História Loucamente SUA - Capítulo 56


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 11
Palavras 6.649
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 56 - Seja forte, meu amor


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 56 - Seja forte, meu amor

Alison escancarou as portas da Empreiteira dos Cavanaugh e correu em direção a sala de Toby como um furacão. Maria levantou de sua mesa e se pôs na frente da loira. Ela estava com pressa demais para dar explicações, precisava falar com Toby e precisava ser naquela hora. Ela tentou forçar passagem, mas a mulher não cedeu mantendo-se entre Alison e grande porta de madeira fechada.

— Saia da minha frente, eu não tenho tempo para anúncios formais.

A loira rolou os olhos e tentou furar passagem pela direira. Maria tentou segurá-la.

— O senhor Cavanaugh está em reunião nesse momento — ofegou a mulher apressando-se em manter a passagem bloqueada com o próprio corpo.

Maria tentou afastar Alison, mas ela foi mais esperta e aproveitou a deixa para desviar por baixo dos braços dela e abrir a maçaneta. Maria esbugalhou os olhos de susto de imediato e puxou a mulher pelos pulsos. A sala de reuniões parou num rompante quando ouviram o barulho das portas sendo arrombadas. Maria tentava arrastar Alison de volta para a sala de espera pedindo perdão com a face esbranquiçada. Toby levantou da cadeira assustado junto aos demais empresários presentes. Eles olhavam sem entender para a cena que se formava dirigindo olhares de reprovação para Cavanaugh. Maria tentou se explicar inúmeras vezes, mas não conseguia já que Alison a interrompia suplicando para que ele a escutasse.

— Toby é muito importante por favor! — Pediu Alison se debatendo.

— A senhora tem que sair daqui agora — alertou a secretária puxando-a para fora com o máximo de força que possuia.

— Tire suas mãos — berrou.

Despertando do choque inicial Toby caminhou até onde a amiga estava ordenando para que Maria a deixasse passar. A mulher pareceu confusa, mas acabou acatando a ordem e se retirando da sala. Os empresários engravatados animaram-se com a presença de Alison na sala. Ela virou para a secretária com seu melhor olhar superior e ajeitou o vestido amarrotado pela luta. Seu pequeno nariz arrebitado complementou a leve sacudida nos ombros. Toby estava visivelmente assustado com a presença repentina de Ali em seu escritório. Ele se aproximou dela colocando a mão sobre seu ombro direito e virando o corpo da garota no sentido contrário ao dos homens na sala.

— Senhores, perdão, me deem um momento para resolver um problema pessoal. Regresso em alguns minutos — disse antes de sair da sala e encostar a porta.

Os dois caminharam lado a lado em silêncio até ter certeza de que a porta estava mesmo fechada. Toby conferiu a tranca e depois a distância entre eles e Maria. Ok. Não daria para ela escutar nem se tivesse audição supersônica. Os olhos azuis dele encostraram os de Alison e ele segurou as delicadas mãos dela entre as suas.

— O que houve?

A loira tomou grandes quantidades de ar de uma vez para os pulmões, sentia como se o mundo estivesse caindo sobre sua cabeça e faltavam poucos minutos para salvar o máximo que pudesse.

— Toby, você precisa ir comigo para Boise agora mesmo. É urgente! Um desastre está prestes a acontecer. Temos que encontrar a Spencer e a Angel antes que a Sophie as encontre.

— Como é? A Sophie está em Boise com a Spencer?

Ele parecia ficar mais confuso a medida que Ali jogava as informações de uma só vez a sua frente. Ali sacudiu a cabeça de leve.

— Não, não! — gritou puxando as mãos das dele — A Angel está em perigo, Toby. Perigo de vida. Sophie está trabalhando para “-A” e Noel entregou a localização da sua filha para ela. Temos que chegar lá o mais rápido possível antes que seja tarde.

Toby jogou as mãos na cabeça apertando os fios em punhados. Isso não podia ser verdade. Ele se permitiu fitar o chão por segundos antes de tentar assimilar o que poderia estar acontecendo.

— O que você usou Alison? A minha sobrinha é só uma menina não seria capaz de planejar algo desse porte.

Ele não aceitaria tão fácil, Ali tinha medo dessa reação. Não se permitiria acreditar que seu “bebê” era uma infeliz sem caráter. Toby começou a andar em círculos em meio a sala de espera. Os presentes começaram a olhar de lado e cochichar pelos cantos tecendo comentários maldosos. Com certeza diriam na manha seguinte que Alison e Toby estavam tendo uma discussão amorosa em público para qualquer um ver.

— Toby nós não temos tempo para isso, por favor. A Angel pode estar correndo perigo de vida nesse momento.

Ele parou e deu um riso sem ânimo.

— Você interrompeu uma reunião importantíssima para dizer que a minha sobrinha que eu vi nascer é a psicopata que anda atormentando a minha vida e a da Spencer? Só pode estar ficando maluca mesmo. Onde está o Noel? O que você tomou antes de vir para cá Alison?

A loira chegou mais perto de Toby e juntou as mãos a frente do peito ao suplicar:

— Acredite em mim Toby, por favor. Pelo amor que você tem pela sua filha e por Angel. Precisa acreditar na minha palavra.

Toby meneou a cabeça negativamente.

— Volte para casa Alison, quando sair da reunião passo lá para ver como está. E por favor. Pare de espalhar essas mentiras! Alguém pode acabar acreditando em você e sabe como uma fofoca pode destruir a vida de um jovem nessa cidade.

Ele virou de costas para a garota e voltou a entrar na sala de reuniões.

— Mas Toby, estou falando a verdade — insistiu a loira.

Ele virou mais uma vez para Alison e a puxou para um abraço.

— Eu prometo que conversaremos sobre o que quiser mais tarde, mas agora apenas descanse e vá para casa. Você está grávida! Não pode ficar se estressando desse jeito. Pode fazer mal ao bebê. — Os lábios dele tocaram primeiro as mãos dela e depois o topo da testa.

— Toby — choramingou Ali sentindo as lágrimas escorrerem por sua bochecha — Por favor eu preciso da sua ajuda.

O sorriso dele se tornou carinhoso no momento em que passou os dedos pelas bochechas avermelhadas e quentinhas dela. O carinho permaneceu no local e depois escorregou até os largos cachos.

— Eu vou estar lá para você, mas não agora. Sophie é apenas uma criança, o que ela poderia fazer de tão sério. Não se preocupe com isso. Já sei onde Spencer está e irei atrás dela assim que conseguir salvar minha pele.

Ali fez um bico ameaçando começar a chorar. Ele estava irredutível quanto a possibilidade de precisar se preocupar com a sobrinha. Como podia ser tão cego? Como? A garota apertou a mão de Toby numa luta interna entre desistir de convencê-lo e insistir com todas as suas forças. Mas provavelmente perderia tempo demais tentando convencê-lo de que tinha razão. Que Noel estava mesmo falando a verdade sobre suas suspeitas. Ela precisava agir rápido, pensar rápido.

— Espera… — Toby voltou-se para Ali assim que a ouviu chamá-lo — Salvar sua pele de que?

Era provável que ele nem ao menos tivesse notado que havia soltado essa informação, dada a cor pálida que tomou conta de sua face. Toby desviou o olhar para os lados e reduziu seu tom de voz a um sussurro para responder a pergunta.

— Estou muito ferrado, Alison. MUITO! — sussurrou.

— Muito quanto? — cochichou já com medo da resposta. Se algo acontecesse a Toby para quem ela gritaria quando precisasse? Como poderia ajudar seus amigos e sua afilhada? Um frio tomou conta do estômago de Alison.

— Se nada for esclarecido hoje, posso ser preso.

Todo o chão estremeceu sob os pés de Ali. Era esse o plano de “-A”. Ela também estava jogando com Toby, mantendo-o longe para que pudesse por seus planos em prática sem contratempos. A porta de madeira se fechou novamente deixando um vazio doloroso no ar.

— Preso?

A pergunta estava tão entalada em sua garganta que teve dificuldades para pronunciá-la. Permaneceu parada encarando aquela porta por segundos que mais lhe pareceram horas até ouvir o reboliço começar. A voz de Toby exaltada sobre as demais, sirenes alarmando pela rua até parar de frente para a empreiteira e de repente um grupo de policiais armados invadindo a sala de reunião e saindo com Toby algemado. Maria desesperada começou a gritar “senhor Cavanaugh” repetidas vezes. Parecia um pesadelo daqueles que não dá para despertar. Dois policiais grandes empurraram Alison para o canto e passaram arrastando Toby porta afora. Ele fazia força contrária a dos gigantes que o carregavam gritando. Do lado de fora da empresa um grupo enorme de curiosos se formou em pouquíssimo tempo. Todos queriam assistir a cena, era uma novidade para a pequena cidadezinha onde nunca nada acontecia as claras. Rosewood sempre teve sua dose de mistérios, mas sempre debaixo dos panos. Alison tentou seguir Toby a medida que ele era carregado para o carro da polícia estacionado na porta.

— Eu não fiz nada! Me soltem… Eu não sou responsável pela morte daqueles operários. Pelo amor de Deus. — gritava desesperado — Alison!!!! ALISON, eu não fiz nada.

Alison chorava copiosamente enquanto corria tentando passar pelas pessoas amontoadas. Idosos, crianças, lojistas das redondezas e até estranhos. As buzinas tocavam por causa das ruas engarrafadas. Engarrafamento. Algo nunca visto por aquela região. Afinal, os cidadãos ricos de Rosewood preferiam fazer caminhadas saudáveis até seus trabalhos do que poluir o ambiente. A questão ética e ambiental sempre foi requisito de status para a sobrevivência da elite. Agora, no entanto, parecia bastante divertido ver o “encrenqueiro” ser preso. Sussurro de “justiça seja feita”, “já era hora”, “esse homem é sinônimo de problema” eram cochichados pelas bocas venenosas dos vizinhos. Dois policiais seguraram os braços de Toby e o jogaram no banco de trás. Ele se debateu e tentou soltar-se até o último momento aclamando sua inocência. Alison não conseguia parar de chorar. Sentia-se encurralada e perdida. Noel surgiu em meio a multidão no momento em que os carros ligaram suas sirenes e partiram em direção a cidade vizinha. Os braços protetores dele acolheram o corpo delgado da loira e ela desabou.

— Isso foi armado, foi tudo armado — dizia com a voz embargada. As lágrimas encharcaram a camiseta amarela de Noel Kahn.

— Tenho certeza que sim, meu amor.

— O que faremos agora sem ele, Noel? O que eu farei?

O tumulto demorou a se esvair as fofocas correram rápido e logo o celular de Alison estava tocando desesperadamente. Emily, Hanna e até mesmo Aria ligou para saber o que aconteceu. Ali explicou o pouco que sabia que chegou no escritório para contar sobre o perigo que Spencer e Angel estavam passando e acabou chegando na hora do mandato de prisão. Aria não pretendia voltar a cidade até o final de sua gravidez, porém, de acordo com as circunstâncias ela estava voltando imediatamente. Emily foi ligar para Jenna e logo depois encontraria com Ali e Noel na delegacia. Se queriam ter alguma chance de salvar Toby e ainda encontrar Angel viva teriam que agir rápido. Hanna e Caleb ficaram responsáveis por encontrar Spencer. Eles pegaram o endereço do salão com Alison por segurança caso não conseguissem encontrá-la no apartamento. Em meio a toda agonia apenas uma verdade pareciar estar mais do que óbvia. Se Toby fosse mesmo preso, acusado de ser responsável pela morte dos operários, significava que Angel estava em perigo e o envolvimento da polícia com o caso poderia fazer “-A” se antecipar com seus planos seja lá quais fossem.


***

Spencer se revirou na cadeira desconfortável do salão vazio pela quinta vez nos últimos dois minutos. O cheio do café forte que borbulhava na máquina sobre a bancada para os clientes entrava pelas suas narinas e trazia a pior sensação de náusea que já sentira desde o dia em que encontrou os sapatinhos de Angel cheios de sangue. Parecia que suas entranhas estavam dando um nó dentro do estômago. Ela curvou-se sobre a cadeira apertando os braços ao redor do corpo, na tentativa inútil de fazer o mal estar passar. O que estava acontecendo com ela? Sentia um aperto no peito e uma angústia crescente que não tinha explicação. O salão estava bastante vazio para uma manhã de sábado e ela agradecia aos céus por isso, pois, não estava em condição de prestar atenção no trabalho. A gerente atravessou o salão com seus saltos agulhas vermelhos carregando uma sacola de produtos para por nas prateleiras. Ela lhe direcionou um olhar confuso ao cruzar o caminho.

— Você está se sentindo bem? — gesticulou a mulher parecendo preocupada.

Spencer se esforçou para dar um sorriso convincente.

— Sim — grunhiu.

Bem era a última classificação possível para descrever o que ela estava sentindo, ainda assim, não queria demonstrar mal estar em seu primeiro mês de serviço. Precisava manter aquele emprego pelo bem dela e de Angel. Por mais que Nathaniel estivesse sendo um amor com as duas, ele tinha sua própria família e mais cedo ou mais tarde Helen o procuraria. Spencer levantou da cabeira e se arrastou até a gaveta de sua penteadeira branca. Quando recebeu aquele lugar lembrava de ter encontrado diversos tipos tralhas nas gavetas. Conjuntos de linha e agulha, cola plástica, botões de cores diferentes, um chiclete, um chaveiro com uma miniatura do Robyn, de Jovens Titãs, e um remédio em cápsula daqueles que se compra por unidade nas farmácias. Se tivesse um pouco de sorte o remédio para dor de cabeça resolveria seus problemas sem que precisasse se ausentar do posto pelo resto do dia. Spencer vasculhou o pequeno espaço com a ponta dos dedos tentando achar algo que parecesse com o remédio. Ela tocou uma superfície quadrada e puxou. Era mesmo o medicamento, e para sua sorte estava há poucas semanas de passar da validade. Sua cabeça continuou doendo mesmo duas horas depois de tomar o remédio. Spencer não conseguia ficar parada, caminhava de um lado para o outro e ficava olhando a hora direto. Um grupo de mulheres entrou no salão lá pelo fim da tarde se preparando para um casamento e os momentos de folga acabaram. Ela pegou uma cliente depois da outra. Alisamentos, tintura em degradê com cores, penteado e até cortes exóticos. Seu coração apertado martelava no peito cada vez mais forte e ela olhava de esgueira para o celular sobre a penteadeira morrendo de vontade de pegá-lo e mandar uma mensagem para Nate. Se certificar de que ele e sua filha estavam bem, mas não podia. Cada vez que olhava para o caixa via os olhos amendoados de coruja da gerente seguindo cada passo dela. Aquela mulher estava doida para ter um motivo para expulsá-la do salão. Boatos circulavam que a última cabeleireira que trabalhou naquele mesmo posto onde Spencer estava tinha sido demitida por atender o celular durante uma aplicação de alisamento. A cliente nem tinha ficado careca ou coisa parecida, apenas sentiu uma irritação maior na vista. Spencer apertou os dedos em volta do cabo de sua escova térmica de cerâmica amarela Marco Boni e a passou pelos fios recém escovados da jovem.

— Está pronto — disse forçando um sorriso gentil — Seu coração estava tão apertado que parecia querer explodir a qualquer segundo.

— Quanto te devo? Ficou incrível, Spencer. Muito obrigada! — ela se levantou e deu pequenos girinhos no rosto apalpando os fios com dos dedos.

— São duzentos reais o corte mais a escova.

Ela direcionou a cliente até o caixa e fechou o pagamento prometendo voltar para fazer algo especial para o seu aniversário que seria no próximo fim de semana. Spencer pegou o panfleto que estava sobre o balcão entre os dedos e observou a chamada publicitária. Era um convite para o parque que chegou à cidade, Angel veio logo a sua mente. Será que ela tinha sido muito dura com a filha ao proibi-la de ir sozinha com as amigas do colégio ao parque? Afinal, o que de mal poderia acontecer em um passeio inocente? O ar saiu pesado de seus pulmões pelas narinas. Na noite anterior não tinha conseguido reagir perante a briga que se formou. Sabia que estava tomando aquela decisão para o bem de Angelique, mas como explicar isso a uma criança de dez anos? Ela nem sequer sabia mais se a filha tinha noção do quanto ela a amava. Spencer não sabia o que fazer, estava arrependida e ao mesmo tempo mais segura do que nunca de que não poderia permitir que uma menina tão jovem ficasse andando sem um responsável por aí. Talvez a transição entre o orfanato e uma vida em família fosse mais difícil do que ela imaginava. Pelo menos, parecia estar sendo tão tranquilo quando estavam em Rosewood. Mas em Rosewood havia a presença especial de um certo verme inútil para ajudar… Toby. Ele e Angel estavam se dando tão bem. Spencer amassou o panfleto em sua mão e jogou para a lixeira que ficava aberta próxima a porta principal. A bolinha quicou na beira e saltou para fora.

— Spencer, tem mais algum cabelo marcado para hoje? — A voz da gerente fez Spencer dar um pequeno salto para corrigir a postura. Ela olhou para o relógio da parede atrás do caixa, ainda marcavam 16 horas.

— Tenho, duas. Um corte infantil às 16h30 e uma coloração ás 17 horas que provavelmente vai durar até o fechamento da loja.

O desânimo mais evidente na voz do que ela gostaria. Camilla, a gerente, a olhou de lado fazendo um bico com os lábios. Ela jogou o peso do corpo da perna esquerda para a direita, depois, começou a esboçar o que parecia ser um sorriso gentil.

— Vá para casa, eu termino seu expediente…

— Como é? — perguntou assustada voltando a atenção de repente para a mulher a sua frente. Desde quando Camilla se importava com as funcionárias? Pelo que Spencer se lembrava, ela passava a maior parte do tempo tentando fazer da vida delas um inferno um pouco maior. Spence colocou a escova sobre a penteadeira e piscou algumas vezes tentando assimilar o que tinha acabado de acontecer.

— Sim — repetiu. Ela caminhou até a porta e abriu. Uma cliente que se aproximava abriu um sorriso enorme e entrou falante indo até uma das cabeleireiras. — Vi que está preocupada com algo e parece ser sério, então, vá para casa. Procure estar melhor para amanhã cedo.

Um alívio atravessou as veias de Spencer e liberou um alívio sem explicação. Seus olhos se fecharam e, de repente, todos os pontos tensos de seu corpo desarmaram de uma só vez. No impulso Spencer caminhou até Camilla e lhe deu um abraço de agradecimento. Houve um momento de silêncio no local acompanhado por olhares de estranhamento das colegas de trabalho. Camilla segurou o riso e deu dois tapinhas nos ombros dela.

— Não se empolgue, eu não costumo ser tão legal… Estou de bom humor hoje — exclamou brincalhona.

Spencer correu para sair de lá antes que mudasse de ideia e a mandasse ficar para fazer a coloração trabalhosa das mexas da última cliente. Pegou a bolsa que estava sobre o armário das funcionárias e correu porta afora com o celular nas mãos. Atravessou a rua correndo e apertou o número 5 da discagem rápida que ligava direto para Nathaniel assim que chegou ao ponto de ônibus. Chamou até cair na caixa postal.

— Não, não, atende logo Nate!!!

Ela discou novamente pressionando o número 5. Três toques sem resposta e no quarto foi parar na caixa postal novamente. O ônibus veio se aproximando do ponto e duas senhoras que pareciam ter seus 75 anos, com muletas desgastadas de metal e couro, sinalizaram. Spencer olhou para o aparelho sentindo o desespero voltar a se espalhar por suas entranhas. Ela quase perdeu o transporte olhando perdida para a mensagem “ligação ocupada” na tela do aparelho. Correu dando tapas na lataria do ônibus e o motorista, por sorte, parou no meio da rua e abriu a porta. Spencer continuou ligando, mas a ligação sempre dava ocupado e depois de um tempo começou a dar “desligado”. Ela tacou o celular com raiva dentro da bolsa.

— Que merda!!! Por que nunca consigo falar com ele quando preciso? — gritou enfurecida.

Uma das senhoras que entrou antes de Spencer se inclinou na cadeira ao lado chamando sua atenção.

— Marido é assim mesmo, querida. — Falou a senhora se apoiando na bengala. — Já tem filhos?

Spencer olhou para a senhora. Ela tinha certeza que estava amarela ou extremamente pálida, pelo suor frio que lhe corria a nuca. O sorriso amarelo foi a primeira expressão de seu rosto seguido pela resposta direta:

— Uma só… Filha.

— Não consegue falar com o marido? Está preocupada com a sua filha?

Spencer soltou o ar pela boca extremamente tensa e voltou a buscar o celular dentro da bolsa. Talvez Angel ainda estivesse nas aulas extracurriculares. Se falasse com ela, ao menos uma parte da angústia passaria. Tinha que passar. Ela discou o número do colégio e esperou que atendessem. No segundo toque a secretária respondeu.

— Colégio Magestic High, Laura, em que posso ajudar?

— Graças a Deus alguém me atendeu. Laura, meu nome é Spencer Hastings. Sou mãe da Angelique. Poderia falar coma minha filha um segundinho?

— Angelique… Angelique… — os sons do teclado de um computador soaram ao telefone. Um silêncio se instalou por uns segundos antes da mulher voltar a falar — Senhora, sua filha falou a aula de hoje.

O chão de Spencer caiu, o mundo desmoronou em suas costas, era a sensação mais desesperadora que já passou na vida. Seus dedos trêmulos apertaram as laterais do aparelho e sua voz sibilou um fraco “obrigada” antes de desligar. A voz da senhora ao seu lado a chamava preocupada, mas nada mais fazia sentido naquele momento. Angel… Angel estava em perigo. Só podia estar acontecendo algum desastre. Senão, por qual motivo Nathaniel não atenderia o telefone?

— Você está bem? Menina… Você está passando mal? — a voz fraca da senhora idosa chamou sua atenção. O ônibus deu uma reduzida na velocidade e pareceu entrar em um grande engarrafamento. Curiosos levantavam e esticavam seus pescoços para saber o que estava acontecendo, mas Spencer não tinha se interessado até notar que estavam próximos de sua casa. Faltava apenas uma quadra e uma fileira extensa de carros se formava a frente. O motorista começou a fofocar com a cobradora sobre a razão do engarrafamento fora de hora. Não estavam na hora do rush ainda. Spencer estava com um péssimo pressentimento sobre isso e seu coração foi reduzido a migalhas quando prestou atenção no que a cobradora falou. Ela tinha acabado de ligar para outro amigo da mesma linha para saber dos motivos do trânsito e estava repassando a informação para o motorista.

— Parece que a polícia fechou a rua da próxima quadra para investigar o desaparecimento de uma criança. Está tudo parado até passar da barreira de proteção…

— Angel! — gritou Spencer.

Ninguém entendeu nada. Spencer levantou depressa pegando a bolsa nas mãos de qualquer forma e gritando para o motorista abrir a porta. Um alarme soava estourando em seus tímpanos de medo. Um medo arrebatador. Ela correu a quadra que a separava de sua casa improvisada como se sua vida dependesse disso e parece ter demorado horas. A visão da confusão na calçada foi a confirmação pavorosa da versão que escutou no ônibus. Carros de polícia se espalhavam pela calçada com suas luzes vermelhas e azuis ligadas iluminando a multidão de curiosos ao redor. Uma faixa amarela separava a entrada da casa do acesso das demais pessoas e cinco policiais rondavam o jardim, a garagem e lateral da casa. Um homem de calça de linho preta extremamente bem passada e blusa social azul claro, com as mangas dobradas até os cotovelos, conversava com Nathaniel na parte de dentro da faixa de segurança. Os cabelos penteados com excesso de gel deixavam a feição dura do homem ainda mais impassível. Ele observava o desespero de Nathaniel com as mãos na cabeça meneando positivamente a face com expressão de quem pouco se importava com a dor do homem a sua frente. Nate, por sua vez, estava de samba canção sem camisa e de chinelos e seus olhos estavam tão vermelhos que qualquer estranho diria que ele havia usado drogas. Spencer sabia que não era isso. Era choro. Ele tinha chorado desesperadamente da mesma forma com que Spencer queria chorar agora. Ela saiu correndo em meio as pessoas sentindo as lágrimas correrem pela sua face. Um policial a segurou assim que tentou invadir a faixa de segurança e foi nessa hora que toda a dor e angústia que estava em seu peito fizeram sentido.

— Minha filha! — gritou se debatendo nas mãos do homem forte que a arrastava para trás. O choro veio como um tiro em seu peito e o pavor a invadiu. Nate olhou na hora em que ouviu o choro descompassado de Spence. Ele deixou o delegado falando sozinho e correu até onde ela estava.

— Por favor, solta. Solta ela. É minha esposa!

O policial parou e encarou o delegado ao longe. Ele deu um sinal com a cabeça para que soltasse a mulher e ele imediatamente afrouxou o aperto dando passagem. Spencer correu aos prantos para Nathaniel. Ele começou a chorar na hora em que acolheu a mulher entre seus braços.

— Spencer — disse com dificuldade — Me perdoa, eu não sei o que aconteceu...

O corpo dele tremia enquanto falava, parecia que iria passar mal a qualquer segundo. Spencer enfiou a face no vão entre o pescoço e o ombro de Nate sem querer acreditar que isso estava mesmo acontecendo. O choro saia sem que ela pudesse controlar e um buraco sem tamanho se instalava em seu peito. Era como se tivessem lhe arrancado um dos pulmões. O ar não passava.

— O… O que… — tentou dizer com a voz embargada.

O delegado se aproximou dos dois em passos lentos. Nate viu e delicadamente pôs Spencer ao lado de seu corpo de forma protetora. A mão apertando a cintura dela que chorava em seu ombro.

— Sinto interromper o momento de dor de vocês, mas receio que terão que nos acompanhar até a delegacia para fazer alguns depoimentos.

A voz impassível dele fez Spencer levantar a cabeça e virar para frente saindo dos braços de Nathaniel.

— Eu vou… — prontificou-se Nate.

Ele buscou a mão de Spencer e apertou os dedos dela entre os seus com convicção e segurança. Spencer estremeceu com a atitude dele e retribuiu o aperto. Seu peito doía, a cabeça rodava. Ela não tinha condição nenhuma de tomar atitudes de decisões naquele momento. Sentia-se perdida e apavorada. “-A” conseguiu novamente. Conseguiu tirar a parte mais importante e especial dela, da vida dela, a força. O choro subiu pela garganta de Spencer rasgando. Os policiais se afastaram e retornaram para suas patrulhas seguindo as ordens de seu superior maior. Três detetives, dois homens e uma mulher ficaram no local averiguando pistas de onde Angel poderia estar. Nate sustentou o olhar de Spencer. Ela parecia tão frágil nesse momento, tão perdida. Ele virou de frente para ela e deixou que sua mão acariciasse a face dela.

— Me perdoa, meu amor. Eu deveria ter sido mais atento, ter me ligado que tinha algo estava errado…

Spencer meneou a cabeça negativamente.

— “-A” fez isso… Eu tenho certeza — ela levantou a mão repousando-a sobre a de Nathaniel. Lágrimas ainda corriam sem parar pela face dela. Ele se aproximou um pouco mais dela, podia sentir sua respiração tão descompassada quanto a dela. Ele também estava apavorado, com medo, mas preferia dar algum conforto a ela ao invés de desesperar-se.

— Eu juro que vou encontrá-la, Spencer.

A certeza no olhar dele era tão grande e intensa que fez o coração de Spencer palpitar. Ele acariciou o rosto dela secando suas lágrimas uma por uma até que não sobrara nenhuma. Depois, desenhou as laterais da face dela com a outra mão e depositou um beijo quase como um sussurro na bochecha dela. As sirenes soaram e todos os carros saíram em direção a delegacia. Apenas um ficou parado na calçada com a porta aberta esperando pelos dois. O delegado segurou a porta.

— Vamos lá? — Perguntou.

Nathaniel esperou que Spencer respirasse e lhe sinalizasse que estava pronta para entrar no carro da polícia, só depois segurou forte sua mão e a conduziu até o banco de trás. Ela entrou na frente e ele logo depois. O delegado estava no lugar do carona e um cabo ficou responsável pelo volante. O cheiro fétido de sujeira e suor fazia Spencer imaginar em que lugar asqueroso sua filha estaria naquele momento. Havia pedaços de chicletes grudados na parte de trás do banco do motorista e uma garrafa de água velha rolando do chão junto a pedaços de pano rasgado e areia. Ela encolheu os pés e resmungou baixo sentindo-se enjoada. O barulho do aço das algemas penduradas na lateral da porta ressoava a cada curva que davam. Será que tinham algemado Angel? Torturado ela? Spencer queria morrer ou poder trocar de lugar com sua pequena. Aceitaria tudo contanto que não encostassem em seu anjinho. Ela virou a cabeça de lado para Nate com os lábios trêmulos. Ele não respondeu alto, apenas desenhou as palavras com os lábios acariciando os cabelos de Spencer. Em sua boca Spencer pode ler:

— Seja forte.


***

Angel sentia o chão irregular se formando aos tropeços de seus pés a medida que era empurrada para frente por mãos grandes que pareciam pertencer a um homem adulto que nunca se pronunciava. Ela podia sentir a presença de mais pessoas durante o trajeto que fizeram. Pessoas que a observaram enquanto era engolida por seus soluços de desespero. O carro sacudia violento e sua cabeça estava estrategicamente apoiada na pior parte daquela mala fedorenta. Numa quina na qual batia a cada minuto. O choro deixou sua face quente e o pulmão ofegante, o que fazia com que a venda em seu rosto dificultasse ainda mais sua respiração. O desespero aos poucos ia tomando conta de seu corpo. As lágrimas corriam pela face salgando sua boca aberta na tentativa de captar mais oxigênio.

 

“Não, não, isso não pode estar acontecendo comigo”, pensou alvoroçada.


Outra sacudida no carro e sua cabeça mais uma vez bate na mesma quina. O choro saiu junto com o grunhido mental de dor. Havia um pedaço gigante de pano enfiado de qualquer jeito em sua boca evitando que conseguisse falar. É claro que eles não queriam ouvir o desespero dela, isso era óbvio, mas por dentro ela tremia entre soluços que sacudiam seu corpo frágil. A mente estava tão nublada de pensamentos e sensações que mal conseguia raciocinar.

 

“Eu quero o meu pai!”

 

“PAAAI, me tira daqui por favor”


O choro começava a acumular no peito e os pulsos a doerem. As cordas estavam cortado seus pulsos e queimando por onde roçavam com a força que a menina fazia para tentar se soltar em vão. A estrada parecia não ter fim em meio a escuridão daquela mala. Mas a pergunta que não parava de martelar era por que alguém faria isso com ela. Será que tinha feito algo errado? Chateado alguma pessoa sem perceber? Mas que tipo de doente machucaria ela por algo que fez sem notar? Isso não podia acontecer. Não com ela, porquê? As pernas dobradas em posição de feto começavam a doer também. Tinha perdido a noção de quanto tempo passou naquele local desconfortável. O carro estava percorrendo uma grande distância o suficiente para sair da cidade, ou apenas poderia ser apenas sua percepção equivocada em meio ao medo que sentia correndo suas veias.

 

“Brian”

 

“O Brian não pode me proteger agora. Não pode me salvar como das outras vezes.”


A menina abriu a boca e sugou o máximo de ar que podia. Sentia a vida se esvaindo entre seus dedos. Começava a sentir falta de ar. Queria sair desesperadamente daquela situação. Escapar daquele pesadelo, pedir desculpas a sua mãe. Spencer. Será que ela já sabia que isso podia acontecer antes e por essa razão não queria que ela saísse do colégio sozinha com as outras meninas? Pela primeira vez desde que retornou para sua família verdadeira Angel se sentia sozinha e desprotegida. Quem eram aquelas pessoas? Quais segredos Spencer e Toby poderiam estar escondendo dela? Angel tinha vivido a vida toda desde de que se entende por gente com as freiras e Brian. Irmã Cecília, a Madre, suas amigas do colégio. Elas sim eram pessoas que ela conhecia bem. Se Spencer fosse uma assassina e Toby um maníaco ela nunca saberia. Estava começando a se sentir mais amedrontada. Angel não conhecia o passado de seus pais. Não sabia porque a haviam abandonado. Por que SPENCER a havia abandonado. Toby nunca soube da existência do bebê, ele tinha contado a ela no do festival quando ela ouviu pela primeira vez o nome da mãe. Mas Spencer… Spencer nunca disse nada. Nunca se pronunciou sobre o ocorrido. Como um passado que ela não quer se lembrar de decidiu apagar para poder recomeçar.

 

“Será essa a consequência do passado dela?”

 

“Eu sou o passado problemático da minha mãe? Aquele que ela não quer falar?”


Uma estranha melancolia abateu Angel no mesmo instante em que o carro, finalmente, freou. Seus olhos se arregalaram num misto de medo, ansiedade, terror e curiosidade. Passos ecoaram ocos e lentos no trajeto até o carro. As galochas pretas rastejando pela brecha entre uma roda e outra do veículo até chegar ao porta-malas. Luvas de couro grossas apertam a trava e abrem a de uma só vez fazendo Angel virar o rosto para o lado. Ela podia sentir a luz invadir o pequeno espaço inde estava jogada dando uma coloração avermelhada na sua vista, proveniente da mistura do pano preto tapando seus olhos e do fraco sol que devia estar se pondo naquele momento. A porta do motorista bateu com violência. Angel se remexeu quando sentiu mãos a puxando para trás arrastando para fora. Suas pernas bateram nas laterais do veículos antes de pisar o chão dava para ouvir bem o que o outro homem que chegou por último disse:

— Coloque-a para dentro. Vamos ganhar uma boa bonificação dessa vez, garota.

A voz dele foi ficando mais clara a medida que se aproximava de onde Angel estava. Um surto de adrenalina e temor pela vida corria nas veias dela e em um momento de descuido conseguiu arrancar numa corrida para qualquer direção longe das mãos que a seguravam. Seus tênis escolares ajudaram a manter o equilíbrio em meio ao chão de terra cheio de pequenas pedras. Ela estava longe, muito longe de casa. Agora tinha certeza absoluta.

— Que merda, segura ela! — rosnou o homem que se aproximava com sotaque texano quando a viu correr. Ele apressou o passo até ela. Angel podia escutar o som das galochas batendo ritmadas de encontro ao chão e como um animal cego que se guia pelos seus instintos mudou de direção na tentativa de se salvar. Rápido, ele consegue agarrar o braço dela preso pelas cordas. Angel puxa em desespero afrouxando as amarras o bastante para contorcer os pulos machucados quando escuta sons de tiros para o alto.

— Aaaaaaaaaaah! — grita a voz de uma mulher.

Uma voz jovem. Bem mais perto do que Angel imaginava.

— Quem diabos é ele? Um dos caras de “-A”? — pergunta o texano.

— Tem dois deles! — Alerta a menina, claramente apavorada, quando vê outro homem saindo de dentro de um carro que acabava de estacionar.

Uma correria começa e Angel fica parada sem saber o que fazer. O mesmo som das galochas do texano que antes corriam até ela, agora corriam para a direção contrária. Passos, muitos passos, gritos, a areia roçava na terra e fazia um som seco que vinha das pedrinhas. Os bandidos estavam correndo desses caras que atiraram? Mas quem atirou? Onde eles estavam? Antes que alguém possa responder a isso, ela escuta o som de um pneu estourando, depois de outro pneu vazando ar. Angel forçou ainda mais as mãos mesmo sentindo dor para tentar se soltar. Três tiros são ouvidos, e outro à sua direita, que parece abrir a maçaneta da porta. As dobradiças rangem e a menina ouve um grito apavorado e dedos quebrando.

— Puuuuuta merda, é você mesmo! — diz o texano com a voz trêmula.

Um estalo, um uivo, e então o som de um corpo sendo jogado ao chão.

— Eu vou levá-lo a algum lugar gostoso e confortável para termos uma conversinha. Depois é a sua vez! — o homem que atirou diz, de algum ponto mais distante.

O barulho oco do corpo caindo sem vida no chão não muito longe fez a menina tremer por dentro. Em pânico, Angel começa a procurar ao redor com as mãos presas, mas, no instante em que encontra algo duro e metálico nos jeans do morto, um par de mãos a alcança. Ela sente novas mãos começarem a se curvar ao seu redor e um disparo de adrenalina a atravessa. O cabo de uma faca — ela a agarra e gira e, milagre dos milagres, consegue enfiá-la em carne dura e masculina com um puxão obsceno do seu lado. Ele rosna por cima do topo da cabeça da menina. Ao se soltar para removê-la, ela o empurra e fica de pé, vacilante, encontrando mais uma vez os pés no chão. A faca cai no segundo em que ela começa a correr, tentando soltar as amarras da venda e torcendo para estar correndo na direção oposta à dos recém-chegados.

— Essa menina é bem viva, hein? Só podia ser filha da Hastings — comenta a voz do outro desconhecido.

Ela guincha quando percebe que está indo bem na direção da mulher e gira quando é levantada por um par de braços fortes e masculinos. A luta começa de imediato, mas aquele cara não ia largar ela. Ele grunhe quando Angel acerta um chute entre suas pernas, depois volta a amarrar mãos e meus pés dela com algum material semelhante a uma corrente, rapidamente para que não possa escapar. Ela chuta o ar, mas ele é forte e rápido, e o que os outros não conseguiram fazer esse aqui faz em menos de um minuto. Prendendo os tornozelos e pulsos, depois amarrando seus joelhos e cotovelos, ele a segura contra um peito que parece largo e musculoso enquanto a carrega para algum lugar. A adrenalina corre pelo corpo de Angel sem ter para onde ir e é tomada por tremores quando se dá conta da realidade:

 

“Estou completamente ferrada e não tenho como me soltar. Acho que cortei o homem que está me carregando e o sangue dele está pingando em mim.”

Ela se contorce em um último esforço fútil para se libertar, mas também está chorando. O homem enfia um capuz sobre sua cabeça e o som dos próprios soluços ecoam entregues em meio a escuridão.

Não tem mais saída.

— Onde a levaremos? — a voz da jovem questiona trêmula.

O homem continua caminhando para alguma direção com Angel pendurada nos ombros. Um dos carros está com os pneus estourados e tem um homem morto em algum lugar daquele chão. A menina é jogada dentro de outro carro e seu corpo esbarra no de outra pessoa sentada no banco de trás do carro. O capuz não a permite ver nada, mas as pontas dos cabelo dela roçaram os ombros de Angel. Não dava para saber se ela estava todo o tempo observando de algum lugar ou quem era essa pessoa. Mas ela permaneceu imóvel. Não fez questão alguma de ajudar a menina a se endireitar no carro. Ela também não conseguia mover nem um dedo sequer, sendo obrigada a permanecer naquela posição. Um frio correu sua espinha. Duas portas bateram e o som do motor deu partida voltando a soar nos ouvidos de Angel. A mulher que estava ao lado de Angel no banco de trás pareceu dar um leve riso ao abrir a porta de trás para que outra pessoa entrasse.

— Você por aqui? — soou a voz da mesma jovem de antes indignada ao da de cara com a mulher. Ela bufou irritada.

— Cala a boca e senta! — ordenou o homem que segurava o volante de um jeito raivoso e ameaçador.

Ela não contestou, nem Angel. Estava cercada.



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