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História Lost Stars - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura!
Agradecimentos especiais: pra minha amiga Maria Teresa, que me deu a idéia de como começar o capítulo hehe
e a, bely, nossa beta de LS que betou o capítulo beirando uma da manhã whksnaj.

Capítulo 4 - Afronésia.


Jeon, 12:34 


Fiscalizei o relógio mais uma vez, ela continuava na mesma posição, mantinha sua atenção na folha meio rabiscada do caderno e mal piscava, estava muito distante. 


— Ei, ___… – arrisquei chamá-la, mas ela continua sem esboçar reação, vidrada nos rabiscos. 


Me levanto da cadeira, e levo minha mão até seu ombro, dessa vez ela dá sinal de vida, igualzinho a um espasmo de peixe-morto, e agora eu consigo sentir seus ombros se movimentando por conta da respiração ofegante.


— Não sabia que eu era tão feio a ponto de te assustar, poxa… – brinquei, mas a expressão de susto ainda não abandona seu rosto. – Você tá legal? 


— Claro. – ela assente diversas vezes e se levanta começando a guardar o pouco material que usou. — Obrigada por me esperar. Vamos? — ela profere direta, já indo pra saída da sala.


Minha curiosidade chega a machucar. Ela fica estática por quase quatro minutos e depois disso finge que tá tudo normal, ela com certeza é capaz de superar qualquer nível alto de esquisitice já visto.


Coloco as mãos nos bolsos tentando aquecer os dedos duros de frio. Nós dois acabamos perdendo a carona de Hoseok, então estamos indo a pé e sofrendo com o clima gelado. 


— Quer? — ela estende o fone esquerdo pra mim, eu o aceito e coloco.


Quando ouço a melodia um sorriso surge, encontrei minha metade da laranja, depois de tristes quatro anos curtindo Undergrounds sozinho eu finalmente tenho companhia, uma companhia bem gata por sinal. Obrigada universo por mandar uma belezinha dessas.


— Conhece? — ela indagou arqueando as sobrancelhas ansiando por confirmação.


E eu confirmei, afirmei com a cabeça ainda com o sorriso no rosto, ela soltou uma risada soprada, aumentei meu sorriso, mas por pouco tempo, porque tão rápido quanto a animação dela veio, se foi. 


— Tem algo errado? — arrisquei.


Ela quebra o contato visual, focando o olhar pra frente e negando com um murmúrio. Suspirei triste e um pouco irritado com a curiosidade insaciada, de certo ela tava passando por algo péssimo. Foquei á nossa frente também, então avistei minha mãe e ao seu lado estava Seung, e claro, o Bart. 


Estávamos a quase só um quarteirão de distância, tirei o fone e a entreguei.


— Aquela é minha mãe e o meu irmão mais novo. — apontei.


Observou os dois e deu um riso fraco quando viu Seung completamente feliz e saltitante gritando repetidamente: "Oi, Jeon!".


Quando já estávamos bem mais próximos ela imitou minha ação anterior e tirou o fone, enrolando-o em volta do celular e guardando no bolso. Bart foi o primeiro a nos cumprimentar, e antes que ele pulasse nela controlei-o, ela tinha medo, certo?  Deixei de segurar Bart graças a um humano-cotoquinho me atacando e dando um abraço bem desajeitado.


— Foi terrível, Jeon! Meu repelente acabou na primeira semana e o papai não colocou um reserva na minha mala, ele vai escutar poucas e boas da mamãe hoje de noite, não é? — a voz de Seung saia abafada, ele estava quase se fundindo comigo de tanto que me apertava. — Ah, e Jeon… — Seung me soltou de uma só vez e apontou pra ___, que assim que recebeu a atenção de todos se curvou em sinal de cumprimento. — Como pôde não me contar que arranjou uma namorada?


— Não pegava sinal no seu acampamento, como queria que eu te contasse? — ___ arregalou os olhos e percebi a falta de contexto. —  Alguma coisa. Isso, como queria que eu te contasse alguma coisa? — corrijo. 


— Qual o seu nome, namorada do Jeon? — Seung perguntou pra ___.


– Lee ___, e eu e seu irmão não namoramos. — acrescentou rindo fraco. — E o seu, garotinho? 


— Seung. Ei, vizinha Lee, você quer vir com a gente na caminhada? A gente sempre sai quando dá o número sete no relógio da sala. – ele mostrou suas mãos enumerando com os dedos o sete. Seung, você é o gênio-cotoquinho mais lindo que eu já vi.


— Tudo bem, não tenho nenhum compromisso. — concordou. 


— Falando em compromissos, ___, quero convidar sua família para um almoço neste final de semana. — minha mãe quem fez o convite dessa vez.


— Certo, vou avisar, tenho quase certeza que vamos poder ir.


— Ótimo! Sempre bom conhecer a vizinhança! — mamãe exclamou animada.


 ___, 12:43


 Acenei pra família dele uma última vez antes de entrar em casa. Fechei a porta com o pé, pendurei a mochila no gancho, por fim travei a tranca da porta.


Chamei pela vovó, mas não recebi resposta, chequei por toda casa e ela realmente não estava ali. Encontrei uma nota pregada na geladeira, era de vovó, e dizia que ela tinha ido até a feira e voltava em breve para preparar o almoço. 

Sai da cozinha e fui pra sala, me desmanchei cansada no sofá, passei as mãos pelo rosto preocupada com meu dia, mais especificamente na parte qual enxerguei a Margot. 


Endireito a postura e sinto meu coração bater mais forte. Como é possível, será que eu estou enlouquecendo? Definitivamente isso não é normal, mas parecia tudo tão verdadeiro. 

Por Deus, se eu contar isso pra alguém irão me internar. Eu até mesmo sinto arrependimento de ter desejado ver e escutar Margot mais vezes, se eu soubesse que iria a ver dessa forma eu nunca teria pedido.


— Fantasma da Margot, ou seja lá o que eu vi, não encare isso como uma ordem mas sim como um pedido desesperado e caridoso, não apareça mais vezes, por favor. — eu disse frustrada tampando meu rosto com uma das almofadas do sofá, não que eu acredite que realmente exista um fantasma.


— O quê disse? 


Solto a almofado no mesmo instante que a voz ecoa, a vejo de relance ela cair diante em meus pés, porque no mesmo momento já encaro a entrada da casa.


— Vó! — solto o ar aliviada e me abaixo pra pegar a almofada. 


— Boa tarde minha querida! Não lhe escutei direito... Sabe como é essa coisa de idade limitando a capacidade da gente, um horror! — fui até vovó a ajudando com as sacolas.


— Não falei nada demais, pra falar a verdade eu estava conversando comigo mesma. — forcei uma risada pequena. Vovó parecia estar sendo sincera sobre não ter ouvido nada, eu deveria me sentir bem ou mal por isso? 


Deixei as sacolas na bancada da cozinha e comecei a desempacotar as compras.


— Pode deixar, meu bem. Vá descansar da escola, quando eu terminar lhe chamo e você me conta sobre seu primeiro dia.— aquiesce deixando as compras de lado e indo pro meu quarto. 


Alcancei meu celular e abri o aplicativo de mensagens, Priya tinha me chamado para ir a algum barzinho com suas amigas, recusei contando-a sobre a tal caminhada que topei, não que eu fosse aceitar caso não tivesse combinado nada, é que barzinhos não faziam muito meu estilo.


━⊱❉⊰━


— Se não abrir os olhos eu vou te fazer cócegas, hein. 


— Isso é golpe baixo. — respondi mamãe — Eu ainda estou com sono, me acorde daqui a dez minutos. 


— Será que faço na barriga ou nos seus pés? — atuou pensativa. 


Então abri meus olhos, eu não queria pagar pra ver e terminar sem ar de tanta cosquinha, ela levava essas batalhas a sério. 


— Acho que gostei da sua promoção de emprego, agora pode almoçar com a gente todos os dias? — vi mamãe sorrir boba depois do meu comentário.


— Do quê está falando, minha filha? Já é noite, além disso, Jeon e Seung estão lá embaixo te esperando. 


— Como!? — olhei pela brecha da cortina e percebi a escuridão do lado de fora. Vovó deve ter ficado com dó de me acordar.


— Eles são tão educados! E o pequenininho é uma graça. Se arrume, os direi que você já vem. — depois de sua fala saiu do quarto.


Levantei em um pulo e troquei a calça moletom por um jeans, vesti um casaco grosso por cima da blusa de pijama e passei o olho pelas gavetas atrás de qualquer par de luva mas não encontrei, por último calcei os tênis.


Desci as escadas e quando meus olhos encontraram com o de Seung ele escorregou para fora do sofá e veio até mim. 


— Você tem medo do Bart? — ele perguntou tristonho indicando o bichano. 


Vi Jeon segurando a guia e o cachorro incomodado sendo preso por uma coleira, me senti mal, não tinha medo do pulguento, só nos encontramos em situações incertas. 


— Pode soltar ele, Jeon. Eu não tenho medo. — disse.


— Tem certeza? Ele é agitado. — tombou de leve a cabeça pro lado.


— Para, ela falou que pode soltar o coitado. — Seung dramatizou em uma voz arrastada e foi em direção a porta. — Senhoras Lee, muito obrigada por nos receber, voltarei mais vezes para repetir os biscoitos de canela. — Seung deu um sorriso sapeca, se curvou e foi pra fora. 


Ambas riram, Seung trouxe uma presença alegre pra casa, era até estranho de se acreditar que estávamos todos compartilhando o mesmo ambiente sem nenhum pingo de melancolia pairando no ar. 

Me despedi de mamãe e vovó, Jeon fez o mesmo e seguimos para fora. Jeon soltou a guia do pulguento que correu livre atrás de Seung.


Durante e o caminho até a praça Seung contava dos seus dias no acampamento e algumas histórias, como quando ele foi pra roda da fogueira e esbarrou em um graveto, pensou que era um inseto então ele correu e se agarrou no monitor pedindo por socorro. Seung era hilário, e graças a ele rimos o caminho inteiro.


Faltavam poucos minutos pras oito, o pulguento descansava embaixo do escorrega e Seung estava estreando o novo brinquedo que fora colocado na praça enquanto esteve fora. 

Uma onda de ar gelado passou, escondi minhas mãos nas mangas do casaco.

Senti dedos adornando meu pulso, Jeon pegou minha mão direita e puxou a manga da blusa pra cima, depois colocou a sua luva na minha mão, e repetiu o mesmo ato com minha esquerda. 


— Você tem cara de teimosa, se eu oferecesse você iria recusar, e seu casaco não tem bolso. — explicou seu ato.

Quase sem perceber eu deixo um riso escapar.


— Por que se mudou? — ele puxou assunto pela primeira vez na noite. 


Todas perguntas dele parecem sempre ter respostas que envolvam o nome Margot no meio, era alguma maldição? 


— Uma parente veio pra cá, minha mãe quis se mudar pra ficar mais perto. — é mentira. Não uma mentira completa, é como uma verdade distorcida. Margot realmente veio pra cá, no entanto, sem vida. — Aqui é a cidade natal dela, por isso veio pra cá. — complemento.


Jeon abriu a boca pra responder mas antes mesmo de começar foi interrompido por um choramingo do seu irmão mais novo.


— Vamos embora, eu não sinto mais minhas pernas. — disse arrastado.


Jeon se levantou e catou Seung jogando-o em suas costas, o mais novo riu e ajeitou os braços com dificuldade.


━⊱❉⊰━


— Não se acostume a sair nesses horários, você sabe que vovó se preocupa. —  sua voz ecoa, e foi questão de segundos até que meu rosto estivesse completado por lágrimas.


Tampei meus olhos de imediato, não queria vê-la.  Senti o conhecido incômodo na garganta, e tudo que eu mais queria era poder correr, mas eu não consigo e mais uma vez eu deixo com que o pânico me consuma. 


— O que foi? — Margot indaga, sua voz parece mais próxima e consigo até escutar o som dos seus passos causados pelo salto de suas usuais botas.


Um impulso percorrer meu corpo. Me sinto aflita.


Assim como quando você é criança e a piscina do lugar onde pratica natação está mais fria do que o normal, as minhas mãos tremem, e não é de frio, é de pavor. Enquanto meu coração bate potente para que de alguma forma o órgão escape para fora do meu peito. 


Me sinto impossibilitada de formular uma sequer frase com o mínimo de sentido diante a situação imensamente sufocante, todavia nessa vez a adrenalina que me comanda favorece.


— Margot, por favor, isso é assustador. — respondi trêmula e em baixo tom. 


— Eu fiz algo de errado? Só estou te avisando para que não preocupe nossa avó. — não é só assustador, é torturante também.


— Filha! — destampei meus olhos e foquei direto na figura de mamãe que descia as escadas com urgência. — Fizeram alguma coisa com você?


— Mãe, ali. — soltei em um fiapo de voz e indiquei margot.


— O que tem a TV? — indagou afobada soltando-se do abraço que começara a me dar. 

Olhei para onde eu mesma apontei.


— Vai contar pra ela que está enlouquecendo e vendo a irmã morta, ___? — Margot proferiu em tom sarcástico e riu. 


Era Margot ali, exatamente ali, em frente à televisão, em cima do tapete que ela mesma escolheu junto de vovó e perto da mesa de centro onde nós costumávamos colorir , ela estava ali.


— Vamos, vá em frente, diga pra ela que está vendo um fantasma e vá de vez pra um manicômio. 


Neguei confusa, Margot nunca diria algo assim pra mim, ela não era daquele jeito.

Vovó invadiu meu campo de visão.


— Nos diga o que aconteceu, conseguimos ouvir os gritos daqui. — ela falou com pesar.


— Gritos? — procuro algum nexo, mas é tudo pura confusão.


— Sim, a briga na casa dos Jeon's, o que aconteceu por lá? — Vovó justificou.


— Eu não sei, nós três fomos a pracinha.- afirmei


— Então porque está chorando, filha? O mais velho te incomodou?


Quem me incomoda é Margot, eu olho pra ela mais uma vez, que estampa um sorriso irônico no rosto, como se se divertisse me vendo imersa naquela confusão, elas não a enxergam? 


Sigo até o sofá tentando ficar o mais próxima dela, mas evito a olhar. Observo mamãe e vovó, e elas não notam a presença de Margot. 

É isso, eu realmente enlouqueci ou experiências sobrenaturais bizarras são verdadeiras. 


— Nada aconteceu, mãe. Foi tudo bem e Jeon não me incomodou. — me levantei do sofá seguindo até às escadas. — Eu só estou um pouco estressada, acho que vou ir descansar.


— Faz bem, irmã. — Margot diz e por isso não consigo concentrar nas palavras que mamãe dirige a mim.


Mas que porra tá acontecendo com a minha cabeça?


Pedi desculpa para as duas e corri até o quarto atordoada, fechei a porta sem cuidado algum. Abro o zíper do casaco e o tiro com rapidez, a sensação de sufoco me deixa zonza.


Eu continuo a sofrer com a falta de ar e procuro o nebulímetro na gaveta do criado mudo, mas só encontro um refil solto. Me surge outra idéia. Abrir a janela. Eu puxo com pressa o edredom da minha cama e me enrolo desajeitadamente nele. 


Prestes a destravar a janela vejo Jeon, ele fingia ler, ou então ele era muito habilidoso a ponto de conseguir ler livros de cabeça pra baixo. 


Ainda respiro mal então completo minha idéia interrompida e vou de vez pra sacada.

Arqueio as sobrancelhas pra Jeon, e daí então ele percebe que sua técnicas de espionagem não foram boas o suficiente. Ele larga o livro na sua cama, e desaparece por instantes, depois volta com caderno e caneta em mãos.

Coloca a folha rente ao vidro da janela.


"Não entenda errado."


Suspendo os ombros e olho pro lado sugestiva, como quem diz "não vi nada".

Ele abre um sorriso e tira a folha logo erguendo outra.


"Precisa conversar?"


Seu semblante agora é sério e parece transmitir certa preocupação. E eu pondero, mesmo já sabendo a resposta vou dar.




Notas Finais


ia começar falando "história engraçada" mas na verdade não é 🤡
eu tava indo corrigir um jornal que escrevi de justificativa sobre porquê tava pensando em dar uma pausa em LS mas daí me senti muito mal então não postei o jornal, depois de uns 10 minutinhos eu fui correndo pra terminar de escrever esse capítulo e postar logo.
cara, o capítulo passado eu demorei uns onze dias pra escrever, esse daí que vocês terminaram de ler eu escrevi em dois, isso porque eu fiquei com sono na metade dele e fui obrigada a ir dormir.
eu espero muiiito que vocês estejam gostando do rumo que LS tá levando e obrigada por ler e estar acompanhando! 🥰❤️
te espero no próximo!


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