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História Loucura Paradisíaca - Capítulo 7


Escrita por: e rinelenkagam


Capítulo 7 - Apenas Odeie


Fanfic / Fanfiction Loucura Paradisíaca - Capítulo 7 - Apenas Odeie

“Isto é um sonho, bem sei, mas quero continuar a sonhar.”

 

Friedrich Nietzsche.

 

[...]

 

 

— Creio que a subestimei, minha cunhada. — O sopro suave das suas palavras banharam os ouvidos da proprietária do Hellish Paradise. Ah, quantos anos faziam que não tinha um contato tão direto com o próprio diabo? Refletiu a albina, vendo a figura de Karlheinz a sua frente. Tão sibilosa quanto como se lembrava.

— O que você quer? — Cuspiu, envolvendo o manto verde musgo ao redor de seus braços. Em uma breve descrição da situação em que se encontrava: estava em seu jato particular, em partida para buscar seus sobrinhos pessoalmente em seu lar. O jatinho se encontrava em pleno movimento, através da janela circular podia enxergar-se tanto as nuvens, assim como o chão a milhares de metros de distância. O vampiro surgiu como a sombra que era em seu passado; sem o mínimo aviso. Ainda se questionava o quão longe iam suas habilidades de teletransporte, e o quanto aquilo poderia ser prejudicial para o seu coração. Se fosse humana, seus ataque cardíaco já teria a matado. Não gostava nem dessas aparições repentinas, e muito menos de seu companheiro, que agora tomava o assento ao seu lado do passageiro. Vendo as sobrancelhas do menor franzindo em desaprovação ao seu tom de voz arísco.

 — Lhe peço humanas, e você me dá um zoológico de aberrações e um dragão. Isso é algum tipo de gozação da sua parte?

 Repreendeu, curvando as longas pernas, uma sobre a outra, de forma elegante. O ser sombrio vestia calças escuras, e um par de botas que pareciam ser de couro. Ironicamente, usava uma camisa polo tão simples, de uma coloração bege, que mal parecia o rei vampiro. Talvez fosse parte de algum de seus inúmeros disfarces, no entanto mantinha os cabelos brancos e esvoaçantes presos em um coque frouxo, e o mesmo olhos rubi e pele alva. Azumi soltou um pequeno sorriso de canto, seguido de uma bufada de ar risonha.

— Ah, Karl. O dragão tem nome, e espero que se recorde: é Cassandra.

— Seja qual for o nome dela, ainda é arriscado trazer uma criatura dessa magnitude para dentro da sua propriedade.

  O descontentamento estava estampado em cada uma de suas feições; desde ponta da língua até as têmporas. A mulher se sentia imensamente realizada de provocar tanta irritação no mais velho; um passatempo deveras divertido para quem vivia submerso em trabalho a maior parte do tempo.

— Eu não me arrisco sem necessidade, Karlheinz. Sou completamente segura das habilidades Ísis, Maria, Amanda e Leonara. Seja o que for que estiver por vir, nada pode interferir nos meus planos. — recitou a maior, calmamente, tendo um sorriso convicto em seus lábios rubros. — E acredite em mim, mesmo que seja arriscado, ela foi designada para um Mukami. Seus herdeiros não correm nenhum risco desde que não metam o dedo onde não foram chamados.

 Karlheinz podia ter todos os argumentos do mundo, mas aquilo não mudaria a mente de sua cunhada. Isso a tornava um ser absolutamente infernal, extremamente diferente de sua terceira esposa, e irmã da mesma, que era dócil, submissa e foi fácil de se domar. Se bem se recordava, quase perdeu sua cabeça quando desposou Christa. Amaya já o odiava desde a primeira troca de olhares de ambos. A antipatia apenas cresceu a cada década, até o momento presente, em que juntarem forças para desenvolver uma cura para o letal Endzeit. Acima da raiva, existiam objetivos em comum que os uniam.

 Mas era fato, ambos nunca teriam a confiança um do outro.

 Ao menos não era como se o Rei desgostasse de todo esse ódio crescente; uma vez que isso tornava sua trajetória até o fim mais cativante.

 

 

 

 [...]

 

 

 

“Acordei de manhã me sentindo cínico.

 

Isso é típico de mim. Tentando limpar o sono dos meus olhos vermelhos, eu acabei de morrer?”

 

 

Missio - Dizzy.

 

 

 Um apagão. Maria sempre soube que velas não eram o melhor método de iluminação, ainda que fossem muito mais seguro para a mansão e suas enchentes. Vendo a escuridão crescer em seu campo de visão, a mulher buscou a iluminação exterior; ainda que fosse pálida e obscurecida pelo mau tempo, os trovões insistiam em iluminar o ambiente freneticamente, para o bem de seu retorno para a cozinha. Havia se arrependido de deixar Saphira por conta própria lá dentro; não esperava que o tempo faria uma reviravolta tão bruscamente. Agora a menina se via sozinha no escuro porque ela pediu licença para ir buscar seus óculos no anfiteatro interno. A área coberta salvou a mulher da chuva durante seu trajeto, no entanto não encontrava o bendito óculos nos estofados da arquibancada. Se não tivesse ido assistir o pequeno espetáculo de Lady Charlie não estaria tão enrolada. Sua maldita boa vontade estava fazendo com que ela deixasse alguém em uma espera de mais de uma hora.

— Senhorita Maria! Minha apreciada ama de leite.

 A voz doce ecoou, cantarolante. Emanava uma vibração sonora profunda e mórbida; como se escutasse o canto de uma sereia vinda do mais profundo oceano; bem, a voz não pertencia a sereia do lugar. O som de saltos frontou contra o assoalho de madeira, e a loira pode ouvir o choque de alguém pulando do palco até o local onde deveria localizar-se a platéia. A mulher loira saltou, ao sentir o tecido acetinado das luvas negras envolverem suas bochechas rechonchudas, afastando-se.

— Lady Charlie, pelo amor de Deus!

 A morena riu, vendo a cozinheira chefe tomar um susto, e esfregar solenemente suas bochechas avermelhadas pelo apertão que esta deu. Os curtos cabelos negros, mantidos em um coque discreto, amarrado por finas tranças, descendo um pouco sobre seus ombros pálidos como pequenos fiapos de linho negro. Um dos filhos mais velhos de Azumi, era a mulher a frente da menor. Usava um vestido negro tomara que caia extremamente justo ao seu corpo; vindo a destacar cada curvatura presente no mesmo. Todavia não portava sapatos, os pés pequenos e delicados estavam desnudos contra o chão. Aquele era um hábito que herdou de sua mãe, nenhuma das duas gostava de saltos e coisas do gênero. Pareciam duas macacas descalças, zanzando pela mansão.

 Ao menos quando era unidas. E isso fazia muito tempo já.

— Desculpe-me, mas é sempre irresistível fazer isso.

 Ela riu, cobrindo os lábios para esconder as pequenas presas proeminentes.

— O que faz aqui? Precisa de alguma coisa?

 Questionou, contendo o restante de suas risadas, enquanto mantinha um olhar adocicado em direção a mais velha, que continuava com as mãos sobre a própria face, parecendo manter-se indignada. Mas logo está se acalmou, soltando um longo suspiro e batendo as palmas contra as suas próprias laterais do busto.

— Eu perdi meu óculos durante a sua prática de manhã. Estava procurando por ele para apresentar a cozinha para a garota nova.

 Charlie sorriu. Os dedos tamborilando uns contra os outros de forma ansiosa, era um doce de menina com sua ama de leite. Maria ajudou a criá-la. Se bobeassa, a loira teria dado-lhe até mesmo de mamar na ausência de Azumi. Claro, nunca foi direto do peito, uma vez que a morena era dona de tantas alergias, inclusive ao leite materno… no entanto, seu apego e respeito pela loira era maior do que por qualquer um ali. Bem, desde que ela assistisse todos seus treinos improvisados, sempre seria muito grata a cozinheira.

—  Eu posso ajudá-la.

— Agradeço sua disposição, Lady Charlie. Mas me diga, o que faz aqui durante uma tempestade e no escuro? Você não costuma nem pisar no palco ao entardecer sem antes fazer um comunicado.

 Questionou Maria, mantendo o pé. Os braços cruzados de forma questionadora, e as sobrancelhas arqueadas. Ela podia tar um tempo em sua busca, se fosse para descobrir o que a sua menina escondia entre as pernas. O sorriso da morena rapidamente se desmantelou, como gelo quando expostos a um alta temperatura.

— Você me pegou.

 Ironizou a mesma, tirando o revólver taurus RT 838 4 polegadas de dentro do decote do vestido. A arma de pequena estrutura havia sido escondida pelos seios da morena, por mais absurdo e perigoso que fosse simplesmente pensar que ela havia enfiado a arma ali.

— Estava pensando em treinar tiro ao alvo.

 Disse, apontando o bico da arma para a janela mais próxima que existia entre ambas, dentro do anfiteatro. Logo ficou claro para Maria do que se tratava o treino da morena, pois daquela janela, não era só visível a outra ramificação da mansão, mas também os quartos do primeiro andar, onde uma cabeleira ruiva destacava-se em pleno movimento. Com fios vermelhos esvoaçantes, sendo agitados pelo vento; a figura de uma garota, provavelmente uma das novas empregadas, se fazia presente ali, retendo uma pequena chama que utilizava para re-acender as luzes por onde passava, inalando o cheiro de fumaça. Aquele era o alvo do olhar pungente de Charlie.

— Céus, menina! Deixe de pensar bobagens.

— Azumi quer infestar essa casa com vacas para amamentar seus sobrinhos bobinhos. — Cuspiu, ignorando a loira. O punho mantinha-se firme no ar, ameaçando puxar o gatilho com a ponta de seu dedo indicador; os grandes olhos vermelhos de Charlie reluziam, como esferas de energia destrutiva. Uma coloração profunda, submersa em ódio, que transparecia em suas palavras mórbidas e obscenas. —  Nada que vêm dessa mulher é bom. Deveríamos dar um ponto final nisso agora…

  A morena cerrou os olhos, prensando o dedo contra o gatilho. Uma sensação amarga invadindo seu peito, e logo, sentindo o ferro torna-se líquido e volátil sob seus dedos, invadindo o fino tecido de sua luva, até pingar no assoalho, como água pura. Maria se aproximou bruscamente da mesma, tomando suas mãos ao redor de suas palmas, consideravelmente menores que a da filha de sua senhora, mas ainda assim quentes e acolhedoras.

— Ela está fazendo o seu melhor.

 Afirmou a loira, mantendo um olhar firme nos lumes rubros da morena. Maria era dona de orbes castanhos profundos, que exalavam agora uma grande atmosfera de tensão, contraindo seu cenho de rigidamente.

— Você não vai atrapalhar, pelo seu próprio bem, entendeu? — A garota não respondeu, dando de ombros avidamente, e vindo a se afastar de forma bruta. — Que seja, virgem Maria. Já estou atrasada pro chá, mesmo.

 Revirou os olhos, tirando o par de luvas e o jogando em uma das cadeiras. Não demorou para que Maria fosse deixada sozinha ali, apenas com o som da chuva e o escuro latente. Ao menos, ao ver Charlie deixar o local, teve a sorte de encontrar seus óculos; e estavam dentro do bolso do avental o tempo todo.

 Ah, ela se sentia tão boba! Tinha que voltar correndo para guiar a jovem Saphira.

— Espero não ter feito ela aguardar demais…



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