História Loucamente SUA - Capítulo 57


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 11
Palavras 3.535
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Meninaaaaaaaas,

começaremos a juntar as peças. Estamos começando a dar mais dicas de quem pode ser -A. Vou dar uma dica preciosa: "o desejo de vingança vem do desejo LOUCO de proteger a quem amamos!". Então, será que esclareci um pouco a cabeça de vocês?

Boa leitura, espero que gostem.

Capítulo 57 - De que lado ele está, afinal?


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 57 - De que lado ele está, afinal?

Um vidro espesso separava os policiais da delegacia de Boise de Toby Cavanaugh. Três homens e uma mulher com cabelos ruivos e lisos, que estavam presos com cuidado em um rabo de cavalo alto, o observavam de perto. A superfície escurecida de um lado e espelhada do outro impedia que ele visse quem estava lá. Toby estava agoniado e inquieto. Ao seu redor não havia nada além de uma velha mesa de ferro e a cadeira bamba em que estava sentado. Tinha a impressão de que se se mexesse demais as pernas do banco enferrujado cederiam e ele pararia apenas no chão, sem falar na agonia de saber que de algum lugar dali estava sendo observado. Ele tamborilou a ponta dos dedos na mesa olhando para os lados. A medida que o tempo passava o aperto em seu peito ia aumentando. Como se safaria dessa enrascada? Toby tentava colocar os pingos nos “ís” para encontrar uma solução. Será que eles tinham mesmo alguma prova da fraude ou estavam apenas investigando o ocorrido? A dúvida estava massacrando sua consciência. Há pouco tempo atrás um funcionário envolvido neste projeto o ligou e pediu para que comparecesse o mais rápido possível a Cavanaugh Construções. Um flash cruzou sua mente. Aconteceu antes da noite de natal. Daniel, o responsável pela obra do shopping, havia contado que mais da metade dos funcionários atestaram que estavam sendo perseguidos e logo em seguida sofreram acidentes graves que os deixaram semanas sem poder trabalhar. O desempenho da obra foi prejudicado gerando atrasos no prazo além da possibilidade da empresa ser processada e acabar perdendo os atuais contratos por danos físicos e morais aos empregados. Como se a situação não fosse demasiado complicada eles ainda se recusaram a depor como fatalidade quando questionados pelos policiais, e pensando nos interesses da empresa, Daniel teve a brilhante ideia de suborná-los. Foi um rombo de R$500 mil nas contas da Cavanaugh Construções, porém, não era pior do que os R$ 3 bilhões que Toby teria que devolver aos fornecedores por não entregar a obra na data combinada. A porta de ferro foi aberta ecoando um barulho estrondoso no pequeno local. Toby se assustou e deu um pulo na cadeira. O policial forçou uma risada.

— Assustado Toby? — rosnou o policial grisalho com óculos de aviador marrom escuro.

Ele caminhou até a mesa encarando o acusado e parou adiante de Toby. Seus sapatos sociais pretos muito bem engraxados ringiram ao entrar em contato ao chão acinzentado. Toby fechou a expressão e não emitiu nenhuma resposta a pergunta irônica. O policial passou a mão entorno do maxilar repleto de uma barba bagunçada que parecia estar a umas duas semanas sem ser feita.

— Achou mesmo que ninguém falaria nada sobre a roubalheira que estava acontecendo na sua empresa, espertão? — O homem deu uma gargalhada solta jogando a cabeça para trás.

— Não sei do que está falando — rebateu Toby, seu sangue fervendo sob as veias.

Ele não havia roubado ninguém, aquele dinheiro nunca passou por suas mãos. Seus olhos ficaram vermelhos de raiva, os dentes cerrados dentro da boca. Ceder as provocações só lhe traria problemas aquela altura do campeonato, afinal, ele sabia que isso poderia acontecer desde o início e por essa razão já estava se preparando com antecedência. Ele permaneceu calado. O silêncio incomodou o homem a sua frente. O policial deu uma olhada fixa para o vidro espesso trocando algum tipo de informação sigilosa com quem que estivesse assistindo aquela palhaçada. Se tinha uma pessoa que merecia estar naquela sala sendo interrogado e torturado essa pessoa não era ele, com toda certeza. “-A” tinha feito aquilo, “-A” deveria estar ali e não ele.

— Acho que não fomos apresentados antes. — interrompeu o policial mudando de assunto. — Prazer, eu sou Claude Hammel, da polícia de Boise. Fui escalado para resolver seu caso, rapaz.

Ele pegou um gravador preto, daqueles usados nos anos 90, que Toby lembrava ver na estante da casa de sua falecida mãe com uma fita tape com os lados A e B e jogou sobre a mesa. Toby arqueou uma das sobrancelhas sem entender.

— Quanto tempo não vejo uma dessas. Não seria mais fácil gravar a nossa conversa com o celular? Acho que nem existe mais conversor para essa “coisa” — ironizou Toby. Um sorriso escapou da face dele.

Hammel fechou a expressão mostrando desagrado com o afronte. Ele juntou as mãos e tamborilou os dedos um no outro.

— Engraçado como essas coisas antigas ainda trazem informações valiosas. Infelizmente, essa belezura não é minha.

Uma curiosidade foi despertada em Toby. Ele se endireitou na cadeira dando mais atenção ao homem. Hammel ficou tão empolgado com a resposta instantânea do acusado que um brilho satisfação despontou em seu olhar.

— Sabia que ficaria interessado.

Uma corrente de tensão esquentou o as veias de Toby. Parecia que seus braços estavam em chamas. Ele mudou de posição na cadeira despretensiosamente e passou os dedos pela calça jeans. Marcas esbranquiçadas fizeram listras sobre o tecido.

— Seja mais direto, estamos perdendo tempo com essa conversa. Eu sou a vítima aqui. Alguém está tentando me incriminar por algo que não fiz. — aos poucos o tom de voz foi se exaltando. Ele fechou o punho e deu um soco na mesa.

Hammel revirou os olhos.

— Vamos pular a parte em que o acusado tenta se fazer de inocente. Suborno é crime Toby você será penalizado por isso de qualquer forma, o grande problema é até que ponto você pode ter chegado para encobrir esse desfalque.

— Como é? — questionou confuso. A cada minuto que se passava aquela conversa parecia mais insana.

O policial endureceu o tom de voz, sua expressão mais rígida mostrava a necessidade de arrancar algo de Toby. Mas por alguma razão Toby achava que eles dois não estavam falando do mesmo assunto. Ele viu o homem caminhar pelos cantos externos da sala, suas mãos estavam juntas apoiadas no final da coluna vertebral. A porta foi aberta e o barulho de sirenes e falatório invadiu o ambiente. Uma mulher colocou a cabeça para dentro dirigindo-se a Hammel.

— Um caso urgente acaba de chegar, precisamos do senhor.

Hammel franziu as sobrancelhas e foi até a mulher parando de frente para a porta. No fundo Toby podia ver a sala escura com computadores e cadeiras outras três pessoas estavam de costas para ele teclando alguma coisa na tela do word. A mulher estreitou a porta quando notou os olhares curiosos. O policial virou a cabeça para trás encarando Toby e depois olhou para os ponteiros do relógio de pulso.

— Me dê mais quinze minutos para terminar com o Cavanaugh e então cuidamos do caso. Do que se trata?

— Um sequestro de uma criança em Boise. Os pais estão chegando com os policiais para fazer o boletim de ocorrência e prestar depoimento.

Toby não estava prestando atenção até ouvir a palavra “criança” na frase. Alison disse que Angelique estava em perigo e ele havia descoberto a poucos dias, através de Jenna, que Spencer estava em Boise.

— Ei, ei quem foi sequestrada? Qual o nome da criança? — perguntou Toby agoniado.

A mulher o encarou curiosa e entreabriu a boca como se pensasse em falar, quando foi interrompida pelo choro de uma mulher do lado de fora. Ela saiu da sala fazendo sinal positivo para Hammel e mais uma vez parte da sala escura apareceu. Dessa vez havia outra pessoa lá em pé perto dos homens do computador. A porta se fechou abruptamente antes que Toby pudesse tentar identificar o sujeito.

— Não se meta nos meus assuntos moleque.

Os olhos desesperados de Alison estavam gravados em sua cabeça naquele momento, e se ela estivesse falando a verdade sobre o sequestro de Angel? E se Spencer estivesse sozinha precisando dele? E se sua filha estivesse em perigo?

— Por favor, só me diga o nome da criança que foi sequestrada minha mulher está aqui em Boise com minha filha. Elas podem estar em perigo. O maluco que nos persegue pode ter feito algo de ruim com elas.

— Owwwnnn — sonou ironicamente juntando as mãos a frente do peito — Então agora você tem esposa e filha? Nossa… Que emoção. Vamos voltar ao nosso assunto seu mentiroso infeliz. Diga-me o que sabe sobre o falecimento de Daniel Lourenzo Fuertes.

— Fa-falecimento? O Daniel morreu? Mas quando isso aconteceu? — engasgou Toby.

O homem caminhou de volta para a frente de Toby.

— Você não sabia? — ironizou. — Assim como não sabia que você tinha uma filha, olha que coincidência?

— Caralho, eu também não sabia que tinha uma filha até ano passado.

Como ele iria convencer esse homem de que ele estava falando a verdade? Se escutasse nem mesmo ele acreditaria nessa história. Era incrédulo demais. Toby sentiu-se encurralado como quando brincava de pique esconde com a irmã no segundo andar de casa e ouvia seus passos se aproximando do esconderijo em que estava. Ele jurava que sua respiração estava tão alta que seria pego por causa da mesma. Ele engoliu seco, “-A” estava perto.

— O que aconteceu com Daniel Fuertes?

Toby sacudiu a cabeça negativamente de forma frenética. Estava confuso com essa informação da mesma forma como o medo da criança sequestrada ser sua filha o dominava.

— Eu não faço ideia — sibilou perdido.

— Não me faça perder a paciência, Cavanaugh. Você é filho de uma esquizofrênica, criado por um alcoólatra e sua madrasta. As possibilidades de ter algum trauma de infância ou distúrbio psicológico são enormes. Assuma de uma vez que matou Daniel Fuertes porque ele era a única prova do seu joguinho sujo.

— Eu não sei de nada! NADA! Nem sabia que o Daniel estava morto, pelo amor de Deus. Se sabe tanto assim sobre minha vida, então porque não tenta me explicar o motivo de um psicopata estar perseguindo minha família?

— Não se faça de engraçadinho para o meu lado. Não tem ninguém perseguindo sua família, Toby. Você criou isso na sua cabeça perturbada.

Toby levantou-se furioso.

— Não me trate como um maluco! — berrou.

O policial avançou sobre ele e apertou seu pescoço. Toby soltou um grunhido de dor misturado a raiva.

— Me solta, seu infeliz. — falou com dificuldade, a voz turva e dura.

— RETENÇÃO, RETENÇÃO! — O grito invadiu a sala junto a cinco policiais armados que cercaram o local antes que Toby pudesse perder os sentidos. Três ficaram em posição com as armas apontadas para ele no fundo e dois guardaram as armas no suporte e afastaram Hammel dele.

— Você está brincando com fogo, Toby. Eu vou pegar você, seu moleque!

— Senhor, por favor afaste-se do acusado — pediu um dos policiais do fundo por cima da arma.

O policial que segurava Toby pelas costas sacou as algemas e prendeu nos pulsos dele. Toby se contorceu recusando-se a ceder.

— Espera, eu não fiz nada. Sou inocente!

A porta da sala foi aberta e ele foi arrastado pelos corredores da delegacia, porém suas forças se esvaíram quando se deparou com aquela cena. Era Spencer. Sentada em uma cadeira junto com um grupo de policiais chorando. Ela tomava um copo de água com as mãos tão trêmulas que a água era espirrada para fora do copo transparente de plástico. Ele virou a cabeça acompanhando a cena a medida que ia sendo empurrado pelos policiais para um corredor escuro de concreto. Ele foi encaminhado por aquele corredor acinzentado cheirando a urina e cigarro até uma sela. Ele foi trancado lá. Suas mãos seguraram as vigas de ferro que o separavam do mundo e apoiou a testa no pequeno espaço entre uma e outra. O nó em sua garganta se transformou em ódio. Ódio de si mesmo. Deveria ter acreditado antes, deveria ter dado ouvidos quando sua loira o procurou.

— Alison… Você estava certa.

Toby apertou as mãos nas grades com vontade de partir a própria face ao meio. Uma lembrança de repente cruzou sua mente. Se Alison estava correta sobre o sequestro de Angel, será que também estava certa sobre Sophie?

— Droga! Jenna está fora da cidade! Eu tenho que fazer alguma coisa.

Toby ficou na ponta dos pés na esperança de conseguir atravessar a grade o suficiente para chamar a atenção do segurança que estava encostado na porta no fim do corredor.

— Ei! Colega!! — Gritou olhando de rabo-de-olho em direção ao homem. Ele nem sequer moveu um dedo. O quepe preto cobria metade do rosto, do ponto de vista de Toby.

Ele assobiou alto e o homem deu um pulo, parecia estar quase cochilando. Olhou para os lados e endireitou a postura.

— Aqui, aqui. Eu preciso usar o telefone, tenho esse direito não tenho? A uma ligação.

O homem caminhou em direção a Toby olhando-o sobre com superioridade elevando a cabeça.

— Calminha ai, você não tem direito a nada até amanhã. — ele enfiou as mãos nos bolsos da calça azul marinho.

— Não é possível. Isso é errado, tenho meus direitos.

Ele o censurou com um “shhhh” repressor. Toby largou as grades com um empurrão e jogou-se na cama de solteiro com aparência de suja e molas barulhentas que ocupava o canto esquerdo da pequena sela.

— Vá dormir, amanhã terá sua ligação.


***

Nina cruzou o corredor que dava para a sala de estar e sentou-se no sofá com um pulo ao lado de Thomas. Pegou um punhado de pipocas da bacia que estava nas mãos dele e colocou na boca. Estava passando Risco Duplo no DVD. Ela curvou os lábios em desgosto.

— Odeio esse filme, é tão ridículo — resmungou com a boca cheia.

— Ninguém convidou, você que está se metendo onde não foi chamada —  disse Thomas. Ele recostou o corpo sobre o ombro esquerdo de Nina fazendo a garota resmungar.

— A casa é minha — ela virou para encará-lo com o queixo erguido — vou aonde eu quiser, irmãozinho.

Thomas soltou uma risada, um pouco falsa até mesmo para Nina que não o conhecia bem. Ela prestou atenção nele por um momento, de jeito algum poderia estar prestando atenção naquele filme tedioso. Ele mastigava os grãos de pipocas um a uma com o olhar gélido na tela. Demorava até mesmo para piscar, era como estivesse perdido em meio aos pensamentos. Por que será que ela apostava que tinha o nome de Sophie neles? Thomas soprou ar pela boca e umedeceu os lábios, depois virou para Nina.

— O que foi? — questionou ele.

— Nada ué! — esquivou-se da pergunta.

— Estava me encarando porquê? — disse virando-se na direção dela dobrando os joelhos sobre o sofá. Ele colocou a bacia com pipocas no chão ao seu lado.

— Já disse que não era nada — mentiu.

Ele deu um sorriso um pouco mais sincero que o anterior. Nina encarou as próprias pernas dobradas uma sobre a outra e falou sem desviar o olhar.

— Fico preocupada contigo, seu cuzão.

Thomas esticou os lábios em uma curva leve para o lado incrédulo.

— Isso desde quando posso saber?

Um barulho no segundo andar chama a atenção dos dois e eles viram ao mesmo tempo para a escada na mesma hora em que Anna desce dando pulinhos com seus fones de ouvido altíssimos. Estava tocando alguma música da Rihanna. Ela notou que era o centro das atenções quando já estava voltando da cozinha com um pacote de biscoitos e sua garrafa rosa cheia de achocolatado. Anna tirou os fones parecendo constrangida.

— Er… Interrompi algo?

Nina olhou para Thomas e endireitou-se no assento puxando as pontas do vestido que usava. Tom permaneceu olhando para Anna, enquanto Nina tentava focar no filme como se sua vida dependesse disso. Suas bochechas estavam pegando fogo.

— Não, claro que não. Temos filme e pipoca está a fim? — perguntou dando uma piscadela ao erguer a bacia de pipocas. Anna colocou novamente os fones dando de ombros e voltou a subir as escadas.

— Fica para a próxima estou conversando com uma amiga pelo Skype.

Quando Anna sumiu do campo de visão de Tom ele notou a posição mais rígida do corpo de Nina. Ela estava com os traços da face firmes e os olhos estreitos. Ele chegou mais perto da irmã colocando o pacote de pipocas no colo dela. Nina segurou de má vontade voltando-se para Tom.

— Qual é o problema? Ficou de cara feia do nada…

— Odeio essa amizade dela com a Megan. Essa garota é má companhia e está sempre se metendo com o que não deve.

Thomas ficou confuso.

— Ei, ei, ei… Espera um segundo. — falou sacudindo as mãos a frente do rosto — que eu saiba era VOCÊ quem estava de amizadezinha com a Megan. Ela faz dança contigo ou alguma coisa dessas pelo que meu pai disse.

— Eu não sou AMIGA, AMIGA, dela.

— Olha que desculpa esfarrapada, assume que acabou mordendo sua língua afiada. — riu Thomas.

— Não é desculpa! — gritou Nina. — Digamos que eu apenas mantenho contato, por segurança. — Thomas continuou rindo e Nina estirou uma das pernas apoiando sobre a coxa dele.

— Você está falando da sua irmã, mas também está se metendo com a Megan. Nem digo mais nada a vocês sobre isso. Desisto. — sussurrou.

Ele olhou para baixo, fitou os pés brancos e esguios de Nina e passou a ponta dos dedos sobre o tornozelo dela deixando que deslizassem em direção a ponta das unhas. Ela tinha uma pele tão macia e hidratada que dava vontade de morder. O cheiro de flor de cerejeira subiu as narinas de Tom, ele desceu o carinho até a panturrilha de Nina. Ela o encarou com a boca entreaberta. Um sorriso escapando pelos cantos da boca. Aquilo o provocou mais do que gostaria de assumir a si mesmo. De repente, a lembrança da noite com Sophie depois do restaurante invadiu sua mente. Sophie o puxando para dentro de casa e jogando os saltos longe, sem nem mesmo abaixar para retirá-los, eles subindo as escadas rindo das vezes em que tropeçaram no escuro por estarem se beijando pelo meio do caminho. Ele encostando ela na porta de seu quarto e descendo os dedos pelos cabelos sedosos e escuros como a noite dela. Foi entorpecente. Sophie o deixava entorpecido como nunca se sentiu antes. Com ninguém mais. O riso provocante de Sophie, sua voz baixa e rouca gemendo em seus ouvidos.

— Acho melhor perguntar o que a Anna vai querer jantar. — ele levanta atordoado indo em direção as escadas.

— Espera. — chama Nina, sussurrando.

Os sons dos passos de Tom ecoam pelas escadas até o andar de cima que dá direto no quarto das meninas. A porta do quarto de Anna está entreaberta, deixando escapar parte da visão da mesa do computador com Anna de costas soluçando. Ele deu passos silenciosos para dentro do quarto e chegou por atrás, ela estava chorando sobre o teclado. Uma página do Skype estava aberta na aparte de mensagens e o último recado estava endereçado do dia anterior, ás 2 horas da madrugada. Duas outras páginas estavam abertas: o perfil do facebook de Megan e o Windows Media Player tocando repetidamente a mesma canção melosa de Ed Sheeran.

— Anna… Tudo bem? — chamou tocando o ombro dela. Ela virou num pulo com os olhos avermelhados e as mãos trêmulas sobre as costas da cadeira em que estava sentada. Ela fungou e passou as costas da manga abaixo do nariz.

— Oi, tudo. Tudo bem sim.

Thomas arqueou a sobrancelha sem acreditar nessa mentira deslavada. Ele se aproximou dela e sentou na beira da cama observando-a.

— O que aconteceu Anna? — perguntou com tom suave e preocupado.

Ela virou para o computador e minimizou todas as telas abertas de uma só vez apressada, quando voltou a olhar para Thomas ele estava com os olhos fixos no monitor. Anna levantou e fechou a porta que dava para a sala de estar. O som da televisão disputava com o som da música. Anna deu pause no som, ainda estranhamente calada, e sentou-se ao lado de Thomas deitando a cabeça sobre o ombro dele. Não disse nada, apenas chorou quieta ali enquanto sentia o carinho sobre seus fios. Thomas tinha visto a conversa. Anna tinha aquele mesmo pressentimento de quanto está prestes a ser desmascarada por seus pais. Eles sabem de tudo, mas ela não se sente a vontade para assumir e continua mentindo para eles. Se ele perguntasse diria que estava ótima, que nada havia acontecido e que não precisava de Taylor para nada. Só que era mentira. Uma grande mentira. Thomas perguntou qual era seu restaurante favorito para irem jantar os três mais tarde, mas ela não estava no pique para sair. Então optaram por pedir uma pizza de peperoni, a predileta dela, e metade quatro queijos, a preferida de Nina. Ele deu um beijo na testa dela e se retirou do quarto. Assim que se certificou que ele estava no primeiro andar Anna sentou-se mais uma vez na cadeira do computador e abriu a página do Skype que relatava suas últimas palavras com Taylor. Ele dizia:

Bom dia querida, espero que tenha dormido bem essa noite. Só quero te avisar que estarei ocupado esses dias. Não poderei te ver. Desculpa desmarcar assim nosso compromisso, mas é importante. Aviso quando estiver livre. Por favor, não me procure. Eu encontrarei você assim que desejar.

Beijos, Taylor.


Mais abaixo havia uma observação que não estava aparente quando Thomas chegou. Ela mesma não notara.


Ah, outra coisa...
Fique longe de Megan ou de Sophie nesses dias. Elas estão muito, muito encrencadas, meu amor. Talvez eu esteja também!
Te explico assim que puder.



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