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História Love Bond - Reylo - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Han Solo e sua tripulação.


Rey girou nos próprios pés tentando encontrar o problema. Ela sabia que estava ali, algo dizia isso dentro dela. O barulho estridente que a nave fazia, mais as perguntas irritantes e histerismo do Finn não ajudavam ela a se concentrar para encontrar a origem do problema.
        O dia já parecia uma semana até aquele momento.

Desde que encontrou BB-8, muitas coisas aconteceram antes que pudesse se habituar a qualquer uma delas. Primeiro tentaram roubar o androide, depois encontrou alguém da resistência, então soldados da Primeira Ordem do nada naves da Primeira Ordem e enfim ela teve que roubar uma nave que parecia estar de pé apenas com a ajuda de fitas adesivas...isso, fitas adesivas. Os olhos dela seguiram alguns fios emaranhados e presos com fitas adesivas velhas e gastas. Seguindo eles ela encontrou a peça com problema, e arregalou os olhos diante da conclusão: em pouco tempo iam morrer com gás tóxico.

Rey então se ergueu sobre a estrutura metálica semelhante a uma escada e que dá acesso ao compartimento superior da nave velha, e declarou a descoberta para o novo amigo.

- É o motivador.- sem esperar resposta ela ordenou - Pegue a chave inglesa, bem ali.

Finn aprendeu a obedecer ela depois de tudo o que ela fez naquele dia. Rey era definitivamente uma pessoa especial, não havia como contrariar. Inteligente e corajosa. Ele então se virou o procurou a ferramenta.

- É muito ruim? – ele questionou sobre o problema, preocupado.

- Se quisermos viver, sim. - ela respondeu de modo seco.

- Estão nos procurando. - ele novamente apontou o óbvio. Finn achou que seria melhor mudar o assunto, e ao mesmo tempo começar a planejar como escapar da Primeira Ordem, enquanto procurava a ferramenta - Precisamos sair desse sistema.

- BB-8 não quer dizer a localização da Resistência. Se vou levá-los lá, preciso saber.

- É essa?

Finn encontrou a ferramenta e a jogou para Rey, chamando imediatamente BB-8.

- Precisa nos dizer onde é a base. - o androide recuou em defensiva, apitando algo que ele não compreendeu - Não falo essa língua. – a bola apenas fez outro movimento e ruído incompreensível – Cá entre nós...- Finn resolveu ser sincero - Não sou da Resistência, certo? Só quero fugir da Primeira Ordem. Mas se disser onde é a base, levo você até lá primeiro. Fechado? – BB-8 parecia considerar a proposta - Androide, por favor!

Rey ressurgiu do buraco.

- O condutor pilex, rápido. – ela olhou para os dois - Então, onde fica a base?

Finn se virou para procurar a outra peça, tentando disfarçar diante da pergunta.

- Vamos, BB-8, diga.

O androide hesitava. Finn pegou a peça enquanto sussurrava para ele “Please”.

BB-8 então se virou para Rey liberando a informação, para alívio de Finn que se virou para entregar a peça para Rey.

- Sistema Illenium? – ela repetiu contrariada com o fato de ser um sistema tão longe.

- Isso mesmo! – Finn respondeu agradecendo o androide com um jóia, enquanto mantinha a conversa com uma Rey submersa e concentrada no que fazia - Leve-nos para lá o mais rápido que você pode!

- Levarei vocês ao Terminal de Panima. – ela respondeu terminando de consertar o motivador, percebendo que só faltava agora prender alguns fios - Preciso de fita adesiva.

- E você? – Finn era quem estava contrariado agora, diante da resposta dela de larga-los em algum lugar da galáxia.

- Vou voltar para Jakku? – ela respondeu franzindo a testa e o nariz, achando a pergunta dele ridícula.

Finn deu um salto ao ouvir pela segunda vez aquela resposta de um piloto que era a sua alternativa de fuga, só naquele dia.

- Voltar... Por que todos querem voltar para lá?

Ele questionou ela sem resposta e começou a procurar no chão algo que ele sequer lembrava de ouvir ela pedir, tamanha a irritação.

- Não é essa. – Rey observava ele pegar tudo menos a fita adesiva, e apontou com o dedo o que queria - Não...Não...É a que estou apontando. – Ele continuava pegando tudo menos a fita - Não. Não! Não! – ela perdeu a paciência diante do perigo iminente - Se eu não arrumar, o tanque vai transbordar encherá a nave de gás venenoso.

Finn enfim seguiu para onde ela apontava e achou com uma pequena ajuda de BB-8, que apontou para a fita.

- É essa?

- Sim.

Ela pegou a fita que ele jogou e voltou para terminar o trabalho. Finn engatinhou até a beira do compartimento inferior, indo tentar convencer ela a não voltar para Jakku.

- Rey, você é uma piloto. Você pode ir aonde quiser. Por que voltar? Tem família lá? Namorado? Ele é bonito?

Finn não era muito bom sobre relacionamentos, mas sempre havia uma família, um namorado, marido ou filhos nos dramas dos prisioneiros da Primeira Ordem que ele conhecia.

- Não é da sua conta.

Ela respondeu terminando de consertar o motivador e se erguendo para encará-lo e encerrar o assunto.

Imediatamente a nave chacoalhou e a energia falhou. Eles sentiram então a nave se mover como se tivessem caído em um raio de tração. Finn sentiu o medo crescendo nele e o congelando por dentro “a Primeira Ordem nos alcançou.”

- Isso não pode ser bom. – ele disse com o olhar distante.

- Não. – ela concordou já se erguendo e indo para a cabine, sendo seguida por ele.

- Alguém está nos bloqueando. – Rey mexia nos botões para tentar reativar a nave e tira-los dali. - Perdemos todos os controles. - Está vendo algo?

Outro barulho vindo de um ponto acima deles. Os dois se olharam assustados. Rey engoliu em seco enquanto Finn se erguia sobre o assento e tentava alcançar uma melhor visão do que havia lá fora, se apoiando em Rey que o empurrava irritada.

- Sai! – Finn percebia uma enorme nave os puxando – O que você tá vendo?

- Ah, não. – foi a resposta alarmada dele, voltando a se sentar quando já estavam completamente perdidos – É a Primeira Ordem.

- O que fazemos? – ela perguntou sentindo o coração voltando a acelerar - Deve haver algo. – desistir não era algo que ela fazia.

Finn saltou no assento.

- O gás venenoso.

- Já consertei.

- Pode quebrar de novo? – ele a olhou significativo, recebendo um olhar arregalado de entendimento e concordância.

Os dois saíram em direção ao buraco.

- Vamos, BB-8.

Rey chamou o androide pegando mascaras de gás e entregando a unidade bb para Finn que já descera no compartimento inferior.

- Peguei ele. – Finn disse antes de cair para trás com o peso do androide - Estou bem. BB-8, sai de cima de mim.

Rey desceu e começou a desfazer o próprio serviço.

- Acha que funcionará com os Stormtroopers?

- As máscaras filtram resíduos, não toxinas.

Rey se permitiu breve surpresa de ele saber tanto sobre o inimigo da Resistência. Finn subiu para espiar quem entrava, ouvindo o barulho da porta da neve abrindo e passos vindo.

- Rápido.

- Quase lá.

Assim que a porta abriu ele voltou ao fundo do compartimento e pegou as mascaras, colocando a dele e a de Rey nela, enquanto ela trabalhava em fazer uma fuga para eles.

Han entrou na sua saudosa nave apontando o blaster em todas as direções, preparado para um eventual ataque de quem estivesse dentro da sua amada Millenium Falcon.

Não recebendo nenhum tiro, deu mais uns passos deixando os olhos percorrer aquele conjunto de metal velho que ele tanto amava, aspirando o cheiro de óleo velho e mofo, exatamente igual quando ele entrou nela na ultima vez.

- Chewie... – ele começou um tanto emotivo para o amigo ao lado dele - Estamos em casa.

O wookie soltou uma manifestação um tanto malcriada de alegria enquanto Han dava mais alguns passos para o interior da nave, procurando algum sinal de tripulação ou danos.

Han observou que estava mal conservada e tinha algumas peças modificadas, mas nada que não pudesse ser consertado. Na mente dele já corria um filme de todo o conserto que ele faria, deixando a sua nave como antes. Como antes não, ele cobrou de si mesmo, melhor!

Um barulho vindo da parte inferior alertou ele e Chewie. Eles se entreolharam e foram em direção de onde vinha o barulho. O wookie puxou de uma só vez a tampa, revelando lá em baixo a atual tripulação da Millenium.

Rey e Finn se jogaram para trás, se apoiando na parede do compartimento ao ouvir o barulho da tampa sendo puxada, e olharam aterrorizados para quem os havia capturado.

- Onde estão os outros? – Han questionou rapidamente, apontando o blaster, sequer questionando o uso de mascaras de gás - Cadê o piloto?

- Eu sou a piloto. - Rey respondeu rapidamente.

- Você?

Han se surpreendeu. Parecia muito nova para uma contrabandista. Mas também não era a mais nova que já tinha visto.

Chewie porém...Ele soltou uma forte manifestação de descrédito com novas palavras malcriadas.

- Não! É verdade. - Rey se defendeu esperando que acreditassem nela. Assim que percebeu que não era a Primeira Ordem, ela viu uma salvação e tentava ganhar a amizade deles. - Só nós estamos a bordo.

- Você entende essa coisa? – Finn perguntou uma vez que ele só ouviu ruídos vindo do monte de pelo.

- E essa coisa entende você. Então cuidado. – Han respondeu defendendo o amigo, ainda apontando o blaster - Saiam daí.

Chewie não parecia contente, e respondeu ele mesmo ao que Finn disse, sem conseguir ser entendido, porém.

Rey e Finn tiraram as máscaras e saíram do buraco.

Ela inspirou fundo e foi até Han.

- Onde conseguiu essa nave? – Han sequer se importou com apresentações.

- No Entreposto Niima. – ela seguiu tentando mostrar sua boa vontade.

- Jakku? Aquele lixão? - ele parara e olhara para trás, fazendo careta para ela ao saber de onde vinham.

- Obrigado. – disse Finn se erguendo ao lado de Rey, concordando com a cabeça de modo efusivo - Lixão.

Rey foi de surpresa com o que Han disse para ofendida com Finn concordando. Ela também achava Jakku um tanto desagradável às vezes, mas era a sua casa.

Han não parecia interessado em saber mais dos visitantes, se virou para Chewie e pediu para ele revistar a nave, principalmente a parte Oeste, voltando a olhar os dois.

- Quem estava com ela? – ele perguntou para Rey, lembrando da fúria quando descobriu que haviam roubado a sua Millenium - Ducan?

- Eu a roubei. – ela respondeu firme e rápida, conseguindo a atenção de Han - De Unkar Putt. Ele roubou de Irving, que roubou do Ducain.

- Que roubou de mim! – ele então completou, ouvindo toda a historia da sua nave – Diga a ele que Han Solo recuperou a Millennium Falcon. Felizmente.

Han falava a ultima parte e já dava as costas aos dois, indo em direção à cabine.

- É a Millennium Falcon? – Rey deu dois passos a frente, não acreditando no que estava ouvindo - Você é Han Solo?

Todas as histórias que ela ouviu dos outros enquanto limpava peças, ou quando se escondia para escavar em lugares ocupados por outros escavadores que não poderiam ver ela. Ou até mesmo de Unkar, quando ele queria assusta-la sobre o mundo longe de Jakku, mas que só faziam ela fantasiar mais em quanta coisa tinha lá fora para ela. E que assim que a família dela viesse busca-la ela iria viver...

- Eu costumava ser.

Ele deu a resposta seca e amarga enquanto ia até a cabine, pouco se importando com os demais.

- Han Solo? – Finn estava tão surpreso quanto Rey, mas na mente vinham estórias diferentes sobre o personagem - O general rebelde?

- Não, o contrabandista. – ela respondeu em claro tom de repreensão pela pergunta idiota.

Rey então voltou-se para frente, olhando atônita para onde estivera um dos seus pilotos heróis preferido desde quando era pequena.

- Não era um herói de guerra?

A pergunta de Finn foi direcionada para Chewie, agora, e para surpresa dele a resposta foi compreensível. O woobkie deu de ombros e balançou a cabeça, mostrando que era complicado de explicar.

- Esta é a nave que completou a Corrida Kessel em 14 parsecs?! – Rey gritou para ser ouvida pelo seu herói, sem se atrever a segui-lo.

- Doze!! – ele respondeu irritado - Quatorze...

No caminho até a cabine ele observava cada detalhe, tocando o que via de diferente e errado. E tinha muita coisa errada ali.

Han parou um instante antes de entrar na cabine, inspirando fundo, enchendo os pulmões com o ar vindo do seu lugar preferido em toda a galáxia, depois dos braços de certa princesa e General. Se prostrou entre os assentos e olhou ao redor, permitindo um sorriso de contentamento por alguns segundos. Olhou o painel e então percebeu outro erro.

- Ei! - ele deu passadas largas para fora da cabine, alcançando os outros – Um idiota colocou um compressor na linha de ignição.

Para sua surpresa foi compreendido...pela garota.

- Foi Unkar Plutt. – ele continuou andando enquanto ela falava com ele, apenas escutando o que ela dizia - Achei um erro. – Rey se recuperara um pouco do encontro e agora tentava mostrar serviço - Rouba carga do hiperpropulsor.

Eles terminaram juntos a ultima parte. Por um instante Rey viu admiração no olhar de Han Solo, e lutou contra a euforia de ter captado a atenção do herói, mas então ele baixou o olhar e o rosto voltou a demonstrar indiferença. Finn e Chewie apenas observavam os dois pilotos, surpresos com como eles conheciam a nave.

- Chewie, coloque-os em um pod. – foi a resposta de Han, tentando terminar de vez com a conversa entre eles - Vamos deixá-los nos primeiro planeta inabitado.

O wookie não pareceu gostar da ideia. Rey e Finn claramente não gostaram. Como o contrabandista não apreciava o seu lado prestativo, Rey lhe mostrou o seu lado determinada.

- Espere. Não. – ela seguiu Han, que lhe dera as costas e caminhava pela Milleniun, sendo seguida por Finn - Precisamos da sua ajuda.

Ele parou para escuta-los, notando que não iriam lhe deixar em paz.

- Minha ajuda?

- O androide precisa chegar na base da Resistência o quanto antes.

- Ele tem um mapa para Luke Skywalker. - Finn então soltou a sua melhor informação, complementando o que Rey disse. Se as histórias de Han Solo que ele escutou eram verdadeiras, como ele acreditava que eram, Solo com certeza os ajudaria ao ouvir aquele nome – Você é o Han Solo que lutou com os Rebeldes. Você o conhece.

Han não se virou devagar, apenas colocou as mãos na cintura e baixou a cabeça.

- Sim, eu o conheço. – ele mais resmungou do que respondeu - Eu conheCIA o Luke.

Chewie se manteve calado. Rey teve a impressão de sentir um desconforto vindo da direção de Han.

Mas antes que Finn tentasse convence-lo, ou Rey tentasse entender o que tudo aquilo significava, afinal Luke Skywalker era muito mais um mito do que uma pessoa para ela, um barulho vindo de cima deles alertou Han.

- Não me diga que um Rathtar escapou!

Ele parecia mais feliz com a interrupção do que preocupado com os monstros soltos. Indo para a porta da nave, seguido por Chewie e os outros, Han correu para fora da Millenium.

- Espere... – Finn tentou interceptar ele.

- O quê? – Han parou diante de um painel e respondeu irritado, enquanto levantava uma mão para calar ele e Rey que abriam a boca, o piloto se virou para Chewie – Onde ele está?

Chewie respondeu algo que Rey definiu como “cuidando dos monstros”. Han apertou os olhos para o amigo sabendo que o levantar de ombros significava uma mentira do wookie. Baixando a mão para Finn e voltando a observar o painel, ele permitiu que o outro continuasse.

- Você disse Rathtars? Não está levando Rathtars nesta nave, está?

- Estou levando Rathtars. – Han encontrou o problema e para seu descontentamento era pior que os monstros terem se soltado – Ótimo. É a Gangue da Morte Guavian. Devem ter nos seguido de Nantoon. – Han olhou na direção do portão onde ele viu a nave da gangue entrando e correu para lá, sendo seguido pelos outros, notando então o androide bola dos outros dois, ele parou – Chewie – Han ergueu a mão esperando que o amigo entendesse a importância da missão que ele daria – encontra aquele pedaço de lata respondão e avisa ele que temos que sair daqui logo. Ou a missão dele vai por água abaixo. – Chewie reclamou com grunhidos mas voltou ao painel apertando botões – Isso deve dar um jeito nele - Han pensou consigo enquanto esperava os visitantes.

- O que é um Rathtar? – Rey perguntou aproveitando que pararam.

- São grandes e perigosos. – Han respondeu voltando a andar.

- Ouviu falar no Massacre de Trilla? – Finn complementou, mas Rey só pôde responder com um aceno negativo.

- Que bom. – foi a resposta ácida do piloto ao perceber que ela não sabia sobre os animais - Estou levando três ao Rei Prana.

- Três? – Finn continuou com os questionamentos – Como os colocou na nave?

- Eu costumava ter uma tripulação maior. – outra resposta ácida.

Rey olhou para trás e notou que Chewie já os alcançara de novo e agora movia a cabeça concordando com o piloto.

Han se virou para o amigo antes de continuar.

- Alguma noticia?

“Estão vindo” foi o que Rey conseguiu entender. Ela olhou para Finn com a testa franzida, mas o amigo estava concentrado em quem ele conseguia entender. BB-8 foi o único a corresponder o seu olhar com beeps cheios da mesma dúvida dela. “De quem estavam falando?”

- Fiquem aí até eu mandar. – Han apontou para um alçapão que Chewie abrira - Nem pensem em pegar a Falcon.

Com essa ultima parte Rey entendeu a razão de eles não terem sido deixados na Millenium.

- E o BB-8? – ela perguntou protetora.

- Fica comigo até a gangue ir, depois o pegam de volta e viajamos.

Rey não argumentou mais. Finn porém estava puro nervos, como de costume.

- E os Rathtars? Onde eles ficam?

Han não precisou responder, um estrondo atrás dele chamou a atenção para uma janela onde um grande tentáculo se arrastava.

- Aí tem um. – Han respondeu assim que os dois pararam de gritar.

Finn pulou para o local sem protesto, sendo seguido por uma Rey conformada.

- O que vai fazer?

Han tentou parecer confiante ao responder a garota.

- O que sempre faço. Resolver na conversa.

Chewie discordou, por sorte Rey não estava ali para ouvir.

- Eu resolvo, sim. Toda vez.

Rey e Finn se entreolharam e respiraram fundo. Assim que ouviram os passos de Han se distanciando, observaram que estavam numa espécie de túnel onde as fiações corriam junto com os corredores, e, novamente se mirando, perceberam que tiveram a mesma ideia: acompanhar Han Solo pelos corredores para ver o que acontecia.

- Han Solo. – disse o líder da gangue assim que o portão se abriu, acompanhado de capangas – Você é um homem morto.

- Bala-Tik, qual o problema? – Han tentou parecer despreocupado e então surpreso.

- O problema é que pagamos 50 mil pelo trabalho.

Rey e Finn tentavam observar os outros através das grades do chão.

- Está vendo eles?

- Não. – Finn respondeu já se virando para engatinhar pelo corredor na direção das vozes.

- Soube que também pediu 50 para Kanjiklub. – Bala-Tik continuou.

- Sabe que não pode confiar naqueles loucos.

Enquanto a conversa continuava, Finn e Rey alcançaram eles e observavam os novos visitantes.

- Eles têm blasters. – Rey constatou.

- Vários deles. – Finn somou.

- Queremos nosso dinheiro de volta agora. – Bala-Tik sentenciou.

- Acha que transportar Rathtars é barato? Gastei o dinheiro.

- Kanjiklub quer o investimento de volta também.

- Nunca fiz negócios com ele. – Han mantinha a negativa.

- Fale isso para o Kanjiklub. – Bala-Tik disse, dando assim a deixa para os outros mercenários entrarem na discussão pelo portão do outro lado.

- Tasu Leech... – Han começou pensando no que dizer, sabendo que estava em maus lençóis a partir de agora - É ótimo vê-lo.

O outro não entrou na conversa de Han e disse que ele estava acabado. Rey e Finn pararam um instante notando outras vozes na conversa e foram na direção delas.

- Meninos, vão receber o que prometi. – Han tentou fazer o que melhor sabia: enrolar - Alguma vez já deixei de fazer a entrega?

- Sim. – Bala-Tik respondeu.

- Duas vezes. – Kanjiklub reclamou.

Surpreso, Han tentou lembrar as vezes que falhou com Kanjiklub, enquanto Chewie concordava com sua cabeça peluda.

- Qual foi a segunda vez?

- Este truque é velho. – Bala-Tik já estava sem paciência para o papo do contrabandista - Não há ninguém que você não tenha enganado na galáxia.

- Não há onde se esconder. - o outro mercenário complementou.

Bala-Tik então olhou para o androide aos pés de Han, enquanto esse olhava de um mercenário para outro, tentando decidir o que fazer, torcendo para que a cavalaria já estivesse a caminho.

- Essa unidade BB. A Primeira Ordem procura uma igual. – Han ouviu na sua cabeça a voz de C3P0 dizendo “estamos perdidos” - Ele está com dois fugitivos.

Finn e Rey pararam ao ouvir essa ultima parte, constatando que eles eram os fugitivos da Primeira Ordem.

- Primeira vez que escuto isso. – Han pela primeira vez sendo sincero.

- Cheque a nave. – ordenou Kanjiklub.

- Espere... - o piloto tentou impedi-los.

Rey se adiantou então a procura de um jeito de ajudar Han e a eles mesmos. Chegou a um painel que parecia conduzir aos controles dos portões.

- Se fecharmos as portas do quadrante, podemos prendê-los.

- Fechar as portas daqui?

- Resetar os fusíveis deve fazer isso.

Ela tentava lembrar como fazer isso, tentando novamente confiar no instinto dela. Deduzindo quais eram os fusíveis daquele quadrante, ela começou a reversão. Imediatamente ruídos que eriçaram os pelos da nuca até dos mercenários se fizeram ouvir vindo de outro quadrante.

- Tenho um mal pressentimento sobre isso. – Han disse ao perceber de onde e como vinham os ruídos.

- Essa não. – Rey percebeu o que fez.

- O que foi? – Finn perguntou sorrindo pois não tinha percebido.

- Fusíveis errados.

- Matem-nos! – Bala-Tik ordenou com receio do que os esperava se não matassem logo Han – E peguem o androide.

Ninguém teve chance de puxar o gatilho, Rathars apareceram de ambos os lados do quadrante pegando todos que viam, simplesmente ignorando os tiros que recebiam. Han e Chewie se seguraram um no outro, sabendo o que aqueles animais soltos podiam significar.

Correram por um terceiro corredor, sendo seguidos por um Rathar.

- Isso seria uma boa hora para aquele garoto aparecer com as suas doidices. – ele resmungou enquanto tentava escapar por outro corredor e socava um dos capangas de Kanjiklub, o jogando para o monstro atrás deles.

- Isso foi um erro! – Finn disse para Rey enquanto voltavam engatinhando, buscando uma saída.

- Dos grandes! - ela concordou com energia.

Alcançaram o alçapão por onde entraram, e saíram correndo de algo que não sabiam ainda o que era.

- Como eles são?

Rey perguntou parando imediatamente em um corredor onde uma criatura enorme, cheia de tentáculos, surgia ao final, colocando um, dois, três homens em sua boca cheia de dentes afiados.

- Eles são desse jeito. – Finn respondeu quase sem voz, aterrorizado, puxando uma Rey atônita pelo braço para longe.

Os dois correram alguns metros até outro Rathar aparecer fazendo eles retornarem, mas já era tarde, um dos monstros já havia se aproximado o suficiente para agarrar Finn por uma das pernas com os seus tentáculos e começava a arrastar ele para longe. Rey correu atrás do monstro gritando pelo amigo, enquanto esse gritava por ela. Mas a criatura era mais rápida e Rey perdeu eles de vista. Ela parou novamente tentando alcançar com os ouvidos algum ruído que indicasse onde eles estavam, e ouviu a voz de Finn vindo de um monitor ali perto, para onde ela correu.

Novamente Rey se viu na situação de tentar encontrar uma solução para uma situação limite, e mais uma vez ela deixou se guiar por alguma coisa dentro dela que parecia soprar o que fazer e na hora que fazer. Ela digitou os códigos da porta, e esperou o momento certo para apertar, fechando o portão no momento exato para livrar o amigo.

Vendo que deu certo, ela foi até Finn, que tentava se reerguer.

- Ele estava comigo. – Finn arfava – A porta...

- Foi sorte. - Rey cortou o assunto o chamando para irem embora.

Eles saíram correndo novamente, mas não foram muito longe. Virando em um corredor, Finn parou fazendo Rey bater em seu ombro. Daquele corredor Finn viu uma figura sair de um dos corredores que se cruzavam mais a frente. Um tipo portando o que parecia ser uma arma ligada a um cilindro conectado ao grande macacão branco que vestia. Na parte em que deveria ser a cabeça, tinha uma caixa toda preta, mas com uma faixa vermelha que parecia ser o visor. Finn não esperou para saber o que a arma fazia, ele imediatamente empurrou Rey para o outro lado, os dois indo para o corredor de onde acabaram de vir, pouco antes daquele tipo estranho se virar na direção deles, e de Rey ver o outro.

- Rey, nós temos que nos separar. – ele parou ela no corredor, observando se vinha alguém ou algo - Você sabe para que lado a Millenium está?

Ela estava com os olhos arregalados, a respiração ofegante, o suor caindo da testa. Piscou várias vezes antes de responder com a cabeça que sim.

- Eu te levo lá.

- Não, Rey, só me diz para onde tenho que ir. Eu te alcanço.
Ela franziu a testa e fez que não com a cabeça, mas ele a olhou firme nos olhos e então Rey cedeu.

- Ok. É pra lá. – apontou na direção do corredor que Finn acabara de evitar – Eu posso cortar caminho por esse quadrante – ela apontou pro lado direito dela – e você segue até lá e vira a direita. Vai ter uma porta com código, mas não sei como você....

- Nós nos encontramos lá.

- Tá. – ela engoliu em seco e deu um abraço no amigo antes de sair correndo – Eu te espero lá.

Finn parou um pouco vendo ela se afastar e respirou fundo, ele então caminhou devagar até corredor onde o estranho estava. Mas quando ele se aproximou do local, um Rathar apareceu do outro lado do seu corredor, bem a sua frente, vindo na sua direção, fazendo ele dar passos para trás e cair.

- Ei! – uma voz masculina distorcida pelo capacete vindo da figura que Finn vira antes, gritou, erguendo os braços enquanto corria até parar em frente ao monstro, que, para a surpresa de Finn, parou onde estava mobilizado pela pura presença do homem de branco – Para trás. Paaaaaraaaaa tráááááás. - ele dizia em tom seguro. 

Finn arregalou os olhos, aquele com certeza não era um dos mercenários que vieram atacar Han. 



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