História Loucamente SUA - Capítulo 55


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 6
Palavras 4.522
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 55 - Se quer algo bem feito, faça você mesmo


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 55 - Se quer algo bem feito, faça você mesmo

— Vai ser um pouco difícil, já que vou para Boise encontrá-la. Eu a amo, e vou implorar para que ela se case comigo.

Vivian parou e levou a mão ao pescoço como se Toby a estivesse enforcando.

— Você sempre disse que queria me ver feliz. Spencer me faz feliz, e eu não vou mais viver sem ela. Vou fazer o que for necessário para trazê-la de volta para a minha vida — Ele parou e olhou para a expressão de choque da mãe — Se não consegue ficar feliz por mim, então se afaste até você conseguir ao menos fingir que está feliz.

***


— Quando vai voltar para Rosewood?

Sophie caminhou pela casa de seu tio olhando para os lados escondidos pela sombra do anoitecer. A casa estava vazia agora, já que o clima pesou depois da belíssima declaração de amor que Toby fez para Spencer na hora do almoço. Jenna tinha saído para reuniões em Boise e passaria dois dias fora da cidade, para alegria da menina. Ela estava uma pilha por dentro de medo. Como será que “-A” reagiria a informação de que Toby lutaria pela sem sal da Spencer? Ela mesma estava se sentindo enjoada só de pensar em ter que engolir essa notícia a seco. Seu coração pulsava como um tambor de escola de samba, e infelizmente, não era pela voz sexy de Thomas ao telefone. Nunca havia sentindo tanta adrenalina como naquele momento. O vazio da casa pressionava seus pulmões fazendo o ar ficar rarefeito e a mão que estava livre do telefone estava escorregadia de suor.

— Mas isso é basicamente quando? — ela passou a mão na perna da calça para secá-la numa luta interna entre querer Thomas de volta para perto dela ou afastá-lo pelo tempo necessário até que tivesse certeza que nada de ruim aconteceria. — Ah, pelo amor de Deus! Por que você tem que cuidar dessas pirralhas? Elas não são crianças, já sabem muito bem cuidar de si mesmas.

Isso não estava lhe cheirando bem. Algo dentro de Sophie gritava por socorro, por ajuda. Ela sentia no fundo de seu coração que esse envolvimento com “-A” ainda lhe custaria caro. Muito mais caro do que um amor mal resolvido com o besta do Taylor. Poderia lhe custar o amor de Thomas. Quem diria que um dia ela estaria nessa situação. Sentindo-se dividida entre “-A” e aquele garoto idiota que a fez sofrer tanto. A proximidade de Thomas deveria ser apenas diversão. Deveria ser apenas um troco por todos os anos em que Sophie se sentiu humilhada, enquanto ele desfilava pelos corredores com aspirantes a modelo da cidade. Ela havia ganhado o que merecia depois de tanto sofrimento. Ele era dela POR DIREITO, sempre foi! Thomas deu mais uma desculpa para não informar a hora em que voltaria para casa.

Sophie apertou o telefone na mão e se controlou para não alterar o tom de voz.

— Thomas, por que não quer me dizer a hora que vai voltar para casa? — irritada, soprou o ar pela boca.

— Qual é Sophie, eu já expliquei que estou na casa do meu pai.

Essa história estava muito esquisita. Desde quando Thomas virou o filhinho exemplar do Jason? Ela não era tão idiota ao ponto de acreditar nessa palhaçada. Ele estava mentindo. Mentindo descaradamente e a paciência dela estava chegando ao fim. Sophie afastou o telefone do ouvido começou a caminhar em círculos sobre o tapete vermelho fofinho. Seus dedos afundavam entre as pontas do tecido macio. Ele devia estar com outra. Devia estar se divertindo fora da cidade com uma daquelas magricelas nojentas e o ciúme a estava corroendo por dentro.

— Para de ser hipócrita, desde quando se tornou esse filho exemplar? Não subestime a minha inteligência. — ela deu uma volta pela mesa de centro e olhou para o quadro pendurado na parede. Era uma pintura de um antecedente Marchall que remetia a tristeza de uma floresta desmatada. De alguma forma aquela pintura fétida lhe dava um ar de renovação cada vez que tinha tempo de contemplá-la. Sophie ouviu o ranger dos seus dentes quando lembrou do pouco tempo que tinha. Seria obrigada a desligar o telefone mesmo sem acreditar naquele papo furado de “bom filho”.

Ela revirou os olhos em desagrado antes de começar a falar.

— Okay, então eu preciso ir. Cuide-se e vê se não passa muito tempo longe.

Thomas pareceu incomodado com o pouco caso da menina.

— É só isso? — Ele soltou uma risada de deboche — Você não desistiria tão fácil assim de me convencer a voltar para casa, Sophie. O que está aprontando?

O ar desconfiado da voz dele a deixava irritada.

— Aff, agora sou EU quem está aprontando algo? Você está ficando paranoico.

— Te conheço, Sophie. Você é a mulher mais louca, ciumenta, chata e implicante que existe. Não iria me deixar solto aqui com as minhas irmãs nem se fosse obrigada a isso. O que me leva a acreditar que você tem algum compromisso importante.

— É — pausa — Um compromisso muito importante no mercado com a minha vó.

— Você é uma mentirosa, Sophie. Das piores!

— Você é quem está mentindo para mim! — esbravejou — me trocando por essas magricelas ridículas.

— Eu não estou te trocando por ninguém, será que não percebe o quanto está exagerando? Estarei de volta no mais tardar amanhã. Para que fazer todo esse escândalo?

Thomas passou a mão com força sobre a face indo da testa ao queixo. Ele tinha ido para a varanda da casa de seu pai para falar no telefone, não queria que sua irmã escutasse ele discutindo com a namorada. Ele olhou através da janela e viu a garota de costas junto ao fogão preparando o almoço para eles e afastou o telefone do ouvido.

— Quer saber, pode ficar o quanto você quiser… Tchau!

O telefone deu sinal de ocupado. Ele demorou a assimilar a situação, ela era mesmo muito geniosa! Tinha desligado na cara dele sem nem pensar duas vezes. Thomas bufou e jogou o celular sobre a rede estirada do seu lado direito. O aparelho quicou duas vezes antes de parar quase na beira da rede. Ele espalmou as mãos pelo grosso cabelo preto bagunçando-o. Estava com os nervos a flor da pele. Sophie conseguia deixá-lo nervoso como ninguém mais conseguia. Esse era o maior talento dela com toda a certeza. Anna gritou avisando que o almoço estava pronto fazendo-o despertar dos seus pensamentos. Não era hora para ficar tentando decifrar Sophie, ele estava com suas irmãs para fazer um favor a Jason e era exatamente isso que ele iria fazer. Ficar com elas! Sophie teria que aceitar sua decisão querendo ou não. Ele virou de costas para a varanda e caminhou em direção a entrada principal da casa. Estava segurando a maçaneta quando sentiu a pancada na cabeça e a bola de basquete quicando sobre seus pés.

— Porra! Quem fez isso caralho? — exclamou com raiva virando para a varanda e dando de cara com o sorriso largo e brilhante de Nina. A garota soltou uma risada divertida e seguiu seus passos até onde Thomas estava.

— Bem vindo de volta, idiota.

Nina estava maior do que ele conseguia imaginar, assim como Anna, só que era diferente. Ela tinha um ar maduro e infantil que Thomas não conseguia enxergar em Anna. Essa mistura da mulher que ela estava se transformando com a criança que existia dentro dela era contagiante. Ele soltou um riso, mesmo contra a própria vontade.

— Filha da puta! — exclamou brincalhão com um sorriso largo nos lábios.

— Olha a boca suja, vou te fazer lavá-la com sabão. — Nina advertiu passando o olhar discretamente por Thomas, depois seguiu seu caminho trombando com o mesmo. O rapaz ficou por alguns segundos parado na porta olhando ela caminhar em direção a cozinha toda empolgada.

— Fez o que para o rango? Estou faminta hoje.

Ela se pendurou nos ombros da irmã por trás para poder ver o que havia na panela e o pequeno short esportivo subiu mostrando a polpa da bunda. Thomas sentiu um nó na garganta e apressou-se em entrar em casa e mudar o foco da sua atenção para qualquer outro lugar que não fosse a cozinha. Será que ela precisava mesmo ficar usando essas roupas tão curtas? Ele é um homem, não dava para evitar ficar excitado se ela continuasse mostrando a bunda por ai. Decidiu, então, ligar a televisão e esperar que as duas colocassem seus pratos para que ele pudesse ir lá. Ele só podia estar na seca. Era isso. Estava precisando relaxar um pouco e desviar a atenção daquele short minúsculo. Quanto menos contato tivesse com ela, menor a chance de ser pego olhando para onde não deve.

— Quando você não está faminta, Nina. Dá para explicar? — disse Anna colocando os três pratos sobre a mesa de jantar.

— Fazer o que, eu sou uma atleta e estou em fase de crescimento — Nina deu de ombros.

— Crescimento para os lados! — gritou Thomas da sala. A gargalhada de Anna se alastrou pelo cômodo.

— Vai se ferrar seu mala.

Anna mecheu a panela com a colher de pau que estava sobre a pia mostrando a cremosidade do estrogonofe de frango. Nina babou olhando a refeição e tratou de colocar seu prato e sentar a mesa.

— Nina, espera o Thomas vir comer! Onde estão seus modos?

— Ah, pelo amor de Deus ele nem é visita.

— Sou sim, você tem que ser gentil comigo.

Thomas levantou do sofá quando visualizou de longe que Nina já estava sentada à mesa. Anna colocou um prato para ele a frente de Nina e depois serviu o próprio. Ele entrou na cozinha e sentou em seu lugar.

— Vá a merda Thomas DiLaurentis.

— Muito grossa mesmo. Por isso está encalhada… Nenhum homem aguenta seu mal humor — provocou pegando o garfo e começando a remexer o prato. — Obrigada Anna.

— Não há de que! — respondeu segurando o riso.

Fazia muito tempo que não via as meninas, ou sequer sentava em uma mesa para almoçar em família. Era bom estar com elas. Esse tempo seria proveitoso contanto que permanecesse longe das roupas curtas de Nina. Desde quando ela se vestia assim? Desde quando o Jason permitia isso? Respirou fundo e continuou a refeição prestando atenção nas conversas das meninas. Elas falavam como dois papagaios o tempo todo. Ele olhou para Anna sacudindo as mãos enquanto falava sobre um garoto que está apaixonada e Nina ria perguntando os detalhes do último encontro. Thomas deu uma risada para si mesmo. Que situação, hein? Esses dias seriam mais longos do que ele imaginava. A parte boa é que pararia de pensar em Sophie a todo momento. Teria tempo de refletir sobre o que realmente queria de sua vida.

***

Noel chegou de carro em casa correndo e arrastou Alison para dentro. Ele sumiu o dia todo e tinha esquecido dos compromissos do trabalho. Doutor Hermam tinha ligado cinco vezes perguntando pelo paradeiro dele e Ali não fazia a menor ideia do que responder. Para encobri-lo acabou inventando uma mentira cabeluda sobre uma febre em Jake.

— Noel para onde estamos indo?

Alison entrou em casa cambaleante sendo arrastada pelo marido.

— Uma viagem de emergência — respondeu ríspido — Jake está na creche agora?

— Sim está.

Alison pegou a bolsa um pouco perdida e colocou sobre a mesa da cozinha. Ela olhou para Noel revirando os armários da cozinha abrindo as gavetas uma após a outra deixando todas escancaradas. O sinal de nervosismo em seus olhos era aquele tom intenso de azul. Como se estivesse se afogando dentro de si. Alison saiu de onde estava e caminhou até Noel.

— Amor, o que está acontecendo? — Ali pousou a mão no ombro dele.

Ele virou para ela com seus olhos arregalados cheios de preocupação e medo. As mãos trêmulas apertavam com força a alça das gavetas. Ele se deteve quando sentiu o toque. Seu corpo estremecia de medo e arrependimento. Alison sentia o aperto aumentar a cada segundo que se passava em meio aquele silêncio. O sexto sentido berrando em seus ouvidos. Ela puxou a mão do marido para tirá-lo daquele lugar, mas ele se soltou e abaixou para abrir a última porta daquele lado do armário. De um fundo falso ele tirou um embrulho. Ao abrí-lo uma luz refletida pela luz da janela no metal brilhou lá dentro. Era uma arma. Noel ergueu o objeto frio sobre seus dedos.

Alison um passo para trás assustada.

— O que isso está fazendo na nossa casa Noel? Solte essa arma imediatamente.

Ele caminhou na direção da esposa apunhalando a arma, porém, apontando-a para o chão. Ali ia caminhando de costas a medida que ele se aproximava dela. O homem sacudiu a cabeça negando ago, mais para si mesmo do que para a loira a sua frente. Sua mãos estavam gélidas de medo e ele sentia os dedos escorregarem do gatilho.

— Eu cometi um erro, Ali. Mas não fui eu quem sequestrou ela. Eu juro que não fui eu, meu amor — sua voz tornavasse trêmula e chorosa a medida que contava o ocorrido — eu só queria proteger o Jake.

Alison esbarrou na cadeira da mesa com o coração perdido e acelerado. Por alguma razão seus olhos marejaram de imediato ao ouvir as palavras de Noel do marido. Algo apertava seu peito em uma dor e agonia incontroláveis.

— O que você fez, amor? — as únicas palavras que saíram eram doloridas e frágeis. Tão baixas como um sussurro. Um sussurro de quem talvez temesse ouvir a resposta.

As lágrimas derramaram sobre a face dele a medida que levantava a arma a altura do próprio peito. Seu nervosismo fazia o objeto sacudir em meio a mão. Ele abaixou o olhar até a arma e uma risada sarcástica saiu.

— Eu nunca tremi ao segurar uma arma na minha vida. É a primeira vez que tenho medo de perder alguém, Alison. — Ele intercalava o olhar do objeto para os olhos suplicantes da esposa.

Ali pousou as mãos no apoio da cadeira em suas costas. O aperto em seu coração aumentava, mais e mais, parecendo sufocá-la. Um bolo entalou sua garganta.

— O que você fez? — perguntou chorosa.

Ele aproximou a mão com a arma na bochecha de Alison e alisou as costas das mãos a pele macia dela. O toque fez com que ele soltasse um suspiro pesado de olhos fechados.

— Você é a razão da minha vida. Eu te amo tanto, sou capaz de qualquer coisa para protegê-la.

Isso não estava cheirando nada bem. Alison sentiu as lágrimas correrem pela sua face chegando a mão de Noel. Ela analisou sua face tensionada com medo, arrependimento, pavor, e não pode controlar o instinto de beijar os lábios dele. O homem abriu os olhos surpreso pela atitude dela e apertou Alison entre seus braços forte. As unhas delicadas dela rasparam sobre o tecido das costas da blusa dele. Aquele abraço parecia lhe reenergizar.

— Eu te amo, Alison. Me perdoa! Se for capaz algum dia, espero que me perdoe.

As lágrimas de Noel vieram a toma molhando o ombro desnudo da loira e ela não precisou perguntar outra vez. Ela já sabia que ele diria. Apenas apertou mais o abraço. O metal gelado da arma repousado sobre a parte superior de suas costas em meio ao aperto dos dois corpos. Em meio aos soluços do choro Ali ouviu as temerosas palavras saírem da boca do marido.

— Eu a entreguei, Ali — assumiu em meio a soluços.

— Não… — sussurrou baixo sentindo a dor tomar seu peito.

Ele completou:

— Entreguei a localização da Angel em troca da vida do Jake para “-A” e eu não sei o que fazer… É ela Alison… É ela… — sua voz trêmula e desesperada saia aos prantos. Ali nunca tinha visto Noel nesse estado. Nunca tão desesperado. Ele era quase feito de aço. Aquele que sempre estava de pé quando o mundo desabava. Mas agora ele era quem estava desabando. Ele estava em pedaços.

— Do que você está falando, amor? — perguntou confusa afastando-se um pouco do abraço para decifrar o olhar de Noel. Ele estava avermelhado e esfregou a mão que empunhava a arma sobre o rosto secando as lágrimas que caiam.

— Minha filha, Alison. É a minha filha que está fazendo tudo isso!

Por um momento o mundo de Alison também foi destruído e seus lábios desenharam o nome que repetia loucamente em sua cabeça.

— Sophie.

***

Foi tudo tão rápido que Angel mal conseguiu entender. Os pulsos agora além de doer também pesavam. Era como aquelas imagens dos livros de história mundial com escravos sendo transportados em navios negreiros carregando suas bolas de aço presas os pés por correntes aonde fossem. A face ardia de tanto chorar, seu peito arfava tentando captar o máximo da vida que aos poucos sentia ir se esvaindo por entre os dedos. Ela sentia mais que tudo pavor e medo do que aconteceria a partir daquele ponto. A vontade de continuar chorando a invadiu como se estivesse revivendo o momento. As meninas tinham acabado de sair da aula ha dois quarteirões da casa alugada em que estava vivendo com sua mãe e Nathaniel. Apesar de não estar feliz com a vida que tinha naquele lugar novo, mudança nunca foi um tabu para Angel. Ela teve que se acostumar com casas temporárias, poucos laços, quase nenhum vínculo afetivo verdadeiro durante a maior parte da sua infância e juventude até por acaso do destino chegar ao orfanado. Então, dando-se as circunstâncias, ela podia dizer que estava bem. Conheceu garotas legais em Boise. Camaron e Elena eram os mais divertidos, o típico casal do colégio. E por acaso aqueles com os quais Angel mais compatibilizou. Um parque de diversões havia chegado a cidade para uma temporada curta de apresentação e as meninas já tinham marcado de se encontrar na porta principal ás 16 horas. Depois de tantos imprevistos e mudanças repentinas nos últimos meses até o natal esse programa era a melhor notícia que podia receber.

Estava tão animada!

Mas essa empolgação se esvaiu no segundo em que entrou no carro de Nate e contou sobre seus planos. Ele estava ouvindo seu álbum predileto do Nickelback quando a garota puxou o sinto de segurança e prendeu junto ao carro. O volume da música foi reduzido no meio do refrão quando Nate estava performando sua melhor interpretação de Photograph.

— Nate… — chamou meio tímida.

— Ah, qual foi Angel… Aumenta isso e canta comigo garota! — disse aumentando o volume mais uma vez e dando partida no carro.

Angel abaixou mais uma vez.

— É sério, eu quero te perguntar uma coisa. Acha que minha mãe deixa eu sair com as meninas da escola? É que elas programaram um passeio para essa tarde e eu tenho certeza que vai ser incrível. Eu PRECISO ir!

Nate olhou de lado meio desacreditado.

— Cara, isso é um pouco complicado. A Spencer vai ficar paranoica se você sair a noite e ainda mais sozinha numa cidade estranha.

— Tá, mas quando a mamãe não é paranoica? — perguntou com a melhor expressão irônica que podia.

Nathaniel olhou de lado para Angel por uma fração de segundos se dividindo entre ela e a rua a sua frente.

— Ah, dá um desconto ela se preocupa com você. Tem medo que alguém possa separar vocês duas mais uma vez.

Aquele medo parecia meio surreal quando saiu da boca de Nate, mas fazia mais sentido agora. Todo aquela superproteção. O medo do desconhecido. Spencer estava mesmo escondendo muitas coisas, mas naquele momento a única reação que lhe pareceu cabível foi rir. Rir dos surtos de sua mãe cada vez que ela sumia de seu radar pessoal por mais de vinte minutos.

— Nate! — riu Angel — Semana passada eu fui na padaria de tarde comprar o nosso lanche, demorei o que? Vinte minutos? Conversando com o entregador que estava sendo simpático comigo e quando entrei em casa ela estava ligando para a polícia.

Nate estacionou o carro na calçada entre altas gargalhadas. Ele até concordou que Angel deveria sair e se distrair um pouco. Tentaram reunir argumentos que fossem convincentes o bastante, mas não deu em nada. Spencer fez um escândalo dizendo que ela não iria e “PONTO FINAL” e elas tiveram a primeira discussão séria de suas vidas.

— Por favor mãe, todas as garotas da sala vão!

— Angel, vocês nem vão ser da mesma sala no próximo ano. Elas são mais velhas que você, já estão namorando. Não posso deixá-la sair sozinha com um monte de gente desconhecida que não vai tomar conta de você.

— Mas é aqui do lado mamãe. É uma chance para eu me distrair um pouco e sair dessa casa.

Spencer levantou do sofá com o rosto tensionado de preocupação. Ela bateu as palmas das mãos nas pernas quando por-se de pé e começou a caminhar a frente de Angel.

— Não, não, isso é muito perigoso. Você é apenas uma criança, meu amor.

Angel cruzou os braços a frente do corpo e fechou a cara.

— No orfanato as freiras deixavam eu sair com os mais velhos. Sempre tive amizades assim. O Brian tem a mesma idade do Camaron, 14 anos, e eu estava sempre com ele. Dormíamos muitas vezes na mesma cama quando a irmã Cecília deixava.

Spencer parou imediatamente com o rosto esbranquiçado e os olhos arregalados.

— COMO É? — gritou espantada — QUEM É ESSE TAL DE BRIAN, ANGEL?

Angel bufou. Nathaniel segurou o riso da cozinha enquanto colocava o cachorro-quente na mesa para o almoço. As duas o fuzilaram com o olhar ao mesmo tempo.

— O que? — defendeu-se — Eu não falei nada… Podem continuar.

Spencer esfregou as palmas das mãos sobre as têmporas e voltou a sentar-se ao lado da filha segurando a mão da menina, a contra gosto, junto as suas.

— Amor, você só tem 10 anos. Deveria estar brincando de boneca por essa casa com meninas da sua idade ou pulando corda e não pensando em sair com pré-adolescentes num parque de diversões. Se quiser eu posso te levar com o tio Nate. Vai ser tão legal quanto.

— Eu não quero ir com vocês, quero ir com eles… Porque… — a menina fez uma pausa.

Sua mãe mal sabia do motivo verdadeiro por trás dessa vontade toda de ir sozinha para o parque, e Angel não iria contar. Talvez Toby acertasse em cheio. Seu pai saberia que tem algo a mais nesse passeio pelo jeito como seus olhos brilhavam ao falar. Mas não Spencer. Ela não a conhecia o suficiente para isso.

— Por que não quer ir conosco? Podemos ir no fim de semana.

— Eu gosto da companhia de pessoas mais velhas. Elas sempre me ensinaram a sobreviver. Se não fosse por esses conhecimentos compartilhados talvez nem estaria mais aqui para contar história.

Spencer olhou séria para a filha, meneando a cabeça negativamente.

— Você não deveria apressar sua infância assim… Vai ter muito tempo para viver cada pequena etapa agora que eu estou com você, amor. — Spencer estendeu a mão para tocar a bochecha de Angel, mas a menina levantou antes que conseguisse completar o caminho.

— Eu também não deveria ter crescido achando que minha mãe me odiava, mas adivinha… Tcharam… Isso aconteceu e ninguém pode mudar isso.

O som da porta batendo foi a última coisa que Spencer ouviu naquela noite. Nathaniel chamou com os cachorros-quentes, tentou bater para conversar, mas Spencer nem sequer abriu a boca. Ela não pronunciou uma só palavra até o fim da tarde e quando deu a hora marcada Angel fez exatamente o que ela sabia que sua mãe já imaginava. Ela pulou a janela e saiu de casa pela escada de incêndio. O caminho para o parque pareceu um sinal de liberdade. Angel estava tão empolgada que nem percebeu se alguém a seguia. O grupo de sete garotas e três garotos, que acompanhavam as respectivas namoradas, estava bem ali na entrada do parque bloqueando passagem. Quando elas viram Angel foram a loucura. Estavam em êxtase para ir em todos os brinquedos. Spencer estava errada sobre suas amigas. Elas não eram maldosas, queriam se divertir tanto quanto ela, não havia mal algum em brincar um pouco. Ela também se influenciava com a possibilidade de esquecer a saudade que sentia de Toby e saber mais sobre Brian. Por acaso, só por acaso, o namorado de uma das meninas que foram ao passeio conhecia Brian do orfanato das carmelitas. Um dos primeiros locais onde o menino havia ficado antes de ser mandado para o seminário. Angel tinha escutado algumas histórias de Brian sobre como foi engraçado sua estadia naquele orfanato, mas nunca com tantos detalhes. Logan era um garoto muito rico. Daqueles que sempre teve do bom e do melhor, mas que era obrigado a participar das atividades sócio-educativas dos negócios do pai. E foi numa dessas que conheceu o menino bagunceiro. Angel se distraiu tanto com as histórias que nem notou quando se afastaram da multidão. Logan perguntou se queria comer algo com ele e Lisa depois do colégio, e quem sabe, visitarem juntos o local. É óbvio que ela queria. Tinha ido a esse passeio só para tentar saber mais sobre Brian. Sobre como encontrá-lo ou no mínimo mandar o recado de que ela sentia sua falta. Esse contato era a única esperança dela e não poderia deixar passar batido porque alguém não concordou. Mesmo esse alguém sendo sua mãe. Quando foram comprar ingressos para a montanha russa Lisa entraram em uma viela cheia de terra e barracas de lona. Palhaços passavam com caixotes cheios de balões e guloseimas. As cores dos brinquedos se misturavam em meio as pessoas. O som das risadas das crianças, os gritos vindos da adrenalina, o murmúrio das imitações dos mascotes do parque com seus pesadas vestes de urso polar de regata vermelha. Lisa pediu um refrigerante para Logan e ele pediu que Angel esperasse onde estava enquanto eles compravam a bebida. Ela não ia sair do lugar marcado, mas estava começando a ficar tão apertada que a vontade de fazer xixi a venceu. Eram apenas alguns passos até o corredor estreito que dava para o banheiro, não podia dar nada errado podia? Seu peito apertou de imediato. Era seu sexto sentido gritando. Apelando para que mudasse de ideia e não fizesse aquela burrice. A segunda burrice na mesma noite, mas lá foi ela. Caminhando em direção aquela viela escura. Foi só o tempo de sumir da visão de todos e avistar o letreiro destacado em forma cursiva vermelho neon “DAMAS” e já era. Alguém veio por trás. Não dava para saber quem, apenas sentiu uma mão forte tapando sua boca com um pano molhado. O cheiro enjoativo entrou como uma bala por seus pulmões ardendo todas as artérias. Os pulmões pareciam inflar no peito e a palpitação no coração fez com que as luzes ao redor parecessem embaçadas. Angel foi arrastada para trás. O céu escuro, de repente, pareceu tomar conta de toda a festa. Ela simplesmente apagou. De nada adiantaram seus esforços para se debater e gritar. Não tinha forças para tal. A última coisa que pode notar foi a voz. Aquela voz feminina dizendo:

— Se quer algo bem feito, faça você mesma.

Sua consciência se esvaiu em meio a mistura do negro do céu com o colorido do parque. Angel acabava de ser sequestrada. Justamente na primeira briga com sua mãe. Isso não podia estar acontecendo.



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