História Loucamente SUA - Capítulo 59


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 10
Palavras 5.452
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Fiinalmente chegou o dia que vocês esperavam!
Nesse capítulo eu revelo quem é a maldita -A e no próximo conto a história dela e seus motivos. Estão prontos? Então aqui vai.

Tenham uma boa leitura.

Beijinhos <3

Capítulo 59 - EU sou -A


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 59 - EU sou -A

O telefone da sala de estar tocou lá pelas 23 horas, em meio aos últimos pedaços da pizza e histórias hilárias sobre a adolescência das gêmeas. Era Jamie. As meninas pararam de rir quando viram Tom pegando o telefone e cochicharam entre si.

— É a Jamie — informou Tom tapando o auto-falante com a mão. Nina revirou os olhos, bufando. Já Anna levantou correndo para perto do telefone empolgada para falar com a mãe. Ela tomou o telefone das mãos de Tom.

— Como vão as coisas por ai, querido? Sei que esqueci de deixar o jantar. Me perdoe, tem dinheiro para compra algo para vocês? Pode pegar meu cartão de crédito. Eu poderia te passar a senha caso fosse necessário. — disparou sem respirar.

— Já comemos mamãe, relaxa. Tom pediu pizza para a gente. — Anna mordeu a ponta da unha, depois cruzou as pernas de forma sutil.

— Que bom! — Exclamou mais aliviada — Estaremos de volta em casa dentro de dois dias. Sinto muito pela demora, a parte boa é que Brian está bem. Avise a Nina sobre isso. Ela deve estar preocupada.

— Hum, o Brian já está bem — repetiu em alta voz propositalmente olhando para Nina que a interrogava com os olhos por notícias. — Fico feliz por isso.

Os ombros de Nina perderam a tensão na mesma hora, e por impulso ela abraçou Thomas pelo pescoço com um sorriso de orelha a orelha.

— Ele está bem, graças a Deus! Meu menino está bem!!! — comemorou.

Thomas correu as mãos pela extensão das costas de Nina abraçando-a com força. Não havia maldade naquele abraço, foi apenas espontâneo. Porém, a medida que eles se abraçavam e o calor do momento foi passando, Nina pode sentir o corpo, os músculos dele firmes e imponentes contra si e ficou envergonhada. Porém, ao contrário dela, seu irmão parecia apenas contente. Seu sorriso estava largo e verdadeiro brilhando sobre ao maxilar quadrado. O contraste perfeito com aqueles olhos azuis intensos.

— Brian é um garoto forte. Seja lá o que causou sua recente rebeldia vai passar logo. — disse sorrindo. Aquele sorriso que lembrava Nina de um garoto esperto e sapeca, daqueles que deu muito trabalho aos pais.

Nina passou as mãos jogando o cabelo para trás e deu uma espiada, pelo canto do olho para Anna. Ela tagarelava no telefone balançando os pés e olhando fixamente para as unhas. Thomas continuou encarando Nina de onde estava sem se mover. Ela voltou a encarar o oceano dos olhos de Tom ficando sem ar na mesma hora. Ele continuava com aquele sorriso deslumbrante. Desde quando sentia esse tipo de atração por Thomas? Ele sempre foi assim tão gato, ou isso aconteceu de uns tempos para cá? O silêncio deixava um ar constrangedor e ao mesmo tempo gostoso. Nina se sentia anestesiada. Talvez fosse apenas a emoção pelas boas notícias sobre Brian, talvez ela não fosse uma pervertida querendo ir para a cama com o irmão. Isso era tão nojento quanto parecia? E se realmente fosse... Por que para ela parecia tão... DELICIOSO? Thomas deu dois passos na direção de Nina e por um segundo ela achou que ele tocaria no rosto dela. Seu coração havia pulado com essa possibilidade, mas tudo que ele fez foi cruzar os braços a frente do abdome definido.

— Você gosta muito desse garoto não é? — Nina piscou algumas vezes e passou a língua atrás dos dentes.

— Sim, muito. — sussurrou.

— O conhecia antes de vir morar com o Jason e a Jamie? Não consigo imaginar você tão emocionada por causa de nenhuma outra pessoa além de sua irmã gêmea. — ele riu como se fosse uma boa piada. Nina se sentiu incomodada pela comparação.

— Deixa de ser imbecil, Thomas. — revirou os olhos saindo de perto dele e indo para perto de Anna sentando-se no sofá.

— O que foi? — Perguntou indignado encolhendo os ombros.

Nina virou para encará-lo levantando as sobrancelhas com superioridade.

— Humf... — resmungou.

— Nina, cara, você é quase uma versão menos verde da Fiona. Não há nada frágil ou sentimental em você, garota.

Aquilo magoou Nina. Nada frágil ou sentimental? Era essa a visão que ele tinha dela? Uma mulher bruta e ogra? Qual é! Ela amava Brian e Anna, SIM, mas isso não significava que ela não se importava com os outros. Do jeito que Thomas falou ele parecia estar fazendo um grande elogio a ela. Nina grunhiu e levantou-se da cadeira subindo as escadas.

— Nina! A mamãe ainda quer falar com você. —  Gritou Anna olhando confusa para a escada.

Thomas olhava sem entender. Ele a acompanhou de longe subindo as escadas batendo o pé e esmurrando a porta antes de se trancar no quarto.

— O que houve? — Perguntou confuso olhando para Anna. A menina deu de ombros, num claro "sei lá".

Ela deu a desculpa de que Nina estava com dor de cabeça e tinha ido para a cama mais cedo antes de desligar. Thomas ficou arrumando a bagunça na cozinha com a ajuda de Anna. Eles subiram para os quartos depois de deixar tudo organizado. Como Nina tinha trancado a porta Thomas se sentiu na obrigação de emprestar sua cama para Anna e passar a noite no colchão. Ela aceitou de cara. Eles arrumaram as camas e tomaram seus banhos um por um. Como não tinha roupa para dormir, Tom acabou emprestando uma blusa e um short de tactel para Anna. Thomas estava deitado no chão ao pé da cama sem camisa, com os braços abaixo da cabeça quando ouviu a voz de Anna falando de trás da porta do banheiro.

— Eu não vou sair daqui de jeito nenhum! — gritou parecendo apavorada.

A porta estava fechada com a luz do banheiro apagada. Ele notou pelo escuro na brecha entre a porta e o chão, de onde antes brilhava uma luz amarelada. Ele esticou o pescoço tentando enxergar melhor.

— Deixa de bobeira, vem logo. Está tarde já, sabia?

— Não, nem pensar. Eu estou ridícula ninguém pode me ver desse jeito no mundo. Seria um desastre social. — lamentou-se fingindo choro.

— Eu não ligo para essas coisas Anna. Posso tapar meus olhos se quiser, ué!

Ela entreabriu a porta colocando a ponta do nariz para fora.

— Só se desligar a luz para eu passar.

Thomas ria sem medo de esconder o quanto estava se divertindo com a situação. Anna concordou, então, ele foi até o interruptor de luz e o desligou. Uma claridade fraca iluminou o rosto de Anna e ele a viu esgueirar-se nas pontas dos pés até a cama e se enfiar abaixo da colcha Bouti branca. Tom olhou para a janela. Estava em uma daquelas noites quentes de matar.

— Nesse calor? — questionou incrédulo —  Vai morrer de calor, Anna.

— Não vou sair daqui de baixo, melhor morrer de calor... — respondeu formando um bico nos lábios.

Tom sacudiu a cabeça.

— Esquece, vou ligar o ar condicionado antes que você tenha um infarto.

Ele ligou o ar e logo depois recolheu-se na cama dura improvisada. O silêncio reinou por apenas uns segundos. Logo, Anna começou um assunto que despertou o interesse de Thomas. Ela apoiou os cotovelos sobre a beira da cama inclinando-se para o chão, onde estava seu irmão. Seus cabelos negros desgrenhados caiam pelas laterais de seu rosto bagunçados. Ela colocou uma mecha atrás da orelha.

— Tom, você acha mesmo que a Megan pode ser um problema para a Nina? — Tom olhou de soslaio em direção a cama e Anna deu de ombros — As vezes acho ela tão... Insensível.

— Ela nunca foi nenhuma santa, está sempre metida em alguma confusão. Não acho que uma pessoa de bom coração como minha irmã possa se dar bem de verdade com aquela garota. — Desabafou, aflito.

— Eu fico confusa sabe? — Assumiu — Quer dizer, não me leve a mal. Sei que estou saindo com o namorado dela, e para falar a verdade, estou loucamente apaixonada por ele. Só que isso não muda o fato que Megan é misteriosa e esquisita.

Thomas passou os dedos pelo queixo. A barba por fazer baixa espetava a sua pele. Sophie foi a melhor amiga de Megan por muitos anos e foi exatamente nesse período em que começaram os distúrbios de personalidade. Ela costumava ser uma menina corajosa e destemida, cheia de personalidade, mas nunca, NUNCA, mal caráter como se revelou posteriormente. Ele via um pouco da antiga Sophie em Nina. Esse jeito corajoso de bater de frente com o mundo e deixar sua marca, ele gostava MUITO disso. Foi essa qualidade que o fez se apaixonar por Sophy e agora estava tudo tão estranho. Ele a presenciou chantageando o próprio pai e apostava toda a sua coleção de disco dos Beatles que ela estava metida com algo ruim e GRANDE nesse exato momento. E se Megan fosse a chave para ele descobrir os segredos sujos de Sophie? Talvez ainda seria capaz de salvá-la desse destino complicado. Ele pensou e fazer mais uma pergunta para Anna, mas quando buscou a silhueta dela sobre a cama a menina estava apagada toda torta sobre a cama com a cabeça apoiada nas costas da mão.

— Parece um bebê, cara. — riu, Thomas. Ele levantou de onde estava e colocou Anna na posição correta na cama, depois com todo cuidado cobriu seu corpo com o lençol que estava dobrado.

— Bons sonhos, menina.

Seus lábios tocaram a testa dela com suavidade.

No dia seguinte pela manhã Tom foi a padaria e comprou o necessário para preparar o café da manhã para as meninas. Ele deixou Anna dormindo quando saiu, passou no quarto de Nina, mas ela não estava mais lá. A cama estava arrumada e não havia vestígio de que havia passado a noite ali, então, decidiu seguir seu caminho. Na volta cortou frutas em cubos, pôs os pães em um cesto sobre a mesa e os receios em potinhos transparentes de onde poderiam pegar com facilidade. Ele colocou o que estava pronto na mesa e voltou para a pia cortar as frutas para fazer o suco. O aparelho para espremer as laranjas estava sobre a geladeira. Ele pegou e passou uma água antes de começar a usar. Em menos de quinze minutos já estava enchendo a jarra com o suco. Pela falta de equilíbrio começou a derramar ao redor da garrafa. Ele apoiou as coxas contra o balcão para buscar mais firmeza quando, de repente, o portão da casa fez barulho de que estava sendo arrombado. A porta da casa foi escancarado também, mas não dava para saber quem era daquele cômodo da casa.

— Thomas!! — era a voz de Alison — THOMAS! — gritou ela entrando na cozinha em seguida com seus olhos azuis arregalados.

Tom repousou a garrafa de suco cheia na mesa já para o café da manhã e foi até Alison. Ela estava ofegando parada no meio da cozinha com as mãos na cintura. Seus cabelos estavam soltos e bagunçados e pelo estado amarrotado de suas roupas ele apostava que ela estava com ela ha uns dois dias.

— Tia Ali, o que a senhora tem?

Alison tentou respirar antes de falar alguma coisa. Havia corrido desde o engarrafamento na rua Alvenário, que ficava duas quadras antes da casa de Jason, até aqui só para conseguir economizar seu tempo e o de Angel. Estava tão agoniada com esse sequestro que nem sequer havia pregado o olho um segundo na noite passada. Noel insistiu e até tentou dar um remédio para que ela descansasse, mas não queira dormir naquele momento. Como descansar enquanto sua afilhada estava perdida, com pessoas estranhas e sabe-se lá o que estavam fazendo com ela. Ali sacudiu a cabeça afastando os maus pensamentos. Pensamentos negativos atraem desastres e ela tinha certeza de que ia dar tudo certo. Thomas tocou a mão no ombro da tia e a puxou para um abraço.

— A senhora me escutou tia? Está tudo bem com o bebê? — Alison se deu conta do que o sobrinho estava falando e meneou a cabeça em sinal positivo. Tentou recuperar o fôlego e pousou a mão sobre o peito.

— Levei um baita susto agora, tia. — Tom deu um riso nervoso e puxou uma cadeira para que Alison se sentasse. Ela deu um passo a frente ajustou a roupa antes de sentar-se a cadeira.

— Preciso ter uma conversa séria com você, meu querido.

A expressão séria de Alison alarmou a mente de Thomas, não era brincadeira. Era algum assunto delicado e ele estava com aquela sensação estranha de que Sophie estava metida em problemas.

— É sobre a Sophie, querido. — continuou.

O coração de Thomas saltou para a garganta e uma agonia começou a se instalar. Ele soltou o ar com dificuldade pela boca e apertou as mãos uma na outra sobre a mesa. Alison estendeu a mão e pousou sobre a de Thomas num sinal de apoio. Ela sustentou seu olhar por um minuto sem oscilar.


***
 

Emily tentou ligar para Alison, mas a ligação estava caindo na caixa postal, então, ela ligou para Aria. Ela atendeu o telefone.

— Oi Em, alguma novidade?

— Até que enfim consegui falar com uma de vocês. Onde está a Alison? Ela não me atende.

Aria deu um sorriso de lado.

— Alison está ocupada agora Emily. Ela foi falar com o sobrinho para ver se descobre o paradeiro da Sophie.

— Hum… — resmungou em desagrado.

Spencer que estava caminhando em direção a delegacia junto a Hanna e Aria virou com um sorriso no rosto.

— Já está com ciúmes? Vou contar tudo para a Jenna, hein? — falou alto perto do celular para que Emily escutasse. Hanna riu da brincadeira passando na frente de Spencer e subindo as escadas.

— Você ouviu não é? — provocou Aria ao telefone.

Emily sentiu seu rosto queimando de vergonha. Ela apertou os olhos e pediu:

— Coloque no viva-voz Aria.

Quando o aparelho começou a emitir a voz do outro lado da chamada Emily pode ouvir a risada de Spencer ecoando. Ela estava se divertindo com essa situação. Que vaca! Se Jenna ouvisse elas sacaneando Emily com Alison isso daria em separação na mesma hora. Ainda mais sabendo que Jenna é traumatizada por ter sido abandonada por Noel para que ele se casasse com Ali. Ela não queria nem imaginar em quantas brigas brotariam dali.

— Então é assim? Ha menos de um ano atrás você estava enojada por eu estar com a Jenna. E agora virou minha guarda costas? Isso é traição Spencer. Vou te deserdar!

— Eu tiro meu time de campo, não tenho nada haver com isso. — defendeu-se Aria tentando esconder o tom de diversão na voz.

— Suas vacas! — disse Em.

— Perdeu sua chance boneca, Ali está casadíssima agora. Já era! Contente-se com a louca da Jenna. Não fui eu quem escolhi, foi você mesma.

Em não conseguiu evitar de sorrir.

— Filha da puta, a Jenna é maravilhosa! Eu a amo, Spence.

— Isso é você quem diz — rebateu Spencer — continue repetindo e eu acho que um dia poderá se convencer disso.

Emily deu uma risada.

— SPENCER! — repreendeu Emily — Que filha da puta! Nem ouse em falar essas coisas na frente da Jenna. Pelo amor de Deus.

Aria cochichou algo que Em não conseguiu identificar para Spencer e ela riu falando “com certeza” em resposta. Emily ficou curiosa.

— O que estão fuxicando ai?

— Aria falou que você não gosta mais da Jenna do que gostava da Alison. Eu concordo.

Em ficou muda do outro lado da linha, o coração batendo na garganta tão alto que parecia tamborilar nos ouvidos. As meninas riram da confirmação do silêncio dela, mas não se contentaram com isso.

— Você gosta mais da Jenna do que gostava da Ali, Em? — provocou Spencer.

Emily engoliu seco.

— Eu não gosto mais da Alison dessa forma. Sou madrinha do Jake e amiga do Noel quero que eles sejam felizes. O que aconteceu foi apenas uma brincadeira de adolescente, Spence. É passado.

Spencer riu pelo nariz sem se convencer do que Emily estava falando. Era óbvio que ela estava mentindo e mentindo muito mal.

— Continue dizendo isso. Já falei que um dia talvez possa se convencer de que é verdade.

— Você está impossível hoje! — riu Emily — Afinal, que alegria toda é essa? Vocês encontraram a Angel? O que estão fazendo agora?

O tom de diversão sumiu da voz de Spencer imediatamente, mas havia uma ponta de esperança na forma como ela falava.

— Na verdade, ainda não. Mas estamos perto de conseguir algumas respostas… Alison está tentando descobrir onde Sophie está. Toby acha que ela está envolvida no sequestro e se encontrarmos a Sophie… Também encontramos minha princesa.

Emily pousou a mão no peito.

— Graças a Deus! Vou procurar a Alison para ver se precisa de ajuda. Quando tiver notícias ligo para vocês.

Em jurou ter escutado Aria fazer “ownn” no fundo, mas preferiu fingir que não. Era inútil fugir delas.

— Ótimo então… — respondeu Spencer.

— O horário de visita já começou. Venham! — Hanna apareceu na porta do fim da escada com um sorrisão encantador e acenou para que todas subissem.

Spencer despediu-se de Em e entregou o telefone para Aria antes de subirem as escadas. Hanna já tinha conseguido convencer o delegado a permitir a visita de Spence a Toby e um policial esperava com uma arma na mão próximo a uma grande porta de metal. O sangue de Spencer correu mais rápido nas veias. A última vez que havia visto Toby foi do dia seguinte a noite de natal quando pegou ele em casa com uma vadiazinha qualquer de Rosewood. Ele a magoou tanto naquele dia. Convidá-la na cara de pau para fazer um sexo a três diante de Angel foi muita afronta. Ela tinha ficado tão louca de raiva que saiu da cidade levando Angel consigo. Ele não merecia ter a filha dele por perto, não depois de insinuar algo tão rude na frente da menina. Hanna deu um empurrãozinho nas costas de Spencer para fazê-la começar a andar. Spence deu um meio sorriso tenso e trêmulo enquanto caminhava em direção ao homem parado na porta. os dedos da mão pareciam adormecidos e difíceis de mover tamanho nervosismo que sentia.

— Boa tarde — Spencer cumprimentou o policial que nem ao menos se deu ao trabalho de falar nada. Apenas virou de costas e a encaminhou por um corredor feio e malcheiroso até uma sala com um vidro grosso separando o local em dois lados. Havia mais três pessoas nessa sala sentadas em cadeiras. Cada preso tinha direito a uma pequena cabine. Elas usavam um telefone para se comunicar com os detentos que estavam do outro lado do vidro. O policial indicou a cadeira com o número 139 e lá ela aguardou observando os detalhes daquele lugar. O vidro a sua frente não tinha nenhuma passagem. Nem um buraquinho sequer para ouvir a voz da outra pessoa. Sem contatos. Não podia, tocar, sentir, nada a não ser aquele fone gigante alaranjado pendurado na lateral esquerda da pequena cabine. O coração de Spencer se apertou quando viu Toby atravessando a porta grande com algemas nos pulsos e sentando no lugar a sua frente. Ela tremia dos pés a cabeça e a respiração parecia querer falhar a qualquer segundo. Ele estava com olheiras, as mesmas que Spence podia ver em seus olhos através do reflexo do vidro. Ainda usava o terno, talvez o mesmo desde quando foi levado para a cadeia. Nathaniel e as meninas a contaram tudo sobre o que aconteceu com Toby e das acusações as quais ele estava respondendo. Ela quis estar aqui. Quis vê-lo e poder confortar seu coração de alguma maneira. Não importa o que tinham passado, Toby ainda era o amor da sua vida e o pai da sua filha. Era difícil admitir, mas ele ainda era o homem mais importante da sua vida desde a morte de Peter. Um babaca que a magoou, mas o único babaca que ela ainda continuava amando mesmo depois de tudo. Ele passou a mão pelo cabelo bagunçado tentando ajeitar, talvez se olhando no reflexo do vidro, da mesma forma que Spencer fez segundos atrás. Ele tentou alinhar os fios, porém, acabou desistindo e soltou um sorriso trêmulo. Seu olhar ainda era tão penetrante quando se lembrava e seus dedos firmes que costumavam torturá-la pareciam tão famintos por ela quanto antes. Quantas vezes ela seria capaz de se apaixonar por aquele homem? Todo o seu corpo pedia por ele, por cada centímetro dele. Toby pegou o telefone e a encarou através do vidro que os afastava. A mão dela tremia quando ergueu para pegar o telefone. Spencer se perguntava se também era estranho assim para as outras mulheres ali. A sensação de encará-lo após tanto tempo era assustadora e ao mesmo tempo incrível. A voz rouca invadiu seus ouvidos como um raio que cruza o céu causando um alvoroço por onde passava.

— Spencer

Ela se manteve em silêncio sentindo algo virar de ponta a cabeça dentro de si. Toby sempre a deixava desse jeito. Desde de quando eram pequenos. Por que será que nunca conseguiram ficar perto um do outro sem se machucarem? O nó apertou-lhe a garganta enquanto fitava os cantos da boca de Toby subirem mostrando os dentes brancos. Ela puxou o ar com força para os pulmões.

— Eu queria tanto te encontrar, nunca imaginei que seria nesse lugar. — continuou ele com a voz entristecida.

— Não queria ser encontrada Toby. — ela disse porque queria se convencer disso, de que não o queria, e firmou sua mente para manter o foco do que tinha ido fazer ali. Saber sobre Angel.

— Mas eu QUERO te encontrar, Spencer — frisou ele.

A voz dela falhou ao responder.

— Não, não vamos perder tempo com esse assunto. — protegeu-se Spence. Ela não queria voltar a se sentir perdida e confusa, já estava mal demais com o sumiço da filha.

— Só quero ter uma chance de concertar as coisas com você. De me explicar. — ele implorou baixo.


Toby fechou os olhos jogando a mão sobre os cabelos.

— Não preciso das suas explicações. Eu ainda quero ficar longe de ti mais do que quero a minha liberdade. Só que não posso esconder sua filha de você, muito menos o que está acontecendo com ela nesse momento.

— Era ela a menina desaparecida… — a força que usou para contrair os músculos do rosto enrugou os cantos dos olhos. — Veio aqui para isso não é?

— Sim — sussurrou Spencer.

O policial entrou na sala por trás de Toby e apontou para o relógio lembrando do horário curto da visita.

— Você tem mais dez minutos Cavanaugh.

O homem saiu fechando a porta atrás de si e Toby voltou-se para Spence. Soltando o ar com pesar.

— Ainda assim é muito bom ver você aqui. Pode perguntar o que quiser, estou desesperado para sair daqui e poder procurar a minha filha. Matar o filho da puta que teve a coragem de encostar nela.

— Soube hoje sobre o que houve contigo — assumiu fitando o balcão onde estava apoiada a própria mão — vim porque precisava te ver. Dizer que não acredito no que estão te acusando não importa quantas suspeitas tenham.

Os olhos dele ficaram levemente brilhantes num tom que fazia o coração de Spencer pular.

— Obrigada, isso significa muito para mim. Alguém está tentando me incriminar para me manter longe de você.

Ela engoliu seco. As palavras dele pareciam bastante sinceras.

— Também acho isso. Mas vou fazer de tudo para te tirar daqui Toby, mesmo que depois de resolver tudo eu suma nesse mundo mais uma vez. Não importa! Vou estar do seu lado.

Toby sentiu vontade de agarrá-la e tascar o melhor beijo de sua vida naqueles lábios avermelhados. Faria isso se não tivessem separados por um muro de contenção. Ela era tão geniosa que muitas vezes queria sacudi-la até que criasse algum juízo. Ou talvez apenas fazer ela entender que era dele. E apenas dele. Toby segurou a vontade e limitou-se a esticar os dedos pelo balcão e tocar o vidro como se tentasse pegar a mão dela.

— Espere eu sair daqui e vamos conversar sobre tudo que aconteceu, posso me explicar. Reconquistar você nem que leve mais um ano. Eu não me importo. Só quero você.

Ela segurou a respiração e levantou da cadeira. Se passasse mais um segundo ouvindo a fala mansa de Toby cairia na dele e se arrependeria logo em seguida.

— Vou encontrar nossa filha. Eu te juro, OK? Vou proteger ela mesmo que custe a minha vida. — disse de pé por fim antes de desligar.

Toby ficou agitado sinalizando para que ela não fosse embora. Que ficasse com ele. Mas o policial logo entrou e prendeu os braços dele atrás das costas colocando as algemas. Todo o corpo de Spencer tremia enquanto ela atravessava o corredor. Seu coração disparado e a garganta com um bolo. Os olhos ardiam pela vontade de chorar, mas as imagens de Toby e Gail na sala da casa dele tão íntimos ainda cortava seu coração. Ele tinha palavras tão doces, um jeito tão verdadeiro de falar o que ela mais precisava ouvir. Por que então não conseguia acreditar? Por que ele a deixava tão insegura?

Hanna virou para a direção de Aria com discrição e cutucou o braço dela antes de falar. As duas verificaram se Nathaniel estava olhando antes de prosseguir com o assunto.

— Acha que ele está lidando bem com a informação? — Hanna, mordiscou as unhas. Nate estava com o olhar perdido sentado em uma cadeira do outro lado da sala de espera. Ele tamborilava os dedos na perna sem parar. Quando Spencer saiu da sala seguida pelo policial ele saltou da cadeira imediatamente e correu ao encontro dela.

— Ele vai superar, tenho certeza — disse Aria, sacudindo os ombros. Hanna ainda tinha suas dúvidas sobre o futuro, ainda mais quando se tratava da cabeça dura da amiga.

— Como foi lá dentro? — perguntou Nathaniel apreensivo.

Spencer se sentia perdida e apaixonada ao mesmo tempo. Toby sempre a fazia ficar assim. Talvez até mais determinada a encontrar Angel do que antes. Chorar não resolveria nada, ela tinha que lutar. Fazer algo de verdade além de esperar.

— Sophie pode mesmo estar envolvida no sequestro da minha filha?

Perguntou para Nathaniel com determinação. Ele olhou para Hanna e assentiu com a cabeça.

— Sim — acrescentou ele.

— Onde ela está agora? Ali descobriu isso?

Aria pegou o telefone na mão e apertou entre os dedos. Caminhou até Spencer e a puxou para fora da delegacia. Caleb estava esperando com o carro na calçada a frente. Nate abriu a porta para que elas entrassem. Aria foi a última.

— Ela disse que Thomas esta indo procurá-la. Ele acredita que pode descobrir para onde levou Angel se encontrá-la frente a frente.

— E Jenna? Sabe de algo?

— Em disse que contou há pouco tempo. Ela não teve notícias da filha ainda…

Caleb ligou o carro e começou a dirigir. Pegou o primeiro retorno que levava ao centro da cidade.

— Onde vamos, amor? — questionou Hanna perdida.

Aria respondeu antes de Spencer.

— Se Jenna pode ter notícias de Sophie a qualquer momento vamos assegurar de que ela não vai nos esconder nada.


***
 

Taylor saiu do cativeiro com o prato que continha o jantar de Angel inteiro nas mãos e jogou sobre a mesa. Alex o olhou com o canto dos olhos bufando.

— A princesinha não quis comer mais uma vez? — debochou com irritação.

Taylor curvou os lábios para baixo.

— Eu já tentei de tudo. Ela está assustada, cara. Espera a fome bater duvido que vá conseguir ficar sem comida por muito tempo. Ela vai se acalmar logo, logo.

— Logo? Eu não sou babá não porra! Ou ela come ou vou empurrar essa merda desse macarrão goela a baixo.

— Não faz isso — pediu em tom de súplica.

Alex levantou sem hesitar e pegou o prato da mesa com raiva. Taylor tentou impedi-lo de entrar no cativeiro, mas Sophie o ordenou que largasse Alex. -A apoiou a ordem repetindo para que deixasse ele fazer de seu jeito. Ele arreganhou a porta de uma só vez e trancou em seguida. Angel pareceu empalidecer quando não viu o rosto carismático de Taylor e levantou assustada indo para o fim do quartinho.

— Não quero comida. Não quero nada, me deixa em paz! — gritou.

Alex continuou sem hesitar até onde Angel estava puxando-a forte pelo braço. O aperto foi tanto que deixou a marca dos dedos no local.

— Eu não perguntei o que você quer, cacete. — rebateu sem paciência puxando a e jogando sobre o amontoado de feno. Ao sentir o corpo batendo contra o objeto duro a menina começou a chorar.

— Não — soluçava.

— Engole o choro! — ordenou.

Ela não conseguia parar. Olhava para o homem a sua frente e algo nele a apavorava. Desesperava. O choro saia sem controle, mas logo foi obrigada a se calar. O homem agarrou seus cabelos com uma das mãos e com a outra enfiou a comida na boca dela a força. Ela sentiu os fios do macarrão descendo engasgado pela garganta e a ânsia de vômito a tomou. Ela gritou em meio ao choro e o desespero. Ele pegou outro punhado de comida e enfiou em sua boca mais uma vez. O gosto se confundia com o azedo do que queria voltar, e o salgado das lágrimas. No fim do prato ela não aguentou colocou tudo para fora ali mesmo sobre os próprios pés. Não deu tempo de desviar, nem de procurar uma posição menos desconfortável. Alex puxou ainda mais para frente seus cabelos enquanto ela vomitava. Quando acabou ele a deixou no lugar em que estava e saiu rindo.

Rindo dela.

Isso era um pesadelo cada vez pior. Alex voltou para onde os colegas estavam com um riso frio nos lábios e o prato vazio nas mãos. Jogou sobre Taylor quando se aproximou dele.

— Problema resolvido seu babaca. Duvido que aquela putinha vá fazer doce para comer mais uma vez.

Taylor cerrou o punho e levantou irritado.

— O que fez com ela seu infeliz? — berrou furioso correndo em direção a porta do cativeiro.

-A posicionou-se na frente impedindo que ele acessasse a entrada. Ele deu um passo atrás.

— Não mandei entrar ainda, mandei? — desafiou a mulher.

Taylor fechou a expressão com raiva. Ele olhou para Sophie e ela mantinha os olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma. Ou pior que isso.

— Não — respondeu a contra gosto.

— Que bom! Sua mãezinha odiaria ter a quimioterapia da filha interrompida agora.

Taylor não ousou responder.

— Passe lá dentro mais tarde e limpe essa bagunça, Taylor. Por enquanto ela ficará sozinha aqui.

Sophie deixou o galpão calada. Taylor e Alex saíram em seguida no mesmo carro. Uns segundos depois, -A saiu segurando um saco preto pequeno nas mãos. Ela caminhou em direção a estrada e Sophie a acompanhou.

— O que faremos agora? — questionou num sussurro caminhando atrás de -A.

A mulher parou na beira da estrada e fez sinal para o primeiro ônibus que passou. As duas entraram e acomodaram-se em duas cadeiras do fundo do veículo. Estava praticamente vazio. Apenas uma senhora de cabelos brancos dormia num banco a frente perto do cobrador. -A tirou a peruca loira e colocou dentro do saco preto. Quando terminou de arrumar virou-se para Sophie.

— Nós vamos fazer uma visitinha a sua mãe, minha querida. — disse cruzando as mãos sobre o colo.

Sophie arregalou seus lindos olhos azuis como se ficasse sem ar só de pensar nessa possibilidade.

— Mas vó e se ela… — questionou atordoada. Vivian a interrompeu sem interesse em ouvir o restante da frase.

— Ela não vai desconfiar de NADA, querida.

O “querida” saia da boca da senhora com tanto pouco caso que Sophie duvidava conter algum tipo de carinho. Elas costumavam ser tão próximas, era difícil acreditar que chegara a esse ponto. A palavra de Vivian costumava valer como verdade absoluta para a vida dela, mas Spencer chegou na cidade e sua vó ficou paranoica. Ela falava de seu ódio pela família Hastings vinte e quatro horas por dia. De como aquela família tinha roubado tudo que Toby tinha direito e como havia feito ele sofrer durante a infância. Spencer era o principal alvo dela, onde era descontada toda a raiva que sentia. Sophie costumava ouvir sua vó resmungando pela casa sobre como aquela “garota ruim” tinha roubado a atenção, o carinho e todos os bens materiais que pertenciam, por direito, a ele. “Um filho adotado não tem o mesmos direitos de um herdeiro de sangue?”, repetia ela apertando os nós dos dedos enquanto andava de um lado para o outro. “Meu filho merece mais do que ser apenas um bastardo ridicularizado pela sociedade. Sempre sendo visto como o rebelde e o errado.” Toby não era errado, nem rebelde, e as pessoas de Rosewood viviam falando coisas ruins sobre ele. Vivian costuma dizer que se Spencer não existisse Peter teria dado mais atenção a Toby, quem sabe até criado como filho de verdade, e agora ele não teria de lutar por uma merreca da herança.

A herança.

Será que ela mataria Angel para ficar com a maldita herança?



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