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História Louder! (5) - Capítulo 6


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Notas do Autor


Heya!

Como estão? Chegamos a parte final do capítulo 5.

Música: Brother, Kodaline

Boa leitura!

Capítulo 6 - Part 5.2


Fanfic / Fanfiction Louder! (5) - Capítulo 6 - Part 5.2

 

 

Nós tomamos diferentes rumos e viajamos por diferentes estradas

Eu sei que sempre vamos acabar na mesma quando estivermos mais velhos

E quando você estiver nas trincheiras

E estiver sob o fogo, eu te darei cobertura...

 

 

— Papai quer nos levar em uma viagem em uma outra cidade. —  O garoto de cabelos brancos falou. —  Fico feliz que ele queira reunir a família finalmente em um momento só nosso. Mamãe está tão empolgada.

O rapaz de cabelos vermelhos olhou para ele, algumas olheiras embaixo dos olhos, como se não estivesse dormindo há dias. 

— Você ainda acredita que essa é a maior preocupação dele?

O mais alto ficou surpreso.

— Nii-san, ele é nosso pai apesar de tudo. Acho que ele decidiu fazer a viagem porque você pediu que ele desse mais atenção para a nossa família. 

O ruivo bufou. 

— Você é um esperançoso, Natsuo. 

— Eu só… sinto sua falta, Touya. Faz tempo que não fazemos nada juntos e essa viagem pode ser uma oportunidade. Você é meu melhor amigo. 

Mas tudo o que Touya queria dizer ao irmão é que ele estava enganado, que as esperanças do mais jovem seriam mais uma vez quebradas, pelo mesmo infeliz que vinha infernizando suas vidas. Mas quando olhou para o outro, vendo o excitamento em toda a face dele, os olhos acinzentados brilhando em expectativa, Touya decidiu apenas forçar um sorriso, porque ele tinha um terrível pressentimento de que tudo ia piorar. 

Depois disso, Natsuo o abraçou fortemente, quase o espremendo. 

— Eu ainda sou maior que você, irmão. 

 

 

O encontro inesperado atingira Dabi como uma faca afiada, tirando todo o ar de seus pulmões. Ele prendeu a respiração, o coração batendo forte dentro do peito.

— Nii…

— Não! — Dabi exclamou, dando um passo trêmulo para trás, os olhos absurdamente perturbados. Seu peito estava arfando. 

— Irmão. — Natsuo caminhou, mesmo que lentamente, ainda absorto demais com a visão. — Touya… 

O moreno soltou uma risada nervosa.

— Eu não sei do que você está falando. Eu não conheço nenhum Touya. 

Hawks ficou ali parado, sem saber o que fazer, olhando de um para o outro. Evidentemente que sua maior preocupação era Dabi, ele parecia prestes a colapsar. 

— Eu não entendo. — o rapaz de cabelos brancos falou. — Você estava… você estava… 

— Ai! — Hawks gritou, caindo no chão. 

Dabi olhou para baixo alarmado, apenas para perceber que ele mesmo havia ferido o loiro, pois não se dera conta de que seu corpo inteiro estava fumaçando. Ele se abaixou, tentando ajudar o outro, mas notou que ainda estava quente, o que só pioraria se encostasse nele.

— Desculpa, eu não… 

— Hawks, você está bem? — Natsuo também se aproximou.

Mas assim que fez isso, Dabi levantou e se afastou, como se estivesse prestes a correr dali.

— Dabi. — Hawks chamou. — Está tudo bem. Não foi nada. 

Mas o moreno não conseguia pensar direito, a não ser que havia ferido Keigo, que o braço dele estava queimado e sangrando por culpa sua. A aproximação de Natsuo piorou ainda mais a situação. Ele não estava preparado para enfrentá-lo. Não Natsuo de todas as pessoas.

— Touya, por favor, não vá. Nós precisamos… precisamos conversar. Por favor. — O mais novo suplicou, receoso em encostar no moreno. Dabi virou o olhar para o irmão por um segundo, depois olhou uma outra vez para Hawks e ali o loiro já sabia o que ele faria. Hawks apenas assentiu, como se estivesse de acordo com a decisão.

— Cuide dele. — Dabi murmurou, as palavras mal saindo de sua boca. — Não temos nada para conversar. —  Finalizou, antes de se virar e correr. 

— TOUYA! TOUYA! —  Natsuo gritou, a voz se tornando muito mais rouca e desesperada. 

Ele estava prestes a correr também.

— Todoroki-kun, deixe-o ir. —  Hawks disse.

E então o mais novo parou, virando-se para Keigo. 

— O que… o que está acontecendo, Hawks? 

Hawks suspirou, lamentando todo o ocorrido. O que diabos ele deveria falar?

 

 

Quando chegou em casa, Fuyumi entrou no quarto apressada, encontrando Natsuo chorando convulsivamente, encolhido em um canto, apertando o próprio corpo. A imagem fez seu coração se partir. Por serem os mais velhos, desde muito tempo os dois vinham se apoiando, principalmente após a morte de Touya.

— Nat… Nat… por favor, não fica assim.

— Eu fiz tudo errado, nee-san, eu fiz tudo errado.

— Você não fez.

— Fiz, nee-san, eu fiz. Eu sempre faço tudo errado. Tudo. 

— Você não pode falar assim. Você não tem culpa do que aconteceu. 

— Tenho sim, nee. Tenho sim. Eu carrego uma culpa, desde o dia em que deixei Touya sair com o papai naquele dia. Eu não fiz nada pra impedir, apenas fiquei lá, achando que tudo ficaria bem, mesmo Touya me chamando de esperançoso. Eu não… Eu não dei ouvidos, eu... — ele levou uma mão a boca, tentando controlar os soluços. — Eu nunca fiz nada direito, Yumi. Nasci com uma individualidade fraca, inútil, não fiz nada pra proteger Touya, não fiz nada pelo Shouto e pra completar ainda me apaixono pelo namorado do meu irmão. Que droga! Eu nem devia ter nascido. 

Ela o abraçou fortemente, suas lágrimas misturando-se com as do irmão. 

— Por favor, não diz isso, não diz isso. A gente ainda é uma família e vamos ficar unidos. 

— Ele estava vivo… ele estava vivo esse tempo todo. 

— Não tínhamos como saber disso.

— Porque ele não confiava em nenhum de nós. — Natsuo se afastou por um instante, olhando para a irmã. — Você tem noção de que ele passou todo esse tempo sozinho, vagando por aí, fraco, doente… e mesmo assim não nos procurou, porque nós falhamos como irmãos, não éramos o suficiente pra ele se sentir seguro em nos procurar, pedir nossa ajuda... 

— Eu sei que tudo é muito difícil, mas procurar um culpado não vai resolver em nada. 

— Eu fui um irmão de merda, nee-san, eu fui… olha no que ele se transformou. 

Fuyumi levou as duas mãos ao rosto do irmão, fitando-o.

— Então vamos corrigir isso. Vamos trazê-lo aqui.

— Ele provavelmente odeia todos nós. Ele fugiu quando me viu. Touya não vai aceitar nos ver. 

— Então usaremos Hawks pra isso.

— Não podemos forçá-lo.

Podemos sim. E vamos. — Ela levantou, determinada. 

— O que vai fazer?

— Se Hawks não aceitar nos ajudar de boa vontade, então será por outros meios. 

Natsuo ficou chocado com a atitude da irmã. 

— Você… 

— EU QUERO VÊ-LO, ESTÁ BEM?! — gritou. E só então Natsuo percebeu no quanto a irmã também estava perturbada com a revelação. Ela respirou fundo. — Eu preciso vê-lo, Natsuo.

 

Instantes depois, quando os dois irmãos o confrontaram, Keigo se viu numa “sinuca de bico”, sem saber o que fazer.

— A gente precisa que você fale com ele. 

— Por quê?

— Nós queremos ter uma conversa. Todos nós.

— Eu sei que é o que vocês querem e entendo isso, mas não posso dizer que estou de acordo, se não é a vontade dele.

— Então eu sinto muito, Hawks, mas você não me dá outra alternativa. — Natsuo se aproximou mais de Keigo, tirando o telefone do  bolso do loiro.

— Ei! — Hawks chiou.

O Todoroki colocou o aparelho na mão dele.

— Você vai ligar para o Touya e dizer pra ele vir aqui, ou contaremos ao papai o que descobrimos.

— Vocês não podem fazer isso. — Ele olhou com raiva para Natsuo. — E você quer se afastar de mim ou pretende me congelar?

— Eu não vou fazer nada contra você, mas não sairá daqui enquanto não fizer o que pedimos. 

O loiro ficou consternado. 

— Você não era assim. 

— Eu só quero saber o que está acontecendo e você também me deve isso. Tem mentido para todos nós durante todo esse tempo. 

Fuyumi pegou uma chave que estava no armário.

— É bom você decidir logo, Hawks, pelo menos até eu voltar.

— Voltar de onde?

— Estou indo buscar Shouto na UA. Porque ou nós teremos uma conversa entre irmãos, ou teremos com o papai

Mas que droga, Keigo!

 

 

Duas horas depois.

 

Cada passo que ele dava em direção aquela porta, as lembranças pareciam surgir automaticamente em sua cabeça. Memórias póstumas do garoto que morrera para nunca mais voltar. Ou era o que ele pensava. Quando a porta se abriu, tudo o que ele mais desejava era simplesmente pegar Keigo e sair de lá para nunca mais ter de encarar seu passado. Mas ele era como uma praga, o perseguindo aonde quer que Dabi fosse.

Quando a porta abriu, ele sentiu-se em um tribunal, com várias testemunhas de acusação esperando para massacrar o criminoso. Ele obviamente era o criminoso. A diferença é que não havia um juiz.

Shouto fechou a porta assim que Dabi passou por ela. Mais a frente, estavam Natsuo, Fuyumi e Hawks no meio deles, sentado em um sofá, parecendo muito acuado.

— Cárcere privado. — o moreno murmurou, sem olhar para os irmãos.

— Eu contei a eles o que sabia sobre você. — Shouto revelou, saindo de suas costas para se juntar aos outros dois Todoroki. 

Dabi também percebera que ele havia trancado a porta. 

— Falou o quê? — o moreno sentiu suas mãos se contraindo, prestes a perder o controle e forçou-se deliberadamente a relaxar. Lutou para manter a voz calma. — Contou que eu me tornei um vilão, que queimei pessoas até suas carnes federem e seus ossos virarem cinzas? 

— Touya… — Fuyumi deu um passo para a direção dele. 

— Não se aproxime. — Ele a olhou. Mas para seu horror, a irmã estava chorando copiosamente. Ele respirou fundo, falhando em demonstrar indiferença. — Eu não me importo mais com qualquer um de vocês. O único motivo para eu ter vindo aqui foi por causa dele. — apontou para Keigo 

— Se é difícil explicar o que aconteceu, então não iremos cobrar nada de você, só queríamos te pedir…

— Desculpas. — Natsuo a completou.

Dabi ficou surpreso em como seu corpo reagiu as palavras. O moreno olhou para o irmão por um momento, com o rosto inexpressivo, depois se voltou para qualquer ponto que desviasse sua atenção de todos naquela sala.

Totalmente deslocado no meio dos irmãos, Hawks levantou lentamente, dizendo que iria até a cozinha preparar alguma coisa para comer. Não era porque ele estava no meio de uma guerra que não sentiria fome. Lembrou dos yakitoris que a mãe de Fumikage preparava pra ele, assim como Fuyumi porque ela era uma ótima cozinheira e especulou se conseguiria fazê-los também. Talvez eu possa olhar a receita na internet. Ninguém respondeu nada ou notou que ele se afastava, como se o loiro nem tivesse falado. 

Os irmãos continuaram a discussão.

— Nós decepcionamos você. 

— Se você está onde está hoje foi por culpa nossa também.

Era demais para Dabi continuar calado.

— Mas do que porra vocês estão falando?!

— Nós não te defendemos.

— E o que caralhos queria ter feito, Fuyumi?! O que acham que podiam ter feito? Vocês eram crianças e não era responsabilidade de nenhum o que estava acontecendo. São os malditos pais que devem se responsabilizar, não os filhos. 

— Mas nós prometemos cuidarmos uns dos outros. E nós falhamos. — ela respondeu com os olhos marejados. 

Ele sempre odiara vê-la chora. Sempre. Engolindo em seco, Dabi murmurou, impaciente:

— Não havia nada que qualquer um de vocês pudesse fazer.

— Nem mesmo agora? — Foi Shouto quem perguntou.

Dabi virou-se para olhá-lo:

— Quer me ajudar a matar o papai, Shouto? — Perguntou, os olhos brilhando por trás de uma nuvem escura assustadora. 

Fuyumi sentou-se no sofá, nervosa e tensa, tentando fazer com que sua respiração normalizasse. 

— E quanto a mamãe? 

O moreno olhou para ela, numa expressão quase desamparada. 

— O que tem ela?

— Você a odeia? Eu acho que ela realmente perdeu a cabeça quando você… quando você…

— Eu não sei se poderei perdoá-la, mas não é como se eu a odiasse como eu o odeio.

— Ela sente tanto a sua falta. Nunca desejou revê-la?

Dabi riu debochado. 

— E quem você acha que levava aquelas malditas flores azuis pra ela? — Todos os olhos se voltaram para o moreno, perplexos. — Achavam que era ele? 

— Bem… ela também pensou que fosse. 

— E mesmo assim criou a ilusão mais uma vez de que a família voltaria a ser feliz com todos juntos. Exceto o filho morto, é claro. Aquela mulher é patética. 

— Você não está falando isso de coração. — Fuyumi acusou. — Céus! Touya, ela chorou tanto por você. Até hoje ela não o esqueceu. 

Os olhos do moreno fecharam-se por alguns segundos e ele engoliu.

— Eu não me importo. — Disse, na defensiva. — Não mais. 

Mas era uma mentira. Touya sabia como as emoções funcionavam. As pessoas poderiam suportar apenas uma determinada quantidade delas e, quando a negação se tornava insuportável, ela escapava para um recanto escondido do cérebro. As emoções dele estavam tensas, porque ele estava lutando contra seus sentimentos. Afundando-os dentro de si mesmo. No abismo que construíra. 

— Você tem tentado matá-lo. — Não foi uma pergunta. 

— Parabéns! Descobriram o Japão. — Debochou. 

Os três irmãos entreolharam-se.

— Nós não tomaríamos essa decisão. Mas conversamos antes e concluímos que não o impediremos também

O moreno os olhou, atarantado. 

— Estão zoando comigo.

— No passado, nós erramos por não o apoiarmos. Não faremos isso novamente. — Fuyumi disse. — É verdade que eu não desejaria vê-lo morto, nenhum de vocês e é muito difícil ter que fazer essa escolha. — Ela engoliu uma grande quantidade de ar e suspirou. A voz soou trêmula. — Depois de tudo que te aconteceu, o mínimo que podemos fazer, como seus irmãos, é não impedi-lo de fazer a única coisa que servirá de alívio para seu coração ficar em paz. Se matá-lo vai fazê-lo respirar melhor, então que seja. 

— Você não está… falando sério. 

Ela o encarou fundo nos olhos. 

— Estou falando como sua irmã, Touya. — ela se aproximou do moreno. — Depois que você partiu, eu fiquei responsável pela casa, por ser a mais velha. Mamãe foi internada e tudo se tornou meio que um fardo pra mim. Eu lutei para me manter firme, pra manter nossa família unida e nossos irmãos bem. Mas era tão difícil porque por mais que eu estivesse lutando para perdoar o papai, no fundo havia um ódio tão forte por ele, pelo que ele nos causou. Era algo que eu tentava negar. Mas ver você agora e saber o que se tornou, me fez lembrar de que eu nunca o perdoei de verdade.

Dabi olhava para ela com o coração inquieto. Mas de certa forma. era como se um peso insuportável tivesse sido removido de dentro dele. Como se de repente tivessem lhe dado uma outra oportunidade de viver. Ele achou que Touya estava morto, que o enterrara para sempre. Mas estar naquela casa, ao lado dos irmãos que uma vez deixara para trás, ouvindo deles que os mesmos o apoiavam, mesmo seus planos serem os de matar o próprio pai, causou-lhe um sentimento novo. 

— Que seja. — Sibilou. Ele não exibiu qualquer expressão, mas não parecia mais tão furioso como quando entrara ali. 

Houve um longo momento de silêncio entre eles, que se estendeu por mais de um minuto. Depois, Dabi olhou para onde Keigo estava. Ele não deixaria o loiro naquela casa depois de ter sido encurralado pelos irmãos. Sem falar que já estava na hora dos dois manterem uma distância maior de todas as outras pessoas. Seus próximos passos seriam muito menos sutis do que os que vinham dando nos últimos tempos. E mesmo que os irmãos tivessem dito que não intervieriam, mesmo surgindo outros aliados, Dabi sabia que na hora certa, quando a bomba explodisse, seriam apenas os dois. Mas ele ficou confuso quando notou que Keigo não estava ali Até que ao sentir um cheiro forte de queimado, lembrou-se de algo. 

— Onde mesmo que aquele pássaro disse que ia?

— Preparar um lanche. — Shouto respondeu.

Dabi soltou um suspiro de entendimento.

— Ele vai explodir a cozinha.

E bastou o moreno fechar a boca para escutarem um barulho alto em seguida de um grito vindo daquela direção.
 

Instantes depois, Natsuo estava tratando de um novo ferimento de Hawks. Ele havia salpicado óleo na mão e quase atingira o próprio rosto. Por sorte, o loiro era bastante ágil.

— Você tem que parar de se ferir por aí. — O mais novo o repreendeu, enquanto aplicava a gaze na mão dele. 

— Eu estava com fome.

Natsuo riu.

— E me desculpe pela maneira como te abordamos mais cedo. Sei que você não tem culpa de nada.

— Eu entendo vocês. — Hawks respondeu sinceramente. — Não posso julgá-los quando não estou em suas peles. 

Natsuo o olhou nos olhos.

— Me desculpe também por… por ter… bem… por me… 

— Está tudo bem quanto a isso também, Natsuo-kun. Você não tinha como saber, não é?

Natsuo assentiu.

— Na faculdade as pessoas falam muito de você, compram revistas com fotos sua, eles te chamam de “o herói bonito”. — o rosto de Keigo foi tomado pelo rubor.

— Me sinto lisonjeado.

Embora eu não seja mais um herói, nem mais bonito.

— Eu não sei se foi isso que me atraiu também, mas desde que te vi neste quarto pela primeira vez, havia algo em você que me chamou atenção, e mesmo que possa parecer loucura, era algo que sempre me remetia ao Touya. Talvez eu tenha te dito isso uma vez. Agora eu percebo que era como se de certa forma eu soubesse que ele estava com você.

— Acho que a ligação que você tem com ele sempre foi tão forte que o fez senti-lo em mim. Não há nada para ser perdoado. 

O mais novo sorriu.

— Mas você sabe, eu ainda te considero a pessoa mais bonita do mundo.

Hawks fez uma careta. 

— Ei! Você ainda tá me cantando mesmo sabendo que eu sou seu cunhado? 

Natsuo soltou uma risada mais alta.

— Touya que lute. — Brincou. 

Hawks também riu. 

Keigo queria tanto que todos eles se entendessem. Mas sabia que o fato de Dabi estar na sala daquela casa, esperando-o pacientemente retornar, já era um pequeno progresso. Porque mesmo que não durasse, Touya ainda merecia ser amado. Abraçado pelos irmãos depois de tudo. Todos eles mereciam. 

 

Quando estavam prestes a deixar a casa, Fuyumi voltou a abordá-los:

— Não há nada que possamos fazer por vocês?

— Não. — Dabi respondeu rapidamente, tentando sair dali o mais depressa possível. — Apenas cuidem de suas vidas e nos deixem em paz.

— Voltaremos a nos ver? — Natsuo perguntou.

— É claro. Talvez um jantar ou uma viagem em família. — Dabi zombou. 

Hawks deu um beliscão nele. 

— Cuide bem do meu irmão, Hawks. — Natsuo pediu, olhando para o moreno que bufou com o pedido. A cara de poucos amigos virada para outra direção. — E você, irmão, cuide bem do meu primeiro amor.

Hawks tossiu, como se tivesse se engasgado com alguma coisa. Puta que pariu! Dabi disparou o olhar para o de cabelos brancos como se fosse cremá-lo vivo ali mesmo.

— Ora, seu bastardo!

Natsuo apenas sorriu com uma piscadela para o loiro que até então estava mais vermelho que um pimentão. Fuyumi e Shouto também riram. 

Talvez o progresso seja ainda maior. Keigo pensou.

— Se precisarem de algo, por favor, não hesitem em pedir. 

— Eu já disse que não… — Dabi parou de falar, porque de repente, ele lembrou de algo.

O moreno olhou para Keigo. 

 

— Vamos, querido, me conte mentiras de amor.

— Que porra você quer? Eu não faço isso.

— É só fingir que estamos vivendo um romance de verdade. Como se eu fosse livre para sentir… isso. E viver uma história de amor.

— Eu não sei fazer essas coisas ridículas. Lamento decepcioná-lo, mas não sou seu príncipe encantado.

— Eu sempre pensei em algum lugar quente, onde eu pudesse me sentir aconchegante, em paz…

 

E então, voltou a olhar para os irmãos. 

— Na verdade, se estão insistindo tanto, tem uma coisa que vocês podem fazer sim.




 

5 dias depois.

 

A casa ficava na fronteira com o Parque Kamakura, no meio da Floresta de Bambu. Dabi havia pedido aos irmãos a chave da residência, uma vez que era uma herança de família e há anos ninguém ia lá. Quando estavam chegando, Keigo notou os belos jardins de pedra com riachos borbulhantes, lagoas e cachoeiras, que irradiava paz e serenidade ao lugar. Ele sorriu maravilhado. A casa era toda feita de madeira e tinha vários compartimentos, todos em estilo japonês, e os quartos eram formadas com fusuma, shoji e tatami especiais. Era um lugar exuberante, luxuoso, mas que ao mesmo tempo com traços simplistas que  transformava-o quase em um santuário espiritual. 

— Uau! Que lugar incrível! — o loiro disse, admirado com tudo.

— Vem, vamos. — Dabi segurou a mão de Keigo. 

E após pegarem as coisas que haviam colocado dentro do carro, os dois entraram. O mais novo sorriu com o pensamento que passou por sua cabeça. Eles pareciam um casal comum, entrando de mãos dadas em sua casa. Dabi também parecia tão relaxado que isso automaticamente o deixou mais a vontade também. Talvez, o encontro com os irmãos tenha de fato feito bem a ele. 

— Nós vamos ficar aqui? — Perguntou Keigo, ao ver que Dabi havia colocado todas as coisas que levaram em um quarto.

— Sim, por um tempo. — ele pareceu surpreso com a pergunta — A não ser que você não queira.

— Não. — Dabi arqueou uma sobrancelha — quer dizer, claro. — Keigo sorriu e depois tossiu.

— Espere um pouco. — O moreno retirou um casaco de um dos armários, aproximou-se do loiro e colocou nele, sobre seus ombros. — Você deve estar com frio. Acho que isso aumentou depois que você… Quer dizer, vai se esquentar num minuto e ficará bem. Esta casa é bem aquecida. — Repousando a mão nos ombros do loiro, acariciou o pescoço dele  com a ponta dos dedos.

Keigo estremeceu, mas dessa vez, o moreno soube que não era por causa do frio. Inclinou a cabeça até seus lábios tocarem os do loiro.

— Kei... — murmurou ele. 

— Touya. — suspirou.

Keigo ergueu a cabeça, expondo o pescoço. Dabi queria sentir seu gosto, lamber aquela pele bem devagar até alcançar os lábios macios do loiro. Mas também queria que Keigo se recuperasse totalmente, porque as últimas semanas tinha sido baque por cima de baque. Ele não podia ser egoísta. 

Dabi se afastou.

— Melhor tomarmos um banho, passarinho. Estou um pouco cansado da viagem. E você também precisa. 

Keigo bufou. Mas talvez eu não queira descansar, seu idiota. 

Mais tarde, o moreno explicou que a casa fora construída há quase um século, e que inclusive tinha sido habitada pelo capitão da Classe Yamato na época da Segunda Guerra Mundial. Só depois de muito tempo seu avô decidiu comprá-la, transformando-a em um restaurante durante alguns anos. Quando ele morrera duas década atrás, a casa ficara como herança para seus dois filhos, Rei e Hisame. Mas como Rei era a mais velha e Hisame tinha sido banido da família ainda jovem por motivos que eles nunca descobriram, a mãe se tornara a proprietária legítima. Ela no entanto, passara a residência para o nome dos filhos alguns anos mais tarde. Dabi também contou que a propriedade tinha sido construída nas costas de uma grande rocha da Turtle Mountain, porque a tartaruga representa o símbolo de boa sorte e esse lado de sua família sempre foi muito supersticiosa. 

— Então você nos trouxe aqui para nos dar boa sorte?

— Eu não acredito nessas baboseiras, passarinho. Estamos aqui porque achei que era o melhor para treinarmos e fazer o que temos que fazer sem sermos vistos ou incomodados por outras pessoas. 

Keigo riu. Vou fingir que acredito.

— Eu sinto que poderia viver eternamente aqui. E cara, vocês são cinquenta vezes mais ricos do que eu poderia ter sido em toda a minha vida. 

Poderia ter sido?

— A Comissão meio que era a responsável pela maior parte do meu patrimônio, então eu ficava com o básico. Sorte minha que eu era esperto e sempre conseguia um meio de manter minhas economias. 

— Eles ficarão com sua agência, não é?

— Não mais. Eu fiz uma escritura pública transferindo-a para outra pessoa.

— Você deixou aquele moleque corvo rico?

— Na verdade ele só terá direito a ela quando for maior de idade, mas até lá, ninguém poderá tomá-la dele.  

— Mas e quanto ao que aconteceu lá? As pessoas corruptas que trabalhavam pra Comissão? 

— Eu deixei Shouta ciente de tudo e ele ficará responsável por guiar Fumikage quanto a isso quando chegar a hora.

A menção do nome do professor, fez Hawks lembrar de dois dias antes, quando reencontrara com ele e de como o moreno o surpreendera com algo tão inesperado, que quase o fizera desabar em lágrimas.

Além do que você me pediu, tem uma coisa que eu decidi entregar a você. 

— Será que ele guardou rancor? Tentei matá-lo as duas vezes que nos encontramos.

O loiro olhou para Dabi, rindo.

— Você também tentou me matar e olha onde estamos.

— Tem razão. Talvez possamos todos tomar um bom vinho juntos um dia e rir de tudo isso. 

— Talvez... Talvez... — porque o loiro sabia que ambos estavam apenas sonhando. Eu sei o que você está fazendo, querido.

Instantes depois, Keigo viu algo que chamou sua atenção e correu para o lado de fora. Dabi ficou parado, o acompanhando com os olhos. Não havia perigo ali por perto, pois os dois estavam afastados o suficiente da população para serem notados. 

— Olha, Touya, olha! — o loiro apontou para um lago. — São grous!

Dabi sorriu de longe, ao vê-lo tão contente sob a luz do sol que brilhava na pele dele e acendia seus reluzentes olhos cor de ouro. Há dias que o loiro não sorria assim. Naquele momento, era quase possível esquecer porque eles estavam ali, e dos planos que precisavam focar durante os dias em que passariam naquela casa. Dabi também pensou que poderia viver assim, compartilhando uma vida pacata ao lado de seu passarinho bonito de duas personalidades. Algumas vezes ele era tão profissional e em outras agia de forma tão marota. Talvez tenha sido isso que levou Dabi a se apaixonar por ele. Quem o conhecia jamais poderia se sentir entediado.

E por alguns dias, antes do caos irromper, Dabi poderia ser Touya, assim como poderia realizar algumas fantasias bobas de Keigo.

 

 

 

 


Notas Finais


Precisamos de mais momentos macios dabihawks! (a quarentena tá me deixando muito mole do coração misericórdia)


Até o dia 24! (se nenhuma bomba explodir porque sou sensitiva pra caralho e acordei sentindo que alguma merda vai acontecer daqui pra amanhã)


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