História Louis Tomlinson e o Mundo Secreto - Capítulo 8


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Categorias Coraline, One Direction
Personagens Harry Styles, Liam Payne, Louis Tomlinson, Niall Horan, Personagens Originais, Zayn Malik
Tags Aventura, Boy On Boy, Boyxboy, Coraline, Fantasia, Gay, Harry Styles, Homossexualidade, Larry, Larry Stylinson, Louis Tomlinson, One Direction, Romance, Yaoi
Visualizações 20
Palavras 4.119
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Magia, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 8 - Capítulo 7


"O amor é veneno. Um doce veneno, sim, mas mata do mesmo jeito."

- George R. R. Martin, em A Fúria dos Reis.

A primeira reação da bruxa, e até muito sensata, foi olhar para os Lovat, alarmada. Depois se direcionou para Louis, com raiva. Desde o começo ele sabia da verdade, ela supôs, não teria como não saber, sua família não seria tão burra ao ponto de deixá-lo numa casa, a qual escondia um segredo que eles conheciam, e sem que ele soubesse de tudo. Mas Beldam seria tão burra ao ponto de não perceber que o garoto estava enganando-a esse tempo todo?

- E o que você quer? – Louis finalmente ouviu, com um ênfase no você.

Ele sabia que ela tinha uma aparência peculiar, e o garoto nunca teve medo de aranhas, mas isso era um pouco demais para sua mente processar. Na verdade, a forma que Beldam assume não é exatamente a de uma aranha, mas é algo tão inumano que não tem outra coisa que a mente humana possa processar que um aracnídeo, eles sabem que não é isso, mas não há palavras que possam explicar o que eles realmente enxergam quando olham para ela.

- Eu quero meus pais. Minhas irmãs. Os Lovat, todos em paz e em casa. Você pode me ter, se quiser, mas deixe que eles vivam suas vidas.

- Não! - Harry gritou com urgência. – Você não vai ficar nesse lugar.

- Você ficou tanto tempo.

- Calem a boca! - a Outra Mãe parecia confusa, mas ao mesmo tempo parecia estar tramando alguma coisa, o que não exatamente tranquilizava Louis, muito menos Harry. – Quer dizer que, desde o começo você vinha aqui e mentia? Fingia que queria estar aqui, comigo, com as coisas que eu planejei para você por tanto tempo e tudo isso porque você queria levar essas pessoas para sua vidinha?

- Como se você não estivesse mentindo também!

Silêncio.

- Tudo bem. Vamos jogar, então.

- Jogar? – Louis estava incrédulo. Sua família estava desaparecida, aparentemente em uma outra dimensão, e essa coisa queria jogar com ele? – Me desculpe, mas eu não tenho o dia todo.

Ele percebeu que Harry deu um olhar negativo para ele, um olhar que queria dizer não pense que você está em uma briga no high school, você está falando com uma bruxa. E ele realmente estava, então decidiu se portar de uma maneira melhor.

- Se você achar todos os seus familiares antes do amanhecer, você pode ir embora, com toda a sua família e seus amiguinhos ingratos. Mas, se você não conseguir, ficarão aqui para sempre. Todos. – ela sorri e bate palmas, alguns instantes depois o falso padrasto de Louis chega, carregando uma caixa com insetos dentro.

A mulher - se é que pode ser chamada assim – pega um besouro e coloca, inteiro, em sua boca, começa a mastigar sem a preocupação de não expor tudo aquilo que está ingerindo. Bem que poderia ser um inseto venenoso. Ou poderia morrer engasgada., Louis se permite desejar, mesmo sabendo que nada disso vai acontecer.

Ele pondera por um tempo, Anne, Des e Gemma o olham com reprovação e preocupação, não acham que seja possível que ele consiga salvar a todos – e a si mesmo. O melhor seria voltar para casa, mas isso estava fora de suas opções, ele jamais conseguiria viver sabendo que perdeu sua família e compactou com tudo que acontece com a família de Harry. Viver a eternidade sem sua alma parecia menos doloroso.

- Então quando o jogo começa?

- Já começou, bobinho. Ah, e mais uma coisa: seus amigos não podem te ajudar. Eles ficarão comigo, enquanto te observo falhar miseravelmente.

Antes de sair da sala, Louis dá uma última olhada a cada um. Anne, que era tão doce e gentil, e que nunca perdeu as esperanças de sair dali; Des, que sempre a apoiou, principalmente em compartilhar os conhecimentos que ambos adquiriram com seus pais; Gemma, que era empática e afável, mesmo em momentos que outros não conseguiriam ser. E Harry. Harry de quem ele se lembraria para sempre, independentemente de seu destino. Lembraria de seu sorriso, de seus dentes da frente, levemente se sobressaindo em meio aos outros, de suas rugas aos lados dos olhos ao sorrir e do sorriso, com direito a covinhas e, em momentos mais sensíveis, pequenas lágrimas acumulando nas portas de sua alma. Do toque urgente, dos beijos desajeitados. Da gentileza, do amor, da pessoa que ele é, da pessoa que ele foi para Louis, a pessoa mais importante que ele conheceu, mesmo que tenha sido por tão pouco tempo. E isso o levava ao pensamento de que ficar eternamente vagando por esse mundo teria ao menos uma vantagem: tempo ilimitado para pensar no belo garoto de olhos verdes.

O primeiro que ele fez foi procurar dentro da casa, mesmo sabendo que provavelmente não estariam lá, porque seria muito óbvio.

Agora, ele via a casa novamente sem magia, ela já não precisava encantá-lo com cômodos minuciosamente planejados e decorados, ou com surpresas e presentes extravagantes. Agora, como sua mãe costumava dizer, eles estavam com as cartas na mesa. O banheiro, que antes era muito bem limpo e minimalista, com azulejos tão brancos que até brilhavam e uma banheira espaçosa, estava infestado de insetos – principalmente moscas asquerosas e verdes – e sujeira para todos os lados, espelhos e azulejos quebrados, enquanto uma água marrom escorria por todo o chão. O cheiro era de lixo e coisa podre, mas não havia nenhum sinal da família de Louis, então ele apenas seguiu em frente.

Seu quarto estava vazio e os quartos de suas irmãs também estariam, não fosse suas cópias em estado catatônico, que não fizeram mais que virar o rosto na direção de Louis quando ele se aproximou delas. Por fim, o quarto da Bela Dama tinha algo interessante. Não, não era nenhum dos integrantes da família Tomlinson-Jones, mas havia uma ligação bem direta com a matriarca deles.

Pode parecer estranho, mas assim que Louis entrou no quarto, ele entrou em lugar nenhum. Ele estava no nada. E não há palavras para descrever o nada porque é  inexplicável e auto explicativo, ao mesmo tempo. Escuridão? Claridade? Ele não conseguiria definir, mas certamente não era nenhum dos dois. Não haviam paredes no que deveria ser o cômodo, a porta – ainda bem – ainda estava atrás do garoto, mas parecia flutuar. Ele podia enxergar o nada se estender e chegar a lugar nenhum, mas havia alguma coisa ao longe, que ele sentia que era algo interessante, algo que ele deveria chegar perto. Se era para se arriscar, ele levaria isso bem a sério.

A caminhada era longa e curta, cansativa. Parecia que ele precisava fazer uma força muito maior que o normal, simplesmente para fazer com que suas pernas funcionassem. Seus pés paravam, como se estivessem tocando uma superfície plana, mas ele não sentia nada. Ao redor, teias de aranha pareciam ser infinitas, enormes, podendo servir de resistência para cidades. Se fosse pelo som, Louis jamais teria escutado o gato se aproximar, mas, de alguma forma, seu corpo lhe mandava um aviso sempre que o bichano estava por perto e dessa vez não aconteceu de forma diferente.

- Então agora não tem mais volta.

- Acho que não.

- Então, espero que você tenha feito a melhor escolha. Se é que há uma melhor escolha em uma situação dessas.

- Eu fiz, disso não tenho dúvidas. Mas preciso da sua ajuda, preciso saber se há chances, se tem pelo menos alguma coisa a meu favor.

- Certamente. A bruxa já não tem mais a mesma força de antes, já não é tão poderosa como outrora fora. Use isso a seu favor e, eu te garanto, você terá vantagens.

O gato era assim, falava, falava e não falava nada. Louis dificilmente entendia seus conselhos ou o que ele dizia, mas sempre era alguma coisa que o garoto entenderia depois, em algum momento. Quando voltou a prestar atenção ao ambiente em que estava, o gato já não estava ali, assim como todas as outras vezes.

Agora, com seus olhos melhor acostumados com o lugar, ele podia ver que ali não era tão vazio assim. Nas teias, alguns esqueletos estavam grudados, como pequenos insetos capturados por uma aranha faminta. Besouros e baratas pareciam deslizar por todo o local, como se estivessem voando, mas com as patinhas, Louis continuou andando pelo que pareceu horas, mas poderiam ter sido minutos ou anos, ele não sabia muito bem como era a diferença de passagem de tempo naquele lugar. Até que, como se ele estivesse cego esse tempo todo, e agora fosse capaz de enxergar com clareza, uma porta estava em sua frente. Poderia ser a porta pela qual ele entrou? Não, essa porta estava há milhas de distância, atrás dele, ele podia enxergar.

A cuiriosdade e a coragem, que são bem presentes em todo membro da família Jones, levaram-no para o outro lado atrás da porta.

Esse novo cômodo era, estranhamente, mais humano que o outro. Se o perguntassem, antes dele entrar, com certeza responderia que lá teria algo pior, mil vezes pior. Algo terrível, talvez uma outra dimensão, uma armadilha de Beldam. Mas não era nada disso.

Era uma espécie de oficina, Louis não sabia uma palavra melhor para descrever. Como aqueles cômodos, na casa da vó, em que ela guarda uma máquina de costura, linhas, botões e agulhas. Mas, era tudo em uma proporção muito maior. A máquina, denunciando estar sem uso há pelo menos alguns anos, era da altura de uma geladeira, muito maior que uma normal. Pelo menos 20 prateleiras eram distribuídas por todo o perímetro, cada uma com centenas, talvez milhares, de materiais de costura. Agulhas de tamanhos convencionais, mas também agulhas que pareciam ser do tamanho do braço do garoto estavam cuidadosamente guardadas. Era o escritório da bruxa, era aqui que toda sua magia acontecia. Aqui que ela criava suas marionetes, aqui que ela criava suas construções e aqui também que ela escolhia suas vítimas, Louis teve certeza disso ao ver uma foto sua, uma foto espontânea, de algum momento que ele estava distraído, nem lembrava de alguém ter tirado aquela sua foto. Debaixo dela, outras fotos, de todas as outras vítimas, vê-las fez embrulhar seu estômago, mas ver sua tataravó, Coraline, ainda aos 11 anos de idade, uma cara emburrada muito parecida com a que Louis costumava ter, seus cabelos rebeldemente tingidos de uma cor não muito convencional, com tão pouca idade, para olhos cheios de raiva, determinação e paixão... Bem, vê-la trouxe toda a inspiração que o Tomlinson-Jones precisava nesse momento.

Ao lado das fotos havia a mesma caixinha que Louis recebeu no baile, dentro ainda repousavam uma agulha e dois botões. Louis percebeu que ao fim de uma das prateleiras havia uma escada, que era larga e havia um espaço maior que o normal entre seus degraus, usá-la para chegar ao lugar que ela levava seria difícil, mas talvez houvesse algo importante lá em cima.

O ambiente lá já não é mais convencional como a oficina da Outra Mãe, mas mais parecido com o local anterior ao local em que ele encontrara a escada. Mesmo que o nada seja o mesmo, e ninguém consiga determinar o tamanho dali só ao observar a imagem, Louis sentia que a imensidão de antes era maior, a atmosfera do local ali o sufocava, como se o oxigênio necessário para ele sobreviver fosse escasso, uma forma de Beldam afastar quaisquer humano curioso que certamente não deveria entrar ali.

O garoto se forçou a entrar, mesmo que seus pulmões gritassem por ar e seus olhos ardessem como se ele estivesse debaixo d’agua há horas. Valeu a pena. No centro de tudo, uma pequena chave preta de madeira, com um botão esculpido na ponta, flutuava. Parecia de certa forma ansiosa, como se esse objeto sentisse a presença de Louis e soubesse que ele não deveria estar ali. Que ele não deveria pegá-la.

Assim que Louis fechou sua mão ao redor da chave, o mundo pareceu tremer, como se estivesse prestes a desmoronar. E então, com uma rapidez que ele duvidaria conseguir alcançar em outras circunstâncias, desceu as escadas e correu para a porta da oficina, saiu dali e adentrou nenhum lugar, batendo com força a porta atrás de si. Finalmente conseguiu respirar e, só ao fazer isso, percebeu o quanto precisava disso.

A chave estava em seu bolso, a primeira coisa que ele precisava para poder sair dali com sua família e a de Harry. Para sempre. Ninguém jamais precisaria conhecer Beldam, nenhuma criança jamais seria seduzida por boa comida e amigos legais. Ninguém perderia sua vida. Mas, ele ainda precisava encontrar sua família.

Ali, parado no meio do nada, ele já não sabia mais de que lado viera, inicialmente. Por isso, começou a andar para a direção que sua intuição o mandara, mesmo que isso fosse arriscado. Ele se deu conta de que estava no caminho errado quando se deparou com algumas estruturas em sua frente, pareciam ovos de avestruz. Lembrou-se então do que a Bela Dama havia dito outro dia.

“Os bebês estão vindo. A cada dia estou mais perto deles, posso sentir.”

Não poderia ser. Poderia?

Pegou seu celular em seu bolso e acendeu a lanterna, iluminando os ovos. O que ele via agora pareciam formas humanóides de híbridos entre humano e aracnídeo, assim como Beldam se mostrara a ele, havia não muito tempo. Okay, ele teria de se livrar disso, mas não agora.

Louis andou por toda a casa, verificando cada canto daquele maldito mundo, mas não havia nem sinal de sua família. Desejou nunca ter entrado por aquela pequena porta, mesmo que isso significasse nunca ter conhecido Harry. Agora ele havia perdido sua mãe, Dan e suas irmãs, e tudo isso porque desacreditara da verdade e quisera bancar o herói. Agora, mais do que nunca, ele admirava sua tataravó, que garota forte. Por mais que ele tivesse perdido o jogo com a Bela Dama, ele ainda tinha a chave. Poderia entregar a Harry ou a alguém. De alguma forma ainda poderia fazer todo esse sofrimento ter valido a pena.

- Onde quer que você esteja, quero que você saiba que sinto muito orgulho de você. Todos sentimos. E eu sinto muito por não ter conseguido terminar o que você começou.

- Você está caindo no jogo dela.

Louis nem precisou se virar para ver quem estava atrás dele.

- Ela sabe jogar, o que posso fazer? Escondeu-os muito bem.

O garoto virou-se dessa vez, olhando bem fundo nos olhos do gato, que tinham as pupilas como uma fenda, no momento. O gato pendeu sua cabeça para a esquerda e o observou, atentamente.

- Ela não os escondeu. Pense um pouco, Louis. Impossível que você seja tão lerdo assim. Se eu tiver que dizer a você, então terei de fazer um teste sanguíneo para saber se você realmente vem da família que diz.

O gato saiu e deixou um Louis confuso, com o cenho franzido. Se ela não os escondeu, eles estariam em algum lugar óbvio. Ou então... Ou então eles não estariam, esse tempo todo eles sequer estariam ali e o garoto estava sendo enganado. Ele poderia usar isso a seu favor.

• • •

Lá fora a lua pesava tanto quanto o coração de Harry. Desesperado, ele não tirava os olhos da porta. Por que estava demorando tanto? Será que Louis havia caído em alguma armadilha? Ele jamais se perdoaria se algo acontecesse ao garoto por sua culpa.

Ele esperou Beldam se afastar para chamar a atenção de Gemma. A mulher estava agora na janela, provavelmene observando – ou tentando – Louis, dando a oportunidade dos dois irmãos conversarem, pelo menos um pouco. Mas era tempo suficiente para Harry.

- Eu preciso que você distraia ela. – Harry declarou, sem cerimônias.

- Oi? Você enlouqueceu?

- Você precisa fazer isso, Gem. Vai entender tudo em algum momento, eu espero.

Gemma o encarou por alguns segundos. Confiava nele, e somente por isso iria se arriscar. Afinal, eles vinham do mesmo sangue culpado, dos mesmos ossos fracos.

- Tudo bem.

- Sério? Achava que não conseguiria te convencer tão fácil.

- Quero sair daqui tanto quanto você. E também quero que Louis esteja conosco, então, vou ajudar. Mas eu quero que você me prometa que tem certeza de que o que quer que seja que você está tramando vai funcionar.

Harry não tinha certeza de que funcionaria, mas apostava todas as suas chances nisso.

- Eu prometo.

Gemma se afastou de Harry e andou em direção à mulher.

- O jogo está indo como você planejou?

Ela olhou para Gemma como se ela fosse um verme.

- Eu não planejei. Meu jogo estaria indo como planejei se, agora, Louis estivesse me dizendo que aceita meus botões.

- Claro. Mas, já que não aconteceu como você queria, acredito que tenha pensado em mais alguma coisa para sair por cima, não?

- Você consegue ser bem intrometida. Por que está tão interessada em saber sobre meus planos em relação a esse infeliz?

- Vamos lá, você é a Beldam. Deve saber. – como a bruxa ficou em silêncio, Gemma prosseguiu – Harry está perdidamente apaixonado por esse garoto, esteve desde a primeira vez que o viu. Era por mim que ele deveria sentir isso. Ele estava destinado a mim desde o dia em que nasceu. Não é justo. Louis só surgiu para destruir nossas vidas, inclusive a sua.

Durante essa breve conversa, Harry conseguira se aproximar da mesa em que repousavam algumas louças e talheres, a mesa que não muito antes a Bela Dama saboreavam seus insetos. Pegou uma faca enorme, que parecia bem afiada. Escondeu dentro da sua calça, enrolada em alguns pedaços de pano. Então, regressou para o lugar que estava antes.

- Interessante. Mas o que isso significa para você? – a Outra Mãe parecia um pouco mais confortável com a garota.

- Significa que quero que Louis perca esse jogo, tanto quanto você.

- Eu posso ir ao banheiro? – era Harry, querendo uma oportunidade para usar a faca como havia planejado.

A bruxa, que estava envolvida naquele conversa, apenas fez um sinal com as mãos como dizendo vá, sem sequer olhar para ele.

- Bem, e se eu disser que não tem como ele ganhar esse jogo?

• • •

Assim que Harry se livrou da faca ele correu para onde estava antes, precisava ser muito discreto com tudo.

• • •

Louis abriu a porta com um empurrão. A raiva tomava conta dele, e a incerteza e o medo faziam seu coração vacilar.

- Onde meus pais estão? – ele gritou.

- Não grite com a sua mãe! – a bruxa gritou de volta. Os Styles-Lovat observavam em silêncio.

- Você. Não. É. A minha. Mãe!

Agora eles estavam frente a frente e ambos aparentavam estar fervendo em raiva. Beldam pareceu crescer perante Louis, sua última forma finalmente sendo revelada. Agora, ela era realmente uma aranha por completo, sem nenhum rastro de humanidade em sua aparência.

- Eu não sei onde eles estão, – admitiu Louis – mas sei que você tambem não faz ideia.

Todos ficaram em silêncio por um tempo. Harry não estava surpreso, sabia desde o começo que Louis não era tapado.

- Eu não tenho medo de você.

- Eu não preciso que você tenha medo de mim.

- Mas precisa que eu te ame. E, quer saber? Eu não te amo, e ninguém nunca te amaria. Você pode deixar que eu tenha misericórdia e te mate agora, ou pode passar séculos passando fome, até que finalmente morra desnutrida e fraca.

Ela soltou uma risada e se aproximou ainda mais de Louis, fazendo com que sua respiração densa tocasse rudemente a pele macia do rosto do garoto.

Harry torcia para que tudo acontecesse logo, se demorasse por questões de segundos isso poderia custar a vida de Louis.

- Acho que quem vai acabar morrendo vai ser sua pobre mamãezinha, e seus irmãos infelizes vão sequer nascer. Enquanto eu me alimento de sua alma pobre e vazia, sua família vai estar assistindo e entao, quando eu terminar, pegaria as pobres garotas. Charlotte e Felicité estarão tão apavoradas, coitadas. O que você acha que pode machucar um humano, fisica e psicologicamente? O que vocês acham? – ela olhava agora para a família de Harry, mesmo que não os enxergasse – Queimaduras? Etrangulamento? Estupro? Todas as opções? Acredito que sua mã-

Louis tentou se segurar ao máximo, porque sabia que não poderia destruir aquilo com suas próprias mãos, mas esse foi um daqueles momentos em que não se consegue ser exatamente racional.

Sua mão voou para o rosto dela tão rapidamente que nem ela mesma conseguiu reagir, um de seus oito botões caíram ao chão e ela rugiu alto. Louis aproveitou para enfiar a ponta da chave dentro do buraco que ficou ali, uma substância espessa grudou na chave, mas ele conseguiu puxar antes que fosse tarde demais.

No exato momento em que a bruxa caiu no chão, com as mãos no rosto, Johannah e Dan entraram no cômodo, seguidos pelas irmãs de Louis.

- Mãe! – Louis gritou, correndo para abraçá-la.

Harry sorriu, apesar de estar preocupado com Bela Dama, que não ficaria fora de cena por muito tempo.

- Louis! – ela beijou as duas bochechas e a testa do filho, enquanto segurava sua face em suas mãos – Eu te amo tanto, tanto.

- Mãe, eu também te amo.

- Você não deveria ter me desobedecido, Louis.

- Mãe, agora não é hora para esporro! – era Fizzy gritando, sua voz urgente.

- Louis, eu preciso que você seja forte e tenha coragem. Todos nós acreditamos que você consegue terminar com isso, só você pode destruí-la.

- Mas, mãe eu não sei se consi-

Com a emoção do reencontro, ninguém percebeu a Outra Mãe se aproximando por trás de Jay. A mulher foi surpreendida por uma pontada no abdômen, era uma das patas pontiagudas da bruxa.

- Use isso. - ela colocou a faca nas mãos de Louis, suas próprias estavam firmes e urgentes. Sua voz, um engasgo doloroso.

Enquanto Johannah caía ao chão, Beldam se aproximava de Louis, que nem ao menos teve tempo de checar se a mãe estava bem.

- Como você trouxe essas coisas aqui? - agora, além de raiva, parecia haver um certo tom de dor na voz dela.

- Você realmente achou que eles me deixariam na mão? - Louis deu um passo para trás, ao mesmo tempo que ela deu mais um passo para a frente.

- Eu acho que você se julga muito esperto. Não há como me enganar, criança. - ela direcionou seu rosto para Gemma, discretamente. Gemma sorriu. - Nem todos aqui estão a seu favor.

Enquanto a bruxa encurralava Louis, Gemma se aproximava. O garoto a olhou por um momento, inicialmente com uma desconfiança, mas então percebeu no fundo daqueles olhos verdes, tão parecidos com os de Harry, que ela jamais faria mal a ele.

A bruxa, tão confiante de si, demorou algum tempo para perceber o que estava acontecendo quando Gemma pulou em sua direção, e não na de Louis. Foi o suficiente para derrubá-la, e também para sair com dois cortes profundos - um no braço e um na costela -, cortes que deixariam enormes cicatrizes pela vida toda. A garota deitou no chão, choramingando de dor, enquanto Harry corria até ela para acolhê-la.

Louis se abaixou, prendendo a Bela Dama, agora uma aranha assustadora, com a força de seu peso, e posicionando a faca em seu pescoço.

Ferro na jugular. Louis sorri ao ver o sofrimento na fase velha e inumana de Beldam, ele finalmente terminaria com tudo. Em algum lugar, e de alguma forma, Coraline sorriu para ele, em agradecimento por ele ir até o fim, como ela deveria ter ido anos atrás. Ele sorri com desdém e pressiona com mais força a faca no pescoço dela.

- E-eu s-só que-eria t-te am-mar. – ela balbucia, enquanto luta para conseguir respirar.

E, por um momento, Louis enxerga nela a pequena Margarida, aos 12 anos. O vestido ainda intacto, a pele ainda macia e jovem, os cabelos ainda perfeitamente cacheados, o sorriso ainda inocente e os olhos ainda brilhantes, olhos de verdade. E ele quase vacila, mas lembra do que o gato disse, que ela já não era mais aquela menina. Margarida estava morta há séculos, morreu assim que caiu naquele poço, aquele maldito poço.

Ele coloca toda sua força em seu braço direito e a faca que sua mãe, sua mãe que poderia estar morta agora, lhe entregara tão bravamente, mergulha em um mar vermelho de sangue fresco, enquanto mais desse líquido jorra da boca alienígena do que, outrora, fora uma entidade faminta.

- Boa noite, mamãe. – ele diz, antes de cair ao lado do corpo, seu rosto explodindo em lágrimas de alívio, medo e cansaço. Tudo estava acabado.


Notas Finais


oi gente! só faltam mais três capítulos e o epílogo! dá para acreditar? estou muito feliz aaaa.

agora é foco em larry... será?

enfim. me perdoem pelos capítulos que estão diminuindo de tamanho, mas acho que esses últimos terão essa média de 3.000/4.000 palavras mesmo. obrigada e até logo.

♡´・ᴗ・'♡

obs.: me perdoem por qualquer erro, revisei o capítulo, mas às vezes algumas coisas passam despercebidas.


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