximando.

Os lábios carnudos e vermelhos de Jimin, deixando um rastro de saliva apenas na cabeça da ereção de Yoongi era uma visão ao mesmo tempo celestial e pecaminosa, assim como as sensações que eles causavam.

– Me ensina a fazer garganta profunda – Jimin sussurrou.

– Agora não – Yoongi gemeu inclinando a cabeça pra trás.

Jimin estava muito satisfeito com as reações que ele estava conseguindo, mas ele queria mais. Aquele era um pênis lindo demais para não ser tratado como devia. Mesmo sem nunca ter feito aquilo, Jimin decidiu se arriscar e abocanhar uma parte maior do membro imponente de Yoongi, mas ele logo percebeu que aquilo não era tão fácil como parecia.

– Nossa – Jimin tossiu com a voz fraca, seus olhos se enchendo de lágrimas.

– É isso que dá ser desobediente – Yoongi disse sorrindo, mas se apressando para ajudar Jimin. Ele sutilmente acariciou a bochecha do garoto, até que ele pudesse se recuperar do incômodo causado em sua garganta.

Yoongi então apoiou as costas de Jimin em seu braço, e sutilmente foi empurrando o garoto até que ele se deitasse no chão. Sem perder tempo ele foi levantando a camiseta que Jimin vestia, e a cada pedaço de pele que era revelada ele a beijava de forma lenta e suave. Quando os lábios dele alcançaram os mamilos de Jimin, ele roçou suavemente os dentes sobre cada um deles, arrancando os gemidinhos que ele tanto amava ouvir. A voz de Jimin era linda, a preferida de Yoongi, mas ficava ainda mais linda quando ele gemia.

Enquanto eles trocavam beijos apaixonados, línguas se entrelaçando e massageando uma a outra, Jimin podia sentir as mãos de Yoongi abaixando a calça que ele vestia. Um sorriso tímido se formou nos lábios dele ao notar a expressão surpresa de Yoongi quando se deu conta que ele também não estava usando cueca.

– Eu não trouxe as minhas roupas, qual é a sua desculpa? – Jimin perguntou sem se deixar afetar pelo sorriso malicioso lançado em sua direção. – Além disso, não foi eu que já vim pra cá procurando por um lubrificante.

– Você se depilou – Yoongi disse esfregando a palma da mão sobre os arredores do pênis de Jimin, ele então se abaixou e levando à cabeça para aquela região, sentiu o agradável aroma que era exalado do corpo do garoto. – Você passou hidratante, se perfumou aqui... Você sempre capricha mais quando quer meu beijo especial.

– Eu não sei do que você está falando – Jimin mentiu. Ele não imaginava que aqueles pequenos cuidados que ele tinha eram tão perceptíveis para Yoongi.

Yoongi agarrou firmemente as coxas de Jimin, fazendo com que ele se curvasse, expondo seu orifício anal. A lenta e prazerosa lambida que ele recebeu logo em seguida fez com que um alto gemido fosse emitido sem que ele pudesse abafa-lo.

– Você já estava na intenção de conseguir uma boa foda? – Yoongi perguntou antes de circundar o ânus de Jimin com a língua.

– Eu... eu... eu iria te seduzir durante a madrugada – Jimin respondeu enquanto tentava controlar seus gemidos, se agarrava no edredom tentando juntar forças para não se mostrar tão vulnerável as carícias de Yoongi, que habilmente o beijava naquele ponto tão íntimo.

– E você acha que iria conseguir? – Yoongi perguntou com um tom desafiador.

– Pelo jeito que você está me chupando... eu não tenho dúvidas.

Contra fatos não há argumentos, então Yoongi teve que admitir que aquela era uma batalha perdida e apenas continuar a arrancar mais e mais gemidos de Jimin, saciando o desejo de ambos.

Jimin adorava ser dominado por Yoongi, adorava o jeito quase que desesperado que sua entrada era explorada, aquela hálito quente contra sua pele sensível, a língua que o invadia impiedosamente e que deixava a promessa de que o melhor ainda estaria por vir. No entanto, ele queria que aquela noite fosse diferente, ele queria dar o prazer que Yoongi merecia.

– Eu não terminei de fazer o oral – Jimin disse tentando pensar em outra coisa que não fosse a língua de Yoongi deixando seu orifício encharcado de saliva. Ele precisava de muita força de vontade para recusar aquela sensação maravilhosa. No entanto, se Jimin gostava de receber aquelas carícias, Yoongi gostava mais ainda de fazê-las. Ele precisou levar a mão entre as pernas e agarrar os cabelos de seu amado para forçar que ele parasse.  – Me ensina a fazer garganta profunda.

– Você não desiste, né? – Yoongi perguntou fingindo estar aborrecido. – De joelhos.

Jimin prontamente obedeceu Yoongi, que se levantou do chão e ficou de pé diante dele. Apesar de ser inegavelmente menos experiente quando se tratava de atividades sexuais, Jimin não se sentia diminuído ou humilhado por conta disso, muito pelo contrário. Yoongi fazia questão de explicar o que ele precisava saber, de ensinar as coisas que ele não sabia. Juntos eles iam se descobrindo, se conhecendo, tornando o que eles já tinham ainda mais especial.

Quando Jimin sentiu a mão de Yoongi segurando os cabelos da parte de trás de sua cabeça, a expressão séria, aquele olhar penetrante preso no dele, um arrepio percorreu por todo seu corpo.

– Qual é o truque? – Jimin perguntou antes de chupar suavemente a glande de Yoongi, como se isso fosse o mais apetitoso dos sorvetes. Ele percebeu que já estava fazendo um bom trabalho quando obteve a resposta depois de mais tempo do que o necessário.

– O ângulo... ah... o segredo está no ângulo – Yoongi disse entre gemidos. Apenas quando Jimin fez uma pausa foi que ele conseguiu prosseguir com sua explicação. – Nessa posição você está abaixo do meu pau, então você tem maior controle.

– O que mais? – Jimin perguntou massageando os testículos de Yoongi.

– Quanto mais molhado, melhor ele entra... vale para todos os lugares.

– Hmm... então vamos resolver isso – Jimin disse com um sorriso malicioso.

Ele lentamente foi lambendo as laterais da ereção de Yoongi, enquanto suavemente massageava a própria. Sem pressa, ele ia acrescentando mais e mais saliva, espalhando por toda sua extensão. Aquilo não era tão difícil já que apenas a visão daquele pênis curvado e cheio de veias já era o bastante para deixá-lo com água na boca.

Yoongi então pegou as mãos de Jimin e as colocou sobre suas coxas, apenas um aperto mais forte e ele saberia o momento de parar.  Acariciando os cabelos de Jimin, ele foi inclinando a cabeça do garoto para trás, até que estivesse na posição correta. Sem parar com aqueles carinhos doces ele foi gentilmente adentrando a boca de Jimin, e então se afastando logo em seguida. Aquele processo deveria ser feito gradualmente, até que Jimin ficasse mais acostumado com o volume em sua boca.

– Respire pelo nariz – Yoongi demandou deslizando apenas a ponta de seu membro sobre os lábios vermelhos de Jimin.

Após alguns minutos de pausa, Yoongi penetrou a boca do mais novo, indo um pouco mais fundo do que das outras vezes, ao notar que o garoto estava prestes a se engasgar, ele se afastou novamente.

– Eu posso fazer isso – Jimin disse mais para si mesmo do que para Yoongi.

– Eu sei que você pode. Com essa boca tão linda você pode fazer o que quiser...

Jimin sorriu contente, se sentindo mais confiante para prosseguir com aquele desafio. Sem que Yoongi precisasse guiá-lo, ele foi lentamente abocanhando cada centímetro do pênis dele, sentindo sua boca ficar completamente preenchida, como nunca antes.  Quando Jimin sentiu a ponta do nariz dele tocando na pélvis de Yoongi, aquela sensação prazerosa foi compartilhada por ambos.

Agora que ele já sabia do que era capaz, se tornou ainda mais fácil controlar sua respiração e aguentar por mais tempo. No entanto, pelos gemidos cada vez mais altos e constantes de Yoongi, era ele quem não iria aguentar.

– Chega...

As pernas trêmulas, o jeito como o peito de Yoongi ia para cima e para baixo devido a sua respiração ofegante era algo lindo de se ver, fazia com que aquela insistência tivesse valido a pena. Jimin estava orgulhoso de seu trabalho, mas não o bastante para fazê-lo parar. Enquanto dava um pouco de descanso para sua garganta ele ia massageando os testículos de Yoongi, chupando apenas a glande e o líquido transparente que escorria dali.

A cada gemido, a cada puxão mais forte em seus cabelos, Jimin se sentia mais feliz, com mais tesão. Ele podia sentir a mão dele ficando úmida pelo fluído que transbordava de seu próprio corpo.

Yoongi também estava chegando ao ápice do prazer, ambos sabiam disso. Os sinais que o corpo dele emitia não deixava qualquer dúvida. Prevendo o que iria acontecer, ele tentou se afastar, mas foi segurado pelas coxas, sendo impedido de ir pra longe. Jimin deixou claro o que ele queria.

Foi necessária uma grande dose de autocontrole para Yoongi conseguir controlar o volume de seu gemido enquanto ele se desfazia em prazer, no alivio que ia tomando conta de seu corpo ao passo que ele enchia a boca de Jimin com seu gozo.

Assim que se recuperou daquela avalanche de sensações, Yoongi se curvou e ajudou Jimin a se deitar sobre o edredom. Ele sabia que por estar tanto tempo de joelhos o garoto provavelmente já apresentava algumas dores.

Esperma e saliva escorriam pelos cantos da boca de Jimin, mas ainda assim ele continua incrivelmente lindo. Tanto que Yoongi não pensou duas vezes antes de beijá-lo apaixonadamente, de sentir o próprio gosto naqueles lábios que ele tanto amava.

– Como eu me saí? – Jimin perguntou enquanto sentia o corpo de Yoongi pesando sobre o dele, seus joelhos doloridos sendo massageados com carinho.

– Eu preciso responder? – Yoongi sorriu. – Você foi incrível, você é sempre incrível.

Com a ponta dos dedos Yoongi limpava o queixo de Jimin, que apenas sorria cansado, mas satisfeito. E quando os olhares deles cruzaram por um breve momento, apenas alguns segundos, ele soube que não adiantaria fugir daquele amor. Ele não sabia como lidar com aquele sentimento, porque ele nunca havia o sentido antes.

– O que foi? – Jimin perguntou ao percebeu que continuava a ser contemplado com tanta admiração.

– Eu amo o seu sorriso.

– Você já me disse isso antes – Jimin disse timidamente.

– Eu realmente amo quando você sorri – Yoongi disse sem deixar de afagar o rosto de Jimin. – Prometa que não importa o que acontecer daqui pra frente, você não deixará esse sorriso morrer.

– O que você quer dizer com isso? – Jimin perguntou com uma voz preocupada.

– Apenas prometa.

– Eu prometo... eu prometo à você os meus melhores sorrisos.

Yoongi então repousou a testa dele sobre a de Jimin, e lentamente foi deslizando as mãos dele sobre os braços do garoto, até que elas se encontrassem, assim como suas bocas que iniciavam um beijo lento e suave.

As estrelas no céu brilhavam ainda mais, a lua cheia já não parecia assim tão distante, mas nada disso era tão importante para Jimin quanto sentir as batidas do coração de Yoongi, ali tão perto do dele.

– Me diga tudo o que eu preciso saber pra... para você sabe, ser aceito no seu mundo, para não tornar a sua vida assim tão difícil – Yoongi disse baixinho.

– Eu te amo. Isso é tudo que você precisa saber – Jimin respondeu antes de unir os lábios deles novamente.

Os corpos deles se moviam em perfeita sincronia, como se chamassem um pelo outro. Cada pedacinho de pele recebia sua devida atenção, seja com lábios ou língua ou então com os toques de dedos que viajavam pelas curvas de suas silhuetas.

O vento frio que soprava as folhas das árvores, que atingia os corpos despidos do casal apaixonado, não era o suficiente para apagar a chama que aumentava a cada toque, a cada sussurro ao pé do ouvido.

A trilha sonora daquela noite romântica era composta pelos gemidos que ambos emitiam, pelos sons dos beijos molhados.

De olhos fechados, Jimin sentia os lábios de Yoongi encontrando cada ponto mais sensível do seu pescoço, descendo então até seus mamilos já enrijecidos. Eles não tinham pressa, apenas aqueles que já vivenciaram a ausência da pessoa amada sabem a importância de cada segundo bem aproveitado.

– Eu queria foder você bem gostoso... do jeito que você gosta – Yoongi sussurrou mordiscando a orelha de Jimin – Mas a vizinhança toda ouviria.

– Eu fico quietinho – Jimin disse massageando os cabelos de Yoongi.

– Você acha que consegue?

– E quanto a você? Você acha que consegue?

– Não – Yoongi confessou sorrindo. – Mas eu quero tentar.

Depois de depositar mais um rápido beijo nos lábios de Jimin, Yoongi se afastou um pouco apenas para alcançar a loção de aloe vera que ele havia usado antes. Ele então lavou as mãos com a água que ele havia trazido e pegou novamente a salada de frutas, que já havia sido até esquecida, a entregando para Jimin.

– Você encontrou uma camisinha? – Jimin perguntou ao ver um pequeno pacote.

– Essa é a parte positiva de morar com um monte de gente. Alguém sempre tem uma camisinha pra emprestar.

Jimin apenas sorriu e continuou a saborear a salada de frutas, contente com o doce sabor do leite condensado. Assim que Yoongi se deitou novamente ele levou a colher a boca dele, dividindo a deliciosa sobremesa. No entanto, sentir o gosto das frutas vindo diretamente da boca de Jimin parecia ser mais interessante para Yoongi, que simplesmente não conseguia parar de beijá-lo.

– Quais são as chances de alguém acordar e flagrar a gente transando em cima do telhado? – Jimin perguntou enquanto sentia a mão de Yoongi acariciando suavemente sua lombar.

– Eles têm o sono pesado. Além do mais, pelas minhas contas a gente está em cima do meu quarto... então isso ainda conta como sendo o meu quarto, certo?

– Errado! – Jimin respondeu dando um tapa no ombro de Yoongi. Mas ele não se importava com esse detalhe, ele só conseguia pensar naquele sorriso doce, nos carinhos que ele recebia de tão bom grado.

Yoongi conseguia entender a que Jimin se referia quando havia dito que as coisas eram mais fáceis quando eles se encontravam no Distrito 69. Não era exatamente o local que passava essa sensação, mas o fato de eles estarem juntos sem se preocupar com a opinião de outras pessoas.  Abraçado a Jimin, trocando beijos e carícias, Yoongi tinha a sensação de que eles haviam voltado para aquele tempo. A diferença era que tudo parecia ainda melhor, já que dessa vez ele tinha certeza que aquilo era real, que Jimin era real.

O beijo que se iniciou de forma amena, foi ficando cada vez mais intenso. Conforme línguas se encontravam e se uniam, mãos viajavam por corpos já suados, mas sedentos de prazer. Quando as mãos de Yoongi acharam espaço entre as pernas de Jimin, ele logo as afastou ainda mais.

– Você está com o meu cheiro – Yoongi disse enquanto beijava o pescoço de Jimin, os dedos dele suavemente espalhando a loção pela entrada do garoto. – Eu gosto mais do seu.

– Bom, então nós temos um problema porque eu gosto mais do seu – Jimin respondeu sorrindo.

– Eu gosto de tudo em você – Yoongi sussurrou sem parar os movimentos circulares de seu dedo. – Até mesmo as coisas que eu não gosto em você, me fazem te amar... Estranho, não é?

– O que você não gosta em mim?

– Esse poder que você tem sobre mim, é perigoso. O único momento em que eu tenho algum controle sobre você é quando a gente faz amor, quando você se derrete todo por causa dos meus toques, dos meus beijos.

Para confirmar o que estava dizendo Yoongi inseriu dois dedos no orifício de Jimin, fazendo o garoto esquecer  por um instante daquela conversa e tudo ao seu redor,  arqueando as costas em um gemido sensual. Ele podia sentir os dedos de Yoongi se curvando dentro dele, procurando por sua próstata. Ele sabia que não demoraria muito para que Yoongi a encontrasse, ele sempre encontrava.

Tal como Jimin deduziu, instantes depois ele se viu obrigado a morder o próprio braço numa tentativa de abafar um alto gemido. Yoongi tinha dedos mágicos, e era indiscutível que ele sabia usá-los muito a bem a seu favor.

Apenas quando Yoongi decidiu ser piedoso e dar um descanso para Jimin, para que ele não gozasse tão rápido, foi que a conversa pôde ser retomada.

– Eu levei um tempão pra trazer você pra mim. Eu não tenho nenhum poder sobre você.

– E quem disse que foi fácil pra mim?

– Você pensava em mim? – Jimin perguntou enquanto se esforçava para conseguir raciocinar direito, para conseguir pensar em qualquer coisa que não fosse os dedos de Yoongi o massageando por dentro, abrindo passagem para que mais um dedo entrasse, deixando a sensação de que aquilo não era o bastante.

– O tempo todo – Yoongi sussurrou.

No momento em que Yoongi se afastou minimamente, apenas para colocar a camisinha, Jimin aproveitou a oportunidade para espalhar beijos pelo corpo dele. Ele sabia que assim que Yoongi o tomasse em seus braços novamente, o possuísse da maneira espetacular de sempre, ele se transformaria apenas em um corpo frágil, gemendo e gritando por mais.

Jimin não estava errado.

A sensualidade de Yoongi não estava apenas em seus ombros largos, na sua pele sedosa, na voz grossa ou naquele olhar tão penetrante que provocava uma junção de medo com excitação, também estava no modo como ele se preocupava com as pequenas coisas, como ele cuidava das pessoas sem fazer um grande alarde, fingindo não se importar. Tal como quando ele atenciosamente colocou travesseiros embaixo do corpo de Jimin, para evitar que ele se machucasse com o atrito no chão.

Não havia nada mais sexy para Jimin do que ser tratado com respeito, do que ser cuidado pelo homem que ele tanto amava.

– Aaah – Jimin choramingou ao se sentir sendo penetrado pelo membro grosso de Yoongi, que tocava em todas as suas paredes internas. Ele imediatamente levou ambas as mãos em direção ao peito de Yoongi aas repousando ali por um instante, sabendo que aquele era apenas o começo. – Aaaaah... devagar.

Tentando manter os quadris imóveis, Yoongi se inclinou para frente e uniu os lábios deles em um beijo cheio de paixão e ternura. Ele deslizava a mão pelo pênis de Jimin, indo para cima e para baixo enquanto o penetrava lentamente, o consumindo por inteiro.

Jimin havia dito que não faria tanto barulho, mas naquele momento aquilo parecia impossível. A voz grossa de Yoongi em uma mistura de gemidos e rosnados já era o suficiente para levá-lo a loucura.

Toda vez que Yoongi sentia que iria gemer mais alto ele desesperadamente buscava a boca de Jimin, para que pudesse iniciar um beijo e abafar o som. Por fim, acabou sendo necessário que eles se beijassem praticamente o tempo todo. Nenhum um deles reclamaria disso.

Quando Yoongi deu uma estocada mais forte, Jimin sentiu como se o ar tivesse escapado de seus pulmões. Ele inclinou a cabeça para trás, sua boca aberta, mas sem emitir qualquer som, enquanto fincava as unhas nas costas de Yoongi. Sem dúvidas aquilo deixaria marcas.

Yoongi sussurrava para Jimin fazer silêncio, mas ele sabia que não estava em condições de exigir qualquer coisa. As marcas vermelhas que ele deixava nas coxas do garoto, toda vez que tinha que agarrá-las numa tentativa de conseguir um pouco de autocontrole eram a prova disso.

Por mais que o edredom servisse de barreira entre eles e o chão áspero de cimento, isso não provia conforto o bastante para que eles variassem nas posições. Inovar é sempre bom, mas um colchão macio muitas vezes acaba fazendo falta.

– Jiminie – Yoongi sussurrou próximo ao ouvido de Jimin e isso foi o suficiente para que o garoto arqueasse lindamente suas costas, mais uma vez. Tratava-se apenas de um nome, mas ouvi-lo vindo da boca de Yoongi agregava a isso um toque mais especial. – Você quer montar em mim?

Yoongi nunca havia visto Jimin se mover tão rápido. Ele amava aquela posição.

A fina camada de suor sobre seu corpo, suas bochechas rosadas, seus cabelos completamente bagunçados. Tudo deixava Jimin ainda mais lindo do que de costume. Com fascínio, Yoongi contemplava seu corpo, via a inocência daquele garoto tão adorável desvanecer no ar a cada movimento de quadris, a cada vez que ele desesperadamente buscava pela ereção de Yoongi, afoito por prazer.

Quando Jimin começou a chupar os próprios dedos como uma forma de abafar seus gemidos, foi a vez de Yoongi perder o controle. Manter-se calmo diante daquela visão era exigir demais de um homem apaixonado. Ele sequer teve tempo de tentar esconder seu alto gemido.

Jimin arregalou os olhos assustado, temendo que alguém tivesse escutado, mas ainda assim ele simplesmente não conseguia parar de se esfregar contra o corpo de Yoongi, enterrando dentro de si tudo o que ele podia aguentar.

Ao perceber que Jimin estava perto de gozar, Yoongi fez com que ele se deitasse de lado no chão e o penetrou novamente. Ele sabia que nesse momento o garoto era tomado por tantas sensações intensas que não conseguia continuar movendo o corpo para manter o ritmo. Ele precisava de ajuda e Yoongi estava mais do que disposto a oferecê-la.

Os beijos deles se tornavam mais língua e saliva do que qualquer outra coisa, mas isso não os incomodava, apenas deixava tudo ainda mais prazeroso.

Yoongi segurava a perna de Jimin enquanto o penetrava por trás, de forma poderosa e impiedosa. Sem saber o que fazer com o próprio corpo, Jimin apenas se agarrava ao edredom e de olhos fechados mordia o travesseiro.

– Você está pronto? – Yoongi sussurrou com uma voz rouca e trêmula.

Jimin apenas assentiu e inclinou a cabeça para trás para que eles pudessem se beijar novamente. No entanto, quando ele sentiu a mão de Yoongi acariciando seu membro já dolorido, carecendo de alívio, ele apenas conseguiu ficar gemendo contra os lábios de seu amado.

– Eu te amo... eu te amo... eu te amo – Jimin gemia já sem forças, seu gozo escorrendo por entre os dedos de Yoongi, que continuava em busca do próprio orgasmo.

Depois de tanto tempo sofrendo por estar tão perto, mas tão longe daquele a quem ele tanto amava, Jimin sentia a necessidade de dizer todos os “eu te amo” que haviam sido sufocados em algum lugar de seu coração, de sua alma.

– Eu também te amo. – Exausto, Yoongi se aconchegou no corpo de Jimin, sentindo o cheiro de xampu que era liberado pelos cabelos úmidos dele enquanto tentava recuperar o fôlego. O largo sorriso no rosto de Jimin indicava que mais uma vez eles estavam bem. Yoongi queria que fosse sempre assim. – Eu amo quando você sorri.

Ao ouvir aquilo o sorriso de Jimin ficou ainda mais largo, um sorriso cheio de timidez e cansaço, mas lindo. Ele alcançou a mão de Yoongi que descansava sobre a sua barriga e a trouxe para perto de seu rosto, beijando-a logo em seguida.

A lua cheia continuava seu reinado no céu estrelado, mas que logo chegaria ao fim com o nascer de um novo dia. Enquanto Yoongi cochilava ao seu lado, Jimin olhava para lua em uma conversa silenciosa. Ele pedia que o sol demorasse um pouco mais para chegar, pedia que aquela noite durasse um pouco mais. Ele estava pronto para enfrentar o que o amanhã trouxesse, mas ele sabia que não seria fácil.

 



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