História Lotto - Capítulo 4


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Lay, Personagens Originais, Sehun, Suho, Xiumin
Tags Baekhyun, Chanyeol, Chen, Exo, Kai, Lay, Lotto, Sehun, Suho, Xiumin
Visualizações 22
Palavras 4.425
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Ficção, Hentai, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Volteeei!
E aí cambada, como estão?

Voltei com mais um capítulo e eu garanto que esse vai ser um tanto... inesperado. Mas antes queria pedir para não esquecerem de dar uma passadinha nas notas finais, tem algo que eu REALMENTE preciso que vocês leiam.

Enfim, não vou enrolar mais. Espero que gostem e boa leitura <3

Capítulo 4 - Me faça um favor


Fanfic / Fanfiction Lotto - Capítulo 4 - Me faça um favor

(Baekhyun POV)

A garota estava há mais ou menos um quilômetro da delegacia quando avistamos o carro do Lay. Hackeamos o GPS fazendo-o parar de funcionar e ela andou alguns metros a mais antes de encostar o carro. Nós paramos logo atrás dela e Sehun e Chen desceram do carro, mas sem se aproximar dela enquanto eu ligava para o número que ficava ligado ao painel. Ela demorou a atender, mas, quando finalmente o fez, parecia preocupada.

_ A-alô?

_ Alô? – eu repeti segurando uma risada – Você saiu com o carro de outra pessoa sem pedir permissão, sabe qual o nome disso? Furto.

Ela demorou a responder.

_ Quem é você?

_ Eu deveria estar perguntando isso mocinha.

_ Aish.

_ “Aish”?! Ya, eu deveria estar praguejando agora.

_ “Eu deveria...” – ela tentou imitar minha voz – Pelo jeito você deveria fazer muita coisa, mas está só me enchendo.

Fiquei em silêncio, completamente boquiaberto com o tamanho de sua cara de pau. Tudo bem, Lay nunca a acusaria de furto, mas ela deveria ao menos saber que o que fez é errado e se desculpar, não brigar comigo.

_ Eu vou desligar.

Antes mesmo de eu ter tempo de responder ao seu aviso ela encerrou a ligação, então não pude evitar sair do carro e seguir até ela. Assim que cheguei à janela do motorista, bati de leve no vidro para chamar sua atenção e, assim que ela se virou para mim, senti um pouco de minha raiva me deixar.

Ela era uma deusa. Os cabelos longos estavam caindo sobre seus ombros e sobre seu rosto delicado, suado provavelmente por sua fuga. Os lindos olhos castanhos delineados pelos longos e volumosos cílios me encaravam com curiosidade, os lábios esbranquiçados estavam entreabertos.

_ Quem é você? – sua voz soava ainda mais doce pessoalmente, como o sopro de um anjo.

_ Eu sou Baekhyun... Lay me pediu para procurar o carro dele.

Ela abriu a boca durante alguns segundos e me encarou enquanto tomava coragem para dizer:

_ E-eu posso explicar.

_ Eu imagino. – Chen finalmente se aproximou – Mas disseram que seria melhor você não dirigir no seu estado atual.

Ela fez um biquinho quase imperceptível se virando para suas mãos trêmulas no volante. Ergui as sobrancelhas involuntariamente, ao ver como ela engoliu em seco disfarçadamente.

_ M-mas eu estou bem.

_ Mesmo assim, é melhor eu dirigir.

Eu disse abrindo a porta para que ela saísse e, assim que a porta se abriu o suficiente, ela a empurrou e começou a correr. Sehun já estava alerta, pois não esperávamos que ela fosse acreditar em nós tão facilmente depois do que havia passado. Na verdade, seria preocupante se ela o fizesse.

No entanto, algo mais surpreendente aconteceu: aquela pequena e frágil garota desferiu um soco em direção ao rosto do Sehun, ele desviou do primeiro golpe, mas o segundo o atingiu em seu estômago e ela passou por ele no momento em que ele se curvou.

_ Fique com ele Jongdae!

Gritei começando a correr atrás da menina que voava pela calçada. Demorei alguns segundos para alcançá-la e, quando segurei seu braço, ela se virou bruscamente se soltando e tentando me golpear também. Para seu azar, ela era lenta demais para meus anos de treino: segurei seu golpe sem dificuldade e a puxei para perto, segurando o outro braço também.

_ Sohyun, se acalme! – Lay apareceu correndo e, assim que ela o viu, a pouca tensão em seus braços desapareceu.

_ Yixing... – o olhar dela se voltou para mim e depois para Jongdae e Sehun que acompanhava os outros cinco – Então vocês realmente...

Sorri e ela baixou a cabeça, a pele pálida de suas bochechas ganhou um pouco de cor.

_ Desculpe...

_ Tudo bem, nós deveríamos ter esperado os outros chegarem. – Chen disse sorrindo.

_ Você já pode soltar Baek, ela não vai fugir. – Suho disse e, só então, me dei conta de que ainda estava a segurando.

_ É força do hábito.

Sohyun olhou para cada um de nós com uma mistura de confusão e curiosidade, as sobrancelhas se juntaram e ela entortou a cabeça, como um filhote de gato ouvindo um barulho diferente. Mesmo assim, apesar da evidente vontade de perguntar algo, ela se manteve em silêncio.

_ Vamos voltar para minha casa, eu posso explicar melhor a vocês o que está acontecendo.

Suho disse segurando a mão da menina, mas ela não se moveu, fazendo todos nós a encararmos com curiosidade. Ela colocou a mão livre sobre a mão de Suho e a afastou recuando um passo logo em seguida. Em seu rosto um sorriso forçado estampou-se e ela encarou cada um de nós antes de dizer:

_ Desculpe, mas eu preciso ir até a polícia.

Suho encheu o peito de ar e molhou os lábios antes de responder:

_ É exatamente sobre isso que precisamos falar.

Ela ergueu uma sobrancelha.

_ Vamos conversar na casa do Suho, Sohyun. – Kai pediu – Você nem mesmo tomou toda a medicação.

Ela forçou um sorriso e murmurou:

_ Isso não tornou a volta mais atrativa.

_ Vamos, não seja medrosa. Se quiser você pode segurar minha mão dessa vez.

Chanyeol disse passando um braço pelos ombros da menina e a puxando devagar, arrancando uma risada da maioria das pessoas que haviam entendido a piada, o que não foi meu caso. Ao menos não até chegarmos à casa do Suho e ver como ela reagia sempre que via uma agulha.

Por fim, o hyung nos contou tudo o que havia acontecido, desde como ele havia acabado caindo em uma armadilha de Dakho até o momento em que eles começaram a desconfiar que ela poderia ainda estar em perigo. Ele havia dito que haviam pessoas interessadas em mantê-la em anonimato, por isso desconfiávamos que ele havia buscado deixá-la sob responsabilidade de Suho. Querendo ou não, o louco mantinha contato com o pai do Junmyeon, então seria capaz de manter um olhar cuidadoso sob os dois.

_ Eu sei que o que estou pedindo é difícil, quando somos dois estranhos... – Suho disse se sentando ao lado da mulher na cama e segurando uma de suas mãos, abriu a boca para continuar falando, mas a risadinha curta e doce dela o cortou.

_ Tudo bem oppa.

Alguns de nós engasgaram com a repentina forma “carinhosa” de se referir a ele e a reação deles fez com que ela nos olhasse com preocupação.

_ O que? Eu disse algo errado?

_ N-Não... – Sehun disse sorrindo bobo – Ei, será que você pode me chamar assim também?

Bati de leve na nuca dele.

_ Deixe de ser pervertido.

_ Eu provavelmente sou mais velha que você. – ela disse o encarando com os olhos semicerrados.

Lay arregalou os olhos e se curvou mais para frente como se estivesse se aproximando dela, mesmo que estivesse sentado do outro lado do cômodo:

_ Você se lembra da sua idade?

Ela sorriu e seus olhos sorriram junto.

_ Não, mas tem uma data que não me sai da cabeça: dois de maio de dois mil.

_ Noona, você ainda parece uma adolescente... Não pode me culpar. – Sehun se justificou.

Ela apenas sorriu e voltou a encarar o Suho.

_ De qualquer forma, não se preocupe, eu vou esperar que você consiga uma forma de se livrar das ameaças dele.

_ Em troca nós vamos te proteger e, assim que Dakho não estiver no nosso caminho, à gente arruma um jeito de te mandar para casa. – D.O disse sorrindo e ela respondeu da mesma forma.

_ Eu vou pesquisar formas de te ajudar a recuperar as memórias que perdeu. – Kai disse abrindo um pouco mais a válvula do soro.

_ Eu vou fazer o possível para encontrar informações sobre você. – disse chamando a atenção deles para mim – Vou ser cuidadoso e vou usar a internet para tudo, então ninguém vai ser capaz de desconfiar de nada.

_ Obrigada.

Ela agradeceu sorrindo.

 

(Suho POV)

 

Sohyun finalmente estava dormindo. Eu havia acabado de trocar a bolsa de soro e ela sequer se moveu. Já haviam acabado duas das quatro bolsas de soro que Kai havia deixado, ela já parecia melhor. Os lábios que pareciam ter sido esculpidos em seu rosto estavam rosados e suas bochechas levemente coradas.

Suspirei antes de me sentar outra vez no sofá no canto oposto do quarto e me perguntar onde diabos eu havia me enfiado e como as coisas acabaram assim. Não que eu não soubesse. Foi tudo culpa da minha estúpida curiosidade sem fim. Deveria ter ouvido Lay e apenas ignorado toda aquela idiotice.

Outra vez um suspiro escapou entre meus lábios antes de decidir que me preocupar com o passado agora não iria adiantar. Voltei a encarar meus documentos. Tantos problemas para se resolver, tudo porque minha secretária iria se casar com um ricaço vinte anos mais velho e decidiu se demitir repentinamente. Eu não tive chances de fazer nenhuma entrevista e não confiava em ninguém além do D.O – que estava tão ou mais ocupado que eu – para escolher um novo funcionário, então estava tendo trabalho em dobro.

Depois de algumas horas, minha visão começou a falhar e meus olhos começaram a pesar. Nunca me arrependi tanto de não ter mandado mobiliar outro quarto na casa como hoje. Vou ter certeza de fazer isso assim que amanhecer, vai ser necessário. Naquele momento, no entanto, estava com mais vontade de tomar uma xícara forte de café.

Desci com dois contratos e passei um bom tempo os lendo, sem perceber os minutos correndo. Enchi a xícara de café outra vez e subi rapidamente para verificar como Sohyun estava, mas assim que cheguei ao quarto, ela já não estava mais na cama, estava sentada no sofá lendo os documentos que eu deveria estar lendo. Ela escrevia com a mão direita e com o braço esquerdo segurava a bolsa de soro. Estava tão absorta no que estava fazendo que sequer me ouviu entrar ou sentiu minha presença até eu me sentar a seu lado.

_ O que está fazendo?

Perguntei colocando minha xícara sobre a mesa e ela apenas me entregou alguns papéis. Ela estava lendo estratégias de planejamento de processos. A empresa estava passando por uma grande e complexa reforma na forma como eram criadas e repassadas propostas de todos os tipos: desde o desenvolvimento de produtos, compra de terrenos para construções de lojas até o marketing e inaugurações. Sohyun basicamente estava fazendo coisas que eu era qualificado para fazer: julgando as reformulações, fazendo sugestões, corrigindo erros que apenas pessoas formadas e com muitos anos de experiência em administração conseguiam identificar e propor soluções.

_ Sohyun, quando você disse mesmo que nasceu?

Ela me encarou forçando-se a pensar por alguns segundos e, enquanto esperava, tudo o que eu conseguia pensar era em como alguém que tem dificuldades para lembrar o próprio nome e sua data de nascimento conseguia trabalhar com documentos de uma empresa com tanta naturalidade como se fizesse isso há anos.

_ Dois de maio de dois mil? – apesar de ser uma afirmação, soou como uma pergunta, mas eu entendi a mensagem.

_ Você tem dezoito anos?

_ Acho que sim. – dessa vez ela respondeu sem me olhar.

Dezoito anos? E eu era considerado um prodígio por fazer o que ela estava fazendo com vinte e dois anos.

Encarei os documentos que ela havia me entregado relendo-os outra vez. Estava correto, eu iria sugerir exatamente as mesmas coisas. Fiquei boquiaberto até ela pegar minha xícara de café e, quando ela ia levá-la aos lábios, eu a tomei de sua mão.

_ Você deveria ir dormir. Melhor não tomar isso.

Ela fez um beicinho quase imperceptível e só então percebi o quanto aquela mulher me parecia ter vários lados. Agora há pouco ela havia mostrado sua inteligência,  quando Baekhyun tentava segurá-la ela mostrou sua força e quando Kai precisava medicá-la ela havia deixado escapar fragilidade... Nesse momento, ela me parecia um tanto infantil, mas não em um sentido pejorativo, no sentido de querer fazer algo que não deveria, por mais bobo que seja... No sentido de precisar de cuidado.

Sohyun voltou para a cama e dormiu o resto da noite que não foi muito longa. Depois que terminei com todos aqueles documentos, graças a grande ajuda dela, adormeci no sofá. Pela manhã, pedi ao meu motorista que trouxesse algumas roupas femininas e que chamasse um designer. A única empregada da casa já estava acordada e me entregou as roupas enquanto eu pedia a minha secretária que estava sem seus últimos dias para esvaziar minha agenda de hoje.

Entrei no quarto e Sohyun coçava os olhos enquanto se esticava na cama.

_ Tudo bem, até amanhã. – encerrei a ligação e sorri a encarando – Dormiu bem?

Ela sorriu, mas foi cortada por um bocejo.

_ E você? – perguntou se levantando e vindo em minha direção, mas ao invés de responder a pergunta, eu estendi a sacola de roupas para ela – O que é isso?

_ Roupas. Nós vamos precisar sair, então tomei a liberdade.

Ela olhou dentro da sacola de papel e aparentemente gostou do que viu.

_ Obrigada oppa.

Fiquei em silêncio por alguns segundos e depois molhei os lábios. Algo me incomodava, não a forma “íntima” como ela se referia a mim, mas o fato de eu achar totalmente natural e ainda gostar.

_ Você pode tomar banho então, pode pegar o que precisar. Vou te esperar lá embaixo para o café.

E eu realmente esperei. Ninguém fazia uma refeição comigo pela manhã desde que minha mãe se casou outra vez e foi morar no exterior, então não consegui me importar com sua demora.

Quando ela entrou na cozinha eu percebi o quanto aquela roupa havia lhe caído bem. A saia jeans rosa clara tinha a cintura alta, era apertada e curta, no meio da coxa, delineava sua cintura curvilínea. A blusa curta branca com listras cinza claras também era apertada e evidenciava ainda mais o formato de seu corpo. Sohyun terminava de amarrar o cabelo longo e alguns fios naturalmente ondulados ficaram soltos frente a seu rosto, tornando suas feições ainda mais delicadas.

_ Oppa, como eu estou? – ela deu uma voltinha tímida e eu engoli em seco – Você não acha que parece muito chamativo? Eu não quero chamar atenção e acabar te prejudicando, já que eu tenho que permanecer anônima.

Pigarreei baixinho. "Com esse corpo vai ser impossível não chamar atenção independente do que vista." – pensei sorvendo um gole de café e desviando o olhar dela.

_ Você está linda. Apenas se preocupe em estar confortável que eu me preocupo com o resto, ok?

Ela sorriu e se aproximou se sentando à minha frente. Assim que terminamos o café nós saímos em direção ao estacionamento. Abri a porta de um dos carros para ela que sorriu e entrou e, assim que apertei o botão do controle para abrir a porta da garagem, ela perguntou:

_ Aonde vamos?

_ Primeiro vamos a um hospital. Kai conseguiu uma forma de você fazer todos os exames que precisamos. Depois eu preciso falar com o designer que vai mobiliar seu quarto.

_ Meu quarto? – ela perguntou com as sobrancelhas franzidas, me fazendo rir.

_ Sim, você precisa de um lugar onde possa ter privacidade também.

Sohyun deu de ombros e sorriu apenas aceitando meu argumento.

_ Depois precisamos comprar mais algumas roupas para você e, por fim, eu preciso deixar aqueles documentos de ontem no meu escritório.

_ Vamos lá! – ela disse animada apontando para frente.

O dia foi mais cansativo que se eu tivesse ido ao escritório, no entanto, foi muito mais divertido. Sohyun fazia piada com tudo, ela tinha medo de tudo que poderia oferecer risco e tinha fobia de estar presa, de água e de altura. Ela preferia doces, gostava de uma comida de nome estranho chamada "estrogonofe". Não gostava de calor nem de contato muito profundo com a natureza. Tinha um estilo romântico e sofisticado de se vestir.

Conhecê-la melhor fez o meu dia ser prazeroso como não havia sido há meses. A forma como ela levava tudo com leveza fazia com que nossa conversa fluísse como um rio corrente. Perto dela tudo era confortável e, diversas vezes, me peguei sorrindo sem motivo, enquanto a observava. Sohyun tinha alguma magia, era a única explicação.

_ Sohyun, eu não quero que as coisas soem como se eu estivesse me aproveitando de você, mas é que o que você fez ontem tirou das minhas costas muito trabalho.

Ela pareceu demorar um pouco para entender do que eu estava falando, mas, assim que entendeu, ela sorriu docemente proferindo mais de suas palavras gentis:

_ Ah, aquilo realmente te ajudou? Foi tão pouco, você parecia tão ocupado.

_ Bem, ajudou muito. Por isso eu acabei pensando... você se importaria de trabalhar para mim?

Ela ergueu as sobrancelhas pela surpresa e não disse nada.

_ É que minha secretária se demitiu repentinamente e eu não tive tempo de entrevistar ninguém.

_ Tudo bem, eu posso te ajudar com essas coisas. – Sohyun voltou a sorrir – Eu não sei por que, mas parece que faço aquelas coisas há anos.

_ Sim, eu percebi.

 

(Sohyun POV)

 

Terminamos nosso café e nos colocamos a caminho de nosso último destino: o escritório. Quando saímos da cafeteria, o motorista estava nos esperando. Enquanto Suho conversava com ele não pude evitar reparar em seu estilo outra vez. Aquele homem era lindo normalmente, mas conseguiu ficar ainda mais usando aquela blusa de crochê cinza escura sob seu blazer de linho azul escuro. A calça jeans justa fazia com que ele parecesse mais alto e o sapato social o dava um ar ainda mais elegante. Sua aparência e postura fazia jus a sua doçura.

Em seu lugar eu teria desistido de mim mais vezes do que fui capaz de contar. Mas Suho apenas sorria o tempo todo e era amável, dizia que estava tudo bem e que entendia. Ele ouvia minhas brincadeiras bobas e sorria, me protegia mesmo que de bater a cabeça ao entrar no carro. Junmyeon não tinha preferências quanto à comida e aparentemente estava sempre aberto a tentar coisas novas. Ele gostava de sair cedo de casa para se exercitar e dormia ouvindo músicas calmas.

_ Você quer ouvir algo?

Ele perguntou tirando o celular e os fones da bolsa e eu assenti me aproximando. Ele começou a desembolar os fios e eu fui tentar ajudá-lo, mas desisti assim que ele fechou sua mão sobre a minha. Nos olhamos por alguns segundos e ele voltou a sorrir daquele jeito que somente ele sabia, me deixando boba por alguns segundos. Observei-o concentrado enquanto ele buscava a música e encaixava o fone de ouvido no celular. Ele colocou um fone em seu ouvido e, logo depois, suas mãos tocaram meu rosto para que ele colocasse o fone em meu ouvido também.

Sua ação ocorreu com tanta naturalidade que sequer fui capaz de sentir-me tímida. E, por fim, a música começou:

(N/A: Se vocês quiserem colocar Butterfly para tocar a hora é agora cambada.)

 

Não pense em nada

Não diga nem uma palavra

Apenas me dê um sorriso

Ainda não consigo acreditar

Tudo isso parece que foi um sonho

Não tente desaparecer

 

A letra era linda e, não sei se foi à intenção, mas Suho conseguiu deixá-la perfeitamente sincronizada com meus sentimentos naquele momento.

 

Isso é real? Isso é real?

Você, você

Você é tão linda que tenho medo

Surreal, surreal

Você, você, você

 

Realmente, depois de todo o inferno que havia passado, estar sentada ao lado daquele homem maravilhoso, encarando seu sorriso a centímetros de distância, me parecia um sonho.

 

Você vai ficar ao meu lado?

Vai me prometer?

Se eu soltar sua mão, você vai voar para longe

Vai desaparecer, tenho medo disso

 

Suho parou o olhar em meu rosto e, depois em meus lábios. Não pude evitar imitar sua ação. Sua mão livre segurou a minha enquanto ele se aproximava lentamente e, sem perceber, fechei os olhos. Nossos lábios se tocaram e permaneceram assim por alguns segundos, até Suho entreabrir os lábios, assim como antes, segui seu ritmo e o imitei e o beijo se aprofundou, lento e doce.

 

Você vai parar o tempo?

Se esse momento passar

Como se isso não tivesse acontecido

Tenho medo disso, eu vou te perder

 

O carro parou e nosso beijo foi cortado. Quando comecei a me afastar, Suho apertou minha mão entrelaçando nossos dedos e me puxando para perto para sussurrar em meu ouvido:

_ Não desapareça.

O manobrista abriu a porta para nós e finalmente entramos no prédio.

Olhei para cima sentindo vertigem pela altura do edifício. Pisquei algumas vezes e segui Suho há alguns passos de distância, pois andava lentamente para observar tudo com calma. Enquanto ele andava, ao menos setenta por cento das mulheres que passavam demonstravam interesse maior que o de apenas fazer uma reverência em sinal de respeito. Eu não era capaz de culpá-las, sinceramente. Kim Junmyeon, assim como seus amigos, era um pedaço de mau caminho, mas só consegui enxergar isso hoje ao chegar à cozinha.

_ Sohyun? – ele chamou me olhando com uma sobrancelha levantada, como se nada tivesse acontecido – Tudo bem?

_ Sim, eu só estou cansada.

_ Aguente mais um pouco sim? Nós já vamos para casa.

Sorri e assenti entrando no elevador e ele veio logo depois. Nós paramos no último andar. Depois de passarmos por um corredor onde ficavam as gerências e presidências de cada setor e, incluindo a sala do Kyungsoo, nós chegamos à sala da equipe auxiliar do CEO. As portas de vidro abriram automaticamente para nós e todos os funcionários se levantaram, fazendo uma breve reverência.

_ Boa tarde Sr. Kim. – um dos funcionários se pronunciou e todos os outros repetiram o cumprimento.

Suho os respondeu com um breve acenar de cabeça. Sua postura havia mudado, agora ele não sorria e até mesmo sua voz era séria e fria.

_ Eu vim hoje para apresentar a vocês a senhorita Kim. Minha secretária temporária.

Todos os presentes o encararam com olhar de espanto e eu fiz uma breve reverência me apresentando. Suho então colocou uma mão sobre meu ombro e sorriu enquanto dizia:

_Me espere aqui por um momento.

Assenti e, assim que ele desapareceu virando no corredor, meu olhar caiu sobre as pessoas que me encaravam. Para meu alívio nenhuma delas fez perguntas até uma mulher loira surgir do fim do corredor. Ela vestia uma saia lápis preta colada ao corpo magro e uma blusa social azul com um scarpin também preto. A loira caminhou até a copiadora e, ao colocar algumas folhas no lugar, me olhou de cima a baixo antes de abrir um sorriso de desprezo.

_ Então você é a nova secretária? – seu tom de voz foi tão carregado de deboche que não consegui responder, então ela apenas estalou a língua meneando a cabeça em negativa – Pobre garota, tão nova já vai cair nas garras daquele "gêniozinho" louco.

Cerrei o maxilar involuntariamente. Suho foi o homem que salvou minha vida, ele entrou em uma enrascada por minha causa e os amigos dele estão fazendo o que podem para me ajudar. Talvez por isso eu tivesse me sentido tão ofendida por ele. Ao menos eu queria acreditar que era esse o motivo e não o beijo de agora pouco.

_ Eu não sei a quem você se refere. – respondi tentando soar indiferente.

_ Como não? Estou falando de seu futuro chefe. Ele é um homem egoísta e exigente que age com superioridade o tempo todo.

Engoli em seco dizendo em pensamento que não responderia... não valeria a pena.

_ Ele sequer sabe como tratar uma mulher.

_ Eu e você não conhecemos o mesmo Sr. Kim. – retruquei sem conseguir me conter – Ele é um cavalheiro, amável e protetor. Você não deveria falar assim dele só porque tentou seduzi-lo e não conseguiu o que queria. Um pouco de maturidade sempre faz bem.

A pele branca de seu rosto ficou vermelha feito um tomate e, só quando ela olhou para o lado, percebi que Suho estava parado na frente do corredor. A mão fechada sobre os lábios escondia um sorriso que era entregue pelos olhos sorridentes enquanto ele virava o rosto tentando ainda parecer invisível.

_ O que você disse a ela?! – a loira questionou.

_ Ele não disse nada, mas você admitiu.

Respondi e, antes que ela pudesse replicar D.O surgiu na sala.

_ Sohyun! – ele sorriu e se aproximou segurando minhas mãos para afastar meus braços do corpo e me olhar de cima a baixo – Hum, você parece muito melhor hoje.

Forcei um sorriso tentando não demonstrar que ainda estava um pouco incomodada com a situação e a loira passou pela porta, mas não antes de bater seu ombro em minhas costas e me jogar na direção de Kyungsoo. Ele me segurou, me envolvendo em seus braços e olhou a mulher que ia em direção ao elevador marchando. Assim que ela desapareceu D.O me soltou e encarou Suho sem disfarçar a confusão.

_ O que aconteceu?

Suho sorriu e meneou a cabeça como se dissesse que explicaria depois. Nos despedimos dos funcionários que haviam assistido a todo o show paralisados e descemos os três juntos. Kai apareceu durante o jantar para nos dizer o resultado dos exames que eu tinha feito no início do dia, com mais notícias ruins. Aparentemente, minha amnésia tinha outro motivo além do trauma de ter sido sequestrada e mantida em cárcere sabe-se lá por quanto tempo. Havia sinais de uma pancada em minha cabeça e a perda de minhas memórias pode ter ocorrido por qualquer um dos dois eventos, no entanto, se tivesse ocorrido pela lesão, seria mais difícil me recuperar e talvez eu não me recuperasse.

No mais eu estava com deficiência de algumas vitaminas, mas nada muito grave. O que me preocupava de verdade era minha amnésia. Eu precisava saber quem era para descobrir o que aquele homem queria comigo e o que é tão importante a ponto de chantagear alguém.

_ Noona. – Kai chamou sacudindo levemente meu ombro e, só então, percebi que Suho e D.O não estavam na mesa – Você está bem? Não comeu nada.

Encarei meu prato intocado. Não sentia fome nenhuma, mesmo que por dentro houvesse um vazio impossível de ser preenchido. Me perguntava se tinha pais, irmãos ou amigos e se eles estariam procurando por mim. Será que eles já haviam desistido ou ainda estariam sentindo minha falta? Senti uma lágrima molhar minha mão e Kai me encarou com as sobrancelhas erguidas pela surpresa.

_ Ah... – sorri sem graça secando os olhos – Desculpe... Eu acho que não estou com fome.


Notas Finais


Então cambada, vamos conversar.

Esse capítulo está gigantesco, eu sei, mas como a fic ainda está no começo e já tem algumas pessoas que favoritaram a história, eu imagino como deve ser torturante abrir uma notificação e ler um capítulo de mil ou duas mil palavras.

Particularmente, acho pouco e é sobre isso a pergunta que queria fazer a vocês. Sinceramente, não curto muito a ideia de ficar perguntando coisas e pedindo para comentarem, mas dessa vez é realmente importante porque envolve o desenvolvimento da história.

Enfim, queria saber se está bom assim, como nos dois últimos capítulos, com os capítulos sendo maiores ou se vocês preferem que eu tente diminuir o tamanho.

_//_

Aqui está o link da imagem na qual eu me inspirei para a roupa da Sohyun: http://looknocloset.com.br/wp-content/uploads/2017/11/montagem.jpg

_//_

Bem, é só isso mesmo, no mais agradeço a todos que leram até aqui.
Beijo na bunda, até segunda ;3


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