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História Love Affair. - Capítulo 4


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Notas do Autor


Leiam as notas finais, por favor.

Capítulo 4 - Correndo risco.


Reagan

Para a minha sorte, a garota não me vê, mas isso é só até Carter cochichar em alto e bom som o quanto acha a tal da Bessie linda. E sim, ela é bonita. Um pouco mais alta que eu, tem um corpo invejável, com seios fartos e cintura fina. Seus longos cabelos negros estão presos em um rabo de cavalo e os lábios carnudos, as sobrancelhas delineadas e os olhos verdes perfeitos completam o visual de mulher fatal. Quando me vê, ela pisca para mim, mas mostro o dedo do meio de volta para ela, que joga a cabeça para trás e ri feito uma criança.

— Você a conhece? — Carter pergunta com curiosidade.

Assinto com a cabeça. Rapidamente puxo assunto com uma garota ao meu lado. Não quero falar sobre Bessie agora. Uma raiva avassaladora me consome por dentro. Por que diabos ela tem que estudar no mesmo colégio que eu? E ainda na mesma turma? Sem contar que ela parece bem mais velha que todos nós.

Estamos jogando a mais ou menos meia hora e, diferentemente das outras garotas, eu não estou nenhum pouco cansada. Adoro aulas de educação física, pois são minha única maneira de me exercitar. Não sou do tipo que sai para correr ou frequenta uma academia. A preguiça sempre fala mais alto que minha autoestima. Não que eu precise perder peso, porque o que eu estou precisando mesmo é ganhar massa muscular, me acho magra demais. Tá, não tão magra a ponto de não ter peito ou bunda, mas magra.

Prendo novamente meu cabelo. Às vezes me irrito por ele ser tão liso, qualquer movimento e ele já implora por liberdade.

O placar marca vinte e quatro pontos para o time o qual estou praticando, contra vinte e oito para o time de Meredith. No momento em que Ross me passa a bola, Bessie está atravessando a quadra. Eu tento desviar de todos que vem de encontro a mim e me direciono para a cesta. Estou prestes a arremessar a bola quando uma mão macia e delicada toca meu ombro, deixando-me imóvel. Viro meu rosto para ver a quem pertence. Bessie sorri para mim e em um rápido movimento, rouba a bola e corre para o outro lado da quadra.

— Está mexendo com a garota errada, Bessie! — grito.

— Ah, então você é uma garota? Não fala como uma — provoca quando finalmente consigo alcançá-la, ficando bem a sua frente.

Seus olhos verdes brilham em diversão. Me deixar puta da vida a deixa feliz.

— Aposto que sou mais mulher que você — falo, dando um passo em direção a bola e ela se esquiva para o outro lado e fica por trás de mim.

— Tenho certeza que não, mas se quiser tirar a prova... — sua voz próxima ao meu ouvido me causa um arrepio, que faço questão de ignorar.

Novamente tento roubar a bola, só que dessa vez de forma mais sutil, mas é inútil, ela é bem mais rápida que eu.

— Bessie, está fazendo ela de boba! — Meredith grita, fulminando-a com o olhar. A encaro por cima do ombro de Bessie. A patricinha está com um ódio mortal de nós duas, não se agrada nem um pouco com as nossas provocações.

Bessie por outro lado parece estar adorando me ver daquele jeito, incapaz de roubar uma simples bola.

— Se você quer, por que não tenta pegar? — ela joga a bola para Meredith e o que era para ser uma simples aula de educação física, vira um joguinho pessoal.

Estou cercada pelas duas pessoas que mais me irritam nessa escola, preciso que isso acabe o mais rápido possível. Avanço para cima de Meredith com raiva. Quero pegar a bola, mas a filha da mãe joga a mesma por cima de mim e eu teria pego se fosse um pouquinho mais alta. Bessie não tem nenhum problema para pegar e ainda por cima faz uma cesta de três pontos. Todos os alunos do time começam a paparicá-la e os da arquibancada fazem uma baderna.

— São duas idiotas, não vale a pena perder tempo as odiando — uma voz grossa sussurra em meu ouvido. É o Aaron.

Diferentemente do resto da turma, ele não está participando da aula.

— Acho que a idiota fui eu — falo desanimada.

— Temos que dar um jeito nelas, isso não pode ficar assim — Carter segura a bola.

Olho para aquela bola e para a Bessie e tenho uma ideia brilhante.

— Me passa a bola, Carter!

Sem questionar, minha amiga me passa a bola. Espero até que o professor peça para que eu a jogue para ele e, quando finalmente pede, a seguro com força, calculando para acertar na Bessie. Arremesso, atingindo meu alvo exatamente aonde eu queria: na cabeça dela.

— Desculpa, minha pontaria é péssima — grito para ela, fingindo arrependimento. Por dentro estou pulando de felicidade.

Bessie se agacha e um grupo de meninas e meninos se aproxima dela para checar se está tudo bem. Nada me dá mais prazer do que vê-la gemendo de dor. A bola pegou em cheio.

Meredith me encara e seus lábios balbuciam algo como “você vai pagar por isso”. Balbucio de volta um belo “foda-se”. A patricinha não me assusta, mas o olhar da morena sentada com uma mão na cabeça... Ah, esse sim me causa calafrios. Bessie tem um olhar mortal lançado em minha direção. Ela não diz nada, mas eu também não pago pra ver, pois simplesmente saio da quadra o mais rápido que posso.

Depois das aulas, Carter e eu vamos para a casa dela. A casa dos Bloom é um pouco maior do que a dos meus tios. Há alguns móveis de época e também quadros nas paredes. Um em especial me chama a atenção. É uma verdadeira obra de arte, nunca vi nada tão lindo em toda a minha vida. Trata-se da pintura de um anjo deitado sobre uma cama com uma humana completamente nua ao seu lado. Ele a envolve em seus braços, mas algo parece incomodá-lo, enquanto ela apenas tenta aproveitar ao máximo do precioso momento com seu amado.

— Uma bela pintura, não? — pergunta uma mulher elegante. Assinto com a cabeça e ela estende a mão para me cumprimentar — Prazer, Lilly.

— Reagan — falo simpaticamente, apertando sua mão — É um prazer conhecê-la, Sra. Bloom. Estou encantada com o tanto de pinturas que há nesta sala, são incríveis.

Carter rapidamente desce as escadas em uma roupa totalmente diferente da que estava usando mais cedo. Se na escola minha amiga parecia uma intelectual, agora está mais para alguém que vai fazer uma trilha ou algo do tipo. Ela está com pressa, pois vem ajeitando os botões da camisa pelo caminho. Não está totalmente pronta ainda.

— Vejo que tem muito bom gosto, Reagan — diz a Sra. Bloom, me deixando encabulada.

— Vamos, não quero perder tempo — Carter nos interrompe sem cerimônias.

— Para onde estão indo? — sua mãe pergunta, curiosa.

Carter me chama e me despeço de sua mãe. Quando a Sra. Bloom repete a pergunta, a garota simplesmente grita que estará de volta em casa antes das oito e meia. Para onde vamos? Eu não faço a mínima ideia, mas estou empolgada.

Entro no carro e a única coisa que se passa pela minha cabeça é que era isso que eu estava precisando: um pouco de diversão.

O Porsche amarelo da minha amiga estaciona em frente a um bar. Não é chique e não parece ser frequentado por pessoas de sua classe social, mas é aconchegante. O mais legal de tudo são as motos que estão estacionadas uma ao lado da outra. Há motoqueiros por aqui. A empolgação me faz sair do carro aos pulos.

— Você é a melhor! — falo para ela enquanto desço do carro.

— Espero que goste de cerveja, porque vamos encher a cara.

O bar é maior do que aparentava ser, mas não tão diferente de qualquer outro bar do meio da estrada. Ao som de “Mississipi Queen”, vários homens jogam sinuca enquanto outros fazem apostas em um jogo de tiro ao alvo. Quando Carter e eu nos acomodamos no balcão, um cara gordo e careca se aproxima da gente.

— Nossa, você é muito gostosa — cochicha em meu ouvido. Meu primeiro instinto é rir e o segundo, apoiar minha mão em seu peito e afastá-lo de mim. Estou muito perto e seu hálito está me deixando embriagada.

— Foi mal, cara. Não vai rolar — falo e ele se aproxima novamente.

— Adrian, ouviu o que ela disse — diz o garçom ao nos servir com dois copos de cerveja.

O gordo careca simplesmente sai e agradeço mentalmente ao garçom, que me observava de cima a baixo.

— Dá pra parar de comê-la com os olhos e notar que estou aqui bem na sua frente? — minha amiga chama sua atenção.

O garçom sorri e dá a volta no balcão. Ele e a Carter se abraçam de forma muito carinhosa e apesar de todo o barulho no bar, posso ouvir ela o chamando de “meu amor”. Carter parece gostar mesmo dele. Ele parenta ser uns cinco anos mais velho que nós duas e seus olhos brilham cada vez que ela sorri. Não vou negar que sinto uma pontada de inveja ao vê-los juntos. Na realidade, relacionamentos nunca foram o meu forte, sou uma garota complicada demais.

— Você é a última pessoa que eu esperava ver por aqui — uma voz desconhecida chega até meus ouvidos.

Olho para o lado e sorrio ao vê-lo. Está vestido em uma camisa social preta e um jeans velho. Seus cabelos castanhos estão molhados, provavelmente tomou banho minutos antes. Quando se vira para mim, posso ver indícios de um sorriso em seus lábios. Ele tem um sorriso ridiculamente lindo.

— Bom, você não parece nada surpreso — brinco e ele pede uma bebida ao garçom, que não pergunta o que ele quer, apenas o serve.

— Não tenho o costume de demostrar sentimentos e emoções.

— Por que não? — ele dá um gole em sua bebida e olha para mim com aqueles belos olhos azuis — Qualquer sentimento que você demonstra, as pessoas dão um jeito de se aproveitar deles. E eu não estou afim de ser usado por ninguém. Sem ofensas.

— Porque me ofenderia? Não é como se eu estivesse dando em cima de você. Porque até onde sei, você tem uma namorada, que por sinal não me suporta, mas não se preocupe, é um sentimento recíproco.

Ele cai na gargalhada e Carter junta-se a conversa, perguntando qual o motivo da risada, já que eu não tinha falado nada além da verdade. Ele bate as pontas do dedo no balcão e olha o relógio em seu pulso a cada dois segundos, parece impaciente e atrasado para alguma coisa.

— Não somos namorados. Ela é apenas uma velha amiga, nada além disso — diz ao se levantar do banco e jogar alguns dólares em cima do balcão — Nos vemos no colégio amanhã.

Observo enquanto ele sai pela porta. Não entendo o porquê de tanta pressa ou sua mudança repentina de comportamento. Quando o garçom pega os dólares que Aaron deixou no balcão, noto que o garoto esqueceu seu celular atrás do copo de whisky que tinha utilizado. Pego o aparelho. Haviam três mensagens da Bessie e quatorze ligações perdidas de um número desconhecido.

— Isso parece sério, acho melhor ir atrás dele — Carter diz sobre o meu ombro.

Ela está certa. Preciso encontrar Aaron. O celular começa a vibrar e fico nervosa quando vejo que é a Bessie ligando. Como não atendo, ela não desiste. Liga de novo e de novo. Quando resolvo atender, não falo nada para que ela não surte do outro lado da linha, mas quem quase surta sou eu quando a ouço dizer:

— Eles vão me matar — seu tom de voz desesperado me faz gelar — Droga, Aaron, quer fazer o favor de chegar logo? Mark não vai ficar nada contente se alguma coisa acontecer comigo.

Penso em responder alguma coisa, mas não tenho tempo. Um silêncio ensurdecedor se faz do outro lado da linha, seguido de um barulho seco que eu conheço bem: tiros. Três seguidos.

— Bessie, você está aí? — chamo, mas não obtenho resposta. A ligação já havia sido encerrada.

Porra...


Notas Finais


Como a maioria que lê aqui é leitor antigo, já sabe o que acontece e sabe que essa história se passa depois de Apartamento 46, porque em um ponto as duas se entrelaçam, então nosso foco era postar A46 toda antes de postar Love Affair, mas como vocês gostam muito dessa aqui, decidimos ir postando os capítulos aos poucos. Aproveitaremos esses dias de quarentena para postar o máximo que pudermos de Apartamento 46 e soltar alguns capítulos de Love Affair. Aproveitem! Vemos vocês em breve.


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