História Lost Time - Capítulo 52


Escrita por:

Postado
Categorias Orphan Black
Personagens Alison Hendrix, Cosima Niehaus, Detetive Arthur "Art" Bell, Donnie Hendrix, Dra. Delphine Cormier, Felix "Fee" Dawkins, Krystal Goderitch, Paul Dierden, Personagens Originais, Rachel Duncan, Sarah Manning, Siobhan Sadler "Sra. S"
Visualizações 147
Palavras 4.810
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Festa, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


OLÁÁÁÁ!!! DEMOROU, MAS EU VOLTEI, MORES!

Comentem bastante e boa leitura s2

Capítulo 52 - Delphine Cormier


Há mais de dois anos atrás....
 

– Você é um monstro – gritou Delphine ao homem em sua frente, que estava com seu corpo repousado sobre uma cadeira de couro, trajando um terno Armani e com um expressão de deboche em seu rosto – Como pode renegar sua própria filha – continuou ela, jogando um papel sobre aquele homem – Mesmo com esse teste que comprova sua paternidade – gritou, levando sua mão até seu cabelo e o penteando para trás, enquanto seus olhos pousaram no chão como se tentasse se acalmar – Sabe... – disse ela voltando aquele homem – Não sei como a mamãe ainda está casada com você, ela merecia alguém melhor, alguém que a respeitasse – terminou pousando suas mãos sobre a mesa.

 

– Cormier, quem você pensa que é? – indagou o homem a Delphine – Quem você pensa que é para falar assim com seu pai? – indagou novamente, se pondo em pé – Você é uma criança mimada, que acabou de sair das fraldas e já acha que pode me dar lição de moral? – indagou em um tom irritado – Eu não vou reconhecer essa bastarda, entendido? Não adianta você insistir e quanto a sua mãe ela sabe com quem casou – disse se pondo a andar de detrás de sua mesa – Nosso casamento foi apenas um negócio como o seu vai ser – continuou ele parando em frente a Delphine – Ou vai me dizer que está se casando por amor? – indagou a fitando com uma expressão irônica.


– Sim – respondeu em um só tom – Eu amo a Cosima e vou me casar com ela por amor – disse em um tom alto.


– Amor? – indagou dando uma risada irônica – Não seja tola, Delphine. No nosso mundo tudo, tudo – continuou ele dando ênfase em suas palavras – é apenas negócio – afirmou ele.

 

Delphine apenas soltou um suspiro, como se estivesse desistido daquela conversa ou de tentar ter qualquer conversa decente com seu pai, ele era um homem frio e nenhuma palavra era capaz de atingi-lo, aquela era a pessoa mais fria que Delphine já havia visto e o pior era que aquele homem era seu pai, ela o olhou com uma expressão de desistência e se pôs porta afora, caminhando diretamente para o elevador que encontrava-se com a porta aberta, em um só movimento desabotoou seu terninho, na tentativa de inspirar mais ar do que seus pulmões estava conseguindo, rapidamente levou sua mão direita um pouco tremula até seu bolso e sacou um frasco laranja com uma tampa branca, rapidamente abriu o frasco e sacou duas pílulas que continham dentro, as levando até sua boca e engolindo de uma só vez, seu pai sempre alterava seus batimentos cardíacos, contudo sua cabeça estava cheia demais pelas palavras dele, enquanto tentava acalmar seu miocárdio.

 

As semanas se passaram e Delphine preferiu não voltar a falar com seu pai sobre Krystal, já havia percebido que ele estava irredutível quanto a sua decisão, preferiu se concentrar em algo que realmente importava, seu casamento, seu casamento com sua Cosima, era incrível, mas amava aquela mulher, ela a fazia se sentir tão bem e feliz, ela sim alterava seu miocárdio, contudo era uma alteração boa, que a fazia se sentir como uma adolescente, jamais havia imaginado se apaixonar por ela, pois durante sua infância mal a olhava, apenas a via como mais uma menina, entretanto quando voltou a encontrar se encantou no mesmo instante, ela havia se tornando uma mulher incrível, maravilhosa, madura, sem mencionar sua beleza que havia florescido de uma forma surpreendente e sem mencionar seria sua para o resto da vida, seria somente sua e demais ninguém, Delphine não sabia explicar mas Cosima provocava nela uma possessão que nunca havia sentido antes, sentia completa necessidade de tê-la somente para si, por isso ela própria havia feito questão daquele casamento, porque a queria, não por influência de seu pai ou negócios, mas sim porque seu coração a necessitava, entretanto temia perdê-la, temia contar a verdade sobre seu estado de saúde, temia que ela a rejeitasse e não aceitasse passar semanas, meses ou anos cuidando de uma enferma, não queria que sua Cosima tivesse essa vida de casada, queria que ela fosse feliz, que tivesse o casamento mais feliz que uma mulher poderia ter.


Semanas depois...


Paris, FRANÇA


– Cormier – murmurou Cosima ao sentir os braços de sua esposa a erguerem em seus braços enquanto adentravam aquela porta bege e linda.


Assim que entraram no quarto Cosima pode observar todo o carpe que revestia o ambiente coberto por pétalas de rosas vermelhas, havia em uma pequena mesa redonda um balde de gelo que aconchegava uma garrafa de champanhe, com duas taças ao lado.

 

Habilmente Cosima a colocou no chão, permitindo que ela observasse melhor o lugar, logo Cosima pode sentir mãos pousarem em sua cintura e um ar quente ser soprado atrás de sua orelha.

 

– Gostou senhora, Cormier? – indagou Delphine em um tom calmo em seu ouvido.

 

– Gostei, senhora Cormier – respondeu Cosima esboçando um sorriso em seus lábios.

 

Lentamente Cosima se virou, encontrando o olhar de Delphine, que permanecia com as mãos em sua cintura, ambas trocaram um olhar e esboçaram um suave sorriso nos lábios, lentamente Cosima pode perceber os lábios de Delphine se aproximarem dos seus, podendo em poucos instantes sentir o calor de sua esposa em seu lábios, como resposta ela entre abriu seus lábios dando passagem para o encontro da língua de ambas, iniciando um beijo calmo, mas cheio de desejo, Cosima se indagava como os beijos de Delphine podiam a excitar tanto, mas ao mesmo tempo fazerem ela se apaixonar mais ainda por ela, pois apesar de saber que parte daquele casamento era por conveniência, realmente estava apaixonada por ela, lentamente se afastaram, quando o ar parecia ser escasso, encontrando novamente seus olhares.

 

– Vou me trocar – anunciou Cosima se afastando de sua esposa, passando por sua mala e tirando algo e rapidamente se dirigindo ao banheiro.

 

Delphine apenas observou sua esposa entrar no banheiro e fechar a porta, seus lábios esboçavam um sorriso que não fazia jus ao tamanho de sua felicidade, por fim teria aquela mulher, por fim iria toca-la como desejava desde que a conhecerá, desejava possui-la e torna-la sua, completamente sua, além de sua esposa perante os homens e a Deus, ansiava por torna-la sua mulher na cama, se unir carnalmente com ela, contudo seus desejos foram interrompidos pelo toque de seu celular, rapidamente ela levou sua mão, pousando seu olhar no visor o atendendo.

 

– Doutor – disse ela ao atender a chamada.

 

– Cormier, necessito que venha imediatamente para Miskolc, conseguimos um coração para você- disse o médico em um tom feliz e ansioso.
 

– Como? Sério? Mas hoje? – indagou Delphine mudando sua expressão de ânimo para desanimo.

 

– Cormier é sua única oportunidade

 

– Mas eu... – começou Delphine sem terminar sua frase, não por ser interrompida, mas porque parecia pensar – Está bem – terminou ela soltando um longo suspiro – Estarei ai o mais rápido possível – disse finalizando a chamada.

 

Miskolc, HUNGRIA


Algumas horas depois...


Delphine havia pego seu jatinho e decolado imediatamente para Hungria, contudo sua consciência e pensamentos haviam ficado naquele quarto de hotel em Paris, se sentia mal e completamente culpada por haver largado sua esposa, sua Cosima, contudo sabia que era sua única chance, aquele transplante era única chance de ter uma vida normal, sabia que se tudo ocorresse bem teria o resto da vida para compensar Cosima por aquela noite. A ansiedade de Cosima era tanta que assim que o avião pousou se dirigiu rapidamente para o Hospital Universitário de Miskolc, entrou correndo, seus olhos apenas procuravam o doutor, para seu alivio o encontrou parado em frente a um balcão.


– Arthur – chamou Delphine em um tom alto, roubando a atenção do médico.

 

– Cormier – respondeu ao ver sua paciente, contudo uma expressão de decepção tomou conta de seu rosto.

 

– O que foi, Art? – indagou Delphine, notando a expressão estranha no rosto do médico – Por que essa expressão?
 

– É... – murmurou o médico como se procurasse as palavras adequadas – É Cormier, houve um problema – confessou em um tom baixo.

 

– Que problema?
 

– Infelizmente o coração foi para outro lugar – disse o médico – Houve um engano no transporte e o levaram até outro hospital e o coração já foi transplantado no paciente – continuou ele fitando Delphine – Desculpa – murmurou.

 

– Por favor, Arthur – disse Delphine em um tom de suplica - Diga que está mentindo – pediu ela levando sua mão até sua cabeça e a deslizando até sua nuca – Eu larguei minha esposa na nossa noite de núpcias – murmurou, cerrando suas pálpebras – Ela jamais vai me perdoar por isso – continuou ela se virando em frente a parede e com o olhar sobre o chão como se procurasse algo ou alguma solução, instintivamente Delphine cerrou seus punhos e levou contra a parede – Droga – murmurou, assim que afastou sua mão da parede começou a sentir uma dor forte em seu peito, uma dor agonizante que jamais havia sentido antes, era uma dor aguda, que dificultava qualquer movimento de seu corpo, sua fala, sua respiração, todos seus sentidos estavam paralisados devido aquela dor, o único movimento que foi capaz de realizar foi levar sua mão até seu peito e cravar seus dedos em sua camisa, contundo seus sentidos já começavam a se perder, juntamente com sua consciência, seus olhos apenas eram capazes de ver uma escuridão em sua frente, enquanto apenas pode sentir seu corpo pousar sobre um chão frio.

 

– Enfermeira – gritou Arthur se abaixando sobre Delphine, levando rapidamente suas mãos até o peito dela e iniciando uma massagem cardíaca.

 

Delphine apenas viu a expressão de desespero do médico em sua frente, contudo não foi capaz de ver ou perceber mais nada, pois sua consciência já havia sumido por completo.


Dias depois ....


– Como está, Cormier? – indagou Arthur entrando no quarto e se dirigindo ao paciente que estava deitado sobre uma cama hospitalar e com alguns fios ligados ao seu corpo, principalmente em seu peito.


– Melhor – respondeu Delphine em um tom sereno – Então doutor qual o resultado meus exames? – indagou.


– É... - murmurou Arthur a fitando – Vou ser sincero, infelizmente esse infarto debilitou mais ainda seu coração – anunciou o médico – O transplante se tornou algo urgente para te manter viva – afirmou – Por isso sugiro que você conte de uma vez a algum parente e até mesmo a sua esposa seus problema – aconselhou o médico.

 

Delphine rapidamente pousou seu olhar sobre a cama, as palavras do médico lhe deixaram sem chão, parecia que a cama embaixo de si havia sumido, aquele anuncio havia levado qualquer pensamento que ocupava espaço em sua mente, entendia as palavras de Arthur, contudo não era capaz de compreende-las, jamais havia imaginado ter sua vida resumida a poucos anos ou até meses, não se fazia capaz em aceitar a ideia de perder tudo, de deixar sua Cosima, entretanto sabia que ninguém poderia saber de seu problema, pois no mundo dos negócios seria visto como uma fraca, seu pai principalmente a veria como uma fraca e imperfeita, sem mencionar sua Cosima, que certamente com aquele jeito doce e gentil passaria todo aquele tempo cuidando dela.

 

– Não – murmurou Delphine levantando seu olhar até o médico – Ninguém pode saber doutor – disse em um tom baixo – Ainda sou apta para um transplante? – indagou ao médico.

 

– Sim – respondeu Arthur - Não imediatamente, mas ainda está apta – afirmou.

 

Aquele fato mudou todos os planos de Delphine, que pretendia voltar para casa e ter um casamento normal, aquela redução em sua linha da vida lhe fez pensar em tudo que estava por vir, especialmente em sua Cosima, a ideia de deixa-la, de ver ela apenas a ver partir a matava, não podia permitir isso, não podia permitir que sua esposa cuidasse de si, passasse aqueles meses de casamento cuidando de uma enferma e incapaz de lhe proporcionar um casamento saudável e feliz, entretanto não podia se separar dela e permitir que fosse de outra, apenas ao imaginar sua Cosima sendo tocada, amada, beijada, acariciada e qualquer outro gesto de amor por outra mulher já lhe fazia voltar a doer seu coração, sabia que era egoísmo demais, contudo já tinha certo em sua mente que Cosima tinha que ser sua e somente sua, enquanto vivesse, enquanto seu coração batesse ela tinha que ser sua, mesmo que a odiasse, mesmo que a repudiasse, porque também não poderia tê-la, não poderia ama-la, dar a ela todo o amor que tinha dentro de si e simplesmente partir, sabia que tal fato seria arrasador para sua doce esposa, que mais parecia uma pétala delicada, que a qualquer vento forte era capaz de se despedaçar, a partir daquele instante tomou a decisão de se afastar dela, mesmo que ela a odiasse, seria pior ama-la e faze-la sofrer, preferia que então não sofresse nada com sua partida, que a odiasse do que imaginar sua Cosima passando os dias sofrendo com sua morte, poderia parecer uma loucura e até imaturo, mas não podia permitir que a única mulher que havia amado sofresse.


Meses depois...


Toronto, CANADA


Já havia se passado meses desde a decisão de Delphine, já havia colocado seu plano em pratica e também já se fazia capaz de ver sua esposa sofrer, no começo quando voltava para casa, principalmente na primeira vez, foi uma completa tortura pisar naquela moradia, e encontrar os olhos esperançoso de Cosima, acompanhado daquele lindo sorriso que a encantava desde a primeira vez, mas ter que agir de forma indiferente aos gestos carinhosos dela, ter que fingir falta de interesse para suas perguntas ou ter que agir friamente quando estavam a sós, entretanto sabia que era necessário, apesar de doer cada vez que a indiferença dela crescia perante a si.

 

Com os meses era torturante ver aquela mulher e não poder fazer nada, querer toca-la mas não poder, apenas ver ela partir e entrar por aquela porta, porque mal lhe dirigia a palavra, nem mesmo um olhar de carinho, Cosima já era completamente indiferente a si e se odiava por tal plano ter tido êxito tão rapidamente, apesar de saber que era necessário, já que havia se passado meses e nenhum outro coração compatível havia aparecido e sua saúde apenas piorava, cada dia se sentia mais cansada, tinha pequenos princípios de infarto por pelo menos três vezes na semana, se fazia difícil trabalhar ou manter a postura perante uma reunião, por isso sempre optava por trabalhar em casa ou no hotel, permitindo apenas a ter o mínimo contato com qualquer outra pessoa .

 

Havia voltado mais uma vez para casa, logo que chegou tomou conhecimento que sua esposa não encontrava-se, já havia se completado um ano de casamento e alguns poucos meses e Delphine havia percebido uma significativa mudança em sua esposa, ela mal lhe dirigia a palavra e quando o fazia era em um tom ríspido, como se a incomodasse falar com ela, entretanto se fazia possível a perceber que ela andava mais serena, tranquila e até feliz, não sabia a que deveria atribuir tal fato ou a quem, sim ela desconfiava que sua esposa poderia ter outra mulher, uma amante que a estava fazendo feliz, apesar daquela possibilidade a matar sabia que era algo bem provável e não uma simples hipótese, mas sabia que não podia culpa-la, pois em algum momento qualquer pessoa normal se cansaria de esperar e seguiria em frente com sua vida, como ela estava fazendo.

 

Os pensamentos de Delphine foram interrompidos ao ouvir a porta de entrada se abrir, algumas chaves se pousarem sobre uma pequena mesa que ficava logo na entrada, sabia que era Cosima, não porque seus olhos a viam, mas porque seu coração batia de forma descompassada, não era um infarto, era a forma que ele reagia sempre que aquela mulher estava próxima. Rapidamente ela levou suas mãos até o apoio de braço de sua cadeira, se obrigando a ficar em pé, em passos rápidos, mas silenciosos se dirigiu até a porta e a abriu o suficiente para seu corpo passar, encontrando imediatamente aquela mulher de pele clara, trajando um belo vestido azul, se dirigindo até a escada.


– Olá – saudou ela com seu corpo encostado no batente da porta.

 

Delphine apenas observou Cosima cessar seus passos e pousar seu olhar sobre ela, com uma expressão que era um misto de surpresa com desgosto.

 

– Delphine – murmurou ela em um tom baixo.


– Tudo bem, Cosima? – indagou ela em um tom sereno, enquanto a fitava.


– Sim – respondeu ela em um tom frio, permanecendo ambas em silencio – Vou subir, boa noite – disse ela subindo o restante da escada e sumindo do campo de visão de Delphine.


Delphine se dirigiu novamente ao seu escritório, se indagava como era possível ela estar mais linda do que a última vez que a havia visto, contudo também estava mais fria e indiferente, entretanto não podia negar que mesmo daquele jeito ainda a encantava, morria de vontade de agarra-la e lhe tascar um beijo e até mesmo arrasta-la para cama e faze-la sua, poder ver por fim a perfeição de sua esposa sem vestimenta alguma, aqueles pensamentos a perturbavam, então se obrigou a retornar ao seu trabalho.

 

As horas transcorreram durante aquela noite e para sua infelicidade não voltou a ouvir ou ver qualquer sinal da presença de sua esposa, estava cansada de tanto papel em sua mesa, as letras já não faziam mais sentido perante seus olhos, mal se fazia capaz de formar uma palavra, lentamente recostou seu corpo em sua cadeira, pousando seu olhar sobre o teto, como se visse ou ao menos buscasse ver sua Cosima, ela levou suas mãos até o encosto do braço da cadeira e se pôs em pé, em passos lentos se dirigiu para fora do escritório, subindo as escadas, sua visão estava centrada na porta do quarto principal ou melhor no quarto em que repousava sua esposa, dirigiu sua mão até a maçaneta, fazendo uma breve pausa e verificando que nenhum ruído vinham de dentro daquele lugar, lentamente girou a maçaneta em sua mão, empurrando um pouco da porta, não totalmente, mas o suficiente para revelar aquele ambiente, seus olhos correram até a cama, percorrendo o corpo da mulher que ocupava aquele leito, subindo de suas pernas desnudas e apenas emboladas no lençol até seu rosto, que possuía as pálpebras cerradas e um suave sorriso nos lábios, ela dormia com uma expressão serena e era notável que estava tendo algum sonho agradável, Delphine se indagava com que ou quem sua esposa sonhava, contudo algo dentro de si sabia que ela não era a razão de seus sonhos, algo dentro de si sabia que era outra mulher que ocupava os sonhos de sua esposa, lentamente ela pôs seus pés a se mover e se dirigiu próximo a cama, habilmente enquanto tentava não despertar sua esposa, pegou o lençol e cobriu a parte de seu corpo que estava para fora, a fitou mais uma vez, esboçando um suave sorriso em seus lábios, seus olhos brilhavam enquanto mirava aquela mulher, em um pequeno movimento se inclinou e pousou seus lábios sobre a testa macia de Cosima, assim que ergueu sua cabeça e pode fita-la, pode observar ela esboçar um suave sorriso, parecia até que estava respondendo a aquele gesto de carinho, contudo Delphine preferiu não se iludir com aquele pequeno sinal e se pôs porta a fora, deixando tudo em seu devido lugar como se não estivesse estado ali, como sempre fizera naqueles meses, pois quando estava em casa era habitual seu observar sua esposa dormir e tentar lhe dar o único gesto de amor que poderia demonstrar, que era exatamente quando ela estava inconsciente.

 

Semanas depois...


Miskolc, HUNGRIA

 

Delphine estava em seu escritório, sentada em sua cadeira, tinha inúmeros contratos em sua frente, contudo sua visão estava voltada para as fotos que estavam em cima de toda aquela papelada, mal podia acreditar o que seus olhos estavam vendo, seu coração doía de uma forma que jamais havia doido antes, nem a dor de um infarto era maior que aquela, pois pelo menos quando tinha um ataque tomava um remédio ou chamava o médico e a dor amenizava, contudo aquela dor não passava, não a deixava inconsciente, nenhum remédio poderia alivia-la, apesar de saber que tudo era consequência de seus atos e decisões não queria acreditar que sua Cosima era de outra, que aquelas imagens mostravam outra a beijando, acariciando, a tocando, rindo com ela, compartilhando um sorvete, se fazia incapaz de acreditar, melhor não queria acreditar, aquelas imagens eram tudo que não queria e para seu desespero podia sentir que estava perdendo a única mulher que havia amado em sua vida.

 

Para piorar toda aquela situação não havia nada que poderia fazer, não podia voltar e recupera-la, isso se tivesse oportunidade para tanto, pois nos últimos meses se sentia completamente debilitada, era raro estar trabalhando naquele escritório, preferia ficar em seu quarto de hotel, pois assim podia descansar, mas aquela vida de solidão, era isso uma enorme solidão que matava mais ainda, contudo mesmo que quisesse ter uma vida normal era tarde demais, pois em sua última consulta o médico havia lhe dado apenas mais alguns poucos meses de vida, poderia chegar a um ano se tivesse uma vida tranquila, onde não tivesse estresse algum, onde seu coração permanecesse calmo, contudo qualquer alteração poderia ser fatal, para ela e para seu coração.


Seus pensamentos e lamurias foram interrompidos pelo soar irritante de seu celular, rapidamente ela o sacou, levando seus olhos ao visor, soltou um longo suspiro, como se não quisesse atender aquela ligação ou soubesse que a notícia não seria a das melhores como das últimas vezes.


– Alô – murmurou Delphine sem muita vontade.

 

– Cormier, corra já aqui – disse uma voz masculina do outro lado da linha – Consegui um coração compatível e já está aqui no hospital – anunciou o médico todo entusiasmado.

 

Semanas depois...


O transplante havia sido um sucesso tanto para o médico quanto para Delphine, ninguém sabia do paradeiro de Delphine Cormier, para o pessoal da Hungria ela estava em Toronto, para o pessoal de Toronto ela estava na Hungria ou em qualquer outro lugar, contudo o paradeiro de Delphine era certo, o Hospital Universitário de Miskolc, onde se recuperava ainda do transplante, como não tinha ninguém para atender dela, Arthur preferiu mantê-la internada durante o período de possível rejeição, que para sorte de Delphine, não apresentou nenhum rejeição o órgão transplantado, até se sentia melhor.


– Você é a paciente mais cabeça dura que já tive – afirmou o médico fitando Delphine que mexia em seu notebook – Além de não contar para ninguém seu problema ainda já está trabalhando – comentou.

 

– Doutor, para quem iria contar? – indagou Delphine fitando o médico a sua frente – Meu pai não suportaria a ideia de ter uma filha enferma e incapaz de assumir seu lugar futuramente, minha mãe me trataria como uma doente, causando mais ódio a meu pai, infelizmente minha família não é a opção mais indicada para apoio.
 

– E sua esposa?
 

– Não, jamais faria a Cosima passar por isso Arthur – disse em um tom de reprovação – Ela teria passado todo esse tempo cuidando de mim, estaria aqui agora sentada nessa poltrona – ela apontou para a poltrona ao seu lado – Ela é assim, cuida de todos – comentou esboçando um suave sorriso – Mas não poderia priva-la de ter uma vida e viver a minha durante esse tempo – afirmou.
 

– Por que então se casou com ela? – indagou o médico.

 

– Ai doutor – murmurou Delphine recostando sua cabeça no travesseiro atrás de si e olhando rapidamente o teto – Porque me apaixonei – comentou voltando a fitar o médico – Porque desde o dia do meu casamento tenho sonhado com esse dia que vou por fim poder voltar para casa e reconquista-la, por isso me casei com ela, para tê-la lá me esperando quando voltasse, porque morreria se ela houvesse casado com outra que não eu.
 

– E quem garante que ela não tem outro? – indagou Arthur – Afinal você está bastante tempo longe – afirmou.

 

– Ela tem outro – disse acompanhado de um suspiro – O nome dela é Shay e Cosima acha que a ama, mas não, eu vou mostrar que quem ela ama é a mim e somente a mim – afirmou.

 

– Cormier, Cormier, Cormier – repetiu o médico em um tom de advertência – Eu torço para que tudo dê certo, porque vejo o quanto a ama, mas vai contar tudo para ela? - indagou – Ou vai esconder como escondeu sua cicatriz? – indagou novamente.

 

– Vou – respondeu Delphine - Doutor você sabe que não podia chegar com uma enorme cicatriz, a Cosima saberia de tudo na mesma hora, quero conquista-la antes de contar tudo, necessito que ela deixe de me odiar para que aceite mais facilmente a verdade e os segredos – terminou ela.

 

Semanas depois...


Toronto, CANADA


Por fim Delphine estava em casa e dessa vez era para ficar, não pretendia partir dali jamais e se o fizesse certamente levaria Cosima consigo, assim que chegou tomou conhecimento através de Virginia que sua esposa não estava, não se surpreendeu com o fato, conhecia a mulher com quem havia se casado, a ponto de saber que ela já era totalmente independente e que não se sujeitaria a qualquer mandou ou desmando dela, mas até que lhe agradava isso, odiaria ter uma mulher submissa, mesmo Cosima indo as vezes longe demais e a desafiando de uma forma que nenhuma outra mulher havia feito antes.


Delphine estava andando de um lado para o outro em seu escritório, na tentativa de acalmar seu novo coração, que estava totalmente acelerado com a possibilidade de voltar a encontrar a mulher que tanto amava, seu caminho se fazia da janela, até a sua mesa onde olhava o celular a cada instante, não a espera de uma ligação ou algo parecido, mas para ver se algo mudava, algum sinal de mudança de hora, lentamente voltou para a janela, esboçando um suave sorriso ao observar um carro adentrar o portão da frente e percorrer o longo caminho até a casa, apenas observou sua esposa descer do carro, podia notar certo nervosismo nela, se indagava se tal fato de atribuía a sua presença ou seria outro o motivo, a observou se dirigir lentamente até a porta, assim que constatou o som da porta da frente se abrindo se dirigiu sem muita pressa até a porta do escritório, parando a apenas observando aquela mulher se dirigir até as escadas, em passos silenciosos caminhou até o início da escada, percebendo que não havia sido notada.

 

– Não vai me dar nenhum ‘’oi’’, Cosima? - perguntou Delphine parado atrás dela.

 

– Oi - disse ela rapidamente se virando para Delphine - E boa noite - disse voltando-se para a escada.

 

– Isso é modos de tratar sua esposa?

 

– Delphine, o que você quer? - disse enquanto apoiava-se no corrimão da escada com um ar de cansada.


– Quero você - disse em um tom sério.
 

– Eu? - respondeu Cosima enquanto ria - Não sabia que tinha virado humorista - ela parou de rir enquanto Delphine permanecia séria - Quer algo mais?

 

– Não, apenas você - disse ela com um olhar penetrante.

 

Delphine tinha seu objetivo em mente, apesar de querer conquista-la ansiava por senti-la, não queria ficar de rodeios ou apenas sendo gentil, afinal Cosima era sua esposa e como tal ansiava por toma-la, sabia que não seria uma tarefa fácil, contudo não perderia tempo com flores, jantares românticos, presentes caros, seria direta, pois não necessitava corteja-la, afinal aquela mulher em sua frente já possuía seu sobrenome e seu coração, a voz de sua esposa a trouxe novamente de suas reflexões.

 

– Cormier, sério, qual é a brincadeira? - ela disse se soltando do corrimão e se dirigindo até ela - Você me abandona aqui durante mais de um ano e aparece dizendo que me quer do nada, vai procurar sua amante e me deixa aqui está bem? - disse ela se virando para sair dali, porém foi impedida por uma mão que segurou seu pulso.

 

– Eu que tenho amante? - disse Delphine em um tom ameaçador.


Delphine ansiava por esclarecer aquela história de amante, contudo sabia que necessitava se controlar, não podia chegar pedindo explicações quando ela própria não pretendia fazer, não naquele momento.

 

– O que está dizendo, Cormier? E se eu tiver uma amante que mal tem? - respondeu ela tentando se soltar sem êxito.


– Tem que você é minha esposa e não admito isso e ponto – como em um impulso ou um desejo reprimido Delphine se pôs a se aproximar dela, levar seu rosto até o dela a ponto de sentir sua respiração, sem esperar mais realizou o ato que tanto ansiava e selou os lábios de sua esposa, que a princípio estavam fechados, enquanto aquela pequena mão batia em seu ombro, contudo ela não deu importância a isso, pois sua língua já havia conseguido passagem por aqueles lábios, iniciando um beijo calmo, mas feroz, podendo apenas sentir os braços dela rodearem seu pescoço e o corpo dela se estremecer em seus braços, dentro de si sentiu uma enorme felicidade, pois por fim estava com a mulher que amava e aquele ato do corpo dela comprovava que ela não era totalmente indiferente a isso.


Notas Finais


O que acharam do capitulo? e sobre a nossa Delphine?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...