História Lothasan - Interativa - Capítulo 2


Escrita por: e xmemories

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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Cthulhu Mythos, Ficção, Interativa, Lovecraft, Suspense, Terror
Visualizações 57
Palavras 2.072
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Eu sei que demorei a aparecer, de fato, assim como sei que o capítulo tá deveras pequeno, mas tenho motivos.
Como faço ensino médio + curso técnico, meu tempo desaparece, e nos últimos dias a correria que tive foi bizarra, o que sugou minhas ideias de finalização, mas pelo menos evitei me prolongar em besteiras.

Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 2 - I: Um trato


“Assim como do nada se fez o universo, do nada se fizeram os deuses”

— Morgana Lattes


Era uma caótica madrugada para Erhan, sem sombra de dúvidas, indo e vindo daquele escritório. Sentado na cadeira de couro suado, tinha um copo meio vazio de whisky escocês na mão e um encadernado cheirando a mofo sobre a mesa, o foco sendo algo estranho e quase tão amorfo quanto sua psique banhada em psicodelismo psicótico ao ouvir Macintosh Plus na pequena caixa de som que estava largada num canto daquela sala. Mal conseguia ater-se à ordem das palavras, quanto mais ao sentido delas?

Sua mente girava em desordem, os olhos claros reluzentes sob a luz mortiça que a luminária alaranjada jogava sobre as páginas a serem lidas. Era tudo um turbilhão de ideias e conceitos tão disformes diante de seu sono brutal que, talvez, até mesmo o terraplanismo fizesse sentido naquela ocasião de cansaço quase absoluto.

Passava das quatro da manhã e ainda nem tinha ido para casa, o que era uma genuína merda para seu organismo já sobrecarregado. Precisava dormir e não era pouco, pois a madrugada anterior havia sido deveras caótica em sua série de processos internos para encerrar, arquivar e organizar. Era como um de seus superiores durante o início da vida militar dizia: quanto maior o salário, maior o tédio. Mesmo tendo duvidado de cara, agora que ascendera a seu status atual podia comprovar as palavras daquele homem grisalho à época.

Mais uma vez iria dormir no próprio complexo, em uma cama que outrora já havia sido confortável, mas com uma “cratera” no meio que deixava sua coluna mais dolorida no dia seguinte do que um chute no mesmo lugar. Ao menos já estava acostumado, tão comum a rotina havia se tornado para si. Era quase de praxe tirar dias seguidos naquele ambiente, passar quase semanas inteiras sem pôr os pés em seu próprio lar e então passar uma pilha de dias fazendo incontáveis nadas em casa.

Durante o banho gélido pré-apagar, talvez por um segundo tivesse visto um arabesco de gotas verdes na parede de cerâmica desgastada, ou talvez fosse simplesmente fruto de sua mente paranoica com as leituras. Deitado sobre a espuma confortável, questionava a própria sanidade mais que a de Ulrich, o físico quase inteiramente exposto à lua reluzindo vagamente com as últimas gotículas não absorvidas pelo lençol de elástico alvo.

Suas certezas eram poucas e deveras questionáveis, mas o que poderia fazer? Estava no centro de uma tempestade como jamais vista na história humana, quase nada fazendo sentido para aquela consciência mergulhada em parcial onirismo. Ao menos uma coisa era certa e garantida: trabalhar sozinho seria impossível, e criar uma “equipe” perfeita para a ação seria no mínimo complicado.

Mesmo em meio a toda aquela desgraça, um nome mal murmurado saiu dos quase inertes lábios enquanto maquinava as ideias.

Dylan Cooper Jones.


—X—


As semanas passaram sórdidas em sua lerdeza relativa, sendo numa manhã de sol quente a açoitar Seattle que o jovem de cabelos escuros e olhos quase âmbares bateu na porta do gabinete do general. Foram três batidas contra a peça de aço ironicamente gélido em comparação com o exterior sendo marcadas por uma natureza quase como que afrontosa, beirando um tom até mesmo sarcástico.

Erhan levantou-se do estofado coriáceo com uma languidez despretensiosa tão sucinta que era quase surpreendente para a recém-contratada psiquiatra assistente que estava a conversar com o homem de olhos cristalinos acerca de uma gravação das falas de Ulrich durante o sono. Amira não o conhecia tão bem, mas do pouco que convivera com ele nas últimas semanas, tinha uma vaga noção do quão decidido e até mesmo explosivo o militar era. Em sua postura eternamente elegante e sisuda, beirava até mesmo a incessante e macabra morbidez, em seu raro mas ácido senso de humor ou decisões severas.

— A quanto tempo, general. — Dylan ditou com um sorriso quase sarcástico nos lábios suavemente avermelhados, arrumando os fios negros banhados por caos com destra. — Olá novamente. — Então estendeu a mão para um cumprimento com um quê de desafio, completamente ignorado por aquele de sobrenome Holland. — Pra que tanta secura, meu caro? — Um riso seco saiu, fazendo o mais velho naquele lugar erguer uma sobrancelha em sua direção, as íris claras brilhando com crueldade.

— Não me faça te chutar desse lugar e retomar seu processo, Jones. — A réplica foi direta, ácida enquanto aquele que a disse retornava para a poltrona de espaldar alto. — Sente-se, tenho negócios a tratar com você e não quero ter mais enrolação judicial em cima daquela merda.

Por mais que a natureza teimosa do mais novo sugerisse a desobediência, a ameaça feita era arriscada demais para não cumprir a ordem alheia. A sul-africana os encarava com um quê de curiosidade no olhar, a mente borbulhando com ideias sobre o passado envolvido entre os dois. Ainda mais com citação sobre um processo que calara a boca do hacker e o fizera obedecer Erhan, e para ela era uma pena o fato de que a ficha com aparência criminal e uma 3×4 do Cooper estava quase inteiramente coberta por duas ou três pastas e um grosso livro de lombada desgastada e páginas inteiramente fulvas pelo tempo.

O olhar do homem do outro lado do birô para si mudou do caos para a calma, um sorriso sereno, devidamente profissional. Havia um pedido de retirada implícito, mas a verbalização da frase a fez levantar, assentindo com um quê de brevidão.

— Ah, antes que esqueça: preciso de você e Gunter amanhã na unidade de contenção às duas da tarde. Tenho algumas coisas para conversar. — Mais uma vez ele tinha conseguido despertar sua sede de questionar, entender, mas sabia que não iria adiantar de nada. — Até mais. — Novamente sorriu, porém com um toque de azedume, como uma ameaça velada para que saísse logo da sala.

Inquieta, a Naidoo despediu-se e deixou o local com um ponto de interrogação na mente, como em desenhos animados. Uma pergunta era constante em suas ideias caóticas e desorientadas: o que aqueles dois tinham?

Guiando-se pelos corredores milimetricamente limpos, reluzindo e com cheiro de citronela pela faxina feita naquela manhã de segunda, rumou para a sala de descanso dos funcionários não-militares antes de retomar a seu ponto na ala psiquiátrica, onde geralmente passaria algumas horas cuidando de casos de estresse pós-traumático, depressão e outros problemas de guerra passadas antes do turno acabar e voltar para casa. No cômodo creme e marrom sentou-se numa das cadeiras presentes após pegar um copo de café quase transbordante, tentando dispersar a quase névoa em sua psique, buscando pensar direito.

Era tudo um caos estranho, onde o entendimento daquilo tudo se fazia demasiadamente difícil e trabalhoso para um cérebro exaurido pelo sono.

Uma figura alta atravessou a porta, guardando seu cartão de acesso dentro do bolso do jaleco sujo de tinta, os cabelos loiros cheios de gotículas escarlates, cerúleas e esverdeadas, grudados entre si. Gunter provavelmente havia acabado de consultar Adaon, um veterano do Afeganistão que largou a pintura para seguir a vida militar por necessidades financeiras, e agora tinha uma mente quebrada e sangue nas mãos outrora sempre manchadas de pigmentos belíssimos. O alemão ultimamente tentava usar a arte como terapia para o paciente tão instável, mas as sessões sempre acabavam assim, em banhos de tinta, folhas rasgadas, gritos e até mesmo farpas da madeira de algum pincel ou lápis cravadas na brancura germânica do homem.

— Lichberg, o general mandou avisar que amanhã quer falar com nós. — A sul-africana ditou casual, bebericando um gole do líquido tão escuro quanto seus cabelos ao fim da frase. — Unidade de contenção às duas, não ouse faltar.

— Certo, certo. — Ele sorriu breve enquanto pegava um guardanapo para limpar a cor que não deveria haver na peça de algodão que cobria as outras. — Alguma ideia do que ele quer, por acaso? — Logo completou, acomodando-se em frente a ela, os fones logo colocados ressoando as batidas bem marcadas de Believer, martelando fortes e talvez imponentes contra seus tímpanos.

— Não, mas suponho que tenha a ver com o Ulrich, sabe? O registro de sonhos dele é cada vez mais bizarro e não duvido que ele queira mais ajuda com as análises. — Ela deu de ombros antes de jogar o copo vazio no lixo.

Sua postura deixava clara, mesmo sem a devida intenção, o quão inquieta estava para falar algo. Os cantos da boca tremelicavam com tanta sutileza que seriam quase imperceptíveis, mas o olhar atento do europeu percebeu, assim como a levíssima tensão em seus dedos. Tantos e tantos sinais de que aquela mulher queria falar algo mas não tinha certeza se deveria o fizeram sorrir com a quase demonstração de fragilidade, pouco depois de arrancar algumas cascas de pintura acrílica dos fios desgrenhados.

— Entendo. Quer falar mais algo? — Uma sobrancelha de Frederick foi erguida após um quase minuto de silêncio. — Dá pra perceber, só pra constar.

Amira havia sido pega desprevenida com aquela segunda frase, os olhos escuros focados nos do outro antes de forçar um sorriso amarelo, desconfortável. Como ele havia percebido tanto com tão pouco? Não fazia sentido, e pela segunda vez no dia estava perdida com alguma situação. Ah, como odiava a incapacidade de lidar com determinados ocorridos, a exemplo daquele corrente ou a situação com Erhan alguns minutos antes.

Levantou-se, mãos nos bolsos mais baixos do jaleco placidamente limpo, desprovido de qualquer sujeira na fibra bem-feita, cedida pelo complexo ao ser contratada. Estava incomodada demais no momento para ter uma conversa normal, mesmo que tenha sido algo completamente espontâneo e sem mau gosto da parte do homem de muitos nomes. Era o que ela esperava, ao menos.

— Não no momento. — Ditou estranhamente cheia de dureza, deixando a sala com um desorientado Gunter lá dentro e tinta negra manchando os cantos do local sem ao menos ter nexo de fazer-se presente.

Já no gabinete de Erhan, a tensão que pairava no ar era no mínimo duplamente maior, farpas veladas indo e vindo daqueles olhares decerto marcantes. A ameaça feita pelo mais velho havia funcionado com quase absoluta eficiência para manter Dylan sob controle, mesmo que não contivesse a natureza afrontosa do rapaz. Se aquilo fosse um desenho ou anime, haveriam raios saindo dos olhos de cada um, tamanha a mistura de asco e ironia trocada nas entrelinhas de suas falas ou linguagens corporais.

— Me dê um motivo bom para te ajudar. — O Jones pronunciou calmo, até com certo cinismo.

— Melhor do que você não ser preso ou morto? — Uma breve risada de escárnio escapou daquele indivíduo do outro lado do birô envernizado, íris azuis brilhando com resquícios de algo entre a provocação e a psicose. — Proteção federal, dinheiro, contatos úteis… Contribuir com esse caso pode ser tão positivo para sua imagem que até mesmo todos os registros de invasões a sites associados a seu IP, real ou falso, incluindo o de certo órgão militar, simplesmente evaporariam do nada. — Completou, imponente como sempre na fala carregada por gravidade quase absurda.

O hacker travou os olhos em direção à estante atrás da poltrona onde o general estava, pensativo. Algo nas profundezas de seu subconsciente gritava para que não se envolvesse naquele caso tão banhado de incertezas e obscuridades pouco conhecidas até mesmo por seus mais experientes colegas de hacking. Durante segundos o dilema interno foi tão cruel quanto uma hipotética faca a partir-lhe o corpo, mas a racionalidade tão típica de si logo retomou controle de sua consciência.

Espreguiçou-se sem pressa ao voltar para a realidade, estalando os dedos de ambas as mãos antes de encarar aquele de sobrenome Holland nos olhos, um sorriso confiante aberto nos lábios avermelhados pelo breve mastigar nos segundos de reflexão que tivera. Era pelo menos uma sua certeza para sua vida, e o máximo que poderia acontecer era morrer, um temor que não o incomodava de verdade.

— Aceito sua proposta, senhor. — O último pronome foi pronunciado com ácida languidez, desafiador no timbre macio e ao mesmo tempo cortante. Estendeu a mão sobre o tampo do móvel, coberto por papéis e alguns livros, um cumprimento proposto logo retribuído pelo homem em sua frente

— Bem-vindo ao inferno, garoto. — Novamente o sisudo e até mesmo prepotente militar riu, numa mistura de genuína e ao mesmo tempo cruel diversão com um desprezo já conhecido pelo mais novo. — Dê adeus a seu lar, a partir de agora passará todos os dias até o fim do caso AL-2015/17 em Lothasan, para fins de praticidade em investigação.


Notas Finais


Mil perdões pelos inconvenientes, mas espero que tenham gostado.

Sabem a surpresa que comentei antes? Bom... É um grupo de whatsapp com vocês, nada demais porém acho que é legal pra aumentar a interação e explicar o que se passa caso hajam mais atrasos ou problemas.

Aqui o link:
https://chat.whatsapp.com/DtzZqMisOhpDrbOgdEwXVG

E a lista de aceitos, pra quem não viu:
https://docs.google.com/document/d/1DS9eiTBicVkpm6l7Ni3J4qXUZ27F3fdHgPbfKb9cwuc/edit?usp=drivesdk

Até breve!


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