História Loucamente SUA - Capítulo 58


Escrita por:

Postado
Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 15
Palavras 4.695
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 58 - Momento perfeito para reconciliamentos


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 58 - Momento perfeito para reconciliamentos

O silêncio no percurso até o cativeiro preparado foi ensurdecedor, apenas o som das rodas sobre a terreno podiam ser ouvidas. Sophie olhou para sua esquerda desviando da visão opaca da janela e -A a encarou com um sorriso doce. Daqueles que induziam pessoas fazerem loucuras sem se darem conta disso, mas ela sabia que de doce não havia nada. Ela era perigosa, paranoica e tinha dúvidas de até qual ponto chegaria com Angel. -A virou para Sophie e levantou as sobrancelhas, depois cruzou as pernas. Ela olhou para Angel que estava encolhida no banco sem se mover cansada demais para continuar lutando.

 

— Espero que siga as minhas ordens ao pé da letra, Sophie.

 

Alex, irmão de Megan, estava ao volante enquanto Taylor apertava o braço esfaqueado com força para tentar estancar o sangramento. Angel o atingiu com uma faca enquanto tentava se soltar. Ela ainda se perguntava porque o texano foi morto. Aquilo era queima de arquivo, mas o que ele tinha feito de errado? O que ele sabia? O carro rodou até o fim da rodovia Abrantes, que dava para fora da cidade. Sophie já sabia onde estavam indo e achou o local perfeito. Era difícil imaginar que alguém poderia descobrir que estariam lá. Finalmente avistou o galpão alto de aço enferrujado, com suas portas vermelhas espeças cheias de cadeados e correntes. O local havia sido um antigo depósito de queijos processados e agora cheirava a estrume e grama cortada. Alex levantou e abriu a porta do banco traseiro. Sophie sentiu o peso do arrependimento escanchado em suas costas impedindo-a de se levantar.

 

Ele a encarou com impaciência.

 

— Está esperando o que garota? — reclamou — Levanta daí, não tenho o dia inteiro.

Sophie tropeçou para fora do carro estranhando a luminosidade sobre sua vista. Colocou a mão esticada sobre a testa para formar alguma sombra. Taylor já estava fora do carro segurando a porta do galpão para -A passar. A mulher entrou sem olhar para trás e Alex a seguiu com Angel pendurada no ombro. A menina nem sequer se mechia, estava apagada. Sophie caminhou devagar na direção de Taylor e passou por ele confusa demais para dizer-lhe alguma coisa. Ela sempre pensou que ele era um garoto direito, que nunca se meteria com esses assuntos. Alguma coisa ele deveria estar ganhando para estar ali, mas o que seria isso? O chão do galpão estava repleto de feno, mas pela escuridão ela mal conseguia enxergar os próprios pés. O barulho da porta se fechando foi o anúncio final da pouca luz que entrava. O breu se formou e Sophie parou na mesma hora. Ela olhou ao redor, passos eram ouvidos, o som de fogo sendo riscado no fósforo e então a luz alaranjada de uma luminária antiga acendeu. O rosto forte marcado pelo tempo de -A clareou mostrando seu nariz, boca e olhos. Sophie, Alex e Taylor se aproximaram formando um círculo em volta de -A. Angel não estava mais com Taylor. O olhar frio e pesado de um pousou sobre o outro: de Alex para -A, de -A para Sophie e de Sophie para Taylor. A luz do fogo fazia um misto de claridade e sombras sobre o rosto de cada um e o silêncio gritava em seus ouvidos. A mulher caminhou dentro do círculo passando na frente de casa integrante do -A team, o olhar penetrante e inquisitivo chantageava silenciosamente cada um. Era como se deixasse claro que sabia os podres de cada um e poderia usá-los se fosse necessário. Ela usaria e Sophie sabia disso melhor do que ninguém.

 

— Mantenham Toby fora de alcance — ordenou -A — Isolem a Spencer eu quero que ela sofra, que suma de Rosewood.

 

— Ela não vai sair de Rosewood para nunca mais voltar e sem a filha! — contestou Sophie de forma debochada.

 

Alex e Taylor a olharam de soslaio.
 

— Ah, ela vai sair sim! Acredite. Nem que eu tenha que matá-la para isso.

 

— Matar? — dessa vez foi Taylor quem falou. Ele parecia pálido e chocado com o anúncio dos planos de -A.

 

Por sua vez, Alex não parecia tão surpreso. Sophie engoliu seco. Os três foram liberados logo em seguida.

 

Angel acordou em um lugar escuro e frio. Ela não fazia a menor ideia de como tinha ido parar ali. Seus braços e pernas estavam desamarrados e não sentia mais sufocando com aquele saco na cabeça. Ela tocou a própria garganta com os dedos e olhou ao redor. Mal conseguia enxergar o lugar. Pela escuridão, jurava que já estava de noite. As lágrimas começaram a jorrar de seus olhos quanto mais se dava conta da realidade que estava vivendo. Isso estava mesmo acontecendo. Ela estava no chão duro todo cheio de feno que grudava em seu corpo e gerava coceira. Não era grande o quarto onde estava, parecia com o banheiro antigo do orfanato onde não conseguiram entrar com a banheira por falta de espaço e tiveram que por um chuveiro mesmo. As paredes eram de madeira e pequenos espaços vazios surgiam na ligação entre as tábuas. Se houvesse alguma luz lá fora talvez pudesse ver quem a observava. As lágrimas quentes salgaram o canto da boca e Angel esfregou as costas da mão ali para limpar. Ela abraçou as pernas e apoiou a cabeça sobre elas. Seus soluços em meio ao choro faziam seu corpo tremer de dentro para fora. Todo o seu corpo tremia. Ela queria seu pai, queria ir embora, queria tudo menos estar com aquelas pessoas estranhas. Um punho apertava seu coração fazendo-o doer de tanto medo. Ela encostou na parede de madeira atrás de si. Havia um pequeno espaço, de uns dez passos largos, a sua frente onde ficava uma porta suja e velha. Não havia tranca por dentro apenas partes metálicas nas dobradiças. A madeira ia do chão ao teto sem nenhuma abertura. A única visão que tinha de fora era por uma pequena janela de onde nem sua cabeça passava que ficava no alto da parede direita. Talvez se tivesse onde subir poderia alcançar a janela e ver onde estava. Poderia ser qualquer seleiro de Rosewood se Angel não soubesse o quanto rodaram de carro. Pelo tempo que levou ela sabia que estavam no mínimo em outra cidade. Ela levantou devagar e esgueirou-se até a parede oposta a janela. Tinha uma roda de aço gigante no meio do caminho, Angel bateu a perna ali e urrou de dor. O barulho da pancada soou em seus ouvidos.
 

— Aii! — abaixou tentando enxergar o chão. Estava bem mais escuro ali onde a luz da janela não chegava. Ela tateou a roda e passou ao redor dela tentando não cair sobre nada mais que tivesse no local. Sua perna latejava de dor. — Não é possível, não posso ter me machucado sério nesse lugar. Não mesmo.

Atrás da roda havia um punhado grosso de feno formando um pequeno amontoado que dava na altura de sua cintura. Ela apertou o amontoado para sentir a textura dele. Era duro e espetava, mas não parecia ter nada que machucasse. Angel engoliu seco e subiu no feno todo o seu corpo pinicava e ela passou as mãos sobre os braços e as pernas tentando retirar o excesso. Depois, apoiou as mãos na lateral do corpo e arrastou-se para atrás até encostar na madeira. A sua frente agora tinha uma pequena vista das estrelas e o céu de um azul escuro intenso. Ao menos teria para onde olhar. Angel fixou o olhar nos seus tênis novos que Nate havia comprado e uma lágrima voltou a escorrer por sua bochecha. Seguiu o caminho pelas próprias pernas até os joelhos e levou as mãos até a panturrilha esquerda que estava latejando de dor. Ao tocar na pele sentiu algo molhado nos dedos. Era sangue. Angel aproximou o dedo melecado ao nariz e depois a boca e sentiu o gosto metálico do próprio sangue invadindo o paladar.

 

— Droga! — disse chorosa. — Está cortado…

 

Ela não conseguia ver qual o tamanho do ferimento, mas sentia uma dor que ia de uma ponta a outra da frente de sua panturrilha. Estava dolorido e ardia. Angel tentou não se mover, mas chorou ainda mais. O barulho de seu desespero ecoava no pequeno quarto onde estava.


— Eu quero a minha mãeeeee! — esperneava em meio ao choro de forna ininteligível.

 

Olhava para aquele breu ao seu redor e a única luz das estrelas marcando um quadrado no chão onde só havia sujeira e concreto e sentia-se desprotegida e sozinha. O aperto ficando maior em seu peito o choro vinha engasgado e a fazia tossir em meio as lágrimas fazendo pausas e logo começando a chorar novamente.
 

— Me tira daqui! Por favor… Me tira daqui eu quero minha mãe! — gritava Angel apavorada, mas ninguém respondeu. Ninguém apareceu para mandá-la calar a boca. Estava sozinha naquele lugar. Sozinha e ninguém poderia ajudá-la. Depois de muito tempo acabou cedendo mais uma vez a exaustão e apagando. Perdendo-se no escuro de seu subconsciente. Sonhou que estava presa a correntes e correndo em uma estrada que nunca acabava. As correntes pesavam e ela as arrastava atrás de si. Ela corria corria, mas parecia que nunca saía do lugar era como correr em uma esteira. As correntes não a puxavam de volta, mas também não via a paisagem mudar. Tudo se mantinha no mesmo lugar e quanto mais corria mais sentia que nunca iria escapar. Quando ela acordou, já era dia. Tinha deitado sobre o feno e seu corpo estava todo moído. Ela sentou-se ofegante ainda do sonho com a mão sobre o peito. Um homem estava parado de braços cruzados observando-a de dentro da sala.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!


Angel deu um berro de pavor levantando do feno sem olhar para trás. O homem que parecia estar exausto assustou-se e levantou indo e direção a ela com os olhos arregalados. Angel deu dois passos para trás com os pés afundando no feno e no terceiro passo perdeu o contato com o chão. Seu corpo pendeu para trás. O teto de madeira formou-se diante de seus olhos e algo duro atingiu seus pés. Sua cabeça trombou com algo macio, mas logo foi jogada ao chão estatelando-se na quina entre a parede da esquerda e a dos fundos.

— Arg! — resmungou o homem de baixo de Angel. Ele tinha segurado ela antes de atingir a cabeça no chão e agora estava com os braços envoltos de forma protetora na cintura dela. Angel escondeu o rosto por impulso ao cair no chão no peito do homem, mas quando se deu conta de que era ele quem tinha salvado-a levantou correndo e voltou para cima do feno apavorada.

 

— Não, não, não chega perto de mim. — falou rápido de uma só vez.


Ele piscou algumas vezes e passou a mão na própria cabeça. Depois levantou-se com cuidado e olhou a menina de cima a baixo ignorando o que ela tinha acabado de dizer.

— Você está bem? — perguntou de onde estava vasculhando cada parta do corpo dela em busca de ferimentos. — A perna machucou de novo?

 

Angel sentiu um flash do momento em que caiu sobre aquela rosa na noite passada cruzar sua mente e percebeu que não sentia mais dor. Abaixou o olhar para a perna machucada e agora ela estava enfaixada com um curativo. Como ela não respondeu o homem repetiu a pergunta.

— A perna machucou de novo? — disse se aproximando e verificando com as pontas dos dedos o esparadrapo que prendia o curativo. Angel se esquivou do toque dele espremendo-se na parede.

Seus olhos demonstravam pavor, mas seu coração aos poucos se acalmava tentando juntar os pedaços. Ela viu o homem se afastar mostrando as palmas das duas mãos para ela.

 

— Ok, ok, fica calma que eu não vou fazer nada com você.

A medida que ele ia se afastando Angel sentiu um alívio em seu coração. Ela estava trêmula e ofegante. Ele voltou para o mesmo lugar onde estava antes e escorou-se na parede oposta a onde ela estava. Com a luz do sol que entrava pela janela acima da cabeça do homem ela pode notar seus cabelos loiros e os olhos azuis. Ele a encarava sem piscar com preocupação. Ficaram em silêncio até que Angel se sentiu calma o suficiente para sentar-se no feno com as pernas esticadas. Ainda doía quando ela dobrava, mas se mantivesse esticada não sentia nada. O homem não parecia mais tão amedrontador de longe. Na verdade, ele parecia ter a mesma idade que seu amigo do terceiro ano do orfanato. Devia ter uns 20 anos no máximo. Ele vestia calça jeans, uma blusa social azul clara que combinava com o tom dos seus olhos e sapato preto. Os cabelos loiros estavam penteados para trás com gel. Ele passou a mão sobre o cabelo sem tirar um fio do lugar e soltou o ar pela boca.

— Você está se sentindo bem? — perguntou num tom mais baixo dessa vez, acalmando-se.

Angel olhou para ele muda por um tempo e limitou-se a fazer que sim com a cabeça.

— Que bom! — sorriu aliviado — Meu nome é Taylor. Eu vou fazer companhia para você nesses dias. Não precisa ter medo, Angelique. Vai dar tudo certo se você colaborar comigo, tá bem?

— Tá. — sussurrou Angel.

Ela não tinha tanta certeza se daria tudo certo mesmo. Taylor deu um sorriso e saiu sem falar nada deixando Angel sozinha no quartinho. Logo em seguida, entrou novamente carregando uma caixa de suco de maçã, um pão com manteiga e um copo de iogurte.

— Coma, você precisa se alimentar! — ordenou.
 

***


Hanna atendeu a quinta ligação de Alison, ela estava preocupada com o paradeiro de Spencer, desde a hora em que deixou a delegacia com Nathaniel ninguém mais a viu. A noite chegou e ela não apareceu em casa. Hanna e Caleb ficaram de plantão no quarteirão para se certificar se ela chegaria e nada. Ali desligou o celular e ligou para Emily. Ela disse que iria passar na casa da mãe de Hanna, Ashley, para pegar Katherine e levar para a casa da família de Noel. Ela e Jake estariam mais seguros lá junto aos seguranças da mansão do que em Rosewood.

— O que faremos agora, amor? — perguntou Caleb desacelerando o carro.

Hanna olhou o relógio, marcava onze horas, ela mordeu o lábio inferior aflita. Mirou a rua mais uma vez e voltou-se para o marido.

 

— Vamos mais uma vez! Se ela não chegar tentamos outro lugar.

 

Caleb confirmou com a cabeça e girou o volante fazendo o retorno. Passaram pela mercearia do seu João, a casa amarela com o cachorro que não parava de latir, a padaria na esquina da rua e viraram para a rua da casa de Spencer. Eles subiram a rua e passaram pelos dois quebra-molas era a terceira casa. Hanna olhou para dentro da casa não havia sinal de que eles tinham chegado. Tudo estava escuro, as janelas fechadas, a grade da frente ainda com cadeado.

 

— Pode seguir. — ordenou.

 

Eles passaram pelas demais três casas e o último quebra-mola antes da rua acabar. Depois, viraram para a esquerda. Cinco pessoas caminhavam alegres com seus cachorros nas coleiras. Hanna colocou o rosto para fora da janela para tentar olhar mais a frente. Entre as árvores viu o vislumbre de uma silhueta parecida com a de Spencer. Uma euforia agitou seu coração.

 

— Eu acho que é ela, amor. Vai mais para frente!! — gritou animada para Caleb voltando-se logo para fora da janela mais uma vez.

O carro se aproximou das árvores e entre elas surgiu o corpo de Spencer com o Nathaniel vindo logo atrás. Hanna estendeu os braços para acenar para amiga quando teve certeza de que era Spencer.

 

— É ela, é ela amor. — falou Hanna para Caleb com um sorrisão estampado no rosto. Ele apertou as mãos no volante e acelerou para mais perto deles.

 

— Spencer! — chamou.

Spencer levantou a cabeça devagar e buscou a voz que lhe chamava. Nathaniel caminhava apoiando as mãos nos ombros dela, e quando ela parou, ele fez o mesmo sem afastar-se nenhum segundo sequer. Hanna saltou do carro antes de parar completamente e correu na direção da amiga.

— Ah, minha nossa! — sussurrou aliviada. Spencer soltou-se de Nate e recebeu o abraço apertado de Hanna. As duas suspiraram alto ao mesmo tempo quando sentiram a proteção dos braços uma da outra. — Spence, eu sinto tanto.

 

Caleb esticou-se sobre o banco do carona e abriu a porta afastando o banco para que pudessem entrar.

 

— Venham eu levo vocês para casa.

— Obrigado, irmão.

Nathaniel deixou que Hanna e Spencer passassem abraçadas para o banco de trás. Nate apertou a mão de Caleb quando acomodou-se no banco do carona. Ele parecia ainda pior agora. Sua face estava esbranquiçada com olheiras fortes arrocheadas, provenientes da noite mal dormida. Em poucos segundos o carro estacionou a frente da casa de Spencer. Durante o caminho quase nada foi dito pelos homens. Apenas Spencer explicava com voz chorosa o que os policiais haviam orientado.

— Eles ouviram a história toda, coletaram o máximo de informação e ficaram de entrar em contato quando soubessem de algo. — disse Spencer, apertando freneticamente os nós dos dedos.

— Só isso? — indignou-se Hanna.

— Sim, só isso. — Spence estava desapontada, ou mais que isso, estava em desiludida. Seu tom de voz era falho e baixo como num sussurro ao concluir. — Mas nós sabemos que eles não irão encontrá-la. Eles não sabem de -A. Não sabem de nada.

 

O nó que tapava sua garganta foi convertido em lágrimas. Quando todos entraram em casa Nate decidiu levar Spencer para o quarto e Hanna e Caleb o acompanharam. Ele deu um calmante para ela misturado ao suco de maracujá prometendo que estaria melhor ao acordar para ajudar a buscar Angel. A desculpa deu certo. Depois que ela caiu no sono Nate fechou a janela do quarto, por segurança, e a cobriu com o lençól que estava dobrado em baixo do travesseiro. Eles desceram para a sala de estar deixando que Spencer descansasse sozinha no quarto. Os três sentaram separados nos sofás da sala. O celular de Hanna tocou e ela repassou o recado de Aria dizendo que estaria na casa de Spencer dentro de poucos minutos. Ao terminar de ler ela fechou a mensagem e colocou o aparelho no bolso.

— É melhor se prepararem — alertou Hanna com a feição tensa — ela não parecia otimista.
 

Caleb puxou os cantos da boca para baixo. Ele também não tinha ideia do que fazer ou onde procurar. Isso o fez pensar em como tinha sido para Spencer enfrentar essa barra anos atrás sozinha com Nathaniel. Deve ter sido um pesadelo completo. Ele apoiou a cabeça entre as mãos.

 

— Se nem a Aria parece animada então creio que estamos com um problema e tanto!

 

Nate não esboçou reação alguma. A campainha tocou e ele caminhou perdido até a porta para abri-la. Ezra e Aria entraram atordoados e foram direto para a sala onde estavam os demais. Todos pareciam estar exaustos. Nathaniel caminhou até o sofá de dois lugares que ficava de frente para a mesa de centro clara. Aria sentiu o coração apertado. As notícias que trazia eram péssimas, ainda assim, queria poder fazer algo por Nate. Ajudar Spencer de alguma forma. Sua barriga já grandinha apontava em meio a blusa polo amarela. Ela não conseguia imaginar o que Spencer estaria sentindo nesse momento. Ela nem era mãe ainda e sentia como se seu coração estivesse partido em mil pedaços por saber que -A sequestrou Angel. Ela morreria se fizessem algo assim com seu bebê. Aria olhou para Hanna pedindo ajuda em silêncio sobre o que deveriam fazer. Estava claro que Nate não estava em condições de lidar com aquela situação. Os pés de Hanna estavam moídos de tanto caminhar. De madrugada quando Caleb cansou de rodar com o carro sem sucesso e tirou vinte minutos de cochilo ela tinha aproveitado para rodar os quarteirões em busca de alguma pista ou informação sobre Spencer e Angel. Ela remexeu os dedos dentro do scarpin preto e fez força para se por de pé e sentar-se ao lado de Nate.

 

Ela passou a mão pelos ombros dele de forma confortante e perguntou:

 

— Está mesmo bem?

Ezra foi em seguida e sentou no braço do sofá do lado oposto ao que Hanna estava. Nate pegou a garrafa de Whisky que estava sobre a mesa de centro e se serviu num copo americano. A golada foi de uma vez, sem respirar. Saiu um som áspero da garganta dele como se o álcool tivesse descido rasgando.


— Eu sei que a minha menina está correndo risco de vida e a culpa é toda minha. — disse, por fim, ao por o copo vazio sobre a mesa.

— Nate nós vamos dar um jeito juntos, não diga besteiras — apoiou Aria.

— Temos pouco tempo.

— Isso não quer dizer nada. — ressaltou Ezra. — Vocês já passaram por situações piores quando eram mais jovens. Spencer e essas meninas passaram. Acredite no potencial delas. Agora que estamos reunidos de novo tenho certeza que vamos conseguir pensar em algo. Tenha fé!

Nate jogou o corpo para trás fitando o teto enquanto falava.

 

— Desconfio muito de Sophie, desde o início. Ela é o demônio em pessoa e odeia a Angel desde o tempo do orfanato. Eu e Spencer passamos lá ontem depois que saímos da delegacia para ver se tinham notícias e as freiras contaram da rivalidade das duas. Isso não vem de hoje.

Hanna apoiou os cotovelos nas coxas e apoiou a cabeça entre as mãos.

 

— Alison disse o mesmo, mais cedo. Só que ela tentou contar sua versão para Toby e ele não acreditou.

Caleb levantou e caminhou de um lado para o outro raciocinando.

— Isso é o que menos importa agora.

— Amor — repreendeu Hanna. Todos olharam para ele surpresos com sua frase, mas ele continuou sem dar importancia.

— Toby está errascado, eu aposto. E isso foi um dos planos de -A para mantê-lo fora da jogada até que consiga atingir seus objetivos. Não conseguiremos provar a inocência dele a tempo para resgatar Angel. A menina já estará morta quando ele sair da cadeia.

O silêncio foi a confirmação de que ele estava correto. Provar a inocência de alguém perante a lei não era fácil e muito menos rápida. Angel não podia esperar tanto assim. O telefone de Hanna soou e ela levantou para atender.

— É a Ali, pessoal.

 

Ela atendeu o celular de onde estava mesmo colocando no viva a voz.


 


A porta magnética abriu no momento em que Ali se aproximou. Ela cruzou a escada de concreto com o aparelho preso a orelha e se afastou do barulho de entra e sai da delegacia. Parou perto do coqueiro de folhas secas no jardim, a única vegetação daquele lado da calçada.

— Hann, não vamos conseguir tirar o Toby de lá agora. Só daqui a duas semanas, no máximo.

 

Caleb confirmou com a cabeça.

 

— Não disse?

 

— Cala a boca — resmungou Hanna para Caleb. — Como assim Ali, mas porquê?
 

Hanna levantou do sofá e foi até a janela. O silêncio da rua era assustador, parecia que de uma hora para outra todos haviam sumido. Alison soltou o ar pela boca do outro lado da linha.

 

— O caso é mais sério do que eu pensava. Ele está sendo acusado de assassinato de um funcionário da Cavanaugh Construções. As investigações apontaram para um desfalque nas contas da empresa e ele não será liberado até o caso ser solucionado. Eles acham que ele matou o funcionário para tapar o buraco do roubo e apagar os rastros. Ele também terá que pagar uma multa de US$ 3 bilhões pela lavagem de dinheiro, mas essa é a parte mais fácil de resolver. Noel já está tentando resolver essa parte do problema. Estamos saindo agora da delegacia. Ele tentou ligar para Jenna hoje cedo, mas ela não atendeu então os policiais deixaram que ele falasse comigo por poucos minutos.

 

Alison tagarelava sem respirar. Ela buscou fôlego ao fim da frase, mas respirou e voltou a contar os detalhes.

 

— Ele disse que acredita que a Sophie está envolvida sim. Se a encontrarmos poderemos saber onde está -A. Segundo ele, o namorado de Sophie é o meu sobrinho Thomas Dilaurentis. Ele a conhece melhor que qualquer um. Toby acha que ele pode ser a nossa saída.

— Obrigada Ali, você é o máximo.

Alison sorriu do outro lado da linha.

— Vocês são minhas garotas, eu faço tudo por vocês! Não importa como. Vou para a casa do meu irmão falar com Thomas e mando notícias em breve. Cuidem bem de Spencer. — pediu com voz doce.

Hanna ouviu o telefone ser desligado e um punhado de esperança brilhou nos olhos de cada um que estava naquela sala. Caleb a abraçou por trás passando a mão em volta de sua cintura e beijou de leve seu pescoço.
 

— Por isso que eu AMO esse homem! — Nathaniel gritou empolgado levantando de onde estava. — Essa é a razão de -A não querer Toby conosco. Ele e Spencer juntos desvendariam esse enigma em três tempos.

Ezra abraçou Nathaniel também mostrando-se empolgado. Aria, por sua vez, não parecia tão feliz com o comentário de Nate. Ela olhou-o de lado com ironia e apertou as mãos na cintura.


— Ama o Toby é? Eu nunca soube disso… Engraçado né? Poderia aproveitar e sair do pé da Spencer para deixá-los serem felizes juntos de uma vez por todas.

— Amor! Que isso? — Recriminou Ezra assustado com os olhos arregalados. Desde quando Aria falava coisas assim para as pessoas?

 

Hanna segurou o riso tapando a boca com a mão.

— O que? Não me olhem com essa cara de peixes mortos. Estou falando o que todos pensamos. Estou de saco cheio de ver ele rondando Spencer cada vez que eles brigam.

Ela virou para Nate que a olhava estatelado sem saber como reagir.

— Nate, você é um homem incrível e acredito que goste de Spencer e de Angel de verdade, mas você precisa seguir sua vida e parar de atrasar a Spencer. Se a ama mesmo precisa deixar que ela seja feliz com outro. Esse é o melhor momento para eles se reaproximarem. Não vê?

Ninguém ousava pronunciar uma só palavra, apenas observavam estáticos. Aria continuou:

— Toby está preso, passando por um grande problema e precisamos manter Spencer ocupada para não dar a louca e fazer alguma besteira. Por que não levá-la para visitar Toby? Ele agora deve estar morrendo de preocupação com a filha e precisando do apoio da mulher que ama.

 

— Ela tem razão… — Manifestou-se Caleb. Hanna concordou com a cabeça. Nathaniel olhou para Ezra em busca de apoio.

 

— O que você acha? — perguntou entristecido.

Ezra desviou o olhar para o chão ficando totalmente sem jeito. Seus dedos tocaram a base da nuca coçando a cabeça. Nathaniel soltou o ar bufante pelas narinas desanimado. Se fizesse isso estaria jogando Spencer nos braços de Toby de uma vez por todas. Não teria mais volta. Não depois de enfrentarem juntos o sequestro da filha. Seu estômago se revirava com a ideia de perder Spencer de verdade. Ele esperou que Ezra acreditasse que ele podia fazer Spencer feliz. Ele tinha certeza que podia.


— Você também concorda com isso? Que eu devo me afastar da Spencer?
 

— Bom… Parece uma boa maneira de manter ela a salvo nesse momento.

 

Aria segurou a mão de Nathaniel e apertou com força.

— Sinto muito dizer isso, mas se a ama precisa deixá-la ir. Ainda estaremos ao seu lado independente do que aconteça. Ela também estará. Tenho certeza disso.

 

O silêncio preencheu o ambiente mais uma vez. Nate passou seu olhar com cuidado por todos os presentes analisando suas reações. Eles não se manifestavam, mas davam sinais de apoio a atitude de Aria. A imagem de Spencer conversando com ele sobre Toby na sorveteria o pegou em cheio. Ela abriu seu coração e contou que amava Toby. Que queria ser feliz com ele. Ela estava tão linda naquele dia. Tão feliz que parecia reluzir ainda mais a medida que contava de tudo que tinham vivido desde que ela regressou a Rosewood e nesse tempo ela nem sabia da existência de Angel. Nathaniel passou por todos e caminhou até a escada com os olhares curiosos seguindo-o pelo caminho. Quando ia subir o primeiro degrau ele olhou para trás. A determinação brilhando em seu rosto.


— O que estão esperando? Vamos buscá-la.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...