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História Lost Time - Capítulo 65


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Capítulo 65 - Um Casal Normal


Era uma cena que ela jamais havia imaginado ou esperado, era uma cena tão fofa que a fazia sentir vontade de agarrar sua esposa e não solta-la nunca mais, afinal ela estava linda trajando aquele avental sobre sua camiseta branca e uma calça jeans, enquanto seus olhos pousavam sobre uma panela, sua mão segurava uma colher e mexia de leve a comida que cozinhava dentro.


Cosima apenas observou aquela cena com atenção, pois quem olhasse não podia dizer que aquela era a Delphine Cormier, ou aquela Delphine de meses atrás, que Cosima achava que era uma pedra de gelo, pois aquela Delphine que seus olhos estavam fitando era perfeita, pelo menos era perfeita para ela, dentro de si sabia que jamais desejaria um casamento diferente daquele ou uma esposa diferente da que tinha. Ela se perdeu em seus pensamentos, melhor se perdeu em sua esposa, a ponto de nem se dar conta que ela a estava fitando com um sorriso caloroso nos lábios.

 

– Senhora Cormier – murmurou Delphine se aproximando de Cosima e pousando sua mão na cintura dela – Já estava pensando em mandar alguém a sua procura – afirmou ela, esboçando um suave sorriso em seus lábios.
 

– Que exagero, Comier – respondeu Cosima achando graça da afirmação de sua esposa e rodeando o pescoço dela com seus braços – Acho que a senhora que chegou cedo demais para ocupar o lugar da Virginia – brincou ela dando uma risada.

 

Ela apenas observou os lábios de Delphine se aproximarem dos seus e os selarem, acariciou a nuca de sua esposa, podendo sentir a língua dela invadir sua boca e iniciar um beijo calmo e tranquilo, mas logo sentiu os lábios dela se afastarem e suas miradas se encontrarem.
 

– Essa é a sua ideia de uma noite como um casal normal, senhora Cormier? – indagou Cosima a fitando.
 

– Sim – murmurou Delphine com um sorriso nos lábios, afastando suas mãos de sua esposa e voltando para suas panelas – Uma noite tranquila, com uma boa comida – afirmou ela mexendo algo dentro da panela.
 

– Posso saber o que a senhora está cozinhando? – indagou Cosima se dirigindo ao lado de sua esposa e inalando o aroma da comida.
 

– Paella, uma paella vegetariana que é maravilhosa – afirmou Delphine concentrada em sua paella.
 

Cosima ao sentir o aroma da comida esboçou um suave sorriso, só queria comer e ter uma noite tranquila ao lado de sua esposa, sem que nada nem ninguém pudesse estragar. Logo recordou-se do encontro que havia dito com sua prima mais cedo, precisava contar tudo para Delphine de uma vez por todas, mas temia que isso acabasse com sua noite, aqueles pensamentos a obrigaram a fazer uma careta, que rapidamente foi percebida por sua esposa.
 

– Não gostou Cosima? – indagou a fitando com uma expressão de preocupada.
 

– Não - murmurou Cosima ainda um pouco desnorteada – Quer dizer sim, gostei, querida – afirmou ela levando abrindo um sorrisinho – Apenas um mal-estar – disfarçou, rapidamente afastando seus pensamentos e se recuperando daquela sensação – Já passou.
 

Cosima percebeu que sua esposa a fitava com uma expressão curiosa, até um tanto quanto preocupada, com um misto de espanto, rapidamente observou ela caminhar seu olhar ora para seu abdômen, ora até seus olhos, como se estivesse tentando dizer algo ou perguntar.
 

– Cosima – por fim murmurou Delphine – Você anda cansada e agora esse mal-estar – afirmou como se estivesse lhe dando as peças de um quebra cabeça que ela deveria montar, mas Cosima realmente não estava entendendo a intenção de sua esposa – Estou preocupa com você, meu amor. Talvez possamos ir ao hospital – sugeriu se aproximando um pouco mais, agora pousando a mão sobre seu abdômen – Receio que essa não seja a melhor hora para dizer isso, mas não consigo pensar em outra coisa ultimamente. Isso aqui é exatamente tudo que eu sonhei, você é minha vida e tudo que eu mais quero no momento é formar uma família, quero um filho seu, nosso – desabafou ela com um brilho nos olhos e pousando suas mãos na cintura de sua esposa.
 

Cosima arregalou seus olhos, realmente não havia se dado conta do desejo que sua esposa, que por sinal também era seu, entretanto depois de seu encontro com Aynsley não tinha tanta certeza de que queria isso no momento, se realmente ficasse gravida seu temor apenas aumentaria, pois além de temer perder Delphine, também temeria perder um filho, apesar de estar decidida a contar tudo a sua esposa, preferiu não fazê-lo, não naquele momento em que estavam compartilhando algo tão lindo, decidiu faze-lo mais tarde, de forma tranquila, apenas queria aproveitar o momento ao lado daquela mulher maravilhosa, sem pensar em Aynsley ou Maddy, então rapidamente se obrigou a não deixar transparecer qualquer preocupação e esboçou um suave sorriso em seus lábios, pois queria aproveitar o momento, afinal as palavras de Delphine foram capazes de arrancar uma insegurança enorme de seu peito, pelo menos por hora.
 

– Não sabe o quanto esperei por isso.
 

–Sério? – indagou Delphine com um sorriso bobo nos lábios.

 

– Sim, Cormier – afirmou ela observando a expressão de sua esposa se tornar ainda mais radiante – Eu vou adorar ser a mãe dos seus filhos, estive esperando por isso há tanto tempo – disse Cosima – Podemos planejar isso com calma, sei que vamos ser as melhores mães do mundo inteiro – terminou acariciando o rosto de sua esposa e selando seus lábios.
 

– Nós vamos sim, quero fazer isso o mais rápido possível – afirmou Delphine a fitando e pressionado seus dedos contra o corpo de sua esposa.

 

– O mais rápido possível – repetiu Cosima a fitando, não, nem mesmo Aynsley seria capaz de estragar essa felicidade. Era incrível, era indiscutível e inegável, mas estava completamente apaixonada por aquela mulher, mas sabia que não era apenas paixão, que era um sentimento muito maior que aquilo.
 

– Bom então que tal você me ajudar e arrumar a mesa porque o jantar já está quase pronto – afirmou Delphine, selando rapidamente os lábios de sua esposa e voltando a atenção a sua comida.
 

– Sim, senhora – respondeu Cosima.
 

Ela rapidamente arrumou o balcão, onde havia espaço para comerem, colocou as louças uma do lado da outra, logo que terminou apenas observou sua esposa colocar uma travessa com a paella próxima aos pratos.
 

– Vamos comer? – indagou a fitando.
 

– Vamos – respondeu Cosima com um sorriso enorme nos lábios.
 

Logo que ela se sentou, Delphine a serviu, assim que observou a comida no prato ficou encantada com a beleza o aroma estava delicioso, rapidamente ela sacou o garfo e provou aquela maravilhosa comida, que realmente estava uma delicia, era incrível, mas além de ter uma esposa que era boa em inúmeras coisas, ainda era boa na cozinha.
 

– Onde você aprendeu a cozinhar tão bem assim? – indagou Cosima a mulher que estava sentada ao seu lado.
 

– Passava muito tempo com a minha mãe, aí para alegra-la deixava que me ensinasse a cozinhar – afirmou a fitando – Sem mencionar que nas noites solitárias na Hungria, pela madrugada na televisão apenas passava programas culinários – contou Delphine com um sorriso nos lábios e saboreando a comida.

 

Naquele instante velhos temores invadiram a cabeça de Cosima, enquanto sua boca se ocupava em mastigar a comida, sua mente a levava a velhas indagações, indagações das quais nunca havia feito a sua esposa.
 

– Cormier – murmurou Cosima olhando para seu prato e logo levando seu olhar até sua esposa que a fitava – Todo esse tempo na Hungria – começou ela, mas temendo em continuar – Você... – murmurou ela tentando achar as palavras corretas – Você... – tomou o ar como se estivesse querendo desistir de sua pergunta, mas uma coragem ou a curiosidade dentro de si a obrigaram a realizar – Você nunca se envolveu, ou se encantou por outra mulher? – indagou a observando largar o garfo sobre o prato e se virar, rapidamente Cosima se virou ficando ambas frente a frente – Desculpa minha pergunta – se desculpou ela meio nervosa pela possível reação de Delphine – Mas é que é difícil acreditar que você tenha passado nosso namoro, noivado e casamento sem ter um caso se quer - afirmou ela tentando se explicar – Ainda mais devido ao seu passado – terminou com uma expressão inerte em seu rosto e até um pouco temerosa.
 

– Bom – começou Delphine pegando as mãos de Cosima e podendo observar o olhar dela se tornar mais sereno devido aquele toque - Cosima sei que meu passado não me ajuda e que você o conhece muito bem – afirmou Delphine – Mas desde que você voltou a cruzar meu caminho, não quis outra mulher que não você – disse levando sua mão até o rosto de Cosima e o acariciando – Jamais consegui olhar para outra mulher ou desejar, como a olho e a desejo, então não Cosima, jamais a trai – afirmou Delphine se inclinando e selando os lábios de sua esposa.

 

Cosima podia sentir seu coração bater em uma velocidade imensa, como se não coubesse dentro de si, rapidamente ela enlaçou o pescoço de sua esposa com seus braços e sentou no colo dela, podendo sentir apenas as mãos dela acariciando suas costas, rapidamente suas cabeças se afastaram e seus olhares se encontrarem, logo ambas selaram seus lábios, iniciando um beijo calmo, mas repleto de sentimentos, enquanto uma acariciava a outra com suas mãos.
 

Assim que seus lábios se afastaram seus olhares voltaram a se encontrar, enquanto suas testas uma estava apoiada na outra, seus olhares um mergulhava no outro, se perdendo em uma imensidão que apenas ambas podiam ver. Elas permaneceram naquela troca de olhares por longos minutos, até que uma das duas ousou a falar.

 

– A comida vai esfriar – anunciou Cosima, afastando sua testa da sua esposa.

 

– Melhor comermos então – anunciou Delphine pegando seu garfo e o levando diretamente a boca de sua esposa.

 

– Adoro esse mimo – afirmou Cosima comendo, logo ela pegou seu garfo e levou para a boca da Delphine – Abra a boca.
 

Assim foi o jantar das duas, uma dando na boca da outra, cheio de carinho, troca de olhares e selinhos. Assim que terminaram, guardaram tudo, colocando a louça no lava-louças e deixando a cozinha em ordem, enquanto Cosima guardava o último prato no armário, pode sentir um braço rodear sua cintura, instintivamente esboçou um sorriso.

 

– Gostou da noite normal, querida? – indagou Delphine com um sorriso nos lábios.

 

– Amei – murmurou Cosima, pousando sua mão sobre a de sua esposa – Não ligaria de ter você cozinhando para mim todas as noites – sugeriu ela com um sorriso nos lábios.
 

– Vou pensar na sua proposta, senhora Cormier – disse Delphine, pousando seus lábios na bochecha de sua esposa, enquanto ambas começavam a andar em direção as escadas.
 

Cosima havia amado aquela noite, aquele mimo de sua esposa, o fato de compartilharem uma noite como um casal qualquer, sem preocupações, problemas, apenas as duas, só que a felicidade que tomava conta de si, também trouxe um velho temor, lhe fazendo recordar da necessidade que tinha em contar a sua esposa os acontecimentos daquele dia.

 

– O que foi Cosima? – indagou Delphine observando a expressão da sua esposa ser tomada por uma preocupação e seu olhar parecer distante.
 

– É... – murmurou Cosima voltando a realidade e levando seu olhar até Delphine – É que preciso conversar algo com você – anunciou ela.
 

– Pode falar, querida – disse Delphine em um tom calmo e um olhar acolhedor.
 

– Bom, Cormier... – antes que ela pudesse terminar de falar o barulho do telefone tocando no escritório de Delphine roubou a atenção de ambas, interrompendo a conversa por completo.
 

– Vou atender e já subo para conversarmos, querida – anunciou selando os lábios de sua esposa.
 

– Te esperarei – respondeu Cosima subindo rapidamente as escadas.
 

Assim que Cosima adentrou o quarto correu para o banheiro, necessitava de um banho para se refrescar e pensar em como contaria tudo a Delphine, entrou debaixo do chuveiro e tomou um banho rápido, mas o suficiente para sua necessidade, lamentou o fato de Delphine não ir compartilhar com ela aquele prazer, mas parte de si também agradeceu, pois sabia que aquele banho acabaria de outra forma, saiu do box e se secou, se dirigindo ao closet onde trajou uma calcinha e uma camisola, logo que saiu daquele pequeno espaço encontrou Delphine adentrando o quarto com um sorriso suave nos lábios, mas com uma expressão de desgosto nos olhos, aquele fato não lhe agradou.
 

– O que houve, Cormier? – indagou Cosima se aproximando dela e pousando suas mãos em seus ombros.
 

– Terei que viajar amanhã – anunciou ela com uma expressão de desanimo no rosto, que não agradou nada Cosima, como também o fato dele ter que viajar, aquele anuncio lhe causou um enorme temor.

 

– Vai ficar quantos dias fora? – indagou ela tentando não demonstrar seu desanimo.

 

– No máximo uma noite – afirmou Delphine a fitando com um enorme carinho nos olhos, ambas permaneceram em silencio se fitando, como se seus olhares confessassem que sentiriam falta, que ansiavam por estarem juntas e que aquela distancia seria uma tortura, Delphine levou sua mão até a bochecha de sua esposa e acariciou sua pele macia – O que você quer conversar, querida? – indagou ela recordando do anuncio de sua esposa.



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