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História Conheça-te a ti mesmo - Capítulo 1


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Capítulo 1 - O Adeus de Yasmin


Enfim, o grande dia chegou. Dia de dar adeus ao tumulto de São Paulo e me mudar para o interior de Minas Gerais, uma pequena cidadezinha próxima a Ouro Preto. É o dia de largar toda essa correria de uma das mais movimentadas cidades do Brasil e poder, enfim, viver a calmaria de uma vida pacata.

Será que eu estou mesmo pronta ou apenas ocultando um surto interno? Eu não faço ideia.

Já eram dez horas da manhã, eu estava ansiosa indo de um lado a outro no apartamento, meu pai lia um pdf e minha mãe digitava freneticamente no computador, enquanto eu tentava checar se tudo estava bem, dei um último adeus ao meu quarto, peguei minhas duas malas e a mochila, calcei meus tênis e chamei um táxi para o aeroporto, levei minhas malas até na sala.

- Bem, vocês vão ir comigo até o aeroporto? – peço para os meus pais.

- Filha, adoraríamos ir, mas estamos muito ocupados – diz minha mãe se levantando, ela me dá um abraço demorado e em seguida meu pai faz o mesmo.

- Esperamos que você esteja certa disso filha – diz meu pai calmo – Se você precisar, pode voltar para cá.

- Ah claro pai, entre ficar no interior de Minas e ficar sozinha na minha própria casa com os meus pais, é muito melhor ficar aqui – os encaro – Quando eu chegar, eu mando mensagem.

Dou um sorriso e vou embora, desço os elevadores do prédio e o táxi me esperava, olho para cima e vejo meus pais na sacada acenando, aceno de volta e entro, no carro que me levará para o meu futuro.

(...)

Era de noite já, por volta de sete horas, meus avós me esperavam no aeroporto de Ouro Preto, ambos estavam com plaquinhas escritas “Bem Vinda Yasmin” e “Yasmin nós te amamos”, saí correndo os abraçar, que me abraçaram com todo seu carinho e amor também.

Após quase uma hora de carro, chegamos enfim a casa dos meus avós, e agora, minha casa também. Faziam anos que eu não os visitava, e a noite, era mais difícil ainda ver se as coisas haviam mudado, meu avô meu ajudou a levar as malas para o meu novo quarto e minha avó me mostrou um pouco do ambiente, eles são simples, mas são os simples mais detalhistas que eu já conheci. Eles não me viam a anos, mal sabiam dos meus gostos, mas fizeram o suficiente para transformar tudo no mais agradável possível.

Hoje, eu dormi em paz, na minha cama simples, em uma casa simples do interior, mas me sentia mais acolhida do que em uma cidade lotada, onde eu estava cercada de coisas.

Hoje eu estava exatamente onde deveria estar.

(...)

Acordei e já eram oito horas da manhã, os galos já cantavam, os animais faziam barulho, o mundo acontecia já, mas acontecia calmamente, sem sirenes, buzinas ou pessoas falando em excesso e correndo, ali o mundo acontecia como tinha que acontecer. Na noite anterior mandei mensagem para os meus pais, que sequer me responderam, mas tudo bem, eu já estava acostumada, hoje é domingo, devem estar fazendo algo de muito interessante.

Me levantei, separei uma roupa simples e me encaminhei até o banheiro, seria estranho dividir banheiro com outras duas pessoas, mas isso não é nada impossível, no meio do caminho minha vó me vê e me chama.

- Bom dia Yasmin – sorri – vou colocar um cafezinho para você.

- Bom dia, vó – sorrio.

Escovei meus dentes, arrumei meus cabelos e me troquei, fui para a pequena cozinha e me sentei em uma cadeira de madeira que havia ali, de onde eu estava conseguia ver a paisagem, tanto verde, árvores, plantas, morros, animais, o sol, o céu, tudo, tudo era mais natural e mais vivo aqui, sem cinza, sem carros, sem pressa, apenas a calma.

- Hoje vamos fazer um almoço de boas-vindas para você – diz sorrindo – Espero que você goste.

- Vó, você sabe que não precisava – rio – Mas muito obrigada.

Conversamos mais um pouco sobre como estavam meus pais, como eu me sentia com tudo isso e quais meus planos aqui, prometi que ajudaria ela a aprontar o almoço depois que eu organizasse tudo no meu quarto, terminei o café, lavei a louça e me dirigi para o meu atual e permanente dormitório. O tempo foi passando entre uma roupa e outra e quando vi, já eram onze horas da manhã, uma pequena movimentação de pessoas na casa acontecia e só ai que eu percebi que tinha esquecido completamente de ir ajudar minha vó, corri para terminar o que faltava e fui correndo para a cozinha. Tinha uma senhora lá, da idade dos meus avós provavelmente, um casal de meia idade e dois jovens, que deveriam ter minha idade também, quando me viram, todos pararam e exibiram pequenos sorrisos.

- Olá gente, bom dia – sorrio tímida.

Aos poucos as senhoras, senhores e demais pessoas vieram falar comigo, um dos jovens, um garoto, alto, branco, de olhos azuis e cabelos e bigode castanhos, me chamou a atenção, por apresentar um sorriso um pouco mais descontraído.

- Olá, eu sou o Zacarias, mas pode me chamar de Zac – ele estende a mão.

- Yasmin – sorrio e o cumprimento – Sem apelidos, eu acho – rio.

Minha vó então nos chama para almoçar na área de casa, em meio a refeição, descubro que eles são nossos vizinhos, minha avó é madrinha do Zac e de sua irmã, Andressa, eles são filhos de Márcia e Josué, donos de grandes terras aqui, e pelo que meu avô disse, grandes produtores de leite e outros produtos artesanais.

- Você veio aqui passar as férias Yasmin? – pede Márcia sorrindo.

- Não, eu vim para morar e me descobrir, São Paulo é demais para uma pessoa como eu – rio sem graça.

- Quer fazer alguma faculdade? Eu faço nutrição, posso te indicar faculdades em Ouro Preto– pede Andressa.

- Veterinária provavelmente, fiz alguns cursos relacionados, me formei em Zootecnia junto ao Ensino Médio e fiz mais alguns cursos sobre agronegócio, mas quero vivenciar para ter certeza da minha escolha – sorrio e noto a curiosidade no olhar de Zac.

 

 

- Ótimo, nós estávamos mesmo precisando de uma auxiliar na fazenda – diz Josué, que aparentemente se interessou no meu currículo – Claro, se você quiser um trabalho.

- Bem, desde que eu arrume tempo para estudar e ajudar aqui, acho que não vai matar ninguém, certo? – sorrio.

Noto um leve sorriso no rosto dos demais, é Yasmin, para quem chegou ontem, parece que tudo já está meio encaminhado.E



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