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História Love, Albus - Scorbus - Capítulo 5


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Notas do Autor


Bebam água, usem máscara, e boa leitura ^^

Capítulo 5 - Capítulo 05


 

 

— Capítulo 05 —

 

 

— Você vai me escrever no Natal, não vai?

— Você diz isso como se eu não fosse, Scorpius, e é claro que eu vou. Mas só se você me escrever, viu?

Dando um sorriso, Albus Potter e Scorpius Malfoy continuaram sua caminhada pela escadaria agora cinza-gelo, enroscados em roupas gigantes que faziam de seus rostos a única pele exposta ao tempo nevado.

O frio de inverno e as lufadas de vento congelante eram os únicos (ou não) motivos para que Albus e Scorpius se mantivessem mais próximos do que costumavam estar — talvez dois palmos — porque era a proximidade que deixavam-os mais aquecidos.

— É claro que eu vou escrever para você. — informou Scorpius num tom irônico de preocupação.

Tomando cuidado para não escorregar na escada, que parecia metal congelado, eles chegaram à estação de trem com os outros alunos que ficariam em suas casas durante o feriado natalino. Rúbeo Hagrid vinha à frente, usando um casaco de pele comprido, luvas grossas e um par de sapatos enormes.

Ali estava o Expresso de Hogwarts, antes vermelho-rubi, mas agora um tanto opaco pelo céu tempestuoso. Um a um, os alunos embarcaram.

— Não sabia que Hogwarts ficava tão frio assim no inverno. — comentou Albus enquanto ele e Scorpius caminhavam pelo corredor do Expresso, mas eles tiveram de parar de andar quando Rose surgiu apressada na frente deles, seus olhos fixos nos de Albus, que passou a encará-la impaciente.

— Oi, Rose! — cumprimentou Scorpius, parecendo ligeiramente mais entusiasmado, mas, como sempre, ela fingiu não ouvir.

— Albus — ela disse, olhando para o primo severamente. —, você tem que parar com isso.

— Parar com o quê? — embora já soubesse o que ela estava querendo dizer, foi isso que Albus perguntou, para desafiá-la dizer isso na frente de Scorpius.

A garota hesitou, então se inclinou na direção dele, puxando-o para mais perto de modo que Scorpius não pudesse ouvir.

— Você sabe que eu estou falando sobre essa sua amizade com Scorpius Malfoy. — cochichou ela.

— Eu não estou ouvindo! — falou Albus num tom alto, mentindo.

Mas era claro que ele havia ouvido — ele, claramente, era um sonserino.

Rose ficou escarlate, então, dessa vez, ela disse alto:

— Estou falando que você não pode ser amigo de Scorpius Malfoy.

Por um motivo que Albus não sabia, Scorpius pareceu mais feliz ainda, embora tentasse esconder.

Isso foi o suficiente para que Albus sentisse seu coração partindo. Scorpius não queria ser seu amigo, era isso?

— Por que? — perguntou Albus, num tom mais desanimado.

— Porque seu pai não iria gostar de ficar sabendo que você, além de ser da Sonserina, está se enturmando com esse tipo de gentalha.

— Para a sua informação — Albus começou a ficar cada vez mais revoltado. —, meu pai já está sabendo e...

— Eu e Albus somos e continuaremos sendo melhores amigos independente da opinião de nossos pais. — completou Scorpius, sorrindo para Rose.

Olhando para o garoto, Albus sorriu fraco, mesmo um tanto confuso com o que havia acontecido. Nem percebeu quando Rose, enfurecida, deixou-os ali, e nem quando o trem começou a se deslocar. Encontraram uma cabine só para eles logo após, e só foram continuar conversando quando se sentaram, um em frente ao outro.

— Você viu o jeito que ela disse meu nome? — comentou Scorpius, se remexendo animado no banco.

— Com desprezo...?

— Com apreensão. — corrigiu Scorpius. — Ela estava tremendo quando ela disse meu nome.

— Tremendo de frio. Tremendo de raiva...

— Não! Tremendo de nervosismo, isso significa — Scorpius arrumou sua postura. — que ela está apaixonada por mim!

Então era por isso que Scorpius havia ficado feliz com "Estou falando que você não pode ser amigo de Scorpius Malfoy"! Porque ela havia dito seu nome, não porque ele não queria ser amigo de Albus! Agora tudo fazia sentido.

Sorrindo um pouco mais aliviado, Albus suspirou e abraçou as pernas, com frio.

— Eu sei um feitiço para aquecer. — disse Scorpius quase imediatamente. — Quer que eu faça?

Assim que concordou com a cabeça, Albus viu Scorpius puxar a varinha do amontoado de agasalhos e murmurar algum encantamento. A ponta de sua varinha ficou levemente vermelha, e de repente Albus começou a suar, no que ele se viu sem saída senão tirar todos aqueles cachecóis, luvas e casacos. Scorpius fez o mesmo.

— Onde aprendeu? — perguntou Albus, assim que guardou sua touca no malão. — O feitiço para aquecer, eu digo. Você sabe que eu não presto muita atenção nas aulas, ainda mais nas de Feitiços, mas não me lembro de ver o Prof. Flitwick fazendo uma coisa assim.

— Meu pai me ensinou. — Scorpius sorriu triste. — Quando a gente brincava lá fora no inverno, e eu sentia frio, ele sempre fazia esse feitiço para que eu não pegasse algum resfriado. Então minha mãe chegava com um chocolate quente e...

Scorpius, então, pareceu de repente triste.

— Meu pai e eu... — ele continuou tristonho. — a gente... a gente não se dá muito bem desde que minha mãe começou a ficar doente. Ela começou a ficar fraca, todo mundo pensou que era por causa de toda a coisa sobre eu ser filho de Voldemort... eu não culpo meu pai por se afastar de mim para cuidar dela porque mamãe merece muito mais que eu. Às vezes eu acho... às vezes eu acho que eu que fiz ela ficar doente quando eu nasci...

— Não. — disse Albus depressa. — Não foi sua culpa.

— Você não pode ter certeza. Minha mãe está bem, é claro, às vezes tem algumas crises, mas não é nada demais. Eu espero que pare.

— Vai parar. — informou Albus, embora não tivesse muita certeza, mas quando viu Scorpius sorrir para ele, ele soube que estava fazendo certo. — Agora, seu pai deve estar sentindo sua falta. Fazem quatro meses que vocês não se vêem.

— Você acha que ele vai aceitar que a gente é amigo?

— Ele aceitando ou não, isso não vai mudar nada. É só lembrar do que você disse a Rose.

Scorpius deu uma risada antes de dizer:

— Falando em Rose, eu sabia que eu iria conseguir conquistar ela. Não foi tão difícil assim.

A viagem de volta à casa foi pura diversão. Ficaram a maior parte do tempo se divertindo com alguns logros da loja do tio de Albus, que Ron havia encomendado a ele durante os quatro meses em Hogwarts escondido de Hermione; e conversaram sobre qualquer tipo de assunto, tanto saber o que a diretora McGonagall fazia enquanto na forma animaga, quanto bolar planos para fazer James ser expulso, mesmo que eles não fariam nada no final.

Teve uma hora que Craig foi fazer uma visita a eles (Scorpius estava animado com a nova amizades). Eles também leram alguns livros escolares — ou foi apenas Scorpius; Albus detestava ler. E estavam se divertindo tanto que a mulher do carrinho, ao passar na cabine deles, olhou desconfiada aos dois quando eles compraram algumas de suas guloseimas, parecendo mais felizes que o resto das crianças.

Tudo isso para compensar os dias que estariam longe um do outro pela primeira vez desde que se conheceram.

Se agasalharam de novo antes de desembarcarem, um ao lado do outro, ainda rindo-se de todas as coisas que aconteceram na cabine. Mas Albus parou de rir quando viu seu pai parado na plataforma, olhando para ele de um jeito que Albus não sabia dizer como.

— Pai. — cumprimentou Albus enquanto Scorpius caminhava desajeitado mas apressado até seus pais.

— Oi, Albus, querido. — Gina, sua mãe, veio ao seu encontro, beijando-lhe na bochecha e o abraçando, o que deixou Albus sem jeito. — Como foi na escola? Fez amigos?

Pela cara de seus pais, parecia que eles queriam falar sobre Scorpius.

— Foi ótimo. — disse num tom irônico na voz, o que não passou despercebido por nenhum dos dois, e nem por James que, desembarcando com seus amigos descolados do trem, se aproximou de sua família, olhando maliciosa e perigosamente a Albus, que hesitou quando seu irmão lhe deu um tapa na nuca.

— Ah, sim — disse James com seu tom irônico. —, aposto minha vassoura que esses meses na escola foram um saco para ele. O sonso sonserino tem sorte de sair inteiro depois de passar tanto tempo com o filho de Voldemort.

Quando Gina bateu no seu braço, James gemeu de dor dramaticamente enquanto Harry o fuzilava com o olhar.

— Você não devia se meter em onde não é chamado.

Se alguém anos atrás lhe dissesse que Albus, o Albus medroso e fraco, diria aquilo a James Sirius Potter, ele não acreditaria. Não sabia de onde havia tirado tanta coragem — talvez não fosse a coragem grifinória, mas a ousadia e astúcia sonserina.

James pareceu tão chocado quanto Harry, que estava boquiaberto, Gina, que encarava o filho mais novo com choque, e Lily, que parecia estar entusiasmada e surpresa ao mesmo tempo.

— Acho melhor voltarmos para casa. — concluiu Harry depois de alguns minutos em silêncio.

— Mas e o tio Ron? E a tia Mione? — perguntou Lily olhando para os dois citados, que não estavam tão longe deles. — Não vamos esperar por eles?

— Eles acabaram de cumprimentar a gente, Lily. — disse Harry. — Além disso, eles nos visitarão no Natal. Mas agora está tarde, vamos.

E, assim, antes de atravessar a barreira mágica para o mundo trouxa, Albus viu de relance Scorpius acenando a ele, entusiasmado; ao seu lado, para a surpresa de Albus, estava Draco Malfoy, cujo sorriso estava sendo direcionado prontamente a ele. Resolveu retribuir o sorriso, não se importando se seus pais eram inimigos ou não, então desapareceu, o choque de que Draco Malfoy havia sorrido para ele ainda gravado na memória.

O tempo que passou em casa foi um saco, assim como aconteceu no Natal, com a família inteira.

A família toda, apesar de dizer que não se importava com o fato de que Albus havia entrado na Sonserina, falava sobre o assunto às costas do garoto, que, como era esperto, percebia, embora nada dissesse.

Sua casa havia virado, basicamente, uma cópia de Hogwarts, onde todos falavam sobre ele, mesmo que em sua família as pessoas tivessem um pouco mais de senso e conversassem longe dele.

Mas era diferente, porque em Hogwarts ele tinha Scorpius, e em casa não.

Recebeu cartas de Scorpius já no dia seguinte, pelos quais ele dizia que estava muito feliz que seu pai não via problema em ele ser amigo de Albus.

Não via a hora de voltar a Hogwarts e encontrar seu amigo. Seu melhor amigo. Se soubesse, ele nem teria voltado à casa.

Mas foi num dia que, enquanto Albus escrevia uma carta para Scorpius, ele ouviu batidas na porta do seu quarto, que se abriu de chofre, revelando Lily, sua irmã, que o olhava sorrindo solidária.

— Você não vai vir 'pra jantar?

— Estou sem fome.

— É claro que está. Você não comeu nada desde o almoço.

Ficaram em silêncio por alguns segundos, antes de voltarem a falar.

— Se foi papai quem te disse para vir aqui me chamar — começou Albus. —, diz para ele que eu não to afim de...

— Na verdade, foi eu quem pediu.

Atrás de Lily, estava sua mãe, o olhando preocupada.

As duas entraram no quarto e fecharam a porta, sem quebrar contato visual com o garoto, que resolveu não demonstrar nada perante à atitude delas.

— Está escrevendo para Scorpius? — perguntou sua mãe.

— Quem mais seria? — perguntou Albus com a voz monótona. — Ele é o único que se importa comigo.

— Não é verdade. — disse Lily prontamente. — Eu e mamãe nos importamos com você, e é por isso mesmo que estamos aqui agora. Você tem evitado a gente durante essas férias, amanhã é o último dia de feriado, depois você vai voltar à Hogwarts, e eu não quero que você vá sem a gente ter conversado antes.

— E vocês querem conversar sobre o quê, então?

— Sobre Scorpius. — responderam as duas em uníssono.

Mais uma vez, o quarto ficou num silêncio desconfortável.

— Ele é meu amigo, vocês sabem disso, o idiota do James já falou.

— Não chame seu irmão de idiota. — repreendeu Gina. — E nós já sabemos que ele é seu amigo. — ela e Lily se entreolharam. — O que estamos tentando dizer é que nós te apoiamos, Albus, e que você não precisa se importar com o que seu pai ou o que seu irmão dizem sobre Scorpius.

— Eu e mamãe não acreditamos que ele é filho de Voldemort. — continuou Lily, um pouco nervosa. — Ele parece ser legal, o Scorpius, eu o vi na plataforma, o sorriso dele é bonito, ainda mais porque ele estava sorrindo para você.

Quando Lily e Gina se entreolharam com caras maliciosas, Albus enrubesceu.

— Não é o que vocês estão pensando! — exclamou Albus, sentindo cada canto de seu rosto começar a esquentar. — Ele é meu amigo, só meu amigo, afinal, ele é apaixonado pela Rose.

— Então por que ele estava sorrindo para você e não para Rose? — perguntou Lily num tom de deboche, o que fez Albus se calar, remexendo a pena que estava usando para escrever entre os dedos.

— Posso ver o que está escrevendo, então? — perguntou sua mãe, erguendo à mão para a carta em desenvolvimento, que foi erguida ao ar por Albus.

— Não! — exclamou desesperado, ficando cada vez mais vermelho. — É confidencial!

E Albus concluiu que, mesmo feliz por pelo menos sua mãe e irmã o apoiarem com sua amizade, ele nunca havia ficado com tanta vergonha na vida. Afinal, a carta era de Scorpius, e isso significava que apenas ele podia ler.

 

 

 

 


Notas Finais


Com amor,
Clara
<3


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