História Loucamente SUA - Capítulo 62


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Categorias Pretty Little Liars
Personagens Alison DiLaurentis, Aria Montgomery, Caleb Rivers, Emily Fields, Ezra Fitzgerald, Hanna Marin, Jenna Marshall, Melissa Hastings, Paige McCullers, Peter Hastings, Spencer Hastings, Toby Cavanaugh, Veronica Hastings, Wren Kingston
Tags Drama, Maldosas, Romance, Spencer Hastings, Spoby, Toby Cavanaugh
Visualizações 15
Palavras 4.992
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Crossover, Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


ESSE É O PENÚLTIMO CAPÍTULO MOÇADAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

DEPOIS DE AMANHÃ SAI O ÚLTIMO E ENTÃO POSTAREI UM EPÍLOGO LINDO QUE ESPERO QUE SE APAIXONEM.

Ainda estou tão emocionada que coloquei tudo em capslock. Espero que gostem minhas lindas, fiquem com Deus e ótima leitura.

Capítulo 62 - Fim desse pesadelo


Fanfic / Fanfiction Loucamente SUA - Capítulo 62 - Fim desse pesadelo

Sul de Rosewood - 21:40 - Cativeiro de Angel

 

— Vocês acham mesmo que podem me enganar não é engraçadinhos? — esbravejou Vivian chutando um dos latões pesados de gasolina amontoados pelo meio do galpão. O chute doeu. — Que droga!

 

— Abaixa, abaixa... — disse Taylor puxando Angel com ele de encontro ao chão.

 

Eles estavam tão perto da saída que ele já podia sentir a palpitação atenuando. Qualquer passo precisava ser muito bem calculado para não dar errado. Ele sabia quais as possíveis consequências desse erro e não queria pagar para ver. A menina obedeceu às ordens dele e se encolheu atrás de uma grande caixa de madeira mofada. Tinha cheiro de bicho morto e tão forte que ardia a parte de baixo do nariz. Ele se juntou a ela e pegou os sapatos dela pequenos o suficiente para fazer barulho sem ser notado. Eles rastejaram em silêncio até uma parte mais funda do galpão mudando de posição. Vivian corria o lugar como um leão indomável. Estava indignada e gritava sozinha por todos os cantos. Ela pisou forte em direção ao meio da planta fazendo o piso estremecer entre suas mãos apoiadas pelo chão sujo.

 

— Eu passei anos tentando dar uma boa vida ao seu pai, pirralha. O criei quando ninguém mais o queria, nem mesmo o vagabundo do Peter Hastings. — houve uma pausa no discurso até que ela continuasse e Angel estreitou os olhos confusa.

 

— O sobrenome da minha mãe não é Hastings, Tay?

 

Taylor sabia que sim, mas não teve coragem de dizer em voz alta. Apenas afirmou com a cabeça positivamente levantando a face o suficiente para tentar encontrar Vivian. Ela dava passos lentos e firmes na direção oposta a que eles estavam. Angel se lembrou da noite em que participou da construção da escultura de gelo com Sophie e Toby. Eles estavam tão felizes que decidiram aproveitar o momento para comer algo no Mc Donalds mais próximo e foi lá onde ela escutou pela primeira vez o nome completo de sua mãe. Hastings, Spencer Hastings. Angel amava Toby, o amou desde o primeiro segundo em que o viu no passeio as Indústrias Cavanaugh. Foi uma daquelas ligações mágicas que apenas pais e filhos sentem. Ela sentiu-se tomada por uma intensa saudade. Mas o que queria dizer isso? Se essa mulher estava dizendo que o pai dela era filho do pai da sua mãe, isso significava que eles eram irmãos. Irmãos? Ela abaixou mais a cabeça para evitar de ser vista e chegou um pouco mais para frente, bem devagar. Ela viu o semblante da mulher sendo iluminado pela janela e ela possuía os mesmos traços fortes do rosto de Sophie. O cabelo preto bem liso e grosso, as sobrancelhas recheadas e desordenadas, olhos bem claros e levemente puxados para os lados. Eram bem parecidas, a diferença era a idade. Ela já mostrava sinais da idade nas linhas expressivas sobre a testa e nos cantos da boca.

 

— Seu avô foi um filho da puta e mereceu morrer queimado naquele escritório. Foi bem feito! Passou a vida toda com aquele nariz empinado se sentindo melhor do que todo o resto do mundo por ser rico. Esfregando os milhões na cara da cidade inteira. Deixando Toby passar necessidade por vergonha de assumir que o adotou quando pensava em largar a namorada para ficar com uma louca. — Desabafou.

 

— Ah… — exclamou Angel entendendo parte da história.

 

“Então meu pai foi adotado pelo pai da mamãe. Essa é a complicação.”

 

O que não encaixava era porque ela estava sofrendo as consequências da briga deles. Por que ela? Estava tão confusa que sua vontade era ficar ali e perguntar tudo que não entendia para aquela mulher. Estava se contorcendo por dentro para não levantar e acabar de uma vez com suas dúvidas. Suas têmporas tremeram de nervosismo. Taylor apertou os sapatos nas mãos e arrastou-se para a parte mais funda do galpão. A hora estava chegando, ele daria o sinal para que ela corresse para fora do galpão assim que não houvesse mais balas na arma de Vivian. Seu coração disparou como louco. A distância do fundo do galpão para onde Vivian estava agora era muito pouca. Dava para pegá-la fácil se tentasse correr. Angel puxou o ar mais forte para dentro dos pulmões. Da posição em que se encontrava agora não conseguia mais enxergar Taylor. E se ele não conseguisse sair a tempo? E se Vivian o pegasse? Angel apertou os olhos e firmou os dedos contra o peito. Quando voltou a encarar Vivian, a viu imersa nos próprios pensamentos, mas uma aura pesada circulava ao redor dela. Deu mais dois passos parando perto do meio do caminho até Angel com a pistola apontada para a própria testa. Ela bateu a ponta da arma nas têmporas como se sentisse uma grande dor de cabeça.

 

— Ele sofreu mais do que era capaz de assumir, e ficou ainda pior quando começou a ir atrás da sua mãe. Aquela infeliz roubou tudo que pertencia a ele, sabia? Toby foi um imbecil. Eu avisei um milhão de vezes para ele não se apaixonar pela Hastings que ela iria destruir a vida dele e olha o que aconteceu? — ela riu sem humor — ela destruiu.

 

— Faltava pouco para conseguir separá-los e mandar a Spencer para fora da cidade. Ela ficou apavorada por estar sendo perseguida mais uma vez. Era só continuar com os ataques e ela não resistiria, mas você TINHA que aparecer. TINHA que estragar os meus planos. Pirralha dos infernos a herança seria POR DIREITO de Toby e de nossa família se você não existisse. Era só Spencer descumprir a parte dela do testamento e sair de Rosewood. Tão fácil… — suspirou.

 

Ela bateu a arma na testa mais forte, o dedo apontado para o gatilho, determinada.

 

— Você! — berrou Vivian. Angel deu um pulo com o susto. — Você tinha que ter aparecido agora, logo agora!!!! Spencer fez de propósito. Ela voltou com tudo planejado só para foder com a minha vida. Eu sabia da sua existência, mas nunca imaginei que Toby te encontraria. NUNCA. Agora, depois de todo o meu esforço você será a herdeira da fortuna do Hastisngs. — ela fez uma pausa e deu uma risada irônica larga e grosseira — Isso, é claro, se sair viva daqui…

 

Angel olhou para trás, na mesma hora, em que um estrondo ecoou do lado oposto ao que ela estava. Vivian olhou para o lado do barulho assustada e disparou naquela direção. O tiro estourou um dos latões e litros de algo escuro e de cheiro forte se espalharam pelo chão. Vivian apertou freneticamente o gatinho na direção de um ponto fixo no fundo do galpão. Era onde Taylor estava! Angel se levantou de imediato, o cheiro forte da gasolina chegou em seus pés. Era viscoso e enjoativo. Um vulto negro passou sobre seus olhos fazendo-a cambalear para o lado. O olfato sensível atacado pelo cheiro forte do líquido e de repente todo o galpão começou a girar. Vivian enfiou as mãos nos bolsos e puxou outro carregamento de balas e começou a trocar. Ela parecia irritada. Muito irritada por sinal, ela disparava xingamentos para a direção de Tay. Ele não tinha aparecido, se mantinha na imensa escuridão escondido. Sua pernas tremiam tanto que pareciam varas verdes. Olhava perdida para a frente e via a cena estremecer sua alma de desespero. Tinha que correr e muito. Ela continuava vendo Vivian recarregar a arma e pela determinação em seu olhar tinha certeza que ela sabia a localização de Taylor.

 

“Não, não! Taylor”, tentou gritar alarmada.

 

— Sua infeliz eu te MATO!!!!! — berrou Vivian ao fundo. O timbre estremecendo o chão inteiro de tamanha fúria. Mais tiros. Barulhos altos e secos que a tiravam do chão.

 

Angel tentou forçar o corpo para trás jogando uma perna após a outra, mas nada aconteceu, as meias se ensoparam de gasolina e colaram seus pés no chão sujo de areia e feno. Ela não conseguiu perceber o que estava acontecendo exatamente no momento em que desmaiou. Seu corpo foi inclinando para trás e os pés saíram do chão. O vulto do corpo de Taylor passou por Vivian e quando menos esperou ele a pegou em cheio antes de conseguir atingir o chão. O teto foi se aproximando de sua visão e então começou a se mover sobre sua cabeça para o lado. Estavam correndo. O cheiro ainda era forte, muito forte e a tontura se intensificava. O que estava acontecendo?

 

— Não desmaia, fica comigo. Não desiste princesa. — a voz de Taylor era fraca, mas o alarme na mesma mostrava claramente que estava desesperado. — Abre os olhos princesa!!!! — chamou ele mais uma vez.

 

Angel tentou buscar com a cabeça uma visão melhor do que se passava ao seu redor. A parede cruzou a lateral dos dois e logo eles atravessaram o buraco no fundo do galpão. O ar fresco invadiu as narinas de Angel de uma só vez trazendo arrepios. Seus olhos arregalaram com o alívio. Só que eles ainda não estavam totalmente fora de perigo. Quando ela levantou a cabeça e olhou para Taylor seus olhos tristes intensos não desgrudavam dos dela. Eles a sustentavam como se fossem capazes de fazer qualquer coisa para protegê-la. Angel apertou os braços em volta de Taylor cerrando forte os olhos. Uma forte ardência em uma das pernas estava fazendo ela querer gritar de tanta dor. Da posição em que estava pode escutar forte o disparo do coração do garoto e junto as batidas do coração tiros voltaram a estrondar atrás deles. Um, dois, três… Taylor pulou sobre o capô do carro estacionado e os tiros alcançaram a lataria do veículo.

 

— AAAAAAH — tapou os ouvidos.

 

Eles pararam ao lado da porta caindo com tudo no chão. Angel sentiu seu corpo bater no meio da terra indo para longe. O impulso a fez rolar com vontade e esfregar o rosto no chão engolindo um bocado de terra. Ela não conseguia distinguir a distância que percorrera com o tombo, mas sua perna doía ainda mais. Estava rasgando de dentro para fora. Terra, imagens borradas, estrelas… Mais terra, imagens borradas… Um vulto escuro rolando também… Mais estrelas e enfim tudo para. A cabeça de lado parou sobre um pedaço de pedra pontuda que machucava. O corpo pesando uma tonelada não movia nem sequer o dedinho. Tinha uma dor forte e ardida vinha da boca dormente e inchada. Os lábios pareciam tomar conta de metade do rosto e o coração batia nos ouvidos. Taylor deu um grito facilmente identificado como de dor. Lágrimas escorreram quentes do rosto e desceram pelo nariz até pingar no solo.

 

— Taylor — sibilou os lábios sem sair nenhum som.

 

Angel escutou o barulho do corpo de Taylor trombando com alguma coisa e a voz estrondosa de Vivian berrando:

 

— Você me paga, seu moleque abusado. Saia da minha frente! — mais barulho de dor. Ela tinha acertado ele? Angel estava em pânico. Ele cuidou dela, tentou ser o melhor no meio de todo aquele pesadelo. Ela tentou se mover, mas não conseguia.

 

— Deixa ela em paz, cacete — ele rebateu. A voz ficando mais próxima a medida que ia terminando a frase. Quando Angel pareceu sentir a presença do corpo dele mais perto do dela o pesadelo continuou.

 

Tiros, tiros, tiros, muitos tiros…

 

“Não, isso não está acontecendo”, pensou Angel em transe. Um corpo se curvou sobre o dela. O rosto de Taylor se contraindo de dor a medida que o chão estremecia e uma guerra mundial acontecia ao redor dos dois. Os tiros batiam nele, batiam de tal maneira que Angel podia sentir o corpo de Taylor estremecer cada vez que isso acontecia. Os olhos dele fixos nos dela, aqueles olhos azuis tão lindos a transmitiam proteção e paz. Eles tentavam dizer mesmo sem palavras que ela não precisava sentir medo. Mas que MERDA! Ela estava com medo. Muito medo! A mão dele se esticou até a dela em meio ao estrondo e segurou com força. Ela sentiu aquele carinho dentro de sua alma, o jeito triste com o qual ele a encarou.

 

— Me desculpa — sua boca desenhou as palavras sem som.

 

Angel sentiu as lágrimas brotarem de seu olhos sem permissão de forma dominadora.

 

— Você não pode — pediu com a voz embargada pelas lágrimas. Um punhado de sangue escorreu pelo canto esquerdo da boca dele — PARA, POR FAVOR PARA COM ISSO!

 

Taylor cerrou os olhos tentando aguentar a dor, e então, Angel pode ver aqueles olhos antes de tom azulado a mirarem por uma última vez antes de perderam o brilho e a vida que existia. Quando os tiros pararam, o silêncio foi ensurdecedor. Angel estava com os ouvidos ocos. Um zumbido forte a estava enlouquecendo e tudo que restou a sua frente era poeira e dor espalhados por todos os lados.


 

***


 

O carro de Jenna parou cantando pneus ao lado do grande galpão. Havia poeira alta por toda parte Spencer foi lançada para frente no impulso da freada, o barulho do final dos tiros ecoou em meio à falta de visibilidade.

 

— NÃO — gritou Spencer com o som de sua voz sendo abafada pelos vidros do carro. Ela se jogou contra a porta sem conseguir encontrar a maçaneta para abrir, tamanha a apreensão — FILHA!

 

Jenna soltou as travas. Quando Spencer conseguiu abrir a porta, desceu do carro atordoada sem enxergar nada. A poeira coçava seu nariz e ardia seus olhos demais. Ela esfregou o dedo no canto da vista a imagem turva foi se concretizando a medida que a poeira foi se esvaecendo. Ela olhou bem ao seu redor com o coração pulsando na garganta. Jenna manteve as duas mãos tão tensas presas ao volante que seus dedos chegavam a ficar amarelados pela falta de circulação sanguínea. Spencer viu o galpão se formando a sua frente, os amontoados de mato e folhas secas no topo das árvores, um vulto preto ao fundo se modelando aos poucos. Ela não precisou esperar enxergar tudo para saber quem era.

 

— Não. O que você fez com a minha pequena?

 

O vazio esbranquiçado a sua frente começou a clarear, tudo estava coberto por poeira, muita poeira, fruto tanto dos tiros quando dos pneus do carro cantando na beira da estrada ao frear. Jenna começou a buzinar desesperadamente para Spencer. Ela voltou-se para trás sem entender. Jenna buzinava ainda mais, ela estava com seus lindos olhos como bilhas de vidro arregalados de tanto pavor e socava o volante com vontade. O vulto preto se formou, enfim, e o rosto de Vivian encarou Spencer ao longe. A adrenalina pulsou em suas veias com uma mistura de ódio e tristeza ao mesmo tempo. Sua atenção cravou-se na arma sendo segurada pelas duas mãos da mulher e na direção ao chão no lado direito há poucos metros de onde Spencer estava. A mesma direção que Jenna mirava estarrecida. Ela acompanhou a direção e então sentiu um calafrio congelar sua espinha.

 

— Meu Deus do Céu! — exclamou Spencer levando a mão à frente da boca.

 

Havia dois corpos estirados no chão, estraçalhados pelos tiros. Ela a tinha matado. Spencer sentiu seu corpo tremendo dos pés a cabeça. Sua mão batia contra a face sem controle nenhum sobre suas ações. Sua vista embaçou quando encontrou o pequeno pé de Angel descalço abaixo do corpo ensanguentado de um homem. Aquela parecia ser a cena mais pavorosa de toda a sua vida.

 

— Sua desgraçada, você deveria estar do meu lado! — Vivian mirou sua arma na direção da filha, Jenna, suas mãos tremiam quando apertou firme no gatilho. Não saiu nada da arma, estava vazia.

 

A mulher procurou por mais balas no suporte da cintura, mas tinham acabado. Jenna abaixou o vidro do passageiro e gritou através da janela:

 

— ANDA LOGO, VAMOS SAIR DAQUI!

 

— Só se for por cima do meu cadáver — retrucou Vivian.

 

Spencer não pensou duas vezes. Não sairia daquele lugar sem o corpo de sua pequena. Suas pernas pareciam gelatinas quando correu até os corpos e empurrou o do homem que estava sobre Angel. Sangue ensopou suas mãos e entrou em baixo das unhas. Jenna ligou o carro e acelerou colocando-se no meio de Vivian e Spencer.

 

— Saia da minha frente, sua infeliz — berrava Vivian tentando loucamente atravessar o veículo. Ela tentou subir na carroceria e apoiou-se sobre o vidro.

 

O peso do corpo se estatelou no chão já começando ficar roxo pelo tempo da morte. Um gemido soou aos ouvidos de Spencer. Um som baixo o suficiente para ser ocultado pelos gritos de Vivian e Jenna sobressaltados atrás de si. ANGEL ESTAVA VIVA!

 

— AI MEU DEUS, MEU AMOR! — Spencer gritou exaltada tentando tirar as pernas do cadáver de cima da menina. Ela só chorava e uma crise ainda maior de choro começou quando Angel a reconheceu.

 

— Ma... — repetia aos prantos.

 

Spencer chorava, sorria, tremia, tudo ao mesmo tempo. Ela olhou para trás e viu Jenna acelerando para frente na direção do galpão atravessando o portão principal.

 

— Você vai se arrepender sua vagabunda! — ameaçou Vivian.

 

Jenna fechou os olhos com o coração batendo nas têmporas e continuou acelerando. O carro reduziu a velocidade apenas quando atravessou os fundos do local passando por cima de um arbusto coberto de flores amarelas. Vivian foi lançada para frente. Seu corpo caiu no chão e saiu rolando. Jenna parou ofegante sem acreditar no que tinha feito. Vivian era sua mãe, ela não podia ter matado a própria mãe. Ela não se mexia. Jenna olhou por minutos esperando alguma reação, seu coração estava quase saindo pela garganta quando soltou as mãos do volante e abriu a porta para verificar. Ela pôs o pé direito no chão e antes de colocar o outro o corpo de moveu.

— Puta que pariu! — exaltou-se.

Voltou para o carro de imediato, ligou o carro e deu ré. Vivian se levantava atordoada enquanto Jenna chegava com o carro próximo a Spencer. Ela estava agachada no chão tentando puxar Angel para cima pelos braços. Havia sangue por toda parte. Angel estava chorando e o choro dela se alastrava pelo espaço vazio. Jenna olhou para frente, Vivian estava de pé buscando equilíbrio nas pernas. Não teriam muito tempo. Ela abriu a porta e correu para perto de Spencer pegando Angel no colo.

— Essa piranha não vai morrer tão fácil. — disse Spencer assustada com o estado de -A.

— Nem me fale — Jenna segurou Angel nos braços enquanto Spencer abria a porta do banco traseiro para colocar Angel.

— Você a atropelou? — Spencer bateu a porta do carro apressada olhando Vivian caminhar como uma assombração em direção a elas cambaleando com dificuldade.

— Acredite de quiser e ainda assim ela está vindo atrás de nós.

Jenna assumiu o volante mais uma vez e Spencer sentou no banco do carona. Angel ainda estava perdida. Ela chorava muito. Sua perna sangrava muito, ela tinha levado um tiro na perna esquerda e a ferida estava jorrando sangue em abundância. Jenna dirigia como uma louca pela estrada de volta a Rosewood.

— Ma… — clamou Angel chorando. Ela falava coisa com coisa misturando as palavras. Chamava “Taylor”, depois dizia aos prantos “não” e “dor”.

Spencer rasgou um pedaço de sua blusa e usou para estancar a ferida segurando o sangue.

— Estamos chegando no hospital? — ela apertava a mão da filha entre as dela sem deixar de olhá-la nos olhos.

Jenna deu uma curva acentuada mudando a direção do carro para o contrário, voltando ao cativeiro e passando em frente a ele como uma bala. Spencer não entendeu nada.

— O hospital vai ter que esperar. — disse Jenna acelerando cada vez mais estrada a frente. Spencer olhou para trás, um carro as estava seguindo páreo a páreo na mesma velocidade. Angel apertou a mão de sua mãe mais forte.

— Que merda, ela está nos seguindo?

— Sim… — respondeu breve virando em mais uma curva acentuada.

Spencer tremia dos pés a cabeça, aquela estrada dava em um precipício e ela já podia ver o início da floresta que o antecedia. Depois da floresta, em menos de do 2 km, vinha o precipício. Naquela velocidade não iriam conseguir frear a tempo.

— JENNA — gritou alarmada sem falar o motivo. Angel apertou ainda mais a mão de Spencer. O carro de Taylor, dirigido por Vivian, se aproximava cada vez mais. Se ela as alcançasse com certeza mataria as três de uma só vez.

Angel sentiu os olhos lacrimejarem.

— Nós vamos morrer? — perguntou a mãe.

Jenna olhou rápido para Spencer e em seguida para o retrovisor. Não podia desacelerar naquele momento, teriam que apelar para a sorte. Ela não respondeu a pergunta da sobrinha. Spencer virou para trás e beijou as mãos da menina.

— Claro que não, meu amor. Vai dar tudo certo. — disse sem sentir muita segurança nem mesmo nas próprias palavras.

— Segurem firme! — alertou Jenna.

O carro entrou com tudo dentro da floresta seguido por Vivian. As duas começaram uma batalha de sobrevivência para conseguir atravessar as árvores, galhos e animais em segurança. O carro sacudia com força. Spencer agarrou o banco de trás com as mãos tentando manter o corpo de Angel o mais parado possível para não piorar o ferimento. Curvas as jogaram de um lado para o outro. Vivian as seguia de perto virando nos mesmos espaços e com a mesma intensidade. Jenna tentou mudar a direção. Vivian a seguiu com a arma apontada para fora da janela do veículo e começou a atirar. Angel tapou os ouvidos e começou a chorar novamente. Um dos tiros acertou o vidro traseiro e pedaços de vidro voaram por todos os lados.

— Segurem-se eu vou tentar enganá-la — berrou.

— Não Jenna!

— Segure! — ordenou segurando firme as mãos no volante com os olhos fixos a frente. Eles seguiram em direção a uma árvore gigantesca. Spencer não via espaço para tirar o carro caso chegassem mais perto. Elas iriam bater.

— Jenna não tem espaço!! — gritou.

Jenna não tirava os olhos da árvore a frente, suas mãos firmes no volante e a velocidade aproximando-os cada vez mais da árvore. O carro indo em linha reta sem receio. Vivian mantinha-se na cola delas. Os dois carros tiravam fino um do outro quase batendo em meio aos sacolejos dos veículos. A árvore apareceu gigantesca a frente do carro.

— JENNA! — gritou Spencer fechando os olhos.

Ela virou para a direita no último segundo. Spencer abriu os olhos quando sentiu o impacto do carro nas árvores laterais arrancando a porta do lado do carona onde ela estava com tudo. Pedaços dos galhos bateram nela enquanto passavam. Um grande estrondo jogou o carro mais para frente saindo do pedaço da floresta direto para a estrada. O fogo subiu em direção ao céu como uma sinalização indígena. Jenna sentiu lágrimas quentes correrem pela sua bochecha. Spencer olhou para trás e o fogo cobria a árvore junto ao carro de Vivian. Tudo se consumia em meio as cinzas e uma onda de fumaça preta e fedorenta.

— AI MEU DEUS!

O carro freou bruscamente. Spencer tapou a boca após o grito. O penhasco estava ali na frente delas ha menos de 2 km e o carro sacudiu com a freada brusca e começou a girar sobre a terra. As três gritaram desesperadas. A velocidade dos rodopios foi ficando mais fraca e o carro começou a seguir em linha reta. O feio não adiantava mais, não era o suficiente para parar o veículo. A beira do penhasco foi ficando mais perto, o carro já quase parando. Mais perto… Ainda não tinha parado. MAIS PERTO… Não estava parando. MAIS PERTO!

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH — gritaram as três juntas.

O carro perdeu a força e parou assim que chegou na beirada do penhasco. O barrulho da terra se desfazendo as fizeram berrar ainda mais. Jenna se apressou em tirar o cinto, Spencer fez a mesma coisa, depois pegou os braços de Angel passando-a entre o espaço que dava de um banco para o outro. O peso do corpo da menina fez a roda que estava na ponta do precipício deslizar. Um estrondo maior soou e o carro começou a inclinar-se para trás caindo para dentro do penhasco.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH — berraram Spencer e Angel.

— NINGUÉM SE MECHE!!!!! — gritou Jenna com os braços para o alto na lateral do carro.

O veículo estava torto inclinado de lado com a roda da frente e a traseira onde ficava o carona inclindas na direção do fundo do penhasco e o outro lado, onde ficava o motorista, empinado para cima distante do chão. Qualquer movimento em falso e elas cairiam. Jenna abriu a trava da porta com cuidado alternando a atenção do espaço de fora para Spencer e Angel ao seu lado. A menina agarrou na cinturada mãe tremendo.

— Fica quietinha, meu amor — disse Spencer baixinho segurando a cabeça de Angel contra seu peito.

— Eu viu sair e então puxo vocês duas.

A porta abriu, Jenna a segurou com firmeza e abriu até o final. Seu coração estava batendo tão forte que o peito se movimentava para cima e para baixo. Estava quase sem ar quando conseguiu ficar de pé fora do veículo. Sirenes da polícia começaram a soar, três carros saíram da floresta e pararam perto de onde Jenna estava. Spencer e Angel gritaram quando sentiram o carro estremecer ficando ainda mais inclinado para dentro do penhasco.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

— Spencer!!!

O grito saiu de dentro de um dos carros dos policiais e Toby correu na direção da irmã desesperado. Os homens empunharam suas armas e saíram dos três carros ao mesmo tempo. Metade foi direto para o carro incendiado e a outra metade se aproximou de Jenna levando-a para longe de onde Spencer estava.

— Vamos senhora, cuidaremos do resto — avisou um dos policiais.

— Não!!!! Elas vão cair… — Jenna se debatia enquanto era agarrada pelos braços por dois policiais. Toby correu em direção ao carro empinado. Angel gritava desesperada agarrada com a mãe. As duas se penduraram sobre o banco do motorista tentando ficar o mais firme possível.

— Meu amor! — Gritou Toby subindo no apoio de pés do carro para fazer força em sentido contrário — Vem, segurem em mim.

Ele enfiou os braços para dentro do carro e segurou uma em cada mão. Spencer na esquerda e Angel na direita. O carro sacudia e ia se afastando mais do chão a medida que ele fazia força para puxá-las. Ele não queria soltar nenhuma delas. Fez toda a força possível para puxá-las ao mesmo tempo, mas não conseguia. O suor pingava e as veias da testa latejavam evidentes. Levaram Jenna a força para o camburão de um dos carros de polícia e cercaram Toby largando as armas sobre o chão.


— Toby, afaste-se do carro — ordenaram.

Ele ignorou.

— Toby, mandamos afastar-se do carro! — eles davam passos lentos em direção ao carro tentando não alarmá-lo.

Ele fez mais força para tirar as duas, mas Spencer recuou quando sentiu o carro cambalear um pouco mais para trás.

— AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH — gritou Angel aos prantos chorando.

Spencer puxou a mão soltando de Toby, liberando a outra mão dele.

— NÃO. O QUE ESTÁ FAZENDO? — Ele se inclinou mais para dentro desesperado tentando pegá-la — ME DÁ SUA MÃO, SPENCER.

— Salve a Angel, você vai precisar das duas mãos.

Por mais que soubesse que poderia morrer Spencer estava tranquila com essa decisão. Nunca tinha pensado que um dia seria capaz de colocar a vida de um serão pequeno a frente da sua, mas ela estava fazendo isso. E se sentia melhor do que nunca. Angel era sua filha, seu amor, se precisasse morrer para garantir que ela estivesse bem e tivesse uma vida maravilhosa ela faria. Toby a encarou com o espanto preso no olhar. Ele estava em pânico sem saber o que fazer. Spencer segurou firme a cintura da filha e a empurrou para cima.

 

— Salve ela Toby!!!

 

Toby olhou para a filha a agarrou com toda a força pelos braços. Ela chorava e estava tão apavorada quanto ele. Angel queria virar para trás para ver Spencer, mas isso era perigoso. O importante era tirá-la daquele lugar. Os policiais se aproximaram de Toby fazendo força para manter o carro fixo até conseguir salvar as duas. Ele tirou mais da metade do corpo de Angel de dentro do carro, só faltavam as pernas.

— OLHA PARA MIM, FICA COMIGO — disse prendendo a atenção dela.

Angel envolveu os braços ao redor do pescoço do pai. Ele conseguiu tirar as pernas dela de dentro do carro. Um dos policiais soltou o carro e levou a menina para um local seguro, mas na hora em que ele soltou o veículo caiu ainda mais para dentro do precipício ficando preso apenas pelas rodas e parte da lataria agarrada as pedras. Com a inclinação a porta do carona onde Spencer se segurava abriu mostrando o rio abaixo de seus pés.

— SPENCER PEGA A MINHA MÃO! — Toby esticou-se o máximo que podia, mas não era o suficiente.

— Não vai dar!!! — berrou Spencer agarrada ao cinto de segurança. Suas pernas balançavam ao ar livre para fora do carro.

— SPENCER!

— TOBY!!

— AGARRA MINHA MÃO!

— Eu não consigo — disse chorando — Eu não consigo.

— MAMAAAAAAAAÃEEEEEEEEEEEEE

O grito de Angel soou aos ouvidos de Spencer e ela fechou os olhos. Tinha que tentar. Ela prendeu a força jogando o impulso que tinha capacidade de dar. O carro estava em falso. Os demais policiais soltaram com medo. Toby ficou sozinho. As pedras soltavam, o carro começou a escorregar…

— SAIA DAI! — Alertou um dos policiais.

— NUNCA! — rebateu.

Spencer agarrou as duas mãos no pulso de Toby. Ele conseguiu segurá-la e foi puxando pelos braços. A cabeça dela começou a sair através da janela, os braços prenderam ao redor do pescoço dele. Ele a segurou entre os braços como se sua vida dependesse disso. Desceu do apoio de pés pisando no chão terroso e deu uma arrancada para trás. Os dois caíram para trás por causa do impulso ao mesmo tempo em que o carro escorregou de vez e caiu no fundo do penhasco fazendo um estrondo ensurdecedor.

Angel soltou-se do policial e correu para abraçar seus pais no chão.

— MAMÃE, PAPAI!

— MEU AMOR, MEU AMOR, ACABOU. ACABOU! — garantiu Spencer.

Toby não conseguia falar, ele apenas agarrou as duas e chorou. Chorou de medo, pavor, alegria, de tudo ao mesmo tempo. Aquele pesadelo, enfim, tinha acabado.



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