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História Lost Stars - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


okei, eu realmente não sei se ficou bom :c
talvez eu mude algumas coisas depois
mEdo
boa leitura, por favor, goste. :))

Capítulo 2 - Exercícios de calça jeans.


Busan;___, 18:48


Só agora, parada em frente de casa enquanto encaro meus tênis surrados, a pergunta de mamãe faz efeito, a verdade é que eu não estava preparada para ir até Margot, eu nunca estaria.


Meu corpo é empurrado, sinto minhas costas irem em um encontro brusco com a porta de casa me arrancando uma expressão de dor pela maçaneta que foi fincada perto da coluna, desço o olhar pro meu abdômen, vejo duas patas apoiadas lá, tinha uma cara engraçada e a língua pendia para fora da boca enquanto respirava rápido e o seu rabinho demonstrava animação, eu não estava nem sequer um pouco animada com seu ataque repentino, cachorro idiota, tentei o empurrar mas ele insistiu e se embolou mais ainda em mim. -Sai fora, pulguento.- tentei afasta-lo mais uma vez.


Alguém assobia, o cachorro para na hora e depois sai disparado atrás do garoto da casa ao lado que produziu o som. Não consegui enxergar seu rosto pela pouca iluminação e o capuz do moletom que o encoberta, ele levantou a mão e mandou um breve aceno antes de enfiar no bolso outra vez, retribuí, depois da troca rápida de gestos ele se vira e começa a andar no caminho que era oposto ao meu. 


Depois que ele some na esquina eu começo a descer os três degraus e passar pela cerquinha baixa de madeira com a tintura desgasta para por fim resolver o adiado. 


O vento brinca de atrapalhar meu cabelo enquanto eu tento inutilmente alisa-lo com os dedos, desisto irritada e enfio minhas mãos no bolso da jaqueta, desvio de um montinho de folhas secas e alguns minutos depois tropeço em uma pedrinha na calçada, me seguro na barra gélida e enferrujada do portão ao meu lado.


O portão, esse portão no qual me apoio, era este, Margot estava em algum lugar atrás desse portão. Eu nem sequer havia reparado que cheguei, um pingo de desespero me invade e logo se apodera de mim por inteiro, solto minha mão da barra de imediato, a esfrego na frente de minha jaqueta repetidas vezes como se eu quisesse limpar minha mão da impureza e medo que só uma barra do portão daquele lugar possuía e transmitia. Tenho de me concentrar em respirar, eu não posso voltar atrás agora, já cheguei até aqui. 


Adentro apressada, quase que correndo, o cheiro de grama molhada e a brisa leve do lugar não me acalmam, eles me apavoram, consigo sentir minha garganta apertar e o peito doer. Não olho para os lados, só sigo as coordenadas que vovó me passou para que chegasse nas letrinhas onde indicam "Lee Margot". Viro aqui e ali, minhas pernas tremem e parecem querer colar no chão, meu corpo manda todos os sinais possíveis para tentar me fazer sair correndo de lá, não acho má idéia, mas não posso decepciona-la mais uma vez.


Cesso meus passos, paro bem a frente da pedra esculpida em um retângulo não tão simétrico, era lá, cada letrinha de seu nome e da dedicatória escolhida por mamãe estavam cravadas ali, o ano de seu nascimento e morte eram separados por um traço horizontal.


Ao terminar de ler, sinto uma lágrima escorrer, foi a primeira a cair depois de 19 dias sem Margot, eu finalmente derrubei a primeira lágrima, é tudo tão irreal, sinto meu coração se agonizar e tentar de tudo para escapar da minha caixa torácica, sou embalada e sufocada pela saudade, doí tanto não ter Margot mais por perto, é insuportável. 


Levo as mãos trêmulas até meu rosto e o enxugo com rapidez, fungo duas vezes e puxo o ar antes de começar a falar.


-Me desculpe por não ter vindo antes e não me despedir de você no dia do enterro, também por deixar de te visitar no hospital, eu te juro que tentei, Margot.- Mantenho-me firme durante a frase toda mas meus olhos ardem, aperto uma mão contra a outra com força e continuo. -Era impossível, eu não conseguia me convencer de que...- Me falta ar e meus pulmões me obrigam a parar.


Eu continuo esperando a voz doce de Margot aparecer em meio aquela atmosfera sombria e me dizer que tudo estava bem, mas sei que não apareceria, nunca mais.


-Eu tenho medo de me esquecer da sua voz.- solto em meio a lágrimas que já haviam voltado a escorrer sem que eu percebesse e continuo a insistir na tentativa falha de para-las. Não era isso que eu havia planejado contar pra Margot, tudo está indo errado, incluindo o fato dela não estar mais aqui, não era pra ser desse jeito.- Eu sinto tan- Tento continuar mas minha garganta se tranca, a minha voz não sai mais, é insuportável manter meus pés quietos sob a grama e encarar as flores quase murchas postas perto de sua lápide, não aguento mais, me sinto asfixiada e a necessidade de sair correndo é tão grande que toma o lugar de todos meus outros pensamentos.


-Me perdoa Margot.- É a última frase que consigo dizer, e agora eu corro, sem ousar espiar pra trás, meus calcanhares chegam a doer e meu nariz dói com o vento gelado que recebe, eu sinto dormência em quase cada parte do meu corpo, mas enxergar o mesmo portão pelo qual entrei tão perto me faz ignorar qualquer sintoma físico que a corrida inesperada e minha mente geram, tudo que preciso é ir pra bem longe daqui. 


Passo pelo portão e deixo o cemitério para trás, entretanto minhas pernas não param e eu continuo a correr. Faltando só um pouco menos da metade do caminho para que eu chegasse em casa, me permito parar em uma praça e descansar, sento em um dos bancos de pedra dali, fecho meus olhos e ofego recuperando o oxigênio pelo qual o meu corpo tanto clama.


sinto um peso nas minhas coxas, abro os olhos assustada e vejo o mesmo pulguento do encontro de mais cedo ali, na minha frente, dessa vez sereno e nada de agitado. -Pulguento, mas que merda você tá fazendo aqui?- ele esfregava o focinho nas minhas mãos como se pedisse por carinho, em outras condições eu com certeza daria enquanto faria uma tonalidade de voz irritante para elogiar o cãozinho, mas eu estou muito ocupada surtando internamente com medo de que o dono do pulguento tenha presenciado meu momento de fuga acompanhada de pânico.


Corro os olhos pela pracinha e consigo ver a silhueta do garoto em outro banco de pedra, ele estava esparramado ali, uma perna jogada pra fora do banco, um dos braços apoiado preguiçosamente no encosto e o outro por de trás da cabeça servindo como um travesseiro improvisado.


Depois de constatar que meu novo vizinho nem sequer me notou ali, eu arrasto cuidadosamente o pulguento e me preparo pra correr de novo.


Jeon, 20:03


A pracinha que costuma estar lotada de crianças catarrentas que correm com sorrisos estampados nos rostos estava vazia, eu diria que até um pouco melancólica, tudo bem, são oito da noite, nenhuma mãe com senso traria um birrento pra vir brincar a esse horário, eu só quero uma desculpa para normalizar o fato de eu estar sozinho e fora de casa no último dia de férias. 


Não basta ter que lidar com a frustração da minha rotina sem graça e totalmente monótona, ainda tenho que aguentar meus pais inventando motivos do além para argumentarem e serem extremamente barulhentos, por nada. 


Bart me encara com uma cara entediada, o bichano deve estar odiando o "passeio" de hoje sem o Seung para brincar com ele. 


A luz da rua do lado pisca três vezes e Bart com sua atenção aguçada se vira na mesma direção, eu acompanho o olhar do cachorro mesmo já sabendo que não é nada demais, só a fiação falhando causando mal contato. Mas não era para a falha rápida das luzes que Bart prestava atenção, era na nossa recente vizinha, que por sinal parecia ter terminado de correr uma maratona, ela parecia estar vindo pra pracinha, vejo o rabinho de Bart balançar suavemente de um lado para o outro e ele já começa a se aproximar dela, que nem se deu conta do ato, ela parece cansada. 


Então quer dizer que ela sai às sete da noite de calça jeans e all star para malhar? Ótimo, não me sinto mais um esquisitão. Solto um riso soprado ao ver Bart se aproximar por completo e jogar as patinhas da frente nela. Ela faz uma cara confusa e balbucia algo pra ele, pouco depois começa a observar a praça, como se analisasse ou procurasse por alguém, espera , ela vai me ver.


Sinto uma pontada de desespero, me deito no banco da praça me cobrindo com o capuz antes, normalidade Jeon, transpareça normalidade. Santo Deus, tomara que ela não me reconheça, tomara que ela pense que sou só um mendigo que tá tentando tirar um soninho, tomar que... droga, eu acenei mais cedo para ela e o Bart entrega meu disfarce de sem-teto. Perfeito, devo ter acabado de ser titulado como "vizinho esquisitão que sai para pracinha de crianças em pleno anoitecer e deita em bancos públicos nada higienizados". Eu deveria me levantar agora? Viro meu rosto minimamente, espreito, mas não a vejo mais lá, só um Bart sentado fitando a rua de luz ruim.


É, talvez ela não curta cachorros e o bichano a espantou, levanto do banco e sacudo o moletom um pouco, assobio e logo Bart está ao meu lado pronto para voltar para casa, provavelmente meus pais já pararam com o  show de hoje, teriam que se poupar e guardar um pouco para amanhã pra não perderem o costume, certo?

...

Chegamos em casa, mando Bart entrar mas ele se finca no lugar e senta, dou o mesmo comando pela segunda vez mas ele apenas faz um barulho esquisito negando e não se move, franzi o cenho e me agachei tentando ficar mais perto. -Que foi, amigão?- indaguei e como se Bart entendesse ele me responde levantando e se virando em direção a casa dos novos moradores, continuo sem entender.

 Analiso melhor a casa e então meu olhar para na garota sentada no balanço da varanda, mas sem se balançar, ela tinha a postura encolhida e suas mãos cobriam seu rosto enquanto o tremor das costas revelam que ela chora, vez ou outra eu conseguia ouvir seus soluços altos. Estremeci diante a cena, vê-la daquela forma me trazia um desconforto absurdo.

 Não sei mais por quanto tempo estou aqui fora, continuo na mesma posição e isso me incomoda, eu quero ir até lá mas o que eu diria? Seria muita inconveniência. Fechei os olhos e trinquei o maxilar, meu corpo parece querer lutar contra minha decisão agora, inspiro fundo e sigo, a cada passo que dou o incômodo incha mais e mais dentro de mim, mordo os lábios inferiores e por fim chego até ali, mesmo contra vontade, alcanço a chave no meu bolso e a coloco na fechadura, rodo três vezes e destranco a porta, levo o olhar até o balanço por uma última vez, hesito novamente em simplesmente entrar dentro de casa mas o faço afinal.

Confiro se Bart tem água suficiente para a noite e logo após subo as escadas, a vontade de ir até aquele balanço de metal e madeira ainda se abriga junto de uma angústia intolerável.

Fecho a porta do quarto, tiro os tênis e jogo a camisa em qualquer canto, me deito e puxo o edredom cinza me acobertam por inteiro, eu li em algum lugar que ficar parado durante 15 minutos te faz cair no sono, tudo bem, consigo fazer isso, é só não me mover. 

Mas eu me movo, em menos de quinze, e nem sequer foram minutos, eu me movi em menos de quinze segundos, e agora eu me encontro estabanado abrindo a cortina e empurrando a porta de vidro da sacada rapidamente e de forma desajeitada, coloco a cabeça para fora mirando diretamente a varanda da outra casa. 

Ela ainda estava lá, sem chorar, mas estava. A brisa gelada me faz respirar pesado, penso em pegar um casaco mas logo desisto e continuo mantendo meus olhos pregados nela. 

O balanço vai para trás e para frente delicadamente, mas não era a garota quem empurrava e sim o vento. Ela nesse momento já terminava de girar a maçaneta, agora empurra a porta e entra, a perco de vista. Ergo o pescoço e encaro uma das sacadas esperando qualquer sinal, e então uma delas exala um feixe de luz, respiro aliviado, começo a fechar a porta de vidro e então arrasto a cortina de volta. 

Vou para o banheiro, abri a torneira e joguei um pouco d'água gelada no rosto, dou um suspiro longo enquanto encaro meu reflexo no espelho, eu fiz o correto em negar minha vontade de interferir



Notas Finais


AI JESUS
TÁ MUITO MAL ESCRITO E EU DEIXEI DE COLOCAR MUITA COISA POR VERGOINHA WKSNKWNOWJW, me desculpa 🥺😔
E aí, o que acharam? serase dá pro gasto?
até o próximo, vou tentar fazer melhor heuwhau
olha só essa capa nova que a Duda fez :) 💜

(não revisado)


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